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Um abismo moral

21 Maio, 2013
Um dos valores mais caros aos liberais e conservadores, em oposição aos esquerdistas, é justamente a responsabilidade individual. Os liberais e conservadores acreditam que o paternalismo estatal produz uma sociedade infantilizada, acomodada, vitimizando-se o tempo todo, pois aprende rápido que, sob o “estado de bem-estar social”, quem não chora não mama.
Dois exemplos concretos ilustram o abismo moral entre uma posição e outra. Um deles ocorreu no Brasil, o outro em Portugal. Trata-se de uma comparação reveladora, e chocante para muitos anestesiados que ignoram a distância intransponível entre essas visões de mundo.
O caso brasileiro está aqui, nessa entrevista concedida por uma das beneficiadas do programa “Bolsa Família”. Esta senhora, que não parece sequer sem condições para se alimentar bem (até demais), reclama que a esmola, digo, o benefício estatal não é suficiente nem para comprar uma calça para sua filha de 16 anos. O preço da calça? Módicos 300 reais!
Note-se o grau do absurdo a que a coisa chegou: uma pessoa achar que é dever da “sociedade” fornecê-la recursos suficientes para comprar uma calça de grife, talvez para sua filha não passar vergonha no baile funk com as coleguinhas.
Por outro lado, o caso português pode ser visto aqui, quando um jovem com os mesmos 16 anos da menina da calça cara explica a importância da responsabilidade individual, de não esperar que os outros façam as coisas por você. Quando ele é confrontado por uma senhora com discurso bastante sensacionalista, alegando que os trabalhadores ganhavam pouco, ele dá uma resposta que é ovacionada, calando e constrangendo a populista: “Melhor do que estar desempregado”.
Em outras palavras, o jovem patrício entende que o melhor programa social chama-se emprego, e que nada dá mais dignidade ao ser humano do que se sustentar por conta própria, sem precisar de esmolas estatais. Compare-se essa atitude com aquela da senhora brasileira, reclamando que sua esmola não é suficiente para comprar bens de luxo. É um abismo moral que os separa.
Ambos inseridos na mesma cultura ibérica, que estimula a malandragem, a busca de vantagens na coisa pública. Mas que distância entre eles! O que vale, no final das contas, é a atitude individual. Sempre a atitude individual.
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27 comentários leave one →
  1. 21 Maio, 2013 20:23

    Portanto, a senhora brasileira nunca trabalharia para fabricar as calças criadas pelo “miúdo” português, mas também não as compraria para a sua filha, pois seriam demasiado baratas.

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    • neotonto permalink
      22 Maio, 2013 07:04

      Nao sei porque os comentaristas do Blasfemias tomam tudo sempre com o point of view economic e nao há mais vida além de tudo isso.
      Quando também sería um perfeito modo de aprendizagem e iniciaçao de outro assunto e temática também inquedante: a sociologia. Ainda que fosse tomada no nivel mais simple e básico: ao-modo-Arroja…

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  2. 21 Maio, 2013 20:51

    Trezentos reais por uma calça, deve dar seiscentos reais por umas calças.
    Entretanto o Real despediu o Mourinho.

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  3. 21 Maio, 2013 20:58

    Muito bem apanhado. Na mouche, Caro Rodrigo. No entanto, talvez, entre nós, seja mesmo a questão da necessidade (actual) que apura – sobretudo nas novas gerações – o sentido do empreendedorismo … como direi … cívico-social! A necessidade sempre aguçou o engenho. E talvez o desabafo (título do livro) do CAA – “É difícil ser liberal, em Portugal” – comece a ser um pouco menos agudo….

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  4. Fincapé permalink
    21 Maio, 2013 21:05

    As responsabilidades individuais nas sociedades demasiado conservadoras e/ou liberais são absolutamente limitadas por vários fatores.
    Nas sociedades conservadoras pela influência da tradição, dos valores quase imutáveis, da religião e também pela negação do que é novo…
    Nas sociedades ditas liberais pela distribuição errática e casual do rendimento disponível, uma das maiores fontes de poder, pelo não respeito pelas diferenças inibidoras (como pode concorrer uma pessoa íntegra com um vigarista, uma pessoa sã com um deficiente, etc.), pela não moderação na acumulação de riqueza injusta (mal ganha), pela influência da sorte no nascimento ou na vida…
    Basta olhar para o tornado de Oklahoma. O que seria daquela gente sem um poderoso Estado que, não sendo de esquerda também não é aquilo que os conservadores e/ou liberais gostam, que, pronta e generalizadamente, ataque os gravíssimos problemas.
    Se compararmos com o idiota do presidente liberal anterior que estava para deixar à mercê da desgraça os habitantes de Nova Orleães.
    Na realidade, os dois exemplos que Constantino deu são absolutamente arbitrários e seria facílimo encontrar o reverso de forma substancial. Não têm qualquer significado. Aliás, o “liberalidade” brasileira deixou demasiada pobreza para poder ser considerado um exemplo. Foi necessário um presidente de esquerda, com todos os seus defeitos e com quem nem simpatizo muito, para devolver alguma dignidade a milhões de pobres brasileiros. Muitos agora até têm dinheiro para ter a liberdade de comprar um livro e para o ler, se quiserem. Não sei como não há lucidez suficiente para concluir isto.

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  5. luís palma permalink
    21 Maio, 2013 21:10

    1. o problema Estado não será os mimos e «maus hábitos» que cria.
    Isto seria um problema pouco merecedor de crítica: «ser mimado» é uma escolha individual pelo que ninguém teria Autoridade de impedir)

    2. o problema Estado é a OPRESSÂO que impõe aos individuos. Falta de liberdade, portanto.
    «Limitar o Estado» é limitar os individuos que querem obter o Poder e Força do Estado para fazer vencer as suas Vontades pessoais… Este é o ponto.

    nota:
    Tentando entender minimamente o Brasil, acompanho o IMIL (instituto milénio), o Reinaldo Azevedo e o Olavo de Carvalho. Logo, ler o Rodrigo Constantino no Blasfémias é obviamente uma satisfação. Aguardo com curiosidade trocade argumentos entre João Miranda e Constantino.

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  6. luís palma permalink
    21 Maio, 2013 21:15

    1. o problema Estado não será os mimos e «maus hábitos» que cria.
    Isto seria um problema pouco merecedor de crítica: «ser mimado» é uma escolha individual pelo que ninguém teria Autoridade de impedir)

    2. o problema Estado é a OPRESSÂO que impõe aos individuos. Falta de liberdade, portanto.
    «Limitar o Estado» é limitar os individuos que querem obter o Poder e Força do Estado para fazer vencer as suas Vontades pessoais… Este é o ponto.

    nota:
    Tentando entender minimamente o Brasil, acompanho o IMIL (instituto milénio), o Reinaldo Azevedo e o Olavo de Carvalho. Logo, ler o Rodrigo Constantino no Blasfémias é obviamente uma satisfação. Aguardo com curiosidade trocade argumentos entre João Miranda e Constantino.

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  7. PiErre permalink
    21 Maio, 2013 21:49

    “A necessidade sempre aguçou o engenho.”
    .
    Se é assim, então comecemos por criar muitos necessitados, que eles depois resolverão o problema.
    Já não há pachorra para estas teorias.
    Razão parece que tinha o outro quando dizia: “Viva la muerte!”.

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  8. PiErre permalink
    21 Maio, 2013 21:54

    O empreendedorismo desenvolve-se quando há crise?
    Então viva a crise!

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  9. José Domingos permalink
    21 Maio, 2013 22:14

    Foi de facto, esta atitude de malandragem, a vitimização, o coitadinho, que Portugal, chegou onde está, este discurso, anda a esquerda a fazer á trinta anos, estado social, com o dinheiro dos outros.
    Dá muito jeito, á esquerda, haver desemprego e pobres, dão para umas boas manifestações, se o tempo estiver bom, claro.

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  10. 21 Maio, 2013 22:33

    “Um dos valores mais caros aos liberais e conservadores, em oposição aos esquerdistas, é justamente a responsabilidade individual”.
    Que coisa mais estupida. A responsabilidade individual é do individuo, seja cristão, preto, rico, velho… e é isto que os liberais e conservardores não conseguem entender porque pressumem que o mundo é deles e não conseguem olhar para além do ego, que confundem com individualidade,

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  11. 21 Maio, 2013 22:45

    Parece-me que está a confundir a estrada da beira com a beira da estrada. Uma boa maneira de aprender a fazer essa distinção seria estar a serviço de um “empreendedor” que apenas lhe pagasse o suficiente para o manter vivo (não necessariamente vestido). Sempre seria melhor que estar morto.

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  12. tric permalink
    21 Maio, 2013 23:03

    o que é que os Judeus ai de São Paulo andam a dizer dos Portugueses??? como foi possivel os Judeus terem assumido o controle politico do Brasil !!!???

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  13. Portela Menos 1 permalink
    21 Maio, 2013 23:15

    “Um dos valores mais caros aos liberais e conservadores, em oposição aos esquerdistas”
    poderia ser substituído por:
    (a) Um dos valores mais caros aos direitistas, em oposição aos esquerdistas
    ou
    (b) Um dos valores mais caros aos liberais e conservadores, em oposição aos progressistas
    .
    qualquer das opções era mais honesta intelectualmente e serviria para se continuar a ler o resto do post.

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  14. tric permalink
    21 Maio, 2013 23:19

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  15. murphy permalink
    21 Maio, 2013 23:22

    É sempre mais fácil apontar o dedo a outros, em vez de a nós próprios.

    Desde há muito que os portugueses se vitimizam, se recusam a admitir os seus erros e responsabilidades e desde há muito que uma facçao política se aproveita disso…
    A “Expiação” em 2013…

    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/05/a-expiacao-em-2013.html

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  16. tric permalink
    21 Maio, 2013 23:24

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  17. Duarte de Aviz permalink
    22 Maio, 2013 00:02

    A Raquel Varela é provavelmente o expoente máximo da esquerda caviar lusitana. Chega para calar muito matuto, mas levou um bailarico do jovem.

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  18. eramasfoice permalink
    22 Maio, 2013 00:54

    A cultura ibérica estimula a malandragem?! Andaste a ler o toleirão do Vítor Bento e os seus bentinhos? Olha, cara, que esse negócio do Weber já foi chão que deu uva. Que tolice!

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  19. mele permalink
    22 Maio, 2013 00:55

    Oh camarada Constantino: o meu caro anda por aí a pregar a oração fúnebre nas exéquias do neoliberalismo, celebradas em S. Bento, em virtude e abundância. Em socorro, o meu caro vai surripiar uns curiosos textículos made in Brasil. Tá bem! Mas o meu caro Constantino (que se julga um prelado no esoterismo liberal/neoliberal) tem muito a testemunhar aqui no burgo, em especial via o (des)governo do senhor Coelho & Portas, Gaspar Lda. Que tal ocupar a sua santa alma no vício humilde da análise económica/financeira deste (des)governo. Olhe que o sr. João Miranda (genuflexão) espreita por aí, com ou sem graffitis económicos. E a D. Helena, em testemunho de íntimo reconhecimento intelectual, fará o dito cortejar, “optimam partem elegit”. Vá lá, faço um esforço ….

    Com gosto sou

    mele

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  20. eramasfoice permalink
    22 Maio, 2013 00:56

    Essa Raqueu varéla não tem idade para ter lido um livro, não. Ganhou obturamento no iscte, ou seja, na farinha amparo.

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  21. JCA permalink
    22 Maio, 2013 04:44

    .
    Sobre Dinheiro, notas, moeda, confiança, depositos, cofres, ouro etc, outro ou o mesmo abismo moral ?
    .
    -Central Banks Looking At Bitcoin As Real Threat
    .
    “The interesting thing about Bitcoin is that it’s made everybody start to talk about what money is, and why money has any value. If you think about it, since 1971, when the US came off the gold standard, the dollar hasn’t been linked to gold, it hasn’t been linked to anything. You have a piece of paper which says ‘In God we trust’ on it, but it isn’t the government we trust. That piece of paper is absolutely meaningless. You’re putting your trust into banks and central authorities. Bitcoin is a whole new idea of money when the money is basically regulated by network and by people”
    .
    .
    http://rt.com/op-edge/bitcoin-threat-bank-lost-433/
    .

    .
    -Bitcoin – The Tyranny Test
    .
    “Up till now, however, these accusations were never accepted by the general public. The average guy really didn’t want to hear about the evils of government money. After all, that was the only thing he had ever used to buy food, clothes, gasoline, cars, and so on. He didn’t want to acknowledge the accusations because he feared what might happen to him without his usual money.”
    .
    “An increasing number of people have complained about governments and central banks in recent years, even using the word “tyranny” to describe them. They are, of course, called names in the establishment press: conspiracy theorists, mainly.
    .
    Calling someone a name, however, does not erase their argument (at least not among rational people)”
    .
    http://www.zerohedge.com/news/2013-05-20/bitcoin-%E2%80%93-tyranny-test
    .
    .
    Quem empreende assim ? Quem investe ? Quem arrisca sustentadamente sem voluntarismos ?
    .
    Cada um tempera qb e degusta a gosto:
    .
    -The Triumph of Manipulators:
    http://www.freemansperspective.com/financial-system-is-manipulated/
    .

    .
    =Clients Denied Gold At Major Banks As Shortage Intensifies.
    .
    Clients are having tremendous problems getting their physical gold out of Swiss banks as well as other major banks as the shortage intensifies.

    .
    http://kingworldnews.com/kingworldnews/KWN_DailyWeb/Entries/2013/5/21_Clients_Denied_Gold_At_Major_Banks_As_Shortage_Intensifies.html
    .
    .

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  22. 22 Maio, 2013 09:22

    O tema já chateia.
    Não há nenhuma notícia da Síria?
    R.

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    • manuel permalink
      22 Maio, 2013 10:20

      O ex-presidente Sampaio ,na 2ª, falou a despropósito na síria. Os post do tric estão a atingir diversos alvos.

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  23. Fincapé permalink
    22 Maio, 2013 16:00

    Outro abismo moral:
    http://www.noticiasaominuto.com/pais/75406/programa-brasileiro-investigado-por-piadas-racistas-sobre-portugueses#.UZzbsaJlnW-
    ——-
    Um amigo meu, em deslocação ao Brasil, há tempo, era sistematicamente gozado por um brasileiro.
    Numa certa altura perguntou ao atrevido que se julgava muito inteligente:
    – de quem é que pensa que herdou toda a sua inteligência, de “fulanos”* ou de “beltranos”*?
    *Na realidade, ele disse quem eram os “fulanos” e os “beltranos”. Eu aqui é que não digo por questões de princípio.
    ——–
    Esta ainda vem a propósito das piadas achincalhadoras, etnistas e racistas ditas em público sobre os seus “pais”, de quem, afinal, herdou a sua inteligência. Ou não! 😉

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    • Fincapé permalink
      22 Maio, 2013 18:59

      Falhei aqui:
      – não era “… sobre os seus “pais”, de quem, afinal, herdou a sua inteligência.”
      Era “… sobre “pais”, de quem, afinal, se herda a inteligência.”
      Não queria, obviamente, referir-me ao Constantino, mas falar em abstrato. Qualquer interpretação diferente, a culpa é exclusivamente minha.
      ——–
      Logo eu que aprecio uma boa piada, adequada ao local em que é contada, obviamente. 🙂

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