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Abril Segundo Otelo

25 Abril, 2017

E já lá vão 43 anos a pensarmos que o Abril dos cravos fora feito em nome do povo. Todos os anos o país pára com celebrações, enaltecendo memórias de militares que invadiram as ruas em nome  da liberdade. Até que veio o dia, em que numa entrevista à Lusa em 2011, Otelo, o pai dessas operações, nos revela calmamente  que bastam 800 homens para derrubar um governo mas que um “novo Abril” só acontecerá quando lhes forem ao bolso. Está aqui para quem quiser ver. Em menos de um minuto caía por terra o mito de que os capitães de Abril planearam resgatar o povo da ditadura. Nem um pouco. Estavam na realidade a lutar pelos seus direitos. Alguém corrigiu isto? Nada. Silêncio absoluto. 

De acordo com as declarações de Otelo Saraiva de Carvalho, o movimento dos capitães iniciou-se por razões corporativistas quando os militares de carreira se viram ultrapassados nas promoções por antigos milicianos, devido a um decreto-lei do então governo, que permitia a entrada imediata desses antigos milicianos para colmatar a falta de capitães na guerra colonial.  Esses milicianos foram rapidamente promovidos a major ,ultrapassando os capitães, que já tinham quatro anos de curso. Assim, ao tocar nos interesses da oficialidade, provocou-se uma reacção que foi o derrube do regime. 

A verdade é que depois de derrubado o governo, em 25 de Abril de 1974, voltamos a ficar reféns de outra ditadura: a comunista. Quem não se lembra do PREC e suas consequências nefastas para a Nação? Não fora o 25 de Novembro de 1975 liderado por Jaime Neves e  hoje não estaríamos aqui a escrever no Blasfémias. Teríamos no mínimo um país à semelhança de Cuba, Venezuela, Coreia ou Rússia. Esse é um facto irrefutável. E é a este último golpe que devemos a liberdade que temos hoje. 

No entanto, depois de tamanha luta, que tipo liberdade temos afinal? Sim podemos nos exprimir, podemos nos manifestar mas  de pouco no vale. Estamos “amarrados” e “amordaçados” por um país  que nos leva 41,5% do nosso suor só em impostos sobre o trabalho, não incluindo os impostos sobre consumo como o IVA, e demais taxas e impostos indirectos, como IMI, ISV ou IA, ou IUC que tudo somado são 70% de nosso rendimento que vai à vida sem que possamos fazer nada; um país onde não há limite de endividamento que levam ao aumento da carga fiscal; um país onde as leis são feitas à medida para não deixar escapar os pobres mas permitir salvar os muito ricos; um país que criou uma classe política impune mesmo levando a Nação várias vezes à falência por governação danosa e corrupção; um país que não permite a livre escolha na educação nem na saúde; um país que discrimina trabalhadores nos seus direitos consoante sejam do Estado ou do privado; um país que selecciona nos mídia o que permite ser visto ou ouvido; um país que permite SÓ partidos derrotados nas urnas, no governo.  Esta é a liberdade conquistada.

Ironicamente, precisamente quatro décadas depois de Jaime Neves nos resgatar de uma segunda ditadura, eis que pela mão engenhosa de Costa e sem escrutínio dos portugueses, eles, os HOMENS do PREC, estão de novo a conduzir os nossos destinos. 

Isto é liberdade?

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50 comentários leave one →
  1. Rui Tereso permalink
    25 Abril, 2017 15:41

    Não foi Salgueiro Maia, mas Jaime Neves.

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    • Cristina Miranda permalink
      25 Abril, 2017 16:04

      Sim tem razão. Embora estivesse correcto no link, troquei os nomes sem intenção. Obrigada pela chamada de atenção.

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  2. 25 Abril, 2017 15:55

    Espera lá….

    O Salgueiro Maia é que liderou o 25 de novembro?!

    Por falar em reescrever a história…

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    • Cristina Miranda permalink
      25 Abril, 2017 16:03

      Tem razão. Embora o link estivesse correcto, troquei efectivamente os nomes sem intenção.

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  3. 25 Abril, 2017 16:37

    Cristina Miranda,

    16 de Março de 1974. Não aconteceu “só” por reivindicarem melhores salários.
    25 de Abril de 1974. Idem.
    Otelo quase sempre foi uma contradição, inclusivé na suas opiniões, algumas anulavam outras… O título do post está correcto: “segundo Otelo”.
    Os textos, os depoimentos orais por exemplo de Otelo, de Melo Antunes, Ramalho Eanes, Vítor Alves, Jaime Neves, Vítor Crespo, entre muitos outros militares do MFA, desmentem essa “conclusão” do Otelo.

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  4. piscoiso permalink
    25 Abril, 2017 16:37

    O 25 de Abril representa o fim da ditadura. O que aconteceu depois, fossem quais fossem os resultados, politicamente derivaram de eleições livres. Goste-se ou não do estado actual das coisas, vivemos em democracia, o sistema político menos mau. Agradecido estou ao 25 de Abril que abriu portas.

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    • 25 Abril, 2017 17:13

      …da desgraça.

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    • Monti permalink
      25 Abril, 2017 19:46

      Elementar meu caro Piscson, sem ofensa.
      Capitães mobilizados por uma legislação profissionalmente esdrúxula,
      por uma guerra destinada a ser perdida, na Guiné com um pequeno Apocalipse Now.
      Por uma guerra prolongada, que já Sun Tzu dizia perigosa para o exército e o poder.
      Por um Premier, Marcelo, incapaz de fazer frente aos ultras cegos ao mundo exterior.
      Tão perto e tão longe de uma Argélia francesa.
      As bocas de Otelo, não podem ou devem ser tomadas à letra, como fez a Cristina.

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      • 25 Abril, 2017 20:01

        Todas as “frentes de guerra”, em Angola, Moçambique e Guiné estavam praticamente perdidas pelo Estado “tuga” em 1974. Mais ano menos ano, o desfecho final teria sido bem pior do que aconteceu.
        E, não esqueçamos os custos em vidas perdidas, mutiladas, psicologicamente afectadas mais a colossal despesa mensal…paga pelos impostos.
        Alguém já fez contas quanto custou aos cofres do Estado a teimosia do AOSalazar e do MCaetano ?

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      • JgMenos permalink
        26 Abril, 2017 11:20

        Essa de a guerra estar perdida em Angola só se aplica aos turras.
        Em Moçambique as cidades estavam de facto melhores do que Paris hoje.
        Guiné era a verdadeira crise.

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    • SALOIO permalink
      25 Abril, 2017 19:48

      O 25 de Abril representa o fim da”quela” ditadura….

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      • Os corruptos que se cuidem permalink
        26 Abril, 2017 01:31

        Lamento verificar que estas mentiras das frentes de guerra perdidas continuam, quando tantas e tantas autoridades académicas estrangeiras já provaram e demonstraram o contrário. A guerra nunca esteve militarmente perdida e as nossas estratégias são objecto de análises bastante encomiásticas: Contra-subversão em África: como os Portugueses fizeram a guerra em África 1961-1974

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  5. 25 Abril, 2017 16:41

    …Mas se tivesse acontecido o 25 de Abril “só” para melhorar a vida dos militares (extinção da guerra colonial incluída !?) e por “acréscimo” a libertação do que segregava, manipulava, desgovernava, fazia regredir o país, então, abençoada reivindicação…

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    • JoCa permalink
      25 Abril, 2017 17:26

      É só para dizer o seguinte: estava em Moçambique em 1974 ( oficial miliciano – regressei a Portugal em 01.04 1974 ) e sim….. o que se “falava” era dessa tentativa de golpe com base não só no referido no artigo, mas também porque os militares estariam a perde “qualidade de vida”.

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      • 25 Abril, 2017 18:23

        Também eu estava no dia 25 de Abril numa mata mas angolana. Sei muito bem o que se falava aos serões entre militares elucidados do que acontecia “no puto”. E o que se pretendia.
        Não se esqueça do 16 de Março de 1974.
        Recorde-se da deriva política do Otelo: da extrema-esquerda anos mais tarde passou a elogiar a social-democracia, mais tarde o P”S”, e desde há algum tempo profere mais disparates.
        O 25 de Abril aconteceu para acabar com o regime. Ponto.

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    • Cristina Miranda permalink
      25 Abril, 2017 17:54

      Exactamente. É precisamente isso. Creio q não soube interpretar o texto. Não se retira mérito ao evento. Corrige-se o motivo. E depois explica-se q não fosse o 25 nov. estaríamos refém doutra ditadura.

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      • 25 Abril, 2017 18:15

        Não me foi nadinha difícil concluir o que a Cristina quis evidenciar: “afinal”, o 25 de Abril foi uma reivindicação de militares. Depois, houve outras consequências…inclusivé “a libertação do povo”.

        Claro, se não fosse Melo Antunes, Ramalho Eanes, Jaime Neves, todo o “Grupo dos 9”, FSá Carneiro, MSoares, a Fonte Luminosa e não só, teria ocorrido uma ditadura tipo…Chávez.

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      • JoCa permalink
        25 Abril, 2017 20:11

        MJRB
        …Ponto …e virgula.A sua opinião nada mais é que uma opinião.A minha é outra e nem meto ao barulho os comportamentos do Otelo. Se bem percebi o artigo a CM baseou-se numa afirmação de Otelo para desenvolver uma “teoria” com a qual concordo. Se outros não concordam…..tudo bem. Agora sim Ponto.

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    • Viriato de Viseu permalink
      26 Abril, 2017 01:08

      MJRB
      Também eu estava no 25 de Abril em Angola. O Sr. diz lá mais acima que a guerra nas três frentes estavam perdidas.
      Errado.
      O que estava perdido era a Guiné.
      Em Angola andávamos e viajávamos à vontade. Fiz inúmeras viagens de Luanda ao Dondo, Malange, Gabela (onde casei), Novo Redondo, Porto Amboím, Lobito, Benguela, Nova Lisboa, Sá da Bandeira, Moçamedes, etc. sem qualquer percalço.
      Era só meter gasolina no carro e ia-se para todo o lado…com excepção de um pequeno troço a norte de Luanda, entre Caxito, Úcua e Piri, (100 KM mais ou menos) aí tínhamos que ir em coluna militar…mas mais por precaução.
      Quando veio o 25 de Abril, o Agostinho Neto estava a viver uma vida dourada na Suiça. O MPLA não tinha mais que 150 homens, a FNLA nem se ouvia falar e a Unita praticamente depauperada e controlada.
      Foi depois do 25 de Abril que o Neto vestiu pela primeira vez uma farda de guerrilheiro, mas apenas para tirar fotografias no mato com alguns faplas destinadas à propaganda.

      Sei do que falo.
      Não vale a pena contradizer-me com as suas balelas revolucionárias. Vim de Angola no último avião da ponte aérea em 9 de Novembro de 1975.
      Passei eu e quase todos os Portugueses, muitas privações, enxovalhos, mortes e tiroteios contínuos cometidos pelos faplas e uns garotos do poder popular de armas na mão, com a benção do almirante vermelho comunista rosa coutinho, um filho da puta que já faleceu e que a terra lhe seja pesado como o chumbo. Deve estar feito em azeite para servir de lamparina ao diabo.
      (desculpe Cristina, mas quando penso nesse bandido/comunista, passo-me)

      O que movia os capitães do quadro não era o combate ao facismo mas sim ao que a Cristina escreveu.
      Acabar com guerra, quem? Os Capitães? Deixe-me rir antes que me esqueça… o que eles queriam era dar um chega para lá nos Milicianos que lhes vinham atrapalhar as progressões na carreira.
      Já foi ver o mural do Museu do Combatente no Forte do Bom Sucesso com os nomes dos nossos combatentes mortos? Quantos Capitães lá estão?
      Quem morria eram os Alferes Milicianos, Furrieis também Milicianos (fui um deles), cabos e soldados.
      As altas patentes, incluindo Capitães, era vê-los no conforto dos seus gabinetes com ar condicionado.

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      • Monti permalink
        26 Abril, 2017 08:24

        Elementar, quase, meu caro Virison.
        Quanto ao estado da nação em armas nos três territórios.
        Já quanto à ‘ausência’ de capitães no mural, o recurso a capitães milicianos, não comprova precisamente a falta dos mesmos para o combate?
        Nem tanto ao mar nem tanto à terra.
        Lamentável, a forma do regresso de quase todos, como o Viriato, a Portugal.
        Marcelo bem tentou, acabou preso duas vezes.
        Primeiro pelo Américo Tomás, depois pelo Salgueiro Mais.

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    • Os corruptos que se cuidem permalink
      26 Abril, 2017 01:37

      Caro MjRB

      Regredir? Fala do que nos fazia regredir antes do famigerado 25A? Regredidos estamos hoje. Antes íamos de vento em popa: 10% crescimento ao ano, consolidação industrial; e tínhamos tudo o que o Estado Novo erigiu – escolas, hospitais, pontes, barragens, tribunais, vias rodo e ferroviárias, portos, Estado Social, etc. – e a República nunca construiu por ser mais de lutas e querelas partidárias e jacobinas. Homem, já não se pode continuar a fazer passar essa narrativa. Há muito que as vendas começaram a cair.

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  6. 25 Abril, 2017 16:50

    Acrsce que o seu texto tem incorrecções e omissões (involuntárias quero crer) do que aconteceu entre o 25 de de Abril e o 25 de Novembro.
    Nem quero aqui (local impróprio) opinar sobre os benefícios que o 25 de Abril trouxe ao país !…E, claro, também consequências nefastas por posteriores desvarios e objectivos-outros que não a Liberdade

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  7. Arlindo da Costa permalink
    25 Abril, 2017 17:35

    Deviam fazer romaria e agradecer a Otelo.
    São pobres e mal agradecidos(as)!

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    • Cristina Miranda permalink
      25 Abril, 2017 17:50

      Claro q sim. Muito agradecida pelo excelente esclarecimento. Quanto à liberdade agradeço a Eanes e Jaime Neves.

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      • Viriato de Viseu permalink
        26 Abril, 2017 01:12

        Sim. A esses dois bravos e aos seus comandados!!!

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  8. PiErre permalink
    25 Abril, 2017 17:47

    Os “benefícios” do 25 de Abril conheço-os bem. São os 70% dos meus magros rendimentos que vão à vida, como muito bem diz Cristina Miranda.

    De resto, se não fosse o saudoso Jaime Neves ainda estaríamos pior. Sim, porque os outros, coitados… entregavam logo tudo aos comunas e quejandos.

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  9. Aventino permalink
    25 Abril, 2017 18:31

    Tudo tem a ver com: “comida”, “estômago”, “dinheiro”, “regalias”, “poder”, “influência”, etc..
    Todo o resto é… RETALIAÇÃO!

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  10. 25 Abril, 2017 19:12

    Hoje, Vasco Lourenço, outro que mais parece a voz do dono, elogia o discurso do CDS-PP e ataca despudoradamente o discurso do PSD. Percebe-se porquê.

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  11. Churchill permalink
    25 Abril, 2017 20:18

    Eu não o que seria de nós agora se não tem acontecido o 25A
    Até podíamos estar melhor, pois há muitos casos de transição para um regime democrático sem necessidade desta espécie de ópera bufa, que foi a nossa revolução armada sem tiros.
    Agora o que me chateia mesmo é o herói de Santarém, o tal Salgueiro Maia, que era um bêbado que passava a vida em casas de meninas. Podiam bem ter arranjado melhor.

    No post continuo a não perceber o que são os tais tratamentos privilegiados dos funcionários públicos. Não podem ser despedidos por falência da empresa porque o Estado não é uma empresa (ou quer demitir um sargento da força aérea porque de vez em quando uma Mortágua qualquer acha que a defesa não faz falta!), de resto não sei bem o que seja.
    Seguramente não estamos a falar da repartição de lucros no tempo das vacas gordas (mesmo que aldrabadas).

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  12. Rocco permalink
    25 Abril, 2017 20:22

    Não há pingo de paciência para o 25 do quatro…

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  13. 25 Abril, 2017 20:51

    JoCa,

    parece-me que a sua opinião mais não é do que uma opinião. Estamos quites.
    Mas eu “meto ao barulho” as opiniões do Otelo, porque infere-se do título do post mais o primeiro e último parágrafo (entre outras frases) que o 25 de Abril, “afinal”…

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  14. carlos alberto ilharco permalink
    25 Abril, 2017 21:20

    Excelente post.
    Contêm algumas imprecisões.
    Primeiro quem conduziu o 25 de Novembro foi Ramalho Eanes, Jaime Neves, um herói aqui e onde era preciso, foi o executor.
    Segundo um artigo desta capacidade não se pode basear em nada que Otelo tenha dito.
    Esse fulano não merece, como já na altura não merecia o menor crédito.
    É um pobre diabo.
    Terceiro e aqui já não é para a autora do artigo, a Guerra no Ultramar estava ganha em Angola (há para aí alguém que estava lá na selva todo transido de medo) em Moçambique controlada e perdida na Guine.
    Quanto aos imposto é natural.
    O Estado socialista rouba tudo aquilo a que puder deitar a mão.

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  15. José Domingos permalink
    25 Abril, 2017 21:39

    Está por contar a história do 25A. O que parece não haver dúvidas é que foi por causa dos capitães do quadro, do bolo a dividir por mais, e então fez-se a revolução.
    Nunca na história contemporânea portuguesa, as forças armadas, fizeram alguma coisa em nome do povo. Sempre foram uma elite, embora vindos (alguns) do povo, sempre se protegeram corporativamente e não só. A guerra do ultramar, foi um maná de lucros e dinheiro fácil, muitos houve, que cada comissão dava para comprar um apartamento.
    Não havia interesse em acabar com a guerra, porque quem dava o corpo ao manifesto eram os milicianos.
    Claro que esta história o rosas ou o pacheco, não contam, são intelectualmente desonestos, preferem estar na crista da onda.
    Acho que foi um favor que fizeram, acabar com o regime, estava sem saída, a questão do ultramar, estava decidida, dividida e paga.
    O povo, que foi aplaudir, para o largo do Carmo, foi o mesmo que uma semana antes, aplaudiu, de pé, o Américo Tomaz , no estádio nacional.
    O povo portugês, lamentávelmente, serve qualquer amo, se isso lhe der algum lucro.
    Depois do 25A, três bancarrotas, milhões da europa que desapareceram, e ninguém quer saber, do ouro do bdp, da pesada herança fassista e a seguir os bancos, poços sem fundo e sem culpados.
    A tropa, passou a ser os funcionários públicos e continuamos a ter uma elite em Portugal, uma censura, os comissários politicos das redações dos jornalixos e telelixos, as universidades carregadas de professores de esquerda, porque se fossem de direita, não trabalhavam.
    25 de Abril, o quê?
    Eu e milhares como eu, são espoliados, quase extorsão, para que o circo gaste metade do pib para pagar os palhaços.
    Eu e milhares como eu, trabalham 50 ou 60 horas por semana, não ganho horas extras e feriados.
    Estava melhor no estado novo. Lamento.
    Parabéns Cristina, por mais um excelente texto e obrigado.

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    • Cristina Miranda permalink
      25 Abril, 2017 21:45

      Obrigada. Subscrevo integralmente o seu comentário. É exactamente isso. Infelizmente.

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    • carlos alberto ilharco permalink
      25 Abril, 2017 22:19

      Nem mais.
      Assino por baixo.

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    • Viriato de Viseu permalink
      26 Abril, 2017 01:30

      Assino com a minha caneta de ouro este comentário!!!

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    • Antonio Cardoso permalink
      26 Abril, 2017 14:09

      Optimo comentario Jose Domingos. Concordo plenamente. Quanto ao Otelo (ou sera oTolo) ja se sabia por quem o conheceu em novo de L.Marques, nunca jogou com os berlindes todos

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    • 26 Abril, 2017 16:10

      Não é ultramar é colônias . Tarde em sair do léxico esta linguagem salazarenta para muito fascista .

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  16. 25 Abril, 2017 22:14

    José Domingos,

    1) O 25 de Abril aconteceu com interesses para além “do bolo”. Esse argumento é usado por quem nunca quis que o regime fosse deposto.
    2) Sugiro que leia a história das forças armadas. Não generalize quanto às elites. Por exemplo, estiveram no ex-Ultramar para proteger quem e em nome de quem ?
    3) Só poucos e não muitos, conseguiram o maná, “lucros e dinheiro fácil” para comprar apartamento ou mandar fazer casa após cada comissão.
    4) Havia interesse de superiores hierárquicos acima de milicianos, para acabar com a guerra colonial. Leia, entre outras publicações, “Portugal e o Futuro” do ASpínola.
    5) 1 semana antes do 25 de Abril, “o povo” aplaudiu MCaetano no Estádio do SportingCP e não o AThomaz no Estádio Nacional.

    Quanto ao resto que vc. opina e respeito, nem sempre estou de acordo, muito menos eu estaria num Estado Novo sucedâneo do salazarismo-caetanismo, este, estilhaçado, traído por “fiéis”-traidores do MCaetano…

    Aconselho-o que leia o post do Rui A.

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    • Monti permalink
      26 Abril, 2017 08:33

      Elementar…
      «estiveram no ex-Ultramar para proteger quem e em nome de quem»
      Na Guiné, com um clima impróprio para consumo e uma guerrilha melhor armada que o Exército, para garantir as colunas civis de escoamento de amendoim para Bissau e daqui para Lisboa-CUF.
      Diz-me um major ali presente ao tempo, insuspeito de progressista tardio.

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  17. José Domingos permalink
    25 Abril, 2017 23:07

    MRJB tem razão, foi no estádio do Sporting e foi Marcelo Caetano. Em relação ás elites , fui talvez precipitado na escrita, a generalização tende a criar injustiças, e houve muitos milhares que acreditavam na situação e na missão, eu incluído, e já na altura, não seria propriamente um iletrado, lia o que queria e ouvia também e nunca tive problemas!!??
    A história da passagem de Portugal por Africa, acho eu, ainda não foi escrita. Existem muitas feridas abertas, muita suspeição, desconfianças.
    Acho que entre 1970/1974, houve muita traição e punhaladas nas costas, não só em Lisboa, como na oposição, fosse na Europa, fosse em Argel, onde estaria o grosso dos opositores ao regime. No livro ” Misérias do Exílio”, Patrícia Pinheiro, dá um retrato não muito feliz dos opositores que por ali andavam? Poderá ser um tema de discussão.
    Quando surgiu a CPLP, acreditei que funcionasse, agora penso que os políticos mataram a organização á nascença, com a Guiné Equatorial a ser a cereja em cima do bolo.
    Estranho que Portugal, não tenha força para sair deste marasmo, uma ópera bufa, de muito mau gosto.
    Sentimo-nos órfãos? Precisamos de um lider? Estamos á espera de um D. Sebastião?

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    • 25 Abril, 2017 23:51

      De acordo.

      O esperado D.Sebastião terá de sair para sempre da cabeça dos tugas se conseguirem (e quiserem) começar a pensar nas suas vidas, a melhorar o conhecimento, a evoluirem, a desprezar políticos medíocres ou quanto muito só normais e a ostracizar corruptos, bandidos de colarinho branco. A optar pelo muito bom em detrimento do razoável só porque pertence ao seu partido.
      O caso da CPLP é lamentável e neuseabundo. Portugal não tem força nem carácter também no caso da Guiné Equatorial.

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  18. licas permalink
    26 Abril, 2017 00:32

    MJRB PERMALINK
    25 Abril, 2017 20:01

    MJRB PERMALINK
    25 Abril, 2017 22:14

    Completamente de acordo, caro MJRB.

    Afinal a Guerra, quanto a mim, nem deveria ter começado.
    Em face da teimosa, irracional, patética, em não se enveredar
    por uma solução política (a independencia das Colónias *)
    “teve” de se optar pela Revolução. E AINDA BEM, digo eu,
    pois M. Caetano não me pareceu suficientemente lúcido
    para por termo ao Regime.

    * quem perde a guerra tem de se sujeitar a todas as exigêcias do vencedor . . .
    (dura lex, sed lex)

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  19. Cipião Numantino da Boina, anti comunofóbico. permalink
    26 Abril, 2017 02:19

    Foi assim que lhe contaram?
    Novembro de 1973 choque prolifero aumenta o combustível em 100%, orçamento para 1974 já tinha sido aprovado e contemplava o mesmo valor para a defesa do ultramar conforme se dizia na altura, com o mesmo valor de 1973, em Março de 1974 a verba total para o ano de 1974 já se tinha esgotado.
    Outro pequeno pormenor que escapa a quem não sabe, em 1952 Portugal tinha assinado o memorando das Nações Unidas, que se propunha entregar todas as colónias aos seus povos.
    Quem sabe sabe, quem não sabe vai fazendo conjecturas na maior das ignorâncias, já agora a dívida relativa à guerra Colonial só acabou de ser paga em 2014, podem confirmar com o vosso amigo Passos, só este pormenor porque os outros tal como a maioria de vocês, ele ignora.

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  20. Anónimo permalink
    26 Abril, 2017 11:24

    Saiba a Cristina que mais uma vez navegamos na mesma interpretação do antes 25Abril, nomeadamente o que concerne as motivações dos Oficias do Quadro. Isto num saber de experiência feito.
    Nos anos 60 ir para as Academias Militares era passear em Lisboa aos domingos com farda de cadete (resultava) e ter promessas de uma razoável vidinha.
    Ir para uma guerra, no meio do mato(!) … não estava no plano original, embora inscrever-se numa academia militar o pressuponha.
    Ir para o mato era a obrigação dos “Oficias” milicianos….

    Pondo de lado altruista motivações, feito que foi AQUELE 25Abril, do que se seguiu, também já o tinha escrito, frizaria o arrefecer à altura, da autoridade de Cunhal. Enquanto mandarete da URSS coseguiu (facilmente) que Angola fosse “nossa” deles. Depois, já sem as costas largas, teve que meter a viola no saco. Não conseguiu ir além de um “olhe que não, olhe que não” inconsequente. Sobrou, literalmente, o poder para o socialismo de MSoares … rapidamente metido na gaveta, claro. Mas essa será outra partitura.

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  21. 26 Abril, 2017 12:27

    Que melhor elogio ao 25 de abril, aos capitães de Abril e ao povo português que esta ” coisa” escrita (mal) por esta vivente ( amargurada) ?

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  22. Ruah permalink
    28 Abril, 2017 10:39

    As minhas conclusões estão bem definidas..
    MJRB, não foi militar em Angola e não conheceu a realidade…
    Porque se a conhecesse não dizia o que lhe ia na ponta dos carateres mas sim do que eu constatei.
    Quando entrei no RI 5, disseram-me que o In era preto. Vejam e analisem as reportagens do Joaquim Furtado, onde se demonstra que afinal o pior IN dos militares portugueses eram de cor clara.
    Em setembro de 1974 embarquei para Angola, sem que antes me tivesse voluntariado para a Guiné.
    Angola, terra linda e com pessoas de bem. Contatei e verifiquei a humildade e a simplicidade dos africanos
    Houvi versões do tipo: donos da terra:
    – Vocês, brancos, vão-se embora e nós vamos ficar aqui até que a morte nos separe por estes bandalhos;
    – Vocês vão-se embora, e nós vamos morrer de fome e abandonados.

    Quando os movimentos entraram em Luanda.

    Um dia, na parada, entra-me uma dita companhia designada por militares do MPLA.
    Esta companhia era composta por meninos dos 14 aos 16 anos e comandada se me permitem a designação, por um adulto.
    Nesse dia, houve levantamento de rancho na unidade e o oficial de dia vira-se para os militares portugueses e diz:
    – Vão comprovar como a comida num refeitório militar é de qualidade e manda avançar os miúdos, esfomeados, mal-vestidos ( será que um uniforme é ter camisa militar e não usar calças, ou usar calças e não camisa militar ?).

    No final da refeição, interceto o militar do MPLA e questiono a dita companhia composta por criança e a viabilidade da guerra na mata:

    Foi simples na resposta: Vocês é que nos querem dar isto. E mais não digo.

    Uma bagunça total a entrada dos movimentos em Luanda
    Ninguém se entendia;
    Poder-se-ia ter dado uma catástrofe em Luanda, no qual os soldados portugueses…
    Até ao ataque à Vila Alice;
    A entrada dos Cubanos.
    A instalação do MPLA

    Foi a vingança de um tal Almirante vermelho e seus comparsas que instalaram o MPLA em Luanda. Porque não instalaram a FNLA ou a UNITA?

    Ao MJRB

    Será capaz, 43 anos passados, de me responder…
    O que significava a palhaçada do General Spínola, na Guiné, ao aterrar no meio da mata o seu helicópetero e o fogo cessar?
    O que significava, para o General Spínola, impedir que homens como Marcelino da Mata e Gaspares virem a serem impedidos de atuarem no campo de batalha?
    Noutros campos de combate :
    – O que significava uma companhia sair para o mato e não ser metralhada e a próxima a sair, não se podia movimentar porque era metralhada a cada passo que desse?

    Conheci um comandante em Angola que dizia: Não matem o IN. Tragam-mo vivo. Quando o filho foi para o combate e teve a infelicidade de cair, mudou o texto da concórdia…abatam esses…f.d.p.

    Mas eu volto um pouco atrás.

    No RI5. Encontrei heróis. Militares de carreira. Meninos de coro.Daqueles que eram amigos dos soldados e que até nem humilhavam os instruendos, apenas os colucavam nas casas de banho a fazer rondas não fosse um instruendo escrever nas paredes e dizer mal do regime. As 17 horas, esses oficiais de dia que para não deixar os instruendos sair, passavam-lhes uma caneta bic pela cabeça, não fosse o pelo saltar por cima…

    Heróis, no RI 5, eram aqueles que ao fim de uma comissão se recusaram a passar de cabos milicianos. Outros nem isso quiseram, apenas cumprir uma missão que o pais lhes pedia

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    • Viriato de Viseu permalink
      28 Abril, 2017 18:49

      Confirmo tudo.
      Quanto ao ataque das instalações do mpla na Vila Alice, deve ter sido o último acto heróico feito pelas nossas Forças Armadas. Morava perto e apercebi-me dos contornos.
      Para quem não saiba passo a explicar;

      Uma patrulha do mpla mandou parar um jeep da tropa Portuguesa (imaginem…esses senhores já mandavam em Luanda quando ainda tremulava ao vento na fortaleza, a Bandeira de Portugal)
      Nesse jeep viajava entre outros um Alferes. Feita a “inspecção” ao veículo militar PORTUGUÊS, mandaram depois seguir…e….eis se não quando…metralharam o nosso jeep assassinando o Alferes pelas costas.

      Na altura, o comandante do COPLAD (Força Portuguesa) era o Coronel da Força Aérea Amilcar Heitor Almendra, que os tinha no sítio, e deu 48 horas para o mpla entregar o matador do Alferes.
      Como passadas essas horas o mpla não cumpriu, o Coronel mandou invadir com uma companhia de Comandos o quartel do mpla na Vila Alice e saiu vitorioso. Os nossos rapazes nem uma beliscadura sofreram. Entraram no quartel e sacaram tudo, inclusive todo o material de guerra, que depois se transferiu para a base aérea 9 que cheguei a ver, porque um primo que era piloto dos Fiats, era ao tempo um dos delegados do COPLAD.

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