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Estado de emergência

18 Março, 2020

O facto de ser previsível (para não dizer certo) que quando esta vaga da covid-19 passar teremos menos liberdade individual e asneirol pegado de políticas económicas não é razão suficiente para menosprezar, especialmente em Portugal, o potencial perigo para a saúde e a vida das pessoas de um vírus sobre o qual conhecemos ainda muito pouco.

Mas não embarco na cantiga do “interesse nacional”, na charada da “confiança nas instituições” ou na piada do respeitinho pelos líderes que temos em tempos de crise. E por isso digo que numa época em que felizmente temos à nossa disposição tecnologia sofisticadíssima, comunicação e fluxos de informação rapidíssimos e com a sorte que tivemos de o vírus corona se ter instalado meses antes no outro lado do mundo, é absolutamente indesculpável que os nossos responsáveis governativos não tenham sido capazes de tomar atempadamente as medidas que se exigiriam e seriam possíveis para uma mais eficaz contenção da doença e para o “achatar” da curva minimizando o transtorno e as implicações para as nossas vidas. O fecho de escolas, evitar situações de grandes ajuntamentos de pessoas ou campanhas prévias de sensibilização pública com recomendações sanitárias são apenas alguns exemplos. E, claro, compra de ventiladores.

Por outro lado, a situação a que chegamos hoje torna evidente que as prioridades de alocação de recursos do Estado estão em grande medida erradas. O Estado presta cuidados e serviços de saúde que, ao invés, os privados poderiam e teriam interesse em assegurar e que trariam mais benefício e conforto aos doentes. E fica pornograficamente claro que os rios de dinheiro que são retirados coercivamente aos contribuintes teriam sido muito melhor empregues e são muito mais necessários canalizar para a gestão e contenção de epidemias como a covid-19 do que para a fantochada do “combate” às alterações climáticas (como se da maior e eminente ameaça à vida das pessoas se tratasse), as campanhas anti rissóis e croissants nos hospitais ou a mobilização contra açúcar e sal nas bebidas e alimentos.

Não tenho a pretensão de ser especialista em pandemias. Longe disso. Mas estou convencido de que se fôr decretado o estado de emergência o problema está na emergência do Estado e se vivermos uma situação parecida com estado de sítio, a causa está em não termos sabido antes qual deveria ser o sítio do Estado.

Cá estarei a lutar para que enquadramentos legais que limitem a liberdade individual não passem de temporários a permanentes.

3 comentários leave one →
  1. José Reis permalink
    18 Março, 2020 09:13

    Como diz Renaud Girard, “a pandemia da doença do coronavírus corresponde ao fracasso de três ideologias: o comunismo, o europeísmo e o globalismo”.
    A China comunista fabricou o vírus, a Europa do politicamente correcto e fronteiras abertas aceitou incubá-lo e o mundo globalizado em que tudo é de todos encarregou-se de o espalhar.
    Agora chegámos à conclusão que este laxismo e desleixo que contaminou as nossas sociedades também veio alterar as nossas vidas e rotinas, e por quem vendia a alma por 25 tostões só para ter a mala preparada para viajar pelo mundo, só para lhe aumentar o currículo de viajante, fica retido em casa para aprender aquela máxima: não vá para fora viaje cá dentro, do quarto para a sala e da cozinha para a varanda.
    Talvez agora percebamos que esta Europa permissiva e tolerante sem qualquer controlo, da qual os ingleses já se livraram, tem de mudar de discurso e de política, sob pena de os europeus, a exemplo do kakapo, na Nova Zelândia, correr sérios riscos de extinção.
    Esta pandemia do coronavírus não é menos preocupante e perigosa que a outra pandemia de refugiados que vem polvilhado a velha Europa, que continuamos a receber com a ideia e a premissa ingénua de que eles chegam para trabalhar, quando na verdade só lhes interessa é o parasitismo de um subsídio.
    Agora todos estamos metidos numa embrulhada de todo o tamanho, que vai ter repercussões económicas e financeiras terríveis, e ainda para mal dos nossos pecados, prolongadas num tempo incerto e de muitas dúvidas quanto ao futuro.
    O que dirão os nossos sábios idosos que vêem este mundo, tal como está e tal como o quiseram as novas gerações irresponsáveis, a definhar como as suas vidas, e as crianças, que sem terem culpa nenhuma no cartório, por certo não se irão orgulhar muito do mundo que lhes vamos deixar.
    E ao que assistimos hoje é o Governo a mentir-nos todos os dias e em directo.
    Não estava preparado para esta calamidade. Mas não foi por falta de avisos à navegação. Preferiu não agir e fechar-se em gabinetes em reuniões e mais reuniões de trabalho inócuas e inconsequentes.
    Era evidente que aguardava por orientações e directivas da União Europeia, sobretudo de Merkel, de Macron e de Sanchez, para saber o que fazer.
    António Costa, já para não falar do desaparecido em combate Presidente da República, a contas com uma quarentena estratégica para lhe refrear os ímpetos dos abraços e beijinhos, faz lembrar aquele aluno impreparado que vai para a última fila da sala de aula para ver se escapa a uma chamada ao quadro, isto é, à responsabilidade. Lamentável!
    E não duvidem, que algum dinheiro que chegue a Portugal para ajudas urgentes a sectores da nossa economia que entrem em crise, o primeiro quinhão vai direitinho para a banca, como de costume.
    Já que não soubemos defender Portugal ao menos que saibamos defender os portugueses!

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  2. beirão permalink
    18 Março, 2020 11:27

    José Reis retrata com clareza a situação por que se está a passar. Com charlatães, irresponsáveis e tontos destes à frente dos destinos da Europa e de Portugal… só podia dar nesta merda de atraso de vida. pobres vindouros!

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