Dia 7

3 mapas
Composição da população de 3 regiões, por ordem: Paris, Bósnia e Irlanda do Norte.



Dia 6
Cavaco Silva, homem que lida com a pressão do PS da mesma maneira que um camião lida com a formiga – ignorando-a -, chegou à conclusão que ele é que sabe quem nomeará para primeiro-ministro.
A esquerda unida já revira no solitário caixão do amor que tanto deseja para todos nós. Porém, ainda não é oficial, pelo que as verdadeiras manifestações de amor constitucional ficarão para altura oportuna.
Bombing Molenbeek
O governo francês decidiu bombardear Raqqa, capital dos territórios controlados pelo ISIS, como retaliação pelos atentados. Entretanto sabe-se que a base operacional dos atentados foi Molenbeek, um subúrbio de Bruxelas. 38% da população de Molenbeek é muçulmana e tem sido uma fonte de operacionais para diversos atentados. É também um local que as autoridades belgas têm dificuldade em controlar. Guerra com o ISIS assemelha-se cada vez mais a uma guerra civil europeia de baixa intensidade.
Vale a pena ler:
Why Brussels is a terrorism hotspot
Paris attackers linked to Belgian suburb where the authorities have ‘lost control’
A guerra explicada às criancinhas
Este artigo d’O Observador fez com que me encontrasse a reflectir sobre a forma como explico o terrorismo aos filhos. Parece-me que toda a gente disserta sobre o que é, essencialmente, a forma adequada de esconder a verdade às crianças durante o período de tempo necessário para que descubram a verdade sozinhas. Não é de surpreender que o país seja intrinsecamente socialista: uma entidade abstracta que faça o favor de desemprenhar o papel de educador, responsabilidade da qual nos demitimos com pachorrento e até surpreendente abandono.

Imagem de uma criança em Inglaterra, c. 1940, a quem um progressista idiota terá explicado que os alemães não são todos maus, só estes que bombardeiam é que são, porque tiveram uma má acção, provavelmente sem culpa e sim por falta de oportunidades, integração, igualdade, emprego, blá blá…
A forma como sugiro que se explique o terrorismo às crianças, que é a forma adoptada cá em casa, é através da verdade crua, que é sempre dura e incontornável: umas bestas quadradas que inventam desculpas sem pés nem cabeça para poderem matar pessoas. Sim, são maus e nós somos os bons, porque até achamos que são pessoas e não animais roçando a total irracionalidade e porque, com a nossa patine católica que nos leva a dar a outra face (pior ainda nos países protestantes, onde o pecado não desaparece por arrependimento), permitimos que vivam entre nós, absorvam os nossos recursos e decidam os nosso comportamento quotidiano, mudando os nossos hábitos e abdicando da nossa civilização em prol de um multiculturalismo, que mais não é que a absorção dos defeitos de civilizações inferiores.
Chegado a este ponto, o progressista já me acusa de xenofobia, que é o que o progressista sabe fazer, apontar o firme dedinho já consumido pela artrose da acusação permanente, sem perceber que, fazendo-o, considera a sua civilidade superior à minha, QED automático de que igualdade não é, de todo, o que julgam defender.
Portanto o PCP quer ir fazer a reforma agrária no Daesh? Só pode. Não estou a ver outra coisa.
Estão a falar de e para os terroristas, certo?
Estes refugiados também contam ou não?
Dia 5
La segunda garantía de estabilidad es algo que a mí no me gusta, pero que está en el acuerdo: el escenario macroeconómico del PS. Será un Gobierno sin razones para ser atacado desde Europa. No será un Gobierno de ruptura con los compromisos europeos. El Bloco está contra ellos, pero el PS exigió mantenerlos. No va a ser un Gobierno de enfrentamiento inmediato, abierto, con las instituciones europeas.
Catarina Martins, El País, 13 Novembro 2015
(destaques meus)
O Guardian nunca as viu?
- Joana Marques Vidal, PGR
- Helena Fazenda, secretária-geral do Sistema de Segurança Interna
- Anabela Rodrigues, ministra da Administração Interna
- Assunção Esteves, presidente da AR
- Maria Luís, ministra das Finanças
Alegria e boa disposição
“És linda!”, gritava o terrorista social perante o agravo aparentemente condescendente da feminista, indecisa entre disparar a besta da justiça e a triste reposição da verdade…

The female-led Left Bloc party is about to form a government, but now faces shockingly sexist attacks, que não traduzirei, limitando-me a explicar que significa algo como estarem as meninas do Bloco sob chocantes e – porque não dizer? – vis e canalhas ataques através de piropos múltiplos.
Para quem quiser ler o resto do romance, cá está, no The Guardian.
O principado de Zouheir
Refugiados somos nós
O senhor que me vende o pão parece carregar o mundo às costas: ombros contraídos, dorso vergado. Olhar perdido, como quem não sabe o que lhe aconteceu. A tabacaria da esquina, essa, a da velha senhora Leonie, nem sequer abriu. Talvez a tenham assaltado durante a noite memórias de criança, que ainda guarda num qualquer lugar escuro, há muito julgado perdido.
Dia 4
A culpa
Não esquecer:
A culpa não é do ocidente, da Europa, da Merkel, da austeridade, do Cavaco, do Sócrates, do Passos Coelho, da Jerónimo Martins, da Sonae, da liberdade de expressão que vos permite – felizmente – dizer asneiras, do Correio da Manhã, da Charlie Hebdo, do Blasfémias, do euro, da União Europeia… Nem sequer é da capacidade imbecil que muitos têm para “perceber as motivações” de terroristas através de mirabolantes teorias de conspiração e sentimentos homéricos perante o passado terrorista de portugueses que escaparam, pela bonomia com que encaramos a revolução em nome das massas oprimidas e as t-shirts do Che, numa distância do esquecimento voluntário e design partidário modernaço.
A culpa é dos assassinos.
o nosso 11 de setembro
O dia de ontem foi o nosso 11 de setembro. Porque finalmente percebemos a vulnerabilidade em que se encontram os europeus ocidentais e o modo de vida generoso, cosmopolita e aberto que criámos e tentamos manter, apesar das muitas adversidades que o têm fustigado e de que a de ontem foi, provavelmente, a mais grave. Permitirá, também, ajudar a perceber – a quem ainda não tinha compreendido – o que aquela data de setembro representou para os norte-americanos e a razão pela qual eles reagiram como reagiram. Como os russos de Putin estão a reagir como estão a reagir. Os EUA garantiram, desde então, a sua paz interna e a Rússia certamente não deixará a sua defesa por mãos alheias. A «Europa» não terá reacção consistente. Desde logo, porque não existe uma «Europa», mas muitas. Felizmente. Mas, depois, porque, infelizmente, as muitas «Europas» que existem continuam sem querer aceitar que o mundo global em que vivemos não é um problema de cada país, mas de todos, que a comunidade internacional não pode viver, como nunca viveu, sem o seu «polícia», e que é do interesse comum europeu perceber onde estão os seus amigos e aliados. Ora, infelizmente, nos últimos anos da administração Obama o mundo voltou a ficar multipolar e os EUA, como reacção pueril à anterior administração, afastaram-se das suas responsabilidades internacionais e embarcaram em fantasias perigosas, a mais grave de todas a «Primavera Árabe», que agora estamos a pagar. Sem uma mudança da administração dos EUA e da sua política externa, o mundo continuará a agravar o perigo em que se encontra. Esperemos que essa mudança não venha tarde de mais.
Dia 3

Más notícias para José Sócrates: o almoço de apoio ao ex-primeiro-ministro e futuro-qualquer-coisa custará 25 euros, revelando a impossibilidade de a factura ser paga na íntegra por “um amigo”.
Independentemente do elevado preço de participação, impedindo os mais carenciados da benesse espiritual daí decorrente, a possibilidade de se sentar à mesa com um ex-primeiro-ministro e futuro-qualquer-coisa é algo que não deverá deixar de fazer nesta vida que são dois dias.
Há acordos e acordos. Pela informalidade da sua assinatura percebe-se a sua importância
- Acordo de venda da TAP
- Acordo PS BE
- Acordo da CML com o Montepio
- Acordo PS PCP
Colecção de desculpas e ainda não começaram a governar
12/11/2015. João Galamba acusa Portas de tentar enganar portugueses e criar medo internacionalmente «seria uma enorme irresponsabilidade” e “profundamente antipatriótico da parte do doutor Portas estar ele próprio a criar uma imagem negativa do país com um único objetivo de servir de ingrediente para a luta política”
08/11/2015. Catarina Martins
“Vamos ter, certamente, gigantescas pressões da Europa da austeridade; vamos ter, certamente, gigantescas pressões dos grandes grupos financeiros internacionais, que têm lucrado tanto com a venda do nosso país ao desbarato; vamos ter gigantescas pressões do sistema financeiro e dos grandes grupos económicos que têm gostado tanto da destruição das condições do trabalho e da vida em Portugal”,
a nova moda
Não me tinha ainda claramente apercebido, mas parece que a nova moda para a formação de governos é a dos putativos ministros se oferecerem na comunicação social, declarando-se «disponíveis», «livres», «interessados», entre outros expedientes a fazerem lembrar as meninas que antigamente punham anúncios na «Crónica Feminina», à procura de marido velho que as sustentasse. Só na semana que corre já contei dois ou três. A um deles tive a impressão de o ver hoje num meio de transporte, infelizmente ainda público, que utilizei para chegar ao Porto. Devia tê-lo abordado e ter-me oferecido para, pelo menos, secretário de estado. A pátria precisa dos meus préstimos.
A génese do esganiçar

Note-se a associação da simbologia feminina numa referência à prestável dona-de-casa dos anos 50 que, pelo marido, até está disposta a esganiçar.
Muito pior que as mulheres esganiçadas do Bloco de Esquerda são os homens que preferem mulheres que esganiçam em devota entrega ao exercício do conflito. A mulher não é naturalmente esganiçada, tem que a isso ser levada por homem belicoso, líder que, construindo plataforma para a zanga permanente, degrada a mulher no exercício de esganiçar em seu nome e benefício.
O Bloco de Esquerda existe porque Francisco Louçã, um homem inteligente, conseguiu agregar as facções comunistas lideradas por outros homens, nomeadamente a UDP e Política XXI, criando um partido que serviria de plataforma ao protesto da fractura permanente. Enquanto não foi possível dotar o partido de quadro suficientemente volumoso de mulheres dispostas a prestarem-se ao exercício do conflito, coube a Louçã o ónus da humilhação pública em debates parlamentares acessos, recorrendo ao papel desconfortável de assimilação da postura beata, papel que desempenhou com zelo apesar do evidente embaraço, preparando, assim, o partido para a fase de maturação, a da liderança do esganiçamento que permite a tortura em democracia da zoeira que se entranha. A escolha de uma actriz para esganiçar torna-se óbvia à luz desta explicação que vos concedo.
Em defesa das mulheres esganiçadas, acresce-me a obrigação de julgar quem, de facto, criou o esganiçamento, como atrás referi: homens com perfil dominante que, gerando intriga na cabeça de mulheres susceptíveis a esganiçarem, as usa, por abuso intelectual, para que esganicem em seu nome.
O Centeno terá mais sorte: a Catarina Martins só o manda a Coimbra ter aulas com o Boaventura*
Os serviços de informações de Seul asseguraram hoje que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, enviou o “número três” do regime, Choe Ryong-hae, para um programa de reeducação na principal universidade do país.
*A questão de sorte é relativa porque existe sempre a possibilidade do Boaventura fazer poesia ou cantar e aí temos de ponderar os multiplicadores em que tanta fé deposita Mário Centeno.
Catarina e o Presidente
Cavaco Silva, 22 de Outubro:
A observância dos compromissos assumidos no quadro da Zona Euro é decisiva, é absolutamente crucial para o financiamento da nossa economia e, em consequência, para o crescimento económico e para a criação de emprego.
Fora da União Europeia e do Euro o futuro de Portugal seria catastrófico.
Em 40 anos de democracia, nunca os governos de Portugal dependeram do apoio de forças políticas antieuropeístas, isto é, de forças políticas que, nos programas eleitorais com que se apresentaram ao povo português, defendem a revogação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental, da União Bancária e do Pacto de Estabilidade e Crescimento, assim como o desmantelamento da União Económica e Monetária e a saída de Portugal do Euro, para além da dissolução da NATO, organização de que Portugal é membro fundador.
[…]
Se o Governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o País precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas.
Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível.
Catarina Martins, 11 de Novembro:
Catarina Martins admite que o respeito pelo Tratado Orçamental foi um constrangimento determinante para não fazer parte do Governo. Sem poder apresentar medidas essenciais, mas que chocavam com documento, Catarina Martins preferiu não ser ministra.
Dia 2
Fala quem viu a máquina por dentro
O acto de votar
Comunicado nº 4
Comunicado do Comité Central do Núcleo LGBT de Independentes do PS respeitante à reunião de Quarta-feira, dia 11 de Novembro de 2015.
- A reunião decorreu sob a direcção e bravura do camarada Albertina.
- Perante as graves afirmações do notório fascista Pedro Arroja, que mereceram censura e veemente repúdio por parte do comité central, saudamos, por aclamação unânime, a moção de censura apresentada pelo camarada Libério perante a passividade complacente e cúmplice da direcção do Partido Socialista, que covardemente se abstém de repudiar as ignomínias fascistas decorrentes da livre transmissão de ideais fascizantes de traidores das massas, impedindo, efectivamente, a reposição da justiça perante uma descarada violação do direito de esganiçar sem discriminação de género, violação ignóbil sofrida pelas camaradas do Bloco de Esquerda, partido irmão na luta de classes e géneros na Frente de Esquerda governativa e anti-austeritária.
- O comité central aprovou, por unanimidade, a proposta elaborada pela Comissão de Igualdade para a Frente de Esquerda Unida, no seu núcleo de Elaboração Programática de Género e afecta à célula representada pelo camarada Iscariotes no grupo de trabalho de Identidade Pangenérica, exigindo o imediato pedido de desculpas por parte da direcção do Partido Socialista pela omissão de posição perante tão severas violações do direito de género efectuadas em meio de comunicação social de massas operárias do norte do país, deportação do traidor Pedro Arroja para país sob jugo do imperialismo sino-americano, encerramento imediato e irreversível da estação de televisão Porto Canal, destruição sem demora das infra-estruturas de distribuição de conteúdos televisivos privados, ilegalização imediata das empresas privadas visando o lucro de distribuição de conteúdos como a MEO, NOS, Vodafone e qualquer outra da mesma área de mercado, declaração imediata de estado de sítio e recolher obrigatório por período indeterminado até serem abolidas as discriminações de género e ilegalizados os piropos que distraem as massas da inevitável luta de classes que, através da gloriosa revolução, trará liberdade às massas oprimidas pelo capitalismo sem rosto.
- O comité central aprovou, após votação unânime, ceder, apesar da precariedade de fundos em caixa, a quantia de 20€ aos camaradas do partido Livre, em luta pela subsistência após boicote eleitoral por parte da direcção do Partido Socialista, atitude que censuramos através da deliberação publicada no Comunicado nº 3 de 18 de Outubro.
- O comité central voltará a reunir no Sábado, dia 14 de Novembro.
Albertina
Estamos um bocadinho mal passados não?
“Não me passa pela cabeça que este ressabiamento nervoso que a direita apresenta neste momento não lhe passe ao fim de uns meses e que não passe a ter uma postura responsável.” – António Costa
o que elas dizem da liberdade
Que tem que «pedir desculpas» e ser demitida. E ainda não chegaram ao poder. De facto, um extremista totalitário será sempre um extremista totalitário, e não há patine democrática que o civilize. Será sempre um fascista, em suma.
Um abraço ao Pedro Arroja e os meus parabéns por continuar a dizer o que pensa. Quanto às meninas do Bloco, que leiam Voiltaire nos intervalos das altas responsabilidades de estado em que se julgam investidas.
Juntando-me a uma indignação muito indigna, Charlies.

Novo ringtone para portuguesas e portugueses
Dos arquivos.
Dia 1
O Presidente da República tem em mãos uma moção de censura ao programa governativo, moção esta que derruba o governo. Tem várias opções que deve usar pela ordem apresentada, passando ao número seguinte após verificação de impossibilidade do número que o antecede.
- Após consideração dos acordos que PS firmou com PCP, PEV e BE, exigir estabilidade através da inclusão dos 4 partidos no governo.
- Exigência de acordo de incidência parlamentar entre PCP e BE, PCP e PEV e PEV e BE (recordem que o muro caiu, etc) ou substituição dos 3 acordos por acordo único assinado pelos 4 partidos.
- Empossar governo minoritário de António Costa, realçando a impossibilidade de manutenção de relações institucionais com quem não respeita instituições e demitir-se da presidência por incompatibilidade do regime semi-presidencial com a maioria parlamentar abençoada nas ruas pela CGTP.
O simulacro
E a UGT?
Quando Pedro Nuno Santos e Galamba saíra, do parlamento para cá fora abraçarem Arménio Carlos consumava-se o ouutro lado desta golpada: o PS trocava UGT pela CGTP
Dia 0
É o dia 0, ainda nem começou o processo revolucionário e já se ouviu Arménio Carlos explicar a quem o quis ouvir quem é que manda, independentemente do testa-de-ferro vaidoso que se vier a assumir como Primeiro-Ministro.
o governo com paredes de vidro
Para esta esquerda que tem uma aversão genética a tudo quanto é privado e que se propõe mesmo voltar a estatizar tudo o que puder, só o acordo, acordos, um, dois, três, quatro, sabemos lá!, que entre si estão a assinar, é que têm foro privado e são juramentados à porta fechada. Acordos sobre a coisa pública, de que todos nós já deveríamos ter conhecimento. Está inaugurado o governo com «paredes de vidro». Por que será?
à sua custa
Não existe qualquer coligação de esquerda disponível para apoiar um futuro governo minoritário do PS por quatro anos e António Costa sabe-o muitíssimo bem. Mais não fosse, a recusa dos deputados do PC e do Bloco de aplaudirem, ontem, Carlos César, no final do seu discurso, e a do PC em se juntar, hoje, na assinatura dos acordos, com o Bloco de Esquerda, demonstra-o bem e compreende-se: o PC e o Bloco, estes dois, pelo menos, disputam o mesmo espaço político e eleitoral, e qualquer percalço poderá significar a extinção, ou a redução a um táxi, de qualquer um deles.
Sendo assim, o que levou António Costa esta «coligação» de inimigos inconciliáveis? A simples ambição de ser primeiro-ministro e de reverter uma situação que tudo indicava iria levá-lo ao fim da sua carreira política, transformando-o de grande derrotado em grande vencedor das últimas legislativas? Talvez. Mas se fosse apenas isto, Costa não ignoraria que seria breve a sua nova glória e que em poucos meses voltaria ao ponto de partida ou a uma situação ainda pior. Isso não basta para explicar tamanho disparate. Do que Costa está convencido é que deu um genial golpe aos partidos à sua esquerda, que os amarrou ao destino do seu governo, e que serão eles as principais vítimas do eventual derrube futuro desse governo, por eventuais desentendimentos na coligação. Nestes termos, a sua expectativa é a de se vitimizar e conseguir a vitória eleitoral maioritária que desta vez não teve.
O raciocínio até estaria correcto, não fosse um pequeno pormenor. é que o espaço à direita de Costa não está deserto, e foi desapeado do poder pelo próprio Costa, a quem serão imputadas as mais do que merecidas responsabilidades pelo eventual fracasso da solução governativa que ele inventou. O fenómeno da primeira maioria absoluta de Cavaco, nos idos dos anos 80, só acontece quando a responsabilidade pelas asneiras é de terceiros. Nunca do próprio. António Costa aprenderá isso, merecidamente, à sua custa.
Governo por usucapião
Tirando as vezes que eventualmente experimentou em frente ao espelho do quarto, é hoje que António Costa, em apoteose ao nível da libertação de Paulo Pedroso, falará na Assembleia da República imaginando-se já Primeiro-Ministro e cumprindo o sonho de chegar a um lugar que apenas se torna atingível por usurpação. Espera-se que, dentro da alguns meses, possa dispensar ir às urnas através da afirmação de legitimidade do primeiro governo português por usucapião.
São travessuras não é?
PÚBLICO on line
Direita travestida de oposição, esquerda em pose de Governo
PÚBLICO papel
Direita vestida de oposição, esquerda em pose de Governo
Momento histórico
Ao fim de 40 anos o conjunto de partidos de governo, isto é o conjunto de partidos que em Portugal podem formar e formam o governo, será alargado para três. Até hoje só o PS, o CDS e o PSD formavam governo. A partir de hoje passaremos a contar com o PS, o CDS e o PSD. Isto apesar de o Cavaco se ter oposto a que mais partidos participem no governo.










