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O Estado e o mundo rural

2 Janeiro, 2020

Henrique Pereira dos Santos: «São os produtores de pinhão que se queixam das quebras por causa das doenças, mas também dos roubos de pinha, são os produtores de cortiça que vêem as pilhas diminuir, são os empreiteiros florestais que não podem deixar as máquinas no monte sem ficarem sem gasóleo, são os produtores de regadio que vêem ser roubados os metais dos sistemas de rega, são os produtores de cereja a começar a vedar e fiscalizar as áreas de produção, são os produtores de azeitona a queixar-se de um dia acordarem sem a azeitona no olival, são as castanhas que se evaporam, a juntar aos já citados roubos de gado e muitos outros.

No outro dia, à procura de uma estrada, passo pelo posto da GNR de uma grande aldeia, e resolvo pedir indicações. O posto estava fechado, bati à porta, apareceu um agente a quem pedi indicações debalde: “não sou de cá, amigo, não faço ideia de onde será essa estrada, com a falta de pessoal, aos fins-de-semana mandam para aqui pessoal de fora só para o posto não estar fechado, de maneira que eu não conheço esta zona”.

(…) E, no entanto, este é o Estado que passa a vida a falar na valorização do interior – Portugal deve ser o único país do mundo em que o interior começa a uns vinte quilómetros da costa – tem até umas secretarias de Estado catitas espalhadas por aqui e ali, fala dos milhões que os contribuintes europeus despejam nessas tais regiões da convergência territorial.

O problema é grande parte do dinheiro chegar através de autarquias que pagam festas de Verão, piscinas, auditórios vazios, empresas inviáveis, pensando que estão a resolver os problemas do interior.

É o mesmo Estado que tinha uma missão para a valorização do interior – depois passou a secretaria de estado, vai agora num ministério da coesão territorial – que apresentou umas dezenas largas de medidas para valorizar o interior e de que cito apenas uma: “Projeto de difusão de espetáculos produzidos e coproduzidos pelo Teatro D. Maria II visando alcançar territórios onde a oferta teatral é ocasional ou irregular”

11 comentários leave one →
  1. Procópio permalink
    2 Janeiro, 2020 23:41

    A farsa continua, do Corvo ao interior esfarrapado, com festa de permeio.
    Noutros locais, Espanha, USA, Líbano, Iraque, Líbia, Índia,Turquia, Irão, Argélia acontecem situações interessantes. Espanha fica aqui ao lado e a Argélia não é assim tão longe.
    Um dia até os nossos mentirosos vão falar disso nos seus pasquins.

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  2. Zé Manel Tonto permalink
    3 Janeiro, 2020 04:58

    Portanto o Estado não é capaz de garantir a segurança interna, mas depois cobra impostos estupidamente altos para tudo e mais um par de botas que podia deixar à iniciativa privada.

    O último a sair que feche a porta.

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  3. lucklucky permalink
    3 Janeiro, 2020 07:35

    Quanto à GNR atendendo a que perseguem quem apanha as suas próprias pinhas talvez seja melhor que não hajam muitos.

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  4. Tiro ao Alvo permalink
    3 Janeiro, 2020 08:48

    “O problema é grande parte do dinheiro chegar através de autarquias que pagam festas de Verão, piscinas, auditórios vazios, empresas inviáveis”.
    E não só. Muitos desses dinheiros ficam em Lisboa, ora em cursos de formação profissional (que servem para quase nada), ora em publicidade louvando a “coesão social”, ora em gabinetes fazedores de “projectos viáveis”, ora nas mãos de corruptos. É caso para dizer: ora bolas!

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  5. Beirao permalink
    3 Janeiro, 2020 09:21

    Revoltante! Esta gente da política merece levar com um pano encarnado nas ventas. Filhos da mãe.

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  6. 3 Janeiro, 2020 10:36

    Pertinente, este post.

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  7. Castrol permalink
    3 Janeiro, 2020 10:56

    Um Estado míope, obeso e com tiques de novo riquismo.

    Um Estado elitista e parolo.

    Um Estado que nem se dá ao trabalho de conhecer a realidade do País.

    Um Estado que se serve em vez de servir.

    Isto há muito que deixou de ser um País, para ser um pardieiro mal frequentado…

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    • Jornaleca permalink
      3 Janeiro, 2020 11:21

      Tal igual ou ainda mais pior, como aqui escrito, já no ano de 1945, por George Orwell: Animal Farm.

      Era tudo sabido e os portugueses, uma grande maioria, quiseram destruir o nosso império.

      Foram os porcos descritos por George Orwell, que primeiro destruiram o nosso país, para o agora arrastar ainda mais.

      O os ateus aplaudiram.

      Vir agora com queixinhas, é muito barato.

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  8. Jornaleca permalink
    3 Janeiro, 2020 11:03

    Olha, olha, olhem, olhem, que boa piada.

    Mais uma vez um autor a exigir da imperfeição a perfeição. Um crente sem qualquer credibilidade. Exigir, que o ladrão seja honesto. Que parvoíce.

    A UE, meus caros senhores e senhoras, foi mesmo só para isso. Comprar votos, alargar o poder dos alemães, dos franceses, e dos ingleses. E destruindo mais ainda o nosso país. E as mesmas forças agora querem transformarem isto, num campo de guerra, de libre vontade ou não, é que não tenho a certeza.

    Abrir novos mercados para os nossos inimigos e destruir as nossas empresas. Tirar a Portugal a sua independência, a sua própria moeda e conseguiram-o, muito bem.

    E porquê? Porque depois do 25 de Abril havia muitos portugueses corruptos e burros.

    E como é que o conseguiram? Com a doutrina da ciência dos macacos. A ateu adora a palavra ciência e obedece, pior que qualquer macaco. Nada percebe de ciência, mas adorar isso adora.

    Agora a ciência em Bruxelas diz: cortem o dinheiro a todos os países, que não aceitarem acolher muitos dos bárbaros muçulmanos, quebrando assim as próprias regras (leis) europeias.

    Mais burro que um esquerdista é aquele, que exige de um ser imperfeito perfeição. A esquerda só sabe mentir, desde o primeiro dia e existem aqui seres humanos, com tanta fé, esperando do dia x, que o ladrão queira melhorar. Mas isso nunca vai suceder. O sistema ateu não oferece justiça, que mereça esse nome, que seja digna desse termo.

    Esperem, esperem, que as putas da esquerda vão dar cabo de ainda mais.

    O ateu é o ser mais burro que anda por aí. Escolher esses sistema, que substitui qualquer valor por um sempre pior, e depois querer justiça. Dá muito para rir e para chorar.

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  9. José Monteiro permalink
    3 Janeiro, 2020 18:48

    Ponto de ordem:
    «pelo posto da GNR de uma grande aldeia… estava fechado, bati à porta, apareceu um agente a quem pedi indicações debalde: “não sou de cá, amigo, não faço ideia de onde será essa estrada, com a falta de pessoal, aos fins-de-semana mandam para aqui pessoal de fora só para o posto não estar fechado, de maneira que eu não conheço esta zona”»
    Quando Mr Costa pastoreava a GNR, ano III de Sócrates:
    «Em resumo, um total de sete oficiais-generais… em substituição dos anteriores quatro. Quem falou em racionalização da administração central?»
    «um aumento significativo do número de oficiais superiores depois de em 2002 terem sido já aumentados em 55% (de 208 para 324). Mais uma vez uma questão de racionalização!»
    Monteiro Valente, Maj-Gen e ex-Cmdt Brigada Centro GNR, licenciado História.
    PS: no ano seguinte, tentados a parar a formação de agentes/guardas em Portalegre do Alto Alentejo cidade. Para ‘poupar’.

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  10. 4 Janeiro, 2020 12:00

    Quando é que se convencem que a “raiz do mal” é o poder autárquico? Ainda não descobriram que a abrilada se sustem na substituição de um Poder Central organizado (o Estado Novo) por 386 ditaduras locais que permitiram a institucionalização do “caciquismo” partidário?

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