A ler
*É curioso o que se passa relativamente a alguns escândalos políticos verificados recentemente em Portugal. Não colocando em causa o princípio da presunção da inocência, será que relativamente a algumas pessoas não havia já indícios mais do que suficientes de uma gestão da vida pessoal e profissional pouco clara e verdadeira? O que é mais estranho nestes casos, é a extraordinária tolerância que por vezes existe no seio dos partidos relativamente a esses casos, privilegiando-se o processo em detrimento da verdade.
*No que se refere à gestão empresarial, a realidade não é muito distinta. Num recente estudo promovido pelo Institute of Business Ethics, cerca de 77% dos inquiridos dizia que a empresa em que trabalha se pauta por padrões de honestidade. Aparentemente seria uma boa notícia. Mas será que se esse estudo tivesse sido levado a cabo no BES ou na PT há um ano atrás os resultados seriam diferentes? É pouco provável, porque não havia sinais claros de contestação interna. Os 77% representam provavelmente mais depressa um sentimento de pertença à organização do que uma convicção profunda de que a organização se pauta por comportamentos éticos. Na verdade, as pessoas tendem a ser tolerantes sempre que se encontram emocionalmente ligadas às organizações.
Um título realmente premonitório
Cá vai a causa paritária do dia
Mulheres portuguesas têm pensões 31% mais baixas do que os homens
Tendo em conta que as mulheres começaram mais tarde que os homens a exercer profissões remuneradas esta diferença é inevitável e transitória. Com tanta fúria de género ainda acabaremos a ter de indemnizar os homens porque até 1999 as mulheres se reformavam mais cedo que eles ou descobriremos que manter os privilégios dos funcionários públicos se traduz numa discriminação de género.
a quebra das convicções religiosas dos portugueses
Os portugueses são um povo de crentes? Talvez tenham sido, no passado. Mas hoje cada vez mais acreditam menos em Messias, e não parece que esta tendência se altere nos tempos mais próximos.
olha o ps preocupado com a «tragédia grega»…
dizem que é um especialista na teoria dos jogos
uma inabalável fé na democracia representativa
O ministro grego que está a «conduzir» as negociações em Bruxelas, admite eleições antecipadas na Grécia, caso não haja acordo com os credores. Diz ele que o Syriza não está mandatado para «abandonar o euro». Pois não. O mandato que os gregos lhes deram foi para acabar com a austeridade sem sair do euro, nem ceder aos credores. Para repor as situações anteriores a todas as ligeiras reformas iniciadas pelo governo anterior, depois de ter sido perdoada quase metade da dívida do seu país. Foi, portanto, um mandato muito claro, que não carece de esclarecimentos. Façam, então o favor de cumprir o que prometeram. Eles e, daqui por algum tempo, o Dr. Costa, se alguma vez chegar ao governo e se insistir neste mesmo caminho que tanto o tem entusiasmado.
para entender melhor o que se está a passar
Portanto
a) a Grécia escolheu o seu governo
b) o governo da Grécia acusa os credores e a UE de terem um comportamento crminoso para com a Grécia
c) o governo da Grécia avisa que caso os credores criminosos não emprestem mais empréstimos criminosos (que a Grécia não pretende pagar) muito criminosamente a Grécia entra numa grave crise provocada pelos criminosos credores que além de não serem ressarcidos são criminosos porque emprestaram no passado e criminosos no presente porque não emprestam
d) o governo grego avisa que o euro pode acabar caso não se façam mais empréstimos daqueles que a Grécia avisa que são ilegais, injustos e criminosos e que por isso não devem ser pagos
e) a paciência dos contribuintes dos outros paíes acaba quando?
importa-se de esclarecer?
Num bonito artigo escrito em forma de prosa poética, a deputada Isabel Moreira não se cansa de repetir que a Grécia fez «escolhas» que a «direita fanática» tem atacado com requintes de «crueldade e malvadez». Há, todavia, no artigo um qualquer lapso de raciocínio lógico que a deputada não esclarece: se as «escolhas» foram do povo grego e do heróico Syriza, que democraticamente o governa, por que razão «os efeitos devastadores» dessas escolhas hão-de ser imputados aos baixos instintos da «direita fanática»? Importa-se de esclarecer?
Notícias da Grécia

O parlamento grego legitima e democraticamente decidiu
que a dívida grega é ilegal e ilegítima e que não deve ser paga
Several legal arguments permit a State to unilaterally repudiate its illegal, odious, and illegitimate debt. In the Greek case, such a unilateral act may be based on the following arguments: the bad faith of the creditors that pushed Greece to violate national law and international obligations related to human rights; preeminence of human rights over agreements such as those signed by previous governments with creditors or the Troika; coercion; unfair terms flagrantly violating Greek sovereignty and violating the Constitution; and finally, the right recognized in international law for a State to take countermeasures against illegal acts by its creditors , which purposefully damage its fiscal sovereignty, oblige it to assume odious, illegal and illegitimate debt, violate economic self-determination and fundamental human rights. As far as unsustainable debt is concerned, every state is legally entitled to invoke necessity in exceptional situations in order to safeguard those essential interests threatened by a grave and imminent peril. In such a situation, the State may be dispensed from the fulfilment of those international obligations that augment the peril, as is the case with outstanding loan contracts. Finally, states have the right to declare themselves unilaterally insolvent where the servicing of their debt is unsustainable, in which case they commit no wrongful act and hence bear no liability.
Não contestando eu a legitimidade do parlamento grego para tomar esta decisão é também óbvio que não estão a pensar continuar a pedir mais dinheiro pois não?
A CGTP já mandou um delegado ao além?
José Saramago mantém depois de morto o ritmo de trabalho que o caracterizou até ao fim da vida. Hoje há mais um inédito.
Mortos por ódio e mortos por amor
PÚBLICO: Nove mortos em crime de ódio em igreja afro-americana em Charleston
Este falejar quer tão só dizer que nove negros foram mortos por um não negro numa igreja frequentada por negros em Charleston.
Se eles fossem brancos a notícia seria: nove pessoas mortas numa igreja em Charleston.
No primeiro caso mata-se por ódio, No segundo os sentimentos do assassino são irrelevantes. É assassino e ponto.
sondagem
O povo escolheu
O governo grego foi eleito democraticamente. O governo grego continua a contar com apoio interno. Não há manifestações contra o governo grego nas ruas de Atenas. Ninguém pede novas eleições na Grécia. Logo a única coisa que está em causa é se os contribuintes e eleitores dos outros países da UE têm de continuar a pagar o projecto que os gregos votaram.
doidos à solta
Alexis Tsipras e o seu mediático ministro das finanças Varoufakis declararam que assumirão a responsabilidade de «dar o grande não» aos negociadores internacionais, de quem esperam não se percebe exactamente o quê. A heroica proclamação vale o que vale, ou seja, não vale nada. Porque, uma coisa é assumir a responsabilidade de romper negociações e inviabilizar acordos, coisa diferente será assumir as responsabilidades pelo estoiro que a Grécia vai dar a seguir, se estes dois destemperados governantes cumprirem a sua promessa. Aí, as «responsabilidades» recairão sobre o povo grego, principalmente sobre as pessoas mais frágeis e desprotegidas, desde logo, os pensionistas que eles dizem querer preservar. E não se antevê que nenhum destes dois cavalheiros esteja disposto a vender o que é seu para pagar – nessa altura, certamente já em dracmas – as pensões dos infelizes que se preparam para desgraçar.
Não se percebe
Li algures que hoje se realiza a 47ª greve em 5 anos, na empresa Metro de Lisboa. Desta vez é contra a futura concessão da empresa.
Mas se uma empresa é assim tão má que tenha justificado em 5 anos tanta greve, não será mesmo melhor mudar de patrões? Não deveriam as 46 greves anteriores serem um poderoso argumento para os trabalhadores querem a concessão a outros gestores?
Para salvar o planeta «ne plus manger de Nutella»
A sério que estão preocupados?
Está a causar enorme preocupação no país o facto de militares na reserva poderem ser chamados a vigiar recreios das escolas. Finalmente o país preocupa-se com o perfil das pessoas escolhidas para tais funções. Quando os meus filhos frequentaram a escola primária — pública — foram pedidos mais vigilantes à autarquia e ao ministério. O resultado foi em alguns casos fantástico tanto mais que era suposto os nossos filhos particiuparem no esforço de recuperação dos cidadãos que nos calhavam em sorte. Recordo um notoriamente toxicodependente que também praticava alguns furtos e sobretudo não fazia nada. Perante a nossa apreensão os responsáveis ficavam mudos e calados. Azar o nosso o homem não ser militar na reserva. Quem sabe não seria? Nunca nos ocorreu perguntar-lhe.
O melhor é mesmo fazer uma palestra sobre o Alves Reis
Francisco Louçã irá nestas quarta e quinta-feiras ao Parlamento grego, liderado precisamente pelo partido de Alexis Tsipras. Louçã participará numa sessão de apresentação do relatório preliminar de uma comissão oficial de auditoria à dívida daquele país. Recentemente, a presidente do parlamento da Grécia anunciou a constituição de uma comissão de auditoria da dívida grega, a qual descreve como “uma ferramenta que permitirá reparar uma grande injustiça cometida em relação ao povo grego”. Além dessa comissão de auditoria, o parlamento deverá constituir outras duas comissões. Uma para investigar a situação que deu origem ao primeiro plano de resgate à Grécia, em Maio de 2010, e outra para examinar os pedidos de reparação à Alemanha pelos danos infligidos durante II Guerra Mundial.
Não sei se a sessão decorrerá com os ministros sentados no chão (fica bem nas imagens!) mas tenho a certeza que as três comissões – de auditoria à dívida; para investigar a situação que deu origem ao primeiro plano de resgate à Grécia, em Maio de 2010 e ara examinar os pedidos de reparação à Alemanha pelos danos infligidos durante II Guerra Mundial – concluirão que a Alemanha em particular e os credores em geral devem milhões e milhões à Grécia. Como de nada desse comissionismo nasce dinheiro o melhor é Loução fazer uma palestra aos gregos sobre um português chamado Alves Reis. Que só foi burlão porque fez em proveito próprio aquilo que muitos defendem hoje como política monetária.
Talvez esteja na hora de Tsipras mudar de credores
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, declarou esta terça-feira, num discurso endereçado aos deputados helénicos, que o comportamento dos credores oficiais tem como objetivo “humilhar” a Grécia e que a insistência numa política de cortes tem motivações políticas. Tsipras chegou a ir ainda mais longe, referindo-se ao Fundo Monetário Internacional (FMI): “O FMI tem responsabilidade criminal pela situação de hoje” na Grécia, disse.
Usando uma retórica mais agressiva, quando alguns esperavam uma mensagem conciliatória, Tsipras reforçou que pretende chegar a acordo com as instituições europeias e o FMI, mas com condições: “O mandato que temos do povo grego é para acabar com a política de austeridade”, disse. “Para o conseguirmos, temos de procurar um acordo que distribua o esforço de forma justa e que não prejudique trabalhadores e pensionistas”.
Portanto estamos nisto: o esforço que Tsipras pretende não pode prejudicar os trabalhadores e pensionistas gregos: os autarcas gregos também acham que estão muito esforçados e recusam transferir reservas municipais para o Governo grego logo o esforço terá de ir para o sítio do costume: os contribuintes dos outros países. Que além de terem de se esforçar ainda têm o prazer de ser insultados regularmente pelo Governo grego.
Deviam estar a viver onde?
Estamos todos lembradíssimos
O turismo mata a alma
Ontem vi o Prós e Contras, um dos poucos programas de televisão verdadeiramente fundamentais para se perceber quem somos, para onde vamos e, sobretudo, quem nos atropelou. Ontem era sobre uma temática verdadeiramente inflamatória, o flagelo do turismo na cidade de Lisboa, dividindo os portugueses entre os que querem regulamentar os locais que os turistas devem frequentar e os que os querem afogar no Tejo. Não me senti representado, o que já é bastante habitual.
Ficamos a saber, por exemplo, que o turismo em Lisboa está a crescer tanto que o único desfecho possível é a geração de uma nova Detroit, arruinada por ter colocado todos os ovos no mesmo cesto, isto quando o Egipto recomeçar a receber turistas – adiantou a moderadora. Ficamos também a saber que há turistas que chegam à Portela e nem sabem o que são nêsperas, o que é suficiente para levar toda uma população a ímpetos de extermínio genocida perante qualquer forasteiro. Aliás, um senhor que reside num dos locais históricos da cidade – a Rua Castilho – nem consegue dormir com umas espanholas estudantes de Erasmus, dificilmente consideradas turistas, mas enfim, que saem à noite e ainda têm o desplante de tomar banho a altas horas da madrugada, evidente síndrome de Jerusalem do tipo III. Aparentemente, os turistas têm o mau gosto de frequentar os mesmos sítios, condensando a sua patética existência nos eixos Baixa-Chiado e Belém-Castelo, negligenciando colossos turísticos como Frielas, Unhos, Abrunheira e a zona industrial de Terrugem. Cascais, Sintra, Ericeira e Mafra também são bombardeadas por estas aves raras de máquina fotográfica em punho, porém, o eixo Famões-Loures é completamente negligenciado pelos turistas, que necessitam de novas centralidades para melhor compreender e respirar a cidade.
Aparentemente, o problema é tão grave que até os sem-abrigo não conseguem dormir convenientemente um sono reparador, tal o barulho que estes hooligans causam ao frequentarem estabelecimentos abertos para os receber, obrigando os locais a deslocarem o descanso que retempera forças para esquinas de ruas mais tranquilas, longe do reboliço dos pantomineiros estrangeiros que estragam a alma da cidade onde, inclusivamente, se consome álcool. A Anita fadista é obrigada a cantar fado numa padaria de esquina durante o dia e a noites de insónia durante a noite, tal a oferta cultural que mantém estrangeiros em reboliço ali à volta da sua residência.
Turistas, sim. Mas não os turistas low-cost, que só incomodam. Pessoas que pouparam na viagem de avião para canalizarem o benefício para outros estabelecimentos na cidade estão a degradar Lisboa, com a reabilitação de prédios em ruínas para o aluguer de quartos, que ficarão completamente vazios e ao abandono – tipo, em ruínas -, quando Lisboa se tornar Detroit pela paz que há-de chegar ao Egipto.
Queria, publicamente, pedir desculpa aos residentes de todas as cidades onde já estive. Desculpem, nobres europeus, de Trondheim a Málaga, de Vigo a Istambul, por todo o incómodo causado por mim e pelos meus compatriotas, pela perturbação da vossa pacata vida com a nossa disruptiva visita. Não tenciono regressar e agradeço desde já a vossa reciprocidade.
Fim-de-semana na parvónia
Não gosto de polvo. Já tentei, de várias formas, incluindo vendar os olhos e chamar-lhe bife, mas, infelizmente, não gosto, com mágoa minha; talvez pelo aspecto do bicho, talvez por ter tido um trauma com ventosas numa infância que o tempo escondeu no fundo da mente, talvez porque o meu palato não se coadune com o desejo de ingestão de cefalópodes. Talvez seja apenas uma virgem vestal no que concerne à ingestão de polvo.
Apesar da minha relutância em participar em festim onde o odor a polvo esteja patente, compreendo que pessoas gostem de comer polvo. Parece comestível e milhões de pessoas antes de mim dificilmente estiveram erradas na escolha do bicho para deglutir. Porém, há esperança para pessoas como eu, para que não me sinta tão só neste mundo que come tudo e não deixa nada: há cada vez mais crianças que não gostam da comida.
Em parte culpo o governo: a austeridade que mataTM, a nudez que cria cataclismos que destroem as nossas praias, a exploração petrolífera desenfreada que dá ao planeta mais uns 50 anos para sobreviver depois do meu fim terreno, não mais, nem menos, para que sintam a minha falta, que avisei, e eu também sou jurista. Por outro lado culpo os próprios alimentos: as crianças não podem estar erradas – até são dignas de notícia de jornal -, os alimentos actuais devem ser mesmo maus e o seu sabor deve ser a polvo.
Já não basta as crianças terem que passar as férias escolares em casa, longe da escola e dos seus cheiros, ainda por cima só comem o que lhes apetece. Se ao menos o Estado não se demitisse da sua responsabilidade educativa, poderíamos ter um menu escolar de várias páginas para fornecer uma alimentação equilibrada e de acordo com os gostos pessoais de cada indivíduo da comunidade escolar. Assim, com duas ou três opções por refeição, como poderão as crianças ter melhor desempenho no exames nacionais que não geram melhorias nas aprendizagens?
É que isto está mesmo tudo ligado e a culpa é do Cavaco.
O infantilismo, doença degenerativa do socialismo
Tema do meu artigo no Observador: os partidos socialistas vão ficando cada vez mais fracos, os seus eleitorados mais irrealistas e disponíveis para apoiar os mais destravados populismos e as suas lideranças mais reféns dos índices de popularidade. (Qualquer semelhança com a actual situação do PS não é coincidência.)
Circulação de capitais
Isso seria ainda mais ridículo, não acha?
Varoufakis: Proposta do FMI para reformar pensões na Grécia “é ridícula”
E qual é a proposta não ridícula que o senhor Varoufakis apresenta? Claro que ridiculamente não está pensar que sejam os ridículos contribuintes dos outros ridículos países a pagar o seu não ridículo plano? Isso seria ainda mais ridículo, não acha?
Coisas que nunca percebi
neste tipo de raciocínios do ex PGR Pinto Monteiro: “A sentença que venha amanhã a condenar ou a absolver [José Sócrates] é uma coisa secundária porque a comunicação social esmagadoramente todos os dias lança cá para fora coisas”.
Pretendem o quê?
a) não se investigam pessoas conhecidas?
b) investigam-se em segredo pessoas conhecidas?
pais maus e perversos
Estes que querem reduzir o tempo das férias escolares dos seus filhos. Certamente foram vítimas de escolas tirânicas e castradoras, que os complexaram e os levam agora a tentar infligir aos seus filhos os castigos e penas porque eles em tempos passaram. Felizmente, ainda há pedagogos e cientistas sociais no Ministério da Educação para contrabalançar as coisas e proporem exactamente o oposto: que as férias aumentem! Esperemos que o bom senso triunfe e que os nossos bons-selvagens não sejam castrados no seu quase ilimitado direito natural ao repouso…
Algo correu muito mal nesta infância
Hoje é um dia bom para dar voz a todos os maluquinhos habituados a quererem coisas, normalmente um subproduto da existência de irresponsáveis dispostos a concedê-las. Este Jorge Ascenção, da Confap – que poderia ser Confederação Nacional das Associações de Palermas mas, na realidade, é mesmo a Confederação Nacional das Associações de Pais – farto que está de ter que aturar a canalhada durante o Verão, concede que os putos possam – vá – ter um mês de férias entre os períodos em que estão “na escola sem actividade lectiva, sem estar a estudar o programa curricular”. Isto porque “os miúdos precisam de respirar a escola sem ser dentro das paredes da sala de aula”, sei lá, nos telhados sem amianto ou na arrecadação com o professor que anda sempre de gabardina, a curtir a festa da arquitectura.
C’um caraças. De onde saem estas aves raras? O que lhes aconteceu no Verão de 1992 que os deixou assim, tão perdidos, deslocados, isolados num país tão cheio de liberdades para os gostos que cultivaram, tão desprovidos de meios financeiros para inscreverem os miúdos para a colagem de cartazes do doutor Costa ou para agitarem as redes sociais com solidariedade para com o Syriza? Quem lhes fez mal quando eram petizes?
Podem até tirar o socialismo do preâmbulo da constituição, não conseguem é tirar a imbecilidade ao maluco do socialista. Eu não quero os meus a respirarem “escola sem ser dentro das paredes da sala de aula” mas, se o Jorge Ascenção quer, não vejo motivo para não o enfiarem, junto com a família, a pintar as salas de aula das escolas da zona durante este Verão.
parque jurássico
O PS insiste em viver num mundo arcaico e antigo, saído das catacumbas da primeira Revolução Industrial e da literatura marxista do século XIX, onde o público e o estado são sinónimos de qualidade e de excelência e o que é privado representa o vil interesse pelo lucro e a exploração desumana do próximo. Isto está absolutamente desfasado do mundo moderno, pelo menos do mundo moderno e civilizado, onde já há muito se compreendeu que quem gera riqueza são as empresas privadas e os indivíduos, e que o estado, quando muito, poderá não lhes dificultar excessivamente o percurso para gerarem riqueza e emprego.
Só por preconceitos desta natureza é que se pode atacar a privatização de uma empresa integralmente falida como a TAP, que sucessivos governos, muitos deles do PS, nunca conseguiram viabilizar e levaram à ruína com decisões políticas suicidas, que tem um passivo descomunal do qual jamais seria capaz de recuperar sem o crescimento do seu volume de negócios, para o que carece de ser capitalizada com dinheiro e equipamentos vindos de um investidor. Como também é gozar com as pessoas dizer, como tem dito António Costa, que uma empresa falida e com um passivo gigantesco só poderá ser privatizada a 49%, o que pressupunha encontrar um imbecil que estivesse disposto a entrar com milhões para tapar o buraco financeiro da companhia e que depois ficasse a ver os gestores públicos nomeados pelo governo a gastarem alegremente o seu dinheiro. Isto, como é óbvio, não existe no mundo real, e só se o PS presumisse que o investidor da TAP continuasse a ser o contribuinte português é que se pode adiantar uma sugestão deste quilate. Felizmente, a União Europeia também vedaria esta solução: no mercado comum, as empresas que não são viáveis vão à falência, ponto.
É por causa destas e de outras parecidas com estas, por pertencerem a um mundo pré-histórico que as pessoas sabem que já não existe, que os partidos socialistas europeus têm vindo a perder eleitorado e muitos deles arriscam desaparecer do mapa. E o PS ou muda de conversa ou poderá muito bem vir a seguir pelo mesmo caminho.
que não se vivia um dia tão triste em Portugal como este em que foi decididida a venda da TAP.
A TAP é a última gesta de um país que não se vende, que não verga e em que a realidade não passa de um tigre de papel face à nossa vontade. E a nossa vontade é que Portugal seja o nosso Portugalzinho, com a nossa TAP, a nossa CIMPOR, as nossas cidades cheias de mercearias, drogarias e lojas de roupa que fecham à hora do almoço, o nosso Metro que não é o de Moscovo mas que gostava de ser e o nosso Grupo Espírito Santo que a bem dizer nem se distinguia do regime.
Este nosso Portugalzinho aconchegadinho onde todas as empresas têm o seu amparosinho não é socialista, nem comunista, nem social-democrata. É simplesmente o filho do mais português de todos decretos, essa espécie de Malhoa legislativo, o 474/75, emanado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia que a 30 de Agosto de 1975 nacionalizou a indústria cervejeira em nome “de uma política económica posta ao serviço das classes trabalhadoras e das camadas mais desfavorecidas da população”.
Em 1975, os portugueses bebiam cerveja sem qualquer problema, a cerveja era produzida sem qualquer dificuldade, o sector, no dizer do texto do decreto, era “altamente lucrativo” mas no Portugalzinho de 1975, tal como no de 2015, um negócio não se legitima simplesmente por correr bem. Em 1975 nacionalizava-se. Em 2014 não se nacionaliza mas é-se contra as privatizações. E em 1975 como em 2015 qualquer actividade económica tem de estar social e ideologicamente contextualizada. Em primeiro lugar seja o que for tem de dizer estar ao serviço das camadas mais desfavorecidas (esta visão bolo de bolacha da sociedade faz-me alguma confusão mas é o que há e garante logo vários milhões em benefícios fiscais). Ler mais…
Dê mais tempo a quem precisa
Quando caracterizamos alguém que diz que “é uma vergonha vender a TAP por metade do Jorge Jesus” como deficiente mental, estaremos a insultar alguém? Acho que não, estamos apenas a caracterizar de forma rigorosa a pessoa democrata que o diz, de acordo com a ética republicana e essas coisas.
Ideia do dia
A TAP foi vendida por metade da dívida do PS.
A propósito da TAP que vai deixar de ser nossa
alguém sabe como vão os Estaleiros de Viana desde que deixaram de ser nossos? Era bonito que o o PS se for gorverno também os comprasse.
Não percebem uma indirecta
Os portugueses esforçam-se para dar uma vitória eleitoral ao PS apesar de António Costa e o PS fazerem de tudo para dissuadir a população de tamanha irresponsabilidade. Agora é “PS suspende privatização se vencer eleições”. Se nem isto chegar para perder eleições, só restará a Costa rogar explicitamente aos portugueses para que não votem nele e, mesmo assim, não sei se chegará.






