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Paciente tratado à força

25 Outubro, 2014

Para todas as histórias de conflito há, pelo menos, duas versões. Sem querer determinar razões e muito menos opinar sobre diagnósticos e prognósticos para os quais tenho qualificações nulas, não deixa de me surpreender a resposta em forma de carta ao director do responsável pelo Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental à situação levantada por este artigo de opinião, posteriormente desenvolvido no i.

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O doente em causa foi internado compulsivamente na Urgência do Hospital de São José com base em avaliação psiquiátrica que concluiu existir perturbação psiquiátrica grave, ausência de consciência patológica, recusa de tratamento e risco de deterioração acentuada do estado clínico na ausência de tratamento, sendo o internamento a única forma de garantir o tratamento adequado.

O internamento compulsivo não faz qualquer tipo de sentido se o objectivo é “garantir o tratamento adequado”, que não pode ser impingido coercivamente a quem quer que seja, só porque um serviço acha que é melhor para o indivíduo em questão. O internamento compulsivo faz sentido se existir indício de ocorrer dano pessoal ou patrimonial de monta para o próprio ou terceiros. Em suma, não se internam compulsivamente pessoas para lhes “garantir o tratamento adequado” e sim porque se crê que causarão dano a si próprios ou a terceiros.

Apesar de poder ser isto que o Dr. Caldas de Almeida pretende dizer, não foi isso que efectivamente disse: disse que se internam pessoas compulsivamente para lhes proporcionar o melhor tratamento, algo que serve para tudo e mais alguma coisa que retire direitos básicos às pessoas, nomeadamente o direito de não ser tratado. Neste fundamental aspecto, a resposta dada a um artigo de opinião encaixa perfeitamente no adágio “pior a emenda que o soneto”.

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80 comentários leave one →
  1. oscar maximo permalink
    25 Outubro, 2014 09:32

    Sou a favor do não internamento, até porque um servico médico pode ter uma opinião e outro outra. Isto, combatendo com as armas escolhidas pelo adversário, porque há razões mais importantes para o não internamento. Mas há falta de lógica no texto: só com tratamento adequado se pode evitar danos próprios.

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    • oscar maximo permalink
      25 Outubro, 2014 09:34

      Vou registar “o direito de não ser tratado”, para quando o autor escrever sobre euthanasia.

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      • 25 Outubro, 2014 09:36

        Primeiro tem que ir ver o significado de eutanásia, que não tem qualquer relação com desligar uma máquina.

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      • oscar maximo permalink
        25 Outubro, 2014 10:30

        Tanto tem relação, que os dois “tratamentos” podem ser comparados e usados como alternativa. Acho preferível a eutanásia ao uso do direito ao não tratamento.

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      • 25 Outubro, 2014 10:38

        Acabei agora mesmo de o referênciar para a terapêutica que como paciente preferiu no hospital da sua área de residência.

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    • Bolota permalink
      25 Outubro, 2014 12:48

      E se este taralhouco do alto do seu direito de não ser tratado, pega numa arma e limpa o sarampo a meia dúzia??? Claro que exerceu o seu direito de matar e quem morreu tinha o direito de ser morto.

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      • EMS permalink
        25 Outubro, 2014 22:54

        O taralhoco foi considerado um perigoso psicotico apenas por era um informático que passava passava demasiado tempo ao computador e não se dava muito bem com a família. Agora endende-se porque não se dava bem com a família.

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  2. JoaoMiranda permalink*
    25 Outubro, 2014 09:38

    99% das pessoas apresenta 2 dos 4 sintomas indicados: ausência de consciência de patologia e recusa de tratamento.

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  3. PiErre permalink
    25 Outubro, 2014 09:44

    Bem, sendo assim, eu também sou maluco.

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  4. PiErre permalink
    25 Outubro, 2014 09:50

    E há nesta história gente (ir)responsável que merece ser “internada” na prisão. Mas não vai porque enfim…

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  5. PiErre permalink
    25 Outubro, 2014 09:53

    E depois há o caso do Oscar Máximo que, como se vê, é um caso perdido.

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    • oscar maximo permalink
      25 Outubro, 2014 10:37

      Uma vez que não posso reformar-me aos 60, e já não se usam tratamentos de choques elétricos, estou disponivel para ser internado e viver uns anos á custa dos contribuintes.

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  6. 25 Outubro, 2014 10:32

    Muito sinceramente nem liguei a essa coisa porque os jornais fazem novela com tudo. E não colocaram todos os nomes aos bois.

    Agora que existe internamento compulsivo já eu sabia há muito. Nas terras mais pequenas consta que é muito natural fazerem-no sempre que algum velho começa a fazer umas pequenas maluqueiras.

    O mais impressionante no relato- a ser verdade- é os nomes cientóinos que aqueles loucos de bata já têm na manga para catalogar quem não tem a bata vestida.

    E daí a sedarem-nos vai um pulinho.

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  7. FGCosta permalink
    25 Outubro, 2014 11:37

    Se o doente não tem capacidade mental para fazer um tratamento e dessa falta de tratamento poder resultar agravamento da sua situação clínica (“dano pessoal de monta”), ou esse agravamento poder configurar uma situação de risco para terceiros, eu, como médico, sou da opinião de que deve ser internado compulsivamente.
    Um exemplo pratico: suponham que um indivíduo é esquizofrénico paranóide e que não faz o tratamento. Isso vai causar agravamento dessa esquizofrenia podendo daí resultar, muito provavelmente, uma situação de risco para terceiros (incluindo assassínio) . Imagino que num caso desses, de imediato viriam os indignados compulsivos a pedir a cabeça do médico que não tomou uma atitude preventiva….
    Não sei concretamente a situação do doente, mas sei que a argumentação do Vitor Cunha está errada.

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    • 25 Outubro, 2014 11:51

      Precog deus ex machina.

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    • 25 Outubro, 2014 12:38

      Você não faz qualquer sentido no seu comentário: ser esquizofrénico ou mesmo esquizóide pressupõe evidências comportamentais, essas sim declaradas e que fazem historial clínico. No caso, parece que não foi bem a mesma coisa.

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      • Nulo permalink
        25 Outubro, 2014 13:12

        Este seria mais um caso, tipo pescadinha de rabo na boca, se o “paciente” não tivesse suportado o “tratamento” as “evidências comportamentais” assim geradas seriam suficientes para a viagem à fossa do Mindanau do SNS. O estranho são as declarações deste ajuramentado do Hipócrates (https://www.ordemdosmedicos.pt/?lop=conteudo&op=67e103b0761e60683e83c559be18d40c&id=6b8b8e3bd6ad94b985c1b1f1b7a94cb2), que nitidamente alinha com “diagnóstico” dos familiares e declara o internamento compulsivo uma necessidade. Convem saber em que zona a creatura exerce …

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      • FGCosta permalink
        25 Outubro, 2014 13:35

        Se leu bem o que eu escrevi (o que manifestamente não foi o caso) o que eu contesto é a afirmação cabal do vitorcunha de que “não se internam compulsivamente pessoas para lhes “garantir o tratamento adequado” e sim porque se crê que causarão dano a si próprios ou a terceiros”. O caso da esquizofrenia (como poderia ser uma depressão profunda com risco de suicídio, uma fase maníaca com risco de património, etc..) serve apenas para ilustrar que há situações em que o não tratamento pode com probabilidade razoável levar a situações de risco para o próprio ou para terceiros que devem ser prevenidas e não remediadas. Aliás, eu expressamente digo no final que não conheço o caso concreto que motivou o post (e o patrocínio do advogado…) . E para que conste não sou psiquiatra nem particular entusiasta de muitas das práticas usadas na saude mental, que são o elo fraco da medicina (só assim se compreende que a psicanálise seja levada a sério…)

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      • 25 Outubro, 2014 13:42

        Vejamos, e não me apetece defender o que VC escreve mas sim embalar no tema: o VC afirma

        “O internamento compulsivo não faz qualquer tipo de sentido se o objectivo é “garantir o tratamento adequado”, que não pode ser impingido coercivamente a quem quer que seja, só porque um serviço acha que é melhor para o indivíduo em questão. O internamento compulsivo faz sentido se existir indício de ocorrer dano pessoal ou patrimonial de monta para o próprio ou terceiros. Em suma, não se internam compulsivamente pessoas para lhes “garantir o tratamento adequado” e sim porque se crê que causarão dano a si próprios ou a terceiros.”

        e você vem com a estória do esquizzz. Entre o que ele afirma e o seu exemplo, eu reafirmo que a sua argumentação não faz sentido. Acho que ainda leio bem, quer por não ter falta de vista, quer por não ter falta de vistas e não estar medicado.

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  8. Nulo permalink
    25 Outubro, 2014 11:51

    Faz lembrar os internamentos psiquiátricos no sol da terra, mas aqui em contexto autogestionário.Só conta o serviço prestado ao cliente, quem encomenda o internamento!

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  9. 25 Outubro, 2014 12:01

    A chave para esta história, longe de ser única está no i: a primeira ingormaçao médica é de uma cunhada do “paciente”. Um médico amigo da família ou familiar determina que o paciente tem um problema mental qualquer, quase sempré uma psicose e daí à decisão do delegado de saúde é um pulinho. Todas ou quase todas as avaliações médicas subsequentes serão inquinadas por esta avaliação inicial.
    Não é fácil encontrar um médico que, perante um dignostico de doença mental feita por outro, o contrarie frontalmente.

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    • 25 Outubro, 2014 12:31

      Exactamente.
      O Dr. Kafka explicou isso muito detalhadamente nos vários tratados de medicina que escreveu nomeadamente em “O Processo – Como Avaliar o Doente Mental” posteriormente acrescentado com “Metamorfose – Do Ser Completo ao Doidinho em 20 Passos”.

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    • 25 Outubro, 2014 13:55

      Pois foi.

      Mas mais gente usou isso ilegalmente. Porque ninguém pode ser internado e sedado apenas porque uma médica amiga da família disse que era para internar.

      Se isto é verdade houve muito mais coisas que não são contadas.

      Admitamos até que o tipo estava meio marado com a cena do computa- nada que não se passe com muito mais gente, incluindo jovens e até crianças.

      Isso não era motivo para internamento se ele dissesse que nem se sentia mal. Só há internamento compulsivo por ordem de tribunal e por ser perigo para terceiros.

      Um nerd só pode ser perigo para o monitor e não foi o monitor que se queixou.

      E, se é mesmo verdade que estava a trabalhar, então o caso é mais grave e ele veio para os jornais para não ter de matar os parentes, um a um.

      ehehehe

      É que, com pais destes ninguém precisa de inimigos.

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  10. FGCosta permalink
    25 Outubro, 2014 12:24

    A todos os indignados: gostava de saber o que fariam se tivessem um doente esquizofrenico em casa, a recusar o tratamento (situação comum) e a ameaçar-vos fisicamente ou até com antecedentes de agressões.
    Infelizmente são situações frequentes. Infelizmente é sempre fácil falar da bancada e mandar palpites politicamente corretos. A pergunta é simples: o que fariam como familiares? o que fariam como médico? (potencial responsável por descurar risco de agressão/homicídio)

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    • 25 Outubro, 2014 12:31

      Aposto que esse esquizofrénico tem algo em comum consigo: não admitir que está doente. Talvez isso seja uma pista de que o critério não serve.

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      • FGCosta permalink
        25 Outubro, 2014 13:05

        Quando a argumentação evita a resposta e descamba para o insulto, nada mais há a dizer. Lamento que o faça, que fuja a uma resposta a uma pergunta simples, e que eu tenha que passar a fazer outro juízo de si, uma vez que até concordo consigo em muitos dos posts que aqui publica.

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      • 25 Outubro, 2014 13:12

        Leia lá o que eu disse que considerou um insulto. Posso reescrever: aposto que esse esquizofrénico tem algo em comum comigo – não se considera doente.

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      • FGCosta permalink
        25 Outubro, 2014 13:44

        Lamento, mas de advocacia não percebo nada.

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    • 25 Outubro, 2014 13:56

      É pá, tu lá sabes o que farias a um filho.

      Eu sei é que tu devias oferecer-te para cobaia de internamento com sedação forte por vires para a net dizeres coisas que só mongo diz.

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  11. 25 Outubro, 2014 12:26

    Não partilho a benignidade com que o VC vê esta situação.
    É completamente destituído de fundamento o acto de privação de liberdade e auto-determinação quando o suposto enfermo não atentara contra a vida (dele ou de outro) e não tinha uma conduta de ruína própria (ou o termo estilístico que lhe quiserem dar). Resulta óbvio que por muito que existam regulamentos, procedimentos ou leis que dêem guarida aos intervenientes no processo, nunca os mesmos atentaram aos direitos do suposto enfermo (esse é e tem sido erro capital em situações similares, falo com conhecimento de caso semelhante). Como é possível existir uma disciplina dita cientifica que se arroga decidir pelo beneficiário e na ausência de evidências pode optar pela clara violação da individualidade?! Não vejo sequer referido um dos aspectos mais gravosos deste claro atentado contra os direitos e mesmo bem-estar do visado, ter de viver num ambiente em que o seu quotidiano é partilhado com demais internados com graves perturbações. A psiquiatria dificilmente é conclusiva em diagnóstico, é puramente experimental em tratamento e aviltante na condição a que obriga qualquer paciente, daí que toda a terapia passe por colocar o paciente num estado de torpor intervalado por semi-consciência de uma condição ultrajante; se esta não é claramente uma forma de tratar (e não é) é decerto forma de fazer o são (quem o é de facto?) virar lunático.

    Quanto ao caso que conheço: indivíduo A, sem historial anterior e posterior de qualquer patologia, vê-se acometido de grave situação clínica caracterizada pela quase morte certa e posterior absoluta cura (num período de 72 horas) e reage em recobro com pânico (situação de 36 horas de duração). Mediante a incapacidade para declarar a causa (claro está que o stress da quase morte vivida estava fora de questão) opta-se pelo internamento em psiquiatria com doses cavalares de ansiolíticos (não falo de miligramas mas de completa neutralização da psique) durante quase duas semanas privando-se o mesmo de afectos (regras de convivência em sala comum) e de contacto com a sua cria muito jovem. Para além de vários episódios de incompetência e desrespeito de corpo clínico e de enfermagem (neste caso a família estava do outro lado, a do querer bem ao seu ente) tem-se uma posterior alta sem qualquer resultado de diagnóstico. Enfim, só contar dói, a quem as vive.

    Lamento ser injusto com alguns mas a psiquiatria é muitas vezes uma merda de intrujice que pouco difere dos métodos dos gulag e que se apropria dos doentes no seu presumido superior interesse sem acautelar de que modo é que num estado de direito deve prevalecer (e ser exercida) a defesa desse interesse. Existe cada vez mais para se auto-justificar e cada vez menos para tratar.
    P.S. – muitos psiquiatras existem que defendem que o internamento deve ser evitado continuamente pelo facto do mesmo constituir caminho contrário à cura, que é a sadia inserção em sociedade, e ao que parece o tal pobre coitado não fez mal a uma mosca…

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  12. Alexandre Carvalho da Silveira permalink
    25 Outubro, 2014 12:54

    Já tem acontecido submeterem as pessoas aos tratamentos antes julgados desnecessários, apenas quando matam o pai, a mãe, um vizinho, ou até entrar na própria escola aos tiros e matarem a professora e os colegas que se puserem a
    jeito.
    De qualquer modo, esta novela não deve ter começado quando alguém se lembrou de dizer que o fulano está maluco. Importa saber porque é isso aconteceu, e às vezes as explicações são muito mais simples do que parecem. A quem é que aproveitará a “loucura” do Carlos, cidadão português?

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    • 25 Outubro, 2014 14:03

      também acho que não foi assim e há-de ter sido coisa mais complicada com família.

      Ele tem que idade?

      Viva em casa dos pais, depois do divórcio?

      Há-.te ter sido cena familiar mais complicada.

      Mas, em S. José, por acaso já assisti a uma sujeita com um tipo com ar absolutamente anormal que ela contou que era irmão.

      Levou-o lá porque dizia que o tipo com quarenta e tantos anos tinha sido agredida pela mãe- a mãe de ambos- uma velhota- que o queria pôr na rua e ele nem tinha para onde ir.

      Essa sujeita, que nem sei quem é mas que estava a contar isto alto para toda a gente, tinha carta de médico e até tinha o Arnaldo de Matos como advogado para conseguir que a mãe é que fosse internada e ele pudesse viver na casa dela sem ser agredido pela velhota.

      A sério.
      Até pode ser verdade. Mas também é verdade que eu vi o tipo e ele tinha ar daquelas pessoas com quem ninguém se quer cruzar nem de dia.

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      • 25 Outubro, 2014 14:05

        Ah, e ia de braço ao peito porque dizia a irmã que a mãe lhe tinha dado com um martelo no dedo

        ehehehe

        O pai já tinha morrido alzheimarado e a rapariga é que tratou dele. Dava ideia que a relação com a mãe devia ser pior que péssima.

        Ninguém sabe nestes casos o que se passa em casa de cada um.

        Mas achei piada como o Arnaldo de Matos era advogado para ajudar a internar a velha para o gandulo ter casa.

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  13. 25 Outubro, 2014 13:58

    E é mentira. Hoje nem aos malucos perigosos internam. Andam para aí a magote e alguns com altos cargos.

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  14. vsantos permalink
    25 Outubro, 2014 13:58

    Vitor Cunha, sigo-o sempre com atenção mas desta vez acho que não tem razão. Tenho infelizmente um caso na família, que obriga muitas vezes a internamento compulsivo, uma vez que o doente nunca aceita voluntariamente o internamento e se recusa a tomar os medicamentos. Torna-se assim uma ameaça para ele próprio e para a família. Felizmente hoje está em casa e controlado ( a tomar os medicamentos ), mas se não tivessem sido os internamentos compulsivos, há muito que já teria morrido.

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    • 25 Outubro, 2014 14:07

      V. sabe em que circunstâncias este estava?

      Sabe se era caso para ser internado à força por ser perigo para terceiros quando até está cá fora por ordem do tribunal?

      Um tipo que é louco não fica bom em 3 meses e nenhum tribunal se atrevia a mandar soltar se não houvesse relatório médico a sustentar a sanidade mental.

      Uma pessoa que precisa de ser internada não é um caso de cura em meses.

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    • 25 Outubro, 2014 14:10

      Entendo todo o drama familiar. Não vejo qualquer relação com este caso. Talvez no primeiro internamento do seu familiar, quando ninguém sabia que era esquizofrénico?

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    • Nulo permalink
      25 Outubro, 2014 14:11

      E não morreu já?? Lá vegetar parece que ainda está autorizado e ele de certeza percebe isso e até que mantido em espera! sabe-se lá de quê? é um exemplo de morte adiada enquanto tiver valor, seja ele de que tipo for!!

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  15. 25 Outubro, 2014 14:15

    Vitor:

    Eu não li esta coisa toda. Sabe se o sujeito que até trabalhava para tantas multinacionais, vivia em casa própria?

    Ou seja- há alguém autónomo, a trabalhar em sua casa, seja lá a que horas for, que vê a polícia entrar com mandato para internamento?

    Foi isto?

    Não acredito. A sério.

    Imagino é que estivesse em casa dos pais.

    O que torna a história um tanto mais complicada, dado que se tinha tanto trabalho importante para tantas firmas estrangeiras, havia de ter possibilidade para ser autónomo e viver em casa própria.

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    • 25 Outubro, 2014 14:22

      Não sei se vivia em casa própria. No artigo do i dizem que vivia de forma independente mas isso não clarifica a situação:

      Desde que Carlos decidiu há um ano separar-se da mulher, passava ainda mais tempo ao computador do que com amigos, levando muitos a especular sobre a possibilidade de com 41 anos estar a desenvolver a esquizofrenia paranóide do seu avô paterno. Nunca deu ouvidos ao que lhe diziam. Não via qualquer sentido nessas preocupações, uma vez que vivia de forma independente e dizia-se integrado socialmente.

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      • 25 Outubro, 2014 14:25

        Não se percebe. Viver de forma independente significa ter dinheiro para se sustentar.

        Mas bateram a que porta de que casa para o levarem?

        Eles não explicam isso e esse detalhe faz a diferença.

        Porque o tipo até tinha direito de receber a tiro qualquer médica que lhe entrasse em casa para fazer relatório.

        A médica fez relatório como? com ida voluntária dele a consultório, a hospital?

        Não sei mas isto fede a pequenas chantagens familiares onde há gente que acaba na mão de parentes- e até podem ser demasiado próximos.

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      • 25 Outubro, 2014 14:28

        É o que parece. A cunhada médica iniciou o processo todo, a julgar pelo que está publicado.

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      • 25 Outubro, 2014 14:29

        Agora imaginemos que os jornais não contam tudo (e nunca contam porque vendem sempre história já feita)

        E imaginemos que ele se tinha divorciado, tinha ficado suficientemente abalado e ido para casa dos pais.

        Aí imaginemos que as coisas começam a ser complicadas e mais complicadas que o mero facto de passar o tempo no computador- acordar até a meio da noite para ser contactado por firmas (coisa marada pior que médico)

        E imaginemos que os pais precisam de ajuda.

        A partir daí não sei. Não sei porque ninguém quis ouvir a outra parte- os pais. E deviam ouvir porque não é assim que se fazem notícias e se atiram com nomes para os jornais.

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      • 25 Outubro, 2014 14:32

        O que me chamou a atenção não foi a notícia que é tão fragmentada que não permite concluir nada. Foi mesmo a resposta do director que parece partir do princípio que se pode internar alguém à força se isso permitir o melhor tratamento. Isso é tão abusivo que transcende o caso em questão.

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      • 25 Outubro, 2014 14:31

        Nem sabemos quem o levou a consultas a que ele achava que não precisava de ir.

        Se foram os pais, então ele deixou por algum motivo e pode ter havido problemas em que ser internado sempre era mais “doce” que até ir de cana por outras coisas.

        Se é mentira, os pais também deviam ter direito a contarem a versão deles nos jornais.

        Aliás, ninguém devia publicar uma cena destas sem fazer tudo para contactar todos os intervenientes.

        Já o que o pascácio da bata disse, basta-se por si mesmo- o gajo interna porque usa bata e acha que é bom poder fazer isso porque se não tivesse bata pensava outra coisa.

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      • 25 Outubro, 2014 14:34

        Cunhada é tramado…

        Iniciou por pedido dos pais. Foi coisa mais complicada e os pais deviam falar.

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      • 25 Outubro, 2014 14:38

        «Foi mesmo a resposta do director que parece partir do princípio que se pode internar alguém à força se isso permitir o melhor tratamento. Isso é tão abusivo que transcende o caso em questão.»

        Tem razão. e eu tenho dúvidas que seja verdade.

        A sério. Então um responsável por maluqueira diz que pode internar quem ele achar que precisa de ser internado?

        Ele ou outro médico qualquer?

        Sem sequer haver junta médica?

        Para qualquer merda legal para Tratamentos e pagamentos de taxas de saúde só com junta médica é que se pode considerar legal a situação de qualquer pessoa!

        E este diz que basta uns médicos acharem, sem haver sequer junta médica que até podem fechar dentro de um manicómio?

        Isto é assustador se for verdade.

        Fez muito bem em salientar este detalhe.

        Até acho que valia um post apenas o detalhe da afirmação do pascácio aos jornais.

        Porque eu obrigava o tipo a explicar para que servem as juntas médicas.

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      • 25 Outubro, 2014 14:42

        Repare- mesmo um alzheimarado, se não tiver feito testamento vital é considerado pessoa autónoma que não pode ser internada contra vontade.

        Mesmo um velho completamente marado não pode.

        E ninguém pode decidir nada em nome do marado depois de ele ficar marado.

        Só com interdição por tribunal.

        Mesmo nesses casos extremos tem sempre de ir a tribunal porque maluco ou doente em grau que for, é pessoa autónoma se antes disso não tiver delegado representação.

        Por cá até o MP pode ser representante de maluquinho em vez da família, caso o tribunal ache que a família não representa bem os interesses do maluco.

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      • 25 Outubro, 2014 14:44

        Estas situações são até complicadas porque a uma pessoa numa situação dessas ninguém pode aceitar assinatura ou autorização legal do que quer que seja.

        Do mesmo modo que não pode decidir e resolver questões por ele se não for o tribunal a interditar e a facultar acesso a quem o substitua legalmente.

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  16. manuel permalink
    25 Outubro, 2014 14:20

    Uma grande percentagem do que vejo na TV não acredito e, nestas folhas de couve, tipo público , é que não acredito nada. Ninguém é internado compulsivamente por palpites e os internamentos são reavaliados permanentemente e as instruções dos diretores hospitalares são para reduzir os dias de internamento , por questões de espaço e dinheiro , acresce que, as teorias recentes de terapia psiquiátrica aconselham o não internamento, o caso presente ,é excepção. . Os médicos psiquiatras estudam e investigam muito, para não errarem ,mesmo assim pode acontecer ,mas as grandes decisões são multidisciplinares e envolvem profissionais da área saúde, social ,análise do contexto familiar , profissional e aconselhamento jurídico ; esta especialidade médica tem uma grande ligação ao poder judicial o que lhes dá um conhecimento profundo dos meandros em que se move. Alguns doentes desta área são pessoas com discurso estruturado, e às vezes sedutoras e manipuladoras e podem, se bem medicadas fazer uma vida dita normal, o perigo são as quebras de medicação. Os médicos por questões deontológicas e éticas não podem fazer o contraditório ,por isso, só temos o comunicado lacónico do Dr. Caldas Almeida. Não esquecer que existe um advogado nesta história e na nossa terra começa a ser moda pedir altas indemnizações aos médicos .

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    • 25 Outubro, 2014 14:33

      Na nossa terra ainda se funciona como na Idade Média diziam os provérbios- “os erros dos médicos a terra os guarda”.

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  17. FGCosta permalink
    25 Outubro, 2014 15:22

    Oh Zazie: por que no te calas?

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    • 25 Outubro, 2014 15:29

      E tu, porque no te calas?

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    • 25 Outubro, 2014 15:32

      tu não te calas porque és analfabruto e nem sabes ler. Disseste que descambaram no insulto por se ter dito “um esquizofrénico”- no caso um exemplo- e achaste que era contigo.

      Vieste para aqui fazer figurinhas tristes.

      Mas sempre com o mesmíssimo intuito de todos os comunas- defenderem a bondade de se internar alguém para “bem dessa pessoa”.

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  18. 25 Outubro, 2014 15:39

    Está aqui a explicação do que diz a lei.

    http://www.google.pt/url?url=http://www.spgsaude.pt/anexos/26_1144858629_Internamento_Compulsivo.doc&rct=j&q=&esrc=s&sa=U&ei=IbVLVIHTBMPuaLPbgZgG&ved=0CBMQFjAA&sig2=_Qd5jRfICyq2qwNLpkh7ng&usg=AFQjCNHp7kLTRxlR-rDd3IeYN71KEtAKkw

    É mentira tudo o que se esteve para aí a inventar que o médico pode fazer. E é mentira o que o tipo da faculdade e chefe da maluqueira disse aos jornais.

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    • 25 Outubro, 2014 16:01

      Correcção- ele disse que o Tribunal validou com base em pedido oficioso do Ministério da Saúde.

      Para haver pedido a pessoa tem de estar sob tutela de outrem, precisamente por ter deixado de ser autónoma e com mil e um requisitos de perigosidade que de outra forma não se poderia controlar.

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  19. 25 Outubro, 2014 15:42

    A primeira coisa que saltou à vista foi essa da polícia ir buscar para uma consulta.

    Ninguém pode mandar a polícia entrar em casa de alguém para obrigar essa pessoa a fazer seja o que for, sem haver ordem de tribunal.

    Ora foi dito que a polícia foi lá, 48 horas depois de uma médica ter escrito um diagnóstico sem sequer ver o suposto doente.

    Era giro agora essa dos médicos poderem chamar a polícia para levarem pessoas para o manicómio.

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  20. 25 Outubro, 2014 15:46

    Mais aqui a lei a explicar quem tem legitimidade para requerer o internamento ao tribunal!

    http://www.dgs.pt/delegado-de-saude-regional-de-lisboa-e-vale-do-tejo/programas–projetos–grupos-tecnicos/autoridade-de-saude/orientacoes/lei-da-saude-mental-pdf.aspx

    O que é impressionante é que o tuga viva na Idade da pedra e acha normal que se possa internar alguém sem estes requisitos todos.

    E eu digo que acham normal porque o fazem nas terras pequenas. Fazem-no no Ribatejo por conhecimento directo com quem contou como sucedeu.

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  21. 25 Outubro, 2014 16:13

    Há-de ter sido isto que aconteceu, o que é totalmente diferente do que dizem os jornais:

    http://www.pgdlisboa.pt/home_cd_dir_df.php

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  22. 25 Outubro, 2014 16:59

    Vítor Cunha falhou a questão fundamental: “ausência de consciência patológica”, ou dito de outra forma: ausência patológica de consciência.

    Se se considerou, bem ou mal, que o doente não estava capaz de decidir conscientemente, ou “em consciência”, sobre o seu destino, então a partir daí é que torna possível o seu encaminhamento subsequente de forma compulsiva. Porque é considerado incapaz de fazer o melhor juízo sobre a sua situação clínica, em consequência da doença (psiquiátrica, neste caso).

    Ou seja: se havia de facto ausência patológica de consciência, nada a dizer. Por outro lado, se não havia qualquer problema com o estado de consciência do doente, mantendo-se por isso o mesmo competente para decidir o que bem entende fazer da sua saúde e da sua vida, então há que contestar essa afirmação, e punir o profissional que, incompetentemente (e abusivamente), o avaliou mal.

    Mas note-se: este é o país em que até uma pessoa QUE ESCOLHE apanhar uma bebedeira é considerado da responsabilidade dos serviços de saúde, caso algo de mal lhe suceda na sequência do seu estado de embriaguez.

    Agradecia-se por isso menos esquizofrenia, e maior clareza nas opiniões, bem como uma visão integrada dos problemas que esta questão encerra.

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    • 25 Outubro, 2014 17:04

      Não, ó imbecil. Só um juiz pode mandar tratar compulsivamente alguém. E nenhum juiz manda sem haver relatório do Ministério da Saúde com muitos mais intervenientes para tal.

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    • 25 Outubro, 2014 17:07

      palerma- doentes há muitos. Só por poderem ser perigosos para os próprios e terceiros e de forma gravíssima sem a menor alternativa é que o caso pode ir a Tribunal para haver tratamento compulsivo.

      Ir a tribunal. topas, pascácio?

      A tribunal! e com defesa do próprio por delegado do MP! Não é vestir bata branca e telefonar para a esquadra para te irem buscar e internarem no manicómio por seres demasiado besta na net.
      “:OP

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      • 25 Outubro, 2014 18:08

        Vou resistir, ainda que a minha costela minhota me recomende o contrário, a descer ao teu nível ordinário (não ordinário de comum, mas sim ordinário de vulgar, baixo nível e desrespeitoso), ainda que garantidamente não o consideres assim (terás uma série de eufemismos e atenuantes para te comportares… assim).

        Adiante, apenas uma nota: as pessoas como tu, que vivem nessa “garrafinha” do “no tribunal, com o juíz, após as alegações assim e assado”, são as mesmas que perante os casos concretos, em que existe o indivíduo em causa e o médico (uma dualidade, portanto, bem longe dessa “pluralidade edílica” que não existe neste país do faz de conta), são os primeiros a acusar o segundo de negligência por terem permitido que o desgraçadinho que estava em “ausência patológica de consciência” se tenha desgraçado?

        Ou as pessoas como tu são aquela minoria insignificante que até pensa que não, mas que como acabei de dizer: é uma minoria insignificante para o que interessa, que são as consequências de actos concretos do dia-a-dia?

        E faz-me um favor: esforça-te por ter um mínimo de higiene na escrita subsequente relativamente a este tema, porque já poluíste suficientemente as minhas narinas com a tua “prosa” anterior. Ou desaparece.

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      • 25 Outubro, 2014 18:15

        Placebo- toma um remédio que isso com placebo já não vai lá.

        és estúpido. Vai ao I e lê as perguntas que fiz ao tipo e as respostas que supostamente ele deu. Pode não ser ele mas imita bem.

        E confirma-se. Não há médicos a mandarem internar e a chamar a polícia e tudo isto teve de passar pelo Ministério da Saúde e ser assinado pelos pais dele.

        E precisou de provas factuais. Porque, se elas não existirem, isso sim, há processo a cair em cima do Ministério da Saúde por ter accionado a Lei de Saúde Mental sem apoio factual consistente.

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      • 25 Outubro, 2014 20:04

        Eu não vou fazer “pugilato cibernético” com um nick ridículo qualquer desta vida. Não preciso de me distinguir no calão num blog qualquer desta vida para dar sentido à minha “existência” (para quem considere isso uma existência).

        Gostava de saber como te comportas quando és uma “pessoa”, em vez de uma “Zazie”? E como adivinho aí uma certa “dicotomia” de atitudes, deve ser triste ser a tua pessoa, com essa “Zazie” que tanto adoras, tão cobardemente reprimida na vida real….

        Olha, diverte-te! Sempre fica mais barato que tomar remédios, ou drogas 🙂

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    • 25 Outubro, 2014 17:53

      Placebo,

      “Ausência de consciência patológica” só encaixa em posts sobre o Sócrates. Estamos noutro assunto.

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      • 25 Outubro, 2014 18:12

        ehehehe

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      • 25 Outubro, 2014 20:12

        O assunto é este:

        “Apesar de poder ser isto que o Dr. Caldas de Almeida pretende dizer, não foi isso que efectivamente disse: disse que se internam pessoas compulsivamente para lhes proporcionar o melhor tratamento, algo que serve para tudo e mais alguma coisa que retire direitos básicos às pessoas, nomeadamente o direito de não ser tratado”

        E o que ele “efectivamente disse” não foi isso que tu disseste. Se não o percebes ainda, não te devias aventurar a ler coisas mais complicadas, como Sócrates….

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      • 25 Outubro, 2014 20:19

        Dois ou três comentários e já nos tratamos por tu? Amanhã temos um filho analfabeto nos braços.

        Como não parece ser um problema para si, passa a não-comentador compulsivamente.

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  23. Manolo Heredia permalink
    25 Outubro, 2014 18:04

    Estou a pensar naquele maluco que matou a mulher e uma filha, e feriu gravemente outra filha. Não teria sido útil interná-lo antes? A mulher teria apreciado, mas era preciso preencher tantos formulários, dar tantas voltas, etc. que decidiu arriscar em não fazer nada. Mal o dela e o das filhas!

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    • 25 Outubro, 2014 18:11

      A Oprah tem um programa de TV em que consegue perceber sempre que o gajo que bateu na mulher ou incendiou a casa tinha sido violado por um tio aos 8 anos.

      Já em cima tentei explicar que deus ex machina é um mau recurso narrativo.

      Não impediu o Mussolini.

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  24. manuel permalink
    25 Outubro, 2014 18:43

    Como sinopse e parafraseando um grande estadista que não me ocorre o nome , “os jornalistas são uns preguiçosos ” e eu acrescento ,uns grandes ignorantes e vendem jornalismo mais martelado que a roupa dos “feirantes”.

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  25. Carlos Rodrigues permalink
    26 Outubro, 2014 14:59

    Boa tarde. Eu sou o Carlos que vem referido na peça. Se alguem ainda tiver interesse no tema e quiser fazer alguma pergunta na primeira pessoa responderei assim que puder.

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  26. Gil permalink
    26 Outubro, 2014 15:27

    Façam o favor de eliminar os inglesismos saloios. Em português, “paciente” é alguém que tem paciência. Não há paciência…

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  27. Calpurnia Máxima permalink
    30 Outubro, 2014 23:00

    Escreveu-se aqui muita coisa e quase toda ao nível de poita de vaca, acabando alguns destes crânios a insultarem-se. Falar de doença mental e de internamento compulsivo, é demasiado sério para os “eu acho… = penso eu de que…” duma famosa rábula. Tem a ver com a necessidade de prestar cuidados a alguém que muito carece deles e, não tem consciência disso. Tem a ver com o respeito dos direitos básicos da pessoa, em que a liberdade é um deles mas, o direito à saúde é outro. E aqui pergunto, o que se faz a alguém que está doente e recusa tratar-se? Como posso negar o direito à saúde de alguém, em nome da sua suposta liberdade e livre-arbítrio quando este está comprometido? Vocês cabecinhas pensadoras e politicamente correctas, podem dizer-me o que é a mente? E o que é a loucura? Qual a linha que separa a normalidade, a bizarria e a loucura? Trabalho com isto há 22 anos e ainda hoje não sei responder. Sei porém que, a lei de saúde mental que regulamenta o internamento compulsivo, não colocou na mão dos médicos a responsabilidade de decidir o internamento. Colocou-a e bem, na mão dos juízes. Talvez tenha sido a única lei com algum sentido feita pelos políticos, no Parlamento. E nos juízes porque em Portugal, só eles têm o poder de limitar a liberdade a um cidadão, pois é disso que se trata quando se fala em internamento contra a vontade do próprio. Ao médico cabe o papel de aconselhar e informar o juiz da necessidade e pertinência da limitação da liberdade da pessoa doente e, felizmente que assim é, porque os médicos erram muito, demais até para o que seria desejável, mas isso é humano e o importante é criar mecanismos para controlar o erro, mesmo o do juiz, pois a lei impõem a reavaliação do internamento ao fim de 48 horas e concede ao doente, pois é dum doente que se trata e não de alguém que tem paciência/paciente, (embora neste caso a pobre vitima tenha tido muita paciência). Concede-lhe igualmente um advogado pago pelos dinheiros públicos para o representar e, impõem a reavaliação do seu estado por outro psiquiatra, para minimizar a hipótese de erro. É da conjugação destes factores que depende a manutenção do internamento compulsivo. Estão criados mecanismos para evitar o uso perverso da limitação da liberdade da pessoa com doença mental.
    Ora acontece que aqui o sistema falhou. Não costuma falhar muitas vezes mas, desta vez falhou. Interessa perceber o que falhou e ,corrigi-lo de forma a que a hipótese deste erros se repetirem serem escassas, de aperfeiçoar a lei e os mecanismos e, não mandar bitaites do “eu acho que…” pois o assunto é demasiado sério e trás muito sofrimento à mistura, ao doente, à sua família e ao tecido social envolvente, senão não estaríamos aqui a comentá-lo.
    Interessa perceber porque é que com estes mecanismos todos, a pessoa passou três meses da sua vida, internada num hospital psiquiátrico, quando aparentemente não carecia disso.
    O que levou um médico a errar um diagnostico, ninguém entre os seus pares se tenha apercebido do erro e, um juiz tenha passado ao lado, não tenha salvaguardado os direitos da pessoa, questionando no mínimo a pertinência do diagnostico junto dos técnicos que o fizeram e, no meio de tudo isto, onde andava o advogado a que, por lei a pessoa tinha direito. Sim meus senhores, porque eu já vi juízes mandarem libertar pessoas extremamente perturbadas para saírem, já vi médicos a aplicar diagnósticos de doença grave, com demasiada ligeireza e, famílias a recorrer à lei para internarem contra a sua vontade, pessoas que lhes são incomodas. Seriedade impõem-se, bom senso também e dispensa-se conversa fiada que foi o que aqui mais houve.

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