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Vamos lá um “supônhamos”

19 Setembro, 2010

Quando fui professora havia duas palavras que saltavam a troco de tudo e de nada:  era o “supônhamos” e o derivado. Aquelas almas explicavam tudo com o “supônhamos” e o derivado. Vários anos depois acho que devo desculpas aos meus antigos alunos. Em primeiro lugar porque reprovei muitos que agora entrariam na faculdade sem terem sequer de estudar. Depois porque me parece que o “supônhamos” e o derivado são necessários para explicar algumas coisas da realidade.

Assim sabendo nós que   “Antigos administradores da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL) foram ontem considerados culpados do crime de peculato, por terem mandado pagar prémios de desempenho no valor de 12.800 euros por dirigente, incluindo eles próprios. ” Não ignorando também  que os ditos antigos administradores foram condenados a penas suspensas de prisão e à devolução dos 12.800 euros que se atribuíram a eles mesmos. E por fim que como explicam os jornais que os visados também pagaram um preço político:   “O caso dos prémios foi, juntamente com outros escândalos envolvendo a EPUL e também o Parque Mayer, um dos que precipitaram a queda da Câmara de Lisboa em 2007.”  Temos reunidas as condições para colocar um  derivado.

Derivemos por exemplo para um ministro do Ambiente que tivesse autorizado a construção de um muito polémico empreendimento numa zona protegidas com o seu governo já em fase de gestão. Nesse obscuro processo de licenciamento são referidos envelopes, transferências para off shores, arquitectos que ficaram com o projecto e nada fizeram além de trabalharem para o partido desse ministro. Derivemos também para que esse mesmo ministro tivesse estado anteriormente ligado ao licenciamento duma muito ineficaz central de tratamento de lixos cujas empresas consultoras afinal eram todas a mesma e reportavam a uma figura que “supônhamos” por acaso anos mais tarde foi professor de várias cadeiras numa licenciatura que “supônhamos” esse ministro concluiu a um Domingo.  E que esse ministro tivesse assinado projectos de casas que os donos dizem não lhe ter encomendado. E por um “supônhamos” muito ficcionado suponhamos que esse ministro com este bizarro curriculum  chegou a primeiro-ministro e usou o banco público e as empresas públicas para controlar os grupos de comunicação que considerava hostis.   Enfim daqui derivava que tal como a arraia miúda  que inicia este post certamente  seria investigado, julgado e condenado na devida proporção. Supor que isso não acontecia era muito supor, não era?

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20 comentários leave one →
  1. 19 Setembro, 2010 10:41

    Supônhamos então mais algumas coisas:

    Que o PGR não era indicado pelo PM, do modo como este foi. Supônhamos que era um PGR isento e independente, com grau de seriedade suficiente para assegurar que a lei seria efectivamente igual para todos. Supônhamos ainda que a entidade investigadora de crimes de corrupção, tinha meios suficientes para tal e as leis processuais penais não seriam factor de protecção a bandidos mas auxiliares no modo de fazer justiça, como direito adjectivo que deve ser.

    Suponhamos agora que uma Assembleia da República formada por deputados esclarecidos e defensores da legalidade e do bem comum, não aprovaria medidas legislativas para protecção de certas pessoas e pensaria as leis com o objectivo que devem ter: gerais e abstractas.
    É muito supôr para esquecermos os estupores que temos a governar e a legislar.

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  2. 19 Setembro, 2010 10:44

    Continuemos a supor:

    Supònhamos que os directores de informação das principais cadeias de tv eram escolhidos pelo efectivo mérito de jornalistas isentos e independentes, pagos com tabela fixa e sem acrescentos que lhe saem do bolso imediatamente, caso fujam da linha certa.
    Supônhamos ainda que os principais jornalistas que dirigem jornais eram pessoas cultas e de porte moral e ético à altura da exigência da profissão.
    Supônhamos que o público que lê jornais gostaria de se informar devidamente e não intoxicado diariamente com recados políticos e jornalismo de opinião.

    Era muito supor também.

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  3. 19 Setembro, 2010 11:10

    Jose, em Matemática, V. sabe-o ão bem., quando se começa uma proposição por * Supônhamos *, estamos propo uma Hipótese, dela partindo-se, por raciocínio lógico, para uma conclusão precisa e definitiva.
    Aqui, apenas por imitação, eu chegaria a que * a nossa Sociedade seria bem diferente do que agira se nos apresenta*. A Senhora não concluiu, deixou à inteligência do leitor: preferiu assim..

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  4. floribundus permalink
    19 Setembro, 2010 11:18

    suponhâmos que está na bancarrota o rectângulo dirigido por dirigentes fascistas.
    suponhâmos que há quem espere pelo emigrante D. Sebastião I
    vão trabalhar malandros!

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  5. 19 Setembro, 2010 11:19

    Estou admirado com tão poucos comentários.Certamente não lhes agradou a segunda parte da notícia ! Agora,quando vejo afirmar ou insinuar que um investigador ou julgador de um qualquer grau hierárquico não usou toda a isenção que lhe era devida,esperada e exigida,só porque se tratava de determinado grupo,bem como quem tinha o dever de nos representar dignamente , produz de má fé furos na lei para favorecer este ou aquele,então é de fugir para bem longe.

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  6. gui permalink
    19 Setembro, 2010 11:31

    Supônhamos que o Governador do Banco de Portugal Campos Cunha não aprova para si próprio uma reforma de 8000 euros com seis anos de trabalho.

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  7. J CASTILHO permalink
    19 Setembro, 2010 11:58

    Supônhamos que a H Matos não era burra e podia continuar como professora em vez de “jornalista” intriguista e blogueira ! Era uma grande vantagem para a sanidade mental dos leitores e talvez as criancinhas pudessem aproveitar alguma coisa.

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  8. 19 Setembro, 2010 11:59

    regada mertório
    . . . não usou toda a isenção que lhe era devida,esperada e exigida,só porque se tratava de determinado grupo,bem como quem tinha o dever de nos representar dignamente , produz de má fé furos na lei para favorecer este ou aquele,então é de fugir para bem longe.
    ******
    APROVO, deve estar a referir-se, por exemplo, ao caso Freepot e à *imparcial* actuação de Cândida Almeida na Holanda, isentando o Sócrates a priori de culpas (MAS QUE TERRA DE CAFRES, A NOSSA).

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  9. 19 Setembro, 2010 12:00

    eheh

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  10. 19 Setembro, 2010 12:00

    O que dá para rir dá para chorar.

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  11. 19 Setembro, 2010 13:56

    LOL !!!

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  12. lucklucky permalink
    19 Setembro, 2010 14:03

    Suponhamos que a PGR vai atrás de toda a gente na Administração Publica/EP/Municípios que definiram as próprias regras de remuneração e prémios…

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  13. Eleutério Viegas permalink
    19 Setembro, 2010 14:53

    Supônhamos que deixamos de pagar para este pagode, mas deixamos mesmo… Não era uma boa solução? Não pagamos! Não pagamos! Não pagamos! Não pagamos!!!!!!

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  14. 19 Setembro, 2010 15:40

    “supônhamos” que a helenafmatos continuava no Ensino …
    Como explicaria «Vamos lá um “supônhamos”» aos seus actuais alunos!?
    Os jovens sabem tudo, topam tudo, fazem as perguntinhas difíceis aos professores. Ou se não fazem explicitamente, fazem implicitamente. Ainda se lembra disso, helena matos ?

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  15. 19 Setembro, 2010 15:55

    Quase dois milhões de portugueses estão directamente “depositados” nas mãos dos professores portugueses. Se as matérias estritamente académicas são de importância vital (passagem de testemunho geracional do melhor da evolução da espécie humana, o seu património cultural em sentido abrangente), não é menos vital a passagem de testemunho dos grandes valores humanistas da justiça, da solidariedade social, …
    Os professores têm um ENORME PODER nas suas mãos.
    A tentativa desesperada de um qualquer poder político de controle do professorado é sempre o primeiro sinal de instalação de regime autoritário. É por essa razão que em países com democracias fortes, com elites fortes e um povo culto, nunca lhes passaria pela cabeça o controle da “profissão” mais nobre e importante numa Democracia – é por essa razão que não existe uma avaliação formal de desempenho dos professores ou, a existir, tem unicamente como função u ma reflexão para a melhoria do seu desempenho profissional.

    Logicamente.

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  16. 19 Setembro, 2010 16:54

    Eu diria mesmo:
    «Supônhamos que o Governador do Banco de Portugal Campos Cunha não aprova para si próprio uma reforma de 8000 euros com seis anos de trabalho»
    Ou como Luck
    Ou o Anón… sobre a mais nobre profissão, corrigindo: de um País (em vez de democracia)
    Supônamos: que não havia «Lei das rendas»….

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  17. António P. Castro permalink
    19 Setembro, 2010 17:27

    “Supônhamos” ainda, e principalmente, que o país tinha um PR com eles no sítio…

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  18. 19 Setembro, 2010 18:12

    . . . Suponhamos (isto é um *supônhamos) que o que aqui está sendo escrito
    contribua para regenerar um País tão pôdre de Corrupção e tão falho de esperança
    que o único Partido Político contra este estado de coisas é precisamente o do actual
    Primeito Ministro . . .

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  19. 19 Setembro, 2010 20:40

    Parece que os *bloggers* não estão admitindo *supônhamos*
    indiferentemente distribuídos pelos Partidos . . .

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  20. Psulo Silva permalink
    20 Setembro, 2010 02:16

    O que assusta não é JS ter chegado a primeiro-ministro com esse currículo. O que assusta é haver todo um Partido que pode invariavelmente ser poder cujo primus inter pares é JS.

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