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Repitam comigo: não há extrema direita em Portugal

28 Outubro, 2019

Já estou com os cabelos em pé de tanto que vejo repetido, as palavras “extema-direita” colada aos partidos que não defendem os “valores progressistas” da esquerda radical. Não há paciência que aguente tamanha desonestidade intelectual vinda da parte daqueles que deveriam informar em vez de doutrinar. Não, não há partidos de extrema-direita em Portugal nem pode haver. É a própria Constituição Portuguesa que o diz. Não sou eu. Exige-se seriedade.

No artigo 46º – Liberdade de Associação diz assim: “não são consentidas associações nem armadas nem do tipo militar, militarizadas, ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem ideologia fascista” e o artigo 8° da Lei dos Partidos o seguinte:

Assim sendo, como explicam alguns senhores jornalistas e comentadores a insistência em conotar partidos portugueses de extrema direita?

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Por outro lado assistimos também a uma deturpação completa do que é VERDADEIRAMENTE uma extrema direita seja no Wikipédia (fonte obtusa)ou seja lá onde for na net. De forma generalizada pelo mundo inteiro atribui-se a uma ideologia fascista com cunho de “direita” por omissão propositada da História que deu origem ao fascismo. É incrível! Vamos lá ver:

O Fascismo não é nem nunca foi de direita. O facto de ter sido omitido das aulas de História nas escolas públicas não faz desaparecer a sua origem. E qual é ela? O fascismo nasceu com o filósofo italiano socialista Giovanni Gentile que acreditava que existiam dois tipos opostos de democracia: uma liberal individualista que considerava egoísta e outra, a verdadeiramente democrática, na qual os indivíduos se subordinavam ao Estado, uma comunidade que lembrasse a família e em que estivessem todos juntos pelo bem comum.

Gentile era de esquerda portanto inequivocamente o fascismo de que ele é autor é uma forma de socialismo só que mais funcional. Enquanto o marxismo mobiliza as pessoas com base apenas na sua classe, o fascismo mobiliza apelando às suas identidades nacionais e classes. Segundo ele, toda a acção privada devia ser orientada para servir a sociedade. Nesta ideologia não há distinção entre interesse privado e público pois o braço administrativo da sociedade é o Estado. Mussolini resumiu esta ideologia numa frase: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”. Dois socialistas nos anos 30 foram mentores na aplicação deste capitalismo direccionado pelo Estado: Hitler (líder da Nacional Socialista que por contracção deu origem à palavra “nazi”) e Mussolini. A UE reconheceu finalmente que o Nazismo e Comunismo, duas ideologias extremistas, têm a mesma origem. Já não há desculpas para os média continuarem com a mesma ladainha.

No lado completamente oposto está o Conservadorismo. Aqui defende-se um governo mínimo e liberdade individual que levado ao extremo transformaria a sociedade numa anarquia (sociedade constituída sem governo) o que inviabiliza completamente a possibilidade de se criar uma ditadura porque é um sistema baseado na negação da autoridade. Mas isto ninguém lhe dirá. É para manter “esquecido” não vá a sociedade acordar do coma.

Concluindo: se não há partidos de extrema direita em Portugal porque não é permitida por lei por que razão continuam a rotular certos partidos anti-sistema como tal?

Bom, só não vê quem não quer. A sociedade que temos hoje é socialista (não confundir com social-democracia): Estado enorme com tentáculos gigantes que controlam todos os aspectos da nossa vida retirando gradualmente as liberdades individuais; impostos elevadíssimos que nos empobrecem, para justificar um Estado social cada vez mais deficitário e ineficiente e alimentar o “apetite voraz” dos governantes; um sistema eleitoral que eterniza os grandes partidos no poder impedindo a renovação do Parlamento dificultando a entrada de novas forças políticas; oligarquias nos governos; milhões de dependentes do Estado desde particulares a empresas para maior controlo das massas; ensino doutrinário; censura e perseguição às vozes divergentes. Como fazer frente a partidos que se dizem dispostos a ACABAR com esta sociedade para fazer renascer outra totalmente livre, igualitária, pacífica, inclusiva e justa com valores e ordem social, o maior perigo para a disfuncional sociedade esquerdista? Gritando “vem aí o lobo mau”!

Na verdade o que entrou para o Parlamento não foi a extrema direita mas sim a verdadeira direita ( que nunca existiu em Portugal ) e que através do seu manifesto político promete corrigir os graves atentados à democracia de que fomos vítimas durante décadas. É a reposição dos valores ensinados pelos nossos pais e avós numa sociedade completamente à deriva, perdida nos seus conceitos pseudo-progressistas de desconstrução social.

43 comentários leave one →
  1. 28 Outubro, 2019 14:08

    Entrou um melro para lhes chagar o juízo. Diga assim.

    Um único que não faz parte do status quo socialista e esquerdista que manda em Portugal.

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    • Luis permalink
      28 Outubro, 2019 20:21

      Vai ser muito difícil mudar o que quer que seja. O PS soarista e guterrista ainda rejeitaram a agenda dos costumes. Com o socratismo meteram a agenda dentro do PS. E legitimaram o discurso do BE. A machadada final veio em 2015 com o acordo de «Esquerdas». O PS neste momento já não se distingue do BE e do Livre no que diz respeito a estas agendas. O PSD e o CDS, recheados de betinhos fúteis com medo e vergonha de serem acusados disto ou daquilo, e com o providencial provincianismo das elites urbanas que leva à aceitação de tudo o que «vem de fora» de forma acrítica, não são real oposição. Na questão da eutanásia foi aliás interessante ver que muita a oposição mais agressiva veio até do PCP. O BE e o Livre, em certa medida, são muito mais perigosos que o PCP.

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  2. 28 Outubro, 2019 14:10

    E só à conta de um, estes imbecis já marinham pelas paredes.

    E até lhe chagam os cornos por dar mau-aspecto ao “liberalismo blasfemo”.

    Se viesse para aqui escrever que abater velhos nos hospitais é uma questão de cidadania, estes melros que se dizem de “Direita” e muito democráticos e humanistas, batiam-lhe a pala.

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  3. 28 Outubro, 2019 14:21

    Excelente texto Cristina. Fundamentado e correcto. Caberia agora clarificar para as poucas mentes sãs que ainda restam, o que foram politicamente coisas tão diferentes como: O Estado Novo, a Falange, a Ditadura dos Coronéis no Brasil e o Governo Militar da Grécia. Vamos dar a aula completa!

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    • 28 Outubro, 2019 21:02

      Um bela lição da verdadeira democracia. A Cristina está mais uma vez de parabéns. E tal como o jorgercramos sugere e bem, que tal a Cristina, com os seus conhecimentos e a competência consabida, predispôr-se a dar outra grande lição sobre a História recente dos vários países europeus antes das democracias se terem neles introduzido, Portugal incluído, cujos governantes foram patriotas e íntegros e defensores acérrimos dos seus povos e Pátrias, conseguindo manter bem longe das fronteiras redes criminosas de todo o género e feitio: as de contrabando, de pedofilia DE ESTADO (repito, DE ESTADO), de tráfico de droga, de tráfico de mulheres e crianças, de tráfico de orgãos, etc. Isto serviria para dar uma lição aos comunistas e extremo-extremistas, que se fazem sempre de parvos e teimam em desmentir estas verdades incontestáveis. Os mesmos que quando são confrontados com as mesmas contrapõem sempre argumentos falsos e outros deturpados, mas já sabemos do que a casa gasta. Os comunistas/socialistas/extremo-esquerdistas quando chegam ao poder nas democracias – o único regime que os admite como pares, por isso as idolatram – nunca mais o largam. Eles são manhosos, mentirosos, aldrabões e as mais das vezes criminosos morais e de sangue. Eles sabem-na toda.

      Este género de lições serve também e sobretudo para explicar à juventude o que é uma verdadeira democracia e também ensinar-lhe o que é ser-se patriota e ter orgulho em sê-lo. Infelizmente nada disto é ensinado nas escolas. A internete acaba por ser util para muita coisa e a descrita é uma delas. É através de magníficos blogos como este (mas há outros, poucos, tão úteis quanto este) que se aprende o que é viver num regime democrático genuíno e ser-se governado por homens honestos, íntegros e patriotas.
      Os países citados por jorgercramos cujos regimes não eram democráticos e não obstante foram governados por homens patriotas e íntegros que amavam as suas Pátrias e os seus Povos e durante o tempo que permaneceram no poder mantiveram os seus povos seguros e felizes. O que viveram esses tempos em qualquer destes países e ainda estiverem de boa saúde, confirmam-no e provam-no.
      Maria

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      • 29 Outubro, 2019 13:24

        Como é que temos o mesmo nome de login ?!?!?! Felizmente parece-me que concordamos em muita coisa …

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      • Maria permalink
        29 Outubro, 2019 15:30

        jorgercramos: diz temos o mesmo nome de login?!? Como assim? Confesso que não faço a menor ideia.

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      • 30 Outubro, 2019 02:31

        LOL nem eu, mas repare o meu texto e o seu logo abaixo com o meu login e a sua assinatura … Maria

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  4. Daniel Ferreira permalink
    28 Outubro, 2019 14:22

    Se não são permitidas associações “racistas”, porque deu o Costa naturalidade automática a uns milhõezitos de candidatos que são os mais racistas de todos, dª Cristina?

    Se não são permitidas associações “racistas”, porque é que o “Governo” não promove mais nada a não ser o ataque a tudo o que é ser Português, dª Cristina?

    Se criticar certas “etnias” que TODA a gente sabe que não andam propriamente a contribuir para a Paz é, segundo a escumalha, “assédio étnico” (?!?!?!?!), onde é que eu posso ler exactamente o que significa a etnia portuguesa para poder processar quem critica. dª Cristina? Ou as minorias são protegidas legalmente e a maioria é lixo legal?

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    • Jornaleca permalink
      28 Outubro, 2019 15:31

      @Daniel

      Porquê? Que anda você aqui a fazer? Nada aprende?
      O Costa é perverso e decadente.
      Faça favor de reflectir sobre o significado do termo perversidade.

      Perversidade é por exemplo, ter leis e as não respeitar. Nota algo?

      Foi uma socialista portuguesa que quis impor a perversidade e a decadência em toda a Europa! Não sabe? Bem ele e os cobardes que se esconderam por detrás do palco.

      Uma puta que vai ou cu de outras mulheres ou gosta de levar no cu, de Sintra. Foi em nome dela, que levaram uma proposta ao parlamento europeu. Os intrigantes (da maçonaria) lá conseguiram passar essa porcaria enorme, após seis ou sete fracassos.

      Se não compreender a perversidade, não compreende os dias de hoje.

      Os seres humanos com práticas sexuais anormais são agora o avanço tecnológico do caraças. Em destruindo a Europa, os maçónicos semeiam o caos e a morte e aproximam-se da meta, de só permitir 500 milhões de habitantes nesta terra.

      A Europa judeu-cristã foi até hoje o grande motor da civilização. E querem destruir essa mesma.

      Isto é complicado e não é.

      A resposta é: Costa, Merkel, Macron, Sánchez são perversos. Com as ditas consequências.

      A meta é destruir a família e o homem branco.

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  5. 28 Outubro, 2019 14:44

    “O fascismo nasceu com o filósofo italiano socialista Giovanni Gentile”

    O Gentile não aderiu ao fascismo só depois de este chegar ao poder, em 1922 (portanto é muito pouco provável que o fascismo tenha nascido com ele)? E antes de ser fascista, era do “Grupo Nacional Liberal”, que pelo nome duvido que fosse socialista.

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    • lucklucky permalink
      28 Outubro, 2019 21:56

      Apesar do nome era um movimento nacionalista.

      Gentile intitulou-se “liberal” na concepção do estado forte de Cavour mas com amplas liberdades comparando com o passado obviamente e de controlo do Império Austro Hungaro.

      —ii—

      Mussolini e a União Soviética

      “La svolta avvenne però con la marcia su Roma. Tra i primi atti di governo
      Mussolini incontrò il 7 e 12 novembre Vorovskij, sottolineando le affinità ideo –
      logiche tra la Russia bolscevica e l’Italia fascista, accomunate anche dalla conte-
      stazione degli assetti di Versailles, e manifestando l’intenzione di riallacciare le
      relazioni diplomatiche a condizione che Mosca rinunciasse a intromettersi nella
      politica interna italiana e ad appoggiare il PCd’I. La condizione fu accettata e le
      prime immediate conseguenze riguardarono proprio le forniture aereonautiche. …”

      “Quasi alla vigilia del primo anniversario
      del Patto italo-sovietico Stalin inviò a Roma una delegazione di 6 generali e altri
      33 esponenti civili dell’aviazione sovietica, giunta il 6 agosto 1934 a Centocel-
      le con 3 quadrimotori TB-3 (ANT-6) e accompagnata l’8 pomeriggio a Palazzo
      Venezia dai sottosegretari agli Esteri e all’Aeronautica Fulvio Suvich e generale
      Giuseppe Valle: all’apprezzamento espresso dal duce per i crescenti progressi
      dell’aviazione sovietica, la delegazione rispose con un triplice «hurrà!». ”

      2019 SISM Italy on the Rimland. Storia militare di una Penisola Eurasiatica. Tomo I: Intermarium

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  6. Jornaleca permalink
    28 Outubro, 2019 15:19

    Não levem esse asno italiano Gentile a sério. A esquerda brinca com todos, que não querem ser como eles. Dêem um pontapé na parte traseira ao gajo italiano & Lda. O gajo é parvo. Toda a esquerda é parva.

    O que conta é o que eles fazem. É só a esquerda que se porta como o fascismo. É tudo uma brincadeira de mau gosto com palavras.

    A esquerda nada percebe de ciência. Nadinha.

    Devemos é falar dos crimes da esquerda, que eles tentam esconder, apontando sempre a culpa ao adversário.

    O maior e único inimigo perigoso da esquerda é o cristão honesto e inocente. O resto é sem interesse.

    Estaline matou 800.000 (oitocentos mil) cristãos inocentes, por ter medo deles.

    Enquanto não todos serem putas, os filhos das putas não param em terrorizar-nos.

    O homem moderno não compreende o jogo. Aqui estamos a lutar contra a maldade pura. O rótulo muda, mas a maldade fica. E esta esquerda é profundamente malvada. Até um cego vê.

    P.S.:
    Muito bom texto, cara autora!

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  7. 28 Outubro, 2019 15:25

    “No lado completamente oposto está o Conservadorismo. Aqui defende-se um governo mínimo e liberdade individual que levado ao extremo transformaria a sociedade numa anarquia”

    Acho que há aqui uma grande confusão (talvez resultado do tempo em que a Cristina Miranda viveu no Canadá) – “conservadorismo”, sobretudo na Europa continental, não defende nada “governo mínimo” e muito menos “liberdade individual”; isso é “liberalismo”.

    O conservadorismo continental clássico era De Maistre, Bonald (autor da frase “não são os indivíduos que formam a sociedade, é a sociedade que forma o individuo” – não há aqui nada de individualismos) e afins, e no século XX governantes como Salazar, Franco ou Dolfuss – autoritários, clericais e corporativos; não estou a dizer que o fascismo e o conservadorismo continental fossem a mesma coisa, mas os pontos em comum (autoritarismo, corporativismo, defesa das hierarquias, simultaneamente anti-marxisimo e anti-liberalismo) são suficientes, parece-me, para os por do mesmo lado da barricada política, e o que mais há são vasos comunicantes entre uns e outros – os integralistas que se passaram para o Movimento Nacional Sindicalista, os ativistas da Action Française que depois se passaram para grupos fascistas (ou, mais modernamente, a ida de elementos da Nova Monarquia para o Movimento de Ação Nacional, nos anos 80, ou já neste século, a forma como elementos quase abertamente fascistas expulsaram da liderança do PNR a linha mais salazarista de Cruz Rodrigues); ou, no sentido contrário, a forma como o Movimento Social Italiano neofascista se transformou na Aliança Nacional e depois nos Irmão de Itália, que se consideram conservadores.

    [Diga-se que mesmo na América do Norte “conservadorismo” – que está muito perto do que aqui chamariamos “liberalismo” – não significa “um governo mínimo e liberdade individual que levado ao extremo transformaria a sociedade numa anarquia”; basta fazer uma pequena busca na internet para encontrar artigos de “conservatives” a atacar os “libertarians”; há um clássico do Russel Kirk, p.ex,; e no Canadá penso que os conservadores eram ainda menos liberais que nos EUA; ver “red tories”]

    De qualquer maneira, a Cristina Miranda parece-me que faz um argumento que se auto-contradiz – primeiro diz que não há extrema-direita em Portugal, porque a constituição proíbe organizações de ideologia fascista, mas depois diz que o fascismo não é de direita (a menos que o raciocinio seja algo na linha “o fascismo não é de direita, mas como toda a gente usa «extrema-direita» como sinónimo de fascismo, é nesse sentido que não há «extrema-direita»”)….

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  8. Alfa Semedo permalink
    28 Outubro, 2019 16:09

    Muito bem escrito Cristina. Que á sua voz pública se unam muitos mais. Temos que acabar com o socialismo.

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  9. Luis permalink
    28 Outubro, 2019 17:41

    Hoje em dia chama-se extremista a quem na questão dos costumes recusa certas opções política que há 20 ou 30 anos eram aceites como normalíssimas da Esquerda à Direita, sendo apenas defendidas por minorias tidas como radicais pela maioria do espectro político. Por exemplo, passaria pela cabeça de alguém aceitar a adopção de menores de idade por parte de uniões de pessoas do mesmo sexo nos anos 90? Recuando no tempo, jamais o PS soarista ou de Guterres aceitaria isto, nem o PCP. Era então opção de uma minoria radical que quando se organizou e pariu o BE representava apenas 1% do eleitorado. E representando percentagem tão ínfima passa imediatamente a ter uma exposição mediática extraordinária e radical, que nunca foi dada a outra formações partidárias minoritárias, como o Nova Democracia do Manuel Monteiro. Contudo, com uma política gradualista, de pequenos passos, e colocando as pessoas certas no lugar certo no momento certo (Isabel Moreira, por exemplo, no socratismo) hoje em dia as massas e as instituições já consideram o contrário: a opção radical é recusar que se aceite a adopção. E isto é assustador. Afinal, as massas já aceitaram a escravatura, o sacrifício ritual, os Autos da Fé, entre outros comportamentos que face à moral cristã ocidental são atentados contra a dignidade do Homem.

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  10. Luis permalink
    28 Outubro, 2019 17:58

    Para mim aquilo que poderia ser considerado extrema-direita no contexto nacional seria o renascimento do ultra-salazarismo. Quem quiser perceber o que isto é procure o que dizia Marcelo Caetano na juventude, quando era antisocialista e anticapitalista ao mesmo tempo. Importa contudo notar que no caso particular português a repressão tradicional das elites nunca foi propriamente racista. Torna-se profundamente antisemita e anticapitalista no século XVI, mas há uma intensa miscigenação, que se distingue do que sucedia, por exemplo, na colonização da África do Sul pelos colonos holandeses e huguenotes, ou da América do Norte pelos colonos ingleses, escoceses, holandeses e franceses. Uma extrema-direita à portuguesa exclui assim a componente de apharteid, o eugenismo ou o racismo, embora alguns grupos minoritárias odeiem a concepção do Portugal do Minho a Timor e preferem exaltar a ascendência celta e lusitana, renegando assim a miscigenação, em nome de uma pureza de sangue indo-europeia.

    Face aos tempos que vivemos, um programa de extrema-direita à portuguesa incluiria nada mais nada menos que a recuperação não dos ideais de Salazar, mas sim de Franco, readaptados para a realidade actual. Convém não esquecer que Salazar meteu Portugal na EFTA, na ONU e na NATO. Ora que eu saiba não há nenhum partido em Portugal com um programa eleitoral deste tipo. O Chega, por exemplo, não é mais que um partido de Direita mais tradicional, cujo programa não difere muito de um PP espanhol. Dizer que André Ventura é de extrema-direita é literalmente estúpido e não percebo por que motivo ninguém diz que o rei vai nu. O CDS, por exemplo, com as atitudes que tem tido nos últimos dias, não terá o meu voto tão cedo. Que a Esquerda em Portugal e Espanha chame fascista a toda a gente que não alinhe na sua agenda é uma coisa, agora que o PSD e o CDS alinhem na estratégia da Esquerda já é insuportável e intolerável. Dão a mão ao adversário…

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  11. MJRB permalink
    28 Outubro, 2019 18:34

    Quanto à “extrema-direita” em Portugal, existe. Mas é política e interventivamente residual, está serenada, suave, aconchegada no regime. Mansa, centrista, só com bitaites para se colocar no palco. Provavelmente no futuro obterá substanciais apoios eleitorais.
    A Constituição proíbe-a ?! Votem numas legislativas num partido que a reveja e faça aprovar a sua “razão”.
    Não me amedronta nadinha. Essa coisa da “vida ou morte” para a combater, é, disseram-me, uma excitação à la Daniel Oliveira & seus.

    Cristina,
    Também isto mas via actual governança, é que é preocupante com repercussões negativas daqui a dez, quinze anos, e mais: “Fim dos chumbos até ao 9º Ano”. Está no programa do governo, que vai cumprir, para agradar.
    Estes 70 que se apoderaram do poder (garantidamente até 2023), não tentam imitar bem o que acontece noutros países, porque os profs não conseguem controlar nada, e o sistema de ensino está à deriva, IDÍLICO e caótico — simplesmente querem votos. PQP, praticam banditismo de Estado, estão mesmo e cada vez mais a destruir pessoas para proveito do P”S”. Tudo, com a bênção do azougado tutor de Belém, o tal que afirmou ser “a Rosa Mota mais importante do que todos os governos e todos os presidentes da República”.
    Vão ser mais quatro anos prejudiciais mas festivos.

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    • MJRB permalink
      28 Outubro, 2019 18:44

      Rectificação: “Estes 72 que se apoderaram do poder. Contando com o MCThomaz e o Ferro-estou-me-cagando-para-a-justiça.

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    • Luis permalink
      28 Outubro, 2019 19:20

      Esta de acabarem com os chumbos talvez nem seja o pior que ai virá pois na prática já é muito difícil reprovar um aluno. O pior que preparam é o fim dos exames nacionais, e as quotas para minorias no acesso ao Superior. E isso em pouco tempo vai ter apenas esta consequência: o acesso ao Superior ficará barrado às classes mais baixas, que não pertençam às minorias com direito a quotas. E tal sucederá porque os «ricos», ou seja, a burguesia urbana e o funcionalismo urbano colocarão os filhos nos colégios privados generosos na hora de dar notas, e assim preencherão a maioria das vagas em cursos como Arquitectura, Medicina ou Engenharias. Quem não tiver dinheiro para pagar colégio e explicadores, ficará numa escola pública, em turmas onde parte dos alunos não conseguem acompanhar a matéria porque chegaram lá sem nunca terem sido verdadeiramente avaliados, pois não há reprovações, e nas quais não há pressão para cumprir programas e ensinar, pois sem exames, não há ferramentas de avaliação externa. Outra alteração estrutural que certamente tentarão será a doutrinação pela via da alteração dos conteúdos programáticos. E acentuarão a tendência para desprezar a avaliação objectiva de conhecimentos e dar valor crescente a avaliações subjectivas de «atitudes, comportamentos, motivação, trabalho em grupo, participação».

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      • MJRB permalink
        28 Outubro, 2019 19:56

        Luis,
        Já tudo de negativo é possível –e preocupantemente admitido pela vasta maioria dos tugas– em Portugal.
        Assim sendo…
        “Somos os melhores dos melhores dos melhores”, quase decretou o lírico e excitado MCThomaz durante a cerimónia no lançamento de uma cervejeira. Acredito que não estava embriagado, o que agrava a “proclamação”.

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      • Luis permalink
        28 Outubro, 2019 20:13

        De facto surpreende-me a mudança brutal dos portugueses em apenas uma geração. Mostra também que somos «fracos de cabeça», ou cata-ventos… mudamos rapidamente com o vento. Isso vê-se no divórcio. Hoje em dia 65 a 70% dos casamentos acabam em divórcio. Somos campeões do divórcio no mundo desenvolvido. No entanto, não foi assim há tanto tempo que o divórcio era estigmatizado. Passou-se do 8 ao 80, do tudo ao nada. Outra alteração brutal diz respeito à propriedade e bens de família. Primeiro veio a geração pós-abrileira que não mantinha e abandonava, não explorava nem arrendava, mas as leis do arrendamento também não ajudavam. No tempo da minha bisavó eram pobres mas não tinham casas fechadas ou a cair nem terras abandonadas. Agora veio a geração das vendas e estoiranço. Vendem tudo, os recheios, o ouro, as propriedades. E estoiram em carros novos e viagens. Os filhos e netos vão receber pouco ou nada.

        São cada vez menos as famílias que têm valores que décadas atrás eram patilhados pela maioria.. Sempre que possível casamento para a vida, poupança, filhos, manter os bens e expandir se possível, desconfiança face a modas e novidades.

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      • André Miguel permalink
        28 Outubro, 2019 20:35

        Luís, não esquecer que Portugal “exporta” cerca de 100 mil emigrantes por ano, numa década falamos em cerca de um milhão de pessoas. É óbvio que isto tem consequências sociais e talvez explique muitas das mudanças que fala na sociedade portuguesa. Falamos de um milhão de pessoas formadas, empreendedoras, ambiciosas e inconformadas. Por isso eu costumo dizer que o problema de Portugal não são os que saem, mas os que ficam…

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      • Luis permalink
        28 Outubro, 2019 20:45

        Caro André… Portugal é um caso singular de emigração no mundo. Mais de 3 milhões em 300 anos, especialmente a partir de D. João III. Mais de 80% eram homens. Estima-se que no mesmo período tenham saído para a América apenas cerca de 200 mil espanhóis. Metade de Buenos Aires chegou a ser constituída por portugueses. Na segunda metade do século XIX volta a emigração em massa, para o Brasil. A seguir à Segunda Guerra Mundial, saem perto de 1 milhão de pessoas.

        Agora, a grande questão será esta… de que fogem há 500 anos os mais capazes? E será justo também perguntar… de que fogem os homens portugueses?

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      • Luis permalink
        28 Outubro, 2019 20:52

        No século XVI, depois do início da actividade do Santo Ofício, saem em massa os mais capazes, a maioria homens. Em contrapartida, o país importa escravos, não só de África, mas também da China e até do Japão. Cerca de 10% da população de Lisboa era constituída por escravos, com números ainda mais altos na Madeira ou no Algarve.

        Agora, em pleno século XXI, saem em massa jovens, com ou sem licenciatura. Em contrapartida, a emigração dos melhores e mais jovens é compensada pela entrada de dezenas de milhar de imigrantes do Brasil ou da Ásia (Índia, Nepal, Bangladesh), a maioria sem «skills».

        E esta, hein?

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  12. Artista português permalink
    28 Outubro, 2019 19:43

    Muito bem, Cristina. Na verdade, a única extrema que existe no Parlamento é a esquerda.
    E é isso que eles pretendem tapar.

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  13. FGCosta permalink
    28 Outubro, 2019 21:17

    1- O racismo e fascismo são inconstitucionais.
    2- Vários partidos, políticos e jornalistas afirmam reiteradamente que o Chega é fascista e racista.
    3- Se acreditam no que dizem, ao não colocar o caso em tribunal, estão a ser coniventes, por passividade, o que é gravíssimo. Deverão ser acusados de conivência com organização racista/fascista.
    4- Se não acreditarem no que dizem, deverão ser acusados por difamação, e denunciados como tal.
    5- Simples

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  14. Albano Silva permalink
    28 Outubro, 2019 21:22

    Artigo instrutivo, mas a Cristina está parcialmente errada; a Constituição proíbe associações fascistas, racistas, etc., mas é subentendido que se refere às que sejam criadas e administradas pelo “homem branco”. Está a ser actualmente demonstrado que parece não abranger as que dão guarida a fascistas e racistas de cor…

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  15. sam permalink
    28 Outubro, 2019 22:32

    Fico espantado com a inicial invocação do argumento da autoridade por parte da d. Cristina. Nos tempos que correm, se há coisa que deve ser evitada numa discussão é o recurso a esse tipo de argumentário.

    A única hipótese que me apetece considerar é que a d.Cristina se imagine na posição do ateu culto que trata de esfregar citações bíblicas na cara dos crentes hipócritas.

    Pensar que a d. Cristina (ou qualquer outro) pudesse estar a falar a sério ao dizer que a Constituição Portuguesa é para se levar a sério, é algo que ultrapassa as leis da sanidade mental.

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  16. Ausente52 permalink
    29 Outubro, 2019 05:52

    Obrigado Cristina Miranda pelo que o seu artigo me ensinou.

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  17. Arlindo da Costa permalink
    29 Outubro, 2019 05:57

    Em Portugal não são proibidos partidos da extrema-direita. O que são proibidos são os partidos regionais ou os partidos que defendem a independência dos Açores.
    Democracia duns sobre os outros.

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    • sam permalink
      29 Outubro, 2019 07:32

      Olha, o Arlindinho está incomodado com a dinastia clepto-monárquica do César ilhéu…

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  18. Arlindo da Costa permalink
    29 Outubro, 2019 06:05

    extrema-direita em Portugal? coitadinhos, nem vejo um marmanjo capaz de fazer uma saudação nazi como deve ser, são todos uns betinhos e uns maricas. ou quanto muito uns camisinhas-de-vénus que andam aqui a armar-se em durões. vão mas é para casa brincar com os ursinhos…

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    • sam permalink
      29 Outubro, 2019 07:29

      O Arlindinho é que vai ensinar como é que se espancam fufas.
      Os treinos na quinta da Atalaia têm de servir para alguma coisa…

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  19. Beirao permalink
    29 Outubro, 2019 09:26

    Carradas de razão, Cristina. Obrigado pela lucidez e coragem que põe em tudo o que escreve. Para a canalha esquerdalha são potentes murros nas trompas. Força!

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  20. jppch permalink
    29 Outubro, 2019 20:19

    Calma Cristina…. concordo consigo, mas um mais um pouco de literatura…. contudo , CONCORDO CONSIGO

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    • Cristina Miranda permalink
      30 Outubro, 2019 10:02

      Eu entendo o que me quer dizer. Contudo, eu estou a fazer a minha própria opinião. Não me interessa o q filósofos e intelectuais mortos ou vivos pensaram sobre o mesmo tema. Eu só me interesso por quem é autor das ideologias e a partir daí, com o meu conhecimento prático dessas ideologias crio o meu próprio pensamento sobre o mesmo. Não sou uma intelectual. Não tenho paciência pra filosofar sobre isto e aquilo, falar muito e dizer pouco, às voltas com um assunto evocando A e B sem sair do sítio. Sou pragmática. E repito: os meus textos são o meu pensamento de análise sobre o q me rodeia, o q pesquiso e não sobre o pensamento e análise dos outros.

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      • Jornaleca permalink
        30 Outubro, 2019 10:36

        Cara autora,
        você é uma das melhores “intelectuais” que Portugal no momento tem.

        Sem dúvida nenhuma.

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      • Cristina Miranda permalink
        30 Outubro, 2019 14:47

        Embora não concorde, agradeço o elogia. Há muita gente bem pensante por aí muito superior. Eu comecei agira o meu caminho de “fazedora de opiniao”. Tenho ainda muito pra ver, ouvir e aprender.

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      • 31 Outubro, 2019 00:45

        Cara Cristina, à momentos Históricos em que ousar exprimir opinião contrária à decadência nos circunda, nos obriga a ir até ao fim. Sem hesitações, sem medo, mas também sem termos o direito de desistir. Os que cumprem são os que, citando Camões: ” se vão da Lei da Morte libertando… ” Está pronta, avance! Acho que é capaz de ser uma peça que rebentará a engrenagem do torno que nos oprime. Eu farei a minha parte pela Pátria Portuguesa, pela Nação e até por (podemos sempre usar de algum humor) respeito às saias de D. Afonso Henriques … que terão de ser distinguidas de outras.

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