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Curva de Laffer?

28 Maio, 2012

A partir do momento em que défice é cortado em 6 mil milhões de euros, são 6 mil milhões de euros que são retirados da economia. Como a economia não ajusta instantaneamente, não interessa muito se o dinheiro é retirado via impostos ou via corte na despesa, em qualquer dos casos haverá uma queda da procura interna. No caso de um aumento de impostos haverá menos rendimento disponível, no caso de um corte da despesa pública cai o rendimento dos funcionários públicos e a procura de bens por parte do Estado.  Acresce a isto que após uma bancarrota qualquer país passa por um período de contracção do  crédito e reforço da poupança que leva à redução da actividade económica e do consumo.  Atribuir a queda da receita fiscal a um fenómeno de curva de Laffer num período de contracção do crédito e do défice público não faz qualquer sentido.

13 comentários leave one →
  1. Paulo permalink
    28 Maio, 2012 08:14

    Caro João Miranda,

    Não podia estar mais em desacordo. O aumento de impostos incide, normalmente, sobre uma grande parcela da população, por vezes sobre toda a população, como no caso do IVA, enquanto que o corte da despesa, designadamente através do despedimento de funcionários públicos, têm um impacto muito menor na economia. Além disso, no segundo caso, o rendimento dos funcionários cai mas, no entanto, os mesmo ainda possuem algumas “almofadas”, como o subsídios de desemprego, indemnizações, etc.

    Além disso, justifica-se mais esta segunda opção porque, como referiu, à uma quebra na procura de bens, e serviços, por parte do estado o que justificaria o despedimento de funcionários. Por exemplo, não se justifica que existam equipas de topógrafos, engenheiros, advogados, etc a tempo inteiro, a trabalharem em câmaras que não têm financiamento para construir absolutamente nada. Tenho inclusivamente conhecimento de um caso concreto onde a equipa de topógrafos da câmara municipal não só não tem nenhum trabalho para fazer, como utiliza os meios públicos (carro, combustível, equipamento,etc) para andar a realizar trabalhos privados (a negro) por todo o concelho.

    Neste sentido, na minha opinião, a redução da despesa é a melhor solução até porque, se o corte na despesa for grande poderá existir margem de manobra para, se necessário, baixar um pouco os impostos para compensar, ou atenuar, a quebra na procura interna ou utilizando essa pequena margem para dinamizar o tecido empresarial através de uma pequena redução da TSU e do IRC.

    Quanto à bancarrota, concordo consigo.

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  2. neotonto permalink
    28 Maio, 2012 08:16

    O Sr. JM sabía que:
    “Quando Ronald Reagan foi apresentado à presidência dos EUA em 1980, incluiu cortes fiscais em seu programa. Ele argumentou que os impostos eram tão elevados que desencorajou muitos cidadãos trabalhando e que uma redução nas taxas de impostos daria incentivos indivíduos para o trabalho, resultando em economia melhorou o bem-estar e talvez mesmo as receitas fiscais. Essa política ficou conhecida como a economia da oferta como era de aumentar a oferta de trabalho.

    Os fatos não confirmam conjectura Laffer de que uma redução das taxas de imposto seria aumentar a receita fiscal. Quando Reagan reduziu os impostos quando foi eleito presidente dos Estados Unidos, o resultado foi uma redução das receitas fiscais. O imposto de renda diminuiu nove por cento entre 1980 e 1984, embora a renda média cresceu quatro por cento. Historicamente, começou um período de elevados déficits fiscais. Parece muito pouco provável no caso de taxas fiscais existentes em que os EUA tiveram o efeito Laffer. No entanto, em outros países, como a Suécia, que são muito mais elevados, há alguma evidência de que pode ter produzido o fenômeno da curva de Laffer.
    ….
    O Sr. JM sabía que o tal economista Laffer ao igual que nos UIESEI também ficava com dúvidas que a sua curva tivesse desviaçoes propias nos estimaveis paises Porkitos?

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  3. Ricciardi permalink
    28 Maio, 2012 09:26

    «Como a economia não ajusta instantaneamente, não interessa muito se o dinheiro é retirado via impostos ou via corte na despesa,» JM
    .
    Meu caro, faz toda a diferença. Uma diferença abissal, na realidade.
    .
    É a diferença entre poder atrair investimentos que promovam a produção de riqueza no país ou não.
    .
    Se vc tem impostos a este nivel a arrecadação de impostos só pode baixar, no presente e, por maioria de razões, no futuro. E baixa por dois motivos: A tal curva explica uma parte, e o desinvestimento ou a não criação de investimento privado explica a outra.
    .
    Qualquer empresario da aldeia global com dois dedos de testa, investe noutros paises da ue com impostos mais baixos e/ou com uma centralidade maior. Porque carga de agua haveria eu de investir em portugal se tenho ali paises com custos de contexto muito mais baixos a nivel fiscal e com uma capacidade laboral semelhante?
    .
    Rb

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  4. JDGF permalink
    28 Maio, 2012 10:01

    Ler: “How Do Laffer Curves Differ Across Countries?” (2012) por Harald Uhlig e Mathias Trabandt http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2005876

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  5. Fredo permalink
    28 Maio, 2012 12:31

    Mais uma cuspidela contra o vento.

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  6. Ana Vasconcelos permalink
    28 Maio, 2012 15:14

    Logo, podemos concluir do seu raciocinio que o governo poderá ainda aumentar os impostos muito mais que a receita fiscal irá crescer vigorosamente. Cá estaremos para ver….

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  7. Alexandre Gonçalves permalink
    28 Maio, 2012 19:27

    Penso que o correcto seria:
    “Atribuir a queda da receita fiscal SÓ a um fenómeno de curva de Laffer num período de contracção do crédito e do défice público não faz qualquer sentido.”

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  8. Alexandre Gonçalves permalink
    28 Maio, 2012 20:26

    No curto prazo se o estado aumentar muito a despesa consegue colocar o país a crescer.
    Dizer que mais tarde não se vai conseguir pagar a dívida não faz qualquer sentido.

    Socrates dixit

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  9. the lost horizon permalink
    28 Maio, 2012 21:11

    Sr Miranda, cuidado com as curvas, numa estrada estreita. Para chegar inteiro e em tempo útil ao destino, há que adequar os meios ao caminho; MV=PY.
    .

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  10. JCA permalink
    28 Maio, 2012 22:48

    .
    ‘resumindo’ a solução ‘fashion’,
    seria pôr os tugas a comer assados de gafanhotos, cigarras, baratas etc, é tudo à borla, lenha há muita, o unico investimento á na caixa de fósforos, nem são precisos salários, empresas, ordenados, subsidios de desemprego etc :))
    .
    == Researchers Propose Eating Insects Instead of Animal Meats as Dietary Staple
    Read more:
    http://naturalsociety.com/eating-insects-instead-animal-meat/#ixzz1vnljzAsk
    .

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  11. the lost horizon permalink
    28 Maio, 2012 23:18

    Quem vai a conduzir a viatura é um calvinista, mas o pendura que é keynesiano, é que leva o mapa; o GPS está avariado. Discutem porque um quer ir por aqui e o outro por ali. Estão perdidos na Floresta Negra, é o que é.
    .

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  12. JCA permalink
    29 Maio, 2012 01:42

    .
    O material não é lá muito bom mas ….
    .
    Arrested For Being Legally Topless in NYC
    http://vimeo.com/42443299
    .

    .

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Trackbacks

  1. O que está a dar é aumentar impostos… « O Insurgente

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