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Formação de preços

22 Maio, 2008

Anda montes de gente a falar em “formação de preços”. Lamento, mas isso não existe. Gostava de saber em que universidades é que esta gente aprende a determinar preços de mercado a partir de teorias de “formação de preços”.

Dois exemplos:

1. imagine-se que se calculava pela teoria da formação de preços que o preço certo para a gasolina da Galp é de 0.6 euros. Imagine-se que a mesma gasolina pode ser vendida aos americanos a 0.7 euros. Porque raio é que a Galp haveria de vender gasolina a 0.6 em Portugal se a pode vender mais caro lá fora? De que serve a teoria da formação de preços neste caso?

2. Imagine-se que por distracção da concorrência, a Galp conseguia comprar o tal petróleo canadiano a 40 dólares. Portugal ficaria com gasolina muito mais barata do que tem, certo? Pela teoria da formação de preços sim. De um preço base do petróleo mais baixo chegar-se-ia a um preço de gasolina mais baixo. Claro que o que a teoria da formação de preços não explica é porque haveria a Galp de usar petróleo barato para fazer gasolina barata. A Galp poderia ganhar muito mais se optasse por vender o mesmo petróleo 130 dólares já. Não faltariam clientes.

71 comentários leave one →
  1. 22 Maio, 2008 01:22

    São as mesmas universidades que ensinam que a fila de trânsito do lado anda mais depressa…

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  2. portela menos um permalink
    22 Maio, 2008 01:29

    e nessa universidade a formação do preço da gasolina que pode ser vendida aos americanos a 0.7 euros inclui os custos de transporte?

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  3. Sousa permalink
    22 Maio, 2008 01:36

    E na venezuela a 0,3 euros. Sim Rimanda, a formação de preços existe. Basicamente é constituída por custos (múltiplos) + lucro. Não é dificil de perceber.

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  4. Ruben permalink
    22 Maio, 2008 01:44

    .
    Boa malha. Grande post
    .
    Os ciganos são craques em “formar” preços nas Feiras. Até se riem se é preciso estudar tanto para isso. É geito, dom. Mas um sem, “cientificam” em “grandes gestões” para embasbacar papalvos.

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  5. Anónimo permalink
    22 Maio, 2008 01:55

    Olhe , sabe, o que me preocupa é que precisava de contratar um pessoa para fazer umas horas ao fim de semana. 3 ou 4 horas ao sábado e domingo. Mas não posso. Sai bué da caro. Tem de ir ao médico do trabalho antes de por o pé na empresa e tenho de o inscrever na segurança social mesmo antes de por o pé na empresa , mesmo que só o queira( precise) 8 horitas por semana.Po-lo no médico sai mais caro do que aquilo que lhe pago e porra , que é que a SS quer daqui?

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  6. Curiosamente permalink
    22 Maio, 2008 01:56

    Formação de preços
    por JMiranda em 22 Maio, 2008

    ” Anda montes de gente a falar em “formação de preços”. Lamento, mas isso não existe. ”

    Pela parte que me toca, pois sou um dos “montes de gente”, obrigado por me mencionar.
    Terei assim, que o corrigir, e até, ensinar.
    Existe, JMiranda. Novamente. Existe, JMiranda.
    Chama-se “pricing ” e é ensinado há anos e anos em qualquer universidade que se preze.

    Fica uns linkezinhos para si, até para via das teimas.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Pricing
    (aí poderá ver como é um dos 4 Ps)

    Têm muito com que se entreter.

    Se quiser, a seguir explico porque o petróleo aumentou de preço, quais vão ser as consequências, e como o pricing foi utilizado escrupulosamente e meticulosamente. Embora, não lhe dé por razões óbvias os resultados todos, mas sim as ideias gerais.

    JMiranda “Gostava de saber em que universidades é que esta gente aprende a determinar preços de mercado a partir de teorias de “formação de preços”. ”

    A ultima, pelo menos eu assisti a uma aula, foi no ISEG. Mas desde Harvard a Oxford faz parte de todos os cursos.

    JMiranda, até há firmas especializadas nisso.
    No Portugal ainda se pensa que o preço é baseado unicamente na oferta e na procura.
    Tipo Século 19, ehe.

    Por vezes, e sei porque participei até num preço de determinado produto, o preço é que faz aumentar ou diminuir a procura. Não o contrário.

    Firmas especialistas naquilo que eu digo que existe, e o JMiranda diz que não existe.

    http://www.pricingsolutions.com/psintro2.html

    http://www.pricingsociety.com/

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  7. Luis Moreira permalink
    22 Maio, 2008 01:58

    Para não ir mais longe, fica a saber qual é o preço abaixo do qual perde dinheiro, o que lhe permite montar estratégias para vender no mercado.Isto é, caro JM, o meu amigo pode chegar a um preço de mercado que pura e simplesmente não lhe convem.

    Acredita que o preço que se forma no mercado é igualmente bom para todos?

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  8. Luis Moreira permalink
    22 Maio, 2008 02:03

    Se a Galp deixasse de vender cá dentro para vender lá fora,perderia mais dinheiro para recuperar o mercado perdido do que ganharia vendendo a um preço mais alto,mas não condizente com as expectativas dos compradores.Na primeira oportunidade a Galp ficava a falar sózinha.

    JM palpita-me que acerca do mercado há muita confusão nessa sua inteligente cabeça.

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  9. Sousa permalink
    22 Maio, 2008 02:05

    La formacion del precio de mercado es una cosa, a formação do preço é outra: é a composição do preço tendo em conta os diversos factores envolvidos. Por exemplo : custo de matérias tias, de transformação, de transporte, fiscais, lucro, etc. Às empresas convém perceber a formação do preço não para saber porque preço final vão vender mas para saber como para o mesmo preço final podem crescer os lucros (por ex.) Topas RIMANDA?

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  10. euseitudo permalink
    22 Maio, 2008 02:07

    Mirandinha, Mirandinha … andas a simplificar!

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  11. 22 Maio, 2008 02:12

    Caro Joao Miranda,

    Não é verdade que não exista formação de preços.

    Aliás, o seu post limita-se a argumentar que para a formação de preços é relevante a componente de oferta e procura mundial (se forem bens transaccionáveis), bem como a existência de custos de oportunidade (do lado da procura e da oferta).

    Ora, se não me engano, isso é precisamente uma teoria de formação de preços. Algo que no início do post afirma que não existe.

    Daí que, em meu entender, o seu post deveria ser: “estudem mais economia antes de mandar bitaites sobre formação de preços, porque as vossas teorias são muito fraquinhas”.

    Nota: Uma teoria de formação de preços não é mais do que oferta e procura, ou mais concretamente, um conjunto de assupções sobre o que afecta a procura, e o que afecta a oferta. E nunca esquecer: uma teoria só é relevante se for eficaz a prever a realidade. Algo que as teorias dos “bitaites” não conseguem, pois contrapõem procura local a custo de extração. O que é muito diferente de oferta e procura.

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  12. 22 Maio, 2008 02:16

    “Para não ir mais longe, fica a saber qual é o preço abaixo do qual perde dinheiro, o que lhe permite montar estratégias para vender no mercado.”

    Isso chama-se custo de produção. O que está a dizer é que o preço mercado tem de ser > que custo de produção + custo de oportunidade do capital.

    Mas sinceramente não sei o que tem isso a ver com o preço da gasolina…

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  13. Luis Moreira permalink
    22 Maio, 2008 03:43

    O preço da gasolina resulta dos mesmos critérios de todos os outros bens.O que eu quero dizer ao JM é que o preço de venda mais alto não é,necessariamente. o melhor.Eu posso vender a preço inferior para vender mais,ou para ganhar quota de mercado,ou para impedir a entrada de outros concorrentes,ou para dificultar a entrada de energias alternativas (como é o caso).

    E se o custo de produção não for conhecido tambem não pode ter estratégias ao nível do preço de venda.Para ganhar uma encomenda,ou para ganhar quota de mercado é a mesma coisa se tiver capacidade excedentária instalada ou se,pelo contrário tiver que investir?

    Aí vêm os custos marginais que indicam se vale ou não a pena aumentar a oferta.Enfim,bem mais complexo do que o JM nos quer fazer crer.

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  14. Luis Moreira permalink
    22 Maio, 2008 03:54

    O Nuno Ribeiro da Silva diz que seria um erro crasso baixar o preço do combustível,porque chegou a hora de as pessoas perceberem que vai ser assim,e ponto final.Há que melhorar os transportes públicos,as energias alternativas…

    As receitas diárias dos produtores é de tal ordem que não conseguem aplicar esse dinheiro, pelo que não têm motivação para aumentar a oferta.Como se vê aqui a oferta não cresce por haver mais procura.Então porque crescem os preços?Porque o dinheiro en trânsito saíu do imobiliário e refugia-se no petróleo.Que irá crescer ainda mais ou manter-se a um nível próximo dos 200 dólares durante muito tempo até que as energias alternativas invertam essa tendência.

    O preço “encontrado” no mercado pelo facto de ser mais alto, nem por
    sombras é,necessàriamente,o melhor!

    E até 2ª feira que vou encontrar-me com os antigos alunos de CB.

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  15. anti-comuna permalink
    22 Maio, 2008 04:25

    Vamos supor que os famosos especuladores (que são um bode expiatório ideal) estão mesmo a puxar os preços para cima.

    Isso seria um sinal de quê? Falência dos preços formados no mercado?

    E se eu disser que é a boa moeda a expulsar a má? Ou seja, trocar dinheiro criado pelo Estado, neste caso Bancos Centrais, por activos que valem mesmo pela sua utilidade. Em vez de se vender os dólares que desvalorizam-se cada vez mais, devido à inflação, trocando-o por ouro, como alguns previam, parece que o mercado prefere crude.

    Se muitos julgam que o excesso de massa monetária no mercado, criado pelos bancos e pelos Estados, iria fazer uma corrida ao ouro, como escolha natural de uma “nova” moeda, parece que se enganaram. Vende-se o dinheiro criado pelos Estados e bancos e compra-se activos finitos e com utilidade enorme, com um franco crescimento da procura.

    Talvez assim, quem ataca os especuladores pela subida do crude comece a meditar a sério nas consequências de haver Estados que imprimem papel sempre que querem financiar as suas actividades ou as dos bancos. Na volta, se calhar não são os especuladores que fazem o crude subir de preço mas investidores que pretendem fugir do papel-moeda, que devido à enorme criação do dinheiro criado do nada, vale cada vez menos. Sobretudo os detentores de activos em dólares, que penalizados pela queda deste, decidiram proteger-se da queda da moeda americana: comprar crude. A nova moeda refúgio mundial! Melhor que comprar euros, francos suiços ou até mesmo ouro.

    É claro que este refúgio dos investidores para o crude tem vários culpados. Mas seguramente não é o mercado livre. São os Estados. E sobretudo os bancos centrais, que criam dinheiro como se fossem máquinas gigantescas de coelhos. É ver como a Reserva Federal, o BOE e outros andam a injectar dinheiro no sistema económico para o salvar da recessão económica profunda. Injectam muito dinheiro, este vale cada vez menos e quem o tem (cash isn’t king, as they say) procura-o trocar por activos que se valorizam e têm enorme procura: o ouro negro.

    É evidente que esta fuga maciça ao dólar e abrigo no crude gera per si mais uma bolha especulativa. Que, mais tarde, ou mais cedo, estoirará. Mas até lá, o crude pode bem continuar a subir, mesmo que nos tornemos todos insolventes.

    Porque, se muitos julgam que os especuladores só compram crude, estão bem enganados. Há para aí muitos especuladores que shortam pitroil. E perdem bastante dinheiro, por agora, crentes que o crude está sobrevalorizado em demasia e que uma profunda recessão mundial irá provocar ela também um colapso na procura mundial de crude, como já se está a assistir a um colapso do consumo mundial de casas, por exemplo.

    É claro que ideologicamente convém acusar os especuladores . São o bode expiatório perfeito para justificar os disparates dos bancos centrais e dos políticos. Mas se os políticos acreditassem mesmo nas patranhas que nos vendem, subiriam as margens de manutenção dos contratos de futuros sobre o crude. Mas não o fazem, claro. E entende-se o porquê. É o dinheiro criado pelos bancos centrais, numa espécie de Keynes versão puramente monetária, para salvar as economias do colapso da procura, que está a gerar esta fuga ao papel-moeda e o refúgio no crude e outras matérias-primas.

    Formação de preços? O que é isso? 😉

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  16. anti-comuna permalink
    22 Maio, 2008 06:10

    Enquanto olho aqui para o burro, continuemos sobre a formação de preços. Mas agora analisando os tempos que vivemos. Vivemos tempos interessantes. Doomsdays?

    O Estado e os governos são os maiores vigaristas à face da Terra, hoje em dia. Senão, vejamos este gráfico interessante:

    Mas segundo as estatísticas oficais americanas, em Abril os preços da gasolina cairam face ao ano passado. Ou seja, é o próprio Estado que está a enganar os seus cidadãos e agentes económicos. Para quê? Primeiro, sempre empolam o crescimento económico, que agrada aos eleitores. Segundo, legitima cortes nas taxas de juro, pois em nome do crescimento económico injecta-se muitos biliões no sistema económico. Terceiro, quem paga e pagará a maior factura será o pobre desgraçado do cidadão, que tem quebras de poder de compra todos os dias mas oficialmente até tem ganhos reais de rendimentos. E tem sido assim nos últimos 10 anos, e pela primeira vez em muitos anos, durante um ciclo de alta económica os trabalhadores tiveram quebras no seu nível de vida. Não nos faz lembrar a velha URSS?

    É claro que este comportamento escandaloso dos governos e Estados, neste caso americano, têm elevados custos. A começar nos mais pobres e nos desgraçados dos trabalhadores, que não conseguem se adaptar ao aumento dos preços. Mas a médio e longo prazo irá gerar uma crise sem precedentes. Aliás, os USA já se preparam para viver um longo período de estagnação económica, onde se convive alegremente com laivos de hiperinflação.

    Mas o pior pode estar para vir. Pode acontecer à economia americana o que está a acontecer na Islándia. Esta caminha também para o estoiro monumental. E nem a ajuda dos seus vizinhos nórdicos a deve safar.

    Leia-se isto:

    “Iceland Central Bank May Up Rate to Boost Krona, Cap Inflation

    Iceland’s central bank may raise its benchmark interest rate today for the third time this year as it struggles to reverse a slump in the krona and slow the fastest pace of inflation in 18 years, a survey of economists shows. (…)

    Sedlabanki is seeking to get a grip on price growth by reversing this year’s 20 percent slump in the krona against the euro. The bank’s Nordic counterparts last week offered to provide emergency funding to help restore confidence in the currency and bolster the banking system, allowing it to almost double its foreign reserves. The move failed to dissuade Moody’s Investors Service from cutting Iceland’s credit rating on May 20.

    “We’re not out of the woods yet with the krona,” said Jon Bjarki Bentsson, an economist at Glitnir Bank hf, the country’s No. 3 bank. “There is definitely still an inflation spike happening.”

    The currency has tumbled on concern debt-financed growth at commercial banks is unsustainable during a global credit squeeze. Iceland has the world’s smallest economy with a floating currency. With 35 percent of the consumer price index made up of imports, the weaker currency quickly feeds through to faster inflation.

    The inflation rate reached 11.8 percent last month, compared with the central bank’s 2.5 percent target.”

    In http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601085&sid=as0v2bqvtxps&refer=europe

    Na Islándia a inflação galopante já vai nos 12% ao ano. E as taxas de juro dispararam e mesmo assim quase ninguém compra coroas islandesas.

    Os USA podem viver algo semelhante. Queda do dólar a pique e a inflação, sobretudo importada (também os USA importam demasiado) em forte alta.

    Se os USA tiverem um dólar em queda a pique, os USA terão que viver um choque nas taxas de juro. Mas a culpa não é dos mercados. É da FED que faz dólares como os coelhos fazem descendência. É um ver se te avias. Mas, é claro, depois culpa-se os mercados livres ou até os especuladores pelas más políticas públicas americanas.

    E é evidente que isto vai ter um custo elevado ao mundo. Por exemplo, as exportações japonesas rumo aos USA estão a sofrer um crash. Vai salvando os exportadores japoneses o forte crescimento económico do seu gigante vizinho chinês.

    Só que na Europa as exportações rumo aos USA deverão gripar também. Mas enquanto a Alemanha ainda consegue exportar para todo o lado, incluindo a China; por exemplo, Portugal, mesmo exportando pouco para os USA, vai sofrer a forte concorrência da produção rumo aos USA que está a sofrer um crash.

    E peçamos a todos os santos e anginhos deste mundo para que a China não sofra um colapso económico. Sobretudo no pós Jogos Olímpicos. Porque, por enquanto, ela vai absorvendo a produção que antes rumava ao mercado americano. Sobretudo a produção dos seus vizinhos asiáticos. Mas se a China sofrer um colapso económico (e os primeiros sinais começam a surgir no horizonte), se juntarmos uma economia americana a afundar-se, o resto do mundo também vai pelo mesmo caminho.

    É claro que depois dirão que a culpa é dos mercados livres, dos especuladores ou até mesmo do calimero. No entanto, são os governos e os Estados que criaram este mau sistema económico e tiveram políticas públicas erradas. Mas é sempre bom apontar as culpas para o vizinho, não é? Sempre foi assim e sempre assim será. Basta ver como o bronco do nosso Primeiro-Ministro atira a culpa da sua má política económica e orçamental para as costas alheias. Leia-se, conjuntura internacional.

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  17. balde-de-cal permalink
    22 Maio, 2008 07:56

    a formação devia começar pelos politicos, verdadeiro lixo humano (junkies, white trash)

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  18. Pi-Erre permalink
    22 Maio, 2008 08:50

    Como é que se formam os preços dos passes sociais?

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  19. 22 Maio, 2008 08:56

    O que é verdadeiramente espantoso é que, aparentemente, ninguém – absolutamente ninguém – esteja a reagir ao que o “anti-comuna” acaba de expôr.
    O fim desta rebaldaria aproxima-se a uma velocidade vertiginosa tal como foi previsto pelos melhores pensadores economistas na segunda metade do séc. XX. Se calhar, já não estarei cá para ver mas… mais parece que o prazo para o estoiro é muito curto.
    Oxalá me engane mas não dou mais de 5 anos (cinco) para se dar o desastre.
    Então, estará toda a canzoada a ganir e de que maneira.

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  20. 22 Maio, 2008 10:01

    Pois… que a crise é artifical já se sabia… vão ver como regrediu o deficit comercial externo dos EUA… de parvo o Bush não tem nada…

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  21. silva permalink
    22 Maio, 2008 10:40

    de lógica em lógica até à idiotisse final

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  22. 22 Maio, 2008 10:46

    O Nuno Ribeiro da Silva tem razão,temos que nos habituar. Nao esperem que o preço petroleo parte de subir.

    O NRS, pode dar umas aulas disto e pode faze-lo ao JM, implica um pouco de matematica, tão só.

    Perguntem ao CAvaco Silva.

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  23. 22 Maio, 2008 11:13

    repito o que disse atrás e vc não respondeu:

    Contradiz-se. Não me apetece procurar, mas há uns tempos fez um post naquele seu género de sempre, altivo e cínico, em que basicamente o que estava a querer dizer é que a principal (se não única) razão para o aumento do petróleo era a valorização do euro. Agora já diz que é real e que cartel não existe. Você para impedir que o Estado possa intervir na economia até diz qualquer dia que não se chama miranda.

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  24. Rxc permalink
    22 Maio, 2008 11:22

    Dou os meus parabéns ao anti-comuna pelo que escreveu em 15. Sem dúvida um alerta muito pertinente em relação às nuvens que se estão a formar no horizonte (se bem que bastante pessimista).
    Alguém que explique ao Pinho o que está a acontecer (como se ele não soubesse…) para ele tirar aquele sorriso estúpido de auto-confiança alarve, e comecem a falar verdade com todos. É que só tendo uma avaliação correcta dos riscos e ameaças é que se pode pensar numa estratégia para os evitar. Mas continuamos alegremente a caminhar o mesmo caminho, não nos dando conta que o precipício é já ali.

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  25. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 11:23

    Luís,

    Quando escrevi esse post grande parte do aumento do petróleo no ano precedente tinha sido desvalorização do dólar (e não a valorização do euro – o euro e o dólar estão ambos a desvalorizar). O meu ponto era apenas mostrar que não estava a acontecer nada de novo nem nenhuma catástrofe.

    O que eu defendo é o seguinte:

    – O aumento do petróleo nos últimos 5 anos é real (isto é, a relação de troca entre o que nós produzimos e o petróleo tornou-se mais desfavorável para nós)

    – Não é nenhuma catástrofe (e esse era um dos problemas da discussão há uns meses atrás)

    – ninguém sabe o que vai acontecer no futuro

    – mas o que quer que venha a acontecer no futuro, as economias têm que se adaptar e para isso o mecanismo de preços tem que funcionar.

    – é óbvio os preços da gasolina em Portugal não resultam de um cartel. As ditribuidoras estão todas a perder volume de vendas a uma taxa alarmante. Nestas condições ninguém tem interesse num cartel.

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  26. Fernando S permalink
    22 Maio, 2008 11:35

    Publicado por JoaoMiranda em 19 Maio, 2008 :
    “Alguém devia explicar ali a quem está a discutir no Prós & Prós que o preço não se forma a partir do custo. Forma-se da relação entre a oferta e a procura.”

    Publicado por JoaoMiranda em 22 Maio, 2008 :
    “Anda montes de gente a falar em “formação de preços”. Lamento, mas isso não existe.”

    Afinal, em que ficamos : existe ou não existe ?

    Como já disse aqui noutros comentários, julgo que concordo com o que me pareceu ser a posição teórica de fundo do JM : no mercado, o “preço certo” determina-se (“forma-se”) pela relação entre a oferta e a procura e não pelo simples adicionar de componentes do custo de produção, distribuição e venda, incluindo os de natureza fiscal. Estes aspectos estão naturalmente presentes na determinação do preço mas sempre através da oferta e da procura.

    No entanto, não percebo agora a aversão do JM quanto ao termo “formação”. Tudo depende do que é que se entende por “formação”. É verdade que há muitas ideias incorrectas sobre a formação dos preços. Inclusivé nas universidades. Mas, como refere acima o Pedro Menezes Simões, o próprio JM defende uma teoria da formação de preços.

    Que eu saiba, há “montes” de universidades e de manuais de economia que falam em “formação de preços” a propósito da determinação dos preços pela oferta e procura.

    Por exemplo, pegando num dos muitos manuais de economia de referência, o “Economia” de Samuelson/Nordhaus, lê-se a páginas tantas : “Um dos problemas fundamentais da economia consiste em saber como o mecanismo de formação de preços …”.

    Á atenção os liberais mais puristas, lembro que o “Tratado de Economia” (“A Acção Humana”) de Ludwig von Mises tem um importante capitulo sobre os preços (XVI) que começa precisamente com o entitulado : “O processo de formação dos preços” (pag. 345 na tradução francesa de 1985).

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  27. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 11:41

    ««No entanto, não percebo agora a aversão do JM quanto ao termo “formação”. Tudo depende do que é que se entende por “formação”.»»

    A minha crítica é a todos aqueles que usam o termo para descrever o processo de formação de preços por adição de custos. Na discussão pública até ao momento a expressão “formação de preços” é código para “os preços deviam ser iguais à soma dos custos (mais uma pequena margem de lucro não escandaloso)”. A própria exigência de que a autoridade da concorrência deve investigar e como deve investigar baseia-se nesta tese.

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  28. Fernando S permalink
    22 Maio, 2008 11:41

    Quando escrevi o comentário anterior ainda não tinha visto a resposta do JM ao Luis.

    Concordo com tudo o que o JM diz.

    Mantenho a minha perplexidade pela aversão do JM quanto à expressão “formação de preços”. Mas palpita-me que ele próprio não dará importância a este detalhe meramente terminológico.

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  29. Fernando S permalink
    22 Maio, 2008 11:54

    E agora também não tinha visto a resposta do JM a uma parte do meu comentario …

    Já admiti que muitos usam efectivamente a expressão “formação de preços” na perspectiva que o JM critica. E já disse que concordo com essa crítica.

    Dito isto, que é o essencial, mantenho que há também “montes de gente”, nomeadamente nas universidades, que usa a mesma expressão numa perspectiva bem diferente.

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  30. 22 Maio, 2008 11:56

    Da formação de preços – objectivo de qq comerciante:
    Obter o máximo de lucros possivel.
    E de preferência, com baixas taxas governamentais.
    Como diz o felizardo milionário director da GALP.
    Quem mandou ao Zé Povinho comprar automóveis como comprou?
    Não sendo eu bruxo, há dez e vinte anos que via esta imagem: a populaça, um dia,
    com os carros parados á porta.

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  31. 22 Maio, 2008 12:36

    Provavelmente sem querer, o João Miranda e alguns dos comentadores, mostraram aqui como foi errado privatizar a GALP.

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  32. Nuspirit permalink
    22 Maio, 2008 12:53

    O Post de João Miranda é muito certeiro mas esquece-se de um pormenorzinho que deita tudo a perder. De facto o objectivo das empresas, completamente legitimo diga-se, é a maximização do lucro. Só que a Galp não é uma empresa qualquer: A Galp tem o MONOPÓLIO da refinação. A contrapartida de ter essa enorme vantagem competitiva é não poder formar os preços com lhe der na gana. A contrapartida é a implementação de politicas que tenham por base a responsabilidade social.

    Se não fosse este pequeno pormenor o post era bom.

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  33. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 12:55

    ««A Galp tem o MONOPÓLIO da refinação. A contrapartida de ter essa enorme vantagem competitiva é não poder formar os preços com lhe der na gana.»»

    E então qual é a solução? A Galp vai deixar de ter uma gestão empresarial e passa a ter a gestão política que mais agrada ao governo do momento?

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  34. Nuspirit permalink
    22 Maio, 2008 13:05

    A solução é acabar com o monopolio ou então agradar ao governo de momento que foi legitimamente eleito porque sufragado nas urnas. Poque não? Em democracia é assim que as cosas funcionam.

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  35. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 13:12

    ««A solução é acabar com o monopolio ou então agradar ao governo de momento que foi legitimamente eleito porque sufragado nas urnas. Poque não? Em democracia é assim que as cosas funcionam.»»

    Portanto, o que está a defender é que a GALP deve ignorar os princípios racionais de gestão. Ok.

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  36. Nuspirit permalink
    22 Maio, 2008 13:17

    Não necessáriamente. O que eu defendo é que os principios racionais de gestão da Galp devem passar por uma postura que explicite preocupações com questões sociais (responsabilidade social) e com a ética. Ademais, empresas com uma postura assim têm revelado óptimos resultados.

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  37. Nuspirit permalink
    22 Maio, 2008 13:30

    Empresas competitivas não operam num horizonte de curto prazo. A ganância ou a sedução por vantagens imediatas pode ser fatal. Responsabilidade social e sucesso são realidades conciliáveis. Quando a exigência de fazer negócios entra em conflito com a moral ou o bem-estar da sociedade, são os negócios que têm que ceder.
    Parece poesia, mas não é.

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  38. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 13:30

    ««Não necessáriamente. O que eu defendo é que os principios racionais de gestão da Galp devem passar por uma postura que explicite preocupações com questões sociais (responsabilidade social) e com a ética.»»

    Como é que isso se faz? Ou a GALP vende a preços ditados pela racionalidade do negócio ou não vende. Se a GALP começa a sujeitar os preços a critérios não económicos passa a ter uma gestão não racional.

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  39. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 13:35

    ««Empresas competitivas não operam num horizonte de curto prazo.»»

    Tendo em conta que no longo prazo o petróleo não vai ficar muito barato, vender agora gasolina barata é totalmente irresponsável. A gasolina tem que ser vendida ao preço ditado pela realidade económica e não ao preço ditado pelas necessidades sociais. As necessidades sociais não tornam o petróleo mais abundante.

    «« A ganância ou a sedução por vantagens imediatas pode ser fatal. Responsabilidade social e sucesso são realidades conciliáveis. »»

    Como é que se concilia falta de petróleo com gasolina barata?

    ««
    Quando a exigência de fazer negócios entra em conflito com a moral ou o bem-estar da sociedade, são os negócios que têm que ceder.»»

    Pois, e quando se descobrir que o petróleo não se vai tornar abundante o que é que cede?

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  40. Nuspirit permalink
    22 Maio, 2008 13:46

    Tudo o que o João Miranda diz é muito certeiro. Mas a verdade é que fruto da pressão social que se tem vindo a assistir já temos hoje a gasolina mais barata 5 centimos. Ou seja, vale a pena lutar.

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  41. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 15:00

    ««Mas a verdade é que fruto da pressão social que se tem vindo a assistir já temos hoje a gasolina mais barata 5 centimos.»»

    De que é que isso serve? De que serve retardar a adaptação à realidade.

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  42. Fernando S permalink
    22 Maio, 2008 15:10

    “Mas a verdade é que fruto da pressão social que se tem vindo a assistir já temos hoje a gasolina mais barata 5 centimos.”

    Não dei por isso !…

    Seja como for, a existencia de grupos de consumidores que façam campanhas e tomem iniciativas no sentido de procurar influenciar os comportamentos de consumo de um numero significativo de outros consumidores, é perfeitamente legitima e compativel com o normal funcionamento do mercado.

    Por exemplo, no caso dos combustiveis, sugerindo o boicote a certos distribuidores ou a ida a Espanha para abastecer. Neste caso, cabe às empresas fornecedoras e vendedoras avaliar o risco em não levar em consideração estas pressões e calcular bem a margem de manobra que pensam ter para uma eventual contenção ou diminuição do preço.

    Sendo certo que, por um lado cada consumidor tem de ver bem o que são os seus reais interesses, não apenas imediatos mas também a prazo (por exemplo : o boicote pode criar a prazo uma redução dos postos de abastecimentos na sua zona ; a ida a Espanha pode ser muito gastadora de tempo, etc), por outro lado, cada empresa fornecedora não poderá praticar por muito tempo preços que não cubram os custos e não gerem as margens que os seus accionistas considerem justificar os respectivos investimentos.

    Deste modo, e dentro destas condicionantes de racionalidade das diferentes partes, acabar-se-á por estabelecer um preço “equilibrado”. Não sabemos à partida qual possa ser. No caso dos combustíveis em Portugal até pode ser inferior ao que existiria sem consumidores “militantes” e sem empresas “à escuta”. Mas o mais provável é que a prazo este preço não seja muito diferente daquele que existiria num mercado mais “indiferente”.

    O que não é de modo nenhum desejável é que as acções dos consumidores (e das empresas oferecedoras) assumam formas ilegais que atentem contra a liberdade de cada consumidor e de cada empresa ou que o Estado tome algum partido intervindo no mecanismo de fixação dos preços pela relação entre a oferta e a procura. O resultado final é normalmente a escassez do bem e o aumento do preço (quanto mais não seja no mercado “negro”).

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  43. 22 Maio, 2008 15:11

    Acho que a questão tá mal formulada.
    É mais assim:

    1. imagine-se que se calculava pela teoria da formação de preços que o preço certo para a gasolina da Galp é de 0.7 euros. Imagine-se que a mesma gasolina pode ser vendida aos americanos a 0.6 euros. Porque raio é que a Galp haveria de vender gasolina a 0.7 em Portugal se a pode vender mais barato lá fora? De que serve a teoria da formação de preços neste caso?

    Portugal exporta gasolina…. Diz que para os EUA…

    Nos EUA o preço de venda ao público da gasolina é 0,579567118€/litro.
    O preço nos estados unidos reparte-se por 11% em taxas, 6% para a distribuição, 10% refinação e 73% para o petróleo.
    o que permite supor que o preço lá à saída da refinaria é de 0,48104070794€.

    O preço à saida da refinaria de cá é de 0,573€ (Março de 98).

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  44. Nuspirit permalink
    22 Maio, 2008 15:58

    “De que é que isso serve? De que serve retardar a adaptação à realidade” JM

    Mas qual é a realidade actual? É o preço a 1,4 ou 1,45€/L? Se o preço sem truques é 1,40 porque raio haveremos de pagar 1,45? Porque é que 1,45€ adapta melhor à realidade do que 1,40 €? Havendo um monopólio como é que sabemos que o preço está correcto? A Galp não está a abusar da situação dominante que goza? Se é verdade que os consumidores têm vindo a procurar fornecedores que privilegiam comportamentos éticos e promovem um relacionamento “amigável” com a sociedade, neste caso estão de mãos atadas!

    São estas questões que carecem de resposta.

    Nota: no essencial estou de acordo com o João Miranda.

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  45. Fernando S permalink
    22 Maio, 2008 16:30

    “ … o preço lá (EUA) à saída da refinaria é de 0,481€. O preço à saida da refinaria de cá (Portugal) é de 0,573€ (Março de 98).”

    Vamos admitir que é assim, que os cálculos estão bem feitos, que existe uma diferença de quase 0,10€ entre o preço à saida da refinaria nos EUA e em Portugal. Significa isto que o refinador em Portugal (tanto quanto percebi as únicas refinarias a abastecer os postos em Portugal são as da Galp ; ou não ?) está a ter margens mais elevadas em pelo menos 0,10€ do que a média dos refinadores nos EUA ? Não necessáriamente. Os defensores da Galp têm referido o custo adicional que representa o facto de o mercado português ser periférico relativamente às fontes da matéria prima e aos principais fluxos comerciais. A pequena dimensão do mercado e das unidades de produção também deve contar. Certamente que a existência de um único operador na refinação, uma situação de monopólio efectivo, não é o mais favorável à eficiência económica. É natural que esta seja inferior em Portugal (relativamente aos EUA e à Espanha, por exemplo). Aparentemente o caso português não é sequer sui géneris. Já ouvi dizer que há outros pequenos países europeus, até económica e tecnológicamente mais desenvolvidos, que têm custos de refinação ao nível ou mais elevados dos portugueses. De qualquer modo, que eu saiba, não há actualmente restrições à entrada de novos operadores na refinação e na distribuição em Portugal. Porque é que não vêm para cá outros investidores, outras empresas do sector, procurando benificiar do diferencial de preço e das margens supostamente mais elevadas ? Talvez porque, no fim de contas, as margens potenciais não são assim tão elevadas e porque a diferença que possa ainda assim existir não é considerada suficiente para justificar operações pesadas de investimento de entrada num pequeno mercado como o português. Pelo menos até agora.

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  46. Tribunus permalink
    22 Maio, 2008 17:20

    Para o govervno, ter-se esquecido da formação do preço dos combustiveis, andam, mesmo a dormir, porque estão sentados em cima de uma bomba, que já faltou mais para rebemtar.
    Isto acrescido aos descalabro económico, boa razão Socrates
    tinhas para ter ido a Assembleia, com ar tão murcho, não tinhas nada para te gabar e o que dizias era só treta (mais do que o
    costume)

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  47. Fernando S permalink
    22 Maio, 2008 17:27

    No fim de contas, a razão principal para os diferenciais de preços dos combustíveis nos diferentes países continua a ser a fiscalidade indirecta. A possibilidade de um eventual nivelamento e de uma baixa dos preços nos países mais caros tem essencialmente que vêr com este aspecto. Mas querer mexer nesta fiscalidade significaria colocar em cima da mesa a questão mais global da dimensão e do peso do Estado. Compreende-se que os adversários de uma reforma liberal do Estado não queiram que a discussão se faça neste plano. A fiscalidade indirecta é também um instrumento público de orientação de consumos e produções de fontes de energia. Até que ponto devem os governos favorecer ou contrariar o uso de das diferentes formas de energia ? Se as opiniões públicas estão verdadeiramente preocupadas com os efeitos negativos do crescente uso de combustíveis fósseis, ao nível da poluição e da dependência de recursos cada vez mais escassos e caros, então não se vê porque é que é os governos deveriam agora reduzir os impostos sobre os combustíveis no sentido de contrariar o aumento dos respectivos preços.

    Os custos internos de refinação ou as supostas práticas de fixação não concorrencial de preços têm uma importância muito menor. Tem-se falado muito na influência destes factores. As razões são muitas vezes puramente ideológicas : apontar o mercado e as empresas privadas como responsáveis pelas dificuldades actuais.

    Mas o que está hoje a “entrar” no bolso dos automobilistas e dos principais utilizadores profissionais dos combustíveis é sobretudo o efeito do aumento do preço do crude no mercado internacional. E aqui, como lembrou o João Miranda, está-se no campo da lei da oferta e da procura. Se o petróleo se está a tornar num bem cada vez mais escasso relativamente a uma procura crescente de combustíveis, o melhor é deixar o mercado determinar livremente os ajustamentos necessários nos comportamentos dos utilizadores e nos planos de oferta dos fornecedores de fontes de energia, tradicionais e novas.

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  48. doomer permalink
    22 Maio, 2008 17:36

    JM:”Não é nenhuma catástrofe (e esse era um dos problemas da discussão há uns meses atrás)”

    Queria que fosse já?! JM, não queira apressar uma catástrofe. Uma catástrofe, tal como um bom vinho, precisa de maturação. As consequências do peak oil não se vão desenrolar como o típico filme de hollywood, vai ser mais parecido com uma comédia negra do kurt vonnegut.

    Estou a gostar deste seu último esforço de peak oil outreach .
    A reacção é a esperada, a maioria acha que, de alguma forma, o governo e/ou a Galp podem fugir à realidade da oferta/procura global, o que não me faz ficar nada optimista.

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  49. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 17:41

    ««É o preço a 1,4 ou 1,45€/L? Se o preço sem truques é 1,40 »»

    Mas o que é o preço sem truques? Como é que isso se determina?

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  50. 22 Maio, 2008 17:55

    O mercado não funciona assim. Os EUA até podem comprar gasolina a 60 cts por cá, mas também compram na Venezuela a 30 cts… O que dá um preço médio de 45 cts.

    Só pretendia chamar a atenção porque não é
    “Vender cá a 0.6€ e lá a 0.7€”, mas sim ao contrário, “Vender cá a 0.7€ e lá a 0.6€”.

    E nós exportamos 😀

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  51. Curiosamente permalink
    22 Maio, 2008 18:19

    Nuspirit Diz:
    ” O Post de João Miranda é muito certeiro mas esquece-se de um pormenorzinho que deita tudo a perder. De facto o objectivo das empresas, completamente legitimo diga-se, é a maximização do lucro. ”

    Ou seja, o post do JMiranda é muito certeiro, mas está errado. Se se esquece de uma coisa que deita tudo a perder, está errado.

    Não leve a mal, mas estou pessoalmente farto, e aqui anónimamente, noutros sitios publicamente, de ouvir coisas sem nexo, repetidas vezes sem conta, só porque são ditas por ministros, ou seja quem for.
    Como calcula , não o poderia fazer ao JMiranda, porque o JMiranda não admite a ministros
    Não tolero o erro, porque o jcd não tolera o erros aos funcionários publicos, e o CAA e não sei quem mais aos juizes.
    Como tal, as regras são iguais para todos.

    Erros, cá estarei na possibilidade minha, a demonstrar, e até, porque gosto de si.
    Se não gostasse, nem lhe respondia e nem lhe ensinava de borla.
    Deixei-o com links de empresas, de firmas, até
    Podia era ter-me agradecido, mas nisso, o JMiranda ainda é muito como os politicos.

    O unico que aqui, e por eu discordar dele, me disse algo, foi o Arroja, verdade seja dita.

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  52. Nuspirit permalink
    22 Maio, 2008 18:36

    João Miranda, a Galp sabe perfeitamente que fruto das circunstâncias do mercado dos combustíveis em Portugal, pode-se dar ao luxo, se assim o entender, de fixar o preço bem acima daquele que é estabelecido em Amesterdão, que não perde mercado por isso. Se a Galp subisse o preço hoje mais 10 centimos, mesmo assim a importação de combustível não compensaria. Então porque não o faz? É que a Galp também sabe que goza de um estatuto privilegiado, não querendo, por isso, abusar demais ( ainda mata a galinha…..). Mas a ideia que fica é que mesmo assim lá vai abusando o que pode. Ora isto é inaceitável.

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  53. Nuspirit permalink
    22 Maio, 2008 18:42

    Curiosamente,

    Se calhar ninguém te diz nada porque é muito difícil compreender-te.

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  54. 22 Maio, 2008 18:45

    Concordo parcialmente, menos no ponto de ambas as moedas estarem a desvalorizar (a sua opinião ideológica talvez ainda pense que existe um padrão, ouro ou outro, contra o qual todas estas moedas se possam medir), e mais importante no cartel. É numa situação de retracção na procura que um cartel é mais fácil de manter – com mais procura é mais rentável um desvio unilateral, logo mais provável. Com uma retracção na procura, é mais provável manter um conluio. Em todo o caso acabou por não conseguir explicar porque é que antes pensava que a desvalorização do dólar era a maior influência da subida no petróleo, e agora já é a procura da Chindia. Para mim são ambos os factores, embora recaia mais no dólar / euro.

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  55. Curiosamente permalink
    22 Maio, 2008 19:06

    Nuspirit Diz:
    ” Curiosamente,
    Se calhar ninguém te diz nada porque é muito difícil compreender-te. ”

    Por vezes é verdade, quer por minha culpa quer pela de outros. A parte que me toca, não me custa reconhecer

    Mas não é só isso. É principalmente porque eles(as) não sabem se vou para a esquerda, se vou para a direita, se a “etiqueta” que pensam que eu tenho ou deveria ter é do agrado deles(as) ou não.

    E não conseguir por “labels”, é tramado num blogue que se diz de “ideias”, mas é politico-ideias.

    Repara nos candidatos ao PSD , e curiosamente verás que muita da discussão é quem é liberal, que não é, e por aí fora. Se as ideias são boas, não interessa. Sejam ou não liberais.
    Logo por aí, verás a qualidade do debate, e até, neste excelente blog.

    AS LABELS É QUE INTERESSAM.
    Não as ideias, muito menos as soluções.

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  56. Tribunus permalink
    22 Maio, 2008 19:21

    Com tanta explicação sobre a formação de preço dos combustiveis, penso eu de que, o Pinho e o Socrates, devem estar a fazer uma consulta a empresas especializadas (por isso
    gastam tanto em acessorias) para acharem o preço justo!
    Agora uns tipos que se dizem governo e precisarem de até ao fim do mês para saber da formação do preço ( e o Socrates disse na assembleia, sem se rir) è que demonstra que afinal, isto è um governo em não gestão! Estes tipos compram on spot ou em futuros? a quantos meses ou anos? como è que tem a lata de enganar a amlta pedidno um prazo para dizer a VERDADE?

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  57. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 19:40

    ««É numa situação de retracção na procura que um cartel é mais fácil de manter – com mais procura é mais rentável um desvio unilateral, logo mais provável.»»

    Não consigo ver isso. Se há retracção da procura é muito provavel que o consumidor esteja numa zona da curva da procura em que é mais sensível ao preço (As filas nas bombas com desconto comprovam o que eu estou a dizer). Logo, a empresa que quebre o cartel tem capacidade para captar mais clientes quando a procura se retraiu devido a um aumento de preço.

    Outra questão importante é que os carteis são difíceis de manter quando as condições de mercado são dinâmicas. Actualmente não existe um preço de referência que funcione como ponto focal. É necessária estabilidade de preços para esse ponto aparecer. Para além disso, numa situação dinâmica a relação de forças entre as empresas está a mudar permanentemente pelo que qualquer acordo rapidamente se desactualiza.

    ««Em todo o caso acabou por não conseguir explicar porque é que antes pensava que a desvalorização do dólar era a maior influência da subida no petróleo, e agora já é a procura da Chindia.»»

    A desvalorização do dólar continua a ser a maior influência no aumento do preço do petróleo em dólares. Como já tentei explicar, o minha posição é que não haverá nenhuma evolução catastrófica do preço do petróleo, mas as sociedades que se adaptarem mais rapidamente terão menos problemas que aquelas que continuarem a transacionar a energia a preços ficticios.

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  58. Curiosamente permalink
    22 Maio, 2008 21:58

    ««É numa situação de retracção na procura que um cartel é mais fácil de manter – com mais procura é mais rentável um desvio unilateral, logo mais provável.»»

    Irrelevante. E nem sei quem escreveu isto.
    Completamente irrelevante, é apenas debater o umbingo. Obvio, que JMiranda adora debater o ego.

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  59. Curiosamente permalink
    22 Maio, 2008 22:22

    Nuspirit Diz:
    “Curiosamente,
    Se calhar ninguém te diz nada porque é muito difícil compreender-te.”

    Mas voltemos, curiosamente, a este teu comentário. No post inicial de JMiranda, diz claramente que não existe “formação de preços”, e recordo as suas frases :
    ” “formação de preços”, Lamento, mas isso não existe. Gostava de saber em que universidades é que esta gente aprende a determinar preços de mercado a partir de teorias de “formação de preços”. ”

    Curiosamente, no meu comentário nº6, evidente num tom mais directo , provo claramente que existe Formação de Preços.
    Provo, dando o nome em Inglês (pricing) , dando links da Wikipedia , dando links, imagine-se, de empresas que fazem a outras empresas “formação de Preços.”
    Ou seja, aquilo que o JMiranda diz não existir, lá fora, é até um ramo de negócios.

    Perante as evidencias, é óbvio que o JMranda só tem duas quatro (4) saídas.
    1- fazer de conta que nem viu a resposta, que provava que ele estava completamente errado.
    2- Se não desse totalmente para fingir que não tinha visto a resposta , algures no meio dos comentários, dizer como os políticos que ele critica (e tanto) que ele queria dizer outra coisa e não bem isso.
    3- Dizer que os links eram falsos.
    4+ Dar o braço a torcer, e dizer que ele estava errado e eu estava certo.

    Agora, a escolha foi dele.
    E foi uma escolha livre. A esperança que temos no JMiranda, vem das escolhas dele.

    Não vejo que outro tipo de resposta o meu comentário n6 , pudesse ter da parte do JMiranda, mas sabia que ele jamais escolheria a quarta hipótese.

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  60. Nuspirit permalink
    22 Maio, 2008 22:36

    Um preço é igual a um custo+ lucro + risco. O pricing ensina a determinar o risco e os custos ( Mão-de-obra, equipamentos, materiais, encargos financeiros,etc). Mas o lucro é o mercado que o vai determinar. Aí não há nenhuma universidade que nos diga quanto é que deve ser.

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  61. 22 Maio, 2008 23:54

    “E então qual é a solução? A Galp vai deixar de ter uma gestão empresarial e passa a ter a gestão política que mais agrada ao governo do momento?”

    Parece-me que a solução é liberalizar a refinação e a distribuição. Que eu saiba, não existe a possibilidade dos hipermercados abrirem postos livremente. E os hipermercados são quem vende mais barato no mercado.

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  62. JoaoMiranda permalink*
    22 Maio, 2008 23:58

    ««E os hipermercados são quem vende mais barato no mercado.»»

    Os hipermercados vendem mais baratos por dois motivos:

    1. promovem vendas de outros produtos e fidelizam clientes
    2. Captam o tipo de cliente mais sensível aos preços.

    A estratégia dos hipermercados não é reprodutível por mais ninguém. A fracção dos consumidores sensível ao preço que aceita ficar muito tempo em filas é reduzida. E mais ninguém pode associar a venda de gasolina a outra actividade.

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  63. 23 Maio, 2008 01:07

    1. Não é bem por isso. Tal como em todos os outros produtos, apostam na rotação (vender muito com pouca margem unitária) e na redução de custos (1 operador de caixa para 10 bombas de abastecimento). E alavancam na afluência já existente no local, embora não vivam apenas dela. Eu vou todas as semanas ao Carrefour (agora Continente) em Gaia para abastecer. Não vou lá fazer compras. E como eu muita gente (há filas à 0h30m, quando já ninguém faz compras…).

    Depois, não é relevante se a estratégia deles é reprodutível por mais ninguém. Bastam eles para a implementar: em França, os hipermercados têm 25% de quota de mercado…

    E por isso volto à minha sugestão, sendo mais directo: que o Blasfemias denuncie a existência de restrições no licenciamento de postos nos hipermercados. É uma restrição à liberdade injustificada. E seria uma boa forma de promoção do liberalismo, pois teria bastante apoio popular pois a sua implementação resultaria na redução dos preços dos combustíveis, que é o que anda a preocupar toda a gente.

    Deixo aqui um post sobre o assunto: http://norteamos.blogspot.com/2008/05/falta-liberalizar-o-mercado-de.html

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  64. Tribunus permalink
    23 Maio, 2008 19:55

    Consultem a pagina da Petrobraz e talvez se entenda esta aldrabice do governo não saber como se formam os diversos produtos que saiem duma refinaria! Mas sabem o valor dos lucros?
    então porque não sabem o resto?
    Visite-se a pagina da refinaria da Galp no Porto e vê-se que nos tem andado a esconder a verdade, mas parecem nãp perceber, que estão a afundar o país!

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  65. JoãoMiranda permalink
    23 Maio, 2008 22:56

    ««1. Não é bem por isso. Tal como em todos os outros produtos, apostam na rotação (vender muito com pouca margem unitária) e na redução de custos (1 operador de caixa para 10 bombas de abastecimento). E alavancam na afluência já existente no local, embora não vivam apenas dela.»»

    Se isso fosse feito em grnde escala, quem está acima na cadeia de fornecimento passaria a exigir uma margem maior. A Galp não tem interesse em refinar petróleo para depois perder a margem da distribuição.

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  66. Curiosamente permalink
    24 Maio, 2008 01:41

    Nuspirit Diz: ” Um preço é igual a um custo+ lucro + risco.
    O pricing ensina a determinar o risco e os custos ( Mão-de-obra, equipamentos, materiais, encargos financeiros,etc). ”

    Curiosamente, o Nuspirit vai reparar que deste post para trás, nunca vi ninguém (constantemente pelo menos) a por em causa a velha teoria propagada pelo JMiranda que o preço é determinado pela oferta e pela procura.
    Daqui para a frente, vai ver o termo pricing a aparecer várias vezes, e a velha teoria a desaparecer.

    O problema, para além do problema pessoal do JMiranda reconhecer que outros têm razão, é que andei nisto meses e meses.
    Como o Nuspirit diz, nem toda a gente compreendeu , mas outros compreenderam muito bem.

    E chegada a hora H, com o JMiranda despedinho como veio ao mundo, intelectualmente falando, seria de bom tom o JMiranda dar o braço a torcer. Que esta porra custou-me.

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  67. Curiosamente permalink
    24 Maio, 2008 02:01

    Nuspirit Diz: ” Um preço é igual a um custo+ lucro + risco.
    O pricing ensina a determinar o risco e os custos ( Mão-de-obra, equipamentos, materiais, encargos financeiros,etc). ”

    De uma maneira geral concordo com a sua definição. Usaria outras palavras, acrescentaria o tipo de bem ou serviço na analize do preço (pricing) por exemplo, mas penso que está na sua definição o essencial.

    No pricing do petróleo, por exemplo.
    Curiosamente, o preço final daqui a meses ou anos, foi já determinado.
    Como? Pelo lucro final Total que os “operadores” desejam.
    Os “operadores” sabem precisamente quantos clientes e de que tipo existem. Anteveram o numero de clientes perdidos, bem como os clientes que suportarão os aumentos até ao preço desejado. Aí, pararão os aumentos.
    Ou seja, é precisamente o inverso da velhinha “oferta e procura”.

    Curiosamente, graças ao pricing, quanto menos procura houver mais os preços vão subir.
    Logo, a procura diminiu mas os preços continuam a subir.

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  68. Curiosamente permalink
    24 Maio, 2008 02:10

    Como tal, a solução do “Pedro Menezes Simoes ” não tem sentido porque ele simplesmente desconhece a noção, e mesmo conhecendo não estará habituado a ela, do “Pricing”.

    Veja-se quando ele fala dos hipermercados terem 25% de quota tal como na França, e que os hipermercados vendem mais barato, e por aí.
    Primeiro, os preços finais já estão estabelecidos, como explicado no post anterior (só pessoas como o Nuspirit poderão fazer com que não subam tanto).

    Segundo, porque a Galp já deve ter para aí 25% do mercado e não baixou os preços por isso, dizem que até o contrário.
    Foi precisamente por os Hipermercados não terem grande quota, e querem fazer pricing com a publicidade (usando a gasolina no boca-a-boca ) que os preços da gasolina é por enquanto mais barata nos hipermercados.
    Se estes tivesse 25 % de quota, seriam como a Galp e não precisavam de vender mais barato.
    O Simões por não entender economia, e ter andando atrás das teorias do JMiranda, só iria agravar a situação se a solução dele fosse avante.
    Culpado, nem era o Simoes. É o JMiranda, que não dá o braço a torcer, e com isso leva ao engano de muita gente.

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  69. Curiosamente permalink
    24 Maio, 2008 02:17

    Já o Tribunus, também contribui positivamente para o debate.

    Tribunus “não saber como se formam os diversos produtos que saiem duma refinaria! Mas sabem o valor dos lucros?
    então porque não sabem o resto?”

    Realmente não faz sentido nenhum. Como se pode achar os preços se não se sabem os custos ? Anda tudo doido ?
    Nunca na minha vida veria uma empresa tão mal gerida. Não saber sequer os custos dos fornecedores e assim.
    Mas a estas coisas, o JMiranda não liga.
    O JMiranda e/ou outros blasfemos.

    (note-se que gosto muito do JMiranda. Não gosto é do JCD. Mas não é pessoal nem lhe desejo mal, evidente. Não gosto dele. )

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