Ou ele não percebeu o que lhe está a acontecer. Ou nós não percebemos o que está a acontecer
“Paguei todos os jantares. Isso vale alguma coisa para a sua cabecinha?” –– José Sócrates dirige-se nestes e noutros termos similares ao procurador que dirige a investigação do “caso Marquês”, Rosário Teixeira. Perante o teor desta resposta só há duas possibilidades: ou Sócrates não percebeu o que lhe está a acontecer. E isso é uma tragédia pessoal. Ou nós não percebemos o que está a acontecer E isso é uma tragédia nacional.
A isenção perfeita
Num post anterior, um comentador pediu-me para dizer mal de alguém, porque isto de dizer mal de quem ele gosta não está com nada, é preciso é ser verdadeiramente imparcial e dizer mal de quem ele não gosta. Parece-me uma boa ideia: cria-se um comité que decide o que é ou não publicado, de acordo com um critério democrático que consiste em recolher todos os pontos de vista e publicar essas – digamos – opiniões por ordem de quem berra mais. No fundo, uma delegação universal do culto socrático.
Começando então hoje o processo de discos pedidos: cada comentador interessado num tema deve dizer a frase e explicitar três virtudes de Sampaio da Nóvoa de forma a poder pedir um artigo a dizer mal da pessoa do PSD ou CDS da sua escolha. A frase do dia é: “já me passou a assadura da festa da arquitectura”.
Contemplando então o leitor reformaantecipada1967, que já disse a frase e apontou a Sampaio da Nóvoa as três virtudes – a saber: magrinho, comunista e taralhouco -, o tema é “Dias Loureiro, o bandido”. Ora, aqui vai disto, Evaristo:
Dias Loureiro é um bandido, diz-se por aí, dispensando julgamento e, para quê complicar?, dispensando também acusação. Acho mal que não se julgue Dias Loureiro na praça pública e, caso seja inocentado pelo tribunal popular, acho bem que interrompa a sessão parlamentar para receber abraços e beijinhos de quem estiver presente a discutir o fim da austeridade. Em qualquer dos casos, quer seja considerado culpado ou inocente pelo tribunal popular, acho que se deve imputar toda a culpa a Cavaco Silva pela desfaçatez de ter completado a A1, tornando assim o projecto de auto-estrada rosa na terceira Porto-Lisboa e não na segunda, como era suposto.
O comentador que teve esta ideia foi genial: isto de sermos perfeitamente isentos é muito libertador.
De disparate em disparate
O discurso que Cavaco devia ter feito
Sei que não devia ser eu a estar aqui. Contudo e já que tive a desfaçatez de me candidatar e os portugueses a sem razão de me escolherem vou fazer o meu último discurso como PR nesta data. Dentro de um ano espera-se que o país tenha voltado a ser o que deve ser. Não interessam os números, não interessam os resultados. Interessam os símbolos. E Portugal tem simbolicamente de ser o que é: um país em que a esquerda governa. Isso é natural. Isso é a República.
Pode Portugal ser algo fora disso? Pode. Mas para quê? Portugal não é um país para ser governado. Portugal é um pretexto para que bilhem aqueles a quem o poder naturalmente pertence. Para que aqueles em que encarnou a ética (republicana que só essa existe) ofusquem. Para que ele sejam. Portugal tem de voltar à sua gente. Essa gente a quem a rua, os salões, os gabinetes,as redacções pertencem. Pois só na sua gente e com a sua gente o País se cumpre.
Prática versus teoria
Não há referência, no programa eleitoral do PS, à revisão da prisão preventiva para investigar.
Preocupações sobre o tema esgotam-se num certo caso particular.
então e os outros?
O pessoal político próximo de José Sócrates tem utilizado a estratégia de intoxicação subtil da opinião pública e de diminuição do Ministério Público e do Juiz de Instrução manifestando estranheza e incómodo por, meses passados sobre a detenção preventiva do antigo líder, não haver ainda uma acusação. Com isto insinua-se que José Sócrates está ilegalmente detido e que o MP anda aos papéis, sem saber como o acusar, por falta de provas. Esta versão do que se está a passar é desonesta e indigna de pessoas que exerceram e pretendem voltar a exercer funções de responsabilidade política, como o augusto Augusto Santos Silva, que ainda ontem considerou «todo o processo muito peculiar», porque, «cerca de meio ano depois, ainda não há acusação».
A desonestidade disto é evidente, porque se pretende confundir a prisão preventiva de um arguido, que tem regras, requisitos e prazos previstos na lei, com a acusação desse mesmo arguido, fase processual para a qual a lei estabelece também prazos e requisitos, que não são, nem uns nem os outros, os mesmos da prisão preventiva. No caso, o MP pediu a prisão preventiva de Sócrates por considerar que se verificavam, neste arguido, dois dos requisitos que a lei considera suficientes para a decretar: perigo de fuga e de perturbação do inquérito (não apenas «destruição de prova», como insidiosamente se deixa cair nos comentários) e o juiz de instrução considerou-os válidos, assim como as instâncias superiores para as quais os advogados de defesa recorreram destas decisões; e está, o MP, a preparar a acusação, reunindo as provas que entender necessárias para a fundamentar, no prazo que a lei lhe concede e que não está ainda vencido.
Mas existe uma outra desonestidade destas personagens, desde logo do augusto Augusto Santos Silva, que raia o cinismo e a ignomínia: é que eles tiveram, têm e pretendem voltar a ter responsabilidades políticas, e nunca se lhes foi vista qualquer preocupação com o estado em que se encontram as muitas centenas (milhares?) de presos preventivos que estão nas cadeias portuguesas, sobre a sua posição processual, desde logo, sobre o cumprimento dos prazos acusatórios, e até de alguns, os mais desvalidos e desprotegidos, entregues a advogados oficiosos ou pouco escrupulosos, que não acompanham os prazos da prisão preventiva e muitas vezes os deixam passar sem requererem a libertação dos seus clientes, que continuam pelas cadeias até que alguém note que eles já cá deveriam estar fora.
Qualquer pessoa que estivesse, de boa fé, na posição do augusto Augusto Santos Silva aproveitaria a sua condição de responsável político, de ex e de putativo futuro ministro, para suscitar ao Ministério da Justiça, aos Serviços Prisionais ou seja a quem for com responsabilidades nesta área, uma auditoria à situação dos presos preventivos nas cadeias portuguesas, de modo a apurar, caso a caso, a situação de cada um deles e manifestar os mesmos horrores que manifestam agora sobre a detenção preventiva do seu antigo chefe. Menos do que isto é abusar da ignorância das pessoas, para manipular a justiça. A tal de quem eles sempre dizem que deverá seguir o seu curso sem pressões.
O borboleta que é uma traça
José não é condecorado hoje, após anos de sacrifício – o nosso – e de esforço – o do amigo – para que a obra fale por si própria. Mártir do seu próprio sistema prisional, vítima da sua própria revisão do código da prisão preventiva, unicórnio dos desejos humanos de um mundo de meritocracia a crédito e sem juros, José não receberá, na prisão, uma medalha pelo esforço de unificação orçamental europeia forçada, nem pela mármore escolar, nem pelo casamento entre o homem seu semelhante, nem pela amizade com Chavez, nem pelo Magalhães nos postos de carregamento do carro eléctrico, nem pelas ventoinhas subsidiadas nos montes, nem pelo PEC, nem pelo PEC II, nem pelo PEC III, nem pelo PEC IV, nem pelo memorando da Troika, nem pelo amor a todos, nem pelo comentário, nem pela “narrativa”, nem pela “inverdade”, nem pela “resiliência”, nem pela tomada de posição perante o vil jornalista, nem pela liberdade de expressão, nem pela tenda do Gaddafi em Cascais, nem pela subida do défice porque quisemos, nem por ter levado temporariamente o Freitas, nem pelo chip, nem pelo DEM, nem pelo jogging e tabaco na TAP, nem pelas camisas, nem pela namorada com quem dormia e por isso não podia ser gay (não que tivesse algum mal), nem pelo Freeport, nem pela dedicação escolar ao Domingo de manhã, nem pela co-incineração, nem pela limpeza abrantina da Wikipédia, nem pela Face Oculta, nem pelos robalos, nem pela nacionalização do BPN, nem por chamar estupor ao Schäuble, nem por livrar a mãe de herdeiros pouco meritórios, nem pela introdução da expressão “a velha” em campanha eleitoral, nem por nada, nem por tudo.
A culpa parece que é do Cavaco, que continua a não fazer o arremesso da medalha da condecoração para o pátio da prisão. Este Cavaco é capaz de ser antipático.
João Soares considera, relativamente ao caso Sócrates, que “há coincidências temporais muito esquisitas”. Declarações feitas à TVI24, esta terça-feira, quando questionado sobre a hipótese de uma acusação surgir em pleno período de campanha eleitoral. Soares lembrou ainda a expressão popular “eu não acredito em bruxas, mas que as há, há”: “Há aqui coincidências temporais que são de facto esquisitas. Mas não me parece que haja uma relação de comando mecânico entre a Justiça e o poder. […] Espero que ele [Sócrates] possa provar a sua inocência.”
Logo a começar o PS não devia ter feito a sua convenção para uma data em que sabia que ia ser revista a medida de coação. Depois temos os demais encontros partidários, a campanha eleitoral, as eleições elas mesmas, as condecorações do PR que com o agora mesmo se explicava na SIC com comoção dolorosa nunca condecorou Sócrates mas vai condecorar Teixeira dos Santos que, explica a vozinha off consternada, fez o pedido de ajuda externa contra a vontade de Sócrates… enfim Portugal não pode continuar sem Sócrates.
o processo de sócrates
A reacção do Ministério Público e do juiz titular do processo de José Sócrates não poderia ser outra da que foi tomada, depois do acto desafiador do arguido detido em prisão preventiva, de não aceitar a prisão domiciliária. E não podia ser perante a lei e perante a opinião pública, porque Sócrates e os seus advogados disseram que aceitar a prisão domiciliária seria manter a «injustiça» cometida desde o começo do processo e «validar o erro original do MP». Logo, a contrario sensu, qualquer outra medida menos grave equivaleria ao reconhecimento desse mesmo «erro», o que não só viraria a opinião pública contra os titulares do processo, como condicionaria mesmo a posterior apreciação e juízo do tribunal de julgamento. Por outro lado, convém não esquecer que o MP propôs a pulseira magnética por recear a fuga do arguido. Tem razão ou não tem, é discutível. Mas é esse eventual perigo, e não as ofensas sentidas por Sócrates, que o juiz de instrução tem de ponderar na sua decisão. E, pela decisão tomada, parece que o considerou muito elevado.
Posto isto, é da maior urgência a saída da acusação. E bem fundamentada, obviamente. Ainda que esta se circunscreva à factualidade já conhecida e apurada, deixando para outras núpcias outros eventuais factos prementes, mas que careçam de melhor investigação. Cada dia que passa, sobretudo depois desta inteligente atitude política de José Sócrates, é um dia perdido para a acusação e favorável ao certamente futuro acusado.
A TAP pode ficar Azul
Excluído que está o “candidato nacional”, o “aristocrata” Pais do Amaral que pretendia ser capitalista sem capital, podemos já contar com pungente choradeira do “Nicolaço” pela perda de mais um “centro de decisão”. Dos 2 candidatos remanescentes, ambos sul-americanos, parece-me que a brasileira Azul será aquela com melhor potencial para relançar a TAP. Ler mais…
Dia 12, sexta
I’m with stupid
Tsipras, Tsipras, companheiro, amigo, tu não estás a compreender o filme, pascácio. Os países do sul, ao contrário do que tu pareces conseguir perceber, não só apresentam uma frente unida como estão mesmo unidos. Talvez não consigas ver isso porque, bem, porque tu és o tolinho que está do outro lado da barricada, a imaginar conspirações e a delirar com vícios de puto burguês, percebes? És tu de um lado e os outros todos do outro. Sabes quando entras no elevador e toda a gente se ri sem saberes porquê? Eu sei, eu sei, alguns gregos votaram em ti, a maioria dos que se deram ao trabalho de votar, até. Mas isso dá-te legitimidade para seres o primeiro-ministro, não te dá o passe social para te armares em parvo.
Eu sei que o António Costa até curte o que tu dizes, até vê em ti uma esperança, uma luz ao fundo do túnel que permita continuar a tratar eleitores como uma cambada de estúpidos, como tão bem funcionou aí contigo, mas o gajo vira-te as costas se perceber que consegue obter mais votos a considerar-te um lunático. Pronto, o Rui Tavares vai a caminho e juntos ides conseguir escrever um manifesto, talvez um livro, e pronto, de razões está o inferno cheio, leva lá a bicla enquanto ainda te dão troco em vez dos cachaços que mereces, pá, e aproveita este rodapé que os livros de história te dedicarão.
Nos outros assaltos os assaltantes amam os assaltados
Um relatório das National Coalition of Anti-Violence Programs (NCAVP), uma associação norte-americana, revelou que, no ano passado, o número de homicídios de pessoas LGBT e de portadores do vírus do HIV aumentou 11%, refere o Guardian. As mulheres transgénero de cor continuam a ser as principais vítimas.“Sabemos que muitos incidentes são classificados como simples assaltos e que não existe nenhum componente de ódio óbvio. Sentimos que a vida das pessoas está presa num ciclo burocrático”, disse Chai Jindasurat ao Guardian.
Qual é a admiração?
Com o facto do MPLA exercer o poder autocraticamente? Sempre assim foi. Só que durante muitos anos, os mais sanguinários, o MPLA contou com fortes apoios na esquerda portuguesa e no mundo do progressismo. Não mudou nada. Ou melhor op MPLA de hoje é bastante mais tolerante do que de há alguns anos. Mas quanto ao resto nada mudou. So não viu quem não quis ver.
Massas

O rigor, a forma como a massa se dobra sobre si própria, providenciando um saco cama para 21 gramas de ricota e espinafres.
Se a massa da Ana, do Rui e do gato é, no total, 76 kg e se a massa do Rui é 36 kg e a do gato é 5 kg, isso significa que a massa da Ana é 35 kg. A Ana pesa sobre a superfície terrestre aproximadamente 343,7 N.
Ora, se a actual massa do Ferreira Fernandes for de 80 Kg, contando o factor Iñarritu e Arriaga, o seu peso quando raciocina será de aproximadamente 80,021 x 9,82 ≈ 785,8 N, uma força que, em modo automático, até magoa um prado verdejante.
A idade conta
“Irmos para a reforma aos 66 anos? Qual é o homem que vai conseguir manter a segurança na rua com 66 anos?”, pergunta César Nogueira, da APG.- O desempenho da ministra da Administração Interna com as polícias parece-me próximo do desastre mas antes que comece esta ladainha convém esclarecer que boa parte das tarefas desempenhadas pela GNR podem ser exercidas por pessoas com 66 anos e mais. A isto junta-se que a juventude das patrulhas não é propriamente uma coisa boa. A presença de elementos mais velhos pode contribuir para uma intervenção mais assisada
O estudo comprovativo
O ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa enviou questionários a cerca de três mil médicos, divididos pelas várias especialidades, sendo que 37 deles eram oncologistas. Segundo mais de metade dos médicos inquiridos, os doentes têm faltado mais a consultas. O mais espantoso vem a seguir: a análise sublinha ainda que os dados sobre as faltas dos doentes às consultas não deverão estar ligados a um aumento do número de consultas no Serviço Nacional de Saúde: “A perceção do aumento do absentismo dos doentes é mais elevada entre os médicos que afirmam não ter havido um aumento de atividade no SNS, do que para os médicos que afirmaram existir esse aumento. Assim, o absentismo dos doentes não parece ser reflexo do aumento da atividade no SNS. Não sendo possível determinar quais as razões desse comportamento, as análises realizadas sugerem dificuldades no acesso”, referem os autores.
Assim ficamos a saber;
a) Terá havido aumento de actividade do SNS
b) Isso não interessa nada. O estudo destinava-se a comprovar que os utentes faltam aos tratamentos oncológicos por razões socioeconómicas
c) As únicas declarações que interessam para o estudo são as dos médicos que afirmam não ter havido um aumento de atividade no SNS
d) “Não sendo possível determinar quais as razões desse comportamento” ( o absentismo) recorre-se a certeza que já existia anteriormente: ps doentes faltam ás consulta spq não pdem pagar os transportes e as taxas moderadoras.
e) Ou Sócrates sai a tempo de Évora e se candidata a qualquer coisa ou a TVI acabará a entrar em estado depressivo
Análise política do dia
Acções de Sócrates são consistentes com o seguinte plano: perturbar a campanha de Costa para o fazer perder e possa chegar a líder do PS depois das eleições.
Summer of Love (reprise)

Separação de poderes
A mãe de um rapaz norte-americano, nascido em Jerusalém, pediu que no passaporte do filho constasse como local de nascimento “Israel”. O pedido foi recusado, dando início a uma longa batalha judicial, que terminou hoje.
Em 2002, o Congresso americano aprovara uma lei que impunha aos serviços responsáveis pelos assentos de nascimento e emissão de passaportes o dever de fazerem contar daqueles documentos a indicação “Israel”, caso tal fosse solicitado pelos interessados nascidos em Jerusalém.
O problema é que os Estados Unidos nunca reconheceram a soberania de Israel sobre a cidade de Jerusalém. Desde 1948, quando o Presidente Harry Truman reconheceu o Estado de Israel, que Jerusalém ficou de fora. Nenhum dos Presidentes que se seguiram alterou esta posição.
A lei que o Congresso aprovara parecia contrariar aquela posição oficial, pelo que e a questão, em si mesma quase insignificante, acabou no Supreme Court. Ler mais…
Summer of Love, 2015
Costa continua a mentir-vos, cheio da pujança balofa de quem tem certeza estar perante plateia exclusiva de imbecis, ao afirmar que reduziu a dívida da câmara de Lisboa em 40%. Ele sabe que mente, vocês sabem que ele está a mentir: enfim, típico ritual de acasalamento.
É uma perda de tempo explicar que a perspectiva muda quando se consuma o acto amoroso. O instinto diz-nos para nos reproduzirmos; a emoção diz-nos que o baldas da mota tornaria o imperativo biológico em diversão; a razão diz-nos que mais vale só do que mal acompanhado, mas só depois da fatídica noite. Costa promete-nos o regresso à inocência virgem de quem sabe que vai ser comido por lorpa mas ainda não se importa. É uma campanha de Verão, para adolescentes. Tem tudo para funcionar.
A reforma faz bem à saúde?
A pergunta- A reforma faz bem à saúde? – é de Maria João Valente Rosa responsável pela PORDATA,. Em entrevista ao Observador questiona a actual forma de organização dos tempos ao longo da nossa vida; “Esta organização que nós temos de sociedade foi montada para sociedades muito jovens, em que existiam poucos velhos, as pessoas viviam pouco tempo depois dos 65 anos. A pessoa tinha um tempo para estudo, tinha um tempo para trabalho e um trabalho extremamente intensivo. Eram sociedades muito marcadas pela força física, pela intensidade física do trabalho. Neste momento o que marca as sociedades não é tanto o músculo físico mas mais o músculo intelectual (e o músculo intelectual não tem idade!). E nós montámos essa organização de ciclos de vida: uma idade para se formar, uma idade para se trabalhar… E de um momento para o outro a sociedade mudou e continuamos com esse modelo, como se fosse um modelo que tivesse de ficar para sempre.” “A pessoa tem uma vida completamente centrada em algo que é o trabalho e de um momento para o outro perde esse trabalho. Eu sei que as pessoas anseiam pela reforma (…) mas passados dois anos, três anos há um vazio profundo. E há um vazio não só em relação a elas próprias como em relação àquilo que eles têm para transmitir aos outros. E isso é terrível a nível individual. Resta saber e essa é a pergunta que eu sempre faço: a reforma faz bem à saúde?”
E quem o mandou iludir-se com o primeiro ministro grego?
Juncker diz estar “dececionado” com o primeiro ministro grego
Se se tivesse deixado de palhaçadas e tivesse mais siso nas suas atitudes provavelmente teria percebido que Tsipras nunca enganou ninguém. Simplesmente há pessoas que vivem de se enganar e de enganar.
Em que ficamos?
26 de Janeiro: o líder parlamentar do PS, Eduardo Ferro Rodrigues, defende que o resultado das eleições na Grécia “é a primeira demonstração” de que “há um consenso alargado nos países que são vítimas do fracasso estrondoso das políticas de austeridade, no sentido da mudança”. E acrescenta:“Qualquer ameaça à Grécia deve ser considerada antidemocrática e antieuropeia.”
6 de Junho: Ferro Rodrigues quis evitar confusões, afirmando que o PS não é o Syriza. “Somos um partido de centro esquerda. Não temos nada a ver com o Syriza”.
Agora que está na moda não dar vacinas
o deputado Ferro Rodrigues uns dias é a favor outros contra a vacina Syriza e também não se define na maleita que essa vacina combate
6 de Junho , Ferro Rodrigues afirmou que o executivo de Passos Coelho anda a tentar “criar com a Grécia uma espécie de vacina” contra os partidos que defendem políticas anti-austeridade.
30 de Janeiro: Ferro quis saber se o primeiro-ministro se colocará ao lado “dos falcões da austeridade, fazendo da Grécia uma vacina contra qualquer desvio à austeridade, ou se incentivará uma solução de compromisso” na União Europeia.
O adepto
Está desmotivado?
Sem nada que o interesse? Ninguém lhe telefona? Não sabe o que fazer? Quer recuperar a alegria de outrora?… Desde que não tenha sido militante do PS temos a solução para o seu problema. Contacte o PS e diga-se disponível para aceitar ser convidado de honra nos eventos do partido (convenções, pequenos-almoços..governos tb serve)
Mais um Trabant
No dia em que Bruno de Carvalho apresenta Jorge Jesus como treinador do Sporting, apresentar António Capucho como votante PS tem tanto impacto como culpar batatas fritas pelo excesso de peso. Porém, é isto que o PS tem para apresentar, nada mais: um conjunto de gorduras saturadas na própria banha da auto-importância.
Vieira da Silva, Ferro Rodrigues, António Capucho, António Costa… A renovação do parque automóvel com uma frota de Trabant 601. Nestas eleições, a única coisa que está em jogo, é a escolha entre um governo e DDTs. Nunca a melancolia do fado esteve tão espelhada numa eleição popular.
Combustíveis simples aditivados
Combustíveis Combustível da BP é pouco simples e regulador não gosta
Deve uma empresa ser impedida de melhorar um produto que vende aos clientes? A Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis acha que sim. Se é simples, tem que ser simples, sem possíveis melhorias.
Uma solução para as gasolineiras é venderem o combustível e o aditivo em separado. O cliente selecciona na bomba se deseja aditivo e se seleccionar “sim” o aditivo é injectado no combustível à medida que ele sai.
Podem até desenvolver uma forma artesanal desta solução: vender frasquinhos de aditivo. Podem até fazer promoções. Por cada 20 litros de gasolina o cliente recebe um frasquinho grátis de aditivo.
(Via Insugente)
capuchinho vermelho
Chamem o ISIS para acabar com os heréticos das contas
Livre diz que sustentabilidade da Segurança Social é “sacrossanta”
Propostas do LIVRE para a Segurança Social:
a) Benzer-se todos os dias
b) Ir a Fátima de joelhos
c) Virar-se para Meca
d) Bater no peito
e) Convencer o Papa a declarar santas as reformas calculadas sobre o ultimo vencimento
f) Fazer um exorcismo ás contas da Segurança Social
g) Mandar a aritmética para o inferno
E a luta?
FMI. Grécia pede autorização para não pagar hoje
E a luta contra o capital? E o bater o pé aos credores? Pedem autorização ao FMI? Ao FMI? Mas onde está o Syriza que ia levar à vitória a gente que não desiste, que não dobra, que acredita? E a alternativa? E a união dos povos do sul? E o fim da Europa dos interesses? Pedir ao FMI? Onde é que isto já se viu…
Novo imposto sobre heranças elevadas e outras taxas
O PS propõe a redução faseada da Taxa Social Única (TSU) até 4 pontos percentuais em 2018 e estima que isso terá um impacto positivo de 1050 milhões de euros na economia, antecipando o aumento da procura e dos níveis de consumo dos portugueses. –REZEMOS!
Esta redução gradual da TSU – que voltará a ser reposta em 2018 -, segundo os especialistas do PS, levará a uma diminuição das pensões entre 1,25 e 2,6 pontos percentuais em 2027. Socialistas garantem que isto não afectará quem se reforme nos próximos cinco anos, nem haverá impacto nas pensões mínimas. — DEPOIS DOS CINCO ANOS ACONTECE O QUÊ?
Os socialistas tencionam cobrir o buraco da redução da TSU até 2018 com aumento da procura e IRC, novo imposto sobre heranças elevadas e outras taxas vão dar mais 850 milhões. — ORA AQUI CHEGAMOS AO QUE INTERESSA. VAMOS TER AUMENTO DE IMPOSTOS. ALIÁS É ESSA A NOTÍCIA. SERÁ TB INTERESSANTE PERCEBER SE EM 2018 QUANDO O PS DIZ JÁ TER COMPENSADO A REDUÇÃO DA TSU O “novo imposto sobre heranças elevadas e outras taxas” SÃO PARA MANTER OU NÃO.
Alan Smithee
esperteza saloia
Só numa sociedade desprovida de valores morais e éticos é que um episódio como o da transferência do ex-treinador do Benfica pode ser aplaudido e louvado, como se de um triunfo se tratasse. Não ignorando a dimensão verdadeira da coisa – uma torpe negociata do mundo do futebol -, nem incorrendo em moralismos de costureirinha de Sé, tão pouco enfatizando a eventual proveniência duvidosa do dinheiro que pagará a transferência e o generoso salário, talvez de cofres tão verdes, ainda que nada desportivos, como os do clube que irá servir, não pode deixar de se considerar a importância e o relevo dados a uma das mais grotescas manifestações públicas de despudor profissional de que tenho memória. As reacções ao sucedido, sejam as de apoio sejam as de repúdio, também deixam bastante a desejar. Porque, na verdade, quase nenhuma tem tocado no essencial: na falta de valores éticos que qualquer profissional deve prezar no seu curriculum e que devem ser sempre considerados no preenchimento de lugares de chefia e de direcção, como é o caso. De facto, trocar o seu posto de trabalho por um igual no outro lado da rua, numa actividade profissional de fortíssimo protagonismo pessoal, poderá ser compensador financeiramente mas revela falta de carácter e de inteligência profissional. Não por acaso, mas por vergonha e pudor, há quase cem anos que não acontecia nada igual a isto, como lembra o Público. Num país civilizado, a censura e a pressão da opinião pública contra os protagonistas deste episódio condená-los-ia, a todos, num prazo muito curto. Em Portugal, há muito quem se regozije com a esperteza saloia das criaturas.
Leituras:
Estão a vê-los?
Agora riem-se mas daqui a dez anos teremos o provedor dos caracóis, os activistas dos caracóis, as televisões estarão cheias de pessoas horrororizadas com o sofrimento dos caracóis, os jornais trarão diariamente artigos sobre a felicidade decorrente da vida em harmonia com os caracóis, o ISCTE fará um seminário as questões de género dos caracóis numa lógica das dinâmicas da precariedade na sociedade pós-capitalista e o professor Nóvoa explicará que há que olhar o caracol com metáfora do eu à beira do rio que foi triste. Não acreditam? Depois falamos.
Memória (ou falta dela)
O Estado de Direito não se confunde com Estado de leis. A constante alteração das leis está a minar os fundamentos do Estado e do Direito. Deve seguir-se, como orientação prudente e conservadora do Estado e das suas instituições, o princípio segundo o qual todas as leis do Estado necessitam de avaliação da sua eficácia – e este princípio estende-se à avaliação dos projectos e das propostas de lei. [do programa eleitoral do PSD em 2011]
Em 2011, o Deputado do PSD Paulo Mota Pinto avaliava assim o projecto de lei do seu próprio partido sobre o crime de “enriquecimento ilícito”. O Projecto viria, apesar disso, a ser aprovado, para ser mais tarde travado no Tribunal Constitucional.
Em 2015, o PSD volta ao tema, com o projecto de lei que cria o crime de “enriquecimento injustificado”. O mesmo deputado volta a afirmar que considera que o novo texto continua a ser inconstitucional. Mas nada disto impediu a sua aprovação.
Parece que há um regulamento interno do grupo parlamentar (dão-se alvíssaras por uma cópia) que obriga os deputados a votarem contra a sua consciência, mesmo em matéria não orçamental ou que nem sequer constava do programa eleitoral com que foram eleitos. De qualquer modo, se se aprovam regulamentos internos claramente inconstitucionais, não há razões para não aprovar leis inconstitucionais. Como alguém disse em tempos, o Estado de Direito não se confunde com Estado de leis, mas em ano de eleições isso não interessa nada.






