Saltar para o conteúdo

Avanços para trás

3 Outubro, 2009

Luís Naves, no Corta-Fitas, entusiasmou-se com a aprovação irlandesa do Tratado de Lisboa.

Acha que «Ao dar mais poder à Alemanha e ao limitar as possibilidades de bloqueio por uma coligação de pequenos, o documento permitirá que se desenvolvam novas políticas comuns». Bom, obviamente, a limitação de bloqueio por uma coligação de pequenos leva a um aumento do poder dos grandes. O que em princípio não parecerá uma boa coisa, sobretudo para quem faça parte de um dos ditos «pequenos». Quanto ao «desenvolvimento de novas políticas comuns» as mesmas sempre foram possíveis. Bastava estarem todos de acordo. Agora, os «mais pequenos» já não se podem a elas opor e terão de  participar nas mesmas, queiram ou não. Não parece de  todo grande ideia.

«O mecanismo melhorado das cooperações reforçadas viabiliza as áreas da defesa e segurança, ao mesmo tempo que a possibilidade de expulsão assegura o bom comportamento de todos os membros.» Essa do «mecanismo melhorado das cooperações reforçadas» parece ter alguma coisa a haver com as referidas «regras bizantinas» que supostamente tinham acabado. E convirá ter presente que a «possibilidade de expulsão» é pura invenção, pois apenas se consagrou a possibilidade (que sempre existiu) da saída, voluntária. Já o tal suposto efeito de assegurar o «bom comportamento», convenhamos que se não era a total infantilização dos estados, seria certamente uma forma muito pouco respeitosa de forçar a vontade dos cidadãos dos estados. Como aliás, se fez agora na Irlanda.

«Sem este Tratado, alguns países iriam avançar com uma UE de patamar mais elevado e Portugal corria o risco de ficar fora deste núcleo.» Pois . Se calhar alguns até iriam criar um moeda e alguns estados ficariam de fora. Ou apenas alguns estados criariamm um espaço de fronteiras comuns sem a participação de outros. Tss, seria o caos….

«o grande desafio será tornar a organização mais transparente e democrática, para que as pessoas votem em eleições europeias e possa realizar-se um referendo europeu.». «Mais transparente e democrática» face a todo o processo de aprovação destes últimos tratados? É piada, certo? E o que se entende por «referendo europeu»? O somatório dos votos independentemente dos estados? Meu caro, nem em sistemas federais tal sucede. Apenas em estados únicos. O que se espera nunca venha a ser o caso.

Anúncios
27 comentários leave one →
  1. Eduardo F. permalink
    3 Outubro, 2009 17:59

    Em conclusão: o Tratado “porreiro, pá” representa uma EXTRAORDINÁRIA VITÓRIA para Portugal e demais pequenos países.

    Deve ser por isso que não chegámos a referendá-lo. Acaso referendaríamos um acto de submissão?

    Gostar

  2. 3 Outubro, 2009 18:08

    Imagino o papel reservado ao mais africano país da Europa:servir de reservatório aos africanos que a Europa não quiser…afinal o 2º melhor acolhimento deve ser devidamente aproveitado…

    Gostar

  3. Eduardo F. permalink
    3 Outubro, 2009 18:09

    A Orwelliana newspeak está definitivamente instalada. Alguns exemplos:

    a)”Avançar” = recuar;

    b)”Investir” = desbaratar;

    c)”Bota-abaixismo” = prudência, bom senso;

    d)”Ética” = canalhice;

    e)”Coragem” = pesporrência;

    f)”Deontologia” = desapareceu do dicionário, sem equivalência no newspeak;

    g)”Conseguir” = perder;

    h)”Vitória” = derrota.

    Etc., etc. Estou até a pensar escrever uma monografia sobre o assunto.

    Gostar

  4. 3 Outubro, 2009 18:10

    Por isso até convém votar no Costa em Lisboa.Vai ser uma riqueza imensa.Uma animação.O branco esse pagará com alegria porque vota bem…

    Gostar

  5. paulo permalink
    3 Outubro, 2009 18:27

    o que seria de Portugal se não estive na “União”? alguém consegue imaginar este cenário? um misto de Angola, Sudão, Ruanda e…Venezuela…mas não necessariamente por esta ordem!

    Gostar

  6. olhão permalink
    3 Outubro, 2009 18:46

    #4
    Não vai pagar os túneis. Só pode.

    Gostar

  7. Marcus Aurelius permalink
    3 Outubro, 2009 18:47

    Back to The Future! Esta Europa é surreal!!!

    Gostar

  8. lucklucky permalink
    3 Outubro, 2009 18:49

    “o que seria de Portugal se não estive na “União”? alguém consegue imaginar este cenário? um misto de Angola, Sudão, Ruanda e…Venezuela…mas não necessariamente por esta ordem!”

    A possibilidade de fazer asneira é que nos permite corrigir. Se não tivéssemos entrado na União Europeia de certeza o Bloco de Esquerda não teria passado dos 5%. A asneira tipo Bloco de Esquerda e a bolha especulativa social que é Portugal só é possível existir debaixo do Paternalismo da União.

    Como estamos protegidos da realidade a curto prazo a bolha pode nascer e criar pus e todos olham para o lado durante uma, duas décadas porque não há dor. Vai ver o estoiro que vai dar.

    E olhem para o estoiro em Madrid também. Se for agudo nem o Euro aguenta.

    O texto de Luís Naves é um nojo, basta só esta pequena parte para ver a manipulação sem a mais pequena vergonha:

    “Ao dar mais poder à Alemanha e ao limitar as possibilidades de bloqueio por uma coligação de pequenos, o documento permitirá que se desenvolvam novas políticas comuns”

    Então como é que raio são “políticas comuns” se os pequenos não concordam com elas e estão impedidos de as bloquear.

    Adicionando mais uma á Orwelliana newspeak que Eduardo F. tão bem demonstrou:

    Políticas Comuns = Políticas Alemãs que os países pequenos não podem bloquear.

    Gostar

  9. Eduardo F. permalink
    3 Outubro, 2009 18:53

    Lucklucky,

    Não me vou esquecer da entrada que sugeriu para a minha monografia.
    Obrigado.

    Gostar

  10. O Puto Novo no Bairro permalink
    3 Outubro, 2009 20:00

    Eduardo F.

    Assunto: Newspeak.

    Justamente! esse trabalho de desconstrução semântica do newspeak é absolutamente vital.

    Continue, e o Luckylucky também.

    O artigo do Naves é de um lacaio, de facto. E o Durão Barroso é outro lacaio de mais alto grau. Mas lacaio também. E lacaios e cegos quem os apoiam e aplaudem.

    Gostar

  11. balde-de-cal permalink
    3 Outubro, 2009 21:09

    para “traz”
    o inquérito da erc
    ao caso tvi-prisa-m m Guedes

    no caso dos submarinos o governo ainda se não tinha apercebido da falta das contrapartidas

    Gostar

  12. Pifas manda dizer permalink
    3 Outubro, 2009 22:11

    O tratado devia chamar-se “de Tordesilhas 2”. Nesta nova versão a China e os EUA dividem o mundo entre si.

    Gostar

  13. xAvançado permalink
    3 Outubro, 2009 22:16

    5.paulo disse
    3 Outubro, 2009 às 6:27 pm
    o que seria de Portugal se não estive na “União”? alguém consegue imaginar este cenário? um misto de Angola, Sudão, Ruanda e…Venezuela…mas não necessariamente por esta ordem!

    Oi Gabriel
    Deixa-te de censuras pá.Não gostas, corta!

    Quanto ao 5:
    Não estou para refazer o que o Gabriel apagou mas basta ver como estamos:
    -Africanizados
    -Sem 400 toneladas de ouro
    -Com 200000 drogados
    -Sem industria, pescas e agricultura
    -Com os europeus a fugir de Portugal mercê da africanização e bandalheira na segurança
    -A importar médicos em vez de os exportar
    -Com políticos em demasia

    Gostar

  14. xAvançado permalink
    3 Outubro, 2009 22:23

    É uma maravilha ter autoestradas por todo o lado para meia dúzia andar…
    Mas muito social, psicologias e sociologias ah e politólogos!Isso enriquece-nos como o caraças…

    Gostar

  15. xAvançado permalink
    3 Outubro, 2009 22:24

    E onde havia fábricas agora temos lindos resortes.às moscas claro…

    Gostar

  16. Justiniano permalink
    3 Outubro, 2009 22:38

    Correctíssimo Lucklucky!
    A esquerda há muito que sublimou a temática – produção – dedicando-se, em exclusivo, à questão – distribuição – Há muito que se vê província germanica e assim quer continuar a ver-se.
    Quanto à Irlanda! Foi o Sim. Sim à humilhação, sim à gamela.

    Gostar

  17. tina permalink
    3 Outubro, 2009 22:48

    “Acaso referendaríamos um acto de submissão?”

    A esquerda sempre!… Por protecção, a esquerda fará tudo. Se isto é mau, imagine-se quando o PSE ganhar as eleições, o sufoco que não será! Nessa altura, o orçamento da UE será de 60% para as alterações climáticas (tanto medo que o céu lhes caia em cima!), 10% para ajuda à Palestina (coitadinhos, os israelis são tão maus!), 20% para as regulamentações europeias (ordem, é preciso ordem!)e 10% para fundos estruturais (ah, os europeus pobres que se lixem, eles que emigrem, eu cá já tenho o meu tacho!..). Por isso, aproveitemos enquanto é tempo.

    Gostar

  18. Kolchak permalink
    3 Outubro, 2009 22:59

    Paulo 5: diz: «o que seria de Portugal se não estive na “União”? alguém consegue imaginar este cenário? um misto de Angola, Sudão, Ruanda e…Venezuela…mas não necessariamente por esta ordem!»

    Nunca se colocou a questão inversa: não poderíamos ser hoje uma Suiça?

    Um misto de Angola, Sudão, Ruanda e Venezuela é o que na actualidade Portugal

    parece dentro da UE!

    Gostar

  19. Eduardo F. permalink
    3 Outubro, 2009 23:00

    Tina,

    O seu comentário sugeriu-me uma chave de interpretação da estratégia socretina para o país: empobrecê-lo numa escala tal em ordem a que voltemos a ser elegíveis para uma nova “rodada” do Fundo de Coesão!

    Mas… e se os alemães se fartarem desta estória? Lá se vai a estratégia…

    Gostar

  20. carlos graça permalink
    4 Outubro, 2009 00:28

    ingénuos contentamentos…

    Gostar

  21. Golp(ada) permalink
    4 Outubro, 2009 01:07

    Curiosa democracia esta que IMPÕE 2º referendo.
    Nada me admira que falseassem a votação também.
    Uma página muito negra começa hoje nesta Europa fascizante.
    Orwell no seu melhor…

    Gostar

  22. Golp(ada) permalink
    4 Outubro, 2009 01:17

    Em trinta anos o Desgoverno e Bruxelas fecharam escolas, hospitais, maternidades,indústria, fábricas, agricultura, pescas, etc…
    Não seria melhor FECHAR o País??????

    Gostar

  23. Revolta Popular permalink
    4 Outubro, 2009 01:18

    Curioso ver os papagaios acéfalos do Pinócrates a repetir que o SIM Irlandês é tb uma vitória da Presidência Portuguesa da UE.

    Do tempo do Pinócrates.

    Mas qdo ganhou o NÃO, deviam ter proclamado que era uma DERROTA da Presidência Pinocrática…

    Covardes, gritam vitória (embora nada tenham a ver com isso) quando lhes convém.

    E fogem para os buracos dos ratos quando não lhes convém.

    A malta ri-se destes papagaios qdo os vê por aí….

    Gostar

  24. Amonino permalink
    4 Outubro, 2009 06:50

    .
    -What is this place called Europe?
    The nature of British sovereignty will be altered if the new structure and powers of the European Union are approved next month by an Irish referendum on the Lisbon Treaty
    http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/6180958/What-is-this-place-called-Europe.html
    .
    -Voters demand EU referendum if David Cameron becomes PM
    The Tories have come under fierce pressure on Europe as a poll shows that 70 per cent of voters want a Conservative government to offer a referendum on the Lisbon Treaty, even if it is already law when they come to power.
    http://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/politics/david-cameron/6210163/Voters-demand-EU-referendum-if-David-Cameron-becomes-PM.html
    .

    Gostar

  25. Estrela Fixa permalink
    4 Outubro, 2009 11:10

    Gisela Stuart, a former minister who helped to draw up the treaty’s original blueprint, warning that ratifying Lisbon across the EU would create a “democratic deficit”.

    Gostar

  26. 4 Outubro, 2009 11:54

    Um misto de Angola, Sudão, Ruanda e…Venezuela é o futuro de Portugal dentro da UE. Vejam a evolução do país nas últimas décadas e pensem no futuro.
    Portugal é uma república das bananas e isso interessa a quem manda em Bruxelas. Eu prefiro ter como exemplo do que deve ser Portugal a “Nação” que é Israel. Valem mais eles do que toda a Europa junta e liderada pelos corruptos de Bruxelas e seus patrões, os meninos das corporações e dos bancos.
    Temos que sair desta nau condenada antes que ela naufrague e pensar somente em nós.

    Gostar

  27. tina permalink
    4 Outubro, 2009 13:36

    “Mas… e se os alemães se fartarem desta estória? Lá se vai a estratégia…”

    Eduardo, eu acho que quem apoiou o sim agora, se vai arrepender no futuro precisamente por causa disso. Pelo sim, pelo não, acho que Sócrates devia perguntar já à UE sobre o TGV para saber o que nos irá acontecer no futuro quando não conseguirmos cumprir o défice.

    Gostar

Indigne-se aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: