Skip to content

Vieira da Silva e os 200 milhões

21 Dezembro, 2017

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é um organismo regulado e tutelado pelo Estado, nomedamente pelo ministério de Vieira da Silva.

São bem conhecidas as palavras de incentivo desse ministro ao projecto de entrada da SCML no capital de um banco cheio de problemas, que é o Montepio. Sempre ficou no ar a impressão que tal entusiamo com essa hipótese se relacionava mais com a tentativa de salvar a situação difícil do próprio Montepio, (que não consegue em mercado arranjar investidores), do que a qualquer interesse directo da SCML.

O certo é que com o novo Provedor, a SCML parece ter decidido entrar com 200 milhões a troco de 10% do capital do banco problemático (o novo vice-provedor era até Março Chefe de Gabinete de Vieira da Silva…).

Em todo o caso, uma operação mais do que suspeita. Verifiquemos se os Estatutos da SCML prevêem que a mesma realize tais operações.

Ora, nos seus Estatutos, «Fins Estatutários», artigo 4º, num rol vasto de diversos fins, apenas tal investimento poderia eventualmente ser enquadrado na alínea r) «Assegura a gestão do seu património imobiliário e aplica as suas disponibilidades financeiras do modo mais adequado à obtenção das receitas necessárias à prossecução dos seus fins, sempre sem prejuízo do respeito pelas obrigações assumidas e que impendem sobre os respetivos bens;».

Sendo o investimento anunciado uma aplicação «das suas disponbilidades financeiras», convirá verificar se a mesma é realizada do «modo adequado à obtenção das receitas necessárias à prossecução dos seus fins (…).». Não é necessário ser um perito para se entender facilmente que o investimento não é de todo adequado. É que 200 milhões por 10% implicaria valorar o Montepio num total de 2000 milhões, algo que nem que o banco não tivesse problemas alcançaria nos bons velhos tempos, quanto mais hoje.

É negócio portanto contrário aos fins estatutários da SCML.

Em segundo lugar ter-se-á de verificar quem poderia decidir tal negócio. Prevêem os Estatutos que a SCML seja dirigida executivamente pelo Mesa (artº9º). Mas de entre as atribuições desta não consta a aquisição de activos financeiros. O mais parecido que lá consta é «i) Criar ou participar na constituição de pessoas colectivas, quando tal se mostre adequado à prossecução das suas atribuições, obtida a autorização da tutela;». Ora a aquisição de 10% de um banco não é nem «criar» nem «participar na constituição de pessoas colectivas», uma vez que a dita pessoa colectiva (o Montepio) já existe e já está constituída. Obviamente, por não ser aplicável a primeira parte e pelo referido anteriormente, tal aquisição também não será «adequada à prossecução das suas atribuições» e desconhece-se em absoluto se foi obtida ou se virá a ser requerida «autorização da tutela», isto é, de Vieira da Silva.

Em suma, o negócio não tem cabimento nos fins estatutários da SCML, nem os seus orgãos tem competência para a sua realização. Esperemos que a tutela (Vieira da Silva) esteja atenta e exerça os seus deveres (artº2º) rapidamente, impedindo a concretização deste negócio ilegal face aos Estatutos aprovados por esse mesmo ministério.

(c) da fotografia: Correio da Manhã

Anúncios
18 comentários leave one →
  1. José Domingos permalink
    21 Dezembro, 2017 23:00

    A famiglia no seu melhor, é genético

    Gostar

    • 23 Dezembro, 2017 00:45

      Mesmo assim é dum desplante pouco visto. O Montepio vale 4 BCP? Vale uma Sonae?
      Se a SCML não sabe o que fazer ao dinheiro eu tenho uma sugestão: dê aos pobres.
      Espero que alguém trave este negócio / negociata. Isto é o equivalente a oferecer um milhão por uma casa por quem o vendedor pede cem mil. Não faz sentido económico. Isto na vida real nunca passava nas malhas da AT. O Montepio não é um Da Vinci com valor subjectivo, e objectivamente talvez nem valha os 200 milhões que a SCML vai derreter por apenas 10%.

      Gostar

  2. pvnam permalink
    21 Dezembro, 2017 23:34

    Já é altura do contribuinte deixar de ser preguiçoso/parvo!
    (manifesto em divulgação, ajuda a divulgar)
    .
    .
    O CONTRIBUINTE NÃO PODE PASSAR UM CHEQUE EM BRANCO A NENHUM POLÍTICO!
    .
    Leia-se, DEMOCRACIA SEMI-DIRECTA: isto é, votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco… isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos… só que depois… a ‘coisa’ terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
    -» Explicando melhor, em vez de ficar à espera que apareça um político/governo ‘resolve tudo e mais alguma coisa’… o contribuinte deve, isso sim, é reivindicar que os políticos apresentem as suas mais variadas ideias de governação caso a caso, situação a situação, (e respectivas consequências)… de forma a que… o contribuinte/consumidor esteja dotado de um elevado poder negocial!!!
    -» Dito de outra maneira: são necessários mais e melhores canais de transparência!
    [mestres/elite em economia já ‘enfiaram’ trapalhadas financeiras monumentais… quem paga, vulgo contribuinte, não pode deixar de ter uma palavra a dizer!]
    .
    Exemplo:
    Todos os gastos do Estado [despesas públicas superiores, por exemplo a 1 milhão (nota: para que o contribuinte não seja atafulhado com casos-bagatela)], e que não sejam considerados de «Prioridade Absoluta» [nota: a definir…], devem estar disponíveis para ser vetados durante 96 horas pelos contribuintes na internet num “Portal dos Referendos”… aonde qualquer cidadão maior de idade poderá entrar e participar.
    -» Para vetar [ou reactivar] um gasto do Estado deverão ser necessários 100 mil votos [ou múltiplos: 200 mil, 300 mil, etc] de contribuintes.
    {ver blog « http://fimcidadaniainfantil.blogspot.pt/ »}
    .
    Uma nota: a Democracia Directa não tem interesse – serve é para atafulhar o contribuinte com casos-bagatela.
    .
    .
    .
    Anexo:
    Uma opinião um tanto ou quanto semelhante à minha: Banalidades – jornal Correio da Manhã (antes da privatização da transportadora aérea):
    – o presidente da TAP disse: “caímos numa situação que é o acompanhar do dia a dia da operação e reportar qualquer coisinha que aconteça”.
    – comentário do Banalidades: “é pena que, por exemplo, não tenha acontecido o mesmo no banco BES”.
    .
    Um exemplo: Vítor Constâncio, coadjuvante na nacionalização do BPN, foi premiado pela MÁFIA DOS CALOTES: foi para o Banco Central Europeu.
    E não só: muitos outros mestres/elite em economia já ‘enfiaram’ trapalhadas financeiras monumentais… a quem paga, vulgo contribuinte.

    Gostar

    • 22 Dezembro, 2017 06:08

      A populaça-NADA está-se marimbando para o seu futuro e para o futuro do país.
      Deem-lhe revistas do jet 3,5 tuga (ver sedantes, bovinizantes, tétricas capas semanais), galas nas tv’s, futebol e futebolices, telenovelas, etc. Política e políticos ? — “isso é lá com eles”. Corrupção ? — está no ADN tuga desde o “jeitinho” passando pelo favor e acabando na corrupção, criticada por serem outros a praticá-la…
      Portanto a populaça paga, não bufa e se lhe derem uns trocos mensais até sorri, alarvemente.
      Quase tudo e todos estão inquinados. Cada vez mais concluo que é perda de tempo estar actuante para “melhorar” a nauseabunda sociedade tuga. Desenrasquem-se e vão chatear outro.

      Gostar

      • Democrata com larga experiência — Vende-se permalink
        22 Dezembro, 2017 09:21

        Excelente a sua descrição de algumas características da populaça-NADA.

        Permita-me acrescentar (já deve ter notado o facto) que a populaça-NADA ficou inconsolável com a nova geração de televisores plasma, LCD, LED. Já não têm suporte para o tão adorado naperãozinho com a fotografia dos seus queridos entes-NADA.

        Boas Festas.

        Gostar

  3. 22 Dezembro, 2017 00:14

    Atenção meus caros, o Montepio não está a ser tratado como devia.Qualquer banco internacional, holandês, chinês ou lá o que seja, injecta dinheiro no Montepio,

    Gostar

  4. 22 Dezembro, 2017 04:12

    Isto nada mais é do que uma troca de resgates. O governo sabe que será fuzilado pelos outros partidos e pela opinião pública de resolver “afundar” 200 milhões de euros num banco falido. Assim, manda a Santa Casa meter o dinheiro. Quando a Santa Casa falir a começar a deixar cair o seu trabalho por falta de fundos, o Estado lá irá acudir a Santa Casa (e ninguém levará a mal, pois é a Santa Casa).

    Gostar

  5. 22 Dezembro, 2017 06:10

    E estes gajos e gajas d P”S” são do pior que podia surgir na política e nos organismos do Estado. Gente estruturalmente repugnante.

    Gostar

  6. 22 Dezembro, 2017 06:12

    Acerca deste Vieira, leiam a primeira página do jornal “i” de hoje.

    Gostar

  7. carlos alberto ilharco permalink
    22 Dezembro, 2017 07:34

    Neste momento em Portugal podem fazer-se todas as trapalhadas que apetecer.
    O único garante contra isso seria o Presidente da República.
    Ora acontece que neste momento em Portugal o lugar está vago.

    Gostar

  8. rão arques permalink
    22 Dezembro, 2017 09:46

    A sogra também mama à fartazana, e a mulher Fartuzinhas tem o dedo na colher.
    A troika Marcelo, Costa, Vieira, querem continuar a trocar-nos as voltas?
    No limite da paciência a paulada é uma ciência.

    Gostar

    • Manuel permalink
      22 Dezembro, 2017 10:13

      As IPSS de Norte a Sul e ilhas têm de ter as contas fiscalizadas. A “raríssimas” é uma árvore na floresta.

      Gostar

  9. Artista português permalink
    22 Dezembro, 2017 10:43

    A nossa derradeira esperança é que o Ministro do Trabalho meta o Vieira da Silva na ordem.

    Gostar

  10. LTR permalink
    22 Dezembro, 2017 10:54

    O Rei vai nú.

    Gostar

  11. Tiradentes permalink
    22 Dezembro, 2017 16:28

    Estranho que estranhem.
    Quando um governo é socialista, e neste caso acolitado pela extrema-esquerda, tudo o que era “fássismo” em qualquer governo que não seja deles, passa a ser revolucionário
    Assim foi com a TSU, em que um “milhão de macacos” saiu à rua e que o governo socialista baixou para os novos cotnratos.
    Assim foi e é com as greves que de anseios mínimos pelas suas “conquistas civilizacionais” passaram a ser coisas que não se podem dar a todos e querem o impossível de uma vez.
    Assim foi com o dinheiro dos contribuintes que era imoral meter nos bancos e que agora até o dinheiro dos pobres (Sta Casa) pode entrar no capital financeiro.

    Gostar

  12. Arlindo da Costa permalink
    22 Dezembro, 2017 17:34

    Estou mais preocupado com o destino dos seis milhões e tal de subsídios que foram parar à Tecnoforma e que a Comissão Europeia já pediu a devolução.

    Não me preocupo com peanuts ou com tricas de lana caprina.

    Gostar

  13. JP Ribeiro permalink
    22 Dezembro, 2017 17:36

    Pelo menos com isto os membros da Mesa Administratica da Misericórdia de Lisboa não poderão vir dizer que não foram avisados. Ou pensam eles que escaparão da prisão? Não escaparão e seremos milhares a exigi-lo em seu tempo.

    Gostar

  14. 23 Dezembro, 2017 23:50

    meus caros senhores qual o orgão oficial, bp,cmvm, etc, que diz que o Montepio é um banco cheio de problemas? haja decoro e decência. Digam mal da SCML e não do Montepio.

    Gostar

Indigne-se aqui.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: