A pior aceleração de sempre
Tal como as exportações portuguesas, o McLaren F1 demonstra aos 30 segundos a pior aceleração de sempre no intervalo ]0-30] segundos.

Apesar da velocidade aumentar, a última medição apresenta a pior aceleração desde que o carro começou a andar.
O Blasfémias vai lançar um pedido de empréstimo. As nossas condições são as seguintes:
a) Não sabemos quando podemos ou se vamos pagar
b) Propomos que o pagamento seja indexado ao crescimento do Blasfémias
c) A solução para a dívida do Blasfémias passa pela blogosfera. A blogosfera tem de assumir a sua responsabilidade na nossa crise
d) Os lucros que pensavam capitalizar quando nos emprestarem dinheiro ficam para nós. Ninguém vai ganhar dinheiro com a nossa dívida
e) Caso não aceitem as nossas condições abandonamos a blogosfera que naturalmente ruirá como um castelo de cartas.
O nacionalismo em 39 palavras
Não se é nacionalista sozinho. O nacionalista vê as coisas entre o “nós” e o “eles”. Sem “eles” não há o “nós”. O nacionalismo implica união pela defesa do que se considera ser um ataque do “eles” ao “nós”.
Os gregos escolheram o nacionalismo. O PS, o Bloco e o Livre representam a mesma escolha, com mais ou menos substância. No caso do PS é meramente circunstancial, até à distribuição dos lugares. Nos outros, não, é mesmo por fabrico.
convém notar que Portugal ao contrário da Grécia não tem interesse em sair porque Portugal ao contrário da Grécia não está sentado em cima de reservas de petróleo e gás. E portanto a nossa capacidade de bluff está por assim dizer muito reduzida. Nós não temos nada disto.
Deixe estar, não se apoquente. Já tem que lhe chegue
“Se a Grécia sair, quem irá a seguir? Portugal?”, pergunta Yanis Varoufakis. Deixe estar senhor Varoufakis. O senhor faz parte de um partido que ganhou as eleições na Grécia. Só na Grécia. Não ganhou na Alemanha. Não ganhou em Espanha. Não ganhou em Portugal… A reacção dos seus companheiros de ideologia talvez o leve a pensar que ganhou noutros países. Mas realmente tal não aconteceu. Logo trate da Grécia e não se preocupe com os outros.
Ps. Já agora quantas pessoas foram á manifestação de solidariedade com o governo grego que teve lugar em Lisboa no passado sábado? Estou farta de procurar números sobre esse movimento fiscal de solidariedade e não encontro.
Este tipo de coisas nunca acaba bem
E nunca acaba bem porque em primeiro lugar muitos dos proponentes acham que isto é apenas para se aplicar aos adversários: veja-se a forma como boa parte dos socialistas reage ao caso Sócrates. Em segundo lugar a criação de legislação deste teor apenas serve para palco dos populistas tipo Marinho Pinto que passam a vida a agitar o fantasma da corrupção como se todos os outros fossem corruptos à excepção deles mesmos. Por fim e face aos casos conhecidos o que tivemos foi a não aplicação da legislação existente e até a instrumentalização da justiça escamoteando os sinais de enriquecimento ilícito.
Bullying só do gajo giro
Este bullying que consiste em afirmar que Portugal sucederá na loucura grega é perfeitamente tolerado e incentivado pela franja revisionista do PS, a que afirma peremptoriamente que o resgate assinado por Sócrates serviu para salvar a banca à custa do povo enquanto clamam, em simultâneo, pela libertação administrativa do Barrabás de Évora.
Na mesma toada disléxica, o mesmo grupo de alucinados critica a ingerência na governação alheia, condenando veementemente afirmações como “conto de crianças”, atribuindo-lhe portento de atentado lesa-pátria à democracia soberana de outros países. Tal, porém, nunca se aplica à Alemanha, a que devia fazer isto ou aquilo pela democracia, solidariedade, humanismo e porque-sim-Amén.
De facto, Passos Coelho errou ao chamar-lhe “conto de crianças”. Trata-se, sim, de um drama de marmanjos; é assim que ficará na história, independentemente das culpas que proto-delinquentes revisionistas indígenas atribuam a outros, com auto-sustentada ingerência inaceitável, a partir da sobranceria confortável dos seus iPhones.
ora aqui está o busílis
O encantamento indígena com o Syriza e a «nova» Grécia já não se satisfaz com o deslumbramento pela «genialidade» dos seus dois principais protagonistas, Tsipras e Varoufakis. O Público de hoje conseguiu ir ainda mais longe do que o entusiasmo lúbrico da Dra. Isabel Moreira pelo (fosga-se!) sex appeal de Varoufakis (no facebook: «O ministro grego das finanças é sexy, porra!»), trazendo para as suas primeiras páginas os sortilégios de Stuart Holland, um «economeiro» trabalhista inglês, amigalhaço do «sexy» Varoufakis, com quem escreveu um panfleto (Modesta Proposta para solucionar a crise da zona Euro), e que colabora com a Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde realizará, daqui por uns tempos, um seminário de ciências astrológicas designado Depois do êxito do Syriza (no que a Universidade pública portuguesa gasta o dinheiro dos contribuintes…). Quando o jornalista lhe perguntou quanto tempo ele tinha trabalhado com Jacques Delors, a resposta que deu é, toda ela, um programa político e um tratado de economia: «Depende como definir “trabalho” (risos)». Ah, grande sábio! Assim é que é falar!
liberalismo clássico
Semana 5 de 2015
Esta semana, António Costa, a grande promessa para a temporada 2015/16, reforçou a sua confiança no actual clube, prometendo apenas o deixar caso venha a ser seleccionado para suceder à titularidade do trinco Passos Coelho na selecção nacional. Mais vale um peixinho na mão do que dois a nadar na Av. da Liberdade, por muito grande homem que seja o Doutor Obama a evitar perfurações petrolíferas que nos estragam as praias algarvias, diria o Doutor Mário Soares no DN, o melhor cronista pro-PSD em actividade. A pré-época antecipa-se renhida, apesar da lesão do ponta-de-lança Costa, lesão esta que o impede de manter uma ideia por mais de seis horas ou, talvez, particularmente renhida por causa disso.
Teriam gostado de o conhecer
Quando acabava de escrever para o Observador passei os olhos pelas últimas notícias. Foi então que li “Morreu o cientista político Manuel de Lucena”. Lembrei-me quase imediatamente da última vez que falámos: “Sou um pagador de textos” disse-me após enumerar tudo o que tinha entre mãos e que não teria tempo para terminar mesmo que já escrevesse em computador ou pelo menos à máquina e vivesse mais meio século.
Contactei tardia e brevemente com o Manuel Lucena. Reconheço-o no retrato que dele fazem aqueles que definia como seus amigos e de quem gostava de falar aos conhecidos mais fugazes, como era o meu caso. Era de facto livre pelo seu desprendimento material – “O Manuel é a única pessoa não pressionável que conheço: não quer cargos, não precisa de mais do que tem…” dizia-me alguém a quem eu confessava o meu desespero por um texto que o Manuel ficara de mandar e que ainda nem sequer fora para a dactilógrafa. (Pedir-lhe um artigo implicava estar preparado para receber muito atrasado um texto várias vezes maior que o combinado e também contactar uma determinada dactilógrafa que ele garantia decifrar-lhe a letra). Mas o Manuel Lucena era também livre porque não se deixava agarrar pelo azedume. Era desarmante na sua sinceridade e desconcertante na forma com se expunha, indiferente aos julgamentos sociais.
Mas aquilo que me fez escrever sobre o Manuel Lucena não foi tanto descrevê-lo (outros o conheceram muito melhor) mas sim algo que a sua morte me tornou ainda mais evidente: não há tempo para ouvir. Tudo tem de ser resumido, tudo tem de ter um soundbite, tudo tem de passar por um antagonismo. Não há mediaticamente falando espaço para um discurso como o do Manuel Lucena que vale pela sua inteligência e singularidade. No meio de tanta comunicação perdeu-se a capacidade de conversar. Tenho pena que o Manuel Lucena tenha morrido mas a pena que aqui quero deixar registada é a de que para muitos portugueses ele seja um desconhecido. Acreditem, teriam gostado de o conhecer e tal como aconteceu com quem se cruzou com ele ter-se-iam esquecido do tempo, do parquímetro e do telemóvel que não parava de chamar, enquanto o ouviam num raciocínio que o podia levar de Santa Teresa de Ávila aos grémios ou a África.
O síndroma da mãe do Dantas
Manuel Lucena
Emprenhar pelos ouvidos
Depois desta triste figura na AR
em quedeu o dito por não dito, não se lembrava de muita coisa e quanto às outras não era afinal aquilo que tinha querido dizer Ana Gomes continua naquela sua paranóia litigante com Paulo Portas. Agora literalmente como diz o povo emprenhou pelos ouvidos. Uma coisa é Ana Gomes ter a convicção de algo, suspeitar de uma pessoa. Outra é muito escudada na sua imunidade andar por aí a fazer acusações que não consegue de modo algum sustentar. Não se trata de escutas válidas ou inválidas. De provas aceite ou anuladas. Trata-se tão só de se estar a transformar numa anedota.
Mas tratam disso na secção de malas de luxo no Corte Inglês não é?
Angola quer “renegociação da dívida”
e já agora aqui e aqui e ainda aqui
Pandemia: gripe das galinhas

Uma mulher comum, circa 2015.
Olhem para este indivíduo na fotografia. O seu nome é Hans von Strumpf Verkehrsunfall e é uma mulher. A identidade de género é tão subjectiva para o observador incauto – aquele inculto que associa a presença de uma vagina à identificação subjectivamente pessoal do que é ser mulher – como é o valor da vida humana. Sim, a vida não tem preço e estamos dispostos a matar à paulada quem não entender isso, porque é importante fazer com que nos entendam, pelo valor incalculável da vida humana. Porém, a grande maioria dos adeptos da vida humana não ter preço nunca se cansam marchar pela morte de um tipo enquanto ignoram a morte de 20.000 mesmo ao lado. O que faz sentido e é natural: algo que vale infinito vale tanto como 20.000 vezes infinito. A indignação é entretenimento burguês, já diria um marxista de pérolas, e é mesmo assim: hoje é hepatite C, amanhã é a gripe das aves, no dia a seguir é a gravidez interrompida da lésbica piropada que afinal não-tem-vagina-mas-isso-não-é-impeditivo-para-a-condição-de-mulher-com-testículos-peludos.
…
O SNS é uma aberração porque, incrivelmente, funciona. E funciona apesar de ser gerido publicamente e não, precisamente, por ser gerido por burocratas e sindicalistas sob a forma de bastonários que o usam meramente como utentes-peões no jogo de caça ao voto. Podem espernear o que quiserem: amanhã já nem querem saber, que têm uma consulta nada demagógica para entrarem na lista de espera das bandas gástricas no SNS que o Passos Coelho matou.
24 horas
António Costa congratulou-se com o acordo obtido pelo Ministério da Saúde com a famaceutica fornecedora do medicamento para a hepatite b, mas lamentou o tempo perdido num caso que poderia ter sido resolvido em 24 horas.
Ora, também muito eleitor que ficou satisfeito com a eleição de Costa para a liderança do PS deve estar agora a lamentar que ele, até agora, nada tenha dito sobre o que pretende fazer se alguma vez chefiar o governo do país. É coisa que em 24 horas também poderia ser esclarecida. Até em menos do que isso, para quem tenha meia-dúzia de ideias bem ordenadas na cabeça.
Devíamos apoiar a Grécia
Devíamos apoiar a Grécia.
Porém, cá em Portugal, a nível institucional, andamos a criticar a decisão unilateral da Grécia se atirar de um precipício, como fazem as pessoas metediças quando alguém decide atirar-se do telhado de um edifício, e que, como que incomodados pelo espectacular estrondo e quase inverosímil rombo na calçada em memorial permanente de cimento avermelhado, impedem um importante happening de arte conceptual. Ninguém apoia as artes em Portugal.
Devíamos apoiar a Grécia.
– ’Tá boa, ó Aristoteles!
– Tu é que planas por entre os fluidos urbanos, ó Arquimedes!
– Mergulha aí em escaleno, ó Pitágoras!
– 30 andares de queda é para meninos, ó Sócrates!
Devíamos apoiar a Grécia.
Vai a Évora, Tsipras. Olha as botas de cano baixo, Varoufakis.
Devíamos apoiar a Grécia.
Vai, filho, vai lá ser cantor, vai realizar o teu sonho de seres a próxima Shakira, Shakira, uh-um, uh-um. Se as coisas derem para o torto podes sempre contar com o meu apoio paternal e uma vassoura na barbearia do tio Afonso. Salta. Salta.
Devíamos apoiar a Grécia.
Toda a gente morre só, nem que num acidente de avião ou na grande purga de traidores do partido. Vai, Grécia, vai. Vai, salta.
Devíamos apoiar a Grécia
Eu apoio-te, Grécia. Depois manda dinheiro.
Conhecer melhor a sociedade do conhecimento
A Grécia vista doutra perspectiva
Teoria dos jogos
A Albânia espera por vós!
Desaguisado com os camaradas soviéticos, assim como assim sem contar com grande generosidade por parte do camarada Mao e naturalmente abominando o capitalismo, o camarada Enver Hoxa fez da República Popular da Albânia um país absolutamente soberano: não recebia ordens de ninguém e não pedia nada.
O Camarada Tsipras tem pois que optar: ou se rende ao capitalismo ou segue a sua via socialista como o bendito Enver. Agora este querer viver como os americanos aposentados na Florida socialisticamente pago pelos demais europeus é que não pode ser. Camaradas da Praça Syntagma por estranho que vos possa parecer querer viver de punho erguido e receber a propina no fim do mês é que não pode ser.
da soberania
Uma das facetas mais importantes da soberania – talvez mesmo aquela que mais a marca – é a de podermos tomar livremente as nossas decisões e de sermos capazes de arcar com a responsabilidade das suas consequências. Isto aplica-se tanto a uma pessoa, como a uma sociedade, uma organização ou a um país.
Assim sendo, alguma coisa não bate certo no discurso inflamado e soberanista dos protagonistas maiores do Syriza, principalmente do seu líder e actual primeiro-ministro grego Alexis Tsipras e do ministro das finanças Yanis Varoufakis. Se, de facto, proclamaram e anunciaram o regresso da Grécia à soberania plena («A Grécia não aceitará mais ordens»), que raio andam eles a fazer pelas chancelarias europeias, a começar pela Alemanha? O que pretendem eles desta gente, que o soberano povo grego lhes não possa dar?
Se fossem professores o Mário Nogueira já estava nas televisões a dizer que ia pedir uma providência cautelar contra a prova
Estranho país este em que os árbitros acham normal fazer provas escritas e os professores não. Mais estranhamente ainda os representantes dos árbitros quando estes chumbam na prova escrita dizem que “É uma situação que acontece, todos temos dias menos bons e momentos de desconcentração. Naturalmente que, no seu último ano e no seu último teste, esta é uma marca que o Olegário não gostaria de ter. Agora, há que repetir o teste” enquanto os representantes dos professores vêem na realização de uma prova escrita uma afronta.
Próxima viagem de Tsipras com vista à angariação de novas condições de financiamento do seu programa
Então, vamos negociar.
Acabar com a austeridade → Não precisamos de mais dinheiro → Não queremos a Troika → Não é “não pagar”, é pagar quando pudermos → Pagamos mas só se crescermos → Pagamos tudo mas precisamos de mais tempo → Precisamos de dinheiro mas só até podermos ver como vamos fazer → OK, nós cumprimos 67% do acordado, mantendo a austeridade necessária → OK, mantém-se o resgate, pronto → Mandem mais dinheiro → Por favor, mandem a Troika regressar → SALVEM-NOS, FAZEMOS TUDO.
Está feita a negociação.
pescadinha
Segundo o sempre bem informado e clarividente jornal Público, António Costa «clarificou finalmente… a sua posição sobre a necessidade de renegociar a dívida pública portuguesa». E o que diz, então, António Costa neste sobre-humano esforço esclarecedor? Vejamos:
Ok, muito bem. E, então, como é que se faz para «alcançar esse equilíbrio»? Esclarece Costa:
«Depende de diferentes variáveis».
E quais são elas? As que se seguem:
1º «Pode ser efectivamente por uma redução da dívida»;
2º «do serviço da dívida pela redução das taxas de juro» («Isso o BCE tem assegurado», acrescenta);
3º «Pode ser teoricamente sobre o montante do capital em dívida»;
4º «pode ser também por via do aumento dos recursos de liquidez para investimento seja pelos mecanismos da quantitative easing» (isso o BCE também já assegurou, certo?);
5º «por um reforço das transferências comunitárias» (mais massa? vinda donde? outra vez da troika?);
6º «ou por um outro mecanismo».
Em síntese: 1º redução das taxas de juro (já está); 2º aumento da liquidez na UE (já vem a caminho, ok?); 3º redução do capital em dívida (mas que Costa recusa, não é verdade?); 4º Qualquer outro mecanismo. Confesso a minha preferência por este último.
Notável, não é? Depois, queixem-se.
De volta ao Excel

Durante o primeiro ano do governo de Passos Coelho, uma crítica frequente feita pelos recém-falidores era a preponderância de Vítor Gaspar na actividade governativa, encarada na altura como uma sobrevaloração economicista, o primado das finanças sobre a vida das pessoas. “As pessoas não são números” e, posteriormente, “o mundo não é o Excel”. Havia, inclusivamente, quem advogasse que o ministério das finanças existe para passar cheques aos outros ministérios, os ministérios das pessoas e da primazia da vontade humana sobre os números.
Para mim é reconfortante verificar que Varoufakis, em pouco mais que uma semana, tornou-se o centro das atenções em detrimento de Tsipras, o primeiro-ministro talhado para uma existência Rui Tavares desde pequenino. Mais reconfortante será verificar a inevitabilidade da aceitação pelos luso-falidores do Excel como ferramenta bem mais importante para a realidade que qualquer desvario sacado do dicionário de citações de Gramsci. Ninguém deposita mais esperança em Varoufakis, o ministro das finanças, que a esquerda dos unicórnios.
A propósito da saúde que não tem preço e do preço da saúde
fiz há algum tempo esta entrevista a Pedro Pita Barros para o Observador. Naturalmente falámos dos custos dos tratamentos da hepatite c
de heroi a vilão?
Como reagirá a esquerda portuguesa, em particular o recém-syrizado PS, a esta decisão de Mario Draghi?
não basta
Por razões de natureza essencialmente ideológica, o estado português insiste em manter um Serviço Nacional de Saúde universal e praticamente gratuito. A ideia é generosa, como são quase todas as que consubstanciam a filosofia do estado social. Afinal de contas, quem não gostaria de ter saúde, educação, habitação e trabalho garantidos, de boa qualidade e a custos directos e indirectos baixos? Só que, quem conhece os custos reais das entidades prestadoras desses serviços. sabe que eles incluem pesados custos de má gestão e de ineficiência próprias dos serviços públicos, onde verdadeiramente não há patrão e ninguém responde por prejuízos, a não ser o contribuinte. No caso da saúde, a situação é mais grave, porque, graças ao SNS, o estado habituou, durante décadas, as pessoas a prescindirem de seguros de saúde e de precaverem outros meios para cuidarem de si, levando-as a acreditar que estão seguras nas suas mãos. Agora, e apesar dos esforços e da competência de muitos dos seus operadores, o SNS não consegue sequer evitar que as pessoas morram em catadupa nas urgências dos seus hospitais, ou por falta de médicos, ou por falta de medicamentos, ou por falta de organização, ou por falta de tudo isto simultaneamente. Só quem não passou, nos últimos anos, por um serviço de urgências de um hospital público poderá ignorar as condições esforçadas mas deprimentes em que doentes graves e pessoas de idade são, ou melhor, não são tratadas. Em face do descalabro em que entrou o sistema, o ministro da tutela desculpou-se com um acréscimo anormal de consultas, provocado por um surto, também ele anormal, dessa gravíssima doença que é a gripe de inverno! E, em forma de compensar algumas mortes de pacientes, anunciou que vai abrir inquéritos. Não basta. A saúde e a vida das pessoas não são o Citius e o colapso do sistema público de saúde não é o mesmo que o colapso do sistema informático do Ministério da Justiça. É preciso saber quem é responsável pela morte destas pessoas e tirar daí consequências.
corrupção
Organizado pelo Instituto Mises – Portugal e a Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Porto. Quarta-feira, dia 11 de fevereiro, pelas 19:00.
Hypnos
O dia em que o regime acabou começou normalmente, com mais um longo texto de Cavaco Silva, ex-Presidente da República e actual Conselheiro de Estado, publicado, como habitualmente, no Diário de Notícias.
O juiz C. A. que se cuide. Por muito menos mataram o rei D. Carlos.
Ninguém esperava que milhares de Charlies inundassem a rua, como peixinhos na Av. da Liberdade, nadando livres para o fim da austeridade. A democracia implica responsabilidade: um país onde um ex-Presidente ameaça um juiz é um país cujas instituições democráticas estão minadas.
O regime acabou e a austeridade também.
Trrrrrrrriiiiiimmmmmmmm…
Ai admite, admite
À SIC José Sócrates respodeu: Tínhamos de acabar aqui: no meu “estilo de vida”, que dizem “dispendioso”, na crítica de costumes e no julgamento moral que inspira desde o início toda a campanha do “Correio da Manhã” contra mim. Não admito, nem alimento, esses julgamentos. Nem sequer para comentar a mesquinhez dos que acham que é um “luxo” tirar um mestrado em Sciences Po ou ter filhos a estudar numa escola estrangeira.
Pois é mas quer queira quer não tem de admitir que é julgado moralmente. A moral existe. E independentemente de vir a ser provado algo do foro criminal o estilo de vida de José Sócrates não é compatível com o desempenho de cargos políticos. Político algum pode viver dessa pedinchice a um amigo e ter um estilo de vida que não consegue sustentar com os seus rendimentos. A moral existe. O bom senso também. E se os tivesse tido em conta muitos problemas se teriam evitado.
Isto anda tudo trocado
Creio que houve um enorme equívoco nas eleições gregas: alguém tem de explicar ao Syriza que foi eleito para governar a Grécia e não o dinheiro dos contribuintes dos outros países. Aliás além da contratação das empregadas da limpeza, do aumento do salário mínimo e da electricidade à borla (tudo coisas a pagar pelos do costume) o que já decidiu o governo grego para ser feito pelos gregos?
Problemas do foro da liquidez
Primeiro capítulo – da falta de
- Varoufakis diz que a Grécia não tem um problema de liquidez.
- Sócrates diz que “ter tido dificuldades de liquidez num certo período da minha vida não significa que não tivesse um horizonte financeiro, pessoal e familiar, compatível com o nível de despesas”.
Segundo capítulo – e isso é líquido
- Veroufakis continua à procura de alguém que financie a despesa grega só porque sim.
- Sócrates está preso.
Eles já estão aí
Até há pouco, falava-se do perigo de um qualquer partido extremista, nacionalista e soberanista alcançar o poder por via eleitoral num país da União Europeia. O que provavelmente ninguém contava é que não viesse da extrema-direita, mas sim da extrema-esquerda. E com isso o «tabu» está desfeito. Se à partida se pensava (ou se deixava nas entrelinhas) que uma vitória nacionalista poderia ser um impecilho e suscitar uma imediata rejeição ao nível da UE, afinal os eleitorados na Europa podem constatar que não se passa nada disso. Em muito sectores tal obtenção do poder por uma nova corrente de nacionalistas é mesmo apreciada. O que não deixará certamente de ter repercussões nas eleições que se avizinham em alguns estados europeus. Outros virão reinvidicar também a sua soberania para impedir fazer o que agora a esquerda radical grega pretende.



