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Quotas para mulheres? Dispensem a má publicidade.

22 Fevereiro, 2017

É verdade que não falta mérito às mulheres, como diz Maria de Lurdes Rodrigues no seu artigo no DN que, para além da minha pessoa, ninguém terá lido, graças a Deus. O problema de afirmações deste tipo é serem emitidas por pessoas que, sendo mulheres, não são dotadas de particular mérito que se lhes reconheça fora do clube de chá onde os vários chalados socialistas conspiram com a sua infinita sapiência para conformar o mundo ao cânone ideal (ideal este que vai mudando à medida que os modelos socialistas vão rebentando mundo fora).

A razão por que as mulheres não acedem aos lugares de topo nada tem que ver com as suas capacidades ou qualificações, mas sim com o facto de serem mulheres, com a inércia das redes de recrutamento para os lugares de topo, no passado completamente monopolizadas por homens e por isso ainda hoje muito menos participadas por mulheres do que o espaço social no seu conjunto.

Pois, é quase lacrimal a beleza pastoral da frase, mas não é disso que se fala. A proposta do governo é a de estabelecer obrigatoriedade de lugares para mulheres em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa, não a de vencer inércia de redes de recrutamento. É provável que Maria de Lurdes Rodrigues não saiba — se terminasse esta frase aqui seria uma verdade incontestável aplicável a quase todas as áreas —, mas os conselhos de administração de empresas (independentemente da sua cotação ou não em bolsa) não recorrem a “redes de recrutamento” no sentido em que a senhora doutora está habituada lá na universidade e no partido (como se a universidade e o partido fossem particularmente diferentes).

Vivemos, infelizmente, num tempo em que ainda está naturalizada a ideia de que uma parte do espaço público pode ser construído apenas com a participação dos homens.

No entanto, Maria de Lurdes Rodrigues é mulher, tem uma coluna no DN em substituição da de um homem, foi ministra e conseguiu o feito de considerar a Parque Escolar como “um exemplo de boa prática de gestão”. Para a colunista e co-autora de livros com Adão e Silva, 2500 milhões de euros não orçamentados é “boa prática de gestão”, o que leva directamente à questão: será que Maria de Lurdes Rodrigues é a pessoa indicada para promover quotas para mulheres nos conselhos de administração de empresas?

Perguntará o leitor: mas porque é tão importante a participação das mulheres nos espaços de decisão política e económica? Se outras razões não houvesse, havia a da equidade. A razão que resulta do facto de as mulheres serem metade da população. Tão qualificadas, tão inteligentes e tão capazes como a outra metade e com o direito e o dever de participar em todas as esferas da vida.

Mais uma vez, conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa não são “espaços de decisão política”, dra. Rodrigues. Poderão ter sido no tempo em que esteve no governo, mas verificou com o seu primeiro-ministro se aprovava agora esta confissão marota num artigo de jornal?

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13 comentários leave one →
  1. 22 Fevereiro, 2017 10:08

    Não sei porquê mas só me ocorre aquele episódio que se passou com Winston Churchill.

    Perguntaram a Churchill o que ele achava da participação da mulheres na política e ele respondeu: “sou completamente a favor. não acho que a incompetência deva ser um exclusivo dos homens”.

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  2. Lufra permalink
    22 Fevereiro, 2017 10:24

    E porque não antes cotas de competência?

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  3. Nuno permalink
    22 Fevereiro, 2017 10:31

    Penso que não deve faltar muito para as quotas para negros, homossexuais, transsexuais, e porque não, distribuídos por altura, peso, condição de refugiados, etc. Se considerarmos o pais em termos geográficos, deveriam existir quotas para os homens e mulheres do norte (depois distribuidos por porto gaia, viana, braga,etc).

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  4. 22 Fevereiro, 2017 10:56

    «mas os conselhos de administração de empresas (independentemente da sua cotação ou não em bolsa) não recorrem a “redes de recrutamento”»

    Será que não? Atenção que não falo num sentido conspirativo, de “vamos escolher aquele porque é nosso amigo”, falo de um critério puramente racional da perspectiva da maximização do valor – se eu conheço o Aldebrando e sei os seus pontos fracos e fortes, e tenho uma ideia de que para que cargos ele tem mais jeito, e não conheço o Segismundo e não sei bem em que funções ele será melhor, penso que a decisão racional (do ponto de vista da empresa individual) será preferir nomear o Aldebrando, para minimizar o risco de meter um “pino redondo num buraco quadrado”.

    «Mais uma vez, conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa não são “espaços de decisão política”,»

    Irrelevante, porque o que ela escreveu foi “espaços de decisão política e económica”.

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  5. 22 Fevereiro, 2017 11:47

    A malta dos aventais e o numero “mágico” 33…

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  6. 22 Fevereiro, 2017 12:52

    Esta malta nunca trabalhou fora dos tachos que lhes arranjaram, é o que é

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  7. Anónimo permalink
    22 Fevereiro, 2017 14:33

    Esta mentalidade de funcionário público socialista -bem alicerçada como cultura social dominante no País- balança entre o desavergonhado inocente e o pseudo-inocente marcadamente interesseiro.
    A Sra. obviamente que nem tem a noção do ridículo das suas teses. E está muito bem acompanhada, se está !.

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  8. Arlindo da Costa permalink
    22 Fevereiro, 2017 18:45

    Tenho uma sociedade comercial e dei quotas à minha mulher e às minhas duas filhas.

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  9. Juromenha permalink
    22 Fevereiro, 2017 19:30

    Lurdinhas, a das alegrias “pedagógicas” – e, muito provavelmente, com merecida entrada no “Guiness” por uma carreira “académica” mais que meteórica…
    Ao pé dela o bicharel 44 foi um aluno aplicado e respeitador…

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  10. ines tavares permalink
    23 Fevereiro, 2017 18:58

    A lulu de… um homem macho 33 a falar. Posso rir?

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