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O poder do matriarcado

18 Setembro, 2018

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António Costa aterrou em Angola de calças de ganga e milhões de portugueses desataram, de modo obsessivo, a debater questões protocolares e o respectivo dress code. Não é certamente todos os dias que João Carlos Espada se orgulha dos seus compatriotas, mas fontes bem informadas já relataram que o ilustre académico não consegue tirar, desde segunda-feira, o sorriso dos lábios e o brilhozinho dos olhos. Alguns amigos já pensaram em chamar o Batman, mas desconfiam que, à semelhança do ocorrido no filme de Tim Burton, não será uma queda do topo de uma torre da Universidade de Oxford a resolver o problema.

A indumentária do primeiro-ministro, à semelhança da indumentária dos homens em geral, deve ser sempre analisada à luz das decisivas e poderosas influências externas inerentes à mesma. Traduzindo: mulheres. O espécimen do género masculino, como é do conhecimento de toda a gente, veste-se de acordo com o gosto da mãe, da mulher e das filhas. E esse processo não ocorre por substituição mas sim por acumulação: não é por a filha começar a dar uns palpites que a mulher se abstém de participar, assim como não foi a cerimónia matrimonial a conseguir interromper a acção materna. Neste campo particular, Versalhes nunca acabou, e o acto de trajar continua a ser um ritual colectivo.

Não é por isso de estranhar o que aconteceu em Angola. Quem leu a entrevista que Maria Antónia Palla, mãe de António Costa, deu ao jornal Sol este fim-de-semana, percebe imediatamente quem fez a mala ao chefe do Governo. Queixando-se da atitude subserviente de Lisboa em relação a Luanda, Maria Antónia Palla atacou o agachamento nacional e caracterizou a nossa estratégia diplomática como “política de lambe-botas“.

Em situações normais as mães obrigam os filhos, mesmo debaixo de protestos, a vestir-se adequadamente. Neste caso, pelo contrário, podemos perfeitamente imaginar o seguinte raspanete à saída para o aeroporto: “António, meu filho, aonde é que o menino pensa que vai tão limpo e arranjadinho? Já para o quarto mudar de roupa e que isto não volte a acontecer”.

 

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9 comentários leave one →
  1. Mario Figueiredo permalink
    18 Setembro, 2018 16:54

    Mas ela nem tem o número de telefone dele. Ele é que liga para ela!

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  2. 18 Setembro, 2018 17:30

    Óptimo post !

    O AC-DC é cada vez mais um “cromo” ! E porque “cromo” sob bênção e tutela do afectuoso de Belém, os “cromos” tugas vão dar-lhe maioria absoluta em 2019.
    Entretanto o vaidoseco Ventura,André diz ter já 2500 assinaturas para destituir o RRio. O AC-DC agradece essa eventual desestabilização nos media.
    Eu arranjava era 1000 assinaturas para retirar da CMTV o Ventura e substitui-lo por um Benfiquista competente e não cartilhado.

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  3. carlos alberto ilharco permalink
    18 Setembro, 2018 18:09

    Já há explicação oficiosa.
    Ele não esperava uma recepção tão solene com guarda de honra e tudo.
    Esperava chegar, mostrar o passaporte diplomático e ir imediatamente para a suite.
    Um azar protocolar,

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  4. Procópio permalink
    18 Setembro, 2018 18:36

    Quem conhece minimamente a situação angolana liga pouco à indumentária do tipo.
    Seria pedir demais que acabassem as figuras ridículas e as palavras de circunstância.
    Quem está no poder em Angola tem feito muito para se afastar dos portugueses. É pouco inteligente mas é natural. O complexo colonial tem sido alimentado até em Lisboa por gente vil, interessada em minar tudo e todos. Até no Brasil subsiste apesar das aparências enganosas. Afinal as tiradas anti colonialistas serviram apenas para trocar de colonialismos.
    Enquanto durou a sôfrega gatunice do eduardo e & quem os baratinou foram os chineses. Lidam com eles à distância, enquanto lhes sugam, não só as derramas, mas também outras preciosidades pouco divulgadas da terra e do mar.
    Há porém outras actividades em que a língua conta muito. Os tradutores são escassos.
    Os contactos pessoais também possuem valor acrescido. Apertar a mão de um angolano é mais do que formalidade, eles sabem bem isso.
    Verdadeira consideração por aquela gente afinal muitos portugueses a nutrem. Ao longo dos anos isso conta. Tudo contado e descontadas as maldades de parte a parte, as coisas podem dar certo e não dependem deste mentiroso ou daquele tudólogo, mas sim de empresários capazes de fazerem negócios bons para os dois lados, de professores vocacionados para ensinar, de formadores hábeis, de enfermeiros e médicos dedicados.
    Os angolanos merecem essa atenção, precisam de ajuda, são nossos irmãos. Vão tê-la.

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    • Mario Figueiredo permalink
      18 Setembro, 2018 22:53

      Os Chineses, diga-se, estão a fazer um favor às relações Angola-Portugal. O neocolonialismo que os chineses impõem à sociedade Angolana está a afastar o espectro do colonialismo português e a desanuviar algum do racismo latente. Os Angolanos começam a encontrar alguém que afinal odeiam mais que os Cangas ou os Tugas.

      Infelizmente os nossos povos continuam a não se encontrar e a forte crise em Angola está a acelerar os conflitos em Portugal, há medida que o fluxo migratório se intensifica. Mas ainda assim, à pala dos Chineses, isto bem feito e daqui a uns 50 anos os últimos vestígios do complexo colonial desapareceriam da sociedade Angolana.

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  5. Rão Arques permalink
    18 Setembro, 2018 18:39

    O que mais importa é o carater do homem, ou a falta dele, do que os trapos que carrega.

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  6. Procópio permalink
    18 Setembro, 2018 19:56

    “O que mais importa é o carater do homem, ou a falta dele, do que os trapos que carrega”.
    Pois.

    “Começou a subir na hierarquia desta instância até chegar a seu presidente, cargo que ocupou durante cinco anos (2006-2011). Foi em 2011 que foi designado juiz do Supremo Tribunal de Justiça, de que agora vai ser presidente. Em abril de 2013, regressaria ao CSM, mas agora eleito para seu vice-presidente, mantendo-se nessa função até maio de 2016. Era considerado então afeto a Noronha do Nascimento, presidente do STJ de 2006 a 2013. Uma das marcas de Noronha do Nascimento no seu consulado como presidente do STJ foi ter sido um dos responsáveis pela não divulgação das escutas do processo “Face Oculta” onde José Sócrates foi intercetado telefonicamente”.

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    • licas permalink
      20 Setembro, 2018 14:28

      Já não estamos, penso eu, na fase de considerar “conversa privada”, e portanto não pertinente/proibido para o Processo, tudo quanto for importante para definir o carácter e os objectivos do arguido J. S. . que não passa, afinal, de estulta estratégia da defesa. Ou queremos voltar à época Pinto-Monteiro?

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  7. colono permalink
    20 Setembro, 2018 14:31

    Como disse alguém:
    Que importa a marca e feitio das calças se as foi baixar!!!

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