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um facto extraordinário

18 Agosto, 2015
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«Manuel Alegre apoia a candidatura de Maria de Belém», deveria estar escrito assim: Manuel Alegre apoia candidatura onde não está o seu camarada e amigo de longa data Mário Soares. Comme d’habitude.

Indignações selectivas

18 Agosto, 2015

O artista judeu Matisyahu viu a sua actuaçao cancelada no festival Rototom Sunsplash. Porque é judeu e declarou o seu apoio ao Estado de Israel. Chegou a exigir-se ao cantor uma declaraçao política a favor de um estado palestiniano para que o boicote fosse levantado.

Curiosamente as redes sociais não se indignaram. Foram a banhos coitaditas.

um reaccionário

17 Agosto, 2015
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António Costa queixa-se que 90% dos contratos de trabalho recentemente celebrados em Portugal são «a prazo», logo, «precários», e que os jovens que os celebraram «não vão ter segurança no trabalho». Em sua opinião, essa percentagem deveria ser inversa e é grave que assim não seja.

Ora, grave é esta forma de ver o mundo do trabalho e das empresas. Ela amarra as empresas, os empresários e os trabalhadores a leis trabalhistas rígidas, que os obrigam a manter incompetentes, ou a terem de fazer um esforço absurdo para se conseguirem ver livres deles. As consequências desta rigidez são múltiplas, mas, entre outras, a mais grave é a da contracção dos novos contratos de trabalho e a estagnação do emprego, já que nenhum empregador mentalmente são está disposto a correr riscos desnecessários e só contratará um novo funcionário quando não puder deixar de o fazer. Mas esta é também uma maneira, provavelmente a melhor, de perverter o funcionamento normal de uma empresa, desmerecendo o mérito e privilegiando a forma: quem tem um contrato de trabalho não precisa de muito mais para se manter empregado. No fim de contas, o que António Costa sugere é que se aplique a mentalidade dominante na função pública às empresas privadas.

Foi deste tipo de leis supostamente proteccionistas do trabalho, saídas da Carta del Lavoro italiana, que vivemos nas últimas décadas em Portugal. E foram elas em boa parte responsáveis por um mercado de trabalho arcaico, estagnado e por empresas e empresários que preferem não arriscar. Ou seja, estas leis «proteccionistas» do emprego contribuem mais para o desemprego do que o faria um mercado livre de trabalho.

Acresce que em parte nenhuma do mundo de hoje as coisas ainda funcionam desta maneira. Com esta mentalidade, António Costa demonstra ser um reaccionário e um homem que pertence ao passado.

Já não há pachorra

17 Agosto, 2015

A entrevista de ontem ao Público do secretário executivo da CPLP deveria automaticamente assinalar a dissolução e encerramento de tão manifesta inútil e pouco sadia organização, que apenas pode envergonhar quem se diga seu «membro».

O ditador da Guiné-Equatorial dissolve todo o poder judicial: para  o fulano, «é uma questão interna».
E ajuda à festa: «mas não há desrespeito pelos direitos humanos»….
Tudo aquilo é um chorrilho indigno e bacoco.

um regime de coronéis

16 Agosto, 2015
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As recentes manifestações ocorridas no Brasil contra esse factotum de Lula da Silva, a «presidenta» Dilma, são reveladoras da perversão que constituem os sistemas de governo ditos presidencialistas fora dos EUA, sobretudo em países de fraca tradição democrática e institucional, como o Brasil. Na verdade, o presidencialismo exclui a responsabilidade política do presidente, que só pode ser destituído em razão de actos pessoais que envolvam responsabilidade criminal, devidamente comprovada num processo de impeachment. Ora, não se tendo chegado, por enquanto, aí, e tendo Dilma Roussef sido eleita sem qualquer verdadeira legitimidade democrática, mas por um sistema de coronelismo à General Tapioca (em homenagem à personagem de Hergé), de alianças promíscuas entre novos e velhos coronéis, de conluios ilegítimos em torno dos grandes interesses estatais e pela míngua da sopa dos pobres, eleitoralmente manipulada graças ao voto obrigatório, as oposições tentam a força das ruas para retirar a mulher de um sítio onde nunca a deveriam ter posto. Qualquer que seja a saída, nunca será boa para o país, menos ainda para o regime instituído pela Constituição de 1988, que criou um falso federalismo num país de dimensão continental. O que conviria fazer quando Dilma cair, e é inevitável que caia, era reformar a Constituição e criar um verdadeiro federalismo onde, por enquanto, apenas existe um estatismo centralista disfarçado. Essa seria a única maneira de civilizar o «presidencialismo» brasileiro e evitar que ele seja pouco mais do que um regime de coronéis escondidos atrás de instituições ditas democráticas, que verdadeiramente não existem.

O melhor da Campanha

16 Agosto, 2015

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Conta oficial de António Costa garante-nos que o plafonamento da Segurança Social é mesmo a bomba atómica com efeito para várias gerações ao passo que João Galamba nos garante que a única forma de termos pensão em 2040 é garantir que o PS ganha as eleições (imagino que tenha que ganhar todas as eleições até 2040). Com o plafonamento adeus pensão, quer na parcela acima do plafonamento quer na parcela abaixo.

Em resumo, a Segurança Social é tão fiável que só teremos pensões se vivermos em ditadura, dado que não é crível que o PS ganhe todas as eleições até 2040.

um tipo extraordinário

15 Agosto, 2015
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Sampaio da Nóvoa anda incomodado com as hipotéticas candidaturas presidenciais de Rio, Marcelo, Santana e Belém, isto é, com todas as candidaturas, excepto a sua, por serem de «pessoas que fracturam tudo». Logo ele que é um homem vindo de «causas fracturantes», apesar de considerar que a sua candidatura «não é de esquerda». Mais uma fractura, pois então. Nessa medida, aceitando o sensato apelo do reitor-candidato, o que seria mais apropriado era que ninguém mais se candidatasse às próximas presidenciais e que ele fosse candidato único, logo, infracturável. Que tipo extraordinário!

Tsypras Macdonald?

14 Agosto, 2015

No ano de 1900, reinava ainda a rainha Vitória no Reino Unido, quando um grupo de dirigentes sindicalistas, entre os quais Ramsay Macdonald, fundou um agrupamento político que viria a ficar conhecido como Partido Trabalhista.  No especto político da altura eram a esquerda radicial. A direita conservadora e a esquerda liberal viam-nos com desconfiança.

Após a guerrra, em 1924 obtiveram finalmente um resultado eleitoral que lhes permitiu, com o apoio dos liberais, formar pela primeira vez governo, com o seu histórico dirigente Ramsay Macdonald como primeiro-ministro. O governo aguentou-se apenas 9 meses. Contudo,  haviam superado a prova do poder, vencendo os medos iniciais de alguma sovietização (então tão em voga…), e ganho o necessário prestígio para ascenderem por mérito próprio ao governo.  Em 1931, já com a Depressão em movimento, tornam-se a força mais votada e formam governo, novamente com o apoio dos liberais e com Ramsay Macdonald como pm.

A Depressão e as dificeis medidas a tomar irão causar profundas divergências na sua base de apoio. Ao ponto de perder o apoio parlamentar e  ser obrigado a resignar. Mas acaba por ser novamente nomeado primeiro-ministro. Desta vez apenas contando com o apoio dos Conservadores e dos Liberais. Invocou a procura do «bem comum» para aceitar tal pacto que visava tomar medidas radicais mas tidas como necessárias. O seu eleitorado e partido não entenderam assim, vendo antes uma traição aos seus propósitos socialistas e à classe operária.  O partido que ajudara a fundar tratou rapidamente o expulsar.

um pedinte

14 Agosto, 2015
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Pior do que o candidato em si mesmo, que ninguém conhece e parece não estar interessado em conhecer, é o facto de António Nóvoa se ter posicionado, nesta corrida a Belém, como um pedinte de mão esticada perante António Costa, a quem implora, agora, um apoio que lhe fora prometido e que começa a ver fugir. Na verdade, se não for o apoio expresso e massivo dos grandes figurões da esquerda socialista (Soares, Sampaio e Eanes já garantidos), como poderá projectar-se António Nóvoa perante Rebelo de Sousa ou Rui Rio, no curto período de tempo que lhe sobra até às eleições e sem um histórico a que possa apelar? Não pode. Por isso, qualquer hipótese, reduzida que seja, de vitória do candidato presidencial Nóvoa pressupõe o apoio, em bloco, do Partido Socialista. Como isso está cada vez mais longe de acontecer, o objectivo central da candidatura de Nóvoa passou a ser o de convencer o secretário-geral do PS a apoiá-lo expressamente, em vez de tentar convencer os eleitores a votarem nele. Os eleitores deverão, oportunamente, recompensá-lo por esse gesto.

Devagar, devagarinho

14 Agosto, 2015

São estas pequenas tretas que me tiram verdadeiramente do sério. As coisas minúsculas, micro-aberrações locais que nada parecem dizer sobre o mundo mas cujas repetições sistemáticas originam a assimilação de nova normalidade progressivamente desabrigada numa gélida transmutação de humanos em máquinas de uma moral padronizada na ausência de livre arbítrio.

“The Curious Incident of the Dog in the Night-Time”, um livro da chamada nova vaga de literatura YAN (Young Adults Novels), uma etiqueta que serve para caracterizar histórias com pés e cabeça que não necessitam do cinismo adulto de anos de convivência com partidos políticos para ser compreendidas, foi retirado da lista de leitura de uma escola na Flórida, EUA. O problema parece ser o uso de alguns palavrões, linguagem pouco adequada para crianças, mesmo que proferida no livro por uma criança. A parte perturbadora desta história é ninguém se ter queixado do abandono de uma criança autista pela mãe ou desta ter sido agredida pelo pai; ninguém parece queixar-se de um animal poder ter sido maltratado até à morte: o que importa são uns palavrões em determinadas cenas associados a um discurso que questiona a existência de Deus.

A superficialidade com que o politicamente correcto aborda a sua auto-imposta censura traduz-se na vontade de passar pelo mundo ignorando-o, criando um casulo tendencialmente crescente de imbecis dispostos a julgar algo pela forma mais rapidamente que pelo conteúdo.

Podia fazer agora um paralelo com o fascínio português pelos socialistas do discurso aparvalhado, mas não vale a pena: devagar, devagarinho, lá chegaremos à total obliteração da vontade própria e do pensamento próprio fora da rede neuronal do preceito papista da muy artolas ética republicana de grande superfície comercial. Nada como o serviço estatal, o emprego estatal, a gestão estatal, o pensamento estatal.

Christopher, a personagem principal do livro, diz, a um dado ponto, quando lhe explicam o significado do nome, que não quer ter um nome que signifique algo, quer um nome que signifique ele próprio. Quem não quer? Só a turba.

Adenda: Haveria algum problema se, em vez de um livro sobre uma criança autista, a diferença fosse esta ser um bissexual de 12 anos a preparar a mudança de sexo?

consequências

11 Agosto, 2015
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img_708x350$2015_05_20_21_48_33_253892O endeusamento do António Costa pós-Seguro começou no exacto segundo em que José Sócrates foi detido. O país politicamente civilizado e polido proclamou, em uníssono, a sua admiração pelo, primeiro, silêncio do novo chefe socialista, depois, pelos comentários moderados pedindo que a justiça cumprisse a sua missão, e, por fim, pela tardia mas solidária visita a Évora, a única exigível a personagem em tão exigentes funções.

Depois, o mesmo país continuou, embasbacado, a exaltar o inigualável talento político do novo chefe da oposição, assim ele se encostou ao Bloco e a Rui Tavares, levando o PS em demanda dos votos e das alianças que lhe permitiriam construir uma alternativa, à esquerda, ao pérfido governo da coligação. Uma estratégia genial!

Em seguida, foi a admiração pelo persistente silêncio esfíngico de Costa: ele estava muito acima destas questões da política banal e reservava-se olimpicamente para as exigências da governação, ao que o destino certamente não o faria esperar por muito tempo.

Por fim, a rendição absoluta: o «documento dos economistas», notem bem, é de economistas que se trata, não de quaisquer uns, mas de «Economistas», Economistas com «E» maiúsculo, como outrora os «Doutores em Direito de Coimbra» do Dr. Almeida Santos. E com propostas e tudo, coisa nunca vista e rara, que certamente faria render Portugal e os portugueses à sapiência de tão sublime bando e do chefe que o escoltava.

Subitamente, ia a procissão com o santo no andor, as sondagens começaram a dar para o torto. Espanto e admiração! Certamente fabricadas e falsas, ao serviço da coligação e do governo. De uma coisa não hajam dúvidas: António Costa será o próximo primeiro-ministro de Portugal, fizesse chuva, fizesse sol. Porquê? Porque sim.

Só que os problemas não se ficaram pelas sondagens. Foram as declarações sobre a melhora do país nos últimos anos. A saída trapalhona da Câmara de Lisboa. O disparate com a candidatura de Nóvoa. As eleições na Madeira. Os sms ameaçadores a um jornalista do Expresso. Os desaguisados com as listas de deputados. Os conflitos com o pessoal de Seguro. A exaltação do Syriza e o enrascanço em que por causa do Syriza se meteu. O amadorismo da pré-campanha. O absurdo dos cartazes com «histórias de vidas» inexistentes. A atitude divisionista para com Maria de Belém. E a coisa ameaça não ficar por aqui.

Por mim, António Costa espantou-me negativamente desde o seu primeiro momento de liderança. Tinha a seu respeito uma expectativa relativamente elevada, que infelizmente não se confirmou. E não foi necessário esperar pelos desaires mais evidentes. Bastou vê-lo a reagir temerariamente ao caso Sócrates, em vez de o ter enfrentado como se exigia a quem liderava um partido que tinha preventivamente preso um seu muito recente ex-líder e chefe do governo, a calar-se perante os problemas do país por provavelmente ter muito pouco a dizer-lhe e, sobretudo, a retirar o PS do centro político, onde, como ensinou Mário Soares, se ganham eleições em Portugal, para promover zeros-à-esquerda cujo único valor era afugentar o eleitorado de centro. Tudo o mais são consequências.

a galeria não precisa de reforços

11 Agosto, 2015
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Tenho suficiente consideração pessoal e histórica por José Ribeiro e Castro para esperar (e desejar) que ele não passe a integrar a galeria dos ressabiados da política nacional, ao lado das ilustres figuras de Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Freitas do Amaral, entre outros. Todavia, as suas intervenções públicas das últimas semanas, aparentemente ditadas pela sua exclusão das listas de deputados, indicam o contrário. Ora, quem anda nestas coisas há mais de quarenta anos não pode espantar-se pelo facto do CDS ser um partido de (quase) um homem só, pelo menos um partido onde as decisões capitais são tomadas pelo líder e pelo seu inner circle. Ou seja, pelo seu grupo de fiéis, ao qual José Ribeiro e Castro nunca pertenceu. Facto que ele certamente também não ignorará.

É, é mesmo a mesma coisa

11 Agosto, 2015

Duas situações:

Primeira
Cartazes com “pessoas reais” que, na realidade, são uns tipos fotografados à porta da junta de freguesia e aos quais são atribuídas frases como “estou desempregada há 5 anos e nem uma ajudinha recebo”, “ando a recibos verdes e mal tenho que comer” ou “o meu marido obriga-me a ter relações sexuais com seis senhores da Guiné em simultâneo enquanto filma para meter no site ‘liberais domésticas e doidas’”.

Segunda
Cartazes com a fronha de um indivíduo que não é uma “pessoa real” e sim um actor franciu/sapo que permite o uso da sua imagem em mensagens publicitárias que não lhe atribuem declarações em concreto.

Se acham que a primeira situação é igual à segunda, talvez consigam compreender este artigo do Observador, uma notícia sobre o poder de persuasão da “geração mais bem preparada de sempre” para enganar os tolos.

Círculo Eleitorais

11 Agosto, 2015

Foi ontem publicado o Mapa Oficial n.º 2-A/2015, com a distribuição de deputados por círculo eleitoral. Comparando os dados com os do Mapa das legislativas de 2011, constata-se que a alteração mais relevante é a perda de um deputado pelo círculo de Santarém, que acresce ao de Setúbal. Há, porém, alguns outros dados interessantes:

  • O número total de eleitores aumentou: 61.747 (considerando apenas o território nacional, o aumento foi de 14.403).
  • Apesar do aumento global, apenas seis distritos (mais a RA dos Açores) viram aumentar o número de eleitores: Aveiro, Braga, Faro, Lisboa, Porto (onde se verificou o aumento mais significativo) e Setúbal.
  • Os distritos do interior são, sem surpresa, os que mais perderam eleitores (Beja, Bragança, Castelo Branco, Guarda e Portalegre).
  • O círculo de Fora da Europa aumenta mais de 36% (e já justificaria um terceiro deputado, se as regras fossem as mesmas dos círculos do território nacional).
  • Há diferenças significativas entre  número de eleitores inscritos e o número de deputados eleitos: em Portalegre ou Bragança, são necessários cerca de 50.000 eleitores para eleger um deputado. Já em Setúbal ou Lisboa, bastam pouco mais de 40.000.

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Quando a crise aperta a televisão desperta

10 Agosto, 2015

Tema do meu artigo no Observador: Agora que o Varoufakis se foi embora está na hora de mandar vir mr. Spock. Em Portugal em 1978 além do Caminho das Estrelas vieram também a Escrava Isaura; a Abelha Maia, a Vaca Cornélia… e até a Tele-Culinária que nao era televisao mas parecia deu uma ajuda. Em Portugal  1978 o socialismo foi para a gaveta. E a televisão saiu do armário.

uma desgraça

8 Agosto, 2015
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A enraizada mentalidade da esquerda e da extrema-esquerda portuguesas, para quem a iniciativa privada é sinónimo de trafulhice e a boa propriedade é apenas a que tem gestão pública, é uma desgraça nacional. Esta mentalidade explica muito bem o atraso atávico de Portugal, que não fez a Revolução Industrial a tempo com medo de perder os campos, que atrasou o caminho de ferro por receio das importações, que condicionou a indústria para evitar que a produção de riqueza fugisse ao controle do estado, que nacionalizou a propriedade privada porque ela tinha que ser de «todos» e não somente de «uns poucos» e que tem medo que as pessoas tenham liberdade para escolher a educação que querem, a saúde que querem, a segurança social que querem. O pretexto é sempre o mesmo, e é miserável: «no privado é para alguns (,,,) e no público é para os que menos podem». A esquerda e a extrema-esquerda portuguesas têm medo da liberdade e querem impedir que as pessoas possam crescer e progredir sem terem de andar de mão estendida à espera que o estado se lembre delas. Não acreditam que não se possa deixar ser miserável ou pobre toda a vida, e não se tenha de estar condenado ao assistencialismo do estado. A esquerda e a extrema-esquerda portuguesas têm medo da liberdade. Nem Salazar, que queria Portugal e os portugueses a viverem «habitualmente», pensava tão mal do seu país.

ilusionistas

7 Agosto, 2015
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O principal motivo pelo qual este PS não cresce nas sondagens e se arrisca até a perder as próximas eleições reside no facto de António Costa e da sua equipa terem apostado numa estratégia ilusionista perante o país: a ilusão de que, em 2011, o PS deixara o país em melhor estado do que agora se encontra; a ilusão de que o país não estava falido nessa altura; a ilusão de que o actual governo tinha alternativas às políticas de austeridade que aplicou e que só seguiu por esse caminho por «cegueira ideológica» e malvadez congénita; a ilusão de que o crescimento exponencial do desemprego foi consequência das acções do actual governo e que o governo anterior do PS não teve nada a ver com o assunto; a ilusão de que teria sido fácil negociar doutro modo com a troika e «pôr as pernas dos banqueiros alemães a tremer»; a ilusão de que um futuro governo PS fará disparar o crescimento do emprego; a ilusão de que o PS tem uma fórmula mágica para «virar a página»; a ilusão de que, se chegar ao governo, o PS terminará imediatamente com a austeridade. Ora, se alguma coisa de positivo têm os tempos de crise é o choque de realidade com que a maioria das pessoas se confronta, que as faz perceber aquilo em que nem sequer costumam pensar em tempos de normalidade. E quem passa por dificuldades e sacrifícios não se deixa levar com duas tretas.

avisem o costa

6 Agosto, 2015
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O FMI advertiu o governo português da necessidade de manter e reforçar as medidas de austeridade impostas nos últimos anos, tendo em vista o equilíbrio das contas públicas e a elevada expressão da despesa, em virtude de não terem ocorrido algumas reformas que a poderiam ter efectivamente reduzido, entre elas, a diminuição dos custos com a função pública e com as as pensões. Ora, considerando que teremos eleições legislativas dentro de dois meses e que existe uma razoável probabilidade do PS chefiar o próximo governo, admitindo que este cenário orçamental não se modificará substancialmente nos próximos tempos, é caso para perguntar se o FMI também comunicou este parecer a António Costa. E, já agora, o que tem o líder do PS a dizer sobre esta recomendação de um dos principais credores e financiadores do país que pretende governar, se é que tem a dizer alguma coisa que seja distinta do que tem dito até agora: que, consigo, a austeridade terminará no momento em que ganhar as eleições.

Reflexão tão superficial que chega a profunda ou vice-versa

6 Agosto, 2015

É no Verão, em particular quando me desloco para fora nas férias familiares, que sofro de uma terrível maleita chamada nostalgia. Recordo-me de quando o miúdo ainda não andava, de quando o carregava na piscina ou de o trazer às cavalitas na praia… E recordo-me de quando tinha pai, e não tinha filhos, e de não ser casado, e de quando só era filho, e de quando era, eu próprio, transportado às cavalitas… Muitas vezes faço contas, entre o que passou e o que, com sorte, ainda tenho para passar, que, se Deus ou a mera chance quiser, poderá ainda ser mais do que o que já passou. Penso na vida, no novo ciclo, nos amigos que se vão perdendo e na solidão a que nos vamos submetendo enquanto seres de hábitos no lufa-lufa que condensa o tempo num Inverno que teima em se alongar num ápice cada vez mais curto. Às vezes custa-me respirar, outras custa-me não o fazer. Às vezes estou simplesmente bem.

Enquanto tudo corre e a nossa cabeça, numa espécie de demonstração da teoria da relatividade, parece fixar-se num reviver do “já” passado a velocidade simultaneamente lenta e rápida, temos a lucidez para perceber que estamos a viver os melhores dos tempos, os piores dos tempos, os tempos, o nosso tempo.

Os jornais, as televisões, os debates, a política… Tudo parece estático, através de infindáveis micro-movimentos noticiosos, escandalosos, polémicos, cómicos, dramáticos, sempre à espera do amanhã melhor, culpando o presente e dando-nos uma sensação de perda constante de algo intangível, uma nostalgia fantasiosa de algo que nunca aconteceu como cremos ter acontecido.

Estamos a desperdiçar tempo, o hoje, se pensamos que amanhã é melhor. O istonãoseaguentismo está a dar lugar ao istoéomelhordesemprismo. O filme pode ser bom ou ser só assim-assim, mas o conceito está certo: isto é o “as good as it gets” (tão bom quão alguma vez será, traduzido para português como “Melhor é Impossível”).

Nem os trolls das redes sociais parecem sofrer disto, nem o PS parece perceber que o Istonãoseaguentismo não vencerá eleições após o Verão. O Istonãoseaguentismo só funciona no Inverno.

o maçães é feio. pim!

5 Agosto, 2015
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Um dia de trabalho numa cidade de Lisboa mais quente do que se deseja para trabalhar e duas viagens de comboio depois não foram contudo suficientes para evitar o contágio do «escândalo» do dia, profusamente divulgado pela nossa comunicação social, uns tweets trocados entre o secretário de estado do governo português Bruno Maçães e o economista e ex-assessor da Comissão Europeia Philippe Legrand. Em síntese, Maçães teria exprimido opiniões próprias de um imbecil, que provocaram um genuíno «gozo internacional» e a consequente humilhação pública da lamentável personagem.

Fui ler os tweets em causa.

Do que vi, Maçães limitou-se a exprimir a opinião de que Portugal está a crescer economicamente nos últimos anos, enquanto Legrand opinou o exacto contrário. Maçães não desenvolveu aprofundadamente os seus pontos de vista, como aliás é próprio do meio de comunicação utilizado, como também o não fez o seu opositor. No fim da «conversa» surgiu ainda um terceiro interveniente, também ele estrangeiro, que sem explicar porquê, afiançou que Maçães é um «funny clown»: «máxima humilhação!», proclamaram os comentadores indígenas, entre eles Pacheco Pereira, insuspeito de quaisquer excessos para com o pessoal político de Pedro Passos Coelho, e que prontamente redigiu uma tese de doutoramento sobre o tema para o Público de hoje (*).

Quatro são, todavia, as verdadeiras razões que justificam este ataque cerrado a Maçães e nenhuma delas tem a ver com a discussão propriamente dita: primeira, Bruno Maçães não é socialista e quem não for socialista não é inteligente, logo, não pode dar opiniões; segunda, Bruno Maçães pertence ao governo de Passos Coelho, pelo que não pode opinar sobre o estado do país que ajudou a governar nos últimos quatro anos; terceira, os oponentes de Maçães são estrangeiros, um deles até é francês e deve tocar piano, logo, são seguramente muito mais inteligentes e cultos do que o secretário de estado, apesar do notável currículo académico que este possui aos 40 anos de idade, obtido fora das capelinhas académicas nacionais; e quarta, a mais importante, há que reconhecer que Deus Nosso Senhor não dotou Bruno Maçães com a virtude da fotogenia, pelo que a malta gosta de o ridicularizar, insinuando, ou mesmo dizendo abertamente, que um tipo com aquela cara com que ele aparece nos jornais só poderá ser uma rotunda cavalgadura.

Ah, já agora: são estes lombrosianos modernos, que tiram a inteligência das pessoas pela fisionomia, os mesmos que rasgam as vestes contra a suposta discriminação da transessual Júlia Pereira, a candidata a deputada pelo Bloco. Uma gente ilustrada e vastamente culta, habituada ao melhor que há pela Europa e pelo Mundo civilizados.

(*) O citado artigo de Pacheco Pereira sobre «os tweets de um secretário de Estado chamado Bruno Maçães» foi aqui referido como sendo de hoje, o que não corresponde à verdade. Cheguei a ele via facebook, num post que ontem alguém editou com o artigo, e não verifiquei a a data da fonte documental. O texto parece, contudo, escrito ontem e a pretexto dos novos tweets de Maçães, e representa uma opinião de Pacheco sobre Maçães e Passos que não deve ter sido suavizada com o tempo. Deste modo, a confusão resulta igual ao litro, apesar de algumas virgens pudicas se terem incomodado, no twitter, com a falta de «rigor da direita». Problema deles.

Soluções alternativas para o BES II

4 Agosto, 2015

A 1 de Julho, 2014:

Os comunistas consideram que é chegado o momento de avançar para a nacionalização do Banco Espírito Santo e exigem esclarecimentos do Banco de Portugal e do Governo.

Soluções alternativas para o BES

4 Agosto, 2015

Estado pode ficar com 70% do BES sem traumas ideológicos

Pedro Sousa Carvalho

01/08/2014

Há outra opção para salvar o BES. O Banco de Portugal e Vítor Bento garantem que há investidores de fora interessados. Com as imparidades e provisões agora assumidas, os capitais próprios do banco ficaram reduzidos a 3 mil milhões de euros. Isto quer dizer que o BES precisa, no mínimo, de outros 3 mil milhões para repor os rácios a níveis confortáveis e acima do mínimo legal. E quem lá puser os 3 mil milhões, tendo em conta a actual capitalização, ficará com mais de 70% do BES, o que até parece ser um bom negócio.

O problema é que, enquanto não se perceber a real dimensão das perdas, nenhum investidor privado arrisca investir no BES. E para apurar as perdas totais vai ser preciso tempo. E tempo é coisa que o banco não tem. Como tal, resta o Estado, que ainda tem 6,4 mil milhões de dinheiro da troika precisamente para tapar buracos na banca. E aqui não se trata de salvar a família ou de nacionalizar prejuízos. Trata-se de salvar o património dos clientes e o sistema financeiro. E não precisamos de ter grandes pruridos ideológicos. Os bancos têm de ser nacionalizados quando têm de ser nacionalizados e ponto final.

Isto é muito bom

4 Agosto, 2015

PS confirma que a função pública não terá baixa da TSU

João Galamba defendeu que, no programa do PS, os funcionários públicos já serão beneficiados com a devolução dos cortes salariais.

Afinal havia uma maneira simples e constitucional de baixar a despesa pública: bastava aumentar os impostos gerais (IRS) e reduzir a TSU aos trabalhadores do privado. O Gaspar era uma amador.

Ah, e a reposição dos salários da Função Pública é um benefício e não a correcção de uma injustiça ou mesmo de uma ilegalidade.

Filhos diletos

3 Agosto, 2015

No Público, escreve-se sobre os angolanos encarcerados pelo regime de Zedu «…pedindo a libertação imediata de um grupo de 15 activistas presos desde 20 de junho sem acusação».

Esquece (ou ignora) o escriba que estar preso sem acusação formal é uma triste marca e herança deixada pela tradição jurídica portuguesa um pouco por todo o lado.  Os legisladores e juristas angolanos e os seus códigos legais são filhos directos ou indirectos dos eminentes juristas coimbrões, cuja cultura repressiva e abusiva  se espraiou por todos os  CPLP (com honrosa excepção do Brasil, que certamente por se terem livrado de nós mais cedo puderam cortar com tal malfazeja tradição).  Estar preso sem acusação formal por períodos que podem chegar a ser superiores a um ano (prender para investigar) , é algo de tão entranhado e aceite na cultura nacional (embora surreal ao nível de patamares mínimos de estado de direito), que o jornalista do Público nem se dá conta do ridículo de apontar como estranho ou anómalo se ocorrido em Angola. Mas que afinal é o que se passa todos os dias em Portugal.

Alternativa à austeridade

3 Agosto, 2015

O índice de actividade industrial grego. A alternativa à austeridade conseguiu um resultado inigualável em Julho.

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o grande conquistador

2 Agosto, 2015
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A ditadura da infância mais que perfeita

2 Agosto, 2015

Face ao espalhafato criado em torno da maternidade e da paternidade o que me admira não é que as pessoas tenham menos filhos. O que não entendo mesmo é como ainda existe gente com coragem para meter ombros a tal empreendimento.

O novo Messias já chegou

2 Agosto, 2015

Quem é o trabalhista rebelde que quer ressuscitar o Labour

Nova estrela do Labour: deputado, ativista e sex-symbol involuntário

O rebelde que vai ressuscitar a esquerda é um dos mitos do nosse tempo. Ser activista e sex-symbol também faz parte

Dão-se alvíssaras

31 Julho, 2015

A quem disponibilizar o texto integral deste acordo secreto que, provavelmente, vai permitir bloquear o acesso a sites, sem notificação do titular nem decisão judicial, a pretexto da defesa dos “direitos de autor”. A manutenção do articulado no segredo dos deuses e o historial do SEC Barreto Xavier não augura nada de bom para a liberdade de expressão.

O perigo chinês

31 Julho, 2015

Quando foi claro que a Fosun ia conseguir comprar o grupo de Saúde do Grupo Espírito Santo, [Isabel Vaz] foi para casa com a sua equipa de gestão. “Apanhámos uma bebedeira.”

O investimento chinês leva pessoas aparentemente sensatas a embebedar-se.

Cuidado com o sol

31 Julho, 2015

Cameron usou a expressão “a swarm of people” significando “um grande número de pessoas”. Vai daí a Lusa – uma autêntica calamidade – decide que “praga” é uma tradução mais gira que “um grande número”. E lá foram todos, alegremente atrás da praga auto-imune:

Boas férias, cuidado com o sol.

melhorou

30 Julho, 2015
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Apesar de algumas desistências de vulto registadas no CDS, que já aqui tínhamos referido, o anúncio de novos nomes na bancada parlamentar centrista permite manter alguma expectativa favorável quanto ao futuro. Entre eles, sobressai o nome de Francisco Mendes da Silva, sem dúvida um dos mais talentosos políticos da sua geração, que será seguramente um excelente parlamentar.

E depois queixem-se

30 Julho, 2015

Está instalada esta telha: fala o Governo e vai a comunicação a meio e já estão os líderes dos outros partidos a comentar. As televisões deixam a comunicação em si mesma, vão para os comentários e em seguida os comentadores comentam os comentários. Há muito tempo que isto é assim e com os protagonistas que agora estão na oposição sentados no governo e vice-versa embora os grandes partidos tivessem mais alguma institucionalidade no falar em cima. Mas agora vai em pior. Em primeiro lugar pq os socialistas impõem mais respeito , em segundo porque o inebriadamento com António Costa muita coisa desculpa e em terceiro pq este resolveu deixar de se tratar  a si mesmo como líder da oposição e entrou no campeonato da Heloísa Apolónia: Passos aparece a falar e ele imediatamente surge algures repetindo vezes sem conta o primeiro-ministro, o primeiro-ministro…

E Nossa Senhora de Fátima qual é o papel dela nessa teoria da conspiração?

29 Julho, 2015

Costa: “O Governo desculpa-se com a Constituição e com o TC mas devia era acender-lhes uma velinha”

O Verão em Beja e Amsterdão de bicicleta é mais ou menos a mesma coisa

29 Julho, 2015
O Governo quer que os funcionários públicos passem a andar de bicicleta ou à boleia de outros colegas através da partilha de carros do Estado. Para tanto, propõe-se gastar cerca de três milhões de euros num estudo sobre a caracterização das deslocações dos seus funcionários e na criação de estacionamento de bicicletas nos organismos da Administração Pública.

O DN voltou aos bons velhos tempos

29 Julho, 2015

e está a fazer um suplemento infantil. Para começar passou a ter um colunista que está para a economia como o Get Smart para a espionagem
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Enriquecimento injustificado

27 Julho, 2015

O Acórdão do Tribunal Constitucional que considerou inconstitucional a última tentativa, nesta legislatura, de criar o crime de “enriquecimento injustificado” pode ser lido aqui. A decisão, mais do que esperada, só torna mais patética a insistência da maioria parlamentar, que, nas suas próprias fileiras, teve quem avisasse, atempadamente da inviabilidade constitucional do texto aprovado. Em final de legislatura, não havia, de facto, necessidade.

ao contrário

27 Julho, 2015
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Apesar de ter quase garantido um confortável grupo parlamentar, que o afastará, por algum tempo, do estigma do «taxi», o CDS ficou completamente secundarizado ao PSD, na constituição das listas da coligação: nenhum cabeça de lista, Paulo Portas em número 2 atrás de Passos, alguns dos seus melhores quadros políticos afastados. Qualquer que seja o resultado eleitoral, ganhe ou perca a coligação, não será fácil ao CDS recuperar a sua identidade política, se é que verdadeiramente a teve e manteve nos últimos quatro anos. Tanto pior se a legislatura não durar quatro anos e se o partido tiver de enfrentar sozinho, com Portas ou sem Portas, novas eleições legislativas num horizonte curto de tempo. Mesmo se, por absurdo que quase pareça, a coligação ganhasse com maioria absoluta e governasse por mais quatro anos, oito anos de secundarização do partido a um governo chefiado pelo PSD e por Passos Coelho, também não lhe dariam grande saúde. O espaço político da direita irá sofrer convulsões profundas nos próximos tempos. E o velho sonho de Paulo Portas de fundir o PSD no CDS poderá acabar por acontecer. Só que com resultados inversos daqueles que ele pretendia.

E já agora além dessa circunstância pessoal pensa o quê? Estudou o quê?

27 Julho, 2015

Portugal pode tornar-se um dos primeiros países da Europa a ter uma deputada transexual

Mas assim ao certo qual é o sistema ideal?

27 Julho, 2015

Primeiro a pulseira electrónica era uma humilhação. Sócrates só podia ficar com polícia à porta.

Depois Ricardo Salgado teve como medida de coacção ficar sob vigilância policial em casa e isso tornou-se uma humilhação. Devia ter pulseira electrónica.

A seguir veio a questão da notoriedade. Pessoas tão notórias deviam ser constituídas arguidas muito rapidamente. Mais, pessoas tão notórias têm sempre o problema da sua prisão ser do conhecimento público e cruzar-se com o calendário político e já agora com a estação balnear na Comporta.

Assim proponho que Portugal adopte a investigação modelo cruzeiro. As pessoas conhecidas não são presas porque são imediatamente condenadas na praça pública. Vão fazer um cruzeiro.  Os juízes vão ao cruzeiro, interrogam-nos a bordo, as revistas do social fazem  reportagens sobre os cruzeiros… Enfim um encanto e ninguém fica condenado na praça pública. O julgamento também decorre de forma discreta. Pode ser no cruzeiro, no terminal dos cruzeiros que os há tão bonitos ou então em terra. E assim os notórios ou estão de partida e chegada ou, caso os juízes façam muita questão vão ao edifício do tribunal porque estão a colaborar numa audição às personalidades da sociedade civil que se têm distinguido no apoio àqueles anónimos que enchem as cadeias e aparecem nas notícias do crime. Se por fim forem condenados e admitindo que não podem continuar no cruzeiro opta-se pela crise mística. Diz-se que estão em retiro no carmelo. Uma pessoa vai para o carmelo e para lá fica até que literalmente Deus queira. O que não falta é gente que se meteu atrás das grades de um convento por largos anos. Ora que lindo seria os notórios virem falar da sua necessidade de se isolar do mundo…

Cumprida a pena os notórios voltam à vida de todos os dias sem que tenham sido humilhados, condenados na praça públicas e demais questões que notoriamente só se colocam quando as pessoas notórias são investigadas.  Os outros têm mesmo cara de criminosos e só são notórios na rua delese para a família deles.