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27 Agosto, 2016
by

ng7448529Fui hoje passear pela cidade de Anadia. Fiz a estrada interior que liga essa cidade ao Luso, um dos sítios mais encantadores de Portugal, onde o tempo felizmente não passa, e onde, há anos, várias vezes me cruzei com o general António de Spínola, no Grande Hotel. Era um homem cabisbaixo e taciturno, de poucas ou nenhumas palavras, visivelmente marcado pela vida. Do Luso tomámos a estrada que leva a Monsarros, que passa por Vale de Avim e, um pouco mais adiante, por Vale do Boi, até chegar novamente ao ponto de partida. Não esperava ver o que vi. Praticamente ao longo de toda a jornada de quase 30 km, de um e do outro lado da estrada, milhares de árvores queimadas, centenas de hectares destruídos, o chão preto de terra em cinzas, aqui e ali ainda fumegante. A única sensação que tive foi a de total insegurança. Com excepção de alguns poucos homens notáveis que ainda se dispõem a arriscar a vida para combater os incêndios, Portugal – os governos e os poderes públicos – pouco ou nada faz pela segurança dos cidadãos e da propriedade privada e pública. É perante coisas destas que percebemos a nossa imensa vulnerabilidade, enquanto país e comunidade. Que não dispomos de recursos para coisa nenhuma, nem sequer para defender o que é nosso e nos defendermos a nós mesmos. Que é assim há muitos anos e assim continuará a ser. A treta infindável dos governos e governantes – que vão tomar medidas e que, para o ano, é que vai ser – devia envergonha-nos a todos: porque é mentira, porque eles e nós sabemos que é mentira e porque, ainda assim, continuamos a deixar que nos enganem. A verdade dos factos é que Portugal não dispõe de meios de prevenção necessários e suficientes para evitar ou debelar qualquer tragédia que nos aconteça. Somos um país falido e sem recursos, que vive da clemência do estrangeiro. Por isso, sempre que um governante volte a dizer-lhe que as coisas não estão assim tão más e que até vão melhorar, mande-o passear a Anadia. Ele, provavelmente, não terá vergonha. Mas você certamente que terá por viver num país assim.

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38 comentários leave one →
  1. Duarte de Aviz permalink
    27 Agosto, 2016 19:51

    Rui,
    Entendo a sua emoção mas pergunte às gentes de Anadia porque é que re-elegeram sucessivamente um comprovado corrupto e, impedido de se candidatar a presidente da câmara o elegeram para a assembleia municipal, e o substituiram por uma peã de brega que mais não é que a voz do dono. Pergunte lá porque é que a câmara de Anadia teve que esturrar dinheiro em barda a construir parques industriais que estão vazios (à, mas sem isso não há negócios com terrenos,,,) encubadoras de negócios (?), cinemas onde ninguém vai e outras obras de fachada que não servem para nada. Anadia está morta! É uma cidade fantasma que mete pena. Governada desde o 25A por 2 dinossauros e agora a senhora que fará o papel até que o “professor” se possa candidatar outra vez…

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    • JMS permalink
      28 Agosto, 2016 00:26

      PORQUE O SISTEMA PARTIDARIO ESCOLHE PARA QUEM VOCÊ DEVE VOTAR!

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    • Duarte de Aviz permalink
      28 Agosto, 2016 17:12

      Procurem no Google o blog Face Oculta de Anadia que se publicou pelos idos de 2009 e 2010 para terem uma ideia para onde foi parte do dinheiro da bancarrota.
      Casos como o de Anadia são um grande desafio para PPC, a direita e os liberais.
      Enquanto o centro e direita elegerem gente desta, as florestas hão-de continuar à mercê dos elementos e dos pirómanos e os credores não sairão da porta,

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  2. miluramalho permalink
    27 Agosto, 2016 19:55

    Reblogged this on Miluramalho’s Blog.

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  3. R. Sousa permalink
    27 Agosto, 2016 21:24

    Eu tenho e vergonha de viver num pais em que se poe sempre a culpa no Estado e em que se pede o Estado para tudo. Tudo socialista. E se os proprietários vigiarem e limparem o que e deles, sem colocarem a culpa nos outros? Querem um guarda, um bombeiro e um roçador de mato para cada um, pagos pelo Estado?

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    • rui a. permalink*
      27 Agosto, 2016 23:10

      E pagos pelos nossos impostos, que tal? Os tais impostos, generosos, por sinal, que vc. paga para manter o contrato social, o tal que lhe dá a segurança da sua pessoa e da sua liberdade? Se não for para isso, paga para quê? Ou vc presume que a guita do estado vem do trabalho honrado dos ministros?

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      • R. Sousa permalink
        27 Agosto, 2016 23:29

        Rui, e por pagamos impostos, a responsabilidade pelas nossas propriedades começa e acaba no Estado? Isso e mentalidade socialista, bem portuguesa. Se você deixar a porta de casa aberta, vai culpar a policia se a roubarem?

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      • 28 Agosto, 2016 00:09

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      • 28 Agosto, 2016 00:11

        😛

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      • 28 Agosto, 2016 00:15


        Moderado LOL

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    • 28 Agosto, 2016 01:00

      R. Sousa: deixando de lado a propriedade privada, o que me diz das matas e florestas que pertencem ao Estado e que não são limpas?

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      • R. Sousa permalink
        28 Agosto, 2016 09:46

        O que digo e que devem ser limpas. Mas essa e so uma pequena percentagem das matas e florestas, muito menos do que em outros paises europeus. Quase todo o territorio portuguës e privado.

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      • R. Sousa permalink
        28 Agosto, 2016 09:53

        Digo que devem ser limpas. Mas as matas e florestas do Estado sao aqui so uma pequena percentagem, ao contrario de outros paisës europeus.

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      • 28 Agosto, 2016 15:26

        R. Sousa: se as matas e florestas do Estado devem ser limpas, então, por que razão não são limpas?

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      • R. Sousa permalink
        28 Agosto, 2016 16:49

        ?? Umas são limpas, outras não. Quando não são limpas, há negligencia da parte do Estado. Tem mais perguntas geniais?

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      • 28 Agosto, 2016 18:42

        Tenho porque não respondeu à minha pergunta: por que razão umas matas e florestas estatais são limpas e outras não são?

        (Não lhe perguntei para adjectivar ou qualificar a não limpeza das florestas estatais pelo Estado)

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      • R. Sousa permalink
        28 Agosto, 2016 20:43

        As que nao sao limpas, ou nao sao tao limpas e tratadas como outras, e por falta de investimento em pessoal qualificado e maquinaria, nas respectivas circunscriçoes e orgaos de gestao. No geral, a situaçao nao e ma.

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      • 29 Agosto, 2016 01:28

        Falta de vontade, isso sim!

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    • Monti permalink
      28 Agosto, 2016 09:14

      ‘Conheço’ proprietários, há muitos anos falecidos como emigrantes no estrangeiro!
      Muitos, radicados nas franças e que aqui vêm quando vêm.
      Conheço a mata do parque florestal de Monsanto-Lisboa, maior parte dele, com floresta quase impenetrável.
      Siga a banda.

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      • R. Sousa permalink
        28 Agosto, 2016 20:46

        Amigo, e suposto que parte da floresta de Monsanto seja impenetravel, tal como a mata do Buçaco, etc. E para circular que servem os trilhos. Nao e um eucaliptal.

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  4. PiErre permalink
    27 Agosto, 2016 21:53

    O que não tem solução, solucionado está.

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  5. ali kath permalink
    27 Agosto, 2016 22:13

    um caso verídico de impotente sexual
    de quando em vez dizia à mulher:
    «-é agora!«

    passados 2 anos foi embora

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  6. André Miguel permalink
    27 Agosto, 2016 23:22

    Somos um povo de amebas, ignorantes, bestas de carga e alarves. Um povo que tolera 3 falências pelos mesmos de sempre, um 44 ou um Costa Segundo tem aquilo que merece. Os poucos que sobram contra este estado de coisas é dar uma de Galt.

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  7. Arlindo da Costa permalink
    28 Agosto, 2016 03:12

    Há muito tempo que preconizo um golpe de Estado.
    António Costa tem que equacionar essa possibilidade.
    O país não pode continuar assim.

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  8. Monti permalink
    28 Agosto, 2016 09:34

    O editorial do Sol de há uma semana: “A (única) solução para os fogos”. Preconizando a ferramenta dos postos de vigilância, reais, efectivos e eficientes. Um ovo de Colombo.
    Leia-se um Relatório Anual sobre os incêndios, só para o elaborar, devem gastar metade do orçamento de quem o elabora:
    «Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I.P./Departamento de Gestão de Áreas Classificadas, Públicas e de Proteção Florestal Colaboração: -Autoridade Nacional de Proteção Civil/Comando Nacional de Operações de Socorro -Guarda Nacional Republicana Data: 08 de maio de 2015»-um monumento de burocratas para a Burocracia das corporações.
    E a entrevista do bombeiro profissional (ANBP) sábado no DN-Fernando Curto.
    E a presença permanente nas TV, do troglodita ex-autarca profissional, que para não ficar sem estatuto e emprego, o Premier Passos levou para a Liga de Bombeiros-Pesidente Marta Soares. Alguém o viu junto de um grupo de bombeiros na fase crítica de há dias, sem arredar pé das TV?
    Ah: e quando veremos em maio, meia centena de indiciados de provocar fogos no ano anterior, ser recolhidos pela GNR até outubro e ficarem uns meses à sombra?
    Siga a banda.
    Ou mais um estudo multi-qualquer coisa.
    E em julho-agosto 1917 veremos.

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  9. Manuel permalink
    28 Agosto, 2016 09:56

    O problema dos incêndios é semelhante ao problema da banca. Enquanto os incendiários e os ladrões não forem para a prisão nada se vai resolver, continuaremos “ad aeternum ” a despejar água e dinheiro em cima da floresta e da banca.

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    • rui a. permalink*
      28 Agosto, 2016 11:48

      O crédito bancário ao estado português aumentou, nos últimos meses, segundo o Boletim Estatístico do Banco de Portugal (fonte: Expresso-Economia) cinco pontos percentuais, estando em 24% do financiamento da dívida pública, muito próximo dos 25% anteriores ao estoiro de 2011. Em contrapartida, como não poderia deixar de ser, reduziu-se, substancialmente, o crédito às empresas e às famílias, o tal que, segundo os nossos ilustres dirigentes políticos, é imprescindível para o crescimento económico. Como os recursos financeiros dos bancos são limitados, e cada vez mais o serão, a massa disponível vai para um lado ou para o outro. No caso, vai para o estado. A falácia discursiva é, assim, evidente, para quem tenha estes números e os saiba interpretar: por um lado, o governo seca o crédito bancário para sustentar as suas despesas; por outro, faz de conta que de nada sabe e reclama maior empenho da banca junto da economia e das pessoas. O estado português continua a ser o maior proxeneta do país. E, como agora os seu dois primeiros representantes – chefe de Estado e primeiro-ministro – anunciam que irão pôr a banca «na ordem», até ao final do ano, o que quererá isso dizer? Que o estado vai pagar aos bancos o dinheiro que lhes deve? É que, de outro modo, não há banco que resista, nem economia que possa ser financiada.

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      • Manuel permalink
        28 Agosto, 2016 12:01

        R. A. : eu estou dentro das contas do país e digo-lhe com muita preocupação, pois não tenho como fugir, estamos à beira de novo resgate ou de uma verdadeira bancarrota. Por outro lado, esta constatação não me dá felicidade nenhuma, pois confirma que os problemas estruturais não foram resolvidos ( não temos economia para o Estado que temos) e não vejo a oposição a propor algo diferente. Os fogos são o paradigma da nossa situação. O país tem resistido com o crescimento quase exponencial do turismo e mesmo este sector já se preparam para destruir as boas políticas do governo anterior.

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  10. ABC permalink
    28 Agosto, 2016 10:45

    Os números são calamitosos. Mais de metade da área ardida na UE? Olhando para um mapa pergunta-se como é possível? E é claro que há insegurança, é mais que certo que em caso de outras calamidades, sejam terramotos, pragas, guerra, contamos únicamente com o auxílio estrangeiro, apesar da alta cagança da classe política acerca duma soberania atada com arames e colada com cuspo.
    Há aqui comentários tristes. Desde quando é socialismo querer um Estado a desempenhar o papel mais básico dum Estado – manter o território? E sim, é para isso que pagamos impostos, não é para o Estado me dizer se devo fumar ou andar a pé, e este governo não se coíbe de me entrar pela casa dentro a dizer-me o que devo fazer. Em todos os países, quando algo desta dimensão sucede, os cidadãos viram-se para o Estado, não é cada um por si, não pode ser. No dia do “cada um por si” termina o Estado, e termina a obrigação de pagar impostos.

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    • R. Sousa permalink
      28 Agosto, 2016 15:02

      Sinceramente, sem qualquer ironia, não percebi nada do que disse, parece uma coleção de frases. Eu sou proprietario de dois terrenos de pinhal, na zona da Gândara, ali perto de Anadia. Com esforço, la vou conseguindo manter aquilo limpo, cuidando do que e meu, reduzindo os riscos. Quer dizer que noutros países essa e tarefa do Estado? Esta a brincar? Já me bastam os vizinhos, que tem as suas propriedades num estado miserável. Já nem sabem, nem querem saber, onde estão os marcos e os limites. Se calhar, agora são turistas que vão a provincia, escrevendo bitaites…😊

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  11. henrique pereira dos santos permalink
    29 Agosto, 2016 06:31

    Quando até um empedernido liberal se recusa a olhar para a falha de mercado que está na origem dos fogos e pretende que o Estado resolva os fogos com meios para combate é de facto de ficar com os cabelos em pé.
    Portugal tem condições naturais especialmente favoráveis ao fogo (por alguma razão 50% dos fogos em Espanha são na Galiza).
    O que se passa é que Portugal resolveu gerir o assunto com base na ideia completamente estúpida de evitar os fogos, partindo do princípio de que isso é possível e desejável.
    O resultado só pode ser o que tem sido, que aliás levou outros estados a abandonar a doutrina de gestão de fogo que por aqui se mantém alegremente, por pressão do tandem bombeiros/ autarcas e com suporte ideológico em textos como este.
    O problema, também aqui, não é Estado a menos, é Estado a mais no problema.

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    • Manuel permalink
      29 Agosto, 2016 14:37

      Tenho gostado de o ver na televisão e entendo que é dos que sabe de floresta. Solicitava-lhe que colocasse aqui links para os seus estudos e trabalhos sobre a matéria.

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    • simon teles permalink
      29 Agosto, 2016 15:05

      Filosofias. Ninguém escapa a filosofar, Quando se sabe que o problema não é dos governos, se não que das guerras dos governos, dos que saem e dos que estão, da gente que despeitada põe fogo a tudo de raiva pelo governo que lá está, depois do outro que saiu. E a questão é do fogo que então se quer ver a arder .

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    • Licas permalink
      29 Agosto, 2016 15:15

      e os incendios em zonas urbanas? existem os ditos centros historicos de vilas/cidades com edificios totalmente abandonados pelos seus proprietarios onde abundam ratos e pombos.e então,um liberal acha que tambem tem que ser o estado a resolver isto?para depois acusarem de “ocupação de terras”? ora bolas para os liberais e para os socialistas,que querem viver á custa do estado.

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    • rui a. permalink*
      29 Agosto, 2016 23:51

      Falha de mercado? Então a segurança dos cidadãos e da propriedade está a cargo de quem? Pagamos impostos para quê? O que é feito do célebre «contrato social»? Dito de outro modo: no dia em que deixe de pagar impostos, ou que estes sejam reduzidos drasticamente, nesse dia, sim, poderei admitir que a segurança passe a ser encargo dos cidadãos. Até á, se o estado declina essa responsabilidade, fica com o quê?

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      • R. Sousa permalink
        30 Agosto, 2016 09:48

        Qual contrato social? Não me entendo com essas teorias. Mas então, você não tem de cuidar do que é seu? Se o telhado de sua casa ruir, você não tem de o reconstruir para que não lhe chova em cima? Se o seu terreno está cheio de silvas, manda o estado limpá-lo? Se os pneus do seu carro estão gastos, vai a uma repartição do estado para que lhos substituam? Você paga impostos suficientes para que o Estado lhe faça a gestão das suas propriedades e da sua vida, para que se sinta seguro, como se tivesse cinco anos e vivesse em casa dos pais?

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  12. simon teles permalink
    29 Agosto, 2016 15:01

    É como diz, baby: “Que é assim há muitos anos e assim continuará a ser.” A gente dos governos que saíram apegam o fogo à mata dos governos que lá estão, de raiva e de inveja. E então não há mais emenda, com eucaliptos a arder, quando a seca assola o País e a chuva não se vê .

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  13. 31 Agosto, 2016 10:29

    E com tanto comentário, porque é que ninguém fala do óbvio? Aquecimento global!
    Não, não é uma teoria descabida de eco-esquerdistas, é mesmo um facto:
    Continuem a assobiar para o lado!

    texto completo em: http://www.veraveritas.eu/2016/08/aquecimento-global-em-portugal.html

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