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“As contas do PM”

29 Janeiro, 2009
by

Por José, na portadaloja.

6 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    29 Janeiro, 2009 11:24

    Somos um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonha, feixes de miséria, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que já nem com as orelhas é capaz de sacudir as moscas. […]“;

    temos
    “Um clero português, desmoralizado e materialista, liberal e ateu, cujo Vaticano é o ministério do reino, e cujos bispos e abades não são mais que a tradução em eclesiástico do fura-vidas que governa o distrito ou do fura-vidas que administra o concelho […]“;

    “Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo […]“;

    “Um exército que importa em 6.000 contos, não valendo 60 réis […]“;

    “Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo […]“;

    “A Justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara a ponto de fazer dela um saca-rolhas”;

    “Dois partidos monárquicos, sem ideias, sem planos, sem convicções […]“;

    “Um partido republicano, quase circunscrito a Lisboa, avolumando ou diminuindo segundo os erros da monarquia, hoje aparentemente forte e numeroso, amanhã exaurido e letárgico […]“;

    “Instrução miserável, marinha mercante nula, indústria infantil, agricultura rudimentar”,

    “Um regime económico baseado na inscrição e no Brasil, perda de gente e de capital, autofagia colectiva, organismo vivendo e morrendo do parasitismo de si próprio”;

    “Liberdade absoluta, neutralizada por uma desigualdade revoltante, o direito garantido virtualmente na lei, posto, de facto, à mercê dum compadrio de batoteiros, sendo vedado, ainda aos mais orgulhosos e mais fortes, abrir caminho nesta porcaria, sem recorrer à influência tirânica e degradante de qualquer dos bandos partidários”;

    “Uma literatura iconoclasta, – meia dúzia de homens que, no verso e no romance, no panfleto e na história, haviam desmoronado a cambaleante cenografia azul e branca da burguesia de 52 […]“;

    “E se a isto juntarmos um pessimismo canceroso e corrosivo, minando as almas, cristalizado já em fórmulas banais e populares […] teremos em sintético esboço a fisionomia da nacionalidade portuguesa no tempo da morte de D. Luís, cujo reinado de paz podre vem dia a dia supurando em gangrenamentos terciários.”

    GUERRA JUNQUEIRO 1886

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  2. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    29 Janeiro, 2009 12:00

    Reparam que depois destes dias todos de campanha aos bocadinhos o publico tem o titulo dia dificil. dia D?
    Será que já acabou a telenovela agora que estava a ficar engraçada?

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  3. Desconhecida's avatar
    Fernanda Valente permalink
    29 Janeiro, 2009 12:08

    Um post lúcido e sério.

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  4. Piscoiso's avatar
    29 Janeiro, 2009 12:43

    O José faz uma abordagem ao Freeportgate de molde a trocar os cruzados em miúdos.

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  5. Desconhecida's avatar
    GFS permalink
    29 Janeiro, 2009 14:19

    e as tais “suciedades ofxores” hein???

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  6. tino's avatar
    30 Janeiro, 2009 01:08

    Primeiro-ministro assinou nos anos 80 vários projectos feitos por colegas seus
    Inquérito a “casas” de Sócrates na Guarda não ouviu ninguém e ignorou autoria

    http://www.ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1357948

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