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A realidade nua e crua. E de que ninguém fala

6 Maio, 2020

João de Carvalho «Quem nos governa só pensa em assalariados e funcionários públicos. Ninguém pensa nos pequenos negócios e nas suas especificidades. O privado para essa gente é assim uma espécie de excrescência aonde ainda habitam fantasmas de patrões exploradores e pessoas cheias de dinheiro, resquícios bolcheviques medievais cheios de naftalina que num país atrofiado à sombra do Estado medram.

Maria tem que pagar mensalmente o seu local de trabalho, a renda de sua casa, 2 edps, 2 águas, as telecomunicações ao serviço da profissão, a sua alimentação e as medicações para a asma que não primam pela comparticipação. Restam no seu negócio ainda o pagamento da recolha de resíduos a uma empresa certificada, a medicina no trabalho e mais uma catrefada de compromissos com que o Estado a vai “abafando” muitas vezes coadjuvado de empresas parasitas socialmente inúteis cuja propósito não é senão albergar gente de partidos e seus afins.

Maria comunicou a sua situação a várias entidades. Realço só algumas: a Meo comunicou-lhe para contactar um número que além de ser pago nunca atende, a EDP e as Águas de Portugal népia. Só duas reacções foram decentes e por acaso privadas: a sua senhoria que mostrou total compreensão e apoio e a empresa privada Ambimed Stericycle que recolhe os resíduos no seu local de trabalho. A Ambimed muito correcta e rapidamente suspendeu após solicitação por mail os pagamentos. Do Estado veio uma mão cheia de promessas e outra de nada!»

18 comentários leave one →
  1. Weltenbummler permalink
    6 Maio, 2020 10:06

    privados de tudo

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  2. Manuel Assis Teixeira permalink
    6 Maio, 2020 10:20

    Uma grande verdade! Este governo tem repulsa ao privado. E alguns ministros nem têm qualquer rebuço em o demonstrar. Veja-se o Pedro Nuno ou a Themido. E é ver-se o que se está a passar com os pagamentos do lay off! Um autêntico escândalo! Por isso me surpreende que as sondagens deem ao Costa e ao governo tanta popularidade! São manipulações? O nosso povo é estupido? 70% de aprovação ao Costa? Onde estão esses ” aprovadores”? Na zona do largo do rato? Foram feitas a funcionários públicos que nada sofreram? Há qualquer coisa aqui que não bate certo!

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    • Luis permalink
      7 Maio, 2020 01:39

      Este PS costistas é muito mais à Esquerda que o PS soarista, o guterrista e o socrático. Tem momentos em que não se distingue do BE.

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  3. maria permalink
    6 Maio, 2020 11:22

    Creio que, COSTA está a ser o COVEIRO – MOR, já com provas dadas e não o Salvador de nada.
    Dada a inevitável miséria pela pobreza e pelo desemprego que marcarão o futuro de milhões, ainda estamos perante um Fanfarrão que mente quanto à Austeridade. Aguardemos!

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  4. chipamanine permalink
    6 Maio, 2020 11:42

    Vcs ainda não aprenderam. Os privados são aquele tipo de humanoides gananciosos exploradores direitalhas poulistas senão mesmo reaccionários. A moral deles é de baixo calibre comparativamente com a do “hominidius socialisticus” cuja moral é sempre mais elevada. Só sendo servente do estado é que as pessoas melhoram um bocado mas mesmo assim eles tem de ser “encinados” pela grande CS devidamente orientada por este refém dos seus subsídios (“encinados” nos amanhas que cantam).
    E, por mais estranho que vos pareça há muitos “privados” que já foram catequizados e acham de pensam essas coisas que lhes foi incutida na cabeça pela propaganda politicamente correcta onde o sol brilha mais alto

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  5. Filipe Bastos permalink
    6 Maio, 2020 13:49

    A esquerda é hostil ao privado tal como a direita é hostil ao público.

    A direita só quer Estado para defender a sua propriedade, para manter o mínimo de sociedade que lhe permita ter empregados e criados, e a mínima safety net que evite a maralha morrer nas ruas ou recorrer ao canibalismo.

    Alguns, como o Zé Tonto que aqui escreve, nem isso querem pagar: a malta que se desenrasque, é cada um por si. É devido a esta ganância, que acumula fortunas obscenas enquanto a maioria vive mal, e a este egoísmo que a esquerda – sim – é moralmente superior à direita.

    Em nome desse ideal e dessa superioridade moral – que existe, gostem ou não – governos abusam: nos regimes comunistas oprimem e matam as pessoas, em partidocracias podres como esta enganam-nas e chulam-nas.

    É preciso acabar com os abusos; não com o ideal. Como? A meu ver, com uma democracia semidirecta. É pelo menos um caminho.

    A não ser esse caminho, é preciso outro novo. Não podem é querer mudar da bosta para a poia: do xuxalismo para a mama e o egoísmo direitalha.

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    • Andre Miguel permalink
      6 Maio, 2020 14:14

      Não somos hostis ao público, sim ao excesso de público.
      O sector público é um custo, não cria riqueza, pelo que só é tolerado ao nível em que permita a criação de riqueza pelo privado, cuando esse custo é superior à riqueza criada deixa de compensar e a economia fica desequilibrada (alô FMI?). Isto é básico e elementar! O mesmo se aplica às nossas escolhas individuais, só estamos dispostos a suportar custos que acarretem um retorno superior a esse custo. Mas a esquerda é criminosa, pois sabe disto, mas omite propositadamente. E o povo, acéfalo e acrítico, come o que lhe metem no prato acreditando nas coisas “grátis” e na maldade dos mamões.

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    • Filipe Bastos permalink
      6 Maio, 2020 15:38

      André, a esquerda dir-lhe-á o mesmo: não são hostis ao privado, mas sim à excessiva ganância e desresponsabilização do privado, tão bem ilustrada pelos mamões que passo a vida a vituperar, ou pela atitude os-outros-que-se-lixem do Zé Tonto.

      O Estado não é “tolerado”, é a base da civilização: sem uma organização política e administrativa, sem estradas, escolas, hospitais, tribunais e tudo o resto não há sociedade, nem há economia. Tal como a esquerda se esquece da criação da riqueza, a direita tende a esquecer-se disto.

      Acresce que a criação de riqueza, só por si, não é a medida final de todas as coisas. Uma fábrica chinesa de bugigangas gera emprego e produz riqueza, mas num mundo mais racional nem devia existir. A direita também é incapaz de ver isto.

      Ambos os lados são incapazes de encontrar uma base comum, por isso é que não se sai destas discussões estéreis. E nem sequer admitem dar a escolha às pessoas – veja como v., tão liberal e tal, rejeita a democracia semidirecta.

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      • Andre Miguel permalink
        6 Maio, 2020 16:13

        Não rejeitei coisa nenhuma, mas lá vem o velho truque socialista de acusar os outros daquilo que nós pensamos.
        Sou totalmente a favor da democracia semidirecta, como por exemplo a Suiça ou Liechstentein. Mas espera… esses países estão cheios de mamões e “chulos” da banca! As cambalhotas que vocês dão nos v/ discursos são notáveis…. Eheheheh!!!!

        Nenhum liberal diz que o Estado não é tolerado, nem um! Deixa por favor de mentir, uma coisa é Estado mínimo outra totalmente diferente é ausência de Estado. Repete cem vezes para aprenderes: liberalismo não é anarquia.

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      • Filipe Bastos permalink
        6 Maio, 2020 16:38

        “Sou totalmente a favor da democracia semidirecta”

        Ah, é? Não sabia! Então somos dois.

        V. disse: “o sector público é um custo, não cria riqueza, pelo que só é tolerado”… tolerado. Daí eu dizer: “o Estado não é tolerado, é a base da civilização”.

        E antes descrevi o “Estado mínimo” que a direita quer: “para defender a sua propriedade, para manter o mínimo de sociedade que lhe permita ter empregados e criados, a mínima safety net que evite a maralha morrer nas ruas”…. claro que não é anarquia; é mamar à vontade com a protecção do Estado.

        Sim, a Suíça mama nos impostos dos outros, encobre chulos e trafulhas, até ditadores e criminosos. Qual cambalhota? Uma coisa não anula a outra.

        Porquê essa necessidade de ridicularizar e rebaixar os outros? Precisa disso para se sentir melhor? É esse o seu problema, André?

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      • Andre Miguel permalink
        6 Maio, 2020 17:44

        “Uma coisa não anula a outra”

        É claro que anula! A redistribuição de riqueza que defendes só é possível num Estado socialista, pois numa democracia semidirecta as pessoas fazem tudo para proteger o fruto do seu trabalho e limitar o poder do Estado sobre as suas vidas.

        Não preciso ridicularizar um socialista, as suas contradições bastam.

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      • Zé Manel Tonto permalink
        6 Maio, 2020 18:00

        “a atitude os-outros-que-se-lixem do Zé Tonto”

        Vou-lhe contar umas coisas.

        Filipe, eu sou um dos muitos a quem se aplica a citação atribuída a Churchill de que “quem é jovem e não é socialista, não tem coração, quem é velho e não é conservador, não tem cérebero”.

        Eu também já achei que devia haver serviço nacional de saúde público 100% gratuito, que todo o ensino desde o pré escolar até pós doutoramentos devia ser gratuiro, também já acreditei na segurança social pública.

        Veja lá que até já acreditei que os ricos (essa entidade abstracta e muito elástica) deviam pagar uma percentagem maior de impostos, porque a situação em que a pessoa nasceu não deve influenciar a sua vida, e essa lenga lenga toda.

        Depois percebi umas coisas.

        Começando pela saúde gratuita, a maior parte dos problemas de saúde e mortes são por coisas que as pessoas podem controlar. Alimentação e falta de exercício são a causa da obesidade, que leva a dezenas de outros problemas. Tabaco é uma das principais causas de cancro. Tudo isso é evitável.

        Se o Filipe, e os proponentes do serviço nacional de saúde gratuito, me propusessem pagar para um sistema que trata de genuinos problemas de saúde, coisas que não são evitáveis, era uma base para discussão (sim, uma base, que uma prótese de um milhão para alguém com 90 anos, não é razoável).
        Se, atrelado ao razoável vem tratamentos de DST para vadias, tratamentos de cirroses para alcoólicos, operações ao coração para obesos, abortos a pedido (quando não há risco para criança, mãe, nem houve violação) tenha paciência, mas não.
        Quando começarem a ser razoáveis há discussão. Enquanto forem radicais do SNS gratuito, eu sou radical do “não quero”.

        O sistema educativo não deve ser gratuito a 100%.

        Há um nível mínimo que pode e deve ser gratuito, porque custa mais que não seja. Indo ao ridículo, mas percebe-se logo, custa mais a longo prazo um analfabeto, que ensinar a criança a ler. Porque o analfabeto nunca vai conseguir produzir o suficiente para justificar um salário.
        Ensino superior? Depende. Se há excesso de profissionais numa área, para quê formar gratuitamente? Deve todo o ensino superior ser gratuito? Uma pós graduação em estudos feministas deve ser paga pelo contribuinte?

        A segurança social é um esquema de Ponzi, nem vale a pena perder muito tempo. Bastou-me perceber o seu funcionamento para saltar à vista que o que uma pessoa paga + empregador, não chega para formar a pensão, mesmo que o dinheiro ficasse à espera da pessoa. Não sendo esse o caso, nem vale a pena defender este sistema. Só o defendem mamões (não o seu ódio de estimação, mas são mamões na mesma).

        Aquilo que o Filipe chama de atitude os outros que se lixem vem de observar o seguinte:

        Os meus avós não eram ricos, nem eram remediados quando eram novos.

        Esforçaram-se, não gastaram dinheiro em disparates, o meu avô fazia horas extra, a minha avó tinha um part-time, tiveram o número de filhos que conseguiam sustentar.

        Chame-lhe darwinismo social, mas eu não tenho que achar que o fruto desse esforço, que se traduz em eu viver melhor que os descendentes de pessoas da mesma geração deles que não se deram ao trabalho, deva ser dado de mão beijada a qualquer um.

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    • Zé Manel Tonto permalink
      6 Maio, 2020 17:26

      Olá, como tem passado, Filipe? Fico muito contente por se ter lembrado de mim.

      “A esquerda é hostil ao privado tal como a direita é hostil ao público.”

      Diria mais que a maior parte da esquerda gosta do privado na medida em que precisa de lhe sacar recursos, e a maioria da direita gosta do público numa de descarga de consciência (“se me acontecer alguma, dá sempre para me virar para algum lado”).

      O problema, como o caso em destaque mostra bem, é que o que a esquerda quer sacar é demasiado para o que a direita quer dar, e o que a direita recebe quando precisa, é muito pouco para aquilo que lhe é retirado.

      “É devido a esta ganância, […] e a este egoísmo que a esquerda – sim – é moralmente superior à direita.”

      É tudo uma questão de perspectiva.

      O Filipe, parece-lhe bem que o Estado tire dinheiro a quem o ganhou, gaste uma parte numa burocracia inutil, e entregue o restante. Talvez acredite na bondade do sistema, e na necessidade de quem recebe? Eu parece-me que grande parte do dinheiro acaba em clientelas eleitorais, ou em quem aprende a enganar o sistema.

      Eu prefiro entregar o que posso, quando posso, a quem conheço, e a quem reconheço verdadeira necessidade. O dinheiro vai todo para a necessidade concreta (nada se perde num burocrata), nenhum político compra votos, nem faz boa figura com o meu dinheiro.
      Tem a grande vantagem de poder dizer não, ou de substituir o dinheiro por bens, caso não confie na pessoa (alguém que eu conheça com um problema de jogo, e peça ajuda, leva comida, não leva dinheiro).

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      • Luis permalink
        7 Maio, 2020 01:42

        A grande desgraça nacional ocorre depois do 25 de Abril. O PREC destrói o tecido produtivo do país, e monta-se um Estado Social sem que a sociedade fosse verdadeiramente uma sociedade urbana e industrial. Pôs-se a carroça à frente dos bois e o resultado está à vista. Três bancarrotas e a divergência em termos relativos de praticamente toda a Europa e parte da Ásia. O Covid-19 veio baralhar as contas, mas tudo estava encaminhado para que em breve Portugal fosse um dos 3 ou 4 países mais pobres da União Europeia.

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  6. Luis permalink
    7 Maio, 2020 01:38

    Parte substancial dos problemas que afectam o sector privado têm como responsáveis os líderes políticos e as universidades portuguesas, senão vejamos.

    1) O PREC que se seguiu ao 25 de Abril nacionalizou parte da economia, destruiu várias empresas, estoirou o capital que havia no país e provocou a emigração de empresários que tinham experiência e saber nas áreas dos seus negócios.

    2) As privatizações que ocorreram mais tarde encheram as empresas de boys do PS e PSD, que estavam lá sobretudo com cunha partidária e não por mérito.

    3) Os cursos de Economia e de Gestão em geral formam para se procurar emprego e não para criar empresários.

    4) Acabou-se com o ensino técnico e industrial, e durante décadas o Ensino Secundário não formou quadros para as PMEs. Por sua vez o Ensino Superior formava excesso de psicólogos, enfermeiros, sociólogos, juristas e afins que acabam por emigrar ou atrás da caixa de um supermercado.

    5) Muitas famílias com PMEs, dado todo o contexto político, social e ideológico que se viveu e vive começaram a mandar os seus filhos para o Superior, com o objectivo de arranjarem emprego na função pública ou numa empresa do PSI-20. Muitos preferiam até a emigração a ter os filhos na PME. Em Portugal, criou-se um estigma contra o patrão e o privado.

    6) Muitas empresas não resistem à morte do patrão. Portugal tem um problema grave de heranças indivisas e de transmissão da proprieade. Resolver o problema nunca foi prioridade política.

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    • Jornaleca permalink
      7 Maio, 2020 02:43

      Muito bem explicado, excelente!

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    • Jornaleca permalink
      7 Maio, 2020 03:15

      Mas não diga PREC, diga quem desenhou, implementou, quis o PREC.

      Diga o nome dos partidos, do pensamento atrás de tal crime.

      Basta olhar para a nossa constituição, uma das dez piores e mais estúpidas do mundo.

      E muitos dos problemas por si mencionados, também existem na Alemanha, o país mais industrializado da Europa.

      E existe lá uma camada da sociedade, profundamente podre e estúpida, que vive bem, e anda a destruir a vida aos outros, por inveja, por arrogância, por incompetência.

      Eles querem criar uma sociedade de duas classes. Eles andam de carro, de avião e as massas que andem a pé.

      Tudo em nome da puta do ambiente: o tal comunista verde, esse porco malvado, que quer levar nos cornos.

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      • Luis permalink
        7 Maio, 2020 10:57

        Partidos? Fácil. Em primeiro lugar, PS e PCP, e restantes Esquerdas. Depois temos o estatismo social-democrata do PSD, mais benévolo que o socialismo do PS, mas ainda assim insustentável a longo prazo. E há os vira casacas do CDS, que se tornaram de Esquerda, CDS esse que pouco vale em termos eleitorais e que está pior que nunca. Nós não temos nenhum partido Conservador que possa vencer eleições ou estar em maioria numa coligação. O equivalente em termos ideológicos ao nosso CDS, em Espanha, é o PP. Tem mais de 20% das intenções de voto. O equivalente à Iniciativa Liberal, o Ciudadanos, tem mais de 7%. O equivalente ao Chega, o Vox, tem mais de 15%. Somados, têm mais de 40% das intenções de voto. Em Portugal, somadas as intenções de voto no CDS, IL e Chega, temos pouco mais de 12%. A balança está toda pendida para a Esquerda, nem tão cedo sairemos disto.

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