Que não vos faltem pipocas
Um grupo de revanchistas, numa inegável demonstração do lastimoso estado em que o broeiro de Alijó esculpido em diamante de imitação deixou o partido, pretende, pela força para-religiosa que os une e consequente reserva higiénica pelos membros que não padecem de sociopatia na sociedade portuguesa, tomar o poder de assalto e, com isso, aniquilar qualquer réstia de dignidade que pudesse subsistir no partido fundado por pessoas como Sottomayor Cardia, Jaime Gama e Mário Soares.
Visto de fora, o que transparece é que há um partido historicamente central à democracia portuguesa que permite que, de forma demonstrativa da apregoada fuga de cérebros, militantes seus considerem a possibilidade de afastamento do centro social-democrata das soluções governativas em
detrimento da promoção de estalinistas e trotskyistas a lugares cimeiros na estrutura executiva, tudo pelo mero objectivo único de fisgar tachos que escapam por sufrágio universal.
Que não vos faltem pipocas.
António Costa esmaga António Costa
o frentismo de esquerda é coisa que não lhes apetece
A quem? À CDU, obviamente. Se lerem os resultados eleitorais, verificarão que, nos 20 círculos eleitorais nacionais, o Bloco ultrapassou a CDU em 16. Repito: em dezasseis círculos eleitorais dos vinte existentes, o Bloco teve mais votos que a CDU, e, em muitos deles, com o dobro dos votos e percentagens eleitorais. A CDU perdeu, também Lisboa e o Porto para o Bloco, no primeiro caso com 9,83% para 10,89% e, no segundo, com uns míseros 6,83% para 11,14%, o que é grave. A CDU aguentou-se, apenas, nos seus feudos tradicionais, a saber, em Beja, Évora, Portalegre e Setúbal, e, nestes dois últimos casos, com votações muito próximas do Bloco. Assim, duas conclusões evidentes: o discurso de bom rapaz, à Avô Cantigas, de Jerónimo de Sousa («Gente Séria»…) tem os dias contados; segunda, o inimigo principal da CDU deixou de ser a direita e passou a ser o Bloco. Por isso, com a CDU a direita pode dormir sossegada. O frentismo de esquerda é seguramente coisa que não está nos seus horizontes. A não ser que queira ser engolida de vez.
ou não
Contra todas as evidências, a ala esquerdista do PS “descobriu” que, para além de si mesmo e da direita, só existe voto à esquerda. Ou seja, o PS terá perdido as eleições não por ter abandonado o centro, mas por ter perdido o voto da esquerda radical (BE e CDU). A inevitável consequência deste pressuposto é de que o PS só poderá radicalizar mais ainda o seu discurso político, se quiser ganhar as próximas eleições com os votos que perdeu nestas à sua esquerda. Este é um grave erro, que comportará sérias consequências para o Partido Socialista. Primeiro, porque foi a radicalização do discurso do PS que levou ao crescimento da sua esquerda, mormente do BE. Em vez de ter assumido as suas responsabilidades na crise (que as tinha, e muitas, e que terá que assumir agora, com quatro anos de atraso), o PS entrou em fantasias e vendeu ilusões às pessoas. Quem daí retirou proveito foi, como se viu, o Bloco, para quem todas as ilusões nunca são demais. No dia em que o PS voltar a ser um partido de responsabilidade, que fale para o centro e explicando tudo bem explicadinho às pessoas, o Bloco voltará a ter votações residuais. Se insistir na tónica radical, caminhará a passos largos para a sua pasokização. O Bloco, sem retribuir, agradecerá tamanha devoção à causa. E, já agora, o PS que se vá preparando para uma prova duríssima que lhe estará a rebentar nas mãos, muito mais exigente do que estas eleições ou a votação do próximo orçamento de estado: a acusação de José Sócrates. Este será, verdadeiramente, um momento refundador do Partido Socialista. Ou não…
bloco central
Até ao final do dia de ontem, o governo do PSD e CDS era o único responsável pelas políticas de austeridade aplicadas no país, em consonância com as exigências comunitárias e dos credores internacionais. Desde os resultados de ontem, o PS passou a ser tão responsável quanto os partidos do governo na manutenção ou na interrupção dessas políticas: se não concordar com elas deita o governo abaixo, se não deitar o governo abaixo terá de as autorizar. Terminou, assim, um longo período de quatro anos de desresponsabilização do PS, em que este partido podia dizer e fazer o que lhe apetecesse, prometendo tudo e o seu contrário a todos, sem que nada lhe sucedesse. A partir de ontem, por acção ou por inacção, o PS passará a ser, também, responsável pelo governo do país. Em suma, o bloco central veio e é para ficar. O povo português é sábio.
Um governo minoritário para quatro anos?
O dilema do PS nos próximos tempos – afastada que está, aparentemente, a possibilidade de formação de uma frente de esquerda, abertamente proposta pelo PCP e não rejeitada pelo Bloco – é o de ser uma oposição colaborante (via abstenção), viabilizando um governo do PSD/CDS ou não colaborante, forçando a queda do Governo logo que seja possível agendar novas eleições.
No primeiro cenário, o resultado a curto prazo será, certamente, a perda de popularidade junto do seu eleitorado actual e o intensificar das vozes mais à esquerda dentro do partido. A longo prazo, porém, será provavelmente a solução menos onerosa para o PS: daqui a quatro anos, os socialistas poderão capitalizar os resultados da governação, quer sejam bons (“nós somos uma alternativa responsável, os bons resultados só foram alcançados porque nós o permitimos, impedindo o país de entrar no caos”), quer maus (“não foi por culpa nossa que o Governo não fez o que pretendia, são mesmo uns incompetentes, etc.”).
O segundo cenário, porém, terá consequências catastróficas. Mesmo que Costa se demita (ou seja forçado a demitir-se), a realização de eleições antecipadas implicará seguramente a perda de votos e de mandatos, quer para a esquerda quer para a direita. Com efeito, se a coligação não tiver condições para governar, por causa do PS, é provável que o eleitorado socialista moderado, temendo a possibilidade de a extrema-esquerda anti-europeia vir a governar, acabe por dar nova maioria absoluta à coligação governamental. Em contrapartida, o eleitorado mais à esquerda será tentado a direccionar o seu voto para o Bloco, acreditando ser essa a forma mais eficaz de forçar um governo de esquerda.
Mesmo que os números das sondagens e barómetros venham a ser favoráveis ao PS, a experiência destas eleições forçará qualquer liderança a ser cautelosa e a não confiar neles em demasia. É provável, por isso, que a coligação, mesmo sem maioria, possa aguentar-se toda a legislatura, mesmo sem grandes cedências ao PS. A dúvida será, neste caso, se o PSD (mais do que o CDS) não terá, daqui a algum tempo, interesse em provocar eleições antecipadas…
Uma imagem que fala por si
Entretanto o mundo prossegue no costume
Mais de meia centena de dissidentes cubanos foram detidos no domingo em Havana. Deve estar para chegar um visitante importante a Cuba pois os Castros libertam sempre para lá de meia cenetena de presos políticos nessas ocasiões para mostrarem ao mundo como são democratas.
Os indignados do costume estão muito consternados porque o padre Krzysztof Charamsa que se declarou gay foi suspenso. Ao que parece o padre Krzysztof Charamsa vive com um homem. O padre ou ex padre o padre Krzysztof Charamsa que me perdoe mas nesta matéria a Igreja católica é talvez a única instituição ralmente igualitária no mundo: se o padre Krzysztof Charamsa se declarasse apaixonado por uma mulher o resultado seria o mesmo.
E portanto
O gato comeu o canário da candidata do PAN mas o PAN elegeu um deputado não sabemos se defensor do canário se do gato.
Mulheres nuas conseguem capas mas não votos.
O povo do Altis confrontou-se durante segundos com uns números que lhes dizem não ser representativo da maioria do país. Mas logo o povo do Altis recuperou do sobressalto e gritou vivas a si mesmo.
A CDU ganhou outra vez as eleições e como as está a ganhar desde 1975 e como cada vitória tem sido mais expressiva que a anterior temos de admitir que a CDU tem, pelo menos, 460 deputados.
Isto é tudo muito bonito mas os humoristas na política não têm estado de graça e muito menos têm graça
Tudo o que precisa saber sobre as eleições de ontem
Bloco de Esquerda
Há muitos tolinhos em Lisboa e no Porto. A perspectiva destes poderem culpar o mundo, a Europa, a aritmética e os velhos pela sua iliteracia histórica – em muito fomentada por burgueses burgessos que se denominam historiadores na pobre academia – teria que descambar numa selecção natural entre loucos puros e loucos de conveniência pendurados no PS aquando da sua epifania sado-religiosa criada pela abertura a dinâmicos acólitos da homoerótica figurinha socrática.
Livre
Faço, desde já, oferta de 1000€ para comprar esse partido falhado cujo único objectivo – a criação de marca para o Rui Tavares Unipessoal – falhou em toda a linha, como seria suposto, já que os eleitores não são todos imbecis pendurados na academia a afagarem o umbigo com palhinhas/cordões-umbilicais que alimentam o burro votante.
PS
Costa chorou, fingiu não ser um cordeiro para o sacrifício perante o cínico abraço dos aventais que preparam o altar onde esvairá o impuro sangue da miscigenação com os revolucionários que enterraram em definitivo a esperança de Blair para um futuro para a anacrónica expressão “socialismo moderado”. É para assar, acompanhado das batatinhas socráticas, finalmente, que Deus é grande, e fazem tanta falta como uma cárie. Depois desta não se metem tão rapidamente com gajas cujo talento é escorrerem viscosamente por cada provinciano que chega às discotecas da metrópole e cujo mérito é o tamanho das mamas em alegre proporcionalidade da vontade de transcenderem a saloiice de berço.
PSD e CDS
Depois de 4 anos a serem dilacerados e esventrados pela incontinente-de-velha comunicação social, a que pode ser denominada como o resultado do cruzamento entre bastardos da academia e funcionários de partido, só o facto de disputarem taco-a-taco as eleições com o PS na sua versão homoerótica é uma maioria absoluta do senso comum sobre a podridão peçonhenta das redacções.
Outros
Não interessam para nada.
o ps que aprenda depressa
Em 1977, em pleno ciclo revolucionário, Mário Soares meteu o socialismo na gaveta e explicou que, em Portugal, se ganham eleições ao centro e que é ao centro que se deve governar.
Em 2015, em plena União Europeia, António Costa radicalizou o PS à esquerda, acenou ao eleitorado com coligações com o BE e a CDU, e perdeu as eleições. Perdeu-as para a Coligação, mas sobretudo para o Bloco de Esquerda.
Se, nos próximos tempos, o PS mantiver Costa e alinhar numa frente de esquerda, dentro ou fora do governo, pagará caro as consequências de tamanho disparate. O BE sairá beneficiado disso e a CDU arrisca-se a passar a ser o novo partido do táxi.
Juízo, à esquerda, e, principalmente, no PS, torna-se essencial e urgente. A bem deles, claro está.
o syriza português
Se o PS não aprender com a derrota de hoje, está encontrado o Syriza português. E o PASOK também. Adivinhem quem é quem.
grande sondagem
uma cena familiar
Do Alberto Gonçalves, brilhante, como sempre.
Eu não sou. Mas o meu cunhado é
Um dos melhores momentos desta campanha surgiu quando, na manifestação dos taxistas junto ao comício de encerramento da coligação, um dos ditos manifestantes declara à jornalista que lhe pergunta se é taxista: “Eu não sou. Mas o meu cunhado é.” De facto está foi uma campanha cheia de cunhados e demais parentela. Tivemos os cunhados dos taxistas, as mães dos emigrantes, a família alargada dos lesados do BES… É bonito um país com tanta solidariedade familiar. Que Deus nos abençoe mai lo papa Francisco.
Coisas que não me assistem
um artista maior
Das eleições passadas podemos falar?
Tipo mostrar este video do debate Jerónimo-Sócrates em 2011 ali pelas bandas do minuto 46?
Liveblog: Legislativas 2015

O Blasfémias juntar-se-á aos milhares de portugueses que oscilarão entre os canais nacionais para assistirem à noite eleitoral. Teremos comentário em tempo real das reacções, reacções às reacções, reacções às demissões, reacções às reacções de demissões, bocas, bocas às bocas e maledicências variadas relacionadas com expectativas goradas nas apostas erradas por crenças enviesadas prontamente afastadas à medida que as escolhas nas urnas vão sendo escrutinadas.
Siga o comentário em directo, colorido e sempre divertido neste post a partir das 9h00 de Domingo.
Tweets por @manuelparreiraSilêncio que é dia de reflexão
Não é suposto fazer-se propaganda agora. Eu não farei. Sou uma pessoa que respeita a lei, mesmo quando ela é tão estúpida como esta lei eleitoral no que (pelo menos) ao dia de reflexão diz respeito.
Podia dizer-vos para votarem num determinado partido, mas não o farei. Aposto que ninguém imagina em quem vou votar. É como se, digamos, a Catarina Martins disser para irem votar sem especificar o partido, só referindo aquelas tretas do costume que se dizem sobre abstenção, o dever de votar e balelas do género. Porque, se a Catarina Martins disser para irem votar, está mesmo a apelar ao princípio do voto, não ao voto no Bloco; como se irem votar PàF fosse o mesmo que votar no Bloco, só porque sim, porque votar é melhor que estar quieto em casa, mesmo que seja no adversário.
Os candidatos não devem sair de casa. Se saem, habilitam-se a que lhes perguntem algo a que responderão “dever cívico”, “exercer um direito”, etc, etc. Toda a gente sabe que querem que se vá votar num qualquer, não neles em específico. Sábado é o dia em que toda a gente se torna numa espécie de candidato do Livre, um daqueles seres que ninguém sabe em quem vai mesmo votar.
Claro, como estou nos Açores, podia dizer-vos que ainda é sexta-feira. Porque é mesmo. E, como ainda é sexta-feira e não estou a violar coisíssima nenhuma, parece-me que não tem mal nenhum dizer que depois de amanhã vou votar PàF, algo que já toda a gente sabe, mas sendo Sábado, algo que não poderia ser dito. Amanhã, Sábado, é que estarei calado sobre o assunto, porque eu respeito a lei, mesmo quando é muito estúpida.
«são os olhos das pessoas»
coisas engraçadas
O discurso do Carlos do Carmo, no almoço do PS de hoje na Trindade, a dar porrada na Maria de Belém Roseiro, era a «novidade engraçada» que o director de campanha, Duarte Cordeiro, prometera para a jornada de hoje? Aposto que António Costa e Maria de Belém se devem ter fartado de rir.
plano b
Depois de Catarina Martins se ter disponibilizado para ir para o governo com o PS, disponibilidade que não vi, até agora, o líder do PS enjeitar, também o camarada Jerónimo de Sousa anunciou que não aceitará um governo sem maioria parlamentar, logo, se a Coligação não a alcançar ele estará disponível para a viabilizar com o PS e o Bloco. Ora, se é sabido que o camarada Jerónimo estava habituado a governos onde as maiorias parlamentares eram sempre mais do que absolutas, tradição que nunca falhou na extinta URSS e nos países do defunto Bloco de Leste, a verdade é que o bom e velho Partido Socialista nunca navegou nessas águas e, pelo contrário, sempre lhes ofereceu oposição tenaz, de resto, em consonância com a letra e o espírito da Constituição da República. Ver, agora, o PS em semelhantes companhias é um péssimo agouro para a democracia portuguesa e só pode levar a uma conclusão: o PS merece muito melhor.
menos que poucochinho
Apesar da «animação» prometida para a jornada socialista de hoje à tarde, algo me diz que António Costa terá de esperar por domingo à noite para voltar a ver António José Seguro no espaço público. Também, se António Costa nem sequer se dirigiu ao seu antecessor no discurso de vitória na disputa da liderança do partido, não será certamente agora, em antevésperas de outra prodigiosa vitória, que precisará da sua atenção.
Boaventura, um produto dos nossos impostos
Boaventura de Sousa Santos: Numa concepção minimalista, esquerda é toda a posição política que promove todos (ou a grande maioria dos) seguintes objectivos: luta contra a desigualdade e a discriminação sociais, por via de uma articulação virtuosa entre o valor da liberdade e o valor da igualdade plasmada no equilíbrio entre os direitos civis e políticos e os direitos sociais, económicos e culturais; defesa forte do pluralismo, tanto nos media como na economia, na educação e na cultura; democratização do Estado por via de valores republicanos, participação cidadã e independência das instituições, em especial, do sistema judicial; luta pela memória e pela reparação dos que sofreram (e sofrem) formas violentas de opressão; defesa de uma concepção forte de opinião pública, que expresse de modo equilibrado a diversidade de opiniões; defesa da soberania nacional e da soberania nacional de outros países; resolução pacífica dos conflitos internos e internacionais. Ser de direita é ser contra todos ou a grande maioria destes objectivos.
Boaventura de Sousa Santos é Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.
Desaparecidos das notícias
Depois do Tsipras agora são os refugiados.
Indecisos e os planos B do PS
Quando se percebeu que o PS podia não ganhar começaram a aparecer os planos B do PS. O mais interessante é o seguinte:
No caso de o PS ter menos deputados que a coligação mas mais deputados que o PSD sozinho, os socialistas alegam que é o PS que tem direito de formar governo. E então o PS governaria com apoios flutuantes à esquerda e à direita.
Socialistas ainda consideram uma versão alternativa deste plano, no caso em que o PS é menos votado que a coligação e o PSD e a esquerda (PS, BE e CDU) tem maioria absoluta. Nesta versão o PS forma governo com BE e CDU depois de PS, BE e CDU inviabilizarem um governo da coligação votando contra este no Parlamento.
O PS já esclareceu que não dará apoio a um governo minoritário da coligação mas espera que os partidos da coligação dêem apoio a um governo minoritário do PS.
Em suma, o PS espera governar com a direita traindo a esquerda, ou com a esquerda anti-euro desrespeitando uma eventual vitória por maioria relativa da direita. Riscos de ingovernabilidade ou de descontrolo das contas públicas devido a cedências à esquerda não interessam para a equação. O que interessa mesmo é o poder.
São estes os cenários a que o PS se agarra neste momento e deverão esclarecer qualquer dúvidas que os indecisos ao centro ou à esquerda possam ter.
Algo me diz que a bem do casamento do filho desta senhora é melhor ele manter-se lá pela China
a importância de marcelo
O Bloco de Esquerda, que pode chegar muito perto dos dois dígitos, anunciou que quer «ser governo». António Costa, que já terá perdido as ilusões de ganhar as eleições ou, pelo menos, de as ganhar com um resultado expressivo, disse ontem que tem um «plano b» para assegurar o governo, se o «plano a», isto é, a vitória, falhar. Assim, de repente, eleger a coligação de direita já não significa apenas impedir um governo do PS, mas um governo de frente de esquerda em Portugal, que seria o único da União Europeia. E, subitamente também, não eleger António da Nóvoa passou a ser um objectivo de primeira importância.
domingo à noite, no altis
Mas não era só tirar o Seguro?
O que se passou que fizesse com que António Costa e o seu PS conseguissem a proeza de inverter a tendência apontada pelas sondagens (ver gráficos em popstar.pt)?
O que se passou foi António Costa. Antes da campanha era um indivíduo conhecido em Lisboa e pelas centenas que assistem à Quadratura do Círculo na SIC Notícias§, depois da campanha passou a ser conhecido pelo resto dos portugueses. O que parece é que os portugueses não gostaram muito do que viram.
Eu tenho uma conclusão adicional: há pessoas que não foram talhadas para mais que uma câmara municipal, isso já contemplando generosidade. Antes perceber-se isso agora que mais tarde.
§O share médio de sexta-feira passada para a SIC Notícias foi 2%, ligeiramente acima da RTP2 com 1,8%.
Alvíssaras
Dão-se alvíssaras a quem encontrar notícias, reportagens e comentários sobre o novo governo grego.
A prioridade das prioridades
Paulo Tunhas: nesta última semana antes das eleições, a Cultura voltou a atacar. (…) É que ela, a Cultura, não se contenta com aquilo que António Costa, com a sua actual vulcânica generosidade, que faz de qualquer intervenção sua uma lava de promessas, se encontra generosamente disposto a conceder-lhe: um ministério, nada menos do que um ministério. A direita, mesquinha, dá-lhe só uma secretaria de Estado. A esquerda fá-la voar em direcção a mais elevadas paragens e a uma dignidade transcendente que ela por inteiro merece e profunda e incondicionalmente deseja.
Mas um ministério não basta. Quem o disse, num almoço ou jantar que reuniu vários representantes das artes com António Costa num restaurante de Lisboa, foi a artista plástica Joana Vasconcelos. Joana Vasconcelos não quer só um ministério. Quer que a Cultura seja a “prioridade das prioridades” do próximo Governo. (…)
Estas delirantes pretensões dos nossos locais apóstolos da arte e cultores do espírito não mereceriam qualquer atenção neste mundo feito de muita loucura, não fossem elas revelarem um fenómeno assaz singular: a total incapacidade da gente da auto-designada Cultura de pensar com o mínimo de isenção – quer dizer: com o mínimo de pertinência – a coisa política.
um silêncio insuportavelmente ruidoso
uma falácia
Alguém consegue decifrar o que isto quer dizer: «Nós temos um programa de relançamento da economia assente em dois vectores fundamentais: a reposição do rendimento das famílias e a criação de condições de investimento por parte das empresas».
Vamos por partes:
- Como é que um governo repõe «o rendimento das famílias»? Concede-lhes crédito? Obriga os bancos a fazê-lo? Cria algum subsídio especial para apoiar famílias?
- E como é que um governo cria «condições de investimento por parte das empresas»? Aumentando o salário mínimo? Endurecendo a legislação do trabalho? Ou baixando os impostos sobre os lucros, sobre o rendimento dos empresários e trabalhadores?
Estas questões são significativas, porque António Costa anunciou que alavancará a segurança social e as pensões no dito «crescimento económico», o mesmo é dizer, no «relançamento da economia». E sem que isto se torne claro, todo o programa económico do PS será uma falácia.
Para que não me acusem de insensibilidade social
Alguém tem notícias do Fernando Tordo?
Também era importante discutirmos o sofrimento das crianças impedidas de serem co-adoptadas.
Há mais causas, mas, sinceramente, e tal como aconteceu convosco, lamento já as ter esquecido.
não há espaço vazio
A Rússia de Putin a ocupar, e muito bem, o espaço deixado vazio pela errática administração Obama. Na política internacional, mais do que em qualquer outra, não há espaço vazio, menos ainda lugar para dúvidas e hesitações, e o caos na Síria, muito devido às tontices da administração democrática norte-americana, já dura há tempo demasiado, com consequências gravíssimas para toda a comunidade internacional, para que continue como está. Esperemos que Obama, que se absteve de desempenhar o papel que competia ao país a que preside na comunidade internacional, com excepção de ter patrocinado e embarcado nas tontices da «Primavera Árabe», não reaja de forma asneirenta a este gesto da Rússia.
não tem, nem tem que ter, mas já teve
Manuel Alegre queixou-se de que «o PS não tem bancos, televisões, jornais, empresas de sondagens». É verdade. Vão já longe os tempos do assalto ao BCP e à Caixa (usando, de resto, os mesmíssimos comparsas), das nacionalizações do BPN, dos compadrios com o BES na PT e noutros locais igualmente pouco recomendáveis, dos créditos da Caixa ao comendador Berardo, das tentativas de compra da TVI, das negociatas na Lusomundo, etc.. Vão longe e esperemos que não voltem, apesar dos lancinantes apelos do bardo socialista.








