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A propósito do resto do país de que fala o CAA

8 Maio, 2008

Algo mais poderia ter sido feito a este nível” – lê-se, segundo o “Correio da Manhã”, no acórdão da Relação de Lisboa que anulou a pena de 25 anos de prisão a que fora condenado Franquelim Lobo. O caso deste homem que nos foi apresentado como o maior traficante de droga português é exemplar de como (não) se acusa, (não) se condena e (não) se absolve em Portugal. O primeiro julgamento, aquele em que Franquelim foi condenado a 25 anos de prisão, foi anulado porque a acusação fundamentava-se em escutas que afinal seriam ilegais. Na repetição do julgamento a prova baseou-se no depoimento dum ex-cúmplice que se terá provado ter prestado falsas declarações. A outra prova era um telemóvel que se demonstrou estar desactivado à altura dos factos: “Nem sequer se fez um despiste do contacto telefónico, para saber da utilização do mesmo.” – concluem os juízes da Relação. E os portugueses podem concluir o quê? Que um criminoso pode agradecer a erros vários da acusação o ser ilibado ou que um inocente pode ser acusado de crimes gravíssimos com base em provas como um telemóvel que nem sequer se verificou se estava activado em deteminada data? E no fim, perante tanta inoperância, tudo se resume a um “Algo mais poderia ter sido feito a este nível”? Todos os dias em Portugal se criticam os serviços de saúde e o ensino público. É certo que o primeiro gere mal e o segundo apresenta maus resultados. Mas nada desses erros se assemelham ao falhanço clamoroso que actualmente se regista na investigação criminal e na Justiça. A “este nível” está perigosamente a perder-se a noção da realidade.

*PÚBLICO, 6 de Maio

36 comentários leave one →
  1. Anónimo permalink
    8 Maio, 2008 09:37

    A culpa nao foi da investigaçao. A culpa foi de terem considerado as escutas ilegais e anulado a sentença. Ou seja da justiça.

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  2. Anónimo permalink
    8 Maio, 2008 09:39

    .. Andou a PJ a ter aquele trabalho todo, para um juiz e um tribunal dizer que era ilegal.

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  3. Pi-Erre permalink
    8 Maio, 2008 10:00

    É conveniente termos a noção de que a realidade realmente não existe.

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  4. Francisco permalink
    8 Maio, 2008 10:07

    Parte-se do princípio de que a própria Polícia Judiciária tem de actuar no estricto cumprimento da lei. Ou estão isentos?

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  5. crisnet permalink
    8 Maio, 2008 10:17

    A justiça com dois pesos e duas medidas?

    …o 4.º Juízo de Instrução Criminal de Lisboa negou provimento à queixa por difamação de Paulo José Fernandes Pedroso contra 6 (seis) vítimas de pedofilia da Casa Pia e Carlos Silvino da Silva (Bibi) que nesse processo o inculparam de abuso sexual de menores, não pronunciando os arguidos.

    «não estavam preenchidos os requisitos para os arguidos serem pronunciados pelos crimes de difamação e injúria, nem tão pouco pelo crime de falsidade de testemunho e denuncia caluniosa»”.

    …………..

    Limitação de responsabilidade (disclaimer): Paulo José Fernandes Pedroso não foi pronunciado pela juíza de instrução Ana de Barros Queiroz Teixeira e Silva pelos 23 crimes de abuso sexual de menores sobre quatro crianças de que fora acusado pelo Ministério Público no âmbito do processo de abuso sexual de crianças da Casa Pia. Em 9-10-2005, o Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a sua não pronúncia.

    via http://doportugalprofundo.blogspot.com/

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  6. Anónimo permalink
    8 Maio, 2008 10:18

    Este texto não terá sido retirado do guião daquele filme do Woody Allen, “O Inimigo Público nº1”?

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  7. Anónimo permalink
    8 Maio, 2008 10:23

    A situaçoa ainda mais estranha foi quando foi preso em Espanha, veio para Portugal em 2004 e depois foi libertado com um “habeas corpus” fugiu para o Brasil

    Acho que os juízes nao se dao bem com os policias e como tal acham que as escutas eram ilegais e já está resolvido. Deitam as cupas para a policia quando o que queriam mesmo era absolver.

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  8. Anónimo permalink
    8 Maio, 2008 10:27

    .. E as escutas foram consideradas legais no 1º julgamento. Logo foram validadas pelo juiz. Nao entendo porque vem um segundo juiz dizer que sao ilegais. A seguir pode aparecer o 3º de novo a dizer que sao legais.

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  9. piscoiso permalink
    8 Maio, 2008 10:29

    Julgava que um(a) liberal
    queria menos estado
    e muito menos estado policial.

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  10. José permalink
    8 Maio, 2008 10:59

    O que me espanta neste tipo de escritos, é a ligeireza das frases e a asserção do que se diz. V. viu o processo, sabe quem investigou, como e ainda como foi julgado? Em suma, participou ou apenas se orienta pelas “notícias” dos jornais? Mesmo com o teor do acórdão na mão, acha suficiente para se pronunciar assim de “cátedra” sobre um processo complexo como esse?
    Acha que os juízes sabem fazer investigação criminal, em moldes de poderem dar palpites abertos sobre isso?

    Escrever num blog, em modo gratuito e com as limitações de audiência próprias ao meio, é uma coisa. Escrever atoardas em caixas de comentários, ainda outra- de que por vezes faço uso discricionário, assinando com este nome.
    Agora, escrever croniquetas em jornal que o pagante lê ou o curioso espreita, já será outra coisa, porque implica a responsabilidade de editores, etc.

    Conviria, assim, averiguar o que se passou, indo ao processo, falando com os intervenientes e investigadores, lendo a lei etc. etc.

    É que mandar bocas, é fácil. Mostrar que se está “por dentro” dos assuntos quando não se está de todo, é um bocado arriscado para a credibilidade de quem escreve.

    É esta a minha crítica ao seu escrito, sendo certo que não conheço o caso, senão pelos jornais e nunca me permitiria ser tão assertivo nas considerações genéricas sobre a Justiça…embora me apeteça, por vezes. Mas…lá está: isto aqui é assim a modos de uma converseta de bar.

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  11. José permalink
    8 Maio, 2008 11:01

    E escusa de se dar ao trabalho de perora outra vez contra a corporação. É vinha cujas uvas, já estão esmagadas.

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  12. roídodefundo permalink
    8 Maio, 2008 12:06

    Este caso como outros revela a ligeireza com que se julga e condena ou absolve em Portugal.
    Pois é José, não sei se quem publicou o post e quem aqui o comenta conhece o processo, mal ou bem, eu não o conheço de todo. Rogando que me perdoe a arrogância de ainda assim vir descaradamente dizer a minha opinião.
    Só pode ser a minha mais profunda ignorância acerca dos processos judiciais, para achar estranho que uma pessoa condenada a 25 anos de prisão (quiçá, se fosse possivel teria sido a mais), sendo depois libertado por o julgamento ter sido anulado.
    Já não acho estranho, é que haja quem tenha a coragem de vir atacar quem critica semelhantes processos, aí penso perceber claramente porque o faz.

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  13. José permalink
    8 Maio, 2008 12:58

    Roídodefundo:

    Sabe por que foi anulado o julgamento? Não, não chega ler a notícia do jornal. É preciso mesmos saber um pouco mais.

    É claro que a conclusão da articulista, na essência, pode estar certa. Como pode não estar de todo. Para se saber, é preciso perceber por que razão houve anulação do julgado anterior. Não basta dizer que isto é uma vergonha, porque o final de contas, o indivíduo está em liberdade. Sendo isso, verdade, importa conhecer as razões intrincadas que a isso conduzem, inevitavelmente, no processo penal que temos.

    É esse o problema.

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  14. José permalink
    8 Maio, 2008 13:02

    V. sabe porque é que o Benfica está como está?

    Eu até podia adiantar uma série de razões e de certeza que me davam razão. Mas se disser que é por causa de não ter uma direcção como a do FC Porto, se calhar estou certo. Mas…mesmo assim, poderei dizê-lo de ânimo leve só porque é assim que me parece?

    A ubstileza da distinção reside no seguinte: uma opinião sobre um facto ou acontecimento, tem de levar em linha de conta o que cada um sabe do assunto. E se alguém sabe apenas um bocadinho e mesmo assim, adianta razões, até pode acertar. Mas só mesmo por sorte…

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  15. piscoiso permalink
    8 Maio, 2008 13:33

    É voz corrente, lá pela segunda circular, que o Benfica está como está por o Pinto da Costa andar em liberdade.

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  16. lica permalink
    8 Maio, 2008 14:04

    José Diz:
    8 Maio, 2008 às 10:59 am
    O que me espanta neste tipo de escritos, é a ligeireza das frases e a asserção do que se diz. V. viu o processo, sabe quem investigou, como e ainda como foi julgado? Em suma, participou ou apenas se orienta pelas “notícias” dos jornais? Mesmo com o teor do acórdão na mão, acha suficiente para se pronunciar assim de “cátedra” sobre um processo complexo como esse?
    Acha que os juízes sabem fazer investigação criminal, em moldes de poderem dar palpites abertos sobre isso?

    Escrever num blog, em modo gratuito e com as limitações de audiência próprias ao meio, é uma coisa. Escrever atoardas em caixas de comentários, ainda outra- de que por vezes faço uso discricionário, assinando com este nome.
    Agora, escrever croniquetas em jornal que o pagante lê ou o curioso espreita, já será outra coisa, porque implica a responsabilidade de editores, etc.

    Conviria, assim, averiguar o que se passou, indo ao processo, falando com os intervenientes e investigadores, lendo a lei etc. etc.

    É que mandar bocas, é fácil. Mostrar que se está “por dentro” dos assuntos quando não se está de todo, é um bocado arriscado para a credibilidade de quem escreve.

    É esta a minha crítica ao seu escrito, sendo certo que não conheço o caso, senão pelos jornais e nunca me permitiria ser tão assertivo nas considerações genéricas sobre a Justiça…embora me apeteça, por vezes. Mas…lá está: isto aqui é assim a modos de uma converseta de bar.

    absolva-se o josé dias e condene-se todos os outros

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  17. José permalink
    8 Maio, 2008 14:11

    Obrigado, meritíssima. Embora saiba que a justiçã não se agradece, porque em si mesma, é atribuir aos outros o que lhes pertence. Neste caso, será a razão, meritíssima? Ou a mera partilha de opinião?

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  18. roídodefundo permalink
    8 Maio, 2008 14:47

    José:
    permita-me mais uma vez discordar.
    Se para debater ou opinar sobre qualquer assunto, fosse obrigatório ser conhecedor de todos os seus detalhes e antes dever observá-lo sobre todas as vertentes, o silêncio seria insuportável.
    Por vezes as soluções vêm de quem menos se espera, o conhecimento, que é para mim um bem absoluto, no entanto algumas vezes limita-nos e faz-nos olhar para os problemas com preconceitos.
    Da troca de ideias e opiniões pode surgir o esclarecimento, como pode até aumentar a confusão, no entanto se a altenativa, for alguém me dar a sua verdade sem eu poder dizer o que penso, antes quero ir aqui e ali ouvindo uns disparates, ou até dize-los eu próprio.
    Já agora, se eu soubesse porque é que o Benfica está assim, calava-me bem calado na esperança de que mais ninguém descobrisse. Bem fica como está.

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  19. José permalink
    8 Maio, 2008 15:26

    Roído:

    Esse argumento, estou farto de o ler, para justificar toda a opinião e mais alguma sobre tudo e mais um par de botinhas. E aceito-o. Toda a gente tem o direito de manifestar a sua opinião que até pode estar certíssima. Até os barbeiros e cabeleireiras o fazem, constantemente. Tal como os taxistas. Se reparar essas classes sabem sempre tudo o que é preciso saber e de uma sabedoria acabada, definitiva.
    Aceito por isso a democraticidade do direito á opinuão. O que não aceito é a equivalência nessas opiniões.
    Assim, continuo a dizer que para escrever algo sobre um assunto complexo, e que à partida parece simples, como são geralmente os casos da vida, é preciso algo mais do que o conhecimento das aparências. As aparências, aliás, iludem. Ou, por vezes, são mesmo as iludências que aparudem.

    No Direito, foi essa uma das coisas com que deparei e que me deixou perplexo ,por vezes. O Direito não é necessariamente um repositório do senso comum.
    O que parece, em termos legais, por vezes não é. E depois, vai-se a ver a razão e concordamos com a mesma.

    No caso concreto, para falar com propriedade no caso, é preciso conhecer o processo. Não é suficiente conhecer o caso concreto do indivíduo que será isto ou aquilo porque os media assim o apresentam e até será assim ou assado. Isso, é o conhecimento comum, da realidade perceptível aos media.
    O outro, o conhecimento do processo. Lidar com o que se passa num processo penal, não é para qualquer um, porque as regras são muito específicas, complexas algumas delas e que resultam por vezes em soluções que parecem aberrantes, mas encontram a sua justificação lógica na dinãmica processual que não equivale necessariamente ao que se passa na realidade vivida.

    Esse drama é sentido por muitos operadores judiciários, e quem fez as últimas leis penais sabe exactamente que assim é.
    Isto pode parecer um discurso distorcido, mas a verdade é que se torna essencial conhecer essas regas para perceber o que se passou, sob pena de fazermos o papel dos barbeiros que também comebtam tudo com a sabedoria acabada das evidências que às vezes não se verificam.

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  20. José permalink
    8 Maio, 2008 15:34

    Vejamos um caso concreto:

    Os membros da comissão para a reforma penal, queriam à viva força evitar que sucedesse novamente um caso como o que abalou a Assembleia da República, com a detenção de Paulo Pedroso, nesse lugar.

    Acharam que isso foi uma humilhação para a classe e Sócrates chegou a comentar em privado, segundo as más-línguas, que era preciso quebrar a espinha à magistratura ( a “esses gajos”). Quase ipsis verbis, disse quem sabe.

    Que fizeram os factotum? Mudaram a lei processual que é geral e abstracta, mas que evita em concreto, casos como esse.

    Imagine-se que sucede outro caso desses e que se coloca o problema de deter um deputado que se encontra na AR.

    Como é que se vai fazer? O que dirão depois os media, quando tal situação for conhecida e o problema exposto?

    Conhecem os artigos concretos da lei processual, que foram alterados para que tal não volte a suceder?

    Está a ver o que pretendo dizer?

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  21. lica permalink
    8 Maio, 2008 15:36

    José Diz:
    8 Maio, 2008 às 2:11 pm
    Obrigado, meritíssima. Embora saiba que a justiçã não se agradece, porque em si mesma, é atribuir aos outros o que lhes pertence. Neste caso, será a razão, meritíssima? Ou a mera partilha de opinião?

    —————————————-
    nada disso.

    é uma sentença!

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  22. José permalink
    8 Maio, 2008 15:37

    A história do Sócrates, se calhar, é uma boa história que estraga a verdade. Fica assim que é para o tipo não se ofender.

    Mesmo que seja falsa a historieta, em Portugal, em 2008, não se pode escrever tal coisa, sem as devidas cautelas e recomendações para se tomar cum grano salis, porque a liberdade de expressão, por cá ainda deixa um bocado a desejar.

    Por causa disso, fica a rectificação.

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  23. Lololinhazinha permalink
    8 Maio, 2008 15:50

    Talvez se evitassem alguns comentários angustiados se as pessoas percebessem que o processo penal é um jogo com regras que têm que ser cumpridas. As regras não servem para proteger os criminosos mas para evitar que inocentes sejam considerados criminosos. Quando as regras do jogo não são cumpridas na investigação a consequência boa e lógica é a anulação dos resultados, doa a quem doer. Quem se indigna com a sentença absolutória por falta de provas talvez se devesse antes indignar com o facto de em portugal se fazerem investigações e acusações assentes unicamente em escutas telefónicas (quando estas vão para o espaço por serem ilegais, a investigação não tem mais nada e os juízes são obrigados a absolver). O discurso deste post é o discurso típico de quem prefere viver numa sociedade de justiceiros do que numa sociedade de juízes. Por isso, relembro os mais distraídos que os juízes não têm o direito de inventar provas onde elas não existem. Julgam com aquilo que a investigação recolhe e a acusação oferece. Claro que haverão sempre pessoas que acham que invalidades nas escutas telefónicas são coisas que não têm importância nenhuma. Mas a maior parte dessas pessoas não sabe que os tribunais têm que cumprir a lei e que a lei que interessa para o caso já nem sequer é só aquela que se faz em portugal.

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  24. Lololinhazinha permalink
    8 Maio, 2008 15:51

    Ou, na versão resumida, uma pessoa mais atenta perguntaria assim: que raio de investigação e acusação é essa que assenta apenas numas escutazinhas?

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  25. so_bisto permalink
    8 Maio, 2008 16:37

    Bom post,
    equilibrado, correcto,
    justo, a lembrar-me de escutas
    feitas, 24 por 24 horas, ao presidente
    do Porto, um ano inteiro, enquanto se poupou
    o do Sporting e do Benfica. Pa ver como
    a Polícia faz e o MP, de graça e
    a pago, a favor e contra
    quem, olaré,
    lhe dá na real gana. Que só bisto.
    Do outro mundo, caramba.

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  26. Justiça de Fafe permalink
    8 Maio, 2008 16:53

    Como a PJ vai ser dirigida por PJ, a investigação vai ser uma maravilha…

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  27. lica permalink
    8 Maio, 2008 22:07

    Justiça de Fafe Diz:
    8 Maio, 2008 às 4:53 pm
    Como a PJ vai ser dirigida por PJ, a investigação vai ser uma maravilha…

    ————————–

    posso começar a roubar?

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  28. José Barros permalink
    9 Maio, 2008 00:12

    Ao que o José diz acrescento um ponto: lembro-me do horror que gerou um acórdão sobre uma empregada que foi condenada a pena de prisão por maus tratos a algumas das crianças deficientes a seu cargo. A partir do momento em que confrontei o acórdão coma notícia deixei naturalmente de acreditar nos jornais. A deturpação era tão evidente que era óbvio o facto de 99% das pessoas terem optado por falar antes de ler a decisão judicial.
    Há sempre uma tragédia inerente à indignação deslocada e ignorante. É que tal indignação é sempre a garantia de que a doença continuará sem cura durante muito tempo. Ou como o outro diz: o subdesenvolvimento é um fenómeno global, do que se segue que, quando a justiça é fraca, é natural que os seus cronistas não sejam melhores.

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  29. roídodefundo permalink
    9 Maio, 2008 09:14

    José diz:

    Lidar com o que se passa num processo penal, não é para qualquer um, porque as regras são muito específicas, complexas algumas delas e que resultam por vezes em soluções que parecem aberrantes, mas encontram a sua justificação lógica na dinãmica processual que não equivale necessariamente ao que se passa na realidade vivida.

    Esse drama é sentido por muitos operadores judiciários, e quem fez as últimas leis penais sabe exactamente que assim é.
    Isto pode parecer um discurso distorcido,……..

    Sobre o caso que nos faz aqui trocar argumentos, que como já referi não conheço. Eu não sei se foram os polícias, os magistrados do ministério Público, os advogados ou os juizes, mas por MUITA JUSTIFICAÇÃO LÓGICA DA DINÂMICA PROCESSUAL

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  30. 9 Maio, 2008 09:21

    Minha cara Helena, agora que anda em cima disso começa a perceber que os juízes de há uns anos para cá andam com um rigor mais que espartano na avaliação da prova. Se eu lhe fosse a contar o que exigem para considerar preenchido o elemento subjectivo do dolo na acusação até ficava tonta.

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  31. José permalink
    9 Maio, 2008 10:09

    O problema da validade das escutas telefónicas, que neste caso concreto, são o centro das atenções, é um problema jurídico-político. Explico:

    Jurídico, porque a solução de as colocar como um meio de investigação, no código de processo penal, partiu dos juristas que fizeram a lei, copiando outros modelos, mormente o alemão.
    A juiza Fátima Mata-Mouros, tem um trabalho sobre o assunto, uma vez que esteve a estudá-lo na Alemanha. Também lá os juristas ( académicos e magistrados), encontraram soluções que apertam e restringem a possibilidade de intrusão indevida na vida particular.

    A questão principal, neste caso, é saber se a solução encontrada no nosso código, agora revisto, para um rigor ainda maior nesse aspecto, não deita o menino fora, com a água do banho.
    Quer dizer, para alguns tribunais, a exigência é tanta que fica tudo anulado por causa de um pormenor ou uma divergência jurídica, sem se atender ao essencial que é a comprovação dos factos denunciados.
    Chega-se ao ponto de uma escuta telefónica não servir de prova para um crime, se esse crime a não admitir como passível de poder ser provada dessa forma…e no caso de a prova ter sido obtida de modo fortuito. Por exemplo, na escuta relativa a outro crime mais grave.

    Foi o que se passou no caso de Fátima Felgueiras em que se tomou conhecimento que um amigo da dita teria ajudado a mesma a fugir para o Brasil, mas o respectivo crime era de favorecimento pessoal, ou outro de idêntico teor, cuja moldura penal, não admite escutas. Ficou tudo em águas de bacalhau, apesar de as escutas indiciarem esse comportamento.

    Desconhecer estes pormenores jurídicos, pode suscitar perplexidades e até escândalo, mas nesse caso, o melhor é pedir responsabilidades a quem fez a lei e aos juristas de Coimbra que assim a configuraram, copiando os alemães.

    Quanto aos de Coimbra, mormente Costa Andrade, fiquei completamente baralhado, quando o ouvi numa conferência a dizer que admitia a tortura, nos casos de terrorismo ( não foi exactamente o que disse, mas conduz exactamente ao mesmo).

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  32. roídodefundo permalink
    9 Maio, 2008 10:23

    Fiz algo mal feito ao enviar o comentário anterior.
    Aqui vai agora completo.

    José diz:

    Lidar com o que se passa num processo penal, não é para qualquer um, porque as regras são muito específicas, complexas algumas delas e que resultam por vezes em soluções que parecem aberrantes, mas encontram a sua justificação lógica na dinãmica processual que não equivale necessariamente ao que se passa na realidade vivida.

    Esse drama é sentido por muitos operadores judiciários, e quem fez as últimas leis penais sabe exactamente que assim é.
    Isto pode parecer um discurso distorcido,……

    Sobre o caso que nos faz aqui trocar argumentos, que como já referi não conheço e não sei se o acusado, mereceu ou não alguma vez ter sido preso. Não sei se foram os polícias, os magistrados do ministério Público, os advogados ou os juizes, mas por MUITA JUSTIFICAÇÃO LÓGICA DA DINÂMICA PROCESSUAL que me queira demonstrar que não entendo, continuo convicto que, alguém, nalguma altura, neste processo, meteu os pés pelas mãos e gerou uma situação ABERRANTE.
    Se um cirugião, para tratar alguém que tem um tumor na perna direita, amputa a perna esquerda ao doente, o sr. precisa de ser médico para perceber que houve neste procedimento um erro com consequências graves, eu não.
    Lembrei-me agora que quando estava na tropa, uma vez cortei o cabelo a um camarada, para o Sargento não lhe “cortar” o fim de semana, provavelmente, desde aí fiquei imbuído do espírito da classe, e isso deve explicar estas minhas “certezas”.

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  33. José permalink
    9 Maio, 2008 11:05

    Roído:

    O problema com o seu raciocínio, não é o estar certo, na sua lógica. É o poder estar errado. Percebe a diferença?

    Para entendermos todos os aspectos de um problema, ou mesmo os mais importantes, devemos saber o máximo sobre o assunto em causa, ou pelo menos o essencial que abranja o núcelo fundamental desse problema.
    Os militares e outros profissionais, não costumam ter estados de alma sobre os problemas: as coisas normalmente são brancas ou pretas. Claras, portanto…

    Na Justiça, não é bem assim e há vários problemas, para complicar as coisas. A Justiça processual pode ser diferente da Justiça material e é preciso perceber porquê e porque é que isto assim funciona.
    Mesmo no caso que mencionou em que um médico se engana ao cortar a perna errada ao doente, se puser a Justiça em funcionamento, vai ver que o médico que praticou o acto, defende-se com as armas que tiver, no campo jurídico. E advogados não faltam para citar leis que afastarão a negligência e justificarão o acto…será que pretende exemplos concretos? Dou-lhe apenas este: quantos médicos são condenados em Portugal, efectivamente, pela prática de actos negligentes que custaram a vida a pessoas? Acha que os médicos e enfermeiros que assistiram a esses actos, não sabem o que se passou na realidade? E então, vê algum a ser condenado?
    Começa a perceber o problema real que temos em mão?

    As regras processuais, estabelecidas no direito penal, existem para proteger inocentes. O problema é que muitas vezes, ao preocuparem-se demasiado com a protecção dos inocentes, acabam mesmo por inverter a lógica do sistema e protegem os culpados. Alguns deles, com assento nos órgãos legislativos, perceberem muito bem este efeito perverso e brandindo a bandeira da protecção de inocentes, estão na verdade a proteger-se a si mesmos.

    Se isto não é verdade, atirem-me a primeira pedra.

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  34. José permalink
    9 Maio, 2008 11:21

    Esta questão que coloco, é muito velha. Tem séculos de patine.

    Shaekespeare, numa das suas peças, ( Henrique VI ou assim), coloca uma das personagens a dizer que a primeira coisa que faria logo que alcançasse o poder seria…matar todos os advogados!

    A metáfora, no caso, parece que nem o chegava a ser.

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  35. lica permalink
    9 Maio, 2008 11:55

    José Diz:
    9 Maio, 2008 às 11:05 am

    Se isto não é verdade, atirem-me a primeira pedra.

    —————————-

    quando J Cristo mandaou atirar a primeira pedra à madalena a quem nunca tivesse errado logo um portugês ( sim nesse tempo já havia portugueses) pegou numa pedra e acertou mesmo na testa da madalena Cristo perguntou-lhe: Tu nunca erraste?
    Resposta do português: A ESTA DISTANCIA NÃO!

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  36. Anónimo permalink
    9 Maio, 2008 15:37

    Cristo perguntou-lhe: Tu nunca erraste?
    Resposta do português: A ESTA DISTANCIA NÃO!

    A anedota é engraçada e característica do chico-espertismo de muitos portugueses mas Jesus Cristo disse “quem nunca pecou ” e não “errou”.

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