Mas porquê tanto escândalo?
Confesso que não entendo tanto choque, choradeira e moralismo hipócrita que por aí vai em toda a comunicação social, blogues incluídos, devido às listas laranjas. Há mais de 3 décadas que o sistema funciona nesta lógica em todos os partidos, da esquerda à direita. Desde o 25 de Abril que a democracia representativa é uma miragem, facto desde há muito interiorizado pelos eleitores que, na prática, nunca votaram em candidatos que não conhecem, mas sim em líderes partidários. A aprovação das listas é um “momento de verdade” apenas para as carreiras de muitos potenciais candidatos, que nestas alturas ficam com os nervos em franja e em estado de quase depressão. Eles próprios é que o transformam também num momento mediático, procurando dar-lhe contornos políticos que são geralmente mais fabricados que reais. Para o eleitor comum, tudo isto não passa de fait divers a que ele reaje com fastio e indiferença.
É portanto irrelevante a composição das listas de deputados: eles jamais representarão qualquer eleitor, mas serão meras correias de transmissão dos directórios partidários que os nomeiam e a quem devem fidelidade. No sistema partidocrático que temos, estabelecido muito à imagem do “centralismo democrático” soviético, a principal fonte de poder das oligarquias reside precisamente na nomeação de candidatos a submeter aos diferentes sufrágios. É a forma delas comprarem fidelidades, que durarão enquanto os líderes forem ganhadores de eleições ou indiciarem que o poderão ser no futuro.
Num tal sistema, os grupos parlamentares serão tendencialmente acéfalos e constituídos por marionetes que votam de acordo com as superiores instruções do directório nacional do partido ou do governo, caso aquele o integre e com o qual se passa a confundir. O líder parlamentar – que integra sempre o directório nacional – é o “capataz” que assegura a aplicação integral das directrizes, a (não) liberdade de voto e praticamente o único que dispõe de bagagem argumentativa para os gendes debates. JPP, o único verdadeiro “peso-pesado” das listas, é o homem fadado para estas funções. Exceptuando os membros do directório nacional, todos os outros candidatos com alguma notoriedade, por muito gradas figuras que tenham sido do “cavaquismo”, diluir-se-ão no “rebanho”, apenas importante na altura de contar votos. Esta lógica partidocrática, contagiou de forma perversa todo o sistema político e redundou numa concentração excessiva de poderes nos órgãos executivos (governos nacional e regionais e câmaras) e numa completa menorização dos órgãos a quem caberia o escrutínio e controlo (Assembleia da República e Assembleias Regionais e Municipais).
A aprovação das listas do PSD (como de qualquer outro partido) é pois o corolário de uma longa e recorrente disputa entre poderes de diferente escalão, o resultado da guerra surda e de negociações intensas ocorridas nos meses anteriores entre o directório nacional e os directórios regionais e distritais. Isto vem sendo uma constante desde o 25 de Abril e as listas finais têm sido sempre um compromisso mais “centralizado” ou mais “distritalizado”, consoante seja maior ou menor a força e/ou carisma e/ou autoridade do líder nacional.
As listas que MFL fez aprovar não fugiram a esta regra e nelas estão espelhadas os equilíbrios possíveis entre os diversos poderes fácticos. Salvaguardados os lugares cimeiros para o directório nacional, estão devidamente contempladas as tradicionais corporações da JSD e dos TSD a que agora se juntou, por força legal, a do mulherio (MSD), bem como a generalidade das distritais, que foram garantindo lugares elegíveis q.b. para sossegar as suas “clientelas”.
Neste enquadramento, o “escândalo” Pedro Passos Coelho equipara-se ao de centenas de militantes anónimos preteridos, que investiram meses em respeitosa pedinchice por um lugar ao sol. Manuela Ferreira Leite optou por “alimentar” as facções com efectivo poder e cujo descontentamento mais a ameaçaria. Quem conhecer minimamente o “PSD profundo”, não pode ignorar três “figurões” com efectivo peso sociológico, que vai muito para além das fronteiras partidárias: Menezes, Jardim e Santana. Ao seu lado, PPC não passa de uma “figurinha”, a agitar-se freneticamente para aceder ao pódio dos grandes, convencido que a sua quase vitória nas directas lhe atribui direitos irrevogáveis de senhor feudal. Só que os seus feudos são virtuais e os votos que teve foram-lhe emprestados por Menezes. MFL está consciente deste facto e, obviamente, não iria desperdiçar lugares de deputados com alguém cujo lastro se limita à tralha mediática. É assim que, para além do círculo da Madeira onde só Jardim indica candidatos, não faltam menezistas e santanistas em lugares elegíveis, principalmente nos círculos do Porto, Braga, Aveiro, Lisboa e Faro. No Porto, a lista elaborada pelo “capataz” menezista Marco António, que tinha um razoável “índice de nepotismo” integrando 3 descendentes de “notáveis” (entre os quais o filho do próprio Menezes) foi integralmente aceite com ligeiros ajustamentos e a simples exclusão de uma girl. A intervenção do directório central no Porto foi aliás modestíssima, tendo-se limitado à inclusão do “pára-quedista” Miguel Frasquilho (indiscutivelmente o melhor candidato da lista) e à utilização da “quota” de Aguiar-Branco, que substituiu a dita girl por outra mais bem aparentada (uma ilustre sobrinha de Maria de Belém Roseira), repescou Pedro Duarte que havia sido “saneado” por Marco António e encaixou o seu sócio Paulo Cutileiro num cinza-claro 17º lugar. É aliás curioso comparar a “mansidão” de Menezes com as críticas de Marcelo ou de Ângelo Correia (há 2 dias no frente a frente com Maria de Belém), quem sabe se despeitados por não terem direito a uma “quota” de candidatos.
MFL não se irá pois fragilizar por ter vetado PPC, nem por ter incluído mais cavaquistas que barrosistas ou vice-versa. Do seu inner circle, há apenas a destacar as ausências de António Borges e de Alexandre Relvas, eventualmente resguardados para futuros cargos governamentais. Mas pode de facto ter dado um enorme tiro no pé com a inclusão de António Preto e de Helena Lopes da Costa que, aparentemente, necessitariam da imunidade parlamentar e terão cobrado favores de outrora.
Em suma, a qualidade geral das listas tenderá a piorar em todos os partidos, não tanto pelas escolhas em si, que se pautaram, repito, pelos mesmos critérios aparelhísticos de sempre, mas pelo crescente nepotismo – no PSD, para além dos casos já referidos no Porto, outros houve, pelo menos em Braga, Coimbra e Faro – e pela imposição legal de mais uma quota, a da paridade, que adiciona a outras que os partidos já haviam adoptado. O actual paradigma só é passível de ser substantivamente alterado com mudanças radicais que teriam de começar nos próprios partidos: escolhendo candidatos através de primárias abertas e alterando a lei eleitoral por adopção dos círculos uninominais. Naturalmente que é de todo impensável que os nossos partidos e respectivos oligarcas aceitem tais reformas, pois implicaria abdicarem totalmente do poder que hoje têm. E agora ganharam um novo argumento contra reformas daquele calibre: é que a “sacrossanta” e estúpida lei da paridade é incompatível com círculos uninominais.
P.S.: Versando o folhetim JAD, vale a pena ler esta análise de José Couto Nogueira, à qual também subjaz o processo de escolha de candidatos.

Uuf…
GostarGostar
Uuuf…
GostarGostar
Até que enfim se lê alguma coisa de jeito sobre este assunto.
GostarGostar
Começa a ver-se luz no fundo do túnel da política podre…
GostarGostar
Generalizar aos outros Partidos, o que se passa no PSD, parece uma forma de diluição não miscível.
Os aparelhos são diferentes.
GostarGostar
pois, mas isso só interessa ao cavaco. aos votantes interessa o mal menor, quem dá garantias de roubar menos e fazer mais, tirando os cabrões dos professores que querem continuar na bandalheira.
GostarGostar
Qual o programa eleitoral do PS?
Qual o programa eleitoral do PSD?
O BE já publicou o programa eleitoral com que se vai apresentar ao soberano (?)…
E o PCP? E o CDS?
GostarGostar
# 3
É verdade.
O aparelho do PS é bem pior do que os dos outros partidos.
GostarGostar
muito bem. concordo a mil por cento consigo. o parlamento , actualmente , não é mais que um desperdício de dinheiro. paradigmático o caso de um tipo do ps que lhe deu um chelique quando discutiam os lugares e lhe deram um pouco elegível ( com o chelique conseguiu ser subido uns lugares ..). pessoalmente ,não conheço mais que 10 ou 12 nomes que por lá aparecem , e se quer que lhe diga , conheço-os pelas piores razões. algum deles fez fosse o que fosse de bom pelo país ou região que dizem representar? lá apresentam de quando em vez , para dizer que trabalham , uns projectos de leis mal paridos , não fossem os jotas todos licenciados nas independentes. um nojo. um nojo também a conversa á volta de lugares que não servem para nada que nos interesse. fica clara a função trampolim que interessa aos próprios.
GostarGostar
A minha tia Berluscoina também acha que o aparelho do AC Milan está pior que o do Benfica.
GostarGostar
Uma análise desapaixonada,isenta, e infelizmente exacta: Não se vota nas pessoas, mas nos Partidos.
Parabéns LR.
Os que se mostram tão moralistas deviam olhar para os seus próprios Partidos: não s trata de Centralismo Democrático atribuível exclusiamente ao PSD mas antes um vício irredutível do Sistema.
Repito: Parabéns pela inexcedível análise.
Para mudar o Sistema, ter-se-ia que proceder a transformações tão profundas que mal feitas poderiam até subverter a Democracia Parlamentar, o
que a grande maioria de nós, Portugueses, não quer de maneira nenhuma.
GostarGostar
Este link (http://intransmissivel.wordpress.com/2008/05/30/desvios-democraticos-ii/) é referente a um artigo de opinião publicado, a 24 de Maio de 2007, no jornal O Primeiro de Janeiro.
Faço referência ao mesmo por abordar questões que aqui levanta. Aceite os meus parabéns pelo excelente post.
Tenho pena que o PECADO ORIGINAL DA DEMOCRACIA continue sem ser abordado neste blogue.
VFS
GostarGostar
“Há mais de 3 décadas que o sistema funciona nesta lógica em todos os partidos”
Não, não, não.
Não é todos os dias que se tem uma candidata em 4º lugar nas nossas listas, que 2 semanas depois de eleita no nosso partido, vai fazer campanha pelo partido adversário…
GostarGostar
A Democracia não é redutível a certas práticas partidárias pouco democráticas.
GostarGostar
Desta vez ão percebi a piada, Piscoiso.
GostarGostar
Aí é que está a piada.
GostarGostar
Bom artigo LR, sempre serve para desanuviar depois do lixo que por aqui se viu vindo pela mao do CAA.
GostarGostar
Luis,
Conheço bem a Luisa Roseira, há quase vinte anos, e posso dizer-te que é uma boa candidata, que despertou o interesse de MFL na sessão do Fórum Portugal de Verdade em Viseu, após uma excelente apresentação num painel bastante exigente. É injusto que a apresentes como “sobrinha da Maria de Belém Roseira”. É rasca dizeres que ela é uma “girl bem aparentada”.
Ab.
RAF
GostarGostar
Caro LR,
Quanto ao resto, vejo que estás bem informado.
Ab
RAF
GostarGostar
O melhor texto que se escreveu sobre o assunto. E ainda bem que vem do LR para alguns dos seus colegas de blogue não o acusarem de leitismo, que, pelos vistos e à falta de melhores argumentos, foi o que fizeram nos últimos dias.
GostarGostar
Ainda bem que o LR desanuviou, porque senão continuava a brigada dos insultos a encher caixas.
GostarGostar
RAF (#16),
Não ponho em causa as qualidades da Luísa Roseira, que não conheço. O “bem aparentada” era para fazer o contraponto com a candidata que ela substituiu. É aliás natural que, em tantos candidatos novos, despontem alguns novos valores, que até podem provir da “ala nepotista”. Mas a posta era sobre os critérios de escolha de candidatos. No critério vigente, tenderão todos a ser “boys” e “girls”, pois nenhum terá coragem de se assumir como integrando um órgão de soberania.
GostarGostar
Não há espanto nenhum, há apenas a agenda de um entre muitos medíocres, e aqui no Blasfémias reside um deles, que em desespero até chegou ao ridículo de namorar apaixonadamente o Monteirismo à procura de notoriedade que só ganhou nos últimos anos quando começou a falar mal do PSD devido às circunstâncias trágicas do regime fascosocialista mediático em que vivemos. Nos últimos anos a personagem já conseguiu correr com muito do melhor que havia neste blogue. O que sobra, o pouco de bom, já anda mais refugiado no Twitter do que por aqui, vejam por vocês mesmos. Em Biologia isso tem o nome, espécie invasora, parasita ou mais simplesmente praga, tudo termos que são um elogio à personagem em questão. Reles erva daninha é mais apropriado. Abutre talvez não fosse mau.
Eu também não gostei das listas do PSD, dos Pretos e coisas assim, não gostei com toda a honestidade e sinceridade. Fiquei triste e desiludido. Mas não foi essa parte que enervou a dita personagem residente do Blasfémias. O que o irritou profundamente foi aquilo que ele tão falsamente critica.
GostarGostar
Bom texto.
Precisamos de uma Constituição Económicamente Sustentável com limites Constitucionais aos Impostos, Défice e Dívida. O resto são fait-divers.
GostarGostar
Creio que os programas dos partidos pouco interessam. Ao contrário dos membros da aristocracia bloguítica, o cidadão vulgar não lê programas, vota por outras razões. Claro que os partidos constroem os seus programas de modo a irem ao encontro do eleitorado típico / médio que desejam captar. Daqui a 2 anos vão acusarem-se uns aos outros de não cumprirem as respectivas promessas, mas o eleitor já está habituado a esses enganos…
GostarGostar
Petroleo a 140 dolares em 2008.
Petroleo a 70 dolares em 2009.
E vão aumentar mais.
GostarGostar
“Democracia à moda do PS Porto?”
por Nuno Gouveia
http://31daarmada.blogs.sapo.pt/2918292.html
Eis aqui um dos comentários mais patuscos que alguma vez li:
“acho q os senhores da lista A deviam ter vergonha.o q eles querem é somente o assalto ao poder como se explica o q se passou hoje:presidente da assembleia geral agride militante com cadeira resultado 6 pontos na cabeça do militante, delegado e candidato da lista A desfere um murro noutro militante resultado um olho à belenenses para cúmulo este último além de candidato da lista A ser advogado.será q vamos ter advogados a resolver a murro questões de tribunal SERÁ??!!!”
GostarGostar
#9
Licas disse
8 Agosto, 2009 às 11:38 pm
Está enganado ou não convive com o Povo.
O que o Zé Pagode, em geral, quer é fazer saltar o aldrabão do Sócrates para onde não chateie, correr com o governo e mudar os
bon vivans do par(A)lamento.
Também gostava que Cavaco desse un golpe à moda de Jorginho Sampaio mas já está convencido que o homem não tem tomates.
Nuno
GostarGostar
Já sabia que iam cair em si. Falou Filipe Menezes e os blasfemos vão todos elogiar as listas.
GostarGostar
depois do estupefacto, temos o surpreendido.
GostarGostar
a velha faz o que o cavaco manda e o cavaco faz o que a roubalheira sugere que se faça.
GostarGostar
Caro RAF (#16), não conheço a pessoa em causa, mas é curiosa a justificação para a sua escolha como deputada (supostamente nossa representante, não é?): “que despertou o interesse de MFL na sessão do Fórum Portugal de Verdade em Viseu”. Qualquer pessoa que desperte o interesse numa qualquer sessão é automaticamente uma potencial escolhida pela líder que por acaso assista ao evento?
GostarGostar
Não fora a choradeira sobre o “sucesso” e os “Portugais de sucesso” inventados por um semi-letrado, o dever ético de um partido – qualquer um deles – devia ser olhar de frente para a possibilidade do seu suicídio.
Mas como isso não acontece, desde o “socialismo de cozinha” que era o salazarismo, todos os partidos advogam uma forma de “salazarismo social mitigado” . ou seja um socialismo de cantina.
GostarGostar
“Para o eleitor comum, tudo isto não passa de fait divers a que ele reaje com fastio e indiferença.”
Bem dito. E muitos elementos do PSD assistem a esta cruzada dos nossos liberais com algum nojo. E isso fica-nos caro.
Eu vou dar um conselho pessoal ao CAA.
Nos idos 80 e 90 tivemos um Paulo Portas, através do Independente, a metralhar constantemente no cavaquismo. Ainda por cima, este mesmo Paulo Portas, qual estrela nacional, passeava-se pela imprensa, mostrando os seus dotes anti-cavaquistas e sistema. Ficou célebre o “british way of life” do homem num programa do Herman José, em que ele vestido de tweed britânico, foi para lá dizer que, “neste sistema político, ser político? Nunca!” Foi mais ou menos assim.
Anos depois, o Portas nunca conseguiu fazer crescer o seu partido, para além da mediania do próprio Monteiro e até do Lucas Pires, se não me falha a memória. A estratégica de queimar a direita não deu resultado. Nunca o CDS/PP foi além do partido do taxi.
Hoje o CAA está a cometer o mesmo erro. Mas com uma agravante. O Portas não odiava ninguém em particular e era mesmo estratégia deliberada de tentar fazer um partido à direita do PSD. Crente o Portas e sua entourage, que havia espaço político para fazer mesmo um partido grande, à direita do centrista PSD. Nada de ódios pessoais.
Ora, se o CAA e os demais liberais pensam que conseguirão subir à custa do PSD, estão redondamente enganados. É porque não conhecem o nosso país nem o mundo em que vivem.
Se pensam que irão mudar o PSD por fora e reboque das críticas, estão redondamente enganados. Nunca conseguirão substituir os militantes do PSD.
O CAA alé de não ter aprendido nada nestes últimos 20 anos, continua a entricheirar-se nos seus juízos pessoais e morais. Julga-se um predestinado, capaz de liderar um partidlo liberal ou uma ala liberal no PSD. Mas se se julga um predestinado, não é odiando os que deseja influenciar que chega lá. O exemplo do Portas está para lavar e durar. E quem assim faz, não percebe nada de estratégia política nem sociologia política.
E temos o caso do BE, mais um bom exemplo que o CAA devia aprender.
O BE tem uma relação de quase ódio com o PCP e vice-versa. O PCP sabe que o BE quer crescer à suas custas. Mas é raro haver críticas públicas de uns e outros. Porquê? Porque tentam conquistar o mesmo target político, que é o seu núcleo duro ideológico.
Da mesma forma o PCP tentou crescer à esquerda do PS mas nunca o foi capaz. Quando surge o BE, eles refinam as suas estratégias políticas e começam a tentar segurar o eleitorado e a tentar captar os desiludidos com o PS. O BE faz o mesmo, mas nunca atacando em si o PS mas usam o silogismo “este PS”, com “este líder”, para que haja espaço entre os eleitores do PS para aderirem ao BE, nem que seja por antipatia pelo rumo do seu próprio partido.
Hoje o BE e o PCP valem mais de 20% dos votos expressos. Em 2005, quase 2/3 dos deputados foram eleitos pela esquerda. resquícios do portismo e da estratégia canibalizadora do Portas. Ainda há quem pense nisso, como ainda há pouco li, quando alguém criticava a escolha da Nogueira Pinto, vendo como um ataque do PSD ao CDS.
O CAA que medite neste conselho pessoal. Deixe-se de passionetas pessoais e faça mesmo política. Política a sério e como deve ser feita: com a razão e não com a razão. Senão será o Portas da actual geração PSD. Quem o avisa, amigo é.
É que há outra coisa. Vc. está a levar consigo, nos seus pruridos pessoais, muitos, que vão pagar por esta sua mania que é mais esperto que os demais. Vc. teve anos demais para mostrar que podia liderar alas ou facções de liberais. Não o conseguiu. Mas agora está a levar consigo muitos outros, que vão pagar pelos seus erros pessoais. Olhe que um dia, até estes liberais o vão crucificar, quando se aperceberem que são motivações pessoais que lhe marcam a agenda política e não um pensamento político estratégico de futuro, de tentativa de influenciar a sociedade, para aderir ao pensamento liberal.
Quem lhe avisa, amigo é.
anti-comuna
GostarGostar
Sempre que alguém fala “em nome dos portugueses” convem preparar-se para fugir ou então enfrentar um banho de excrementos.
GostarGostar
Parabéns, Luís Ramos, um excelente texto. Só não concordo consigo quando sugere que o quadro que traça não prejudicará o PSD em Outubro. Entendo que prejudica: historicamente o lugar do PSD é o de reformador e edesafiador do sistema (é certo que o deixou de ser desde a 2ª metade da liderança de Cavaco Silva, mas essa é a razão do estado do partido desde então). Nas actuais circunstâncias cabe ao PSD desafiar o poder. Para ser igual, o PS ganha (é a minha opinião). O PS é o gestor normal do sistema (podre) que nos domina e tem demomonstrado ser mais capaz disso que o PSD (para grande prejuízo de todos nós).
GostarGostar
Só gostava de precisar isto aqui, que foi um erro, caro CAA:
“Deixe-se de passionetas pessoais e faça mesmo política. Política a sério e como deve ser feita: com a razão e não com a razão.”
E mudar para isto:
“Deixe-se de passionetas pessoais e faça mesmo política. Política a sério e como deve ser feita: com A RAZÃO e não com O CORAÇÃO.”
Peço desculpas e a sua compreensão, caro CAA.
Obrigado.
anti-comuna
GostarGostar
O actual PS tentou um “socialismo de laboratório”, depois do socialismo de cozinha do Salazar.
GostarGostar
Fazer política não passa de uma variante do acto anal da defecação. Por isso deve ser feita não com o coração, nem coma razão, apenas com o instinto.
Qualquer política consequente promove a felicidade das amibas e das bactérias.
GostarGostar
Uma notícia que confirma as minhas impressões, após a histeria liderada pelo CAA:
“84% dos candidatos a deputados são novos no distrito a que concorrem. Mas os nomes fortes que o PSD apresenta são um déjà vu.”
In http://www.ionline.pt/conteudo/17255-madeira-alberto-joao-foi-regiao-onde-ferreira-leite-menos-renovou
Esta é a maior renovação do pessoal político do PSD de sempre. Como eu tive já oportunidade de o diz aqui (estou à espera do convite do Jamais, que nunca mais chega, caramba!) isto é uma autêntica revolução. É algo que nunca foi feito em Portugal por partido político.
E isto é uma jogada de alto risco para o próprio PSD. Mas pouco me importa agora debruçar-me sobre este assunto. Mas ver isto como uma oportunidade de ouro para vermos uma completa mudança no sistema político, se nós, os liberais, soubermos aproveitar.
É que a generalidade desta gente nova pode vir ser aquela que pode ser nossa aliada na mudança do próprio regime. E este novo pessoal político, talvez sem os vícios dos instalados no actual sistema, uma corja sanguessuga.
Nós se os queremos influenciar temos que aproveitar estas renovações políticas. E aproveitar para mostrar que seomos capazes de combater os verdadeiros inimigos do liberalismo, do outro lado do espectro político.
Esta é uma oportunidade de ouro para mostrarmos o que valemos. Que não somos sempre os crocodilos da direita, sempre à espera que sejam os partidos da Direita a adoptar nossos pontos de vista, mas colaborarmos com esta gente nova, para que os influenciamos, colaborando no combate ao albanismo do país.
Os verdadeiros inimigos do Liberalismo em Portugal são os instalados no actual sistema político e económico. Nos sanguessugas, que usam o liberalismo com apenas uma bandeira para se aproveitar desta malta nova, capaz de pensar para além do actual sistema político. É preciso relembrar que o próprio Pinócrates acenou bandeiras liberais para levar os parvos a o apoiar? E que, desde a crise, que atirou para cima dos neoliberais o ónus da sua própria incompetência? E que agora faz gala do intervencionamismo estatal, para se livrar das suas próprias culpas?
Ora, o que fazem alguns? Colaboram nesta fantochada por pura miopia política. Então com as suas acções estão a fortalecer aquele político que nos usa e agora até se dá ao luxo de atirar para cima do neoliberalismo as culpas desta crise? E ainda há calimeros que se deixam usar e estão ao serviço deste crápula? Mas quem anda aqui a servir de puta? Nós, os que colaboramos com este crápula, ou o Pinócrates, que se aproveita da burrice dos que dizem liberais de alta estirpe? Eu tinha vergonha na cara de ser colborador de um tipo que faz ainda de mim bode expiatório da sua própria incompetência. Além de vergonha na cara, ainda por cima não gosto de passar por calimero.
Quem são os calimeros que andam a fortalecer o Pinócrates?
O mais triste é que, se o Pinócrates cair, vai ser todo o mérito dado à Ferreira Leite. Os liberais serão conhecidos como os calimeros de Portugal. Os que levam ponta-pés no traseiro do Pinócrates e ainda andam a fazer o jogo dele.
É tão triste o nosso papel nesta história, que a merda de umas listas, que pouco dizem aos eleitores, é elevado pelos próprios liberais como uma bandeira idiota contra… Aquela que quer derrubar o pior inimigo dos liberais, hoje em dia. Repare-se que, após as críticas do próprio ministro, nunca mais o PS pegou no assunto. Deixando os calimeros fazerem o trabalho sujo dos próprios socretinos.
É tão triste ver os liberais a serem usados pelos adversários do Liberlismo. E depois, estes adversários, ainda se dão ao luxo de acusar o neoliberalismo da crise actual portuguesa.
Eu tenho vergonha de ver liberais a fazerem este trabalho sujo. E só me leva a pensar que a albanização do regime é feita com o esforço dos próprios… Liberais!
Enfim, quem é calimero que meta a carapuça. Mas quando este crápula cair, os méritos seão todos da Ferreira Leite. Depois, irão os calimeros arrastar a asa para a Ferreira Leite? Ou serão esquecidos pelo seu papel de traidores da cusa liberal, pelos gajos do PSD?
Só deus sabe, não é?
Meditem e tenham vergonha na cara. Não brinquem com as vossas passionetas pessoais ao jogo da política. Está mais em jogo que os nossos instintos pessoais e mesquinhos.
Santa paciência. Não há pachorra para esta direitinha. Safa!
anti-comuna
GostarGostar
Eu tenho vergonha de ver liberais a fazerem este trabalho sujo. E só me leva a pensar que a albanização do regime é feita com o esforço dos próprios… Liberais! – anti-comuna
O problema é que antes de serem liberais são “menezistas” ou “passistas” ou outro “ismo” qualquer que é bastante mais forte e determinante quando se trata de comentar a vida política portuguesa. E não é só no Blasfémias, também noutros blogues liberais ou com liberais.
Mas o comentário do anti-comuna e a referência a Portas é excelente. Para meditar.
GostarGostar
Mr. LR,
Muito bem !
GostarGostar
LR
Concordo com o que escreve. Outros elementos de dentro do PSD
http://arnaldomadureira.blogs.sapo.pt/307524.html
http://jamais.blogs.sapo.pt/51636.html
já tinham escrito coisas parecidas. Mas infelizmente acho que o vosso partido nunca vai concordar convosco.
RAF
A sua conhecida deve ser muito boa pessoa, mas é o que diz que o Arnaldo Madureira. É assessora, não é deputada.
Anti-comuna
Acredito que seja esses 84% que alguém calculou. Mas, se levar a renovação mais a sério e não considerar os regressados do passado e se decompuser a renovação nos lugares elegíveis, para que percentagem cairá?
GostarGostar
“Esta é uma oportunidade de ouro para mostrarmos o que valemos. Que não somos sempre os crocodilos da direita, sempre à espera que sejam os partidos da Direita a adoptar nossos pontos de vista, mas colaborarmos com esta gente nova, para que os influenciamos, colaborando no combate ao albanismo do país.”
GostarGostar
Caro TAF,
(#30): Nao chega, mas e importante, ou não, que quem decide sinta segurança na performance pública dos candidatos? Talvez não tenhas essa noção, mas havia deputados que nem falar sabem. Vai ver a lista do PS: há gente em lugar elegível que se engasga a encomendar uma pizza pelo telefone, quanto mais a falar no Plenario. A Luisa tem vindo a colaborar com o PSD, com um trabalho válido que eu conheço de perto. O Psd não pode ser preso por ter cão, e preso por não ter. Aos 36 anos, ela representa alguma renovação.
Caro AF,
#41: Garanto que pelo seu perfil a Luisa será melhor parlamentar que asessora.
RAF
GostarGostar
LR e Anti-Comuna
Gostei imenso das análises que fizeram. Qualquer das duas muito verdadeiras. Só não fiquei a saber uma coisa:
Como é que um partido que se intitula social-democrata, pode ser ao mesmo tempo socialista e liberal?
Como é que uma organização pode conter em si própria uma coisa e o seu contrário?
Se alguém quiser perder 1 ou 2 minutos a explicar eu agradecia.
É uma questão de verdade.
GostarGostar
“Mas, se levar a renovação mais a sério e não considerar os regressados do passado e se decompuser a renovação nos lugares elegíveis, para que percentagem cairá?”
Não faço a minima ideia. Mas sei que esta é a maior revolução num grupo parlamentar na nossa democracia. Isso é algo que deve ser visto com um grande sinal. E não ser criticado.
Se me disser que é preciso mais, estou de acordo consigo. É preciso mudar muita gente nos partidos. Mas não podemos cuspir em algo que é bom, só porque achamos que é tímido.
A prova disso é que os critérios que se quer impôr ao PSD não são os mesmos aos restantes partidos. E as críticas mesquinhas que eu vejo ao PSD não são as mesmas que deviam ser aos demais partidos. Essa é a parte calimero, de muitos, que julgam estar a fazer um serviço à causa liberal e, na prática, estão a fazer o jogo do adversário.
Agora não se pense que isto chega. Não chega. Mas que é um sinal de coragem e ruptura com o passado, é. E esta malta, à calimero, em vez de bater palmas, critica. Mas isto tem algum sentido? Tem alguma ponta por onde se pegue? Qual a coerência deste tipo de críticas? Nenhuma. É o estilo trauliteira da nossa direitinha. Ora bolas. Safa!
anti-comuna
GostarGostar
“Talvez não tenhas essa noção, mas havia deputados que nem falar sabem.”
Hum? Mas há alguém que não tenha essa noção? 😉
O meu ponto é: o processo de escolha dos deputados foi mau. Eu não me resigno a aceitar o mal menor, quero um bom processo e um bom resultado. Não vejo sequer que estejamos no bom caminho, porque quem lidera não compreendeu (pelos vistos) qual deve ser o objectivo.
GostarGostar
Mais uma nota, sobre as idades: já se provou à exaustão que não há qualquer correlação entre idade e renovação.
GostarGostar
#43 – “mas havia deputados que nem falar sabem.”
para não falar da patroa, cada vez que abre a boca é necessário um batalhão de pachecos.
GostarGostar
“Como é que um partido que se intitula social-democrata, pode ser ao mesmo tempo socialista e liberal?
Como é que uma organização pode conter em si própria uma coisa e o seu contrário?
Se alguém quiser perder 1 ou 2 minutos a explicar eu agradecia.”
Uma organização pode ter dentro de si várias tendências. E vários pontos-de-vista. No actual PS existem liberais. Que tentam conciliar social-democracia (a verdadeira nórdica, não a que em Portugal se tem ideia do que é isto social-democracia, que muitas vezes nem à alemã é) com o liberalismo.
O liberalismo não nasceu de uma cópia do capitalismo. O liberalismo é ele próprio revolucionário nas suas contra o absolutismo e até contra a Monarquia, por representar a mudança do chamado Regime Antigo.
Só que, hoje em dia, o liberalismo tem muitas tendências, muitas correntes e até muitas contradições dentro de si. Decorrentes do próprio pensamento que lhe dá lugar nas suas origens. Que é revolucionário e contra as instituições estabelecidas.
Em Portugal é que se associa Liberalismo à defesa do capitalismo. Mas que pouco tem a ver com as suas origens, já que no inicio a burguesia mercantil era ela própria contra o establishment, baseado na propriedade agrária, na Condição e no Sangue e nas instituições monárquicas. E a defesa da propriedade privada era em si mesmo o garante de uma igualdade na cidadania e no acesso ao poder, pela via democrática.
Hoje é possível qualquer partido não-socialista ser Liberal. É o caso dos partidos liberais na escandinávia, que por acaso, são tidos como de esquerda, pela sua própria história. O partido liberla no poder na Dinamarca é chamado de… Venstre. Venstre significa esquerda, para português.
O Liberalismo assenta na defesa da liberdade individual, na defesa da propriedade privada, como extensão da liberdade pessoal e na recusa do colectivismo. Ora, hoje os partidos de esquerda em Portugal estão sempre dispostos a sacrificar a liberdade individual em nome da segurança e defesa da chamada “liberdade colectiva.”
Qualquer partido em Portugal que queira ser Liberal terá que defender o primado do individual ao colectivo; defender a defesa do individuo contra o grupo e contra o Estado e defender o primado da defesa dos direitos individuais do cidadão através da sua posse e propriedade privada.
Agora, não se confunda defesa do individuo contra o grupo com o querer destruir o estado. Pois o Estado é único orgão legítimo que advém do poder do povo para usar a força e corrigir as assimetrias na sociedade; em especial na defesa dos mais fracos e dos menos capazes de viver sob sociedades dinâmicas e assimetricas pela sua própria natureza.
Qualquer partido que renuncie ao marxismo e ao comunismo pode ser liberal. E até colher dentro de si as várias correntes liberais. Seja ele o PS, o CDS ou até o PSD. Partidos comunistas, como o PCP e o BE, estão logo excluídos à partida. Assim como PNRs e quejandos.
Espero que lhe tenha feito compreender a essência do problema ou questão posta por si.
anti-comuna
GostarGostar
“Como é que um partido que se intitula social-democrata, pode ser ao mesmo tempo socialista e liberal?
Como é que uma organização pode conter em si própria uma coisa e o seu contrário?
Se alguém quiser perder 1 ou 2 minutos a explicar eu agradecia.”
Não pode, por isso é que não entendo a obsessão do Blasfémias pelo PSD.
GostarGostar
O capitalismo é o sistema económico do liberalismo.
GostarGostar
“O capitalismo é o sistema económico do liberalismo”
pois, mas isso é onde há capitalismo.
GostarGostar
#38 e #49. Muito bem.
Faltou lembrar que Pinócrates, independentemente de estar à esquerda ou direita de MFL, é o verdadeiro inimigo a abater pelos liberais anti-estatistas e amantes da liberdade, porque é um mentiroso sem carácter, que tudo fará, todo e qualquer truque, até mesmo falir o país, para se manter com os seus camaradas a comer na gamela. Só por isso ele deveria ser corrido.
GostarGostar
Anti-comuna
Obrigada pela sua explicação e pelo seu tempo.
“O Liberalismo assenta na defesa da liberdade individual, na defesa da propriedade privada, como extensão da liberdade pessoal e na recusa do colectivismo.”
Eu não estava a por o problema em termos de esquerda ou direita. Era mais em termos de essência.
Por isso volto a perguntar: como é que um partido que defende o liberalismo se chama social-democrata?
E não tem que ver com o poder do Estado. Consideremos apenas o Estado necessário para assegurar a existência de País.
A social-democracia é uma manifestação branda do marxismo para se integrar em sociedades capitalistas/liberais ( não sendo a mesma coisa coabitam confortavelmente) e aos poucos “levá-las” ao socialismo.
É isto que o PSD quer fazer?
O Liberalismo é um meio para chegar so socialismo ou é um fim em si?
Sou eleitora, não sou filiada em nenhum partido e mais importante do que quem é quem nas listas é saber para onde vão.
Se é para uma sociedade liberal é uma coisa.
Se é para uma sociedade socialista é outra.
GostarGostar
Quando surgiu a defesa da burguesia mercantil no acesso ao poder, pela via da defesa da propriedade privada, inerente ao capitalismo industrial, no século XVII e XVIII, ele próprio era revolucionário. Era para permitir que o individuo nunca tivesse que renunciar às suas liberdades políticas e voltar às serventia e mesmo esclavagismo inerente ao fim da Alta Idade Média.
A defesa da burguesia de então, que acumulou capitais e desejava ascender na sua condição social, contra a Nobreza de então, para poder aceder ao poder, era em si mesmo um pensamento revolucionário. Em que os capitais eram em si mesmo tão ou mais importantes que a detenção de propriedades rurais, característica dos regimes feudais, que perdurou até aos nossos dias.
Claro que, por volta do século XIX, meados, surgem as grandes dissenções entre os chamados liberais. Daí surge o comunismo, que é uma derivação da ideia original de defesa da liberdade dos mais fracos, pela via da colectivação dos meios de produção e dos poderes civis. A revolução do proletariado é em si mesmo uma herança de um dado pensamento liberal. Surge como reacção aos burgueses que se aliaram à Nobreza e nas instituições ainda absolutistas, quando estes, os burgueses, começam a dominar os sistemas políticos, negando aos demais as mesmas condições de acesso ao poder. Sem falar no tipo de sistema semi-esclavagista ou feudal que muitos burgueses transformaram as instituições da época. Não é por acaso que o próprio salzarismo tinha como príncipio que só alguns poderiam ter acesso ao voto e condicionar o poder. E sobretudo, na ideia que as mulheres eram seres inferiores e não deviam ter os mesmos direitos que os homens, sujugadas sob a égide da família. Uma espécie de defesa do grupo em detrimento da liberdade individual. Ainda hoje os conservadores defendem o príncipio da família como célula básica da sociedade e não o individuo. Mostrando por isso que o liberalismo tem muita pedra para partir.
Em Portugal surge, hoje em dia, a confusão entre capitalismo e liberalismo, precisamente porque acham que a defesa da propriedade privada era a defesa do capitalismo. Não. A defesa da propriedade privada é condição sine qua nom, para que o cidadão do Povo tivesse o acesso ao poder através da acumulação de capitais e tornar-se igual em Condição e acesso ao poder da Nobreza.
Mas hoje nasce-se igual em direitos. A defesa da propriedade privada não pode ser confundida com o capitalismo. Muito menos o capitalismo sem regras, sem leis e sem instituições que corrijam abusos dos mais fortes e dos mais ricos. Hoje, esquecem-se muitos, existe uma espécie de neo-feudalismo, por exemplo, que se nota no acesso ao poder. Um tipo milionário como o Ricaro Espirito Santo tem um poder muito maior que o Zé da Esquina. E usa-o para influenciar decisões políticas que o beneficiam. Esse é um tipo de comportamento fidagal, que uma sociedade democrática e liberal terá que corrigir. Não é impedindo o acesso ao poder do milionário. Ou do sindicalista. Mas é impedir que a legislação beneficie uns em detrimentos de outros.
Estes são exemplos que a generalidade das discussões públicas em Portugal não fazem. E os liberais, que deviam ser os primeiros a vigiar este tipo de comportamentos anómalos, são eles próprios defensores deste sistema neo-feudal. Muito semelhante ao próprio fascismo.
Em Portugal, a maioria das discussões entre os liberais, são discussões etéreas, que nada dizem ao comum dos cidadãos. São discussões sobre o sexo dos anjos. Não sobre a realidade do dia-a-dia das pessoas. É por isso que ninguém lhes liga patavina. São demasiado utópicas, que até na maioria das vezes são discussões com uma elevada dissonância cognitiva. Basta ver as discussões sobre o acesso à Justiça ou até sobre os chamados Tribunais Arbitrais, esquecendo-se as assimetrias existentes na sociedade, que impede os mais pobres e fracos de competir em igualdade de circunstâncias com as élites.
Mas eu tenho fé que isto irá mudar. Oxalá.
anti-comuna
GostarGostar
LR,
Eu podia, aqui, tentar rebater o erro em que estás – na minha opinião, é claro.
Mas aquilo que o RAF escreveu ao tentar corrigir-te tornou esse esforço ocioso:
«Conheço bem a Luisa Roseira, há quase vinte anos, e posso dizer-te que é uma boa candidata, que despertou o interesse de MFL na sessão do Fórum Portugal de Verdade em Viseu, após uma excelente apresentação num painel bastante exigente. É injusto que a apresentes como “sobrinha da Maria de Belém Roseira”. É rasca dizeres que ela é uma “girl bem aparentada”.»
I rest my case…
A questão não é a admiração renovada ou cíclica – é a capacidade em estarmos embrenhados na porcaria e, depois, admirarmo-nos muito por ainda existir gente que diz que a coisa está a cheirar mal.
A diferença entre a tua e a minha atitude é que tu já nem sequer sentes o fedor – crês que o mesmo é natural.
GostarGostar
“Por isso volto a perguntar: como é que um partido que defende o liberalismo se chama social-democrata?”
Eu dou-lhe um caso concreto para entender.
Quando os sociais-democratas defendem os subsídios à educação dos mais pobres é para que estes tenham acesso às mesmas oportunidades dos ricos (ou das élites, que para o caso até nem interessa muito discutir o que são élites) e possam usufruir das mesmas condições de acesso à cidadania que os filhos dos ricos ous das élites. Isto é liberal. É revolucionário na sua essência, para permitir a ascensão social dos pobres e poderem vencer mais tarde pelo mérito.
Aqui a social-democracia está a defender a Liberdade individual de todos. Claro que os socialistas pensam logo que cabe ao estado dar essa educação. E que até cabe definir o que deve ser aprendido pelos petizes. O que é anti-liberal. Os socialistas pensam logo na colectivização de uma simples ideia liberal. Que é garantir mais liberdade futura ao individuo, que poderá competir com as élites e mostrar o seu mérito.
É claro que muitos liberais não percebem isto. Que é a desigualdade na competição derivada da condição de nascimento ou crescimento do petiz, que fica logo com um handicap que mais tarde lhe pode impedir conquistar, com o sue próprio mérito, o seu lugar junto das élites.
E repare-se o quanto isto é liberal. Isto permite que os direitos do individuo, quando maior, sejam tão ou mais defendidos, que através da colectivização ou estatização do índividuo.
E é tão revolucionário que, em termos práticos, nem a própria esquerda radical o defende. Repare-se que a generalidade dos filhos dos deputados ou élites da esquerda radical estudam em colégios privados, porque eles sabem que só assim poderão garantir uma oportunidade asimétrica dos seus filhos. Os demais? Que estudem nas escolas degradas do Estado. lolololol
Está a ver como a social-democracia pode ser compatível com o liberalismo?
“O Liberalismo é um meio para chegar so socialismo ou é um fim em si?”
Não. Nunca pode ser para chegar ao socialismo, pois este nega a liberdade individual. O socialismo é em si mesmo anti-liberal na sua essência.
O Liberalismo é mais uma filosofia de vida que um sistema metódico de organização social. Pelo contrário. O Liberalismo é mais díficil de conseguir porque ele próprio tem que conviver com o caos, com a insegurança e com as assimetrias normais numa sociedade. Por isso o Liberalismo defende a igualdade, mas sobretudo no acesso ao poder, na igualdade de direitos e de competição.
O Liberalismo é revolucionário na sua essência. Foi-o sempre e sempre será. Mas é revoluionário porque nega-se a seguir dogmas e nega-se a dogmatizar e cristalizar as suas ideias, até porque o conhecimento humano, assim como as sociedades, estão sempre a evoluir. Nada está garantido, nada está explicado. O que hoje é verdade, mesmo em termos científicos, amanhã descobre-se que é mentira e surgem factos novos que revolucionam as próprias teorias científicas.
anti-comuna
GostarGostar
Anti-comuna
Pelo que percebi o Liberalismo é a capacidade organizada de abrir, sempre que necessário, uma brecha no sistema, em função do direito à igualdade. É uma filosofia, uma maneira de estar na vida, que por definição perde bastante ao organizar-se porque uma “revolução” precisa de ânimo e emoção.
Então eu sou Liberal.
E reformulo a pergunta:
Todos os partidos apresentam e representam o seu “sistema”. Podem-se considerar as tendências internas opiniões de pormenor, porque no essencial todos estão de acordo.
Neste caso o PSD será um partido que representa o “sistema” e a sua negação, certo?
Caminha para o socialismo mas a determinadas alturas entrará em ruptura com ele, certo?
Por isso a ala liberal do PSD existe para entrar em colisão com o PSD, certo?
Agradeço imenso os seus comentários e não querendo parecer ingrata e lamentando a resposta… eu já percebi.
GostarGostar
Anti-comuna
Só mais uma coisa;
“O Liberalismo é um meio para chegar so socialismo ou é um fim em si?”
“Não. Nunca pode ser para chegar ao socialismo, pois este nega a liberdade individual. O socialismo é em si mesmo anti-liberal na sua essência.”
Então voltamos ao início. O que faz uma ala liberal num partido socialista?
GostarGostar
“Neste caso o PSD será um partido que representa o “sistema” e a sua negação, certo?”
Não. O PSD não é um partido liberal. O PSD representa o sistema. Não quer dizer que não tenha muitos liberais. Ou uma corrente liberal. Ou melhor, no passado teve uma. Que é oriunda da chamada Ala Liberal, que dentro do próprio regime salazarista tentava o revolucionar por dentro.
O PSD foi formado por esta ala liberal. Mas nunca foi liberal. Inicialmente até defendia a social-democracia nórdica em conjugação com o liberalismo. Era aí que o Sá Carneiro se inspirava.
“Então voltamos ao início. O que faz uma ala liberal num partido socialista?”
Pode tentar mudar o socialismo. Se forem mesmo liberais abandonarão o partido porque descobrem que o socialismo nunca lançará as sementes da sua própria destruição.
É por isso que o PS tem dentro de si as contradições internas, em que muitos liberais só o são em algumas ideias (derivadas até das ideias da maçonaria, mas para aqui pouco interessa) mas já não o são em termos económicos, por exemplo.
O PSD não é um partido socialista. E por não o ser é que a generalidade dos liberais acha que ele tem que ser liberal. Não neecssáriamente. O PSD no ínicio inspirava-se muito no liberalismo nórdico. A social-democracia nórdica é aquela que fez a verdadeira ruptura com o marxismo e o socialismo, aquando da revolução bolchevique. O Sá Carneiro achava-se liberal e social-democrata. Basta ler o que ele escreveu à época.
A Ferreira Leite é um bocado parecida com esse aspecto com o Sá Carneiro embora o único que ainda lhe segue mesmo as peugadas é o Santana Lopes.
Repare-se que a Ferreira Leite já prometeu acabar com o chip nos carros porque considera um atentado à liberdade individual do cidadão. É a única líder política que tomou uma posição pública liberal sobre o caso. Os nossos liberais de pacotilha nem esse mérito lhe dão. São míopes politicamente.
anti-comuna
GostarGostar
Anti-comuna
Pelo que tenho lido a social democracia é o socialismo light. Mas sempre socialismo. Pode-me dizer que é um socialismo já não marxista, mas o nórdico tem um Estado forte e uma grande carga de impostos sobre os cidadãos. A diferença deles para os mediterrânicos é que eles são por natureza competentes e responsáveis. Por isso as pessoas “gostam” de pagar impostos porque o estado retribui na mesmam medida, assegurando serviços com imensa qualidade.
Essa situação de se considerar social-democrata e liberal não será antes capitalismo? Não quererá dizer que se acredita no capitalismo com forte vertente social para que no futuro possam haver consumidores para alimentar a sociedade capitalista?
Sendo assim, não seria mais leal, em vez de se intitular social-democrata e liberal chamar-se Partido Capitalista Social?
É que era menos confuso para as pessoas.
PS. Infelizmente não acredito que essa medida de MFL acabar com os chips dos carros tenha que ver com a sua postura liberal. Desculpe desiludi-lo.
GostarGostar
“Pelo que tenho lido a social democracia é o socialismo light.”
Pode ser. É mais ou menos isso, só com uma diferença. Estatismo não é o mesmo que socialismo. O Bush era estatista e não era socialista. Todos os governos ditos de direita americano são todos estatistas. Até o Reagan foi. Assim como a Tatcher, embora menos.
“A diferença deles para os mediterrânicos é que eles são por natureza competentes e responsáveis. Por isso as pessoas “gostam” de pagar impostos porque o estado retribui na mesmam medida, assegurando serviços com imensa qualidade.”
Existe uma certa confusão entre estado grande e forte presença estatal na sociedade. A Dinamarca deve ser o país mais liberal da Europa. Nem sequer existe salário mínimo. Nem subsídio de desemprego característico até dos países ditos de direita liberal. Mas tem um estado enorme.
Só que esse peso nota-se menos que em Portugal ou até mesmo em Espanha. É um estado garantidor e menos prestador de serviços. Existe a liberdade de escolha e o Estado até paga para quem quiser escolher educação privada, por exemplo. No entanto, fruto do tipo de sociedade histórica nórdica, como não existe uma solidariedade intergeracional como nos países mediterrânicos, tem que ser o estado a prover a cobertura social e garantir que existe solidariedade. Os nórdicos são extremamente egoístas, hipócritas, racistas e invejosos. Por isso um estado daquela dimensão. Se quiser posso desenvolver mais o porquê. Mas fica com uma ideia.
O problema é que se confunde estatismo com socialismo. Porque o estatismo existe em muitas mentalidades, inclusivé liberais. Aliás, muitos liberais até gostam da força muscular do Estado, para impôr os pontos de vista que eles defendem. Poucos liberais em Portugal se importaram com a violação às liberdades perpetadas em nome do combate ao terrorismo. A homeland security é das maiores violações às liberdades em tempo de paz, desde sempre. Poucos liberais em Portugal se importaram com isso. Acham que o P. Republicano americano é liberal.
“Essa situação de se considerar social-democrata e liberal não será antes capitalismo? Não quererá dizer que se acredita no capitalismo com forte vertente social para que no futuro possam haver consumidores para alimentar a sociedade capitalista?”
Os liberais como os sociais-democratas reconhecem o capitalismo como único motor para elevar a produtividade e os nível de vida das populações. Mas existem vários tipos de capitalismo. Até do Estado existe. Como existe o capitalismo industrial, o financeiro, etc. Mas essa ideia que existe o liberalismo ou a social-democracia para alimentar o capitalismo está errada. O capitalismo é é acumulação de capitais. Seja ele do estado, dos privados ou das corporações. Mas o capitalismo é inerente às sociedades humanas e até outros seres vivos, como até as formigas. Uma coisa não tem nada a ver com outra. É como eu dizer que existe a respiração humana para garantir a emissão de CO2. Então, se se acredita que é um gás poluidor, proiba-se a respiração humana, não?
“Infelizmente não acredito que essa medida de MFL acabar com os chips dos carros tenha que ver com a sua postura liberal. Desculpe desiludi-lo.”
Então tem a ver com o quê? Vc. só tem que atentar aos factos. Ela prometeu acabar com o chip e explicou o porquê. Para mim é um facto. E se ela acabar com ele é uma medida liberal. Se as razões não são aquelas que ela disse, quais são então? Isso é que tem de me explicar. eheheheheheh
anti-comuna
GostarGostar
“A Ferreira Leite é um bocado parecida com esse aspecto com o Sá Carneiro embora o único que ainda lhe segue mesmo as peugadas é o Santana Lopes.”
parecida? só se for no penteado. áh… pois, o santana tem muito jeito para o teatro.
“Repare-se que a Ferreira Leite já prometeu acabar com o chip nos carros porque considera um atentado à liberdade individual do cidadão.”
a próxima promessa será acabar com o número de contribuinte individual.
GostarGostar
# 60 Isabel
# 61 Anti-comuna
O vosso debate não deixa de ser interessante, mas creio que houve um erro semiótico grave nos conceitos utilizados no discurso político de todo o séc. XX e que Vcs. reflectem: foi o de identificar Socialismo com Justiça. Se o Socialismo é Justiça, claro que sou socialista (ou social-democrata = socialismo sem violência, por persuação), mas se não for não serei socialista. O liberalismo, em sentido lato, é a condição indispensável desta discussão.
GostarGostar
Rectifico uma gralha do meu texto anterior: persuasão.
GostarGostar
Algumas ideias, que a discussão está interessante, para variar:
para não falar da patroa, cada vez que abre a boca é necessário um batalhão de pachecos. – anónimo
Essa é uma confusão habitual entre forma e conteúdo.
Sócrates comunica bem (isto é, não tropeça nas palavras) mas nada tem a dizer aos portugueses, antes de mais porque tem uma compreensão muito limitada da realidade económica. Por isso mesmo, não se lhe ouve um argumento que não vá além de proposições falsas que ouve aqui e acolá na opinião pública e de que constituem exemplos a justificação com a “melhoria da imagem de Portugal no estrangeiro” e com “a superação da periferia geográfica portuguesa” mega-investimentos como o Euro 2004, TGV e demais obras públicas ou o exemplo de um putativo avanço tecnológico do país com uma política de doação de computadores através de processos ilegais a crianças da primária.
Ferreira Leite, comunica mal, mas tem bastante a dizer. Desde logo, quando explica – numa entrevista à Sic-Notícias – que o endividamento resultante das grandes obras públicas planeadas pelo PS vai reduzir e muito o crédito a empresas e particulares ou quando exemplifica com a perda de postos de trabalho e diminuição do consumo o aumento da carga fiscal por via da redução das deduções a pessoas com salários superiores a 5000 Euros brutos, defendido pelo PS.
A diferença está no seguinte: no caso de Ferreira Leite, pode-se discordar, mas o seu discurso é algo que pode ser avaliado e discutido, constituindo um avanço na discussão pública das matérias em causa.
No caso do Sócrates, os soundbytes em causa não constituem argumentos que promovam a discussão, antes falácias que alcançam o mesmo efeito daquilo a que em retórica se chama “conversation-stoppers” (em tradução livre, “bloqueadores da discussão”). Exemplificando, a conversa sobre a importância da imagem do país
esconde a realidade de esta não poder ser controlada e dirigida à distância por um governo, o que se percebe com o recente episódio dos “corninhos de Pinho”, noticiados em dezenas de jornais e televisões estrangeiras ou ainda com as estatísticas que nos envergonham (pobreza, habilitações escolares, desemprego); os computadores magalhães, distribuídos pelas criancinhas escondem a realidade de o “meio” (a disponibilização de computadores) não ser confundível com “o resultado” (um maior conhecimento de ciências por parte das crianças), o qual depende, antes de mais, de os míudos aprenderem aquilo que a escola pública ainda não garante: que as crianças saiam da primária a saber escrever, ler e contar.
Em suma, Ferreira Leite é penalizada, antes de mais, porque a opinião pública e publicada, antes de mais, pela sua própria iliteracia em diversos domínios, ser incapaz de discutir argumentos; Sócrates é premiado, porque, por via dessas incapacidades, consegue fazer valer falácias que, numa opinião pública e publicada mais sofisticada, seriam facilmente desmontáveis.
GostarGostar
Anti-comuna
Então a propósito da Dinarmaca, o Estado é forte porque regulamenta e arbitra fortemente o mercado.Tem a função de um gestor numa empresa. Quando diz que paga um cheque-educação significa que permite que a iniciativa privada exista e não se substitui a ela, que é a tendência do socialismo marxista.
Quando me refiro a capitalismo estou a pensar num sistema que permite a alguém a possibilidade de investir capital e dele receber a mais-valia sobre o trabalho de pessoas. Para isso alguém tem que ter mais dinheiro que aquele que trabalha para lhe dar lucro, porque senão não havia trabalhadores. O que trabalha não tem escolha, o que provoca um desiquilíbrio no acesso à igualdade. Aqui onde é que ficam os Liberais?
Concordo que o capitalismo é natural no homem. Será uma sofisticação e apuramento da “marcação do território”, mas no caso da social-semocracia liberal, em que é que ficamos?
É Estado gestor?
É Estado com alguns sectores importantes da economia?
Permite o lucro retirado do trabalho dos outros?
É capitalismo regulado?
Permite a especulação de capital sem impostos?
É Liberal porque em si mesmo ainda tem a hipótese de por em causa todos estes pressupostos?
Para mim isto é muito nebuloso.
Sinceramente o partido aqui do lado assume-se como defensor do capitalismo, da iguldade de oportunidades, Estado apenas gestor e árbitro da concorrência, iniciativa privada com a possibilidade de obter lucros sobre o capital com a mais-valia do trabalho, (sendo que parte dos lucros devem ser distribuídos pelos trabalhadores) e apoio social com o intuito de quebrar o ciclo de pobreza e não como modo de vida.
Assenta nos valores do Cristianismo e tem a Família como base da sociedade.
A questão é esta: no Partido Popular tudo é líquido. Sabemos ao que vamos e com o que contamos.
O PSD ainda não percebi realmente o que é.
GostarGostar
Enquanto Ps e “passistas” discutem as listas do PSD, conhecem-se os contornos de mais uma negociata deste governo. Com os resultados habituais:
http://5dias.net/2009/08/09/23513/
Quanto a isto ninguém se escandaliza. O que causa escândalo é o tachinho não ir para este ou para aquele.
GostarGostar
Carlos III
Para mim socialismo não é igual a justiça social.
Tomando o exemplo de Portugal a “revolução” socialista do PREC teve o mérito de acordar um País de um regime feudal em que havia os senhores e os lacaios. Os senhores instituidos por tradição ou por nascimento tiveram em pouco tempo de aceitar estar numa fila de uma repartição pública atrás de um lacaio, ou sentado no mesmo banco. Isto terá sido a acção do “liberalismo” do 25 de Abril. Foi importante.
Depois o socialismo não pegou, primeiro porque é caríssimo e é só para países ricos, e porque é básicamente injusto.
Dada a igualdade de oportunidades, que já vai existindo, eu não posso considerar justo que quem não trabalhe ou trabalhe pouco e mal, tenha o mesmo nível de vida que quem trabalhe.
GostarGostar
Antes de prorrogar a concessão do terminal de Alcântara, a Administração do Porto de Lisboa solicitou dois pareceres jurídicos. Ao ministério das Obras Públicas e a um escritório de advogados. O primeiro era desfavorável ao prolongamento da concessão sem concurso público, o segundo defendia que o ajuste directo à Mota Engil é “a solução mais adequada ao interesse público que se encontra ao dispor da APL”. Mesmo estabelecendo, nas palavras do Tribunal de Contas, “um mau negócio para o Estado e um mau exemplo de gestão financeira do sector público”, foi este último que prevaleceu.
O que não se sabia, e é elucidativo sobre a forma como o Estado e demais institutos públicos recorrem a conselhos técnicos “independentes”, é que o escritório em causa, Vieira de Almeida, tem a Mota Engil entre os seus principais clientes, fazendo mesmo parte do consórcio criado por esta construtora civil para concorrer à privatização da Ana e à construção do novo aeroporto. Está visto. Dia a dia, o negócio de Alcântara melhora.
http://www.arrastao.org/sem-categoria/entregar-a-raposa-o-estudo-para-o-melhor-galinheiro/
GostarGostar
“Ferreira Leite, comunica mal, mas tem bastante a dizer.”
nota-se, oposição está a cargo do pcp, cavaco & friends, programa nicles de bitocles. quanto menos disser mais hipóteses tem, para não falar dos maneleiros que se limitam à pandeireta e refrão.
GostarGostar
“Então a propósito da Dinarmaca, o Estado é forte porque regulamenta e arbitra fortemente o mercado.Tem a função de um gestor numa empresa.”
O Estado é forte mas não no sentido que se pode entender. Isto é, é forte mas não abusa de uma posição dominante. É forte mas não se intromete tanto na vida de cada um como em Portugal, por exemplo. É forte e regulador, mas delimitado. Com um profundo respeito pela individuo.
Agora, eu não concordo com a ideia que o socialismo aspira à justiça social. Até porque não sei bem o que é isso. Justiça é sempre Justiça. Social não entendo. É algo que me ultrapassa. Eu não estou muito preocupado com os ricos. Preocupa-me é se eles abusam de posições dominantes. De resto, o que eu penso é que o combate é contra a pobreza, não contra a riqueza. Aliás, a expressão justiça social, que eu saiba, só encontra eco em Portugal. Deve ser uma peculuriedade portuguesa. Nos demais países procuram combater as desigualdades, mas não lhe chamam justiça social.
“É Estado gestor?
É Estado com alguns sectores importantes da economia?
Permite o lucro retirado do trabalho dos outros?
É capitalismo regulado?
Permite a especulação de capital sem impostos?
É Liberal porque em si mesmo ainda tem a hipótese de por em causa todos estes pressupostos?
Para mim isto é muito nebuloso.”
Eu não entendo qual a sua dúvida. O Estado existe para ajudar a sociedade, não a substituir. O Estado pode promover determinados bens públicos ou colectivos, mas é mais regulador que interventor.
Eu acho que Vc. é que pode estar a confundir. Num jogo da bola, é suposto o árbitro (ou árbitros, se quiser) não ser jogador no mesmo desafio. Essa é a tese liberal na sua essência. Regula, promove o tal bem comum, tentanto reduzir as assimetrias entre os intervenientes do jogo. É mais ou menos isto que é o objectivo. Mesmo na Suécia, nunca a familia mais rica foi perseguida por serem muito ricos. São é taxados de outra forma. Mas isso é outra conversa.
O que a Isabel tem que compreender é que mesmo no Liberalismo existem bastantes correntes. Há liberais que invocam a maior pressão do Estado porque acham que os mercados, por exemplo, são instáveis por natureza, e necessitam de um papel do Estado forte, quando necessário.
Outros liberais reconhecem que o Estado tem um papel em limitar a volatilidade económica e por isso deve ter uma rede social muito forte. Isto é, não é uma questão de apenas tentar corrigir assimetrias, mas sobretudo evitar quedas abruptas nos rendimentos, que vão para além da chamada destruição criadora, em termos schumpeterianos.
Isto é, não existem respostas taxativas às nossas dúvidas. Mesmo quando pensamos que o monetarismo explica quase tudo em termos de níveis de preços, ele por si só nunca foi testado a sério. E parte dos seus pressupostos estão errados.
Por muito que o desejemos, não existe uma verdadeira teoria económica que nos permita compreender os fenómenos económicos. Vai daí que em termos liberais, existem muitas variantes. Mas os objectivos são os mesmos: aumentar a liberdade individual de cada um.
anti-comuna
GostarGostar
“Os senhores instituidos por tradição ou por nascimento tiveram em pouco tempo de aceitar estar numa fila de uma repartição pública atrás de um lacaio, ou sentado no mesmo banco.”
ainda andam por aí a reclamar tudo e mais alguma coisa, de paleio são tão bons ou melhor que os comunas, na prática são herdeiros de tudo o que é colectivo, têm lugar cativo na administração da democracia, nomeados ou eleitos, por cunha ou por quota dinástica.
GostarGostar
Anti-comuna
Por isso votar ou dar uma maioria a um partido liberal é um risco. Nunca o que é à partida poderá ser à chegada.
Talvez por isso seja o partido instável que é, que puxa o tapete aos própios e os expõe na praça pública. O grosso das listas pode ter sido renovado, mas não há nenhum cabeça de cartaz que não tenha tentado arrancar a cabeça a outros ou não tenha sido vítima disso mesmo.
Pelo que percebi o Liberalismo é uma coisa muito séria e exige uma gestão muito responsável, porque não é um “programa” que se siga “by the book”.
Sinceramente não acho que o PSD esteja a altura desse papel. E se conseguir um governo minotário, cumprindo a sua vocação liberal, não chegará ao Natal.
E nós também não.
GostarGostar
Considero justiça social a possibilidade de as pessoas poderem quebrar o seu ciclo de pobreza, com ou sem ajuda do Estado. Sem esta “justiça social”, nada faz sentido.
Neste momento, em Portugal, isso já vai acontecendo. Não tem que ver com o tirar aos ricos.Tem que ver com prestar atenção aos pobres para ver o que é que cada um precisa para se tornar autónomo.
GostarGostar
“Considero justiça social a possibilidade de as pessoas poderem quebrar o seu ciclo de pobreza, com ou sem ajuda do Estado. Sem esta “justiça social”, nada faz sentido.”
Eu chamo-lhe, quase e apenas só, Liberalismo.
O Liberalismo pretende aumentar a liberdade individual. Foi assim nos primeiros combates pela liberdade, contra o chamado Antigo Regime (leia-se, em o regime do fim da Alta Idade Média) como o é hoje. Ajudar os filhos dos pobres a ascender socialmente e dar-lhe as mesmas oportunidades que aos filhos das élites é revolucionário e profundamente Liberal.
Vc. chama-lhe justiça social mas é, na minha opinião, errado. A Justiça serve para promover a Liberdade através dos meios coercivos do Estado. Mas esgota-se aí. Em termos simplistas, a Justiça serve para combater o crime e dirimir tensões sociais. A Justiça Social implica usar a força do Estado para promover socialmente individuos e grupos. O que me parece contraditório em termos Liberais. Em último caso, perseguir os ricos para dar aos pobres é tido como justiça social e é anti-liberal. Os ricos devem ser protegidos, não perseguidos.
anti-comuna
GostarGostar
Isabel (#66)
“A questão é esta: no Partido Popular tudo é líquido. Sabemos ao que vamos e com o que contamos.”
Não se importa de clarificar esta afirmação?
É que o líder do PP ganhou a presidência do partido num congresso (Braga) onde se afirmou defensor da familia e dos valores familiares. No entanto, não é casado. Ora, para um homem que não tem (presumo) dificuldades financeiras e que se diz defensor da familia tal é, no mínimo, estranho.
Ou talvez não seja. Resta saber qual é a concepção de familia que o líder do PP defende.
VFS
GostarGostar
Também não entendo porque gaita é que um líder (ou administrador) de alguma coisa tem de admitir nos seus apoiantes alguém que já deu provas que o não apoia.
Quanto aos arguidos, isso é uma história muito complicada. Estou à espera que o La Féria faça um musical deles (e dos outros).
GostarGostar
Artigo muito lúcido. De facto, o cerne da questão está na “concentração excessiva de poderes nos órgãos executivos e uma completa menorização dos órgãos a quem caberia o (seu) escrutínio e controlo”. Como pode um sistema democrático funcionar quando os executivos dominam quem os órgãos deliberativos que os deviam acompanhar e fiscalizar?
GostarGostar
“Também não entendo porque gaita é que um líder (ou administrador) de alguma coisa tem de admitir nos seus apoiantes alguém que já deu provas que o não apoia.”
Eu explico: porque um partido não é uma empresa, mas sim uma organização de uma democracia que tenta representar os interesses de um conjunto de pessoas com convicções razoavelmente próximas. Um partido não é uma propriedade do líder.
GostarGostar
Anti-comuna
A social-democracia propõe a justiça social coerciva, incompatível com o liberalismo.
Se são acima de tudo um partido liberal, pelas razões que já explicou, porque é que continuam a chamar-lhe Partido Social Democrata.
Ele se é liberal não pode ser social-democrata.
Só mais uma coisa; se o objectivo último é aumentar a liberdade individual de cada um, então o partido é oficialmente a favor da legalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo, certo?
GostarGostar
VFS
Você lembra-me o Louçã a dizer que Paulo Portas não tinha autoridade para falar sobre o aborto porque nunca tinha sido pai.
O D. Duarte Pio só se casou depois dos 50 anos e sempre foi um defensor da Família.
GostarGostar
“Porque o estatismo existe em muitas mentalidades, inclusivé liberais.”
Se são estatistas, então eu diria que não são liberais. Toda esta discussão entre a Isabel e o anti-comuna é interessante e instrutiva, mas um bocado estéril, porque as definições que estão a usar não são estanques e imutáveis. Só vendo caso a caso cada política concreta.
Em termos terra-a-terra, eu diria que o princípio básico do Liberalismo é que a pessoa (individual ou colectiva) deve ser deixada em paz a menos que haja razões de justiça básica e de igualdade de oportunidades que justifiquem a interferência directa ou indirecta do Estado. Depois a distinção entre social-democracia, socialismo, etc., ou ainda direita e esquerda, traduz-se na defesa de quão directa deve ser a intervenção do Estado, ou seja, se deve agir directamente ou se deve regular/incentivar a actuação da iniciativa privada / sociedade civil. Mas isso, mas uma vez, só visto caso a caso. Eu se calhar sou de esquerda numas coisas e de direita noutras. Por exemplo, tendo a ser mais de esquerda na Saúde (intervenção forte qb. do Estado) e de direita nos serviços financeiros.
GostarGostar
“Só mais uma coisa; se o objectivo último é aumentar a liberdade individual de cada um, então o partido é oficialmente a favor da legalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo, certo?”
Há um pressuposto errado em ambos os exemplos: o de que só um indivíduo está em causa (no caso do aborto, esquecendo que além da mãe há o pai e o filho em gestação) ou dois (no caso do casamento, pois isso implicaria que se tornassem iguais absolutamente todos dos direitos e deveres independentemente do sexo – e do número, já agora – dos elementos do “casal” perante terceiros e o Estado). Ou seja, em nenhum dos dois casos se trata exclusivamente de uma questão de liberdade individual.
GostarGostar
Perguntas (a quem me quiser responder):
– O fundamental de toda a discussão do Liberalismo não deveria ser o papel do professor e da escola na formação da individualidade de cada ser humano? No papel central que tem na construção do ideal?
– Como se justifica que muitos ditos liberais portugueses foram os mais acérrimos defensores de JSócrates contra a classe docente quando são justamente os professores o garante de espíritos críticos, reflexivos, dos valores e da liberdade individual?
GostarGostar
“O fundamental de toda a discussão do Liberalismo não deveria ser o papel do professor e da escola na formação da individualidade de cada ser humano? No papel central que tem na construção do ideal?”
O papel central deve ser da família, não do professor. E não acho que isso tenha muito a ver com liberalismo, embora uma educação errada possa de facto condicionar a liberdade futura. Mas reduzir o fundamental do liberalismo ao papel do professor parece-me errado.
“Como se justifica que muitos ditos liberais portugueses foram os mais acérrimos defensores de JSócrates contra a classe docente quando são justamente os professores o garante de espíritos críticos, reflexivos, dos valores e da liberdade individual?”
Acho que está a misturar alhos com bugalhos. Sócrates é uma desgraça, mas muitos professores também.
GostarGostar
Parece-me que o termo «concertação social», ou acordos entre trabalhadores via organizações sindicais e patronato, são uma das marcas da Social Democracia dos países mais evoluídos do Mundo (norte da Europa) e dos partidos liberais nórdicos. O bem estar económico e social de todos. Serviços públicos de grande qualidade. Estado de qualidade. Respeito pela liberdade individual.
Investimento central na Educação.
As posições que segui, neste blogue, de muitos blasfemos, em muitas situações concretas ao longo do tempo, não me parecem nada … liberais.
GostarGostar
“Sócrates é uma desgraça, mas muitos professores também.” – 85
Recicle-se!
Não é Liberal.
GostarGostar
#87: “Não é Liberal.”
Quer pf. justificar/explicar a afirmação?
GostarGostar
Os grandes intermediadores sociais, na sociedade actual portuguesa tal como esta se apresenta (ou em geral), no cumprimento da Liberdade Individual de cada indivíduo ou grupo decorre da intervenção dos professores.
A não defesa do seu papel decisivo é ou não um tiro nos pés dum Liberal?
…
GostarGostar
# 88
A resposta de comentário 89, chega-lhe?
GostarGostar
“A não defesa do seu papel decisivo”
1) Eu não escrevi que os professores eram dispensáveis. São importantes mas não os considero “centrais” na eucação como tinham sido acima classificados. Esse papel “central” é da família.
2) Essa importância não depende de se ser ou não liberal.
3) Está a partir do princípio que as medidas que o Min. Edu. tomou são contra os professores. Como eu não estudei o caso em pormenor e nunca me fio apenas em opiniões de terceiros, não tenho opinião formada. Limito-me a constatar que há quem ache precisamente o contrário, que se trataria apenas de uma reacção corporativa dos professores que prejudica a qualidade dos resultados educativos.
GostarGostar
# 91
1) “Esse papel “central” é da família”. Explique-me, que papel têm a esmagadora maioria das famílias portuguesas na Educação dos filhos? (vamos ser terra a terra) Pense um pouco no que disse. Não é o que gostaria que fosse. Estamos a falar da realidade quatidiana. Com quem passam os jovens a maior parte do tempo de vida? Etc. Etc.
2)”Essa importância não depende de se ser ou não liberal.” mas ser liberal não é um princípio de vida? Como se pugna pela Liberdade Individual de todos? (só a nossa não chega, não é verdade?)
3)”… uma reacção corporativa dos professores que prejudica a qualidade dos resultados educativos”. Respondo-lhe: espero que se vá a tempo de evitar a total desgraça do país. Os professores infelizmente são uma anti-corporação. Se fossem uma corporação ou lobbi NUNCA Sócrates tinha tentado (sequer) tocar-lhes. Lógico.
GostarGostar
#92:
1) Pelo menos concorda, então, que o papel central deve ser da família, certo? Vai-me dizer que “na realidade quotidiana” são os professores os substitutos? Será assim em alguns casos, mas daí a terem normalmente o papel central… Além da família há os amigos/colegas, etc., etc.
2) Se o interesse na boa qualidade do trabalho educativo é de todos, não é isso que distingue um liberal de um não-liberal.
3) Quando tentam tocar nos privilégios (reais ou inventados) de um conjunto específico de pessoas, essas pessoas reagem nem que seja pela negativa. A isso chama-se “reacção corporativa”. Houve uma reacção visível e generalizada dos professores. Logo, houve uma reacção corporativa.
GostarGostar
# 93
1) A família e a escola são as “estruturas sociais” de formação da cria humana, certo? Deveriam ambas actuar e ter “domínios próprios”. Infelizmente, sobretudo este (des)governo, quis entregar à escola e aos professores toda a responsabilidade pela formação das crianças e jovens e para cúmulo retirando-lhes a mínima autoridade para o fazer. Piada de muito mau gosto.
3) “Houve uma reacção visível e generalizada dos professores. Logo, houve uma reacção corporativa.” No 25 de Abril de 74 tb houve uma reacção corporativa do povo português – pôr fim a uma ditadura de quarenta e tal anos!
GostarGostar
# 93
Não se esqueça que em Portugal, nos ciclos de forte declinio moral/económico/social/cultural, o professorado sempre foi politicamente perseguido. Justamente ao contrário dos países desenvolvidos do norte da Europa, liberais. Esses povos ODEIAM ditadores e ditaduras e o professorado é das classes mais prestigiada aos olhos da população.´
Por “acaso”?
Não. Esses povos prezam a Liberdade Individual!
Boa noite.
Obgado pelo bate papo.
GostarGostar
Remato.
Ah. Os professores noruegueses, dinamarqueses, suecos, alemães ou finlandeses não são melhores nem piores professores do que os portugueses. E há professores de todos os géneros e feitios. Nem têm melhor nem pior formação.
A diferença está no povo.
“Sócrates é uma desgraça, mas muitos professores também.”
Nunca um cidadão de um país “liberal” diria uma frase destas, pois que “ser uma desgraça” seria imputado aos responsáveis políticos por “isso”, caso “isso” fosse verdade!
Obviamente.
GostarGostar
#80, etc.
Isabel disse
10 Agosto, 2009 às 1:02 am
#75, etc.
anti-comuna disse
9 Agosto, 2009 às 11:04 pm .
.
Segui com muita atenção a sua discussão com o anti-comuna. Pena que a tenham parado e só espero que esteja apenas suspensa e continue dentro de breve tempo.
Para complicar, vou dizer-lhe que sou anti-liberal e que me considero mais liberal e verdadeiro que os liberais e neoliberais.
Porquê? Porque queremos a maior liberdadem com a máxima responsabilidade. Porque a sociedade tem que ser livre mas contida dentro dos limites que o mundo evoluido já aceitou e interiorizou como próprios: a declaração dos direitos do homem, por exemplo.
Se o homem for totalmente livre, ou vive numa Sociedade Perfeita
ou precisa de quem o controle, seja qual for o comportamento mais adequado à situação. Vejamos: se comete um crime tem que ser castigado; se ofende a liberdade de outrém tem que ser corrigido; se tem um comportamento associal impõe-se a sua correcção.
Nada disto impede a liberdade; apenas corrige os desvarios e melhora a convivência social.
Há muito, muito para dizer, mas agora vou deitar-me.
Nuno
GostarGostar
#80
E o casamento entre mais do que 2 pessoas também.
Anti comuna
O “liberalismo sem intervenção do governo” produz desigualdades desproporcionadas desagradáveis. Por isso as pessoas preferem o “liberalismo com intervenção do governo”. Este sistema é que é o melhor do mundo.
#85
Muitos professores e muitos de tudo o resto naturalmente. Já La Palice dizia.
#91 #92
Corporação só há uma
Dos médicos e mais nenhuma
Talvez os presidentes de câmara…
#93
1º QUAIS SÃO/ERAM OS PRIVILÉGIOS DOS PROFESSORES?
2º Cada vez que olho para os vencimentos deles, para os “gabinetes” deles, para os gangues de alunos que eles têm de aturar mais de 3 vezes 90 minutos por dia, pergunto como é que conseguem e porque é que se sujeitam a essas condições. Nenhum médico, economista, engenheiro ou arquitecto toleraria nem 10% daquela
merdadegradação.GostarGostar
A renovação, como já escrevi, não tem significado para mim. Mas, como há quem lhe dê valor, aqui vai a renovação do PSD. Obviamente só conta a carne que são os lugares elegíveis. Os ossos são para os cães. Ou para enterrar. Em 99 há 55 regressados de um passado muito próximo ou pouco próximo. Ficam 44. 2 são filhos de algo. Ficam 42. 20 são mulheres por causa das quotas de género. Vejam como em regra são as nº 3, 6, 9, 12, etc. Nem disfarçaram. Ficam 22. Em 99. E vamos se vão ser eleitos…
AVEIRO
1. Fernando Couto dos Santos R
2. Ulisses Pereira
3. Maria Paula da Graça Cardoso M
4. Amadeu Soares Albergaria
5. Paulo Cavaleiro
6. Carla Maria de Pinho Rodrigues M
7. Luís Filipe Montenegro R
8. José Manuel Ribeiro R
BRAGA
1. João de Deus Pinheiro R
2. Miguel Macedo R
3.Maria Francisca Fernandes Almeida M
4. Fernando Nuno Fernandes Ribeiro
5. Emídio Guerreiro R
6. Maria Teresa Machado Fernandes M
7. Pedro Rodrigues
8. Carlos Jorge Pereira R
9. Zita Gabriela Gomes M
BRAGANÇA
1. José Ferreira Gomes
2. Adão Silva R
CASTELO BRANCO
1. Carlos Costa Neves R
COIMBRA
1. Paulo Mota Pinto
2. Pedro Saraiva
3. Maria do Rosário Águas R
4. Nuno Encarnação F
5. Miguel Almeida R
ÉVORA
1. Luís Capoulas R
FARO
1. Jorge Bacelar Gouveia
2. José Mendes Bota R
3. Antonieta Guerreiro M
4. Elidérico Viegas
GUARDA
1. António Carlos Peixoto
2. João Prata
LEIRIA
1. Teresa Morais R
2. Fernando Marques R
3. Paulo Baptista Santos R
4. Maria da Conceição Bretts Jardim Pereira M
5. Pedro Pimpão dos Santos
6. José António Leitão da Silva
7. Paula Cristina Pinto Alves M
LISBOA
1. Manuela Ferreira Leite R
2. Luís Marques Guedes R
3. José Matos Correia R
4. Maria José Nogueira Pinto R
5. Pedro Lynce R
6. Arménio Santos R
7. Clara Carneiro R
8. António Preto R
9. José Matos Rosa R
10. Helena Lopes da Costa R
11. Duarte Pacheco R
12. António Leitão Amaro
13. Celeste Maria Amaro M
14. Francisco José Martins R
15. Joaquim Biancard Cruz
16. Zita Seabra R
PORTO
1. José Pedro Aguiar Branco R
2. Miguel Frasquilho R
3. Raquel Coelho M
4. Agostinho Branquinho R
5. Jorge Costa R
6. Luísa Roseira M
7. Sérgio Vieira R
8. Luís Filipe Valenzuela Menezes F
9. Margarida Almeida M
10. Adriano Rafael
11. Pedro Duarte R
12. Carla Barros M
13. Luís Vales
14. Miguel Santos R
SANTARÉM
1. José Pacheco Pereira R
2. Vasco Cunha R
3. Carina Oliveira M
4. António Campos
SETÚBAL
1. Fernando Negrão R
2. Luís Filipe Rodrigues R
3. Maria das Mercês Borges M
4. Bruno Vitorino R
VIANA DO CASTELO
1. José Eduardo Martins R
2. Luís Álvaro Campos Ferreira R
3. Ivone Rocha M
VILA REAL
1. António Montalvão Machado R
2. António Monteiro Cabeleira
3. Isabel Maria Sequeira M
VISEU
1. José Luís Arnaut R
2. António Almeida Henriques R
3. Teresa Santos M
4. João Carlos Figueiredo
5. Joaquim Seixas
AÇORES
EFECTIVOS
1. João Bosco Mota Amaral R
2. Joaquim Ponte R
3. Lídia Bulcão M
MADEIRA
1. Alberto João Jardim R
2. Guilherme Silva R
3. Vânia de Castro Jesus M
4. Filipe Correia de Jesus R
5. Hugo Velosa R
EUROPA
1. Carlos Gonçalves R
FORA DA EUROPA
1. José Cesário R
2. Carlos Páscoa Gonçalves R
GostarGostar
Amaro é apelido de políticos. Parlamento Europeu 10º Marina Leitão Amaro, Assembleia da República – Lisboa 12º António Leitão Amaro 13º Celeste Maria Amaro. Filhos de presidente de câmara também são uma estirpe especialmente vocacionada para a política. E como há falta de gente os candidatos 11º 12º e 14º ao Parlamento Europeu são agora candidatos à AR 6º Leiria 3º Setúbal e 2º Faro.
GostarGostar
Caro Anti-Comuna,
Obrigado por mais uma excelente série de posts, aliás nunca discussão muito boa com a Isabel (a quem igualmente agradeço a qualidade dos posts).
Ainda em relação à ideia do liberalismo, acho que é importante salientar que o liberalismo em Portugal (e, aliás, no Sul da Europa) nunca poderá ou deverá ser do tipo nórdico.
Sem querer cair demasiado num estilo “Pedro Arroja” – que apesar de estar certo em muitas das coisas tem uma tendência excessiva para se deixar levar por preconceitos pessoais – existe uma diferença fundamental entre o Norte e o Sul da Europa, que, aliás, o Anti-Comuna aflorou.
O Norte da Europa é individualista por excelência, acreditando no valor do indíviduo para a progressão da Sociedade. A remuneração do trabalho é (sempre) justa porque representa, de certa forma, uma avaliação “não formal” por parte da Sociedade sobre a contribuição do indíviduo, mas como para tal ser verdade, os indíviduos devem partir de uma mesma base, acaba por competir à Sociedade garantir um acesso equitativo às oportunidades. Ou seja, o ideal nórdico é uma meritocracia pura e individual, sendo o Estado necessário para garantir um “level playing field”. O reverso desta “medalha” é o extremo egoísmo que permeia a sociedade, em que se Vc. cair para o lado ninguém se digna a prestar-lhe auxílio (isto vindo de um Sr. alemão que conheci em tempos e que dizia que NÃO queria volta pra Frankfurt). Em termos “religiosos” – e num tom “Pedro Arroja” – Vc. tem acesso directo a Deus, logo não precisa directamente dos outros.
Já no Sul da Europa a identidade é familiar e comunitária. A sua família (de sangue ou a de amigos) está primeiro que os outros e a sua comunidade primeiro que as outras. Logo, o importante não é receber o justo reconhecimento da Sociedade pelo seu trabalho, é antes que a sua família seja o MODELO da sociedade. Ou seja, que seja a própria definição de mérito e daí a necessidade que existe de reconhecimento social. Como o que importa é, de certa forma, impôr a sua família ou comunidade sobre os outros, as Lei (por exemplo) é diferente caso seja da família ou amigo ou se for estranho. Ou, se quiser, a Lei é igual para todos MENOS para os membros do seu círculo intímo. Esta preceito, quando estendido à Sociedade em geral, resulta obviamente, na proliferação da cunha e do nepotismo, mas por outro lado garante que existe um mínimo de solidariedade inter-societal. De uma forma ou de outra, Vc. tem SEMPRE algum mínimo de ligação a um estranho (é da sua cidade, do seu país ou é humano como Vc.), pelo que sente a necessidade de lhe prestar auxílio pois é dos seus. Voltando ao Sr. alemão, quando ele se sentiu mal num supermercado no Norte do País, vieram logo pessoas oferecer ajuda, chamar uma ambulância e levar-lo a casa… e não o conheciam de lado nenhum.
Mas voltando à ideia do liberalismo, parecendo que não o Sul da Europa é liberal, mas NÃO em termos individuais. Existe um liberalismo comunitário, em que a comunidade (e a família) dispensam a intromissão do Estado. Um dos reflexos mais interessantes disso mesmo é a ideia, enraizada, do Português de ter a SUA casa, o SEU carro, a SUA horta e por aí fora. A ideia de “arrendar” foi sempre algo que caiu mal às pessoas, que querem ter o que é seu e de preferência sobre a forma de algo físico, que possa passar aos filhos (daí a preferência por terras e não tanto por dinheiro, que é imaterial).
GostarGostar
Caro CAA,
“I rest my case…
A questão não é a admiração renovada ou cíclica – é a capacidade em estarmos embrenhados na porcaria e, depois, admirarmo-nos muito por ainda existir gente que diz que a coisa está a cheirar mal.
A diferença entre a tua e a minha atitude é que tu já nem sequer sentes o fedor – crês que o mesmo é natural.”
Parece-me que a tua sensibilidade olfactiva só agora se apurou. Só que não consegues discernir de onde vem o fedor. Não é tanto das pessoas como pensas.
GostarGostar
Descobri agora que Fernando Nuno Fernandes Ribeiro, o candidato nº 4 de Braga, chama-se Fernando Nuno Fernandes Ribeiro DOS REIS. Ora DOS REIS lembra-me Barcelos. Não sei porquê. Talvez porque o presidente da Câmara seja o Fernando RIBEIRO DOS REIS? Querem ver que é outro filho de algo?
Não sei até que ponto vai a renovação. Por exemplo, a entrada de António Cabeleira Monteiro e Raquel Coelho, vereadores em Chaves e em Paredes, para a Assembleia da República é mais uma contribuição para a renovação da classe política?
GostarGostar
Isabel (#81)
Não sabia que o tele-evangelista tinha dito isso do Paulo Portas e, mesmo não gostando do Louça, não deixa de ter razão.
Aguardarei, então, que o Paulinho se case lá para os 50 anos.
Até lá, a resposta fica em aberto.
Obrigado
VFS
GostarGostar
Caro Tiago,
“Um partido não é uma propriedade do líder.”
Pois não, mas também não é uma associação de amigos.
É uma entidade que corporiza um projecto de governo, pelo qual o líder é responsável pela sua execução, e para o qual é ajudado pelas pessoas que o apoiam e estão habilitadas para o cumprir.
O “vinde a mim as criancinhas”só funciona nos filmes e nas escolinhas.
GostarGostar
VFS
O Louçã já se arrependeu desse argumento “acalorado”.
Por essa ordem de ideias só os homossexuais é que poderão ter opinião sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, certo?
GostarGostar
CD (#105): digamos então que é um problema de biodiversidade. 😉
Não ter sempre a mesma opinião do líder, e afirmá-lo claramente, não é a mesma coisa que sabotar o projecto. Quando o líder não percebe isto significa que não é um bom líder.
GostarGostar
Caro TAF (107),
Concordo plenamente. Agora, não foi isso que se passou com o PPC… que activamente e a toda e qualquer oportunidade sabotou o projecto. Logo, foi “corrido” e bem corrido.
GostarGostar
Isabel (#106)
Não sei se o Paulo Portas é homossexual. Se o for estará no seu direito. E, até um determinado limite, ninguém tem nada com isso.
Agora, no caso de realmente ser essa a sua opção, é evidente que a mesma não será compativel com a definição de familia que ambos (a Isabel e eu), creio, partilhamos. Nem o PP!
O meu ponto é o seguinte:
Há que assumir o que somos. Ou então, não haverá coerência e as nossas posições em determinados assuntos, serão sempre demagógicas.
Quanto à sua diversão, tenho amigos homossexuais e naturalmente já discuti com eles o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Para mim, esse assunto é pacifico.
Já quanto à problemática da adopção, por parte de homossexuais, sou radicalmente contra essa possibilidade.
GostarGostar
VFS
Eu não sei se PP é homossexual nem tenho nada a ver com isso. A minha pergunta não tem que ver com o PP. É uma questão lógica:
Se só quem tem filhos tem autoridade para opinar e decidir sobre o aborto
logo, só quem é homossexual tem autoridade para opinar e decidir sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Eu considero isto falso.
Por isso as premissas não são verdadeiras.
Em relação à assunção de modos de vida, a “direita” de inspiração Cristã, separa assuntos públicos de privados.
A sexualidade para a direita é do foro privado, seja ela o que for.
Era importante saber qual é a posição oficial do PSD, partido que é liberal e social democrata. Se vai prevalecer a opinião dos dirigentes ou a que advém da ala que promove a liberdade individual de cada um. Se for a segunda, então teremos casamento. Mas é importante saber antes.
GostarGostar
“Era importante saber qual é a posição oficial do PSD, partido que é liberal e social democrata. Se vai prevalecer a opinião dos dirigentes ou a que advém da ala que promove a liberdade individual de cada um. Se for a segunda, então teremos casamento. Mas é importante saber antes.”
ai era!!?? muito me conta…
GostarGostar
Isabel,
Numa perspectiva liberal, o casamento lato sensu (homo ou hetero) é um assunto do foro estritamente privado. Logo, o Estado não tem de regular absolutamente nada quanto ao casamento entre homossexuais e deveria revogar toda a legislação relativa ao casamento hetero.
GostarGostar
Caro LR,
O problema é que essa “perspectiva liberal”, baseado no indíviduo, é um disparate nos países mediterrâneos. O melhor garante de independência face ao Estado no nosso país é, efectivamente, a família como instituição reconhecida (necessitando, para tal, do casamento).
A concepção egocêntrica do individualismo puro – a la Ayn Rand -, que tem origem ou reflexo na ideia de que o indíviduo se pode salvar a si mesmo (na versão Luterana) ou que a salvação não depende de si (na predestinação Calvinista) e que se encontra cristalizada na ideia da Sola Fide é completamente estranha a um país como o nosso, culturalmente Católico, e que, portanto, tem subjacente a ideia que de que são necessárias obras, ou seja, que é necessário olhar para além do próprio e “tomar conta” do outro.
Já sei que me vai dizer que o casamento civil é uma novidade recente, que pertence ao foro da religião e etcetera. Mas essa posição puramente historicista faz por ignorar que, como o Estado não era laico, reconhecida competência à religião para efectuar o reconhecimento do matrimónio como tal. Logo, o casamento religioso tinha força de Lei.
GostarGostar
LR e CD: o país tem assuntos mais urgentes e importantes para tratar do que a legislação sobre o casamento… Cada coisa no seu tempo.
GostarGostar
Tiago:
Legislação sobre o casamento?
Ultrapassa-me.
“Não ter sempre a mesma opinião do líder, e afirmá-lo claramente”
Como sound-byte? Por favor, já cá andamos à mais tempo do que isso?
Cultivar a pose?
Nem todos tem o nível de Oscar Wilde, e a pose do fama-show é demasiádamente pindérica.
Capacidade técnica não é a mesma coisa de imagem de marca (infelizmente).
Mas também capacidade técnica (Júdice) não é a mesma coisa de confiança num projecto do partido.
Enfim, mas que sou eu? Snif 😦
GostarGostar
Carlos Duarte,
“O problema é que essa “perspectiva liberal”, baseado no indíviduo, é um disparate nos países mediterrâneos. O melhor garante de independência face ao Estado no nosso país é, efectivamente, a família como instituição reconhecida (necessitando, para tal, do casamento).”
A família existia antes da consagração religiosa ou legal do casamento. As grandes instituições (e a família é de facto uma delas) não precisam de nenhum enquadramento legal para subsistirem. E não percebo como é que o reconhecimento legal da família lhe garante independência face ao Estado.
“(…) e que, portanto, tem subjacente a ideia que de que são necessárias obras, ou seja, que é necessário olhar para além do próprio e “tomar conta” do outro.”
E nada mais eficaz do que a instituição família para praticar a solidariedade. E essa prática existirá sempre, com ou sem consagração legal.
GostarGostar
Claro que desde o principio, se verificou que MFL, tinha ganho com
60%|
Logo os uivos do ca~es não passavam disso!
GostarGostar
Caro LR,
Sempre existiu um reconhecimento de jure ou de facto da família como núcleo societal. E isso implica a existência de “algo” que defina essa existência. Originalmente, suponho que fosse a existência de um filho, mas isso evoluíu para a ideia do casal (e de coabitação) mesmo sem existência de prole.
O reconhecimento por parte da autoridade (Estado) de uma família prende-se com a atribuição da posse de bens imóveis (como terras) ou de bens móveis (nos dias que correm, contas bancárias, nos tempos passados, direitos na quotas de cereias) a essa mesma família. A ideia de que um terreno, por exemplo, pertence a uma pessoa é algo relativamente recente. O tradicional é o terreno pertencer à família que, aí sim, tinha um elemento “principal” (pater familias) que seria responsável directo pela disposição do bem. Em Portugal chegamos a ter, durante muitos anos, a figura do “Morgadio” que representa na perfeição a concepção de bem familiar.
Assim, e a título de exemplo, os rendimentos deveriam ser obrigatoriamente calculados tendo por base o rendimento familiar, MAS dividido pelo número de constituintes da referida família (ou seja, um casal com 2 filhos menores ou dependentes deveria ser tributado por base no rendimento dos pais a dividir por 4 – ou, admito, por 3, sendo que cada filho contaria 0.5).
Outro exemplo, no caso de um menor cometer uma ofensa cívil ou criminal (e ser inimputável pela idade), a responsabilidade deveria ser assacada aos pais. Na mesma forma, os pais (que exerceriam o poder parental em igualdade de circunstâncias) seriam inteiramente responsáveis pela educação dos filhos, e NÃO o Estado (que apenas garantiria o ACESSO à educação por via de um cheque-ensino ou similar).
Mas, para qualquer um dos casos acima mencionados, precisa de haver um reconhecimento “legal” do que constitui uma família e daí a necessidade do Estado “reconhecer” a instituição “família”.
GostarGostar
A estrutura e funcionamento dos sistemas familiares sofreu alterações profundas. As tipologias são várias e variadas – desde a família biológica (pais e filhos); família alargada (pais, filhos, avós e outros); família monoparental (pai/mãe e filho/s) ou família reconstituída ou confluente (2º/3º casamentos onde pelo menos um dos conjuges tem filhos de uma relação anterior).
O funcionamento intrafamiliar sofreu alterações drásticas – basta pensar que homem e mulher têm carreiras profissionais e o tempo com os filhos, para a quase totalidade, é um momento para “não ter chatices”, o que implica inevitavelmente que a posição de pai/educador e mãe/educadora, no sentido que lhe era atribuído, deixou de ser exercido.
…
GostarGostar
“o que implica inevitavelmente que a posição de pai/educador e mãe/educadora, no sentido que lhe era atribuído, deixou de ser exercido”
Que disparate! Então já não há nenhuma “família normal”?
GostarGostar
A corrupção
Mas que ideia peregrina, Cravinho!
O teu Partido contra a corrupção?
Não sabes, lorpa, que esse caminho
O levava à pura extinção?
Deram-te nega, incauto menino!
Que leva um gajo a ser figurão?
De Ministro a Director um passo fino
Para a que tudo possa deitar mão.
Há séculos que no aparelho andas,
Para ti não seria coisa ignota:
Estás farto de saber as bolandas
Para ter acesso a um quota,
Andar a pedinchar umas viandas,
Pedir recados ao Lopes da Mota
P´ra cometer coisas certo nefandas.
(E é p´ra isto c´o cidadão vota),
GostarGostar
Sobre as diferenças Norte/Sul, a nível europeu, parece-me que estamos a ser um pouco mais papistas que o papa. Troque-se “Norte Europeu” por “interior de qualquer país”, e “Sul Europeu” por “qualquer grande cidade”, e não encontraremos grande diferença.
Ou seja: a interajuda, a consideração pelo próximo, e o grau de unidade familiar, variam consideravelmente dentro do mesmo país, da cidade para o campo. E quanto maior a cidade, maiores as discrepâncias. Isto também é visível, por exemplo, nos EUA.
Qualquer pessoa com amigos suecos, dinamarqueses, alemães, holandeses, etc., repara que a grande diferença está na sua RELAÇÃO com o Estado: ao contrário de nós, respeitam-no à partida. Parece-lhes natural, e têm motivos para isso. Nós, tendemos a desconfiar logo à partida. De tudo. E também temos motivos para isso. É um típico caso de ovo-ou-galinha.
Quanto ao Liberalismo, como defendido pelo “anti-comuna”, parece-me na prática um light todo-o-terreno: é socialismo light, é social-democracia light, é capitalismo light, é estatismo light… é certo que é no meio que está a virtude, mas COMO dosear tanto light: quais as medidas concretas?
GostarGostar
José Duarte
Era aí que eu queria chegar. É isso que me assusta. Ele, democraticamente aceitando todas as diferenças de opinião, contém tudo e o seu contrário.
Terá capacidade para governar nesta altura particular? Eu penso que não. Mas Deus queira que eu me engane.
PS Esta estória do deputado Preto é um péssimo começo.
GostarGostar
Caro Anonimo (119),
Não discordo que a ideia de família sofreu alterações, mas isso é irrelevante para o que defendi. Mesmo em casos de divórcio e famílias reconstituídas, um dos pais tem “prioridade” em termos de guarda parental (normalmente a mãe), pelo que os direitos e deveres aplicar-se-iam a esta e à nova família (i.e. a criança em termos legais pertenceria à nova família de quem detém a primazia da guarda parental).
Quanto aos dois trabalharem, não é desculpa. Se não têm tempo, arranjem. Se isso implica uma diminuição da qualidade de vida, não tivessem filhos. Se não têm recursos, existem programas assistênciais (se são suficientes, é outra história). Se mesmo assim não têm capacidade, devem entregar os filhos a quem as tenhas (não estou a dizer adopção, mas ressuscitar o conceito de tutor ou guardião legal).
Caro José Duarte,
Não é totalmente verdade. Existe uma divisão campo/cidade, sem dúvida, mas o campo no Norte da Europa é muito diferente do nosso. As perspectivas são distintas, eles são mais individualistas e menos “familiares”. Tanto nós como eles vemos no Estado um reflexo de nós mesmos como Sociedade. Ora, eles vêm no Estado uma entidade que trabalha no sentido de satisfazer o seu cliente e, através disso, satisfazer-se a si mesmo (i.e. se servir bem, receberá uma melhor recompensa). Já nós vemos no Estado uma entidade que se pretende servir de nós para nos ser superior (i.e. tenta vender-nos o conto do vigário para ter melhor vida que a nossa).
GostarGostar
L R
Presumo portanto que a ala liberal do PSD tem uma posição neutra, (no sentido em que não se aplica), em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, certo? Logo vai acatar a posição da direcção.
GostarGostar
Carlos Duarte,
“O reconhecimento por parte da autoridade (Estado) de uma família prende-se com a atribuição da posse de bens imóveis (como terras) ou de bens móveis (nos dias que correm, contas bancárias, nos tempos passados, direitos na quotas de cereias) a essa mesma família. A ideia de que um terreno, por exemplo, pertence a uma pessoa é algo relativamente recente. O tradicional é o terreno pertencer à família que, aí sim, tinha um elemento “principal” (pater familias) que seria responsável directo pela disposição do bem. Em Portugal chegamos a ter, durante muitos anos, a figura do “Morgadio” que representa na perfeição a concepção de bem familiar.”
Esse seu exemplo não releva. A comprovação da propriedade de bens é feito a nível registral para qualquer cidadão. Se a propriedade é individual ou conjunta, é algo que compete às partes definir e registar em consonância. O mesmo é válido para valores móveis. Eu posso ter no Banco uma conta conjunta consigo e ter lá registados dinheiro e títulos. Haver ou não laços de parentesco não conta para o efeito.
“Assim, e a título de exemplo, os rendimentos deveriam ser obrigatoriamente calculados tendo por base o rendimento familiar, MAS dividido pelo número de constituintes da referida família (ou seja, um casal com 2 filhos menores ou dependentes deveria ser tributado por base no rendimento dos pais a dividir por 4 – ou, admito, por 3, sendo que cada filho contaria 0.5).”
Julgo que se refere a questões fiscais, o que também não releva. A atribuição de benefícios a quem tem filhos, configura uma situação de clara injustiça fiscal. Ter ou não ter filhos são opções de vida, qualquer delas muito respeitável. Mas não faz sentido que quem opta por não os ter financie quem os tem através de maior tributação. Outra situação igualmente injusta se coloca ao nível das heranças, sucessões e doações, onde o Estado se mete de novo onde não deve, não só para extorquir mais sobre bens que já foram tributados, como também a definir como deve a herança ser repartida. Património que eu tenha acumulado ao longo da vida, devo ter pleno direito de o testamentar a meu bel prazer, legando-o a cônjuge, descendentes ou a quem eu muito bem entender. Ressalvo apenas a situação de descendentes incapazes, em que o usufruto ou o rendimento dos bens lhes deveriam ser obrigatoriamente atribuídos, ficando o eventual remanescente para outros herdeiros mas apenas após a morte daqueles.
“Outro exemplo, no caso de um menor cometer uma ofensa cívil ou criminal (e ser inimputável pela idade), a responsabilidade deveria ser assacada aos pais. Na mesma forma, os pais (que exerceriam o poder parental em igualdade de circunstâncias) seriam inteiramente responsáveis pela educação dos filhos, e NÃO o Estado (que apenas garantiria o ACESSO à educação por via de um cheque-ensino ou similar).”
Também isso não justifica a intromissão do Estado na família. Basta regulamentar a responsabilidade civil relativamente a menores dos pais biológicos ou adoptivos, informação que é igualmente sujeita a registo.
GostarGostar
“Tanto nós como eles vemos no Estado um reflexo de nós mesmos como Sociedade. Ora, eles vêm no Estado uma entidade que trabalha no sentido de satisfazer o seu cliente e, através disso, satisfazer-se a si mesmo (i.e. se servir bem, receberá uma melhor recompensa). Já nós vemos no Estado uma entidade que se pretende servir de nós para nos ser superior (i.e. tenta vender-nos o conto do vigário para ter melhor vida que a nossa).”
É exactamente isto que se passa connosco. O nosso D. Sebastião vai ser aquele que conseguir fazer o Estado servir o cidadão, de maneira a que este se orgulhe do Estado que tem. Se isto algum dia acontecer, foi porque foi feita uma revolução de costumes e mentalidades para melhor, claro.
Talvez o segredo do nosso progresso seja promover a excelência de serviço do Estado e não o emprego no Estado. Poder-se-ia começar por aí.
GostarGostar
tricAnti-XuXas # 111
Não percebi o seu comentário. Se quiser explicar…
GostarGostar
Isabel,
“Presumo portanto que a ala liberal do PSD tem uma posição neutra, (no sentido em que não se aplica), em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, certo? Logo vai acatar a posição da direcção.”
Como acima disse, numa perspectiva liberal o casamento ou as uniões entre pessoas, independentemente do sexo, são questões do foro íntimo e de que o Estado e, por conseguinte, também os partidos, se devem abster. Não sei qual a posição da actual direcção do PSD, mas a minha postura, neste tema ou em qualquer outro, nunca foi acatar ou não as “directrizes” de qualquer direcção. Será simplesmente de concordância ou discordância.
GostarGostar
A Lei Queca
O Paulo aqui e o Dr. Shue aqui já sublinharam as particularidades da lei nº 60/2009, a qual, entre outros, estabelece o “regime de aplicação da educação sexual em meio escolar”.
Depois do Bino expelir as ventosidades do costume, fui dar uma vista de olhos ao escândalo de que todos falam.
Gostei muito da lei. E tenho a certeza de que muitos portugueses também vão gostar. Por duas ordens de razões, sem qualquer hierarquia:
1 – Pelas oportunidades de negócio que a lei lhes há-de proporcionar. Pelo menos a alguns.
2 -Porque incentivando e obrigando-os a prosseguir e concretizar, activamente, a “aplicação da educação sexual” na escola, junto das crianças e jovens, preenche uma importante lacuna de deseducação que existia em Portugal, pelo menos, desde a formação da nacionalidade. Desde tempos imemoriais, os pais portugueses, todos eles, sentem que faltou qualquer coisa na sua educação. Que nem os seus pais nem a escola, desde que há escola, conseguiram proporcionar-lhes uma verdadeira educação sexual. Essa falha foi agora reparada. A partir de agora, não faltarão professores nem alunos…
Passemos então à fundamentação:
Comecemos pelo nº 3 do Artigo 9
3 — O Ministério da Educação e os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas podem ainda estabelecer protocolos de parceria com organizações não governamentais, devidamente reconhecidas e especializadas na área, para desenvolvimento de projectos específicos, em moldes a regulamentar pelo Governo.
Estes protocolos permitirão a entrada – como faca em manteiga quente – destes parceiros, e também destes outros e, porque são mais que as mães, ainda destes nas escolas, difundindo e ensinando a normalidade das diversas orientações sexuais, do casamento homossexual, da adopção por homossexuais e outras coisas e gostos, hum… deixa ver, normais. Estes protocolos são bons para os negócios e para o desenvolvimento da sociedade portuguesa.
E agora o Artigo 11.º
“Participação da comunidade escolar
1 — Os encarregados de educação, os estudantes e as respectivas estruturas representativas devem ter um papel activo na prossecução e concretização das finalidades da presente lei”.
Se devem, quer dizer que são obrigados. Portanto, mesmo os cidadãos – miúdos e graúdos – que não quisessem prosseguir nem, muito menos, concretizar… deixa ver, “a aplicação da educação sexual em meio escolar” passam a dever fazê-lo. Isto é muito importante. E obrigatório. Perguntem a qualquer juiz amigo. Ou juíza, se for o caso.
http://www.educacaosa.blogspot.com/2009/08/lei-queca.html
GostarGostar
#130
é por isso que os meus filhos estão num colégio.
GostarGostar
Tarde e a más horas, só gostava de reparar nisto:
“Quanto ao Liberalismo, como defendido pelo “anti-comuna”, parece-me na prática um light todo-o-terreno: é socialismo light, é social-democracia light, é capitalismo light, é estatismo light… é certo que é no meio que está a virtude, mas COMO dosear tanto light: quais as medidas concretas?#
O anti-comuna não defendeu nenhum tipo de liberalismo, seja light, hard ou assim. Apenas mostrei como é possível conciliar social-democracia com liberlismo, questionado pela Isabel. (Que peço perdão por ter abandonado o debate e, por falta de tempo, não ter vindo continuar o debate.)
E depois acho que existe na cabeça de cada um o tipo de liberalismo que melhor julga servir a sociedade em que está inserido ou deseja modificar. Essa ideia de aplicar “chapa 7” a todas as sociedades dá asneiradas, que depois se pagam mais caras. Ver o caso do liberalismo económico aplicado pelo Pinochet. Que em vez de um exemplo a seguir foi apenas má propaganda ao próprio liberalismo.
Claro que depois tem a sensatez de dizer: “quais as medidas concretas?” De resto, parece-me que não percebeu nada do que foi debatido com a Isabel.
Se quiser já uma medida concreta, aplicada ao caso português, eu dou-lhe já uma: acabar com os subsídios fiscais ao endividamento e aplicar isenções fiscais ao investimento e poupança.
Ora aqui tem uma medida concreta aplicada a Portugal. Será isto Liberalismo ligth, pesado ou assim-asim? ahahhahha
anti-comuna
GostarGostar
Caro LR,
“Esse seu exemplo não releva. A comprovação da propriedade de bens é feito a nível registral para qualquer cidadão. Se a propriedade é individual ou conjunta, é algo que compete às partes definir e registar em consonância. O mesmo é válido para valores móveis. Eu posso ter no Banco uma conta conjunta consigo e ter lá registados dinheiro e títulos. Haver ou não laços de parentesco não conta para o efeito.”
Fiz apenas uma resenha histórica da titularidade de bens. Como se calhar sabe, uma grande parte da propriedade rural em Portugal não se encontra registada no nome dos actuais usufrutuários (para não dizer “proprietários”, pela conotação legal), mas em nomes dos avós ou bisavós. As partilhas eram feitas dentro da família e ninguém reconhecia a utilidade ou necessidade de tornar o acto público. Essa correcção era apenas feita quando se pretendia vender a terceiros (e, muitas das vezes, fazia-se o reconhecimento no acto da escritura).
Em termos culturais, a ideia de propriedade (especialmente imóvel) individual (ao contrário do usufruto, esse sim individual) é algo estranha à nossa tradição e cultura. O tipicamente português, especialmente nos minifúndios do Norte e Centro, é propriedade familiar (alienada por venda ou dote) ou a propriedade comunitária.
“Julgo que se refere a questões fiscais, o que também não releva. A atribuição de benefícios a quem tem filhos, configura uma situação de clara injustiça fiscal. Ter ou não ter filhos são opções de vida, qualquer delas muito respeitável. Mas não faz sentido que quem opta por não os ter financie quem os tem através de maior tributação.”
Outra situação igualmente injusta se coloca ao nível das heranças, sucessões e doações, onde o Estado se mete de novo onde não deve, não só para extorquir mais sobre bens que já foram tributados, como também a definir como deve a herança ser repartida. Património que eu tenha acumulado ao longo da vida, devo ter pleno direito de o testamentar a meu bel prazer, legando-o a cônjuge, descendentes ou a quem eu muito bem entender. Ressalvo apenas a situação de descendentes incapazes, em que o usufruto ou o rendimento dos bens lhes deveriam ser obrigatoriamente atribuídos, ficando o eventual remanescente para outros herdeiros mas apenas após a morte daqueles.”
Claro que é injusto para quem não tem filhos, mas a intenção é, efectivamente, priveligiar a organização social sob a forma de famílias. A opção de não ter filhos é eminentemente respeitável, mas menos “interessante” à Sociedade (ou ao País). O que se passa agora é que a lei é injusta para quem TEM filhos que, confrontados com menor rendimento disponível quando comparados com contribuintes sem dependentes, têm de pagar impostos idênticos. Ou seja, a Lei actual priveligia quem NÃO tem filhos.
“Outra situação igualmente injusta se coloca ao nível das heranças, sucessões e doações, onde o Estado se mete de novo onde não deve, não só para extorquir mais sobre bens que já foram tributados, como também a definir como deve a herança ser repartida. Património que eu tenha acumulado ao longo da vida, devo ter pleno direito de o testamentar a meu bel prazer, legando-o a cônjuge, descendentes ou a quem eu muito bem entender. Ressalvo apenas a situação de descendentes incapazes, em que o usufruto ou o rendimento dos bens lhes deveriam ser obrigatoriamente atribuídos, ficando o eventual remanescente para outros herdeiros mas apenas após a morte daqueles.”
Segundo o nosso ordenamento jurídico, Vc. pode livremente testamentar e dispôr de metade ou um terço dos seus bens (dependendo de ter ou não ascendentes, conjugue e o seu número) – o que ficou vulgarmente conhecido pela “terça” – sendo que o resto é forçosamente dividido pelos herdeiros directos.
Eu sei que Vc. defende que deve ser livre de dispôr da totalidade do seu dinheiro, mas repare que caiu imediatamente em contradição ao ressalvar os descendentes (e, suponho, que conjugue ou ascendentes) incapazes. Mas porquê? Em termos legais Vc. é tão responsável por um descendente incapaz como por um capaz. Pela sua ordem de ideias, deveria ser possível a Vc. dispôr do seu dinheiro e o seu descendente incapaz que se amanhasse ou uma obra de caridade (por suponho que Vc. defende que o Estado não se deve intrometer) que tome conta dele. Ou seja, Vc. defende que a sua responsabilidade perante a Sociedade ou a sua família “acaba” com a sua morte.
Ora, é exactamente este egocentrismo fundamentalista que eu repudio veementemente. A sua responsabilidade perante a Sociedade reflecte-se na sua responsabilidade perante a família, ou seja, é da sua responsabilidade PESSOAL que a sua família seja – no conjunto – respeitável socialmente (ou seja, que tem recursos para se auto-suster, que respeita o sistema legal em vigor, que respeita os direitos e liberdades de terceiros).
“Também isso não justifica a intromissão do Estado na família. Basta regulamentar a responsabilidade civil relativamente a menores dos pais biológicos ou adoptivos, informação que é igualmente sujeita a registo.”
Já reparou que o que disse é consideravelmente mais “estatista” do que o que eu escrevi? Enquanto eu assumo que um filho é, por via biológica, automaticamente responsabilidade dos pais , Vc. considera que cada criança deve ser “registada” como sendo a responsabilidade de alguém! Desculpe, mas mais “estatista” que isso é díficil…
GostarGostar
Carlos Duarte,
“Claro que é injusto para quem não tem filhos, mas a intenção é, efectivamente, priveligiar a organização social sob a forma de famílias. A opção de não ter filhos é eminentemente respeitável, mas menos “interessante” à Sociedade (ou ao País).”
O Estado não tem de privilegiar ou deixar de privilegiar as famílias. E nenhum de nós pode com segurança afirmar o que é mais interessante à Sociedade. Isso – a definição de fins ou objectivos para uma sociedade ou país – é uma posição tipicamente colectivista. Quem tem fins ou objectivos são as pessoas, não as sociedades ou países.
“O que se passa agora é que a lei é injusta para quem TEM filhos que, confrontados com menor rendimento disponível quando comparados com contribuintes sem dependentes, têm de pagar impostos idênticos. Ou seja, a Lei actual priveligia quem NÃO tem filhos.”
A tributação não é sobre o rendimento disponível, mas sobre o rendimento bruto. Um casal sem filhos com um rendimento idêntico a outro que tenha uma “ninhada” deles, pode chegar ao final do mês exactamente com o mesmo rendimento disponível. Enquanto um deles gasta o grosso do rendimento em comida, fraldas e educação da prole, o outro gasta em viagens, cultura, lazer, eventualmente em obras de beneficiência. São opções de vida, ambas muito respeitáveis e o Estado não tem de tributar os casais de forma diferenciada, fazendo assim um juízo de valor sobre as respectivas opções.
“Eu sei que Vc. defende que deve ser livre de dispôr da totalidade do seu dinheiro, mas repare que caiu imediatamente em contradição ao ressalvar os descendentes (e, suponho, que conjugue ou ascendentes) incapazes. Mas porquê? Em termos legais Vc. é tão responsável por um descendente incapaz como por um capaz. Pela sua ordem de ideias, deveria ser possível a Vc. dispôr do seu dinheiro e o seu descendente incapaz que se amanhasse ou uma obra de caridade (por suponho que Vc. defende que o Estado não se deve intrometer) que tome conta dele. Ou seja, Vc. defende que a sua responsabilidade perante a Sociedade ou a sua família “acaba” com a sua morte.”
Não me terei feito entender. A ver se me explico melhor:
Parece-me que você está a misturar 2 situações, a da responsabilidade civil e a das heranças.
Quanto à primeira, considero como regra que sou responsável pelos meus descendentes, biológicos ou adoptivos, enquanto menores. Exceptua-se a esta regra os descendentes incapazes, pelos quais eu devo ser responsável toda a vida.
E aqui entronca a questão das heranças em que você me interpretou mal. Eu defendo, como regra geral, que deve haver total liberdade testamentária e que a “terça” deve ser mandada às malvas. Ressalvo porém os descendentes incapazes que eu assumi a responsabilidade de os pôr no mundo ou de os adoptar. O que eu defendo é que, tendo eu bens, o produto ou rendimento deles deve ser afecto integralmente ao sustento do meu descendente incapaz enquanto ele for vivo. Após a sua morte e se alguma coisa sobrar, reverteria então a favor de outros testamentários. Procuro assim evitar ou minimizar uma sobrecarga para a sociedade por um ser cuja responsabilidade de o pôr no mundo (ou de cuidar dele) foi minha.
“Já reparou que o que disse é consideravelmente mais “estatista” do que o que eu escrevi? Enquanto eu assumo que um filho é, por via biológica, automaticamente responsabilidade dos pais , Vc. considera que cada criança deve ser “registada” como sendo a responsabilidade de alguém! Desculpe, mas mais “estatista” que isso é díficil…”
Vem na sequência lógica da responsabilização individual que eu defendo. Chame-lhe estatismo, se quiser, mas ao contrário do que muita gente pensa, os liberais não são aquele bando de anarquistas irresponsáveis que pretendem apenas acabar com o Estado. Prezam acima de tudo a liberdade individual, mas sabem que a ela tem de se associar sempre a responsabilização individual. E o Estado tem aqui um papel decisivo na defesa de uma e na obrigatoriedade na assumpção pelos indivíduos da outra.
Como deve saber, o sistema de registo de que falei e que existe (civil, predial, comercial, etc) é, acima de tudo, um sistema de informação de acesso público e portanto de defesa de terceiros, permitindo a imputação de responsabilidades a quem as deve ter.
Mas, repito, a existência de um tal sistema de informação, de aplicação universal, é independente de qualquer legislação específica sobre a família que, repito, não deve existir.
GostarGostar
Caro LR,
Só umas notas breves para não prolongar excessivamente este debate, até porque temos ideias incompatíveis.
– Não considero que a opção por ter ou não filhos seja irrelevante em termos sociais. Mais ainda, a tributação deve ser feita por base no rendimento bruto COMUM do agregado familiar, avaliado “per capita”, que foi o que defendi no primeiro post, ou seja, rendimentos a dividir por beneficiários do rendimento.
– Considero igualmente que a responsabilidade civil não é somente do indivíduo para com a Sociedade mas do indíviduo para com a unidade societal, a família. Daí a defender o actual regime de heranças, no que diz respeito à protecção e direito de parte do património para os herdeiros. No entanto, considero que falta um regime adequado que permita a deserção em caso de abandono.
GostarGostar
É preciso os EUA quererem dominar um território/colónia nosso/a para que haja uma revolução em portugal?
É que neste momento, o que temos de melhor para dar, só mesmo a madeira, será que dá?
GostarGostar
Carlos Duarte,
“Não considero que a opção por ter ou não filhos seja irrelevante em termos sociais. Mais ainda, a tributação deve ser feita por base no rendimento bruto COMUM do agregado familiar, avaliado “per capita”, que foi o que defendi no primeiro post, ou seja, rendimentos a dividir por beneficiários do rendimento.”
Repito, isso é uma visão colectivista. Quem lhe garante que você e o Estado estão de posse da verdade para impôr esse conceito a todos?
” Considero igualmente que a responsabilidade civil não é somente do indivíduo para com a Sociedade mas do indíviduo para com a unidade societal, a família. Daí a defender o actual regime de heranças, no que diz respeito à protecção e direito de parte do património para os herdeiros. No entanto, considero que falta um regime adequado que permita a deserção em caso de abandono.”
Outra visão colectivista. O detentor dos bens é que sabe, melhor do que ninguém, a quem os deve legar. Tirando o caso dos descendentes incapazes, os restantes têm de saber “voar” sozinhos.
GostarGostar
Isabel (#110)
“Se só quem tem filhos tem autoridade para opinar e decidir sobre o aborto logo, só quem é homossexual tem autoridade para opinar e decidir sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Eu considero isto falso. Por isso as premissas não são verdadeiras.”
Inteiramente de acordo. Mas devemos ser tolerantes e aceitar opiniões diferentes das nossas.
“Em relação à assunção de modos de vida, a “direita” de inspiração Cristã, separa assuntos públicos de privados.
A sexualidade para a direita é do foro privado, seja ela o que for.”
Desculpe, mas isto não é inteiramente verdade.
“Era importante saber qual é a posição oficial do PSD, partido que é liberal e social democrata. Se vai prevalecer a opinião dos dirigentes ou a que advém da ala que promove a liberdade individual de cada um. Se for a segunda, então teremos casamento. Mas é importante saber antes.”
Eu acho que a Isabel já sabe a resposta.
Repare que nós vivemos numa república. Elegemos representantes “democraticamente” não para decidirem como nós, mas para decidirem por nós.
Acho que nos partidos as coisas são diferentes? Claro que não! Como tal, é evidente que vai prevalecer a opinião dos dirigentes.
VFS
GostarGostar
Caro LR,
“Repito, isso é uma visão colectivista. Quem lhe garante que você e o Estado estão de posse da verdade para impôr esse conceito a todos?”
Bem, o Estado tem forçosamente de impôr conceitos e prioridades ou então não existiria ordem jurídica ou adequação das penas ao crime ou muito menos Orçamentos de Estado! Qual é o “interesse”, por exemplo, do Estado defender a propriedade privada?
“Outra visão colectivista. O detentor dos bens é que sabe, melhor do que ninguém, a quem os deve legar. Tirando o caso dos descendentes incapazes, os restantes têm de saber “voar” sozinhos.”
Não tem a ver com saber a quem deve legar (para isso tem a terça), mas sim o dever de legar aos descendentes directos. Da mesma forma que deve ser (de forma limitada) responsável pelo seu filho em termos sociais, também tem de ser responsável para com o seu filho. Se quiser, de outra, forma, ao ter um filho (que, obviamente, não pediu para “nascer”) fica automaticamente devedor deste em termos materiais desde que a ligação familiar se mantenha.
GostarGostar
Carlos Duarte,
“Bem, o Estado tem forçosamente de impôr conceitos e prioridades ou então não existiria ordem jurídica ou adequação das penas ao crime ou muito menos Orçamentos de Estado! Qual é o “interesse”, por exemplo, do Estado defender a propriedade privada?”
Os liberais defendem o “governo da Lei”. Muita gente confunde esta “Lei”, (que não tem de estar escrita, mas vai sendo consolidada ao longo do tempo nas diferentes comunidades através dos usos, costumes e tradições), com o tradicional decreto, que não passa de simples legislação, muitas vezes estúpida (vg, a lei da paridade). O Estado tem de defender fundamentalmente as chamadas leis naturais ou, se quiser, os direitos negativos – o direito à vida, à liberdade, à propriedade, ao bom nome. E para isto, não é preciso um grande Orçamento.
GostarGostar