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é um comboio? é um tgv? é um «alta velocidade»? não: é um «alta prestação»!

19 Outubro, 2011
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Repare-se como são profundamente distintos os projectos do «alta velocidade» do Eng.º Sócrates e do ministro Vieira da Silva e o «alta prestação» do Dr. Passos Coelho e do ministro Álvaro Santos Pereira. O primeiro saía de uma terriola manhosa nos arredores de Palmela, enquanto que o segundo partirá da prestigiada vila do Poceirão. O primeiro teria sido feito sob a inaceitável pressão de Bruxelas, enquanto que o segundo foi «acertado» pelo governo português com a Comissão Europeia; o primeiro seria uma consequência de desastrados contratos internacionais feitos pelo governo Sócrates, já o segundo honrará a palavra dada pelo estado português, que é pessoa de bem; o primeiro saciaria a megalomania daqueles dois governantes, ao passo que o segundo «melhorará a competitividade da economia portuguesa, tornando as exportações mais baratas»; o primeiro seria construído com umas migalhas de Bruxelas e o resto com o dinheiro do contribuinte português, enquanto que o segundo aproveitará uns voluptuosos 1.300 milhões de fundos comunitários e nada nos custará; e, é claro, a grande e substancial diferença que explica a distinção onomástica: o «alta velocidade» chegaria aos 320 km/h, se os vagões circulassem em «lignes à grande vitesse», enquanto que o «alta prestação» não ultrapassa uns miseráveis 250 km/h. Tudo diferenças profundas que honram, simultaneamente, os compromissos eleitorais do PSD, a palavra recentemente dada pelo ministro da economia, os sacrifícios que estão a ser «pedidos» aos portugueses e as necessidades desenvolvimentistas da pátria. Fica apenas por esclarecer quanto nos custará isto em subsídios de férias e de Natal, mas nada que, mais tarde ou mais cedo, se não venha a saber.

12 comentários leave one →
  1. Zebedeu Flautista's avatar
    Zebedeu Flautista permalink
    19 Outubro, 2011 05:32

    Parece que a garrafa passou de meia vazia a meia cheia. Mas isso agora não interessa nada. Temos de fazer o que eles querem senão fecha-se a torneira.

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  2. Zebedeu Flautista's avatar
    Zebedeu Flautista permalink
    19 Outubro, 2011 05:50

    Um gajo com este currículo:

    http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Governo/Perfis/Pages/DiogoSantiagoAlbuquerque.aspx

    a dizer barbaridades destas…

    “Mas a subida do IVA não vai ter efeitos muito negativos nos produtores nacionais?
    Pode ter. E por isso o este governo insistiu em isentar certos produtos agrícolas e da viticultura, exactamente por que são áreas com dinamismo, onde se consegue exportar. O vinho traz um valor anual para Portugal de mil milhões de euros. Conseguiu-se alguma isenção. ”

    http://economico.sapo.pt/noticias/agricultura-pode-ser-uma-arma-contra-o-desemprego_129356.html

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  3. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    19 Outubro, 2011 08:03

    Alguma coisa me falha nesta magna isenção ao vinho exportador, porque as exportações são isentas de IVA.
    .
    Mas isso sou eu, que me dedico às latas e aos parafusos. talvez algum iluminado in-co-mu-nis-ta… economista me possa elucidar.

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  4. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    19 Outubro, 2011 08:19

    O comboio é de alta prestação para quem se aprestaa ver se presta: as construtoras. Se não prestasse, nunca se aprestariam a implantá-lo.
    .
    Sejamos claros: o que se quer é 1.300 milhões de euros lá de fora na economia. Mas mesmo assim pode ser um péssimo negócio, como foram as SCUT. O meu problema é este: não estaremos daqui a cinco anos com mais uma empresa gestora completamente falida, com excesso de capacidade e com poucos passageiros/contentores transportados, à la Beja? (e com prémios de boa gestão milionários pagos aos vinte e sete competentíssimos e encartadíssimos gestores, que apenas andam de popó de topo de gama, porque isso de comboio é para a ralé)

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  5. fado alexandrino's avatar
    19 Outubro, 2011 10:13

    A seguir à não privatização da RTP outra vergonha nacional.
    Nao vai acabar por aqui.

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  6. Daniel Rodrigues's avatar
    19 Outubro, 2011 10:36

    recordando:

    “O Grupo REFER é constituído por um conjunto de empresas que, actuando numa lógica de complementaridade, contribuem articuladamente para a modernização e desenvolvimento do caminho-de-ferro. REFER · Gestão da infra-estrutura ferroviária
    RAVE · Rede de Alta Velocidade
    REFER TELECOM · Telecomunicações
    INVESFER · Valorização de património
    FERBRITAS · Estudos, projectos e exploração de pedreiras
    CPCOM · Exploração de espaços comerciais
    GARE INTERMODAL DE LISBOA
    FERNAVE · Formação e consultoria
    METRO MONDEGO

    Exploraćão de espaćos comerciais, estudos, projectos e exploracao de pedreiras? Complementaridade?

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  7. Anti-gatunagem's avatar
    Anti-gatunagem permalink
    19 Outubro, 2011 11:29

    Ligar Sines à rede de mercadorias europeias (linha de mercadorias em bitola europeia, que continue entre Espanha e França) é fundamental e urgente para captar o tráfego de super-porta-contentores, da rota da China, que passará a fazer-se pelo canal do Panamá a partir do seu alargamento em 2014 (Sines já recebe alguns, chegando a ter dois em simultâneo).
    É um dos serviços que melhor podemos prestar, ser a porta de chegada e de partida das mercadorias da Europa para o mundo (não, não é a História, é a Geografia) e a distribuição de mercadorias pela Europa, ou a acumulção da Europa, far-se-á por linha férrea (neste momento Sines abastece já Madrid porque os portos de Valência e Barcelona estão estrangulados pelas suas cidades e demoram muitos dias a lá colocar as mercadorias, mas Sines abastece Madrid via entroncamento, veja-se a barbaridade! com todos os custos e atrasos) e também por navegação de cabotagem para o Norte da Europa (não, não, super-porta-contentores e passarão no Panamá 40 por dia, não se vão enfiar em Roterdão e afins; aliás já neste momento lá se fazem desdobramentos de navios, mais pequenos do que os super-porta-contentores, ou aligeiramentos de carga, para lhes permitir chegar a esses portos), o que gerará negócios nos outros portos nacionais e na reparação naval também.
    Não se percebe como não está Sines desde o seu início ligado à rede ferroviária de mercadorias europeia. Olhe-se para um mapa, faz algum sentido os navios terem de contornar Portugal em demanda doutros portos? Quanto custa um dia mais de navegação? e passar o estreito de Gibraltar que tantas vezes não está navegável?
    O negócio destes navios é arranjar um frete, carregar, fazer a mais rápida viagem possível (daí o novo canal do Panamá), descarregar logo (vejam lá para que as leis dos “direitos adquiridos” não dêem cabo do trabalho e do rendimento de todos) e arranajar com toda a urgência um novo frete. Isto também cria negócio na venda e carregamento de produtos de volta para a China, porque navegar vazios é tudo o que eles não querem.
    Ligar Sines, ferrovia, bitola europeia, é fundamental e urgente fazer-se, seja o estado, sejam privados, seja quem for. Se for o estado vigiem o NOSSO dinheiro.
    O resto são linhas para brincar aos comboios fazendo negociatas em benefício próprio e seria muito interessante saber-se todas as que os gatunos dos chuchas fizeram quando foram andar a assinar contratos à pressa com cláusulas altamente lesivas do estado em caso da suspenção que estava iminente. Negociatas feitas com as empresas, suas empresas, que parasitaram o estado, ou seja o dinheiro de todos nós, durante todo o consulado do engenheireiro corrupto.
    Não há cadeias neste país, ou não entram lá aventalados? pois…

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  8. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    19 Outubro, 2011 16:36

    Naturalmente que a Alemanha e a França estão a pressionar para que se faça o TGV.
    Querem bago?
    Então comprem os nossos tarecos e brinquedos!

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  9. JCA's avatar
    JCA permalink
    20 Outubro, 2011 04:31

    .
    Embora seja adepto duma Companhia transeuropeia privada que construisse e explorasse os Comboios de Alta Velocidade numa logica de mercado pura (prejuizos/lucros), convirá começar-se o debate punlico para situarmos afinal qual o papel de Portugal no tema, ou melhor dos Impostos dos Portugeses e do Dinheiro que o Estado terá de pedir emprestado ao Estrangeiro na construção e na exploração se deficitária como habitual na ferroviaria portuguesa:
    .
    “Una red de líneas de alta velocidad que permitirá transportar mercancías de una punta a otra de la Unión Europea en tren, SI LOS ESTADOS CUMPLEN SUS PROMESAS:
    .
    =Bruselas convierte a España en la puerta ferroviaria para Europa
    Bruselas incorpora dos proyectos españoles a la red básica europea.
    Los futuros corredores de mercacías recibirán fondos europeos
    · Rudi acusa al Gobierno de favorecer al mediterráneo
    · El Gobierno catalán acudirá finalmente a la celebración del corredor Mediterráneo
    .
    http://politica.elpais.com/politica/2011/10/19/actualidad/1319021781_963357.html
    .

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