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A melhor crítica ao galardoado com Oscar para melhor filme que se publicará em Português

27 Fevereiro, 2017

Toda a gente diz que os Oscars são um espectáculo degradante. Não só por isso, mas também, asseguro que assisto ao maior número possível de filmes nomeados para as principais categorias. Este ano não foi excepção, tendo assistido a todos os nomeados para a categoria de melhor filme. Não sem custo, porém. “Moonlight”, o (afinal) vencedor, custou um bocado a ver, digamos, numa escala de sofrimento algures entre uma crónica do Daniel Oliveira e as vezes em que o CDS se porta como um ginasta cego numa auto-estrada, como fez agora com o “caso” das transferências para offshores. Perdoem-me os amigos do CDS, mas é mesmo assim: em pantomina ninguém bate os centristas (já os amigos — concedamos um plural misericordioso — do Daniel Oliveira ficarem aborrecidos seria um dia de sol primaveril com greve de guardas do gulag).

“Moonlight” pode ser descrito de forma rigorosa como um balde de trampa em forma de celulóide. Não faço aviso de spoilers porque, sinceramente, não vejo forma de estragar o que não tem forma de conserto. É um miúdo preto, com mãe drogada que se prostitui (o normal), que é um bocado esquisito. Até aqui tudo bem, tudo feliz, é uma alegria pegada. Depois, o miúdo cresce para adolescente completamente diferente (deve ter feito uma plástica) e começa-se a suspeitar que pode ser maricas. Sem problema, tudo normal, pode ter uma vida engraçada que agora a SIDA já nem mata. Contudo, na praia, acaba a beijar um amiguinho da escolinha (que, sem estereótipo nenhum, lhe assenta uma par de socos na face mais à frente) e que, por cortesia e generosidade digna de um conto de fadas (pode substituir a primeira vogal por um O que o efeito é o mesmo), lhe concede um cinco-contra-um, uma contagem de barrotes, um dar milho aos pombos, um descascar da mandioca, um esfolar de periquito, um limar de trave, uma ordenha da cobra, um solo de flautim de capa, uma miríade de expressões divertidas que o realizador toma por românticas. Bem, até aqui, tudo bem na mesma, eles lá sabem, os gostos de uns são a indiferença de outros. Só que, depois, o miúdo cresce para vendedor de droga sem qualquer aparência com o adolescente anterior, bem encorpado, de quem passa mais tempo no ginásio (mas não no balneário) do que a misturar pau de giz com o produto que vende, e percebe-se que o gajo esteve 10 anos (dizem os guionistas, pela aparência do actor diria 20) sem esfolar o ganso. Mas, senhores, isto cabe na cabeça de alguém? O gajo tem obviamente problemas sérios de desenvolvimento, precisa é de um médico, não de um encontro romântico a comer frango frito (não, não há estereótipos nesta linda história de um sociopata, que ideia). Isto, simplesmente, não só não acontece como é estupidamente imbecil.

Surpreendem-se que este afagar de sentimentos de culpa branca (não me recordo de ter visto um único branco neste filme que falasse) degenere na eleição de Donald Trump? Quando acabei de ver o filme tive vontade imediata de ir votar Trump, mesmo não sendo americano e não importando para nada, que ele já foi eleito. Contudo, depois de ver esta mistela pré-pubescente de argumento no ecrã, mais que votar em Trump, fiquei aliviado por não ter o código de lançamento da bomba atómica. Porque, se tivesse, não tenham dúvidas que rebentava com o planeta só para lhe dar a chance de começar de novo, sem este lixo produzido pelo odor dos tempos modernos que os progressistas (burros) tanto admiram. É que nem o Miguel Abrantes — pessoa que almoçou com Fernanda Câncio e Daniel Oliveira e que não consta ter vomitado — seria capaz de escrever uma alarvice tão brutal.

Que vendedor de droga não arranja um Viagra? Ou um cabeça de crack desesperado ao ponto de o gratificar pela hipótese de fumo em segunda mão de qualquer coisa viciante? O único ponto positivo de toda esta história é que, se correr tudo bem, o sofrimento da personagem desaparecerá com um balázio de uma intervenção policial. Infelizmente, o filme terminou antes disso, retirando ao espectador a recompensa por duas horas de comidinha integral para vegans de espírito.

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17 comentários leave one →
  1. 27 Fevereiro, 2017 12:32

    Aposto que também era do benfica

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  2. 27 Fevereiro, 2017 13:04

    Já devem estar a trabalhar nos próximos candidatos ao óscar do ano 2017 : Morte ao Presidente, Hitler na Casa Branca, WASP o tirano, etc com o De Niro, Meryl Streep, Madona etc. No tempo do Bush fizeram filmes ( de classe B ) e escreveram livros sobre o assassinato do presidente. No tempo Trump a coisa deve ser mais refinada.

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    • piscoiso permalink
      27 Fevereiro, 2017 13:37

      Podem não ter títulos tão pomposos, mas não tenha dúvidas que a indústria cinematográfica norte-americana vai revelar muito do consulado Trump.

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      • lucklucky permalink
        27 Fevereiro, 2017 13:49

        Vai revelar muito é da industria cinematográfica norte-americana(posso dizer isto ou é racismo?)

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      • Tiradentes permalink
        27 Fevereiro, 2017 16:08

        Até acho que sim…aqueles protagonistas da industria capitalista exploradora que vivem em gaiolas douradas com muitos cheiradores de cocaína e todos fumam maconha, que ainda “ontem” eram a representação da degradação destas sociedades burguesas e reaccionárias….. passaram a ser hoje a elite intelectual dos sectores piscoisais dos novos cruzados modernos que ensinam ao povo a nova moral…enquanto fumam e tem fortunas onde nadam.
        São a nova frente revolucionária do criacionismo piscoiso que vai impor a nova ordem mundial do charro

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  3. Juromenha permalink
    27 Fevereiro, 2017 14:39

    Pelos vistos , nada de novo : o actual “entertainment” hollywoodesco continua a propagandear a “agenda progressista ( parece que é assim que se diz…) e a dar um tratamento compreensivo a tudo o que meta droga, paneleiragem, cor preta “et tutti quanti”.
    Quanto ” ao” Trump, conhece-os de ginjeira e dá-lhes a importância que merecem como agência meramente publicitária – e com certeza que vai prestar mais atenção à prestimosa organização “presidida” pelo choninhas , sempre pronta a fazer tandem com tudo e mais alguma coisa que vá, com impecável correcção pulhítica, contra o que ainda sobrevive como “Civilização Ocidental”.

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  4. Jorge permalink
    27 Fevereiro, 2017 15:07

    O melhor é não ir ao cinema. Mais vale ver antiguidades na TV. Experimente ver Os italianos dos anos 50 a 70 do século XX. Ou filmes europeus bem escolhidos de todas as colheitas.

    Já agora, os filmes na sua maioria não são feitos em película de celulóide há muitos anos.

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  5. carlos alberto ilharco permalink
    27 Fevereiro, 2017 16:53

    Por acaso gostei do filme, dentro dos nomeados achei que ia ganhar e havia entre os nove sete melhores que o La La, sendo que vi todos.
    Impressionou-me o desempenho do garoto da primeira fase, mas isto sou eu um bocadinho romântico.
    Sim aparece um caucasiano é um polícia.

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  6. Anónimo permalink
    27 Fevereiro, 2017 17:59

    Hollywood é a fabrica dos sonhos, e dos pesadelos, feitos realidade virtual, longíqua, domável. É Hollywood. É a terra da magia.
    Ali tudo é um filme, dentro e fora de cena. Vale tudo, desde que se venda. Haverá quem compre. Enquanto houver quem compre.

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  7. Arlindo da Costa permalink
    27 Fevereiro, 2017 18:26

    Lá vem a narrativa obsessiva-compulsiva sobre sexo e seus derivados 🙂

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  8. maria permalink
    27 Fevereiro, 2017 18:59

    Por 2 ou 3 palavras calculei que o filme como o descreve é uma mixórdia.
    Como dizia o outro, com a modernidade os meninos começam a sair pelas trazeiras.

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  9. 27 Fevereiro, 2017 19:14

    eheheheh

    Não via a coisa mas imaginei que só poderia ser isso e o òscar tinha de ir para a ideologia

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  10. João Lopes permalink
    28 Fevereiro, 2017 10:01

    Eu tentei ver o filme à uns tempos antes dos oscares e só consegui ver metade. Já não tive pachorra para ver o resto.

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  11. 28 Fevereiro, 2017 10:19

    O próximo filme com sucesso garantido terá co-produção luso-americana.
    Tema: como é que um PM tuga “teso” de dólares chega a Beverly Hills, vai directamente para o Rodeo Drive e passado pouco tempo tem o seu nome colocado na montra do Bijan.

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  12. Anónimo cobardolas permalink
    1 Março, 2017 11:39

    Que triste é, que existam pessoas tão mentecaptas como o autor deste lixo electrónicos (leia-se “blog”; ou tentativa de ser relevante) no sec. 21.
    O “free speach” adulterado. Volta pide. Fechem a internet.

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