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tempo de confiança

28 Agosto, 2015
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«O indicador de confiança dos consumidores aumentou em agosto batendo máximos desde agosto de 2001».

E um cordãozinho humano???

28 Agosto, 2015

Foi nestes propósitos – ao que parece descalço e vendado – que as autoridades do camarada Hollande transportaram o alegado suspeito de uma alegada tentativa de terrorismo no seu TGV.

Estou espantada que além da minha pessoa ninguém se interrogue sobre estes procedimentos que pelos vistos só causam espanto quando está um republicano na Casa Branca.

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uma carta

28 Agosto, 2015
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Meu Caro António Costa,

Você começou com um texto sublime, explicando-me por que me escrevia. Fiquei a saber que está com «vontade de (me) ouvir». Pois então, vamos a isso.

Na segunda, disse-me que «temos de vencer a depressão». E, apesar da vida nem sempre correr como a gente espera, é mal – a depressão – que não me costuma atingir, pelo que, presumindo que você fala de si, tem-me aqui para o que der e vier. Conte comigo.

Na terceira, você anunciou que «queremos aumentar a natalidade». Bom, aí espero que esteja a falar no plural majestático, porque eu já tenho dois filhos e não me  está a apetecer aturar mais nenhum. Mas, como seu quase-amigo e já que você disse que quer falar comigo, deixe-me dar-lhe um conselho: a partir de certa idade não é boa ideia ter filhos, porque nos arriscamos a ser seus avós e não pais dos petizes. Por isso veja lá no que é que se mete. E, apesar das crianças serem a felicidade de qualquer lar, não devemos projectar nelas as nossas ansiedades e frustrações: ter filhos para combater a depressão não é terapia aconselhável. Para isso, é muito melhor fazer tudo como se fosse para tê-los, mas não chegar a esse ponto. Proteja-se, meu caro: hoje em dia não nos faltam meios para isso.

Na quarta, você começa a preocupar-me seriamente, quando diz, depois de ter anunciado anteriormente que queria aumentar a natalidade, que «a troica foi desejada». Aqui eu acho que você começa a manifestar alguns distúrbios preocupantes, provavelmente provocados pela ansiedade das últimas semanas, porque, meu caro, apesar de a ter escrito com «c» e não com o «k» com que habitualmente a lemos, a «troika» não é coisa que se deseje, nem para nós, nem para ninguém. É certo que foi um antecessor seu quem a mandou vir, mas nós é que levámos com ela em cima, enquanto que o seu colega andava pelos boulevards de Paris, pelo que penso que você não a deveria desejar novamente. Por mais solitário que se sinta.

Na última carta, que tem data de hoje mas eu julgo já a ter lido ontem, você tranquiliza-me, porque diz que «não assumi compromissos». É isso aí! Goze a vida e não se comprometa a fundo com nada, porque isto são dois dias e nós nunca sabemos quantos já lá vão. Divirta-se enquanto pode. Fico assim mais descansado ao saber destas suas anunciadas intenções.

Não terminarei esta minha carta sem lhe dizer que, após ter tido a oportunidade de apreciar o seu imenso talento literário, ainda por cima num género tão difícil de cultivar como o epistolar, já tomei a decisão que se impunha e que você me pediu: por mim, este país que outrora foi grande em Eças e Camilos, não poderá desprezar a sua veia literária. Deixe-se, pois então, continuar a escrever cartas, romances e versos, quem sabe, e não se preocupe com mais nada. Por mim, pode ter a certeza que tudo farei para que assim seja.

Por hoje é tudo.

Receba aquele abraço grato e solidário do

As StratUps e as StratDowns

28 Agosto, 2015
Uma Fender Strat Up e a mesma Fender Strat Down.

Uma Fender Strat Up e a mesma Fender Strat Down.

Obrigado, Doutor Costa.

StratUps

reflexões

27 Agosto, 2015
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Santana já reflectiu a 100%. Rio de 70% a 80%. Marcelo a 200%. Jardim é irreflectido e Barroso tem uma equipa a reflectir por ele.

tenham calma, o ps irá cuidar de todos vós!

27 Agosto, 2015
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É nisto que pode sintetizar-se a quarta carta de António Costa, talvez a mais irresponsável de todas. A mais irresponsável de todas porque, primeiro, identifica a privatização de serviços importantes para as pessoas com o garantido mau funcionamento desses serviços e a exposição dos seus destinatários a perigos desnecessários. Logo, a solução do PS, depois de assustar as pessoas, é dizer-lhes que lhes garantirá «serviços públicos eficientes e de qualidade». Os que todos conhecemos há décadas. Quanto aos futuros, serão os serviços geridos pelos amigos do Dr. Costa e pelo aparelho do PS e da JS, que se prepara para tomar conta deles, assim ganhe as eleições. Confiança máxima!

Depois, porque anuncia que o PS manterá o monopólio estatal da segurança social, evitando a possibilidade de escolha, ainda que limitada a uma percentagem dos descontos. E porquê? Porque a privatização «ameaça também a segurança futura dos iludidos com a “liberdade de escolha”, cujas poupanças ficam confiadas aos riscos da falência e desbaratamento dos fundos privados». Ora, isso é exactamente o que sucede há décadas com a segurança social pública, que paga as pensões actuais com o dinheiro dos contribuintes presentes e pensionistas futuros, e que está falida, também muito graças a dinheiros desbaratados em pensões precoces e milionárias e à utilização sistemática dos fundos de pensões para cobrir os sucessivos défices dos governos. Dinheiro entregue em boas mãos, pois então! Alternativa à falência da segurança social pública? É simples, aliás, é sempre tudo muito simples para o Dr. Costa: «diversificando as suas fontes de financiamento e aumentando o número de contribuintes com a criação de empregos». Uma verdadeira pescadinha de rabo na boca. Ora, como o estado português já não fabrica notas, não lhe será fácil encontrar outras «fontes de financiamento» que não sejam os bolsos dos contribuintes, nem criar empregos na função pública por decreto.

Esta sucessão de cartas assinadas por António Costa revelam um PS que pertence ao passado, que quer preservar um modelo antigo de sociedade com provas mais do que suficientes da sua ineficiência e que tem medo da mudança. É o PS mais reaccionário e conservador de que há memória.

entradas ilícitas

27 Agosto, 2015
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Uns pela porta dos fundos, outros pelas portas da frente.

Porta 18

27 Agosto, 2015

José Carriço foi detido na A1 com 9,5 quilogramas de cocaína. Os colombianos chegavam à Luz pela porta 18…

Isto não é uma notícia . É o princípio de um romance policial. À séria.

Lá vem mais uma praça cheia de gente a varrer e a cantar

27 Agosto, 2015

Com aquela fé em todas as manifestações onde vislumbre “qualquer coisa de esquerda”  o PÚBLICO escreve: “A revolta do lixo em Beirute pode transformar-se na Primavera Árabe do Líbano. Mas sem Presidente, Parlamento e um primeiro-ministro que se ameaça demitir, tudo é incerto.”

Digamos que talvez assim o futuro seja menos incerto. Porque nos outros países onde aconteceu a dita Primavera existia tudo isso (ou uma versão local disso) e as coisas acabaram como acabaram. Assim se a dita Primavera acontecer pelo menos poupam-se umas etapas a caminho do caos.

Re: Re: Re: Re: Cartas o *******

26 Agosto, 2015

Doutor Costa,

Qualquer idiota já percebeu que V. Ex.ª não consegue escrever um SMS, quanto mais cartas ao “eleitor indeciso”.

Em primeiro lugar, nenhum indivíduo com idade mental superior a 15 anos tem lata para se dirigir às pessoas como “caras e caros amigos”. Só falta incluir um xoxoxoxo no fim para ser por demais evidente que foi escrito por alguém com 14 anos ou pelo Porfírio Silva. Para as V. aspirações governativas, espero ter sido alguém com 14 anos.

Em segundo lugar, V. Ex.ª refere que “para crescer, temos que recuperar competitividade”. Depois diz que para o conseguir “o nosso caminho é o da inovação e inovar exige investimento no conhecimento”. Consegue V. Ex.ª ser menos inovador na proposta? Essa treta foi tentada repetidamente por escrito e continua a não ter significado para pessoas com mais de 15 anos. A partir de uma determinada altura, os seres humanos adquirem capacidade de raciocínio em abstracto. Pode não ser o caso do seu eleitor típico, mas, pretender englobar todo e qualquer “eleitor indeciso” na categoria de imbecil é fórmula para o fracasso antecipado.

Em terceiro lugar, V. Ex.ª diz que é prioritário “promover a cultura e a ciência” e depois aparece ao lado do Doutor Sampaio da Nóvoa, a enciclopédia humana das bacoradas infantis. Aliás, “promover a cultura” é exactamente o que V. Ex.ª não quer, sob risco de ser desmascarado como a fraude política que, em evidente e crescente desespero, se esforça por ocultar.

Em quarto lugar, V. Ex.ª diz que quer “travar o êxodo dos jovens mais qualificados”. V. Ex.ª pretende, então, impedir os jovens de procurarem formas de melhor servirem os seus interesses, prendendo-os a um país governado por uma fraude política que repete todos os chavões telegráficos sacados do manual de demagogia para totós? Mais, V. Ex.ª fala do “combate à precariedade” da mesma forma como arremessa postas de pescada sobre “tecido empresarial”, “centros tecnológicos” e outras expressões passíveis de serem retiradas de um livro de auto-ajuda para comentadores de televisão com dificuldades em conter a baba. Se estes indivíduos sinistros, escolhidos a dedo, não conseguem, achará, porventura, que V. Ex.ª tem melhores condições para convencer o “eleitor indeciso”?

Em quinto lugar, V. fala do “combate ao empobrecimento”. Mas V. Ex.ª é idiota? Há alguém com meio palmo de testa que defenda o empobrecimento? Isso tem sequer significado? Não há vida inteligente no V. partido? Não é possível criar um discurso de acção política que apresente alternativas concretas e viáveis, aceitando os seus prós e contras, e que defenda um único ponto de vista realista sobre o país, o seu financiamento e a dimensão desejada para o aparelho de Estado? É só flores e cravos e merdices românticas para adolescentes? V. Ex.ª está a promover-se para primeiro-ministro ou para actor de telenovela? Não há nada para adultos com preocupações deste mundo real? V. Ex.ª devia escrever (ou mandar escrever) romances, se vive tão absorto nesse mundinho ficcional.

Em sexto lugar, um elogio: V. Ex.ª dirigiu a carta ao “eleitor indeciso” e esta convenceu-me. Não sou mais um eleitor indeciso: ter lido até ao fim permitiu-me decidir, com toda a assertividade, que V. Ex.ª não tem estofo intelectual para ser detentor de qualquer poder de decisão.

Os meus cumprimentos,

Um eleitor indeciso

venha o próximo

26 Agosto, 2015
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Rui Rio anda a gozar com as tropas. Há meses a fazer pairar a dúvida sobre a sua eventual candidatura presidencial, anunciou agora que já ponderou a «70% ou 80%» sobre a mesma, faltando «apenas» uma decisão. Afinal, Rio está à espera de quê para se decidir? Até há uns meses ainda se entendia: estava a ver se Passos se espatifava e se os vaticínios sebastianistas que sobre ele recaem há anos, finalmente se concretizavam. Depois de, pela força das circunstâncias (Passos não se espatifou…), ter desistido do PSD, se se acha capaz de vir a ser presidente da república, o que o faz hesitar? Provavelmente nada, a não ser julgar que quanto mais desejado se fizer, mais impacto terá o seu anúncio, como aquelas falsas púdicas que resistem cheias de vontade. Num país civilizado, onde as pessoas se dessem ao respeito, semelhante proto-candidato presidencial já teria sido há muito lançado às urtigas, porque tanta hesitação, tamanho tacticismo e espetalhonice saloia traduzem um profundo desrespeito por aqueles a quem, depois, se vai pedir votos e confiança. Por mim, pode ir andando. Venha o próximo.

Re: Saison des cartes pas de Descartes en français

26 Agosto, 2015

Amigo,

É fácil, para quem está em liberdade, referir-se à sorte alheia de quem está preso. Porém, digo-te, a vida de presidiário não é nada fácil, como constato todos os dias ao ver os que o são mesmo. A minha própria experiência, apesar de diferente da de um presidiário pindérico, é deveras traumática para um homem amaldiçoado com substantivo porte intelectual. Percebo que recorras à tua mãe para te aliviar a carga que carregas sobre os ombros. Eu próprio recorro à minha e à sua herança sempre que necessito, como agora, que decidi começar a pagar a quantia exacta em dívida ao meu amigo, mal apure exactamente quanto lhe devo. Porém, não é a tua mãe que te pode ganhar eleições. Devias falar com quem sabe e com quem pode. A vida é complicada e nem sempre podemos estar onde queremos mas, bolas, sabes exactamente onde estou e não te custa nada vir cá trazer um bolo ou uma mala de fotocópias. Tudo se arranja na vida. Eu é que estou preso e tu é que sentes os trabalhos forçados. Posso aliviar-te a carga. Posso conceder-te o que desejas. Mas há um preço, como em tudo na vida. Socialismo sim, mas para os discursos. Aqui é a César o que é de César. Podia elaborar mais mas já não tenho papel, que gastei para a última lista telefónica de absurdos de inocência sacados de um livro de um tal de Dostoyevsky que enviei para publicarem nos meus jornais. Aparece. Falamos pessoalmente. Não sejas piegas.

Com amizade,

Marlene

Re: Season de cartas

26 Agosto, 2015

Querido filho,

É bom que percebas que tu não és a coisa mais importante. Estas eleições não são sobre ti, são sobre a missão que te foi atribuída. Gosto muito de ti mas está na altura para deixares de ser piegas e encarares a realidade: tens que repor a minha pensão, assim como as pensões de todos os nossos amigos prejudicados por este governo ideológico que abala os privilégios que conquistamos através de décadas de promessas eleitorais para o estabelecimento da nossa rede de influência. Lá porque nunca descontamos nada para a pensão não significa que nos possam vir agora tirar o que alcançamos através da nossa estratégica colocação no aparelho do Estado. Os nossos braços estendem-se por todo o lado. Quem pensa o governo ser para vir mexer no que levamos anos a construir? É fútil. A tua missão é repor a nossa forma de vida. Os analfabetos dos campónios que paguem: a parolada serve para isso, para manter a ordem social estabelecida através da sensação de pertença a algo. Malditos peões, que julgam que vivem. No entanto, precisamos deles. Sê amiguinho do povinho e vai-lhes à carteira sem que notem. Andamos anos a preparar-te, não vaciles agora.

Lembra-te sempre que nada disto é acerca de ti. Tudo o que fizeres é por mim.

Mãe

porquê?

26 Agosto, 2015
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Na segunda carta endereçada por António Costa aos portugueses, o líder socialista precipita-se sobre uma infindável sucessão de perguntas acerca do cepticismo dos seus concidadãos quanto ao futuro de Portugal: «Porque havemos de descrer das nossas capacidades?», «Porque havemos de temer a globalização?», «Porque havemos de lamentar a falta de recursos?», «Porque havemos de nos resignar a que tudo isto seja apenas retórica?», «Porque não havemos de ser capazes de nos transformarmos?». A resposta a estas dúvidas existenciais é, contudo, muito simples: porque num país que faliu três vezes em trinta e sete anos é difícil acreditar. Principalmente quando o partido que foi responsável político por essas três falências se prepara para regressar ao poder sem aparentemente ter aprendido alguma coisa com os erros do passado.

Querem saber como foi o PREC?

26 Agosto, 2015

A propósito de debate com Heloísa Apolónia, Paulo Portas declarou “em nenhum país comunista haveria um debate com os adversários políticos, porque, se houvesse, era o último” “Como sabem, ou lhes cortavam a cabeça ou os prendiam. Em democracia trocamos ideias naturalmente, civilizadamente”

Imediatamente um deputado do PCP retorquiu:  “para andares com essa conversa de pide reformado, deves estar com uma carga de ressabiamento do tamanho de um submarino“

Acreditar que os comunistas mudaram mudou é pura ilusão. À mínima crítica soltam a verborreia das acusações. Como estamos em 2015 tudo isto parece um folclore meio desfasado mas é pura ilusão acreditar que o PCP é apenas um  caturra grupo etnográfico neo-realista. Se pudessem voltariam  a fazer o mesmo.

Quando as redes sociais virem as galinhas, coitadinhas, a serem assim transportadas talvez se comovam

26 Agosto, 2015

e dediquem meio segundo atenção ao que está a acontecer na Venezuela
COLOMBIA VENEZUELA (17)

Season das cartas

25 Agosto, 2015

Mãe,

Isto é tão difícil. Porque deixei que me metessem nisto? O outro até tem sorte, mesmo preso, por poder passar a vida a escrever cartas. Eu não posso. Eu tenho que aparecer para tentar resolver as asneiras que a minha equipa faz, muitas vezes piorando até a situação. Isto está tão difícil, mãe… Eu estou habituado a ser colocado nos lugares, não a conquistar a posição. Só me apetece desistir. Mas, sabes, queria tanto ser alguém, ser reconhecido, respeitado, adorado, até venerado… Porque não consigo escapar à sombra do outro? Como pode alguém tão ausente fazer-me tanto mal?

E estes ingratos que votam, eles não sabem que eu tenho razão? Eles não conseguem perceber que eu vou fazer deste país o oásis da Europa destruída pela gorda alemã? Eles não percebem que a vitória do Syriza foi uma esperança para que possamos seguir o mesmo caminho? Eles não vêem a espiral recessiva, o segundo resgate, a desgraça da emigração que obrigou tantas pessoas a emigrar, como o meu próprio pai, vítima do neoliberalismo que não providenciou a humanidade solidária para que não tivesse que vir parar a este canto desgraçado do mundo? Que destino é este? Até jornalistas, daqueles que não dignificam a profissão, me aparecem vindos de arbustos no parque de estacionamento do restaurante.

Mãe, eles estão a trair-me. Eles querem tacho e não param enquanto não o conseguirem. Eu não consigo criar 350 ministérios, dá muito nas vistas. Que faço, mãe? E 207 mil empregos? Que idiota se lembrou de querer parecer rigoroso com um número tão parvo? Dois-zero-sete… Noves-fora: nada… É este o meu destino? Que faço? E o maluco que convidei para aparecer para tentar dignificar a minha posição na academia dos artistas, sociólogos, filósofos e antropólogos? Agora quer ser presidente. Eu nunca conseguiria estar mais que 10 minutos a falar com ele, agora vou ter que o gramar a fingir que manda? Porque não fiz como o outro que decidiu taxar os discos dos computadores? Teria sido muito mais inteligente.

Isto foi tudo um grande erro, mãe. Eles vão destruir-me. Vou acabar numa autarquia daquelas esterqueiras para onde mandam os indesejados. Eu sou um urbano moderno, mãe. Eu vou engolir o cravo. Nunca o devia ter cortado. Eles convenceram-me e eu caí na esparrela. Não podes aparecer outra vez, mãe? Dar mais 35 entrevistas que me façam parecer humano? Preciso de ajuda.

Não me odeies, mãe. Dei um passo mais largo do que as pernas. Cheguei ao fundo da estrada, duas léguas de nada, não sei que força me mantém. Quero é voltar para os braços da minha mãe.

A.

Ecos de um sistema caduco

25 Agosto, 2015

Taxistas detidos no aeroporto por especulação

Os suspeitos, com 38, 39 e 65 anos, transportaram passageiros em percursos de várias zonas de Lisboa para o aeroporto da Portela e, “em duas situações, introduziram indevidamente no taxímetro suplementos no valor de 1,60 euros, quando não havia lugar à sua introdução e, numa outra situação, foi exigido montante superior ao suplemento, tendo o motorista de táxi solicitado ao passageiro o valor de quatro euros, um preço superior ao constante na tabela de preços em vigor”, refere a PSP num comunicado hoje divulgado.

Em 2015 leva-se a julgamento taxistas por fraudes de 1,60 euros. A principal razão: um sistema regulatório caduco baseado num no comando e controlo da actividade pelas autoridades públicas. Existe uma solução para este problema que não envolve polícia nem tribunais. Chama-se Uber. Um motorista da Uber nunca se atreveria a cobrar mais do que o previamente estipulado. A principal razão? O pagamento é feito por cartão de crédito de acordo com o percurso feito através de um sistema automático.  E uma razão secundária: um motorista da Uber que preste um mau serviço arrisca-se a uma má avaliação e a nunca mais ser chamado. Agora pensem, quantas vezes é que um taxista pode maltratar um cliente sem perder negócio? As vezes que quiser.

as virtudes do socialismo

24 Agosto, 2015
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Coisa que só poderia escrever n’ O Insurgente. As ideias socialistas não penetram no Blasfémias.

Como?

24 Agosto, 2015

“Coligação tem uma estratégia: fazer-se de morta”- declarou na TVI Marcelo Rebelo de Sousa. Espantosamente Judite de Sousa não lhe perguntou se fazer-se de morto não é precisamente a estratégia  que Marcelo desenhou e tem aplicado com proveito a si mesmo nesta pré-campanha das presidenciais.

conversas em família

24 Agosto, 2015
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Numa carta, hoje dirigida aos portugueses, em forma de Conversas em Família da era digital, António Costa anuncia duas coisas que carecem de esclarecimento: a) que o PS tem um «modelo de desenvolvimento – assente no conhecimento e inovação»; b) que o PS irá «criar emprego de qualidade e com futuro».

E os pedidos de esclarecimento são os seguintes:

1º Considera o PS que é ao governo que compete «inovar», «investigar» e desenvolver o país, ou isso é responsabilidade das pessoas, das suas formas de organização, das empresas, das universidades, sendo que o estado e o governo devem evitar, ao máximo, estorvá-las, desde logo, não as procurando substituir em coisas que não sabem, nem podem, fazer?

2º «Emprego de qualidade e com futuro» é um terceiro género entre a «precariedade» e o contrato efectivo de trabalho, ou, como é de presumir, os 207 mil contratos de trabalho que resultarão das medidas do governo de Costa serão todos contratos efectivos, para contrastarem com esse flagelo social, na visão do PS de Costa, que é a «precariedade» laboral?

Aguardamos resposta, quem sabe, numa das próximas Conversas em Família.

Sorte a nossa não ter tido um problema de azia que ainda fazia rebentar uma bomba na esperança que lhe passasse o fogo no estômago

23 Agosto, 2015

A advogada do homem que disparou esta sexta-feira no comboio de alta velocidade para Paris veio dizer que o seu cliente lhe pareceu muito fraco e mal-nutrido e que ele lhe tinha tido que tudo o que queria era assaltar algumas pessoas no comboio, noticia a Reuters.

“Vi alguém muito doente, alguém muito fraco fisicamente, como se sofresse de má-nutrição, muito, muito magro e exausto”, disse Sophie David, advogada do atirador, à BFMTV, depois de ter entrevistado o cliente na esquadra da polícia em Arras. A advogada acrescentou que o marroquino de 26 anos se mostrou muito surpreendido ao saber que as autoridades europeias o assumiam como radical islâmico.

 Sophie David continuou, dizendo que o cliente lhe referiu que encontrou a Kalashnikov num parque junto à estação central de Bruxelas onde costumava dormir e que uns dias depois decidiu entrar no comboio que outros sem-abrigo lhe tinham dito que costuma ir cheio de pessoas abastadas. “Ele esperava alimentar-se recorrendo ao assalto à mão armada”, defendeu a advogada.

Ayoub el Khazzani feriu duas pessoas no comboio, mas foi rapidamente detido por três americanos, dois deles militares, que seguiam no comboio. Não conseguindo usar a Kalashnikov que estava encravada e tendo-lhe sido retirada a outra arma que tinha consigo, o homem ainda conseguiu sacar de um x-ato e ferir gravemente um dos homens que o conseguiu deter.

Há sempre uma praia à espera dos revolucionários tipo chic

23 Agosto, 2015

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Yanis Varoufakis e Danae Stratou. Arnaud de Montebourg e Aurélie Filippetti. A revolução é tão gira, tão chic…

As coisas são o que são mas podem estar a deixar de ser o que eram

23 Agosto, 2015

Tema do meu artigo de hoje no Observador: O maior problema dos socialistas nesta campanha não são  os cartazes trapaceiros. Ou o facto de Sócrates estar preso. O maior problema do PS nesta campanha pode resultar de não perceber que o país mudou. O PS continua a falar para o país que resultou do 25 de Novembro de 1975. Mas quem vai a eleições é o país que viveu Abril de 2011. Ou seja o país que percebeu que nada estava garantido nesse Estado que os vencedores de 1975 lhe tinham prometido.

Tão verdade que até dói

23 Agosto, 2015

Nicolau Santos: Maria de Belém é uma pessoa encantadora, de uma enorme gentileza e que exerceu sem rasgo mas com competência as funções públicas que lhe têm sido confiadas.

E contudo há pessoas que exerceram sem rasgo e com uma enorme falta de competência as funções que lhe têm sido confiadas e que não devem ver-se ao espelho há muito tempo.

Deve ter sido desgosto de amor, discussão por causa do futebol

22 Agosto, 2015

SIC:Três feridos num tiroteio em comboio de ligação entre Amesterdão e Paris

Vale a pena ouvir esta peça da SIC apresentada como se no TGV tivesse acontecido uma discussão entre os passageiros. Depois lá se percebe que um passageiro tentou disparar sobre quem ia no comboio que não tem paragem aqui, que partiu dali… O que a vozinha off nunca conseguiu dizer é que eram norte-americanos os militares que neutralizaram o autor do atentado.

Eu já penso como poeta

22 Agosto, 2015

poema-novoa

Não há povo que aguente isto vezes 17.

21 Agosto, 2015

Segundo informa o Paulo Tunhas o candidato Sampaio da Nóvoa ofereceu ao Expresso um poema, composto enquanto o fotografavam, prova indisputável de que Sampaio da Nóvoa, como diz o Expresso, é “homem de letras”. E o poema como era?

“E depois
Do dia de amanhã
Chega ontem.
E então fomos presente.”

Isto é assim: os candidatos são às cabazadas. As campanhas vão ser o que se sabe. Mas pelas almas: poemas não. Não há povo que aguente isto vezes 17.

Entretanto em França

21 Agosto, 2015

Agression à la maternité de Bordeaux : il refuse que sa femme soit examinée par un homme

a coisa

21 Agosto, 2015
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Uma coisa designada «Nós, cidadãos», que replica outra coisa, aparentemente bem sucedida em Espanha, com nome parecido, prepara-se para ir a votos nas próximas legislativas, com um programa obviamente destinado a salvar a pátria, o que a coisa considera ser sinónimo de «garantir a sustentabilidade do Estado Social». E como pretende a coisa realizar semelhante feito? Obviamente pela via fiscal, atirando com mais impostos em cima das «megaempresas», o que será óptimo para atrair o investimento estrangeiro e aumentar o emprego. Como, segundo uma atribulada contabilidade eleitoral do líder da coisa, há, por aí, 800 mil votos perdidos pelos grandes partidos, a coisa que quer dizer «coisas novas»,  vê aí uma magnífica janela de oportunidade para vir a fazer grandes coisas. Ah, e, já agora, só mais uma coisa: a coisa revê-se muito no «exemplo moral e cívico do general Eanes». Ele há cada coisa!

“Sondagem” sobre Presidenciais

21 Agosto, 2015
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Muito curiosa esta disputa. Dir-se-ia que os “aparelhos” de Henrique Neto e Rui Rio estão activíssimos, com os seus candidatos a ultrapassarem-se entre si e a alternarem a liderança. Interessante o posicionamento de Barroso, que se me afigura ser o que tem nomeações mais genuínas, respeitando o espírito da questão formulada. Quanto a Marcelo, parece que está sem fôlego. 

você compraria um carro a alguém que lhe dissesse isto?

20 Agosto, 2015
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«Convém não confundir promessas com aquilo que são estimativas dos resultados das promessas».

importa-se de repetir?

20 Agosto, 2015
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Um dia depois de ter assumido o «compromisso» de criar 207 mil postos de trabalho, até 2019, e de ter realçado que falava em «compromissos» e não em «promessas», António Costa vem agora dizer que não se comprometeu com números, mas com medidas que estima poderem vir a alcançar esses números. Ou seja, de um dia para o outro, os «compromissos» viraram «estimativas» e os números certos (207 mil não é propriamente um arredondamento como 200, 210 ou 250 mil, mas um número que sugere exactidão e rigor) passaram a objectivos a alcançar por medidas cujo resultado ele confessa não poder garantir. Nestas circunstâncias, teria sido mais sério dizer que se comprometia em vir a tomar medidas que acredita que criarão emprego, do que em falar em números certos, escalonados anualmente, como se sugerisse que esses números eram infalíveis.

É certo que o actual PS tem tido alguma falta de sorte com as circunstâncias que o envolvem, entre elas, a «circunstância» de ter um ex-líder e ex-primeiro ministro seu detido por suspeitas de corrupção, sobre o que o partido nada tem dito e tinha obrigação de dizer. Mas se perder as próximas eleições será por inteira culpa sua e de quem o dirige.

Dissonância cognitiva

20 Agosto, 2015

Esta foi a semana em que o PS prometeu criar 207 mil postos de trabalho em 4 ano, uns 40 mil em excesso em relação ao previsto no PEC do governo. Cerca de 10 mil empregos por ano em excesso.

Na semana passada o PS falava em mais de 1 milhão de desempregados reais e de 500 mil desempregados. Isto dá um total de 1,5 milhões de empregos que nas contas do PS teriam que ser criados. O PS pretende criar 40 mil em 4 anos.

As contas do PS

20 Agosto, 2015

O PS tenta lavar a sua incompetência passada na gestão das contas públicas apresentando números.

Lembrando qual é o problema do PS: em 2009 (e também em 2011) foram a eleições com propostas baseadas na ideia fantasiosa de que se aumentarmos a despesa pública o PIB cresce mais e a colecta fiscal aumenta. No final tiveram que chamar a troika. Entretanto inventaram todo o tipo de justificações para a bancarrota, todas elas responsabilizando terceiros. O eleitorado ficou um bocado desconfiado da competência do PS para lidar com as contas públicas.

Agora a solução do PS para o problema do PS: apresentar uns números que alegadamente comprovam que se a despesa pública aumentar o PIB cresce mais e a colecta fiscal aumenta.

Podíamos cair na armadilha do PS e discutir estes números em detalhe. Isso implicaria andar a ver se o multiplicador da medida X é 1,3 ou 0,7, como se alguém pudesse mesmo garantir que consegue saber quais os multiplicadores. No limite, os resultados destes exercícios são impossíveis de comprovar, excepto quando já é tarde demais.  A experiência dos últimos anos mostra que a economia não se comporta como o previsto pelos modelos das diversas instituições (BP, FMI etc). Mostra ainda que, se um plano tem uma componente despesista e uma componente de controlo de despesa, a primeira componente irá alem dos objectivos e a segunda ficará muito aquém dos objectivos. Os riscos de confiar em cenários que esticam a despesa certa alegando que ela será compensada com ganhos incertos são por isso evidentes.

A questão, no entanto, é política e de princípios. Acreditamos, outra vez, na visão tecnocrática de que é possível manipular a economia ajustando o consumo, e que isso não tem custos, ou não acreditamos. Se acreditamos, é tempo de tentar outra vez o que falhou durante os 10 anos que precederam a bancarrota.

Qual o Presidente preferido?

19 Agosto, 2015
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os «compromissos» do ps e de antónio costa

19 Agosto, 2015
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António Costa assumiu, perante o país, um conjunto de compromissos para um futuro governo do PS liderado por si. Vejamo-los um por um e aquilo que eles poderão significar:

1º «Promover o emprego»: há duas formas de um governo olhar para a criação de emprego: uma é acreditar que são as empresas e a sociedade civil que o criam. Neste caso, ao governo competirá não obstaculizar a vida das empresas e da iniciativa privada, para que elas possam cumprir a sua missão natural. A outra consiste em defender que são o governo e o estado os verdadeiros dinamizadores da economia, através do investimento público. Da última vez que o PS e António Costa estiveram no governo foi esta última orientação que foi seguida. O «compromisso» de então era criar 150.000 postos de trabalho. Os resultados ainda estão à vista de todos;

2º «Combater a precariedade»: só pode ter um significado, que é o de que um futuro governo PS criará legislação que endurecerá mais ainda as relações de trabalho. As consequências disto serão exactamente as contrárias das que se enunciam no objectivo anterior: com leis de trabalho mais rígidas, as empresas reduzirão a contratação de novos trabalhadores e o desemprego aumentará;

3º «Aumentar o rendimento disponível das pessoas»: como? Só há uma maneira de o fazer: diminuindo os impostos. Importa-se o PS de explicar quais os impostos sobre o rendimento das pessoas singulares que está disposto a baixar e para que montantes por escalão? Esta seria uma medida muito interessante, se exequível. Obviamente, se o PS explicar claramente como, quando e onde o irá fazer;

4º «Dar prioridade às pessoas»: o PS pressupõe que o PSD e o CDS dão prioridade aos animais? Ou aos objectos inanimados? Talvez não fosse pior explicar direitinho o que significa este sound bite;

5º «Resolver os bloqueios de financiamento às empresas»: um futuro governo PS pretende substituir-se à actividade bancária? Vai instrumentalizar o crédito, obrigando os bancos a concedê-lo em montantes altos e a taxas artificialmente baixas? Ou será que voltaremos ao escudo e a fabricar notas? Muito francamente, por mais que se olhe para este «compromisso» do PS, ele fará sempre recordar os compromissos do Syriza de Varoufaquis;

6º «Promover um Estado forte, inteligente e moderno»: em vez de reformar o estado e de o retirar de onde ele não deve estar, o PS pretende torná-lo mais «eficiente». Um velho sonho de todos os governos dos últimos cinquenta anos, com os resultados que estamos agora a pagar. E sim, fujam: vem aí um novo Simplex, mais serviços e funcionalismo público. Ou seja, um incontável aumento de despesa pública, para que tudo fique na mesma ou pior ainda do que já está.

E tudo isto passava por jornalismo de referência

19 Agosto, 2015

2015: Mais filhos. Natalidade pode subir pela primeira vez em cinco anos

Em 1998 quando ainda se discutia a reforma da Segurança Social e foi dado a conhecer o respectivo Livro Branco surge a notícia de que em 1997tinham nascido mais mais três mil bebés. E logo se tiraram conclusões espantosas. Mesmo em jornais de referência como o Expresso tiravam ‑se conclusões, no mínimo, delirantes: «O aumento da natalidade ocorrido desde o segundo semestre de 1996 – que contraria uma evolução negativa registada durante 21 anos – contribuirá para repensar a amplitude da reforma do sistema de Segurança Social (SS). Segundo diversas fontes, esta realidade “derrota” a maioria das projecções efectuadas no relatório do Livro Branco da Segurança Social (LBSS). Talvez por isso, vários especialistas em estatística manifestaram discordância quanto às projecções demográficas utilizadas para os cenários do LBSS.»

Quem seriam as “diversas fontes” e os “especialistas em estatística” que o Expresso invocava? Espantosamente esta versão dos factos vingou:  de repente, mais três mil nados‑ vivos em 1996 pareciam ter a chave da sustentabilidade da Segurança Social na mão. E tudo isto passava por jornalismo de referência.

Pena não ser leão e não se chamar Cecil para que as redes sociais o recordassem

19 Agosto, 2015

Esta imagem mostra o arqueólogo Khaled Asad, Director de Antiguidades do Museu de Palmira junto a um dos preciosos sarcófagos que faziam parte do patromónio daquela cidade.  Khaled Asad,82 anos, foi agora publicamente decapitado após ter sido interrogado durante um mês pelo Estado islâmico. O seu corpo ficou pendurado numa coluna no centro da cidade. O seu crime: querer salvar Palmira.

SYRIA - SEPTEMBER 01:  Palmyra's Last Treasures in Syria in September, 2002 - Khaled Asad, the Director of Antiquities and Museum in Palmyra, in front of a rare sarcophagus depicting two priests (they wear the typical cylindrical cap), a father and his son, one with his wife and the other one with his sister. Dating from the 1st century, it is one of the finest sculptures in Palmyra.  (Photo by Marc DEVILLE/Gamma-Rapho via Getty Images)

O meu muro pessoal

19 Agosto, 2015

BW-rain-vacationsTenho estado muito bem no meu cantinho preferido de férias, mais longe do frenesim mediático português que do país propriamente dito, eis que o meu tempo por cá termina, neste último dia, com uma trovoada e o céu mais cinzento que o retratado no primeiro cartaz ridículo da sucessão de cartazes ridículos de António Costa. Está a chover de tal forma que apenas encontro a vantagem de obter uma lavagem grátis do carro para a viagem de regresso de amanhã.

O excesso de tempo livre pela fatalidade que é não me poder dedicar à arte do bronze corporal permitiu-me ler este artigo sobre o muro húngaro e reflectir sobre a minha própria condição de recluso do clima. Eu queria mesmo estar na praia e estou a ser impedido, como se barrado por um muro climatérico, de aceder à vida melhor de refugiado de uma guerra contra o frio outonal. A União Europeia não me ajuda. Ignoram o meu problema. Eu tenho frio e não tenho culpa de ter frio. Há mecanismos jurídicos para evitar o meu frio. Eu só quero o calor do sol democrático que me permite derreter numa toalha entre camadas de calor atmosférico e areia previamente aquecida. Porque me colocam este muro da vergonha, pior que o muro de Berlim, que me impede de aceder ao único clima que importa no Mediterrâneo? A União Europeia devia decretar que Verão é para calor, não para chuva ridícula e indesejada. Uma pessoa está até a gastar dinheiro para estar aqui e só vê os seus desejos defraudados por governos sem liderança para resolver o meu problema específico de falta de sol no último dia de férias.

Tal como a autora do artigo – Patrícia Fragoso Martins – estou indignado, inconsolável e desejo tanto a bonita e límpida simplicidade que acabo a escrever sobre sonhos infantis e frustrações pueris com a candura de uma personagem que a Pixar consideraria demasiado bidimensional.