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Há coisas que nunca mudam!!!

8 Novembro, 2014

No Insurgente descobri este texto do Avante sobre a queda do muro de Berlim. Ou melhor sobre a «queda do muro de Berlim» e a campanha anticomunista de intoxicação da opinião pública que ela está a proporcionar.

Agenda para a década (primeira semana)

8 Novembro, 2014

Segunda-feira
Entrevista à mãe de António Costa.

Terça-feira
Entrevista à mãe de António Costa.

Quarta-feira
Entrevista à mãe de António Costa.

Quinta-feira
Entrevista à mãe de António Costa.

Sexta-feira
Entrevista à mãe de António Costa.
Apresentação da agenda de entrevistas da mãe de António Costa.

Sábado
Entrevista à mãe de António Costa.

Domingo
Dia de Shiva.

o novo membro da família carreira

7 Novembro, 2014
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«O significado da vida é o amor».

agora que vêm aí, de novo, as boas intenções…

7 Novembro, 2014
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São de extrema oportunidade estas palavras de José Manuel Moreira:

«Infelizmente, esta ética realista foi substituída por uma visão dualista do comportamento humano que caracteriza um keynesianismo assente na ideia nobre de que políticos e burocratas se movem pelo interesse público, enquanto empresários, banqueiros e especuladores são tidos como mesquinhos e sacanas. Uma dicotomia que incentivou um intervencionismo governamental, justificador do saque fiscal e facilitador da captura do “público” por tratantes e amigos do alheio.»

ele já está no meio de nós

7 Novembro, 2014
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António Costa começou a descer à Terra e a encarnar no género humano, agora que a sua próxima condição de líder da oposição lhe exige muito mais do que o estatuto de semi-divindade com que apeou António José Seguro da chefia do PS.

Para o efeito, revelou hoje à humanidade a moção programática que levará ao Congresso socialista, que servirá de base para o seu programa eleitoral. Em destaque, duas esmagadoras notícias: os orçamentos plurianuais e um fundo de apoio à actividade das pequenas e médias empresas. Não se entende como é que ninguém se lembrou disto antes.

Quanto aos orçamentos plurianuais (quinquenais?), fica por esclarecer se serão plurianuais dentro de cada ano orçamental, ou se a coisa é para os quatro anos da legislatura. Se estiver a pensar em orçamentos plurianuais intra-anuais, isto é, dentro do mesmo ano orçamental, já os cá temos há muito: são os chamados orçamentos rectificativos, aos quais os governos lançam mão sempre que é necessário sacarem-nos mais dinheiro para suportarem as despesas que não conseguiram reduzir. Se até quiser manter a numeração socialista, homenageando assim o saudoso José Sócrates, poderá começar por «PEC IV» e seguir por aí em diante. Se estiver a pensar em orçamentos que ultrapassem o limite temporal de um ano, lembra-se o que determina o artigo 106º da CRP: «1. A lei do Orçamento é elaborada, organizada, votada e executada, anualmente (…)». Ainda que o Tribunal Constitucional tenha muito boa vontade, do que não duvidamos, vai ser difícil proceder a alterações profundas na organização das contas do estado.

Já quanto ao auxílio do estado às pequenas e médias empresas, Costa explica que funcionará «através da criação de um fundo de investimento, que o Estado garanta, e que permita criar mais recursos financeiros que sejam canalizados para a economia sem riscos para as poupanças das pessoas». Claríssimo, não é? Já a pequena subtileza de que será o estado a «garantir» o fundo, remete-nos, como sempre, para os bolsos dos contribuintes. A pergunta, contudo, a que Costa deve responder é a seguinte: essas empresas são úteis ao mercado ou irá o governo manter artificialmente a «economia», até ao próximo estoiro de crédito mal parado?

Da resistência à tentação de aumento de impostos e de criação de taxas e taxinhas:

7 Novembro, 2014

DO ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2015:
Imposto sobre o álcool e bebidas alcoólicas: aumento de 3%
Alargamento dos produtos sobre que incide o Imposto sobre tabaco;
Aumento do imposto de Contribuição de serviço rodoviário
Criação do novo imposto sobre a generalidade das transações financeiras que tenham lugar em mercado secundário
Aumento do imposto de Contribuição Extraordinária sobre o sector Bancário
Criação do imposto de carbono sobre o consumo de combustíveis
Criação da Taxa sobre os sacos de plástico
Agravamento das taxas do Imposto Sobre os Veículos

Estratégias

7 Novembro, 2014

O Luxemburgo tem apostado num regime de impostos baixos para as empresas que tem rendido milhões ao Luxemburgo.

Portugal tem aposta num regime de impostos elevados para as empresas que tem custado milhões a Portugal.

Perante isto, os portugueses indignam-se com o governo luxemburguês.

Num país em que o discurso público está cheio de referências a estratégia, empresas estratégicas e sectores estratégicos, falta alguém que perceba o que é a estratégia e para que serve.

O que é que acontece quando os socialistas não são o governo?

7 Novembro, 2014

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Mais ou menos isto. Austeridade há só uma, a socialista e mais nenhuma. Parabéns aos sindicatos, extremamente eficazes na jihad pelo gulag.

Setenta e dois/duas virgens

7 Novembro, 2014

Sandro foi bombardeado, sucumbindo aos ferimentos que o guiaram à glória divina através da cópula com setenta e dois/duas virgens num refastelamento hepático em local sagrado não passível de transmissão de doenças venéreas debilitantes.

O mais confortante na morte é saber que o corpo fica mas o pénis segue connosco para o outro mundo, fiel companheiro nas horas de abandono corpóreo, impoluto por infecções em forma de couve terrenas, como uma segunda oportunidade numa máquina de jogos com moeda adicional introduzida por Deus Ele próprio.

Na morte em combate, o cérebro e o pénis, as duas partes que chegam ao outro mundo, sofrem uma mutação para a paz absoluta adquirida pelo tamanho de revólver Pfeifer Zeliska 28mm, ele próprio um pénis mais pénis que o próprio pénis. E é o fim da austeridade, disso ninguém tem dúvidas.

Sandro pode beneficiar de setenta e dois/duas virgens mas nunca beneficiará do aumento de salário mínimo proposto pelo Doutor António Costa, que apresentou uma espécie de teaser para a agenda para a década, só para começar, que 10 anos é o período normal para governar sem passar por novas eleições.

A Casa Pia de Lisboa poderá vir a beneficiar de uma taxa de turismo como forma de filtrar os pé-rapados que chegam à cidade para depois dar com a língua nos dentes. Sobretudo, é fundamental que a instituição não se transforme num antro jihadista, que 72 virgens não são particularmente fáceis de encontrar aí em qualquer sítio.

Nisto das segundas oportunidades, é preciso perceber que dar a outra face é o caminho para a redenção, como o Doutor Ferro Rodrigues bem demonstra.

Há um fantasma que paira sobre a Europa: a maluqueira

7 Novembro, 2014

Son of man killed by foreign doctor Daniel Ubani ordered to pay thousands of pounds for insulting him
Rory Gray, whose father was killed by foreign doctor Daniel Ubani, has been ordered to pay thousands of pounds in court costs after being sued in Germany. A grieving son has been ordered to pay thousands of pounds in legal fees after he was sued by the foreign doctor who killed his father.

Daniel Ubani, killed pensioner David Gray with a massive drug overdose on his first shift after flying to the UK from Germany to work as a locum doctor.
The case highlighted gaping holes in Britain’s regulation of foreign doctors, leading to an overhaul of the system in order to protect patients.
Although Ubani was struck off the medical register in the UK, he continues to practise in Germany.
In their campaign for justice, Mr Gray’s two sons, Rory and Stuart, confronted Ubani at a medical conference in 2010 accusing him of being “a charlatan”, “a killer” and an “animal”.
Rory Gray, 49, was sued in a German court by Ubani over the incident. Ler mais…

O direito ao esquecimento ou mais precisamente do dever de branqueamento

7 Novembro, 2014

Em Espanha a ETA reivindica o direito ao esquecimento: Los terroristas se están valiendo del ‘derecho al olvido’ para eliminar su rastro de buscadores como Google. A la redacción del diario digital Qué.es ha llegado un correo electrónico de Google avisándoles de que se habían eliminado del buscador un total de tres URL’s de este portal correspondientes al año 2008. Esos enlaces contenían información sobre el proceso judicial de los integrantes del grupo Vizcaya de la banda terrorista ETA.
Con el asunto “Aviso de eliminación de resultados de la búsqueda de Google”, el gigante de las búsquedas ha informado al diario de la eliminación de las informaciones bajo petición y aludiendo al ‘derecho al olvido’. “A causa de una solicitud basada en la legislación de protección de datos europea, ya no podemos mostrar una o más páginas de tu sitio en nuestros resultados de búsqueda en respuesta a determinadas consultas de nombres u otros identificadores personales”, indica el correo electrónico de Google.
El motor de búsqueda también deja claro que “estas páginas no se han bloqueado completamente” de sus resultados de búsqueda “y se continuarán mostrando para consultas diferentes de las especificadas por personas concretas en las solicitudes de la legislación de protección de datos europea que hemos cumplido. Desgraciadamente, a causa de cuestiones de privacidad individuales, no podemos revelar qué consultas están afectadas”.
En dos URL’S aparecía el nombre de Arkaitz Goikoetxea, etarra condenado a 742 años de cárcel por diversos delitos, entre los que se encuentra el asesinato del agente Juan Manuel Piñuel en mayo de 2008. Además, estuvo implicado en el intento de secuestro al concejal socialista Benjamín Atutxa y en el intento de matar al juez de la Audiencia Nacional Fernando Grande-Marlaska. Ler mais…

e porque vem aí o antónio…

6 Novembro, 2014
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«Tribunal Constitucional deu “luz verde” ao aumento dos descontos da função pública para a ADSE».

brigada do ressabiamento

6 Novembro, 2014
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José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva, Bagão Félix, Francisco Louçã, Basílio Horta, José Pacheco Pereira, Silva Peneda, Maria João Rodrigues e o campeão dos campeões, o P-r-o-f-e-s-s-o-r D-i-o-g-o F-r-e-i-t-a-s d-o A-m-a-r-a-l, agora muito empenhado em «resgatar a PT» dos baixos interesses para os quais o último governo a que pertenceu na qualidade de ministro a atirou. A antevisão do que seria um Senado português é um delírio de terror.

Não consigo

6 Novembro, 2014

deixar de sentir saudades de Alvaro Santos Pereira sempre que encontro nas notícias o nome de Pires de Lima

Indignação obrigatória do dia

6 Novembro, 2014

Dizer mal de Angela Merlel por causa das suas declarações sobre o número de licenciados em Portugal. Por mim podem existir em Portugal os sociólogos, antropólogos e especialistas em relações internacionais que aprouver a quem se sinta com vocação para tal desde que depois não venham reivindicar ao contribuinte emprego nessas áreas ou o estatuto de eternos bolseiros.

O mundo não se organiza em função do PS nem espera que o PS reflicta para continuar a rodar

6 Novembro, 2014

A questão não é a posição do PS sobre a dívida mas sim a posição que a dívida tem nas nossas vidas
Ferro Rodrigues admite que o PS ainda não tem posição sobre a dívida

shark tank à portuguesa

6 Novembro, 2014
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sharksSeis grandes empresários portugueses, daqueles que «triunfaram no mercado», formam o júri do Shark Tank Portugal, o programa televisivo que recebe empreendedores em busca de parceiros de investimento para os negócios que ambicionam criar. Angelito, Varadas, Coelhone, Granadas, Oliveira da Serra e Salgadinhos formam o painel. Segue-se o resumo do primeiro programa.

Apresentadora: Senhoras e senhores, começa hoje o Shark Tank Portugal, o programa que realiza os sonhos dos empreendedores nacionais que buscam o dinheiro que não têm para os negócios que nunca hão-de ter, junto de empresários de sucesso que têm dinheiro sem nunca terem tido negócios. Que entre o primeiro candidato, o jovem Antunes, que quer abrir uma mercearia de produtos finos em Freixo-de-Espada-à-Cinta.

Angelito: Seja bem-vindo, caro Antunes. Espero que nos surpreenda e nos cative com o projecto que vai apresentar. Mas, por favor, não me desiluda, porque o último empreendedor em que apostei, depois de estabelecido e bem estabelecido com o capital político que lhe consegui reunir, deu-me um coice a arrumou-me como se faz com os velhos, o ingrato! O que nos vem, então, propor?

Antunes: Boa noite a todos os membros do ilustre júri. Venho pedir-vos € 500,00 em troca de 100% de uma mercearia fina que quero montar na minha terra, Freixo-de-Espada-à-Cinta, onde para se comprar uma posta de lombo de bacalhau temos de percorrer mais de 130 Km até ao Continente mais próximo, em Bragança. É negócio de sucesso garantido!

Varadas: 100% do capital? E você vive de quê? Ao menos recebe em robalos?

Antunes: Em roubá-los?

Varadas: Não, homem, em «robalos», aquele peixe que se vende em carros topo-de-gama e que costuma ser embrulhado juntamente com notas de 100 euros. É mais ou menos a mesma coisa, mas tem as suas minudências.

Antunes: Prefiro que me paguem um salário no final do mês, que isto de ser empresário tem riscos elevados em Portugal.

Angelito: E você só quer o salário? Não se compromete com o negócio? Não quer sentir o risco empresarial? Não tem a correr nas veias o killer instinct que distingue um verdadeiro empresário de um reles marçano de farmácia?

Antunes: Bom, se me arranjarem um lugar de marçano lá na farmácia de Freixo, deixo já a mercearia.

Oliveira da Serra: Homem, não pense pequeno, caramba! Você, por acaso, já passou pelo meu banco? Olhe que se lá passar à porta e entrar, enchemos-lhe os bolsos de pastel. E ainda leva um Mirone de bónus se se portar bem.

Salgadinhos: Mas se for ao meu, para além de caroço e de dois Mirones, ainda lhe damos valiosas acções da PPT.

Granadas: Ó patrão, ó patrão, damos acções da PPT? E tenho que assinar alguma coisa?

Salgadinhos: Não se meta homem, não seja burro, que a conversa não é consigo! Assina o que eu quiser e mandar, pois com certeza! Não se esqueça que investir numa mercearia em Freixo-de-Espada-à-Cinta é criar valor para o nosso Grupo. E sempre fazemos um favor ao Presidente da Câmara, que é nosso amigo e trabalhou lá na agência.

Coelhone: Meu rapaz, por acaso tens algum membro da Edilidade a apoiar-te?

Antunes: Donde, Senhor?

Coelhone: Da Edilidade, caramba, da Câmara Municipal. Da Junta de Freguesia, pelo menos.

Antunes: Aí não conheço ninguém, Senhor.

Coelhone: Mau, mau, rapaz. Assim nunca serás um verdadeiro empresário português. Daqueles que triunfam no mercado, pá!

Angelito: Vamos lá com calma, meu caro Coelhone. Já nos passaram pelas mãos casos bem piores e olha que cheios de sucesso, hoje em dia, graças ao nosso rasgo empresarial. Qualquer um de nós tem as suas histórias e memórias para contar…

Coelhone: Pois tem, ó Angelito, mas sem amigos morre-se na prisão! Nos negócios isso é fatal! Olha aquele tipo que tinha o sobrinho taxista em Paris. Não escolheu os amigos certos e foi o que se viu…

Varadas: Ai morre, morre. Às vezes, já nem chega ter amigos! O país e o mundo civilizado estão perdidos! Já nada é como era nos tempos em que fizemos Portugal crescer!

Oliveira da Serra: Mesmo assim, eu acho que você devia ir ao nosso banco. Fale lá com aquele rapaz, o Loureiro, que lhe pode ser muito útil e lhe dará sábios conselhos, não tivesse ele sido um dos mais eminentes conselheiros da nossa República.

Varadas: Por falar em República, você vai vender bananas na sua mercearia, ou só robalos?

Salgadinhos: Venha mas é ao nosso banco, caramba! E traga as suas economias, que lhes daremos bom destino. Invista em acções do Grupo, coisa segura e certa, como ainda há dias afiançaram as grandes autoridades deste pais.

Antunes: Mas eu só quero umas massitas para abrir uma mercearia. A alta finança não é para mim!

Granadas: Faça o que o Senhor Doutor lhe está a dizer, homem! Ele é que sabe destas coisas. Comigo resultou: já conto com quase trinta anos de sucesso empresarial! Volta e meio assino uns papéis e já está!

Angelito: Isto não me está a agradar. O candidato não tem um projecto claro para o capital que nos pede. Estou fora.

Varadas: Que já estás fora há muito tempo já sabemos todos, ó Angelito.

Granadas: Eu também estou fora, pelo menos enquanto puder não estar dentro. Não vejo como poderei trazer valor a uma mercearia em Freixo-de-Espada-à Cinta. Ainda se fosse no Brasil, tinha lá um gestor, por sinal genial, para encabeçar o projecto.

Coelhone: Nem em Freixo-de-Espada-à-Cinta, nem no Brasil, nem em lado nenhum, Granadas. Já agora, também estou fora, porque este tipo não conhece ninguém que seja conhecido. Como é que você tem a lata de vir aqui dizer que quer ser empresário, se nem se quer é amigo do Presidente da Junta?

Oliveira da Serra: Eu também queria estar fora, embora por enquanto esteja dentro.

Salgadinhos: E eu ainda não estou dentro, pelo que, por enquanto, estarei fora.

Varadas: E eu nem dentro, nem fora, que ninguém se decide. Isto assim não é vida.

Apresentadora: Senhoras e senhores, terminou o primeiro Shark Tank Portugal. O candidato a empresário entrou como saiu e como costumam sair a maior parte dos empresários portugueses, isto é, sem nada nos bolsos. Para a próxima, se quiser dinheiro que vá ao Totta!

Antunes: E como é que eu volto para Freixo-de-Espada-à-Cinta, que nem dinheiro tenho para a passagem de camioneta?

Coelhone: Não tem camioneta? Faça como eu: vá de mota, homem de Deus! Mas que grande canastrão nos saiu este Antunes!

Ai, Timor …

6 Novembro, 2014

Timor dá-nos uma lição importante: uma boa rede de corrupção, uma que seja eficiente a corromper, tem que ter o sistema judiciário dentro da rede. De resto, no futebol é tudo mais transparente. Não há corrupção no futebol sem corrupção dos árbitros e todos sabemos que árbitros estrangeiros não dão jeito nenhum.

o país da carochinha

5 Novembro, 2014
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Quase dez anos volvidos e uma imensidão de capital destroçado, a PT poderá ficar nas mãos de quem a quis comprar no mercado, sem cunhas políticas, corporativismos ou «golden shares». Infelizmente, na altura, os defensores do «interesse nacional», ancorados por idiotas úteis que ajudaram a fazer coro, como os sindicatos do costume, preferiram a solução política à solução de mercado. Os resultados estão aí, à vista de todos, e, mesmo assim, entrando pelos olhos dentro de qualquer um, há quem continue a enjeitá-los. Pode ser que, mesmo depois de tudo o que se passou, seja ainda a economia verdadeiramente privada a tirar a PT do sufoco em que os «patriotas» do costume a colocaram. Embora, desta vez, o «verdadeiramente privada» seja apenas parcial. Mas sempre vale mais assim do que assado.

a sensatez de galamba

5 Novembro, 2014
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O deputado do PS João Galamba manifestou-se apreensivo com os comentários das organizações que compunham a extinta troika sobre o orçamento proposto pelo governo português para 2015. Realçando o facto dessas instituições entenderem “que estão perante um quadro macroeconómico de absoluta fantasia e de irrealismo”, em virtude do governo ter abrandado a malfadada “austeridade”, Galamba chamou, deste modo, a devida atenção para o facto do equilíbrio orçamental português não ter sido ainda conseguido e que os ganhos nesse domínio alcançados nos últimos anos são ainda muito precários. O FMI, o BCE e a Comissão Europeia disseram, com os seus comentários, que é necessária mais austeridade do que aquela que o governo quer para 2015. Galamba acompanha as preocupações da troika. Tamanha sensatez só poderá ser um bom augúrio para um futuro governo do PS. Afinal, a austeridade é para continuar!

não terá de se esforçar

5 Novembro, 2014
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Anda meio mundo preocupado com o incumprimento das metas orçamentais, acordadas com os credores, por parte de um futuro governo do PS, liderado por António Costa. Pelo que se vê por aqui, é uma preocupação desnecessária, até porque Costa terá o trabalho muito facilitado.

Mas acham que é a sério?

5 Novembro, 2014

Algumas pessoas não compreenderam o objectivo dos jarretas ressabiados ao apresentarem a proposta da resgate da PT. Pita Barros, por exemplo, tenta responder, mas não há nada a responder porque também não havia qualquer pergunta ou sequer proposta séria.

Vamos esclarecer isto de uma vez por todas: estes caramelos não querem que vocês resgatem a PT, eles querem que vocês pensem que o governo a alienou. Andam a fazer isto há tanto tempo que não admira que comecem a acreditar nas próprias tretas.

Não estamos no domínio na política, que mais não é que opções entre possibilidades mais ou menos desagradáveis; isto é o domínio do desprezo pela inteligência dos concidadãos, isto é o melhor do regime das montras da luz vermelha dos ilustres em lingerie.

Merkel 1 – 0 Parapsicólogo da Sociologia da Segurança no Trabalho Robótico

5 Novembro, 2014

Merkel diz que países como Portugal tendem a oferecer licenciaturas em áreas que beneficiariam de cursos vocacionais, mais directos, curtos, e orientados ao mercado laboral.

Uma série de licenciados que encaixam no perfil apontado passarão o dia a explicar que Portugal não tem licenciados a mais, que juram ter sido o que ouviram Merkel dizer. QED.

O assunto do costume para fazer de conta que se resolve alguma coisa

5 Novembro, 2014

O governo francês não consegue levar avante boa parte das medidas que toma. A construção de uma barragem torna-se um caso nacional com feridos e um morto, a construção de um aeroporto ia degenerando numa guerrilha grunge.Para bem de todos e em particular de Hollande não há aeroporto, não há barragem, não há eco-portagem… E assim para entreter e fazer de conta que faz alguma coisa o partido do governo, o PS, avança sem temor para uma proposta que, essa sim, define sem temor o seu perfil executivo: Le PS va déposer un texte à l’Assemblée pour reconnaître la Palestine

Aos adeptos do multiculturalismo e da teoria da igualdade entre culturas

4 Novembro, 2014

deixo este educativo video

Queridas 14 personalidades onde estavam em 2007 quando a PT não podia ser comprada por empresários portugueses?

4 Novembro, 2014

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De 2007 a 2014 sempre o mesmo argumentário. O mesmo ódio ao mercado. O mesmo apego aos negócios do Estado. Aquilo que as 14 personalidades agora escrevem e que em baixo transcrevo é exactamente o que em 2007 as então sorridentes personalidades nos diziam para justificar a sua oposição à OPA da SONAE.

Apelo para resgatar a PT

As razões do descalabro e desmembramento da PT, no contexto da sociedade e da economia portuguesa, advêm, ao longo deste século, de graves erros, distorções, falta de visão estratégica nacional e diluição ética de diferentes níveis de decisão. Importa, por isso, aprofundar as ilações a extrair desta situação.

Mas, olhando para o próximo futuro, a gravidade da situação da PT é incompatível com silêncios, omissões ou acomodações. Está em causa o interesse nacional na sua mais genuína interpretação. Está em causa a prossecução do bem comum e a defesa estratégica da soberania nacional. Por isso, exige-se das autoridades políticas e públicas uma actuação intensamente activa. Não importa agora justificar a inacção com a inexistência jurídica de uma “golden share”. O assunto já não é apenas empresarial, mas assume contornos políticos nacionais que implicam uma atitude que respeite o primado do interesse e da responsabilidade públicas.

Este problema não pode, pois, ser exclusivamente deixado à lógica estrita de mercado e de interesses particularistas. Não pode ser tratado como se tratasse de um assunto de quase rotina sujeito à lei mecânica da indiferença e da passividade. Exige apuramento profundo e integral de responsabilidades e a salvaguarda de aspectos inalienáveis da nossa soberania.

Portugal não pode ficar desarmado. Os órgãos de soberania devem interpretar fielmente a prossecução do bem comum que é pertença da Nação.

António Bagão Félix

Diogo Freitas do Amaral

Eduardo Paz Ferreira

Francisco Louçã

Isabel Allegro de Magalhães

João Ferreira do Amaral

João Cravinho

José Pacheco Pereira

José Silva Peneda

Manuel Carvalho da Silva

Mariana Mortágua

Pedro Adão e Silva

Ricardo Cabral

Ricardo Bayão Horta

Notícias do centro de dia

4 Novembro, 2014

Com a reforma vem também a dificuldade em arranjar actividades que permitam ocupar os tempos livres. No Verão há o dominó no parque ou até a loucura dos transportes públicos nas linhas que transportam os jovens para as praias. No Inverno há manifestos para se gastar o dinheiro dos outros.

O grupo de pessoas com programas de comentário televisivo que estão ressabiadas com Passos Coelho fez um manifesto. Mais um. É sobre qualquer coisa que viram na TV. Depois finjam que leram lá isso que é para o jantar correr bem e não se desaproveitar o pudim.

Para lá vamos. Quem novo não vai de velho não passa.

Que pena não ter sido em Massamá

3 Novembro, 2014

O português sofre com a austeridade, seja aqui, seja na Suíça. Um homem, devastado pela austeridade, estrafega (na realidade, baleia) a mulher, mãe dos três filhos, o seu novo marido e a si próprio porque, com a austeridade, o amor é sempre o que fica quando todo o resto colapsa.

Na realidade, não se pode noticiar assim o caso do imbecil que arruinou a vida a cinco pessoas além da dele em Wilderswil, Berna, para pena do tudólogo que consegue associar toda e qualquer estupidez à crise com a excepção da própria.

Edmundo, o marajá do piropo

3 Novembro, 2014
Edmundo, piropado pelo mundo.

Edmundo, piropado pelo mundo.

Rebola, agita, pendulando em badalo harmonicamente o pistão encerado de fragrância almíscar, como batuta para orquestra de primeiro violino em fio dental.

Edmundo saltou à vedação em Melilla para o campo de golfe com um sonho: tornar-se pedreiro na linha de TGV Caia-Poceirão. Com a crise e o abandono do projecto ferroviário que garantiria a Mário Lino um lugar nos livros de história, Edmundo foi obrigado a dedicar-se a actividade mais lucrativa, auferindo o salário mínimo acrescido de gorja pela ostentação do corpanzil a audiências embevecidas contra a violência tauromáquica do Homem versus animal potente.

Edmundo mergulha no tanque de sebo que ocupa grande parte dos decrépitos bastidores no Arco-íris Púrpura, local de culto para escritores socráticos e mulheres de meia-idade que ainda não se decidiram acerca de descendência humana apesar da menopausa eminente. “Badala-me a testa”, grita a chiffon preto e soutien rosa, que é a peça de vestuário mais perto do coração de todas as peças de vestuário. “Prega-me à parede com a bovina âncora”, refuta a loira dos motivos marítimos, mais achacada a Tourette voluntarista em forma piropal. É uma festa de despedida de solteira, celebrando a segundo violino a janela temporal entre este e o ponto em que regressará ao estado de não-casada. “Chocolate com nata”, grita a gorda do canto, criando a primeira ambivalência semântica da noite entre sobremesas e piropos.

À quinta-feira é noite do homem. O strip másculo de homem escurinho não é exclusivo para géneros femininos, que o mundo mudou para a abrangência de toda e qualquer forma identitária de igualdade. Belarmino, o franzino tatuado de tumefacção adornada pela tarântula violeta, com teia que envolve o escroto numa unificação do eu glandular, agita o braço-galho numa manifestação invernal que puxa para si a investida taurina que o torna uno com o capote a cornear. “Fundo”, compulsiva e fremente assinalando-se alvo e vítima de ataque a desferir, como se Edmundo não fosse gente, que homem não é certamente e gente não badala assim.

O primeiro piropo que Edmundo ouviu neste país foi “se fosses mais novo levava-te todo para uma casa em Elvas”. Piropos na rua são graves mas no local de trabalho são, sobretudo, imorais. Nada impede as gajas que são gajos e os gajos que são gajas de ofenderem, violentarem, estuprarem a dignidade de Edmundo. A Lei não é Lei. Pelo Edmundo e outros utensílios Benetton multicolores deste mundo, ilegalize-se o piropo.

Ainda há quem queira outra URSS

2 Novembro, 2014

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No Verão de 1987, pouco mais de um mês após o histórico discurso de Ronald Reagan que terminou com “Sr. Gorbachev, derrube este muro!”1, Billy Joel, tocava na União Soviética, em Tbilisi (hoje capital da Geórgia), Moscovo e Leninegrado (hoje, São Petersburgo). Com nova edição restaurada e ampliada, a versão especial com duplo CD e DVD/Bluray contém um documentário com mais de 60 minutos sobre a parte soviética, integrada na digressão do álbum The Bridge. O que mais transparece do documentário é o quão aquela geração precisava de ver para além do muro. Muito recomendado, principalmente para os eternos saudosistas das realidades que nunca viveram.

Uma pequena nota para quem não gosta de Billy Joel: é bom poder ter escolha para se gostar ou detestar determinados artistas, não é? É mais uma diferença em relação à ida URSS.

1Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall!

A castração do bom senso

2 Novembro, 2014

Diretor de turma não quer que os alunos falem português nas aulas e a ministra da Família luxemburguesa apoia a decisão. Portugueses temem desvalorização da língua materna. O caso de um director de turma que proibiu os alunos de falar português nas aulas, uma decisão aplaudida pela ministra da Família do Luxemburgo, está a preocupar a comunidade portuguesa no país, que considera a medida “castradora”.
Para o presidente da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), a proibição pode levar também a um sentimento de desvalorização da língua materna, contrariando as políticas do Governo luxemburguês, que vem defendendo a importância do português para o sucesso escolar dos imigrantes.
“Eu compreendo que na escola os alunos se exprimam na língua em que estão a ser ensinados, mas proibir genericamente o português nas aulas é uma forma de castração”, disse à Lusa José Coimbra de Matos, sublinhando que “se as crianças partirem do princípio que a língua delas é proibida no sistema escolar, vão sentir-se inferiorizadas em relação aos outros”.

Em Portugal fala-se português nas aulas e não é suposto que nas aulas de geografia, matemática ou história os alunos falem uns com os outros em crioulo, russo, chinês ou ucraniano. A Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo está a prestar um péssimo serviço ao alimentar fantasmagorias de exclusão em vez de promover a inclusão. E de facto nas aulas os alunos devem falar a língua em que o ensino é ministrado. O resto não passa de conversa fiada para escamotear um dado incontornável: os alunos portugueses no Luxemburgo dominam mal o francês e sobretudo o alemão. O que em parte explicará o seu fraco desempenho escolar.

Ó Portugal, volta para trás

2 Novembro, 2014

Tema do meu artigo de hoje no Observador: O socialismo está a deixar de ser uma ideologia que dizia como se podia construir o futuro para se transformar num corpus reaccionário que nos promete voltar ao passado. Aquilo que estamos a ver no PS é a sua adesão ao discurso das “conquistas irreversíveis”. Fazer dos direitos adquiridos, como é o caso da reposição das pensões, ou das 35 horas na função pública, as novas conquistas irreversíveis só vai agravar o momento em que o PS constatar que o tempo nem nas canções volta para trás e que a realidade está inflexível à sua espera. O problema é que o PS não viverá esse momento sozinho. Vamos vivê-lo todos nós. Porque, goste-se ou não, o PS é o principal partido português.

Assim como assim

1 Novembro, 2014

qual é o critério vigente nas redacções portuguesas para noticiar as manifestações: número de manifestantes? Existem tumultos? Mortos? Razões da manifestação? Não. Se assim fosse as manifestações contra a construção de uma barragem em França , a morte de um dos manifestantes  e agora as manifestações em Toulouse e Nantes protestando contra essa morte teriam sido noticiadas em Portugal. Mas à excepção de umas referências tardias como esta não se encontra muito mais.

 

O disparate pegado

1 Novembro, 2014

Na Porta da Loja vem reproduzida a resposta de Miguel Caetano às declarações de Orlando Raimundo sobre o seu pai, Marcello Caetano, na revista Tabu. Vale a pena ler porque sobre Marcello Caetano até mais que sobre Salazar escrevem-se os maiores disparates. Disparates mesmo. Coisas como que o seu gosto pelas corridas de cavalos era tal que tinha um espaço para descansar no hipódromo do Campo Grande. Nem Marcello apreciava corridas de cavalos e mesmo que apreciasse não precisava de repousar no hipódromo pq vivia ali bem perto, em Alvalade.

As declarações de Orlando Raimundo aqui desmontadas por Miguel Caetano são doutra natureza, menos ridículas mas mais gravosas, nomeadamente as que se referem à doença da sua mulher e á sua necessidade de se manter no Governo para custear as despesas com a doença de que esta sofria. Marcello Caetano ao aceitar a chefia do Governo pôs fim a um carreira bem remunerada como especialista de Direito.

Tabu 31 10 14

Será que sabe quanto custa?

1 Novembro, 2014

O PS prometeu ontem o fim dos cortes nos salários da Função Pública. Isto implica um aumento de salários entre 3% e 8% num único ano para grande parte dos funcionários. Devem ser mais de 500 milhões de euros. António Costa, na Quadratura do Círculo não foi tão taxativo. Falou em fim dos cortes em 2016 ou tão cedo quanto possível (ou seja, logo se vê) e na dificuldade em não o fazer atendendo às decisões do TC (ou seja, não me comprometo com nenhuma política, isto é decisão do TC). Vamos ver quantos jornalistas perguntam a António Costa quanto custa esta promessa e de onde vem o dinheiro. Ora, 80% de … são … bem, é fazer as contas.

Graças a Deus que o cidadão palestiniano era um moderado que de modo algum enfermava do extremismo do rabi

31 Outubro, 2014

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No Expresso esta foto era acompanhada da seguinte e esclarecedora legenda: Polícias israelitas guardavam esta manhã a entrada do local sagrado de Jerusalém conhecido como Templo do Monte e Esplanada das Mesquitas, onde ontem um rabi da extrema-direita foi alvejado por um cidadão palestiniano

Entendamo-nos

31 Outubro, 2014

Ferro Rodrigues defendeu hoje na AR que o memorando de entendimento  foi preparado, negociado, celebrado e assinado pelos partidos que não estavam no Governo?

Ergue-te, Lázaro Emanuel

31 Outubro, 2014

Este post foi motivado por uma daquelas pessoas que usa os comentários para falar de bogalhos em posts de alhos.

Não se tem ouvido falar das crianças que desmaiam com fome nas salas de aula do país, vítimas da austeridade que faz pais perderem capacidade financeira para lhes providenciar pequeno-almoço. Juntaram-se aos idosos que morrem abandonados, também eles desaparecidos das notícias?

Relembro que terem saído as crianças esfomeadas das notícias pode significar uma de três coisas: nunca existiram (ou seja, o número de casos pontuais é pouco variável de ano para ano, mesmo com o milagre socrático); existiram mas já não existem (ou seja, o problema foi resolvido com o pior governo de sempre desde o paleolítico); ou existem na mesma mas vocês já não querem saber (ou seja, não será um problema para o governo seguinte, é já uma não-questão para o pior trauliteiro desde da maravilha que são os polegares oponíveis).

Podem começar.

A ler

31 Outubro, 2014

Este texto de Luís Carvalho Rodrigues no Observador: No século XIX, o darwinismo deu à mania uma respeitabilidade nova. Em 1883 Francis Galton, primo de Charles Darwin, cunhou o termo “eugenia”, ou “bem nascido”, para designar “o estudo dos agentes que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, física ou mentalmente”. Galton entendia que “as forças cegas da selecção natural (…) devem ser substituídas por uma selecção consciente” e que os problemas sociais resultavam da proliferação de gente com características inatas “viciosas” e “degeneradas”. Em 1908, um dos fundadores da Eugenics Society, em Londres, foi Leonard Darwin, filho de Charles Darwin.
Estas ideias serviram, nas primeiras décadas do século XX, para justificar o internamento compulsivo, a esterilização e o extermínio dos deficientes mentais, dos vagabundos e das raças inferiores. E não foram só os nazis a fazê-lo, embora não gostemos de o admitir: todos participámos. Basta deitar os olhos às revistas médicas da época, em qualquer país europeu, para ficarmos elucidados sobre o tema.
A eugenia do século XIX era um ideal das elites. Às pessoas comuns nunca interessou, nem interessa, se a “raça” é saudável ou “degenera”. Não interessam os filhos dos outros, só os próprios. A perda de influência das elites no espaço público ditou uma transformação importante: antes “populacionais”, as ideias eugénicas tornaram-se individuais. E egoístas (se temos cada vez menos filhos e se os temos cada vez mais tarde, não podemos dar-nos ao “luxo” de cometer “erros”).
É por isso que investimos tantos recursos no rastreio pré-natal de doenças raras.
Por outro lado, se há poucas partidas, é importante maximizar as chegadas. Tal como a velha eugenia das elites não visava apenas eliminar os doentes, mas fortalecer e melhorar a “raça” (“contribuir positivamente para a melhoria das características do conjunto populacional”, nas palavras de Galton), também a nova eugenia egoísta usa o diagnóstico genético pré-implantação (que consiste em caracterizar geneticamente os embriões obtidos por fertilização in vitro antes de os implantar no útero), não apenas para identificar e eliminar os embriões defeituosos, mas também para seleccionar embriões “perfeitos”. Os americanos, que nestas coisas andam sempre à frente, já têm clínicas que oferecem aos futuros pais a possibilidade de escolher a cor dos olhos ou do cabelo dos filhos. Até arranjaram um nome para isso: “designer babies”.

Hipótese nula

31 Outubro, 2014

Não seria útil relacionar isto com as notícias de crianças que desmaiam com fome nas escolas? À falta de relação interessante entre crise e porradinha da velha, talvez não seja um grande salto presumir que pais abusadores não têm como principal prioridade providenciar pequeno-almoço aos desgraçados petizes.

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