Uma das vantagens dos períodos revolucionários é que se fica com um acervo de histórias para contar aos netos
O problema é que se levam a anos a pagar aquilo a que chamamos folclore
Referendo, não! Não cedas à reacção!
Acho isto muito mal. Então o proletariado, nas urnas, não decidiu rejeitar liminarmente as políticas de direita, originando um voto de rejeição igual a 62% que permite formar um governo patriótico, de esquerda, unido, viçoso e respeitando a vontade expressa pelos portugueses nas urnas com grande maioria superior a 52% (Livre também conta, responsável por mais de 0,7 pontos percentuais)? Referendar isto seria ignorar a vontade do povo livre, desvirtuando a Constituição e pondo em casa o projecto de solidariedade transiberiano. Referendar os direitos humanos do povo oprimido com coragem para se expressar no voto devia ser proibido pela Constituição.
às vezes, as grandes tragédias começam assim
Uma série impressionante de erros, equívocos e casualidades causou a infeliz morte do exaltado e teimoso arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, no dia 28 de Junho de 1914, na cidade de Serajevo. Esse acontecimento seria a alavanca que faria detonar a 1ª Guerra Mundial, depois da crise da anexação da Bósnia pela Áustria-Hungria, em 1908-1909, que deixara a região e as grandes potências da época à beira de um ataque de nervos. Ao tempo eram muito delicados os equilíbrios entre a Rússia, a Alemanha, a França, o Império Austro-Húngaro e a Inglaterra, potências que viviam em paz graças em boa medida ao paciente trabalho de anos de Bismark. Quando Francisco Fernando foi assassinado, a Áustria-Hungria tratou de extremar as suas exigências junto da Sérvia, que praticamente cedeu em todas. Todavia, como o Império se sentia despeitado pela morte do arquiduque e queria infligir uma séria humilhação àquele país, não aceitou a sua capitulação diplomática e provocou uma guerra que julgava que seria de breve duração. Não avaliou as consequências dos seus actos e o mesmo sucedeu com a Rússia e a Alemanha, cujos chefes políticos, Nicolau II e Guilherme II, primos e bons amigos, foram trocando cartas cordiais com apelos e juras eternas à paz, até os seus exércitos entrarem em conflito aberto. A Grande Guerra, que começou por um conjunto de equívocos, e cuja duração, consequências e violência ninguém foi capaz de precaver nem desejou, matou milhões de pessoas e, ironia das ironias, levou ao desmembramento da potência que a desencadeou e à absoluta secundarização dos países que dela sobejaram.
Agora, reduzidas as distâncias e a importância das coisas, aplique-se esta lição ao que está a acontecer em Portugal e provavelmente constataremos que as grandes tragédias começam muitas vezes sem que ninguém as consiga prevenir. Os protagonistas da nossa tragédia comezinha e doméstica também são facilmente decalcáveis daquele acontecimento histórico.
Godwin está ultrapassado
Sim, meu simpático tosco. Porém, não terá sido Burke a dizer que – e estou a parafrasear, uma vez que não trouxe o meu Carlos Magno de bolso – quem não sabe História está condenado a repeti-la?
Já sei, já sei: o muro servia para impedir os ocidentais de acederem ao paraíso numa clara violação do princípio constitucional da equidade e da igualdade.
O marciano
Seguir a mesma linha
Se seguirmos a linha argumentativa de Vital Moreira de seleccionar apenas as declarações de António Costa que nos interessa, podemos ir muito longe. Por exemplo, António Costa em Janeiro de 2015, há 9 meses, portanto, disse que se sentia com forças para seguir a mesma linha que o Syriza. Alguém pode agora, depois das eleições, ficar surpreendido com uma aliança entre Costa e o partido irmão do Syriza em Portugal, o Bloco? E pode ficar surpreendido que Costa siga a política do Syriza de Janeiro? Só mesmo quem andou muito distraído.
Claro que Costa também disse o contrário, disse que a estratégia do Syriza foi tonta. E quem ouviu essa parte da conversa e concordou deve achar uma coligação com o BE tonta, ou pelo menos surpreendente.
Sabíamos tudo e o seu contrário
Vital Moreira argumenta aqui que um governo PS-BE-CDU seria legítimo porque até foram dadas algumas pistas na campanha sobre essa possibilidade. E no entanto há muita gente surpreendida com essa possibilidade, dados os resultados, incluindo alguns socialistas que a acham um disparate. Ora, se esta fosse uma possibilidade real desde o início não haveria tanta gente surpreendida. Mas então como é que Vital Moreira encontra tantas evidências de que um governo PS-BE-CDU foi proposto aos eleitores?
Acho que a resposta está na forma ambígua, para não dizer desesperada, como António Costa fez a campanha e pré-campanha. Desde que foi eleito líder do PS António Costa já defendeu ou sugeriu as seguintes formas de governo:
- PS sozinho com maioria absoluta
- PS com maioria absoluta mas com outros grupos, partidos ou personalidades
- PS + LIVRE
- PS + BE
- PS vencedor minoritário com acordos à direita e à esquerda
- PS minoritário e à frente do PSD mas perdedor para a PáF
- PS perdedor para PSD e PáF mas a governar com apoio dos partidos da PáF
- PS + PSD de Rui Rio
- PS + CDS depois de vencer à PáF
- PS + Rui Rio presidente
- Vital Moreira também diz que PS+BE+CDU também estava previsto
Nos últimos dias de campanha Costa chegou a sugerir 2 ou 3 cenários diferentes, ora pedindo maioria absoluta, ora garantindo que ficaria à frente da PáF, ora defendendo que até poderia governar se perdesse. No meio disto tudo, podia não haver eleitores enganados, dada a falta de credibilidade com que António Costa acabou a campanha, mas parece que há alguns. Alguns até são dirigentes socialistas.
E pronto, está aberto o melão
António Costa. “Todos sabem que eu não sou um melão que só se conhece depois de abrir”
Isto foi dito a 1 de Agosto de 2015
Estamos nisto
Preferimos a versão do ó tempo volta para trás de
ou de
ou de
Resta saber qual a posição que o futuro governo de frente popular português tomará neste conflito
entre o capitalismo, o imperialismo e o cheiro do petróleo versus aquele pais que não sofre desses pecados mortais, apenas existe aquele pequena dúvida sobre se será uma democracia: Coreia do Norte diz estar pronta para combater qualquer guerra provocada pelos EUA
Coligações como no Borgen
É normal, numa democracia parlamentar que 3 partidos se juntem para fazer uma maioria absoluta para governar, mesmo que nenhum deles seja maioritário. É assim na maior parte dos países europeus.
Mas há algumas pré-condições para isso acontecer. Esse arranjo não pode ser uma completa surpresa para os eleitores. Têm que existir afinidades reais entre os partidos e não uma mera coligação negativa para impedir outros de governar. Tem que existir um compromisso efectivo entre esses partidos e empenho proporcional na solução governativa e não apenas mero tacticismo. Nenhuma destas condições se verificaria num hipotético governo PS com apoio do PCP e Bloco.
50 sombras de Costa: uma história de vampiros
Muito boa gente aponta para a possibilidade do despeitado Costa levar o bluff avante numa fuga em frente para salvar o coiro da obsolescência para si criada em 4 de Outubro. Considero que estão errados que seja bluff, é imbecilidade, algo bem mais perigoso.
Em primeiro lugar, a obsolescência de Costa não foi criada em 4 de Outubro de 2015 e sim em 25 de Outubro de 1999, altura em que tomou posse como Ministro da Justiça já em plena falência do modelo social-democrata a que pejorativamente – e justamente – se designa por “centrão”. Um dos responsáveis no executivo pela “década perdida”, dali não sai nada que não sejam fugas para a frente, seja para manter a liderança de um partido delapidado de ideologia, seja para manter a ilusão da rocambolesca farsa de um modelo de sociedade suportado por um número decrescente de activos e crescentemente ressentidos com passivos.

Em segundo lugar, porque Costa é um produto da trampa partidária existente para alimentar clientelas de oportunistas pendurados nas oportunidades que o Estado permite ao engalfinhar toda e qualquer actividade económica no país, seja pelos grupos periféricos de influência (observatórios, fundações, academia, lixo em geral), seja pelo caciquismo que começa da quelha, vai pela junta, passa pela autarquia e acaba na secretaria de estado.

Em terceiro lugar, porque Costa é apoiado por calhaus burgueses, afilhados da oligarquia bafienta do caso anterior, putos que oscilam entre a imagética yuppy com laivos metrossexuais, atrasadinha no tempo e deformada no espaço, como tudo neste país, de javardos obcecados com o poder: com o proselitismo marxista da criação da realidade através da mutação de significado lexical, com o acesso tranquilo a drogas recreativas e restantes benesses da maquineta de Estado, isto sem negligenciarem o sex appeal que um chicote causa nos acólitos embevecidos no homoeroticismo directamente descendente da figura do senhor da terra ou, nos tempos modernos, de likes no Facebook da massa informe de desejosos por serem escolhidos para a massagem que será instagramada.
Por tudo isto, Costa é um mero veículo. Porém, não se deve negligenciar o poder destrutivo que emana do azedume de um despeitado.
Portanto segundo a nova lógica política vigente em Portugal
Caso Marcelo não seja eleito à primeira volta os candidatos derrotados passam a vencedores sendo automaticamente PR o menos derrotado de todos eles.
Só nunca nos disse qual. Para a próxima coliga-se está bem?
negociar o quê?
Não consigo entender se estas negociações entre Passos e Costa são, da parte de Passos, sérias ou não. Porque, em caso de o serem, de nada valerá «negociar propostas» do PS com o PS. De duas uma: ou Costa senta os costados (ou o fundo deles) num governo de coligação alargada, ou estará sempre sob reserva mental e de má fé, à espera da melhor oportunidade para derrubar o governo e apear-se nele sozinho. Se o PSD quer comprometer o PS na governação, não basta dar-lhe tudo o que esse partido lhe pedir: terá de lhe dar a responsabilidade de também governar. É isso, de resto, que a CDU está a fazer (a empurrar o PS para a responsabilidade de governar) e que o PSD e o CDS deveriam ter feito logo em 2011.
Já há eleitores do PS arrependidos
E no meio da doideira geral
Esquecemo-nos da candidata transgénero. Não consegui saber da sua eleição. Como convém o mundo mediático andou com a candidata transgénero ao colo. Não se sabe o que pensa tal pessoa do país e do mundo. Ser transgénero era o seu assunto. Vieram as eleições e nunca mais se ouviu falar da candidata transgénero.
point of no return
As diligências que António Costa anda a promover junto do Bloco e da CDU, supostamente para encontrar uma alternativa de esquerda a um governo da direita, podem não passar de uma estratégia para obrigar aqueles dois partidos a submeterem-se à autoridade do PS e, simultaneamente, de uma manobra de intimidação da Coligação e do Presidente da República, com resultados políticos que Costa pretenderá alcançar a médio e não a curto prazo.
Nesta linha estratégica, o ideal para o PS seria que os seus putativos parceiros de coligação a inviabilizassem por agora, deixando, contudo, essa possibilidade em aberto, caso o governo do PSD/CDS ultrapassasse os limites do que o PS considerará aceitável. Assim, o Costa manteria em sentido a esquerda, responsabilizando-a por ter inviabilizado um acordo que teria evitado o governo de direita, e o PSD e o CDS, com a ameaça de derrubar o governo, ameaça que concretizaria num prazo razoável em que não fosse acusado de irresponsabilidade, provocando eleições que não teria dificuldades em ganhar.
O problema da estratégia de Costa é que há pontos de não retorno e ele poderá tê-los já involuntariamente ultrapassado. Para isso, bastará que o PC e o Bloco se finjam de mortos e que aceitem todas as condições de Costa e do PS para formar governo. Aí, inverter-se-ia o feitiço contra o feiticeiro, e passaria o governo de Costa a ser um governo de um partido minoritário, dependente de outros dois partidos à sua esquerda que o querem canibalizar, e dois partidos à sua direita que terão espaço aberto para crescerem no centro político abandonado pelo PS. Neste caso, seria o governo de António Costa a cair num prazo breve: não se imagina o PC e o Bloco a levarem-no ao colo por muito tempo. E o líder do PS passaria assim, num ápice, de caçador a presa.
Besuntem-se então uns aos outros
A 5 de Outubro de 2015, os derrotados nas eleições legislativas começaram a delinear o perverso golpe subversivo de colocar no poder um despeitado palhaço através de coligação contra-natura. No mesmo dia assinalava-se o 79º aniversário do nascimento de Václav Havel. Em Dezembro de 2011, o Partido Comunista Português votava, no Parlamento português, contra o voto de pesar pelo falecimento do dramaturgo, figura cimeira da Revolução de Veludo e posterior presidente de um país, à data da sua morte, pertencente à União Europeia.
Ou, como diria Rui Tavares, mais uma obsolescência política, ontem, na RTP, o PCP é um “partido consolidado na democracia portuguesa”. Consolidado, sim; democracia é que não. É só lindo que seja com isto que o PS de António Costa se queira besuntar.
O primeiro incidente do governo de frente popular
a) As redes sociais de representatividade virtual fazem uma interpretação do sucedido, organizações de existência mais mediática que real apresentam uma versão dos factos que se torna a mediaticamente oficial.
b) Desse mundo virtual chegam pedidos de condenação: não chegam esclarecimentos, não chegam pedidos de desculpa, querem processos disciplinares, conformes com a sua versão dos factos
c) O PS vai a reboque das tricoteuses e dá-lhes cobertura institucional.
Preparem-se: vão ser sempre assim os dias da frente popular. Ainda agora começou.
Agora a sério
A coligação PS+PCP+Be é para avançar? E O PAN tb entra? Se for avisem com umas 48 h de antecedência. Porque uma pesssoa tem de se abastecer daqueles bens essenciais que nos vão dizer que são responsáveis pela destruição ambiental do planeta ou que gastamos em excesso porque comemos demais.
Meu caro Rui Tavares
Não pague a dívida do Livre. Não se sujeite à tirania dos bancos. Não vergue diante do euro. Chegue ao banco e diga: há uma outra forma de fazer política. O Livre vai crescer e então pagaremos. Não podemos cortar as pernas a esta esquerda, não podemos cercear a alternativa para pagarmos aos banqueiros, para prestarmos tributo à Merkel.
E sobretudo não queira viver da caridadezinha (chamam-lhe crowdfunding mas o que é o crowdfunding senão a esmolazinha?) Que você assalte bancos entende-se. Que lhes peça emprestado dá que pensar ( eu, por exemplo, não confio neles a ponto de lhes hipotecar a minha vida). Mas que lhes queira pagar o que deve é que é uma traição a todo o seu pensamento. Assim não se constroem alternativas à tirania do capital.
Em defesa do medo
Não há ninguém que seja prostituta a 32%.
Há uma antiga história, erradamente atribuída a pessoas tão díspares como Churchill ou Sartre, que reza que um indivíduo oferece 5 milhões de libras para que uma senhora desconhecida, mas certamente muito atraente, com ele partilhe o leito. Segue que, perante a anuência da senhora, o indivíduo oferece uma quantia ínfima – digamos, 5 libras – desacato que levaria a afrontada senhora a questionar o ultraje: “por que tipo de mulher me toma”, indagaria, levando ao desfecho final da anedota: “isso já esclarecemos, agora só estamos a regatear”.
O impacto desta historieta está na noção de transacção imoral. O impacto negativo na moralidade desta narrativa não se centra no facto de duas pessoas desconhecidas decidirem ter relações sexuais e sim no princípio da transacção monetária associada ao sexo. Se o leitor não percebe a carga moral repudiante de transacções sexuais com troca de dinheiro, imagine que o indivíduo oferece os 5 milhões de libras por um rim ou pelo aluguer de uma barriga para fins de procriação e a história terá o mesmo sentido.
Que o PS negoceie com quem bem entender, isso é lá com eles. Agora, que o PS tenha como estratégia mostrar que negoceia a hipótese de formação de governo com o PCP, mesmo que não passe de bluff com vista a obter um efeito “ou a coligação me dá o que eu quero ou eu pico-me com esta seringa com SIDA”, isso já entra na noção de transacção imoral. O que o PS mostrou com este teatro com o PCP foi o mesmo que a senhora da historieta do primeiro parágrafo: já sabemos o tipo de pessoa que o PS é, agora só estamos a regatear o preço.
coligação de governo nada negativa
Não tarda nada começam a prometer viabilizar governos
Quem tem medo do comunismo?
bloco central – as minhas sugestões
Presidente da Assembleia da República – Ferro Rodrigues, com o compromisso de não pronunciar nunca a palavra «inconseguimento», nem pintar o cabelo de loiro;
Ministro do Trabalho e da Segurança Social – António Costa, que delegaria em Fernando Medina, que é quem gosta mesmo de trabalhar;
Ministro da Educação – Sampaio da Nóvoa, com o compromisso de apoiar a Maria de Belém Roseira a Belém propriamente dita;
Secretário de Estado das Finanças – João Galamba e António Galamba, sendo que exerceriam em dias alternados, tal e qual os Cônsules da República Romana;
Ministro do Ambiente – Jorge Moreira da Silva, em representação da ala mais socialista do PS;
Candidato Presidencial: Jerónimo de Sousa (a bisar);
Presidente da Caixa Geral de Depósitos – Armando António Martins.
Procurador-Geral da República – J. Carvalho de Sousa.
as «asneiras» de cavaco
Anda meio mundo agastado com Cavaco Silva, mas, muito francamente, não me lembro de o ter visto tão bem na sua longa carreira política de mais de trinta anos. Na verdade, pelo menos desde a crise do «irrevogável», que Cavaco tem alertado o país e os partidos para o óbvio: que o estado lastimável de Portugal não se resolve com duas tretas, nem sem um consenso durável entre os partidos que têm responsabilidades governativas neste regime: PSD, PS e CDS. Como é que isto é feito, não cabe a Cavaco, no contexto actual dos seus poderes constitucionais, dizê-lo, podendo, quando muito, aconselhar os responsáveis políticos. Ainda assim, o homem fez mais do que lhe competia, sugerindo, já nesse distante mês de Julho em que Paulo Portas deitou fogo ao circo, um pacto com o PS, com o qual praticamente garantia a este partido o regresso ao poder no prazo de um ano, assim ele garantisse as condições de governabilidade durante esse período de tempo. Seguro, que não teve coragem para enfrentar a gerontocracia do PS, encolheu-se e acabou assado no espeto por aqueles a quem temeu enfrentar. Hoje, se o PS não está no governo, só poderá queixar-se de si mesmo. E poderá até ver-se afastado do governo por muitos e bons anos. Bastar-lhe-à, para isso, prolongar, por mais umas semanas, os esponsais com o Bloco e a CDU, sem necessidade de contrair matrimónio ou sequer de ir ao castigo, e rebentar novamente com as (frágeis) contas públicas. Dentro do partido haverá quem trate do assunto. E, cá por fora, também.
Para o ano o tema será a “Preservação do património” e o convidado é um alto dignatário do estado islâmico
Se não for muito pedir alguns dos presentes pode perguntar ao senhor Varoufakis em que parte da “Democratização da zona euro” sob a qual vem falar se incluem a detenção do presidente do banco central grego e a ajuda de Putin que ele mesmo enquanto ministro chegou a ponderar?
a estupidez campeia pelo ps
A estupidez (lamento, mas qualquer outro adjectivo mais suave para qualificar o comportamento do PS ficará sempre muito aquém da realidade) campeia pelo PS e pela cabeça dos seus estrategas. Se eu estivesse na pele de António Costa, talvez me perguntasse por que razão é que, em apenas um ano, o seu PS passou de um cenário de maioria absoluta quase garantida, para um partido derrotado, que nem sequer com uma maioria simples conseguiu ganhar as eleições. Talvez a resposta a essa pergunta me iluminasse o espírito.
Mas o que por lá se vai vendo indica que Costa está muito longe de estar interessado em resolver os seus próprios problemas. “Lixado” com os resultados eleitorais, que foram, para si, uma humilhação pública, depois de um discurso, na noite da derrota, que parecia sensato e equilibrado, já começou novamente a asnear. Convencido que a unidade interna do partido se conseguirá, até recuperar forças para o próximo congresso, à custa da tosca cabeça de Sampaio da Nóvoa, que ele prontamente ofereceu às feras, ele atira-se, agora, para os braços da extrema-esquerda, como um marido enganado que passa as noites que se seguem à traição num bordel.
A argumentação é simples e pode encontrar-se neste irresponsável naco de prosa: o PS prometeu aos portugueses um caminho alternativo ao da austeridade e não poderá deixar a defesa desse caminho alternativo ao Bloco e à CDU, coligando-se com a direita, porque não é isso que os seus eleitores pretendem. Logo, deverá ser à extrema-esquerda que deverá juntar-se, obrigando esta a assumir as suas responsabilidades num governo de esquerda, anti-austeritário.
O argumento seria inteligível, não fossem algumas pequenas nuances. Primeira, que se os eleitores quisessem o Bloco e a CDU no governo ter-lhes-iam dado boa parte dos votos que confiaram ao PS. Se o não fizeram, é porque distinguem o PS desses partidos e, muito provavelmente, não os querem ver juntos. Segunda, que o estado em que o país se encontra, e no qual este PS tem sérias responsabilidades (uma falência não se resolve em quatro anos) não se compadece com joguinhos florentinos, mas com políticas sérias e urgentes. Há, a esse propósito, um orçamento de estado para aprovar nos próximos dias, em relação ao qual os nossos credores e as agências de rating estão a olhar com muita atenção… Terceira, se este PS embarcar em frentismos de esquerda, será, isso sim, eleitoralmente responsabilizado pelo que possa vir a acontecer ao país e à sua economia (e o exemplo grego do Syriza deveria dizer-lhes alguma coisa), como será também responsável pelo único governo de frente de esquerda radical de um país da União Europeia em toda a história desta organização supranacional.
Se o PS está preocupado com a sua pazokização, que procure perceber por que motivos o seu homólogo grego chegou ao desgraçado estado em que se encontra. Talvez venha a encontrar semelhanças consideráveis em ambos os percursos mais recentes.
quem semeia ventos…
Cavaco diz o óbvio e di-lo há mais de dois anos: o estado em que o país se encontra exige que os partidos do dito arco governativo, que o governam há quarenta anos, se responsabilizem, agora, pelo conserto e reparação do estado em que ele se encontra. Isto significa que a próxima solução governativa tem de ter o comprometimento do PSD, PS e CDS, e que tudo fora disto terá consequências dramáticas de Portugal e para os portugueses.
Evidentemente que os ventos espalhados por António Costa no último ano, com um discurso demagógico à Syriza antes do referendo grego, não facilitará as coisas. Se Costa fosse coerente com os disparates que por aí andou a dizer, só lhe restaria viabilizar um governo com o Bloco e a CDU, para desgraça do país, do PS e sua. Como Costa não será tolo e, ainda que o seja, pelo PS haverá quem o chame ao juízo, essa solução provavelmente nunca o será. Por conseguinte, resta-lhe um entendimento com os partidos da Coligação, que só poderá ser feito de um modo: indo para o governo com ela (a pasta do Trabalho e da Segurança Social ser-lhe-ia muito bem entregue…). Se Costa não tiver condições para isso, porque andou a dizer disparates no último ano, em vez de ter deixado pontes em aberto, que se demita e deixe o lugar para outro. Francisco Assis certamente que cuidaria dele bem melhor. Até, se calhar, o próprio António José Seguro. Quem sabe, até ele mesmo, se puser a cabeça no sítio.
Bloco Central? Não, obrigado.
É fácil concluir que o PS está entalado entre a extrema-esquerda e o ónus de providenciar governabilidade. Porém, tal é uma conclusão errada: na realidade, o PS está entalado entre ter perdido de forma quase impossível as eleições por inabilidade de Costa e a urgência decorrente da estrita necessidade de chegar ao poder a tempo de condicionar e instrumentalizar a justiça. “A César o que é de César”, dir-se-á nos corredores entre pilares jónicos adornados por compasso e esquadro.
O Presidente Cavaco Silva, entre algumas trivialidades (como ser necessário um governo que respeite os compromissos internacionais, algo que exclui os pirómanos da extrema-esquerda), acabou por escancarar a porta a uma possibilidade que deve estar a ser equacionada por Passos Coelho neste preciso momento – o governo do bloco central.
Sendo verdade que mais de 70% dos portugueses optaram pela solução que se desenharia posteriormente como de bloco central (ou, como dizem nos media, “arco da governação”), não me parece que os 38 da coligação PSD e CDS tenham sido obtidos na perspectiva de que o governo deva funcionar em compromisso permanente com o PS. Mais precisamente, esses 38 escolheram decididamente um governo minoritário sem a participação do Partido Socialista.
Deve o Partido Socialista aceder em 2015 aos corredores do poder através de uma pasta ministerial, por exemplo, na área da Justiça, atribuída como que por mero acaso e beleza dos olhos do funcionário dedicado? Não.
PSD e CDS devem governar com apoio parlamentar minoritário sob risco do Bloco Central ser interpretado com um golpe de estado constitucional perante os resultados eleitorais bipolarizados que foram obtidos no passado Domingo.
Já se pode falar de Sócrates?
a luta não pára
Discordo, em absoluto, do que o André Azevedo Alves afirma neste post. E não me parece nada que a coligação Agir esteja defunta e enterrada, mesmo se alguns dos que a integram afirmam que lhe faltou um «grau de coesão (…) superior (…) entre os seus componentes». Pelo contrário, e lembrando que é sempre pelos frutos que se conhece a obra, parece-me que o que por ali não tem faltado é acção. Com um grau bastante elevado de coesão entre os seus componentes, diga-se de passagem.
Cerimonial barroco
Qualquer cidadão português estranha quando lê que no Reino Unido, na manhã seguinte ás eleições, a rainha convida o líder do partido mais votado a formar governo e nessa mesma tarde o governo toma posse. Até na mais que suspeita Grécia, Tsipras foi convidado e o governo tomou posse no dia seguinte ás eleições. Na longínqua Austrália o PM em funções foi desafiado por um adversário interno, houve uma votação da direcção partidária e na mesma tarde o desafiante vencedor já era pm. Tudo no mesmo dia.
Portugal é obviamente diferente. Temos politicos formados na cultura do carimbo e do papel selado sem os quais nada é valido.
No dia a seguir às eleições e com um resultado claro, o Presidente efectuou um retiro espiritual/político. Sem pressas, irá anunciar brevemente o seguinte: 1) que irá ouvir os partidos politicos dentro de alguns dias.; que convocará o Conselho de Estado para a proxima semana. No entretanto, apenas dia 14 serão contados os votos da imigração…
Realizadas tais diligências da forma expedita que é habitual em Portugal, anunciará então, pomposo, que tudo ponderado e reflectido, entendeu ser seu dever convidar o líder do partido mais votado a formar governo. De facto será necessário aguardar duas semanas para tal brilhante conclusão. Superadas essas dificieis e sempre incertass etapas , ( embora previstas explicitamente na CRP….), com um pouco de sorte, o PM e os ministros tomarão posse antes do final do mês. E o programa de governo será apresentado na AR lá para a primeira semana de Novembro. Bem que precisavam de um Simplex para não fazerem tais figurinhas tristes.
Co-coligação
É possível fazer uma coligação com uma coligação pré-existente? Talvez fizesse mais sentido a coligação PCP+PEV passar a incluir o PS do que começar uma nova coligação PS com a coligação PCP+PEV. Só quero ajudar ao processo de fusão.
A crise humanitária é quando a esquerda quiser
Agora que Tsipras está a aplicar uma austeridade redobrada não se pode fazer uma singela e “piquena” notícia sobre a crise humanitária na Grécia? Vá lá…
Por outro lado
esta possível nomeação de Ferro Rodrigues como presidente da AR deve ser uma forma da coligação manifestar o seu agradecimento a Ferro Rodrigues por este graças ao seu péssimo desempenho como líder parlamentar muito ter contribuído para a transformação da imagem de Passos Coelho.



