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O crescimento

30 Abril, 2012

É uma cena típica do comentário político português: a dada altura o comentador diz que só há solução com “políticas de crescimento” ou se fizermos uma “aposta no crescimento”. É uma sarna universal, que afecta todos, desde a extrema esquerda à extrema direita. Nenhum dos proponentes desta via passa 5 minutos a pensar o que é o crescimento económico, quais as suas causas ou porque é que há mais de 10 anos que o país não cresce decentemente. Muito menos nos consegue explicar como é que uma economia que não cresceu durante mais de 10 anos vai subitamente começar a crescer apenas porque passamos a ter uma política de crescimento. E antes não tínhamos, é?

18 comentários leave one →
  1. neotonto permalink
    30 Abril, 2012 09:45

    Ja sei que se o comentador fiz esse comentario sobre da necessidade de ” crescimento” a bom seguro e 99 de 100 possibilidades de que nao é o dono duma loja chinesa…

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  2. Luís Marques permalink
    30 Abril, 2012 09:48

    Na mouche. Mas o futuro é sombrio, serão eles que continuarão no poder.

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  3. JP Ribeiro permalink
    30 Abril, 2012 10:11

    Um bom tiro contra o estado geral de bovinidade.

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  4. Eleutério Viegas permalink
    30 Abril, 2012 10:32

    “Nenhum dos proponentes desta via passa 5 minutos a pensar …” Nem 5 minutos nem nada. Estes tipos são apenas papagaios que se limitam a repetir o que ouven. E não, não pensam nada.

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  5. Fincapé permalink
    30 Abril, 2012 10:55

    Como muita gente sabe, o crescimento contínuo da economia, tipo progressão geométrica, criado e mantida por uma clique de economistas do regime (ou dos regimes, uma vez que é assim por todo o planeta), é uma ideia tão disparatada que só pode vir mesmo daquela malta. É uma coisa deste tipo: os recursos são limitados, mas vamos todos fazer de conta que não são e vamos convencer as pessoas a comprar e a ter cada vez mais merdonguices que não servem para nada. Como isso não chega porque lida exatamente com a limitação dos recursos e com os seus preços variáveis em função dessa limitação (e não só), vamos inventar produtos que aumentam artificialmente o crescimento e a “riqueza”. Os ultraliberais não querem limites a estes produtos porque são o cérebro (seriam, se o tivessem) dos economistas do regime. Ainda recentemente se leu nos jornais que se os chineses tivessem proporcionalmente a mesma quantidade de automóveis dos americanos o petróleo já teria acabado. Quer dizer, o crescimento nos países pobres ou em vias de desenvolvimento vai acabar por fazer parte de um processo de equilíbrio que terá forçosamente de limitar o chamado crescimento nos países desenvolvidos. É por isso necessário criar novos paradigmas, novas formas de medir os parâmetros da economia, criar novos parâmetros que respondam melhor às necessidades das pessoas e que tenham uma relação com a sua felicidade, dado que os atuais são exatamente ao contrário: têm relação apenas com a sua infelicidade. Há muitos anos que penso que um desses parâmetros é exatamente a felicidade. Para isso, teríamos de pensá-la em termos do conhecimento, do desenvolvimento intelectual, da troca de ideias, da leitura e da aprendizagem informal, do estudo de áreas humanísticas, do diálogo construtivo, da convivência e troca cultural, das visitas a museus, da compreensão do papel do homem e do seu desenvolvimento. Não consigo entender como é que a futilidade, o lufa-lufa, as 50 horas de trabalho semanal, os 20 diazitos de férias, o trabalho até aos 80 anos, a escravização, o incentivo à destruição rápida do planeta, as sociedades depressivas que têm apenas 20% de desemprego porque 50% das pessoas andam a “produzir” inutilidades, designadamente burocracias.
    Realmente, a economia do país não cresce há mais de 10 anos. Eu também não vejo como é que possa começar a crescer no sentido que economistas lhe atribuem. Mas vejo como é que a maioria das pessoas poderia ser mais feliz, sem as tralhas que atrapalham o físico e a mente: alterando o paradigma do ter em excesso para o ser. Mas para isso era necessário haver elites que dessem o exemplo e ajudassem a alterar o paradigma. E as elites são uma merda: gostam mais do emblema do carro do que da família toda!

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  6. JPT permalink
    30 Abril, 2012 11:06

    Ao menos os comentadores só comentam. E os deputados licenciados em ciência política que não sabem quem foi o último presidente do conselho de ministros e legislam. E os juízes (sejamos justos, parece que é só um) que não sabem o que é um contrato de mútuo e julgam?

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  7. 30 Abril, 2012 11:09

    “Para isso, teríamos de pensá-la em termos do conhecimento, do desenvolvimento intelectual, da troca de ideias, da leitura e da aprendizagem informal, do estudo de áreas humanísticas, do diálogo construtivo, da convivência e troca cultural, das visitas a museus, da compreensão do papel do homem e do seu desenvolvimento. Não consigo entender como é que a futilidade, o lufa-lufa, as 50 horas de trabalho semanal, os 20 diazitos de férias, o trabalho até aos 80 anos, a escravização, o incentivo à destruição rápida do planeta, as sociedades depressivas que têm apenas 20% de desemprego porque 50% das pessoas andam a “produzir” inutilidades, designadamente burocracias.”
    .
    Eu, pelo contrário, reconheço-me cada vez mais humilde para evitar julgar o mundo e os outros pela minha referência e pelos meus valores, apenas.

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  8. Fernando S permalink
    30 Abril, 2012 11:32

    Claro que a famigerada “politica de crescimento” é por o Estado a gastar … ainda mais !…
    Ou seja, ainda não nos curamos da ultima bebedeira que para ajudar ja nos propoem mais um … copo !!

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  9. JDGF permalink
    30 Abril, 2012 13:26

    Como ‘crescer’ não sei…
    Só espero (sentado) que a ‘multidão’ de economistas, armados em comentadores orgânicos, me expliquem.
    Também gostava que, na passada, me explicassem como poderemos pagar a dívida pública (e a privada,já agora) se a economia não ‘arrancar’ e não tivermos um superavit. Julgo que o controlo (e a disciplina) orçamental através de severas medidas de austeridade tenderá a diminuir o deficit mas, este, por mais pequeno que seja – como o estipulado no recente pacto fiscal do Tratado da União Europeia – não nos livra de continuarmos a endividar (embora mais lentamente e comedidamente).
    Parece-me que o se preconiza para o País é um dilema fatal: morte súbita ou morte lenta?
    De qualquer maneira o espectro da morte sempre presente. Seria bom dedicarmos outros 5 minutos a tentar perceber isto…

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  10. 30 Abril, 2012 14:07

    Querem ver que o João Miranda descobriu agora que o modelo económico em que vivemos não dá mais…

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  11. 30 Abril, 2012 14:09

    Não tarda, vai descobrir que a abertura incondicional dos mercados europeus à China foi um disparate.

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  12. Fincapé permalink
    30 Abril, 2012 14:31

    “Eu, pelo contrário, reconheço-me cada vez mais humilde para evitar julgar o mundo e os outros pela minha referência e pelos meus valores, apenas.”
    Está a começar bem. Se eu fosse militante ativo da causa, estava já recrutado como meu seguidor. De qualquer forma, obrigado. 😉

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  13. A C da Silveira permalink
    30 Abril, 2012 15:34

    “Aposta no crescimento”, “politicas activas para a criação de emprego”: são frases feitas, slogans, que todos os dias ouvimos e lemos nos media, mas ainda não ouvi ninguem explicar como é que se faz. Ou seja, o que é preciso fazer para a economia crescer, e o que são e como se implementam “as medidas activas para a criação de emprego”.
    Durante o PREC a esquerda com a ajuda do MFA, e apenas por motivos ideologicos, destruiu a estrutura industrial portuguesa, como seja a CUF, a Siderurgia Nacional, a Lisnave, etc, etc. Agora não há dinheiro, nem gente com vontade de criar grupos industriais em Portugal, que possam competir no mercado global. Claro que a AutoEuropa é uma excepção, mas todos os resquicios de industria que ainda restam estão a fechar todos os dias e a lançar milhares de pessoas no desemprego.
    Nos tempos que vão correndo, apenas a industria cria riqueza para uma economia como a nossa poder crescer com valores acima dos 5% pelo menos. Porque com menos do que isso meus amigos, sejam da esquerda ou da direita, não temos hipotese.
    Vejam p. ex. onde é que Americo Amorim ganha e investe o seu dinheiro, e o que seria da SONAE se não fossem as maquinas registadoras do Continente.
    Para acabar: um país cuja maior empresa é uma mercearia, caminha para onde?

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  14. Fredo permalink
    30 Abril, 2012 15:55

    Ouvir falar em “políticas de crescimento” é uma coisa que até fere os ouvidos.
    Nada melhor que ouvir falar em mais cortes. Ainda só cortaram 2 em 14, temos uma grande folga de 12. Hospitais, maternidades e luxos desses nem sei porque esperam para os cortar também. Nem sei porque é que, com tanto lado onde ir buscar dinheiro não se aumentam as rendas da EDP, as tarifas da PT, os combustíveis da Galp.
    Isso sim é aquilo que a dada altura o comentador devia dizer.

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  15. esmeralda permalink
    30 Abril, 2012 16:22

    Os comentários, comentaristas, comentadores, andam pela hora da morte! Ainda não entendi porque é que essa cena virou moda! è a toda a hora, ao mesmo tempo, os mesmos de sempre… Santa paciência! No meio da turba há dois ou três que consigo ouvir! Mas vim aqui mais para dar o meu “grito de Ipiranga”! Finalmente! E eu tanto batalhei nestes comentários em que gosto de participar! Finalmente alguém chama os “bois” pelos nomes e fala claramente sobre o papel de Vitor Constâncio à frente do Banco de Portugal, mais concretamente no caso BPN! Estava a ver que não! Finalmente!!!!! Grande e frontal entrevista de Miguel Cadilhe ao Diário de Notícias! UF! Até que enfim!

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  16. António Joaquim permalink
    30 Abril, 2012 17:03

    Até pelas palavras este austero homem quer crescer.

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  17. Tolstoi permalink
    1 Maio, 2012 11:30

    A sacralização dos economistas que se tem vindo a fazer nos últimos anos é um problema, a prova é que têm sido estes a ditar as linhas de força de muitos governantes ou mesmo a governar com os resultados que se veem.
    A construção forçada de uma federação europeia amiga da globalização sem limites, mas ao ritmo e ao sabor de alguns estados, sem o consentimento formal dos cidadãos é o problema europeu.

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