Vão ali dar uma voltinha da Buraca à Damaia de Cima
e trarão para contar muito mais do que aquilo que se vê neste video
Mas crimes não vejo nenhum. Vejo sim muita falta de educação.
Vale a pena ouvir e ver
Esta entrevista de Augusto Santos Silva a Maria João Avillez. Está ali toda uma estratégia para levar o PS ao poder e sobretudo para manter o PS no poder. Pode apoiar-se ou não. Pode ou não desejar-se que seja assim. Mas que há ali uma cabeça a pensar que mete o pobre Ferro Rodrigues a milhas de distância há
Neo-tradicional hipocrisia revisitada

Melilla, 22 de Outubro 2014, José Palazón—Reuters
A neo-tradicional hipocrisia ocidental, a da “chega de austeridade”, tem a vantagem de purgar sentimentos de culpa por barreiras necessárias à imigração descontrolada. Da mesma maneira que “não se aguenta mais” o corte na pensão do Dr. Bagão Félix, algo manifestado nos media com histórias hiperbolizadas de fome que automaticamente desaparecerão quando o Dr. Costa proceder ao milagre da multiplicação do crescimento, lamenta-se o tratamento desumano que consiste em erguer barreiras que evitam milhares de novos beneficiários do Estado Social, o tal que é declarado morto sempre que o PSD está no governo. Em Espanha é igual.
Na visão mais benignamente humanista-porque-sim-e-parece-sempre-bem, estaríamos dispostos a permitir a entrada de toda a gente oriunda de África que quisesse entrar e, em simultâneo, conseguiríamos manter o discurso do aumento do salário mínimo “pela dignidade”? Certamente que sim: a lógica nunca foi abundante nos auto-consagrados detentores da moral. O que isto demonstra é que este povo retratado pelos media ainda não sabe o que quer: não é possível defender o proteccionismo dos privilégios que já não conseguimos pagar e alargar a base de protecção social a um número crescente de imigrantes em busca do mesmo.
As barreiras são feias mas necessárias. Quem não aguenta a sua presença, se tiver um único neurónio funcional, em segredo agradece ao tipo cujo trabalho é manter essa feiura.
Não
Entretanto, faz-se ciência em Portugal
Isto é dito sobre o conteúdo de uma revista científica da Universidade de Lisboa:
O ensaio continha fotografias de graffitis espalhados pela cidade de Lisboa que serviriam, segundo a direção editorial, para refletir “a frustração popular contra o grande capital e as políticas de ‘austeridade’ em vigor na União Europeia”.
Descentralização da despesa: mandem dinheiro
Portugal é frequentemente considerado um Estado centralista e não faltam pedidos de descentralização, de regionalização, de reforço do poder local. Curiosamente, tais pedidos vêm frequentemente acompanhados de um outro pedido: mandem dinheiro.
Dois casos esta semana:
O governo dos Açores pede ao Estado Central que autorize uma descida dos impostos nos Açores. Claro que pedem ao mesmo tempo que o Estado Central compense os Açores pela perda de receita. A doutrina é: queremos localismo para baixar impostos e centralismo para vocês nos pagarem as contas.
16 câmeras da Região de Lisboa, lideradas pelo presidente de câmara da cidade de Lisboa (o que não é o Fernando Medina), querem que as autarquias possam definir elas próprias se os seus funcionários podem trabalhar 35 horas. Claro que todas querem que o horário seja de 35 horas. Faz parte da prática comum das autarquias dar prioridade ao bem estar dos funcionários, a principal clientela local, em detrimento dos cidadãos dessas autarquias. Claro que esta insistência nas 35 horas, 12.5% menos que o horário de trabalho de referência em Portugal, sinaliza que as autarquias têm funcionários a mais, mais precisamente, têm pelo menos 12.5% de funcionários em excesso. A questão que se coloca é: porque é que as autarquias não reduzem o número de funcionário e desviam os recursos para o que de facto interessa, servir os cidadãos? Podiam até baixar os impostos locais. Parte da resposta está no facto que grande parte das receitas das autarquias são transferências do Estado Central e da União Europeia. A outra parte está no facto de as autarquias estarem reféns das suas clientelas. Estes dois motivos levam a que as autarquias se comportem como sindicatos dos seus funcionários.
Atentado contra os direitos humanos
Isto é muito aborrecido. Andam estas pessoas a combater pelo que é belo e justo – um aprazível califado livre de heréticos infiéis -, aparece logo um tipo a colocar em causa a segurança dos meninos, pondo em questão as medidas de segurança, homologação e higiene no trabalho, numa clara violação das normas da igualitária Jihad. Que o governo é notoriamente desprovido de princípios humanistas, isso já sabíamos há muito com as queixas heróicas da Dr. Manuela Ferreira Leite, obrigada a distribuir parte da sua pensão para aqueles pobrezinhos que viram a pensão mínima aumentada; que o governo seja capaz de discutir à porta aberta a situação de portugueses que apenas se deixaram fascinar pelo dever de estupro e mutilação de pessoas que recusam serem tocadas pela bondade do profeta, isso já um verdadeiro atentado aos direitos humanos.
Uma espécie de Taxa de Direitos de Passagem?
Graças aos céus que nós temos em Portugal a Taxa Municipal de Direitos de Passagem.
Tratar o doente vs minimizar o risco
A Ana Matos Pires publicou um artigo que endereça as questões aqui levantadas sobre um caso de internamento compulsivo em psiquiatria. Considero que não só é um texto equilibrado como apresenta uma autoridade sobre a matéria que obviamente não possuo. Quem trabalha com as situações tem argumentos enquanto eu racho lenha, como se costuma dizer.
Foquei-me no texto-resposta de Caldas de Almeida, que continuo a considerar desequilibrado, mesmo que insista que possa existir uma diferença substancial entre o que disse e o que poderia ter pretendido dizer.
A segunda categoria que a Ana apresenta, a do tipo que não está a ameaçar partir tudo e que mesmo assim é internado de forma compulsiva não parece nada descabida: exige é uma responsabilidade da equipa que o interna para assumir a existência (ou percepção dessa existência) de risco, presente ou futuro, para o dano pessoal ou patrimonial. Naturalmente, a percepção que se obtém através da família e de quem convive com a pessoa é extremamente importante para a determinação deste tipo de casos, nem pretendo colocar isso em questão.
Neste tipo de casos, focar a legalidade do internamento na melhoria do doente parece manifestamente errado uma vez que a minimização desse dano já acarreta, colateral e benignamente, a ocorrência dessa melhoria. Assim, as duas categorias apresentadas pela Ana parecem ser uma só: a do tipo que ameaça partir tudo e a do tipo que, não o fazendo, aparenta ter ou vir a desenvolver rapidamente esse risco. Na minha humilde opinião, repito – pouco avalizada para estas matérias -, é aí que está o erro na resposta de Caldas de Almeida, que terminaria com todas as dúvidas se tivesse escrito o primeiro ponto desta forma:
O doente em causa foi internado compulsivamente na Urgência do Hospital de São José com base em avaliação psiquiátrica que concluiu existir perturbação psiquiátrica grave, ausência de consciência patológica, recusa de tratamento e risco de deterioração acentuada do estado clínico passível de culminar em dano pessoal ou patrimonial para si ou para outrem na ausência de tratamento, sendo o internamento a única forma de minimizar esse risco através do tratamento adequado.
Por favor
Alguém sabe onde se podem encontrar nos jornais, rádios e televisões nacionais notícia sobre a morte de um manifestante, em França? O cadáver de Rémi foi descoberto ontem após os confrontos que ocorreram em Sivens, a propósito da construção de uma barragem.
Por mim até o revestiam a bronze
Há uns dias chamei a atenção para o inevitável facto de que a não condecoração da coisa socrática pelo Presidente reeleito seria assunto para os próximos tempos. Há vários motivos para isso:
- Progressão automática na carreira: estão habituados a que estas coisas sejam automáticas; um tipo passa um determinado tempo no serviço, nem que assassine a mulher do chefe durante a violação que termina com um incendiário fogo-de-artíficio redutor do edifício a escombros, está cá uns anos, tem que progredir na carreira;
- Princípio constitucional da confiança: a mesma coisa; uma pessoa tem expectativa razoável de se tornar conde (como o Conde de Contar), marquês (como o do consultóri@), ou ainda barão (como o de strip tease), é altamente inconstitucional que não obtenha a legítima satisfação que servirá para fingir que foi o Presidente e não o Governo da coisa socrática quem assinou o Memorando da Austeridade para assegurar o resgate.
- Principio constitucional da igualdade: se o Guterres teve, o doutor-engenheiro também tem que ter. Não é de surpreender que seja Manuel Alegre, agora, a puxar pelo assunto: o homem nunca foi senador mas gostaria de ser, nunca foi presidente mas gostaria de ter sido, nunca teve influência mas gostaria de ter.
Há uns dias, Pacheco Pereira dizia que a campanha teria a componente de arremesso do calhau socrático; infelizmente, não foi uma interpretação literal, apesar de também ser correcta: quando nada resta para atirar, atira-se com a memória da inglória passada. Agora, quem se presta a esse papel, de ser usado como objecto inanimado de outrem, ou está na má-vida ou dela tem saudades.
2ª Conferência – Liberalismo Clássico – Porto
O Instituto Ludwig von Mises – Portugal está a realizar um ciclo de conferências subordinadas ao liberalismo clássico. No dia 1 de Novembro, que já foi feriado mas agora já não é apesar de desta vez calhar a um Sábado, realizar-se-á a 2ª conferência, na mui nobre e historicamente liberal cidade do Porto. Se os temas lhe interessam, faça a sua inscrição em mises.org.pt.
Sem palavras
PÚBLICO: Um agricultor do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, foi autuado e pode vir a pagar entre 2000 e quase 85.000 euros de multa. Tudo porque limpou um terreno agrícola de que é proprietário sem pedir autorização.
José Luís Terrão, com 73 anos, residente na aldeia de Varge, é acusado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) de ter cometido duas infracções graves: arrancou 13 azinheiras e abriu um caminho no terreno agrícola de que é proprietário próximo da aldeia.
O processo de contra-ordenação corre desde 27 de Maio de 2013, data em que o agricultor foi notificado de que foi autuado por duas infracções e que “a sua conduta é punível com uma coima única entre 2000 e 84.819,68 euros”.
Está ainda sujeito a sanções acessórias se não repuser a situação anterior.
No auto de notícia enviado pelo ICNF é explicado que o corte sem autorização constitui contra-ordenação punível com coima de 49,88 a 74.819 euros e a abertura do caminho sem parecer, uma contra-ordenação grave punível com coima de 2000 a 10.000 euros.
“Isto é arruinar as pessoas, se fosse uma multa de 200, 300, 400 euros, agora esta coisa!”, desabafou à Lusa, enquanto calcorreava o monte até à propriedade que comprou quando regressou de França, onde esteve emigrado 38 anos.
O terreno tem várias árvores, mas estava abandonado, o que levou José a pagar a três homens para limparem silvas, carrascos e reabrir um caminho que, garante, já existia, mas estava coberto de mato. Ler mais…
o terceiro debate
Aécio Neves perdeu a eleição de hoje no terceiro debate televisivo, quando, convencido que teria um confronto civilizado com Dilma, a «presidenta» o apanhou desprevenido, atacando-o com uma inaudita violência, tendo-o deixado por diversas vezes desconfortável frente às câmaras e perante milhões de brasileiros. Recuperaria magnificamente no último confronto televisivo, quando deixou Dilma completamente atarantada, mas foi tarde demais para recuperar. Até ao terceiro debate, Aécio estava na frente em todas as pesquisas eleitorais, caiu a partir daí e recuperou um pouco depois de sexta-feira. Mas não o suficiente para ganhar.
O Brasil inicia assim um ciclo de mais quatro anos de PT, após doze consecutivos. As instituições brasileiras e a economia do país estão excessivamente frágeis para aguentar, com saúde, mais do mesmo, e o que se prevê é que o que aí vem seja ainda pior. É que, ao contrário de Lula que foi sempre um pragmático, Dilma tem convicções ideológicas e já as anunciou. Ela acredita na intervenção do estado na economia, no dirigismo e na planificação governamental. Não quer um Banco Central autónomo do governo, desconfia da iniciativa privada, quer fechar o país ao investimento estrangeiro e abri-lo ao terceiro-mundismo latino-americano, pretende manipular preços e estimular o consumo à conta de crédito fictício, acredita no assistencialismo estatal e na subsídio-dependência. Uma tragédia, em cima de uma situação económica que é já muito grave. E, depois, há ainda o grave problema da corrupção, que, a par com o da violência, ameaça transformar-se na imagem de marca do país, e que é o caldo de cultura onde vegeta o dito Partido dos Trabalhadores.
Mas os resultados de hoje são uma oportunidade para que o PSDB aprenda a fazer oposição. O modelo norte-americano seguido pelo partido, sem chefia clara que corporize uma alternativa ao poder durante praticamente os quatro anos do mandato presidencial, deu nisto. O PSDB e toda a oposição precisam de um líder inequívoco, já a partir de hoje, que marque Dilma Rousseff e o seu próximo governo. O futuro do Brasil dependerá, em boa parte, disso.
Os jornalistas são preguiçosos ou serão todos de esquerda?
Jornalismo Becel
O Jornal de Notícias, na sua forma light de ver o mundo, opta for fornecer a versão margarina para barrar das eleições brasileiras. Simplificando a coisa num esquerda contra direita e pobres contra ricos, o jornal – que manifestamente apoia Dilma – opta pela versão Gil Garcia do significado de “direita”, o que inclui todo e qualquer social-democrata, e, inadvertidamente, descobre que no Brasil há mais ou menos 50% de ricos e 50% de “povão” em representação dos pobres.

Resumindo e concluindo, no que ao jornalismo diz respeito, o fosso entre a classe média e a média da classe é cada vez maior. O mesmo jornal avança com uma capa brilhante que diz que 5000 bombeiros foram obrigados a emigrar. É uma pena: podiam ter ficado como pirómanos de política no JN.
uma tareia
Foi o resultado do quarto e último debate das presidenciais brasileiras, ontem à noite realizado na Globo. Aécio deu uma sova monumental à candidata-“presidenta” e lançou-a ao tapete com um ko. “Presidenta” que, quando posta fora do roteiro em que o marqueteiro a tinha treinado, revelou a sua fraca condição de artefacto artificial produzido por Lula da Silva, sem alma nem personalidade próprias. Alguns momentos do debate chegaram a ser ridículos e até constrangedores, porque Dilma a alhos respondia com bugalhos, engasgava-se e parecia ficar com falta de ar, como quando Aécio lhe perguntou se ela, tal como a elite do PT, continua a considerar José Dirceu um «herói da pátria» e um «prisioneiro político», e se tinha conhecimento da roubalheira na Petrobrás, conforme a revista Veja denunciara um dia antes. A propósito da revista Veja e das consequências das denúncias, veja-se, na fotografia abaixo, como os apoiantes do PT manifestaram o seu desagrado na sede da Editora Abril, proprietária daquela publicação, em São Paulo. Mais quatro anos de PT, em cima dos últimos doze, não indiciam nada de bom. O Brasil tem de mudar e se o debate de ontem à noite tiver algum impacto eleitoral significativo, Aécio, à revelia das sondagens, já ganhou. Esperemos que sim.
Paciente tratado à força
Para todas as histórias de conflito há, pelo menos, duas versões. Sem querer determinar razões e muito menos opinar sobre diagnósticos e prognósticos para os quais tenho qualificações nulas, não deixa de me surpreender a resposta em forma de carta ao director do responsável pelo Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental à situação levantada por este artigo de opinião, posteriormente desenvolvido no i.

O doente em causa foi internado compulsivamente na Urgência do Hospital de São José com base em avaliação psiquiátrica que concluiu existir perturbação psiquiátrica grave, ausência de consciência patológica, recusa de tratamento e risco de deterioração acentuada do estado clínico na ausência de tratamento, sendo o internamento a única forma de garantir o tratamento adequado.
O internamento compulsivo não faz qualquer tipo de sentido se o objectivo é “garantir o tratamento adequado”, que não pode ser impingido coercivamente a quem quer que seja, só porque um serviço acha que é melhor para o indivíduo em questão. O internamento compulsivo faz sentido se existir indício de ocorrer dano pessoal ou patrimonial de monta para o próprio ou terceiros. Em suma, não se internam compulsivamente pessoas para lhes “garantir o tratamento adequado” e sim porque se crê que causarão dano a si próprios ou a terceiros.
Apesar de poder ser isto que o Dr. Caldas de Almeida pretende dizer, não foi isso que efectivamente disse: disse que se internam pessoas compulsivamente para lhes proporcionar o melhor tratamento, algo que serve para tudo e mais alguma coisa que retire direitos básicos às pessoas, nomeadamente o direito de não ser tratado. Neste fundamental aspecto, a resposta dada a um artigo de opinião encaixa perfeitamente no adágio “pior a emenda que o soneto”.
Ora aqui está uma nova causa fracturante
O Kumbaya da treta
Diz Fernando Sobral no Jornal de Negócios:
Portugal não mudou. Empobreceu, continuará a estar exangue enquanto não renegociar esta dívida brutal com um serviço da dívida impossível de pagar com este crescimento. A questão é política. É social. É de visão estratégica. Mas, sobretudo, é moral. É, tristemente, uma questão moral.
Em primeiro lugar, se o pagamento da dívida é uma questão moral, publique o ensaio metafísico no Eva de Natal, não num jornal de negócios. Em segundo lugar, relembro a pessoas que escrevem em jornais de negócios, neste caso o Fernando Sobral – que de negócios demonstra perceber tanto como a Virgem Maria percebia de canoagem -, que a dívida é renegociada todos os dias: umas vezes adquirindo dívida com juros mais vantajosos para amortizar dívida mais onerosa mas, sobretudo, e isso sim sempre diariamente, demonstrando que o país tem capacidade para ser levado mais a sério do que um leitão faminto a sugar na teta da permanente auto-comiseração. Já nem se trata de tentar vender ilusões, Fernando, trata-se de insistir na miserável lata de tratar os leitores de um – sublinho – jornal de negócios como meros imbecis; e isso, Fernando, isso também é renegociar a dívida, mesmo que no sentido contrário do que pretende.
Abaixo a mutualização
Vários municípios do país, quase todos governados pelo PS, contestam o Fundo de Apoio Municial, que é um fundo de ajuda a municípios com problemas financeiros (habitualmente associados a excesso de endividamento). Entre as autarquias contestatárias está Lisboa, governada por Fernando Medina.
Os argumentos contra esta mutualização das consequências da irresponsabilidade financeira parecem decalcados do argumentário alemão contra a mutualização das dívidas europeias:
- “Retirar verbas de territórios para apoiar outros territórios é manifestamente inconstitucional e, acima de tudo, não é justo (…). Estamos a trabalhar naquilo que poderá vir a ser objecto de uma acção judicial para a inconstitucionalidade”
- existem câmaras que têm um programa de Programa de Apoio à Economia Local (PAEL) mas que, com a entrada no FAM, poderão “entrar em incumprimento”: “Ou pagam o PAEL ou pagam este fundo”
(via Insurgente)
Aqui também não são necessárias aspas
Direito das crianças ou direitos dos adultos à custa das crianças?
ILGA relembra: Portugal não protege filhos de casais homossexuais
Aqui não há aspas. Há uma certeza relembrada pela ILGA: Portugal não protege filhos de casais homossexuais
“Jornalismo”
“Atentado terrorista” em Jerusalém mata um bebé
Enfim já não estamos no acidente de trânsito – “Automóvel atropela transeuntes em Jerusalém – mas escrever “Atentado terrorista” entre aspas tem aquele toque distintivo tão gauche caviar. Digamos que é ums espécie de “jornalismo”.
Há aqui qualquer coisa que não bate certo
Então e NOS?
Neste movimento para nacionalizar a Portugal Telecom há uma coisa que me intriga: por que é que não nacionalizam antes a NOS? A NOS tem ar de ser uma empresa mais sólida e mais estratégica que a coitada Portugal Telecom. Pensem nisso.
A mulher que morreu porque tinha medo de germes e o homem que morreu para não se reformar
“…ik al heb omgelegd?”; Gerty Casteelen escolhe as palavras correctas para completar a questão do entrevistador, sobrepondo um “já abati?” à interrogação “quantas pessoas…”, como “com humor” às vezes diz. A resposta é três, com três outros casos pendentes.
Após 8 sessões, a paciente envia cerca de 80 emails a Gerty, o que a fez a psiquiatra perceber o quão a paciente desejava “eutanasiar-se”; Gerty opta por este termo em detrimento de “suicidar-se”. A psiquiatra concluiu que a misofobia controlava toda a vida da paciente, impedindo-a de manter relações, obrigando-a a passar todo o tempo a limpar. A paciente desejava morrer às 20h11 e já tinha os cartões de luto prontos.
A paciente comprou champanhe para as quatro mulheres que testemunham a sua morte: uma amiga, a médica de clínica geral, Gerty e a enfermeira em serviço para a clínica que providencia eutanásia. A paciente de 54 anos, de pijama cinzento, está feliz e relaxada. Gerty chama atenção para a hora, que as coisas têm que ser preparadas para se cumprir o horário das 20h11. A paciente quer tempo para beber mais um copo de champanhe. Pouco antes das 20h11 as mulheres desejam-lhe boa sorte para a jornada. Adormece rapidamente. Já está.
…
Homem de 63 anos, fisicamente saudável. Trabalhou sempre, nunca foi de férias. Suicídio falhado, não quer repetir a experiência. Sobretudo, também não quer causar transtorno a outros. Perto da idade de reforma, após anos de tratamento para depressão sem sucesso, chegou a altura de morrer. Gerty acredita que é impossível para este homem continuar a viver. Nunca manteve relações e, sem ligação à família, é um homem sozinho no mundo. Gerty concede uma certa bizarria ao considerar que o homem, admirado pelos colegas de trabalho, trabalho que executa diligentemente, é consumido pela auto-comiseração de quem não sente ter direito de viver. Na véspera da morte, organiza encontro num bar para se despedir dos colegas de trabalho, informados da decisão da morte uns dias antes. Colegas ficam tristes que ele “tenha que ir”. Na manhã seguinte, Gerty administra-lhe o cocktail letal. “A maioria morre em 10 minutos, este demorou duas horas”, recorda.
Este artigo é uma adaptação condensada e em português do artigo de Joke Mat, publicado no jornal holandês NRC Handelsblad em Janeiro de 2014. Versão em inglês.
Obrigatório ler
Matar conseguem mas a suicidar falham sempre. A este fantástico texto do Ferreira Fernandes eu acrescentaria ainda a explicação emocional do matar por amor. Os jornalistas adoram categorizar os crimes: temos os crimes de ódio, horríveis porque remetem para as fobias e para o racismo, e os crimes de amor que enfim matam como os de ódio mas em que o autor do crime diz que ama a vítima. E não raramente desata numa choradeira declarando esse amor. Do ponto de vista das vítimas deve ser relevantíssimo ser esfaqueado por amor ou por ódio.
Um caso de sinistralidade rodoviária
Ora, ora Vítor no Canadá o autor do atentado ainda tem “ligações ao terrorismo internacional”. Digamos que é uma outra forma de identificar o terrorismo – o internacional – versus o nacional mas concede-se que é terrorismo. Se o caso suceder em Israel pode ficar tudo reduzido a um problema de sinsistralidade rodoviária: “Automóvel atropela transeuntes em Jerusalém Se o condutor for palestiniano, claro.
Se o condutor fosse israelita o título seria provavelmente assim: Judeu mata bebé palestiniano de oito meses em Jerusalém. E nos dias seguinets teríamos o acompanhamento empolgado e empolgante da nova intifada.
Com ligações ao terrorismo internacional
O acto de terror ocorrido no Canadá foi realizado por pessoa com “ligações ao terrorismo internacional”, lê-se em decrépito exemplo da falência dos jornais. Referem-se, presumivelmente, ao terrorismo internacional laico, aquele cujo terror existe só para divertir, sem ligações a causas radicais de cariz doutrinário de certas e determinadas religiões particularmente talhadas para o ideal humanista inspirado no Blade Runner. Ou, vai-se a ver, foi pessoa com ligações ao terrorismo internacional budista.
Ainda bem que não foi um daqueles gordinhos anti-aborto no Texas profundo, que esses são sempre cristãos e isso seria estereotipar o “terrorismo internacional”.
Não discriminarás o “terrorismo internacional” por género, raça, sexo, orientação sexual, identidade de género, defesa de ideologias sanguinárias, abnegação marxista e religião.
Condecoisação
Acho um gesto um pouco indelicado se se confirmar que o Senhor Presidente da República opta por não condecorar o Senhor Doutor Engenheiro José Sócrates depois de o último ter feito um esforço tão grande para a reeleição do Senhor Presidente.
Por outro lado, se a condecoração é a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, é menos um crucifixo para enervar a família do comentador da RTP.
Adenda: Isto vem agora porque anda aí a circular novamente a coisa, que a campanha já começou e o alvo ainda é o mesmo.
Quem quer casar com a carochinha?
A TAP é uma empresa:
- descapitalizada – significa que não tem capital para investir e expandir as operações. Não o pode fazer via crédito porque o nível da dívida já é elevado para o capital que tem
- que dá prejuízo
- facilmente subjugável por sindicatos – por ser uma empresa pública e por ser uma empresa de capital intensivo
- não pode ser recapitalizada com fundos públicos (regras europeias)
A solução que o PS tem para a TAP é vender 49% a privados, mas nunca mais de 49%. Note-se que mesmo para uma posição de controlo da empresa, o governo está com dificuldade em encontrar investidores a custo zero. Portanto, quem é que quer meter dinheiro da TAP tendo em conta que o Estado continua a mandar e mandará sempre, a relação com os sindicatos mantém-se com os mesmos protagonistas e não há qualquer garantia ou perspectiva de distribuição de dividendos?
tem de ir a ministro
Alguém que consegue dar aulas simultâneamente em 104 sítios é, necessariamente, um poço de sabedoria, um portento de inteligência, de capacidade de trabalho e agilidade profissional. Sendo professor e com tamanhas qualidades, deverá ir, no mínimo, a Ministro da Educação. Até para substituir o que ainda por lá está, visivelmente cansado e a necessitar de descanso.
Podemos falar de educação?
Até aqui nada de muito especial.
Portanto a Sofia vê o cartaz e conclui que há ébola. A avó diz que lhe ligaram da escola e diz que não sabe quem foi. E avós, pais e netos todos com uma fantástica disponibilidade para estes ajuntamentos acham que a escola tem de dizer se há ébola. Fantástico.
Ou seja a petiza não ficou satisfeita. Tirou o telemóvel a um colega que não sa sabe o que achou do assunto. Disse que tinha sido agredida. E os pais feirantes deixaram a feira e foram para a escola. Provavelmente vão ter de ser ressarcidos pelo prejuízo da interrupção laboral. Na escola enquanto o pai fala com o director a mãe deambula. E tanto deambula que encontrou a professora. Ora está-se mesmo a ver que a culpa foi da professora que devia ter-se escondido numa arrecadação para nao exaltar a senhora.
Os pais estão convencidos que a escola faz diagnósticos de ébola. Nos idos de 1975 quando dia sim dia sim havia boatos sobre bombas nos liceus os nossos pais tinham o estranho hábito de não ser nada complacentes com a nossa crença em boatos. Mais bizarramente costumavam apurar de forma expressiva o que teríamos nós a ver com a propalação desses boatos. Abstenho-me de explicar o vexame que era os paizinhos irem à escola saber da nossa segurança e muito menos o cataclismo para as nossas pessoas inerente à conclusão por parte dos nossos pais de que os seus filhos tinham responsabilidades em tal boataria.
Portanto um Território de Educação Educativa é um território comanche? Já agora alguém é toxicodependenete nesta história?O que tem a toxicodependência a ver com isto? Podemos faltar de falta de educação e de regras ?
Portanto a mãe de 33 anos deve ser a supermulher pq além da própria professora não se conseguir defender os outros professores também ficaram paralisados não conseguindo impedir a agressão. Vá lá saber-se pq a professora não vai apresentar queixa.
Naturalmente a escola vai averiguar. Mas não vale a pena fazer sequer de conta que se averigua. Tendo em conta as declarações do presidente da associação de pais creio que o melhor é colocar estes pais a darem aulas aos seus filhos.
Superar o inconseguimento
António terá tentado matar as duas filhas para as poupar ao sofrimento de ficarem sem mãe, já que a tinha assassinado de forma permanente, algo habitual em assassínios. Um bonito gesto de compaixão por parte deste homem como tentativa de remediar um trágico acidente que consistiu em espetar algumas facas na mulher (entre três e quatro, que se foram partindo), acaba por ser interpretado, por pessoas precipitadas que julgam os outros com uma total falta de tolerância para com o próximo, como “matar as filhas”. Toda a gente tem que ter direito a uma morte digna: mais vale que seja pelas mãos de quem nos ama mesmo, como o pai.
António terá dito que tencionava suicidar-se após o gesto de bondade mas que não terá conseguido. Assim sendo, e por ter manifestado a sua vontade, e porque o sofrimento que este incidente causará para sempre o impedirá de viver uma vida plena de felicidade, António fica elegível para eutanásia progressista como forma de superar o inconseguimento.
O muito inteligente
Mário Soares, hoje no DN:
“Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu – de que é segundo responsável o nosso muito inteligente Vítor Constâncio -, tem feito o que pode para ajudar os países europeus que mais têm sofrido com a austeridade.”
“Noutros países, como a Itália dirigida pelo presidente Napolitano, a França do primeiro-ministro Renzi e, embora tenha grandes dificuldades, a Espanha do socialista Pedro Sanchez, líder muito inteligente do PSOE”
É indigno e imoral um partido falar de morte digna
De vez em quando retorna a conversa sobre eutanásia, seguindo um ciclo inverso à publicação de fotos em bikini nas redes sociais pelas mesmas pessoas que conseguem ter ideias brilhantes para e por todos nós, graças a Zeus. Invariavelmente, é conversa atirada por gajos e gajas bonitos, com idades perfeitas entre os 30 e os 50, em forma, com todas as pernas e braços, pele viçosa, sem espinhas e eczemas embaraçosos, deformidades, comensais esporádicos em restaurante com estrela Michelin, com bicicleta de marca e tendo algum historial de férias caribenhas ou nas índias. Pessoas com a arrogância que a beleza e o pico do interesse sexual tendem a transformar em ídolos pop mascarados em escritores que ninguém lê, deputados que ninguém sabe ter elegido e agentes culturais cujos sazonais poios não passam o crivo de um bilhete parcialmente pago, quanto mais pago na totalidade.
Nunca se vêem paraplégicos acamados, com feias escaras, num quarto húmido decorado com crucifixo carcomido e desumidificador em saldo da Worten, que clamem por eutanásia. Nunca se vêem, sobre esse tema, os já viúvos no solitário caminho para a demência profunda, embaraçados em decrescentes momentos de coerência com o mijo que escorre para a sarjeta na momentaneamente eterna desconhecida paragem de autocarro. Quem fala desta problemática – porque para um progressista, outros morrerem é uma problemática – é sempre belo, educado, letrado, atraente, charmoso e dispensa Viagra. Tem o cabelo imaculado. A barba perfeitamente aparada. É uma besta cuja noção de sensibilidade termina na barreira de suor entre os corpos que copulam intelectos, entranhada no eu-eu-eu-eu instagramico que é palco da disjuntiva relação entre a vaidade e o bem-colectivo.
Nenhum destes abetumados néscios vê além de si próprio e do brilharete que origina a sua exímia e cultivada inteligência. Não imaginam que a percepção da eutanásia para o velho acamado é a do fardo, a do “não dar trabalho”, a do lastro que impede a plena realização dos familiares responsáveis pelo seu cuidado. Não imaginam que a esmagadora maioria dos velhos que pede para morrer está, quando crê falar a sério, a emanar altruísmo puro, a libertação de outros da carga que para esses é a própria existência alheia.
A morte é assunto demasiado sério e muito pouco compreendido para ser discutido por quem salta entre aborto livre, supressão de puberdade a crianças ditas transgénicas, cheias de Lisboa, tourada, efebofilia, mais-uma-linha-de-coca na urbe lisboeta a oeste de Marvila, amanhã-estou-na-SIC-Notícias, casamento entre plantas e a patológica crucifixofilia republicana do club des Jacobins.
Às vezes não Podemos

Entretanto, em Espanha, o Bloco/Livre/Syriza/filhos-de-burgueses-estragados-pelo-ensino-marxista-e-excesso-de-acesso-a-iPads/envergonhados-do-PCP-que-preferem-zeitgeist-ya-meu/Protótipo-de-Daniel-Oliveira-antes-de-ser-absorvido-pelo-PSOE apresentou algumas medidas. Eis as mais cómicas/assustadoras/cassette/sou-tão-giro:
- Redução da jornada laboral para 35 horas e idade da reforma para 60 anos;
- Proibição de despedimentos em empresas com benefícios fiscais;
- Auditoria cidadã à dívida pública e privada. Reestruturação da dívida considerada legítima;
- Criação de uma agência europeia pública de notícias independente;
- Eliminação de privilégios fiscais e educativos concedidos à Igreja Católica;
- Fim das políticas anti-terroristas que violem, nomeadamente, o direito de livre associação;
- Abolição de designação de patologia a todas as opções sexuais e identidades de género;
- Garantia de acesso a emprego público a pessoas LGBT em risco de exclusão social;
- Re-nacionalização de todos os centros hospitalares privatizados;
- Aborto seguro, livre e gratuito na rede pública;
- Abolição de qualquer subvenção ou ajuda ao ensino privado;
- Electricidade, água e aquecimento a direitos humanos inalienáveis;
- Redução do IVA cultural para 4%;
- Fim das deportações;
- Reconhecimento da Palestina e devolução dos territórios ocupados por Israel;
- Abandono do tratado de livre comércio entre EUA e UE;
- Proibição da tauromaquia.
as contas da pt
Qualquer pequena média empresa que vá à falência está sujeita a um processo judicial de apuração das razões que motivaram o fim da sua actividade. O património sobejante responderá perante inevitáveis credores (estado, fornecedores e bancos, por via de regra), o mesmo sucedendo com o património dos seus administradores, que, para além do mais, podem ser criminalmente responsabilizados pelas dívidas e pelos destinos a que conduziram a empresa.
Ora, no caso da PT, a situação em que actualmente esta outrora importante empresa se encontra foi resultado de actos claros de gestão, com autores materiais e morais facilmente identificáveis. O estado, através da posição privilegiada que a golden share lhe concedia, tomou decisões para impedir a entrada de novos accinistas e manter o controlo no quadro de referência que acabou por levar a empresa à ruína iminente. Estes accionistas de referência terão, por sua vez, movimentado quantias astronómicas de dinheiro sem o consentimento, sequer o conhecimento, dos seus colegas da administração. E a estratégia brasileira, a tal que faria da PT uma empresa global, mais não foi do que uma leviana negociata política, cuja consequência foi a destruição quase total do valor da empresa portuguesa.
Neste estado de coisas, num país com tribunais pejados de pequenos e médios ex-empresários, arruinados pelas contingências do país em que vivem, a cargo com processos judiciais quase sempre de poucas centenas ou milhares de euros, que contas serão pedidas aos accionistas, e aos seus representantes legais, que levaram a PT à situação em que está?
Antecipação das eleições
Podemos parar de fingir que o que está em causa não é a gestão do ciclo eleitoral? É óbvio que a oposição quer as eleições o mais perto possível do pico da austeridade e o governo quer o contrário. Acontece que as regras são conhecidas desde o início do jogo e nenhum governo arrisca medidas difíceis se não puder gerir os timings. Sem garantias mínimas de que os calendários eleitorais são cumpridos todos os governos passam a governar para o curto prazo.



