Não descruzarás as pernas, bitch
Se eu fosse uma daquelas pessoas que tende a saber exactamente as motivações de alguém, diria que o texto do Henrique Raposo é motivado por uma preocupação pessoal com o bem-estar (agora diz-se bem-tar) das suas filhas. Como não sou, limito-me a dizer que o considero, quer ética, quer moralmente, tão erradamente desprovido de moral humana como quando foi tornado em regra pelo código criminal da União Soviética, com pena até três anos pela posse e distribuição de pornografia. Não é de somenos que o Partido Comunista Português seja, para grande infelicidade dos três solitários conservadores-liberais portugueses, a grande referência nacional do conservadorismo.
A certa altura, o Henrique diz que “não somos macacos à deriva num universo darwinista”. Sinto-me atingido. É precisamente isso que somos enquanto o acasalamento, e Deus nos livre que assim deixe de ser, for motivado por instinto e não por minucioso data mining de base de dados genética. Durante milénios, nós, os homens, soubemos procurar visualmente as ancas que nos providenciariam maior probabilidade de reprodução e elas, as mulheres, souberam guardar o poder da procriação para o macaquinho que aparente possuir melhores genes. Não é um método infalível, mas é — e talvez mesmo por essa falibilidade — inegavelmente humano. A espécie preserva-se assim: o mais forte e a mais atraente têm probabilidade superior a gerar filhos que assegurem posterior reprodução na geração seguinte. Sobre sermos macacos darwinistas nem se trata dizer que estamos conversados, trata-se de estarmos conversados desde o início dos tempos.
Porém, como já muitas pessoas salientaram, na generalização do homem como besta sem filtros e travões, coisa que nem os cães são (que não faltam cadelas capazes de dar valentes cargas de porradinha da velha ao cachorro desinteressante mais atrevido), o Henrique diz o seguinte:
O movimento #MeToo tornou-se imparável e a sua principal consequência será a revisão dos códigos morais e sexuais que herdámos da revolução sexual dos anos 60.
A primeira parte é verdade: é imparável, pelo menos até dar de trombas com a parede; a segunda parte é que não: os códigos morais e sexuais herdados da revolução sexual dos anos 60 não serão revistos, serão sim temporariamente metidos dentro das quatro paredes (e dos WhatsApp, e dos Instagrams, e dos milhares de recantos naturais e artificiais por esses caminhos de Portugal) enquanto não se tem a certeza absoluta de um potencial parceiro não ser um maluquinho dos que não percebe que a cada #MeToo só se obtém um futuro #NoSoupForYou.
Como também tenho filhos, um de cada sexo, e como isso parece dar-me automaticamente a posição de catedrático na matéria, acrescento que nunca ensinei (adenda: nem ensinarei) a rapariga a “cruzar as pernas”, a “não abusar do decote e da saia” e a “não se expressar através do corpo”. Porém, ensinei aos dois que é particularmente bonito partir o nariz a quem tem dificuldade a perceber que as mulheres não são para serem domadas, quer pelos que lhes ensinam a cruzarem as pernas, quer pelos que vêem em pernas descruzadas uma oportunidade para extravasarem a sua má rês, ambas sintomas da vontade de alguns por controlo dos outros.

“…a sua principal consequência será a revisão dos códigos morais e sexuais que herdámos da revolução sexual dos anos 60”.
“…a segunda parte é que não […]”
Não é (será) exactamente assim, Vitor Cunha. Os códigos morais e sexuais “aplicáveis aos homens brancos cisgénero heterossexuais” serão revistos, sim. Particularmente os aplicáveis aos espécimes cristãos e casados.
Como o Henrique Raposo. Infelizmente, com a ajuda de alguns dos próprios.
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Essa passagem é citação do Raposo
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Eu sei, eu li o artigo.
Talvez desajeitadamente, o que pretendi refutar foi a refutação do Vítor Cunha à passagem do texto do Henrique Raposo.
““…a segunda parte é que não [terá razão]”.
Terá razão (Raposo) naquilo que diz respeito à “revisão dos códigos morais e sexuais “, na parte em que estes sejam “aplicáveis a homens brancos cisgénero heterossexuais”. Como ele próprio.
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O Aziz Ansari não é estritamente branco nem cristão. A coisa vai acelerada. Em breve aparece um preto, se é que ainda não apareceu. Vai dar de trombas com a parede, até porque a geração seguinte não estará para aturar as taras dos pais (isto é comum entre gerações).
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Há sempre vítimas colaterais e a revolução come os seus filhos, etc.
Mas o alvo é o heteropatriarcado do costume.
Agora parece que a coisa já chegou à ONU:
“Assédio e abuso sexual na ONU: cultura de silêncio e atacantes impunes”.
(lido no pasquim que vai passar a semanário)
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“Agora parece que a coisa já chegou à ONU:
“Assédio e abuso sexual na ONU: cultura de silêncio e atacantes impunes”.”
Durante anos as tropas da ONU dedicaram-se a violações em África. Mas como era na maioria Africanos contra Africanos logo não utilizável pelo Jornalismo Marxista para tomar o Poder não foi notícia.
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De há uns tempos a esta parte que o mundo deixou de ser eurocêntico ( “helenística” trans-norte atlântica incluída…).
À escala global , “isto” são arrufos de fim de bailarico de bairro – só os autóctones lhe atribuem importância…
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Obrigado Vitor Cunha. Muito obrigado por trazer a coisa para o campo do bom senso e da boa formação, contrariamente ao Henrique Raposo que, neste tema, está perfeitamente dominado pelo pânico e a quem fazia falta ter um filho rapaz.Também sou pai de rapazes e de rapariga e nada de mais certo tenho a dizer-lhes que: ” é particularmente bonito partir o nariz a quem tem dificuldade a perceber que as mulheres não são para serem domadas, quer pelos que lhes ensinam a cruzarem as pernas, quer pelos que vêem em pernas descruzadas uma oportunidade para extravasarem a sua má rês”.
O bom senso e o saber estar estão cada vez mais longe das “gerações mais bem preparadas de sempre”.
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“A minhas minhas filhas têm o direito de andar com as mamas à mostra, mas os teus filhos não passam de uns porcos e estupradores se se atreverem a olhar para elas. Agora deixa-me ir a missa para mostrar o quanto beto eunuco eu sou “
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O texto pode ser resumido mais ou menos assim.
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Eu não sei. O Victor diz que uma mulher mamuda dá mais leitinho aos meninos que uma mulher de mama normal?
Ou que uma mulher/homem rico dá mais procriação que a(o) correspondente pobre?
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“Ou que uma mulher/homem rico dá mais procriação que a(o) correspondente pobre?”
Mais procriação, não. Maiores probabilidades de sobrevivência, durante 99,9% da História da Humanidade, sim.
Dinheiro relaciona com sucesso. Sucesso, regra geral, com algum tipo de inteligência (melhor a fazer emboscadas na caça, melhor a liderar tropas e a conquistar castelos, melhor nos negócios, etc).
Quem acredita na evolução percebe porque é que a espécie foi ficando, aos poucos, menos burra.
Com o sugimento do Estado Social e avanços da medicina, são irrelevantes a características dos progenitores, todos os elementos do rebanho têm igual probabilidade de sobrevivência. Ganha quem se reproduz mais. O mundo está a ficar mais burro.
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Maior hipótese de sobrevivência em ambos os casos. As rechonchudas perderam estatuto como ideal de beleza quando a acumulação de gordura deixou de estar relacionada com prova de posses.
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O sexo acaba sempre por ser uma coisa perigosa.
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Ela não descruzou as pernas. Deu-se mal!
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Fiquei confuso….e eu a pensar que o #MeToo era o legítimo herdeiro dos códigos morais e sexuais herdados da revolução sexual dos anos 60. Mas fico mais descansado quando me dizem que a ONU vai abordar o tema.
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Não, é o legítimo herdeiro do McCarthy e da mulher que faz bolos nos anos 50. Não é nada anúncio do Fá Fresh, ou qualquer praia dos anos 70 e 80, é o seu contrário.
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Só faltava aqui o disfuncional cognitivo Raposo… Francamente! E levante-se o padeiro à meia-noite…
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Nisto de assédio e temas semelhantes, esquecemo-nos daquelas mulheres que se oferecem descaradamente aos chefes/patrões/superiores na mira da promoção ou do aumento de ordenado.
Conheci algumas que até se deram bem
DNO
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Não percebi completamente o texto de Henrique Raposo nem a crítica de Vítor Cunha. Ambos referem movimentos na net com nomes antecedidos de #. É demais para a minha cabeça. Estou com uma gripe como acho que nunca tive na vida…
Não sei se isto a seguir tem que ver com o assunto (a gripe não me deixa muita clarividência…):
O Vítor Cunha tinha referido o nome de um tal Aziz. Não liguei, mas o nome ficou na minha memória. Entretanto chega-me um mail com a reprodução de um texto do JMF do Observador em que fala desse Aziz. Não encontro o texto no Observador, só aqui:
http://aveiro123.blogspot.pt/2018/01/macroscopio-agressoes-sexuais-mau-sexo.html
É da minha gripe ou esta história do Aziz passa das marcas?
«Ansari wanted to have sex. She said she remembers him asking again and again, “Where do you want me to fuck you?” while she was still seated on the countertop. She says she found the question tough to answer because she says she didn’t want to fuck him at all.»
Pois… Uma pergunta difícil de responder. É como eu quando vou às Finanças e me perguntam pelo regime que quero. Bloqueio. Uma torrente de pensamentos invade-me: “Por uma lado o regime de contabilidade organizada tem esta e aquela vantagem; por outro o regime simplificado não me dá dores de cabeça”. Fico ali parado, e o funcionário com aquela cara de quem mostra que o Fisco quer fazer amor (com F) comigo e eu sem dizer nem sim nem sopas…
Atenção: que o Aziz foi um grande porco, foi, pelo menos pelos meus padrões.
Quanto ao que a Sra. diz, cada um que julgue por si.
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Não li o texto do Raposo e li em diagonal este,
Só sei de uma coisa.
Desde sempre as fêmeas seduziram e escolheram, e o escolhido é ou o mais alto, ou o mais forte,ou o que tem mais poder e para isso tem que derrotar os outros.
Na dúvida ver os documentários do National Geographic.
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