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Pois….

9 Setembro, 2008

Nos sociedades cujas economias são dirigidas centralmente, seja pelo planeamento seja pelo condicionamento, são as autoridades públicas que decidem, em última análise, quem, onde, como, quanto e quando se pode produzir.

Veja-se o caricato exemplo da Portaria 974/2008, recentemente publicada:

«A existência de plantações de vinha sem um direito correspondente, realizadas à revelia das regras que disciplinam a organização comum do mercado vitivinícola, constituem plantações ilegais que, além de fomentarem a concorrência desleal, contribuem para o agravamento da produção excedentária na Comunidade.
A eliminação destas situações, por via da sua regularização ou pela sua supressão, representa um objectivo acolhido pela regulamentação comunitária do mercado vitivinícola, ligada ao controlo do potencial de produção
Assim, o Regulamento (CE) n.º 479/2008, do Conselho, de 29 de Abril, prevê, no título V, capítulo I, a situação jurídica das plantações ilegais, determinando o arranque das vinhas plantadas após 31 de Agosto de 1998, conforme dispõe o artigo 85.º do referido regulamento, ou a regularização, mediante o pagamento de uma taxa, no caso de vinhas plantadas antes de 1 de Setembro de 1998, de acordo com o disposto no artigo 86.º do mencionado regulamento. Em qualquer caso, o incumprimento destas obrigações origina a aplicação de sanções administrativas, de carácter compulsório, destinadas a fomentar aquele resultado, e cujos elementos fundamentais se encontram previstos no artigo 55.º do Regulamento (CE) n.º 555/2008, da Comissão, de 27 de Junho.»

Evidentemente, o facto  de União Europeia, em simultaneo, ter também decidido, e bem, pela liberalização do plantio da vinha a partir de 2015 é algo que terá provavelmente a sua «lógica», embora se disfarce muito bem.

Portanto, arranque-se a vinha e depois aguarda-se 6 anos para a plantar outra vez…..

13 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    9 Setembro, 2008 23:13

    Portugal no seu melhor´.
    Existem agricultores que de cinco em cinco anos recebem dinheiro ora para arrancar ora para plantar.
    Assim não vamos lá.

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  2. Desconhecida's avatar
    9 Setembro, 2008 23:33

    “Assim não vamos lá.”
    Nem você nem eu.
    Mas acredite que há quem vá, e vá muito bem!

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  3. MFerrer's avatar
    9 Setembro, 2008 23:54

    Os cavalheiros desculpem, mas eu ando ralado.
    Podem informar quando e como é que o fascismo vai de novo instalar-se por cá?
    É que desde que ela nos avisou, ando a dormir mal e a ficar assim como que mirrado, sem vontade, tão a ver?
    MFerrer

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  4. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    10 Setembro, 2008 01:49

    É para a terra descansar,o agricultor receber umas massas e a qualidade do vinho melhorar.Só vejo vantagens, embora esteja preocupado por um dia destes me obrigarem arrancar a única laranjeira que tenho no quintal!

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  5. Desconhecida's avatar
    honni soit qui mal y pense permalink
    10 Setembro, 2008 09:37

    Agora para ser agricultor, e plantar vinha , tb é preciso contratar os serviços de consultadoria juridica especialista em Dtº Comunitário.

    Hermético, pouco transparente, remissivo , … enfim o direito ao serviço de alguns, para desgraça de muitos .

    capelinhas…

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  6. Desconhecida's avatar
    honni soit qui mal y pense permalink
    10 Setembro, 2008 09:41

    e cuidadinho … se não cumprirem as “regrazinhas” comunitárias vem aí o fiscal papão e aplica-lhes uma coima … daquelas

    um País onde para tudo é preciso uma postura , um fiscal , uma autoridade administrativa ( uma merda estilo CCR )… não é um País Livre .
    E isto não é de modo algum um Estado de Direito.É sim um abuso de Direito.

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  7. Desconhecida's avatar
    Doe, J permalink
    10 Setembro, 2008 10:20

    Mas depois mostram-se sempre muito admirados por levarem com chumbos de cada vez que, por distracção, fazem um referendo sobre a UE. 🙂

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  8. Desconhecida's avatar
    10 Setembro, 2008 10:21

    Depois não se queixem.

    Durante mais de uma década, pagaram aos agricultores para não produzirem. Agora, é só silvas e mato.

    Continuem com as mesmas fosquices e qualquer dia, nem vinha e vinho temos.

    Oa burocratas de Bruxelas (que nem devem saber o que é uma vinha) e os poderes políticos locais que nunca são responsabilizados por nada.

    É a vida!

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  9. Pedro Sá's avatar
    10 Setembro, 2008 10:22

    MORTE À PAC !

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  10. maradona's avatar
    maradona permalink
    10 Setembro, 2008 10:30

    Arrancar uma vinha é uma das coisas mais caras que existem. Niguém no seu perfeito juizo arranca uma vinha sem ser por ordem de um tribunal.

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  11. Desconhecida's avatar
    Bafo D'Onça permalink
    10 Setembro, 2008 11:12

    Também se aplica esta legislação em Espanha, em França, em Itália, ou é mais uma daquelas leis feitas à medida de Portugal.
    Se soubesse-mos ter protegido o que era genuinamente nosso, se, por esta altura, os vinhos portugueses fossem disputados pelas melhores cartas de vinhos dos melhores restaurantes do mundo hoje não estavamos a presenciar esta vergonha do “planta agora e arranca daqui a 5 anos…o Estado paga…
    Hoje deviamos produzir apenas vinhos de altissima qualidade, um segmento de mercado de elevadíssimo potencial. Não se falaria de excedentes uma vez que até o vinho de qualidade inferior teriam o seu natural escoamento.
    Tudo se resume portanto a mais uma categórica lição de péssimas estratégias, maus governos e maus empresários que nos tem sido dada ao longo dos anos. Agora que não conseguimos colocar tanto vinho de qualidade media ou menos boa, salvando algumas, felizmente cada vez mais, boas excepções, no mercado global onde competem paises com fortíssima capacidade de produção.
    Depois do crime que foi cometido pelo Estado contra a marca Vinho do Porto, não tendo sabido proteger convenientemente uma mais valia inigualável para o país como é o Vinho do Porto e tudo o que lhe está associado, o que é que se pode esperar do desgoverno???
    Bafo’s

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  12. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    10 Setembro, 2008 14:13

    E não esqueçam que agora uvas e vinho não são só para comer e beber. Polifenois ( cremes) e vinoterapia estão na moda. Há quem já una viticultura e spas com muito sucesso. É ridículo ver como os “juristas” tratam as actividades produtivas , dá vontade de emigrar pro 3º mundo.

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