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Carta ao homem que ficou invisível

20 Setembro, 2015

Meu caro Tsipras, a vida é assim: um dia é-se a esperança do mundo, no outro apagam-nos da fotografia. Quando este texto for publicado o teu país estará de novo no sobressalto das eleições e tu misteriosamente quase desaparecido das notícias no meu.

Peço-te antecipadamente desculpa pela informalidade do trato – tu cá tu lá – mas na verdade acabámos quase de família pois não havia dia em que não me entrasses pela casa dentro, sempre a sorrir, com esse ar um pouco copinho de leite de quem se habituou a ser perdoado. Ainda as iluminações de Natal não se tinham apagado e tu eras mais omnipresente nos alinhamentos noticiosos cá da terra que o Pai Natal na publicidade

Tirem-nos daqui!

19 Setembro, 2015

Tema de um Especial que publiquei no Observador: Há quarenta anos, em Setembro de 1975, quatro mil retornados desembarcavam diariamente nos aeroportos da Portela e Pedras Rubras. Ao mesmo tempo, cidades inteiras de Angola ficavam praticamente vazias: famílias, maioritariamente brancas, partiam em colunas de automóveis e camiões em direcção a Luanda ou à fronteira sul em viagens que ninguém sabe como iriam acabar. Boa parte da população negra foge também na esperança de escapar ao fogo cruzado dos movimentos, das suas facções e aos ódios tribais. Há quem se faça ao mar a bordo de traineiras. Outros aglomeram-se nos portos e aeroportos à espera de finalmente chegar a sua vez de partir. Gritam, sussurram, suplicam: “Tirem-nos daqui!” Tiraram-nos. Mas houve quem nunca lhes perdoasse terem denegrido a imagem da Revolução e da descolonização exemplar

.13. . Muitos dos que se mantinham em Portugal ao abrigo da licença graciosa recorrem a atestados médicos para evitar ficar «desligados do serviço com justa causa»15. «Malange está praticamente deserta». Informação militar de 3 de Agosto de 1975. Parte da população estava refugiada no quartel.35. Não fizeram nada do que se temia. Simplesmente resolveram partir. Houvesse o que houvesse.34. Os caixotes foram também uma forma de sobreviver no meio do caos e da perda.1. 5 de Abril de 1974 e 23 de Maio de 1975.Treze meses separam estas capas da FLAMA5. O Palácio do Governo torna-se em Luanda a sede de todas as queixas

Eu ou o caos

18 Setembro, 2015

António Costa inviabiliza OE2016 se coligação ganhar legislativas

Uma notícia a ler com particular interesse

18 Setembro, 2015

Feirante de Braga evita agressão a Passos Coelho

e uma sugestão: como os incidentes e as falhas se vão repetir até que aconteça um grande incidente que se torne ele mesmo o caso da campanha  talvez esteja na hora da coligação contratar os serviços de segurança da Festa do Avante.

O meu voto real seria considerado nulo

18 Setembro, 2015

Eu queria votar com consciência mas esse voto seria nulo. A eleição de deputados não me diz grande coisa: desconheço a grande maioria e, dos que conheço, a poucos reconheço virtude para que representem a minha família, vizinhança e círculo de amigos em qualquer decisão, ainda para mais com repercussões financeiras no meu peculiar sentido de bem estar sedimentado em laissez-faire. Eu queria era votar para o chefe de governo, coisa que farei indirectamente por mera consequência de levar com a cangalhada de inúteis de todas as gerações cuja jactância borra todos os partidos, mais ainda os do imbecilmente denominado “arco da governação”.

Também não queria votar neste governo. Assunção Cristas e o chove ou não chove, ambos subsidiados, que tanto faz, desde que pingue; Moreira da Silva e a inarrável taxa sobre sacos de plástico, provavelmente originada num sonho fetichista de asfixia; Barreto Xavier, a figura mais sinistra da tenebrosa turba que alterna a chupar na mangueira da dita cultura portuguesa, a que consiste em candelabros de tampões e fagotes de bimbalhada com amor-próprio inflamado de golfadas em série na alcova masturbatória do sistema contributivo; Nuno Crato e a cedência à imbecilidade da escola como depósito de filhos, do inglês técnico para desgraçados tão fracos de espírito que necessitam de pelo menos 7 anos obrigatórios para que escrevam manifestos ao Louçã ou para bater o record mundial do uso contínuo de “of the” numa única frase e, sobretudo, pela anuência perante o poderosíssimo lóbi dos livros escolares, os que usam qualquer pentelho normativo para sacar aos pais um salário médio para a compra de lixo anualmente perecível; Mota Soares, o bom rapaz incapaz de perceber que a velha que se queixa que não aguenta é a mesma que, chamando a atenção a si própria, oculta a miséria da vizinha; o irrevogável Paulo Portas, que com a sua demissão (que foi mesmo irrevogável, já que deixou de ser Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros) obrigou o chefe de governo uma postura de interesse nacional, salvando o país do pântano para o qual somos permanentemente compelidos, promovendo o demissionário a segunda figura do governo e abdicando de um ministro cuja capacidade e competência técnica estavam muito acima da norma do pantanoso país.

Também não queria votar no PSD. É o partido do ecumenicamente amorfo Marcelo, do calculista Rio, da afectada Ferreira Leite, do ressabiado Pacheco Pereira, do elitista-porém-anti-sulista-e-anti-liberal Menezes, do atrapalhado Duarte Lima e da restante tralha cavaquista, não tão omnisciente como a tralha socrática mas igualmente disruptiva. É o berço do patológico Capucho e inúmeros troca-tintas que vêem o socialismo basal das suas convicções a esvair-se numa repartição de recursos cada vez menos propícia para convencer o gado eleitoral a receber os brioches através do seu voto Maria Antonieta.

Eu queria votar em Passos Coelho. Porque assumiu como seu cálice o resgate, porque não vacilou perante os abutres que pairam, para surpresa de todos; porque aguentou e persistiu sobre o bafo bolorento de um Tribunal Constitucional que defende o bafio de uma indefensável Constituição, mais rameira que mãe deste Estado; porque fez política, não a que quis, a que lhe foi permitida, com muito esforço pessoal, com muita resignação perante o imobilismo perro de um Estado construído com ferrugem; porque aguentou, levou, deu a face e conquistou a confiança e simpatia dos portugueses que, como ele, são só seres humanos perante as dificuldades da vida; porque a alternativa a ele é o balofo do bolor, a decadência abraçada, a parasitagem anunciada, o pântano, a areia movediça da trampa socialista, o resgate e a eternização da confortável mediocridade que nos atrai há 40 anos. Por isso voto o que quer que seja que reconduza Passos Coelho para o cargo de Primeiro-Ministro.

Pensões não contributivas

18 Setembro, 2015

Ao fim de não sei quantas decisões do TC, e muito rasgar de vestes, parece que agora o PS defende que se pode cortar pensões não contributivas. Mas o debate sempre foi sobre pensões não contributivas. No actual sistema todas as pensões são não contributivas. Ninguém contribuiu o suficiente para as pensões que tem e todas elas são pagas por impostos. O mais grave é que quanto maior a pensão mais injustificada ela é e maior a componente não contributiva que a pensão tem.

E apenas um pequeno esclarecimento

17 Setembro, 2015

Não sendo relevantes para o resultado deste debate mas muito graves para um homem que foi presidente da CML e para mais para alguém que tanto fala de República, tivemos as declarações manifestamente ignorantes de António Costa sobre o congelamento das rendas. O congelamento das rendas não foi criado por Salazar, como disse o ex-autarca de Lisboa, mas sim pelos governos da I República: em Novembro de 1910, um mês e uma semana após a implantação da República em Portugal era criado o congelamento das rendas que seria reforçado por vários outros decretos nos anos seguintes.

Viva voz

17 Setembro, 2015

Costa levava a intenção de criar uma imagem de um Passos irritado e com necessidade de ganhar este debate. E íamos neste estado de coisas até que chegou a pergunta de Graça Franco…

Da boca cheia que provoca pequenas explosões carbónicas poluentes

17 Setembro, 2015

Sei que é costume comentar debates com conversa muito redondinha, apaniguada sob o exibicionismo de fachada independente, preparadinha, como uma papinha para bebés perfeitamente esquecível e que se vê a si própria como uma versão definitiva do manjar de deuses, o alfa e ómega do convencimento para um instante temporal que separa o istonãoseaguentismo do aiquebomqueéomeuclubismo. Porém, ouvi o debate: Passos disse que o governo será o que tem sido, para o bem e para o mal; Costa disse que é um zero à esquerda na patética existência do Partido Socialista do pós-Guterres.

Dito de outra forma: Costa quer ir para um sítio que não sabe qual é através de um caminho que desconhece com quem não sabe que o guiará e financiado por sabe-se lá quem. Um verdadeiro socialista. É que o que um socialista diz pode ser compreendido recorrendo a duas possibilidades: ignorância ou má-fé; Costa tem o dom de – notoriamente – conseguir juntar as duas.

Vamos resolver isto de uma vez por todas: quem chamou a troika?

16 Setembro, 2015

Como é óbvio

16 Setembro, 2015

Henrique Monteiro: Eu não chamei a troika, juro. Mas gostava de ter chamado. Sem ela, os funcionários públicos ficariam sem salários e os pensionistas sem pensões. Foi por isso que Soares tentou convencer Sócrates a chamá-la. Foi por isso que Teixeira dos Santos a chamou, mesmo à revelia de Sócrates. Ninguém nos emprestava dinheiro e os cofres estavam vazios. Agora todos acham que a troika foi como o Átila… talvez ainda precisemos de uma troika para fazer a reforma do Estado

la crème de la crème

16 Setembro, 2015
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A imagem foi descoberta no Linkedin, uma rede social para contactos profissionais

o ps está na moda

16 Setembro, 2015
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Nos jornais e na generalidade da comunicação social portuguesa, que tem feito uma campanha notável de intoxicação da opinião pública para promover o regresso do PS ao governo. Só esse facto, e, a partir dele, imaginando os interesses subterrâneos em jogo e o que o PS poderá voltar a fazer com a comunicação social, o que este governo manifestamente não fez, vistos os ataques a que tem estado sujeito, vale a pena votar para que o PS não ganhe as eleições. De facto, só nos faltava regressar ao tempo em que, a partir do governo e com o dinheiro dos contribuintes e da banca governamentalizada, se compravam estações privadas de televisão, jornais e rádios. A medida de civilidade de um país e de um povo também se mede por estas coisas.

Antologia da baba

16 Setembro, 2015

A publicação da carta que Passos Coelho enviou a Sócrates na altura em que o último já vagueava no labirinto da psicose, a tal a que idiotas chapados que ainda arrastam o visgo pelo actual PS preferem considerar como epifania messiânica, é só prejudicial para a campanha de António Costa.

Mas vocês é que sabem. Eu tenho pipocas.

Dizem que é uma espécie de jornalismo

16 Setembro, 2015

PÚBLICO revela na íntegra a carta que Passos dirigiu a Sócrates a 31 de Março de 2011 a exigir ao primeiro-ministro que pedisse apoio externo.

 

 

Lendo abaixo a referida carta só se pode concluir que o PÚBLICO é muito bem mandado.

 

Confidencial

Gabinete do presidente

Senhor primeiro ministro

Recebi hoje informação, da parte do senhor Governador do Banco de Portugal, de que o nosso sistema financeiro não se encontra, por si só, em condições de garantir o apoio necessário para que o Estado português assegure as suas responsabilidades externas em matéria de pagamentos durante os meses mais imediatos. Ainda esta manhã o senhor Presidente da Associação Portuguesa de Bancos transmitiu-me idêntica informação.

Estes factos não podem deixar de motivar a minha profunda preocupação.

Não desconheço que o Governo tem repetidamente afirmado que Portugal não necessitará de recorrer a qualquer mecanismo de ajuda externa e é certo que a competência pela gestão das responsabilidades financeiras do país cabe por inteiro ao Governo.
Ler mais…

Sobre a campanha eleitoral

15 Setembro, 2015

A campanha está maçuda, pouco direccionada para o que interessa. Isso gera demasiados textos que explicam demasiados factos a demasiadas pessoas que fingem não perceber demasiadas coisas.

E se uma imagem vale mil palavras; uma imagem em campanha pode valer milhões (de um amigo):

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Não vejo outra solução que não demitires-te, pá

15 Setembro, 2015

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São muito conservadores

14 Setembro, 2015

Em 1983, a RTP1 passou parte do filme “Pato com Laranja” até à interrupção da transmissão pelos protestos de telespectadores que culminaram na demissão do presidente do conselho de administração da RTP.

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Em 1991, tinha passado o filme “O Império dos Sentidos” na RTP2, D. Eurico Nogueira, arcebispo de Braga, pede a demissão do director de programas da RTP2.

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Em 2015, ainda não passou o Prós e Contras de hoje, socialistas já pedem a demissão do director de informação da RTP.

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Lucía y el sexo [spoilers]

14 Setembro, 2015

Narrado em Formentera, Lucía y el sexo conta uma história algo bizarra e cheia de sexo em variações mais ou menos cama-sútricas. Quer dizer, não tanto sexo como o que seria de imaginar pelo título, apenas sexo suficiente para que várias gajas possam entrar na vida de um tal de Lorenzo, um tipo que tem a mania que é escritor, quiçá bestseller, e que, por circunstâncias que incluem um cão rottweiler, acaba a perder a confiança no mundo.

Asfixia democrática é ter um cão alemão que nos mata a criança enquanto pinamos alegremente com uma babysitter chamada Belén. Isto é tortura; e se não é um filme sobre o fim das pretenções de Sócrates para a Presidência da República, não sei sobre que será.

Pelo meio, Lucía tenta boicotar a realização de um Prós e Contras numa viagem de auto-descoberta, pavoneando o seu belo corpo desnudado pela paradisíaca ilha (pejada no Verão de voyeurs italianos), corpo este que disputou a atenção de um tipo chamado Carlos com a actividade de mergulho mas que acabou de abalada combalido numa espécie de Covilhã lá do sítio, sorvado por mais uma iteração falhada do repetitivo clássico “parolo visita cidade e é destruído”.

Conclusão da história é que ninguém sabe se o Sid matou a Nancy ou se ter conhecido a Nancy matou o Sid. Mas que a história do Sócrates mete muitas gajas, lá isso mete.

Two l’s, one cup

13 Setembro, 2015

José Lello acusa a RTP de estar ao serviço da campanha do PSD/CDS. É chato, ainda vão falar de Sócrates, como se enviando para publicação as nossas fotografias em actividades normais de “dá-lhe agora, dá-lhe agora” fosse convite para se falar de coisas que não precisam ser faladas.

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Em nome da não-asfixia democrática, asfixiem esse programa, já.

Portanto quem está ali não é aquele de que não se pode dizer o nome mas sim o Silva que não só emprestava que se fartava

13 Setembro, 2015

mas também substituía o nosso PM de então nas horas que lhe sobravam do ganhar/emprestar

Neutralidade activa. Agora a favor do populismo

13 Setembro, 2015

Observador: Não é por acaso que nos confrontamos com protagonistas como Tsipras e Iglesias. Ou se quisermos numa versão mais doméstica com aquela figura cujo nome agora parece mal pronunciar mas que até há pouco era considerado imbatível nestas técnicas de campanha. Politicamente eles fizeram-se em estúdios de televisão, especializaram-se em acusar os outros e em não responder nada sobre si mesmos e as suas propostas. Eles são também o resultado da neutralidade activa. Agora a favor do populismo..

Qual é o espanto? Antes ela casou com um rato

12 Setembro, 2015

“E se a Carochinha casar com uma menina?”

Para se perceber a legitimidade que assiste aos que se consideram no direito de

12 Setembro, 2015

organizar isto ou os “incidentes de Braga” aconselha-se a leitura deste Pequeno glossário do PREC. As palavras mudaram um bocadinho mas Portugal continua dividido entre aqueles que conhecem a Linha justa e a linha correcta portadores de uma mensagem e os Reaccionários, ultrareaccionários e reaccionário convictos que em vez de serem portadores de  mensagem fazem provocações.

Como é óbvio a Via socializante, via original para o socialismo e via portuguesa para o socialismo foram substituídas pela outra austeriadade e pela outra Europa.

prec 2015?

12 Setembro, 2015
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Por muito pouco, Passos e Portas não foram agredidos em Braga, durante uma acção de campanha para as legislativas. Em condições normais, isto mereceria, pelo menos, uma declaração de repúdio do líder do maior partido da oposição, o PS, António Costa, que. até agora, se manteve mudo, calado e sereno. A última vez que vimos isto, desde o PREC, foi na Marinha Grande, com Mário Soares. A quem, na altura, não faltou a solidariedade devida.

E foi fácil

12 Setembro, 2015

Uma pequena nota para dizer que, piadas à parte, a nudez da Joana Amaral Dias é a acção de campanha mais digna oriunda da esquerda.

Mas ao certo quantos presos existem em Cuba?

12 Setembro, 2015

Mais de 3 mil presos libertados em Cuba, devido à visita do Papa Francisco

Volta e meia Cuba anuncia a libertação de presos. O mundo comove-se e vê ali mais um sinal da crescente tolerância do irmão Castro de serviço. Mas com tanto preso libertado ou já não existem presos em Cuba ou têm de os prender outra vez para terem quem libertar no próximo sinal de abertura do regime.

O manicómio em auto-gestão

12 Setembro, 2015

PÚBLICO: Catarina Martins insistiu, mas Passos não pediu desculpa nem mostrou números

Quer ser Primeiro Ministro

11 Setembro, 2015

O corpo e o sangue do senhor

11 Setembro, 2015

A publicação da fotografia de Sócrates a assistir ao debate com amigos foi um genial golpe de campanha eleitoral da dupla Costa/Sócrates, na versão polícia bom/polícia mau, reprise do papel de Costa como permanente número 2.

Desde a existência de uma foto em que se posa, passando pela idiossincrasia da própria (cálices vermelhos em número visivelmente superior aos fotografados e condizentes com a camisa do mestre; a curiosa demonstração de que não há gente sentada à cabeceira, etc…), a surreal crítica ao voyeurismo (foto cedida por fonte anónima?) através da própria exibição que é o “puxão de orelhas”, tudo garante que se fale de Sócrates sem se falar de Sócrates, que isso é mau e ninguém quer, OK? Não mencionem Sócrates, seus obcecados que posam para fotografias idiossincráticas com várias piadas semi-obscurecidas que aparecerão de forma anónima no jornal e na TVI que afinal não vamos comprar; ó João Araújo, vá mas é lá ao jantar e veja se faz mais uma fita sobre o estacionamento do Smart.

Como pode Sócrates ganhar eleições novamente? Lembrando o permanente número 2 e agora recém-promovido testa-de-ferro que isto não é acerca de insignificâncias eleitorais, é sobre ele.

Em verdade vos digo: o ceifador das capicuas ainda nem começou a cobrar. Também não interessa: pai, se puderes, afasta de mim este cálice; porém, cumpra-se a tua vontade.

Houston, we have a problem

11 Setembro, 2015

O que aconteceu ontem na entrevista de António Costa a Vítor Gonçalves revela um António costa incapaz de ouvir uma crítica, que não aceita que um jornalista lhe faça uma entrevista…

A ler

10 Setembro, 2015

Na campanha em curso, a maior invasão da vida política pela lógica do chamado infotainment a que os pretendentes a protagonistas se sujeitam talvez tenha sido a foto de uma candidata em pose de modelo na capa de uma revista de entretenimento, não por acaso oriunda de um canal televisivo. Outros candidatos, recrutados na nova intelectualidade, só existem nos jornais, refugiados geralmente em micro-organizações criadas à imagem dos partidos tradicionais mas sem tropas. Finalmente, é sintomático dessa dependência doentia dos políticos profissionais e dos seus imitadores perante a mídia que um humorista, conhecido pelos sketchs publicitários do operador de telecomunicações para o qual trabalha, vá entrevistar vários dos actuais candidatos…

Ele não disse o mesmo do Casillas?

10 Setembro, 2015

Florentino Pérez diz não imaginar o Real Madrid sem Cristiano Ronaldo

Afinal estão magras ou obesas?

10 Setembro, 2015

Observador: Uma em cada três crianças tem excesso de peso

JN: Há mais crianças com baixo peso em Portugal

Parafraseando o Rui Tavares:

1.Portugal precisará de uma unidade de observação de obesos no Ministério da Saúde, Portugal precisará muito provavelmente de um alto comissariado nacional para a observação de obesos   que possa consertar os esforços da administração pública, dos privados, das ONG (Organizações Não Governamentais), da solidariedade cidadão, e que possa fazê-lo com uma noção de longo prazo

2. Portugal precisará de uma unidade de observação de  crianças com baixo peso/magros no Ministério da Saúde, Portugal precisará muito provavelmente de um alto comissariado nacional para a observação de  crianças com baixo peso magros   que possa consertar os esforços da administração pública, dos privados, das ONG (Organizações Não Governamentais), da solidariedade cidadão, e que possa fazê-lo com uma noção de longo prazo

3. Portugal precisará de uma unidade que reúna os observadores das unidades de observação dos obesos e dos magros. Portugal precisará muito provavelmente de um alto comissariado nacional que coordene os altos comissariados para a observação de obesos e para a observação dos magros   que possa consertar os esforços da administração pública, dos privados, das ONG (Organizações Não Governamentais), da solidariedade cidadão, e que possa fazê-lo com uma noção de longo prazo

4. Num futuro governo de esquerda deve existir uam pasta ministerial para estes problemas, pasta essa atribuir a um auto-propostos das lista sdo Livre

5. Marcelo Rebelo de Sousa vai elogiar esta proposta e visitar a sede de todos estes comissariados.

 

E entretanto

10 Setembro, 2015

Num canal perto de si um candidato presidencial trata da sua campanha

vai ter de se mexer

10 Setembro, 2015
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É sabido que a história das democracias modernas se joga, em momentos decisivos, nos meios de comunicação social e, sobretudo, nas televisões. É pacífico que a imagem dos políticos é construída e frequentemente destruída nestes últimos meios de comunicação. É certo que os debates políticos televisivos, sobretudo os confrontos bipolares de lideranças entre quem está no poder e quem para lá quer ir, são embates que criam grande expectativa e podem resolver uma contenda eleitoral. Mais do que a razão dos argumentos, a forma como são ditos e a aparência da personalidade de quem os enuncia é determinante para apurar o vencedor. Tal como num combate de boxe, um debate político televisivo é um exercício de dominância de personalidades, ficando para a opinião pública apenas duas sensações: a do vencedor e a do derrotado. Tudo o mais é absolutamente secundário.

Ora, até ao debate de ontem, a estratégia da Coligação assentava exactamente nisto: derrotar o PS na comunicação social, diminuindo a liderança e a personalidade de Costa, qualificando-a de errática, indecisa e sem rumo. A ilustrá-lo, as inúmeras trapalhadas em que o PS e o seu líder se meteram nos últimos meses, todas reveladas por péssimas prestações na comunicação social. Por isso é que a principal preocupação que o líder do PS ontem teve foi a de desfazer essa imagem, substituindo-a pela de um líder determinado e que sabe o que quer. Treinou para isso – treinaram-no para isso – e foi bem sucedido. A substância do que disse é, para os efeitos pretendidos, absolutamente secundária, tão secundária como os ridículos papelinhos que levou consigo e que ilustraram parte da sua exposição, fazendo crer que é um homem bem preparado e que sabe o que diz. Em contrapartida, por razões incompreensíveis, Passos Coelho, que tinha tudo para ser a personalidade dominante do debate, sobretudo porque Costa entrava nele mediaticamente muito diminuído, apareceu sorumbático, receoso e inseguro. Não disse, com clareza, o que tinha que ser dito sobre o país que recebeu e as responsabilidades do PS no que aconteceu aos portugueses nos seus quatro anos de governo, e o que dizia era frequentemente ininteligível, perdendo-se em detalhes técnicos que o eleitor médio não considera.

O debate de ontem não representa, naturalmente, uma derrota eleitoral da Coligação. Mas representa uma derrota da sua estratégia de campanha, que visava bater Costa na comunicação social, num meio onde ele, afinal, se demonstrou superior ao seu oponente, na hora da verdade. Isso vai dar um novo elan à campanha do PS e a Costa, e obrigará a Coligação a alterar o seu plano de marketing a três semanas das eleições.

Para a Coligação ganhar as eleições no próximo dia 4, vai ter de se mexer. E muito.

Do debate II

10 Setembro, 2015

Ao ver a quantidade de baboseiras escritas sobre o debate de ontem escachadas nos ditos jornais de referência, não consigo deixar de escrever mais uns parágrafos sobre o assunto.

Em primeiro lugar, não foi um debate. Nunca é: trata-se de um programa de televisão, a forma menor de entretenimento disponível às pessoas e que cujo alinhamento é normalmente preenchido com telenovelas e concursos. Toda a conversa sobre quem vence debates é, assim, curiosa. Não sendo um debate, ninguém o vence. No entanto, há vencedores do evento: para quem sacrificou a telenovela e mesmo assim se deixou enredar no longuíssimo exercício de vaidade de três jornalistas, António Costa mostrou-se um galã bollywoodesco capaz de ofuscar o abundante suor com os aparados tufos das orelhas e a urgência de um enredo – normalmente designado por “narrativa” – tão superficial como apelativo; Costa transmite a ideia de que tudo pode ser diferente, como dizem as imagens motivacionais que percorrem os facebooks do telespectadores quando em busca da nova foto das pernas da vizinha. Nós queremos crer que pode ser diferente. Para igual basta a nossa triste realidade de desorientação espacial no emprego mundano após o Verão na manhã seguinte. As pessoas aguardam os fins-de-semana e Costa promete-os, temporariamente, disponíveis a toda a hora, como qualquer político, daqueles que são capazes de vender a ilusão que estamos dispostos a comprar enquanto não volta a passar a novela.

Costa venceu – claramente – a novela substituta de ontem. Amanhã ninguém se lembra. A realidade, essa não se compadece dos enredos do entretenimento fátuo. Estas eleições são só e apenas sobre se os portugueses querem Sócrates. Como qualquer culto em torno de sociopatas, nunca se saberá o que acontece até o cometa passar. Passos Coelho só conseguiu demonstrar a sua inépcia para romantismo adolescente. Nada disso importa: as pessoas vão votar com a carteira, como é suposto, contra todas as expectativas dos profissionais do entretenimento em permanente busca do escape perfeito por 90 minutos à enfadonha realidade.

Do debate

9 Setembro, 2015

Vi o debate, animado com a ideia de um comité jornalístico para elaborar questões desinteressantes. Não defraudou expectativas. Era possível determinar quais dos jornalistas passou ou ainda está na televisão pública.

Costa lançou um monte de soundbytes repetidos sacados do manual de demagogos para cérebros de passarinho. Passos Coelho continuou a conseguir ser odiado por quem sempre se predispôs a odiar Passos Coelho.

Resultado para paineleiros: Costa 56 – 0 Passos Coelho.
Resultado eleitoral: Costa 0 – 0 Passos Coelho.

Como é suposto.

inimaginável

9 Setembro, 2015
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Um debate entre dois candidatos certos a primeiro-ministro com três, repito, três entrevistadores. O foco foi o alarido feito por estes últimos e não o alarido que os candidatos devem fazer um em relação ao outro. Um formato impensável e que as direcções de campanha deveriam rejeitar liminarmente. Não foi um debate, foi um chinfrim.

da fatalidade

9 Setembro, 2015
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Quando até Diogo Freitas do Amaral se transforma em argumento, a tragédia é já inevitável.