Parece um conto de crianças
While replete with good intentions [programa do Syriza de 2012], it is hort on detail, full of promises that cannot, and will not be fulfilled (the greatest one is that austerity will be cancelled) — Yanis Varoufakis, novo Ministro das Finanças grego, em 2012
“Houve um pouco de ‘bluff’ da nossa parte” — — Yanis Varoufakis (2015)
(via Insurgente)
josé freire antunes
Aos 61 anos de idade, morreu ontem, em Versalhes, José Freire Antunes. Se nunca é hora tardia para partir, José Freire Antunes deixou-nos cedo de mais. A ele devemos algumas das melhores páginas da história política contemporânea portuguesa e foi pena não ter tido tempo para mais. As nossas homenagens e sentimentos à Família.
Eu sei que o Syriza nos tem dado que fazer
mas alguém em consegue decifrar este texto do dr. Soares sobretudo aquela parte em que explica que Obama “um político de uma inteligência e visão extraordinárias, fez baixar o preço do petróleo por toda a parte, tentando ao mesmo tempo limitar a fúria dos oceanos e a consequente formação de gelo que este ano, excecional, atingiu as duas costas dos Estados Unidos e outros continentes.”
nós é que somos o syriza cá da terra
E não o Rui Tavares. Momentos de grande diversão proporcionados pelos Che Guevaras indígenas. A não perder os próximos capítulos, que nos poderão trazer outras dúvidas existenciais de grande pertinência, como: «Seremos todos Syriza?»; «Todos os Syriza são iguais, ou haverá Syrizas mais Syrizas do que outros Syrizas?»; «É possível reconhecer anatomicamente um verdadeiro Syriza português?»; «Deverá o Alexis Tsipras português comer tripas e ser do FCP?». Ou mesmo inspirar a realização de trabalhos académicos com títulos sugestivos, tais como: «Ansiedades e perplexidades em torno do movimento syrizico mundial: Prolegómenos de uma problemática pertinente, urgente e consistente» (doutoramento apresentado no ISCTE, sob orientação do Professor Bagão Félix); «Pela mão de Tsipras – O Social e o Político na Pós-Modernidade Syrizica» (doutoramento apresentado na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, sobre a orientação do Professor Boaventura Sousa Santos); «O Direito Público Europeu antes e depois de Alexis Tsipras e o advento de uma Nova Ordem Mundial» (doutoramento apresentado na Faculdade de Direito da Universidade Clássica, sob orientação do Professor Diogo Freitas do Amaral); «Os Fundamentos Político-Filosóficos dos Syrismos Grego e Português» (doutoramento apresentado no ISCSP, sob orientação do Professor Adelino Maltêz). A seguir com toda a atenção. Possível…
O seu nome é Aristides Baltas.
A extrema-esquerda lava mais branco
já não se fazem che guevaras como antigamente
O fim da demagogia
Dez ministérios? Boa! Vamos a isso! E tenho outra proposta: reduzir de sete para cinco o número médio de administradores das 50 maiores empresas portuguesas. Já viram quanto isso poupará aos accionistas ou quanto o investimento no país poderá aumentar? É fazer as contas: 250.000 euros x 2 x 50 = 25.000.000. Por ano. Há todavia um pequeno problema, é que isto não é economia, é demagogia.
Tsipras faz governo só com 10 ministérios — 27 de Janeiro de 2015.
O Syriza ganhou na Grécia mas em Portugal a Quinta Divisão já começa o seu trabalho
Mal ganhou o Syriza em Portugal começaram a afiar as garras. Uma reportagem de José Rodrigues dos Santos sobre as fraudes na Grécia tornou-se no pretexto para mais uma vez manifestarem a sua visão da liberdade de informação: liberdade é mostrar o que nós achamos que deve ser mostrado. As referências ao programa de férias pagas criado pelo governo grego, os subsídios por invalidez – pesquisem ilha dos cegos, Zakynthos – a não declaração dos rendimentos e bens.. tornaram-se ofensivos porque não cabem na narrativa oficial.
Interessante será acompanhar de agora em diante a forma como vai ser noticiada a Grécia. Para já temos a grande operação de apagamento e limpeza sobre o erpfil do parceiro de coligação do Syriza. As papoilas saltitantes que estariam a arrancar as vestes com a indignação pelo facto a extrema-direita xenófoba e homofóbica estar num governo da UE agoram fazem de conta que não vêem nada.
Só mais uma perguntinha? Vá lá
Pergunta hoje a TSF no seu Forum: Que lições se podem tirar dos resultados eleitorais na Grécia? De que forma é que a vitória do Syriza, e o vendaval que varreu o sistema político grego, pode influenciar as eleições em Portugal?
Podem fazer só mais uma perguntinha. Não custa nada. Seria qualquer coisa do tipo: “Portugal deve perdoar ou renegociar com a Grécia os 1.100 milhões de euros qe emprestou àquele país em 2010 e 2011?”
mon ami hollande
Como pretende Alexis Tsipras resolver o problema do buraco financeiro em que o seu país se encontra? Através de um conjunto de medidas que apontam, todas elas e o seu conjunto, para o abismo inevitável: nacionalizar a banca, centralizar o controlo dos preços e sacar o dinheiro dos «ricos», para que eles lhe paguem os seus disparates. Ora, se Tsipras fosse um pouco mais culto e menos fanático – a confirmarem-se estas promessas, obviamente -, ele saberia da História que nada disto funciona e que resulta, inevitavelmente, no exacto contrário do que é suposto ele pretender. Sobre a nacionalização da banca, por exemplo, poderá analisar os resultados do que aconteceu em Portugal a partir de 1975, quando, nesse ano, se entregaram ao «povo» bancos pujantes, para que os mesmos fossem devolvidos aos seus anteriores proprietários, alguns anos mais tarde, completamente falidos. Sobre o controlo centralizado dos preços, há um sem fim de exemplos históricos das consequências do disparate: bastará ir às economias planificadas do bloco soviético do século XX, ou, se preferir aprofundar as origens da coisa, ao «máximo» jacobino da Revolução Francesa. Por último, quanto a aprisionar os ricos e as suas fortunas, ele que ponha os olho no que o «son ami» Hollande conseguiu com uma graça parecida com essa. Não tem de se esforçar muito, o camarada Tsipras, para perceber o enredo de disparates onde está metido e onde pretende meter o seu país.
As vitórias não todas iguais. Graficamente falando, claro.
estado social a sério
Um verdadeiro estado social não pode deixar estes casos de lado. O Tsipras ainda tem muito para aprender connosco.
Nouvelles de Sparte et Athènes
“A eleição de Tsipras cria uma nova situação política na Europa, que pode ser medida pelas reações conservadoras. Conseguirá Tsipras estar à altura do desafio? Ele promete um “novo começo” para a Europa, renegociando os termos do pacto fiscal conservador que atualmente mergulha o continente numa política recessiva.” (link)
“Esses resultados traduzem a insatisfação não somente em relação à crise, mas pela forma em que ela está sendo tratada. Merkel apresenta uma solução liberal clássica: de que para reverter a crise do capital se deve reduzir os gastos públicos. A vitória do Syriza é sinal que há outras maneiras de se enfrentar a crise, não tem de ser assim. A crise do capital se resolve mediante elevação dos gastos públicos para reativar o setor produtivo. A política conservadora atende aos banqueiros, a keynesiana o povo” (link)
“Tsipras: “Recuso-me a aceitar que a Europa esteja condenada à austeridade sem fim” (link)
“Tsipras rejeita novos esforços para conter a despesa, colocando a prioridade no crescimento. O recém eleito primeiro-ministro grego descarta toda e qualquer possibilidade de novos cortes orçamentais.” (link)
“Tsipras afirmou hoje que a Europa deve apoiar a Grécia, que é pela solidariedade e não pela austeridade sem fim que os objetivos serão alcançados” (link)
“Vitória do Syriza representa fim da austeridade da era Merkel. Durante toda a campanha, Tsipras apresentou as medidas de austeridade implementadas como extremamente prejudiciais para a Grécia, que desde 2009 vive momentos conturbados. Tsipras prometeu forte intervenção do estado, investimentos, gastos públicos e incentivos. Sua eleição reflete um movimento crescente na Europa, de rejeição às políticas ortodoxas dos líderes da Zona do Euro, já que as medidas austeras parecem aprofundar ainda mais a crise econômica, ao invés de afugentá-la. A eleição de Tsipras mostrou que existem outras formas de enfrentar o problema.” (link)
“A austeridade já não é uma fatalidade – Alexis Tsipras, hoje eleito primeiro-ministro grego, afirmou que numerosos países na Europa sentiram alívio e esperança com a sua eleição porque a austeridade já não é uma fatalidade” (link)
“O novo ministro grego das finanças, Yanis Varoufakis, declarou o fim da austeridade no continente europeu. ‘Isto é decisivo, é uma mudança na história do projecto europeu desde o início do euro. Nós testemunhamos de certa forma o fim da austeridade financeira e o fim do dogma da austeridade’, disse Varoufakis à rádio Europe 1.” (link)
“Hoje mesmo, responsável pelo futuro do nosso país, estou ciente de que toda a Europa nos observa”, disse Alex Tspiras. “Na hora em que o resultado foi anunciado, tive a certeza que em diversos países europeus houve um sentimento de alívio e de esperança, de que, por fim, a austeridade acabou” (link)
Brincar ao faz-de-conta
Esta característica assim para o barroco das lei eleitorais portuguesas assume um caracter particularmente divertido no caso da Madeira.
O seu Estatuto determina que em caso de dissolução do seu parlamento se fixem as eleições «no prazo máximo de 60 dias». Por seu turno, a Lei Eleitoral da Madeira determina que as mesmas sejam fixadas com a «antecedência mínima de 55 dias».
Sobram portanto 5 dias à escolha….para que se entretenha o Representante a «ouvir os partidos politicos», o Conselho de Estado a reunir e finalmente o senhor PR a «determinar» a data, a qual terá de ser obrigatoriamente um «domingo ou feriado» pelo que…
Muito bem! Adivinhou! O único dia em que podem ser marcadas eleições regionais é 29 de Março!
para pior já basta assim
Para aqueles que acham que pior do que já está a Grécia não fica, temos novidades: até no inferno a coisa pode piorar.
Quando se toma por verdadeira a tese dos fundamentalistas acaba-se invariavelmente a fazer figura de cobarde e a promover a ignorância
Como se resolveu fazer de conta que é verdade que os muçulmanos não representam Maomé as obras de arte islâmica em que Maomé é representado estão a ser banidas. Agora foi a vez do Victoria & Albert Museum

Vê-se que a Grécia não é um país sério…
…quando o líder vencedor das eleições toma posse como primeiro-ministro no dia a seguir às eleições. A Grécia junta-se assim ao Reino Unido nos países que levam estas coisas de forma ligeira e pouco cuidada.
Já em Portugal, as coisas piam mais fininho e há uma seriedade impar, que infelizmente os outros países não dão o devido valor. Mas deviam.. Há quem diga que é um cerimonial barroco, uma inutilidade absurda, ou apenas mais uma estupidez permitida pela Assembleia da República e as suas ovelhinhas amestradas. Mas isso são certamente más linguas reaccionárias.
Atente-se bem na bela e distinta sequência:
Há eleições, aguardam-se 15 dias pela «publicação oficial dos resultados», depois o PR leva apenas uma semanita a consultar todos os partidos, convoca para a semana a seguir o Conselho de Estado; finalmente convida o líder mais votado para PM e este uns 10 dias a seguir apresenta finalmente o Governo na qual comparece toda a clintela do Corte a apresentar honrosos cumprimentos e assegurar fidelidade.
É tudo só seriedade. E esta como se sabe leva o seu tempo…
Este homem animou o nosso PREC
Pontes de progresso

Os Independentes Gregos, nacionalistas, opõem-se à imigração e multiculturalismo, exigem indemnização pela ocupação da Grécia na IIª Guerra Mundial e defendem um sistema de ensino tendo por base uma educação cristã ortodoxa e total rejeição de uniões homossexuais.
Parabéns ao PS, Bloco, Livre e restantes vencedores das eleições de ontem.
Mas isso é para valer?
Alexis Tsipras reclama vitória: “A era da troika acabou” Quando os votos deixavam o Syriza ainda sem maioria absoluta, Tsipras já enviava uma mensagem aos credores onde dizia que a Grécia não se irá curvar perante as exigências dos credores.
É mesmo para acabar não é? Não há mais pedidos de empréstimos? Eu pela parte que me cabe como contribuinte portuguesa logo credora tb acho que é mesmo para acabar. E assim ficamos amigos para sempre. Acho muito bem que acabe com a austeridade, que mande a troika embora… desde que tudo isso não seja pago com os impostos dos parvos do costume.
De regresso ao bucolismo idealizado de outrora
O Cainesianismo, a doutrina económica que consiste em usar dinheiro emprestado para gerar crescimento e que, por nunca o gerar, exige constante aceleração do fluxo desse dinheiro, sofreu ontem um importante revés.
A moeda única é um projecto falhado, criado com a premissa de que os países membros cumpririam regras básicas de sanidade, mas executado com circunstâncias de cobiça que permitiriam a membros a manutenção de um despesismo a crédito, sempre na certeza que o corte deste fluxo implicaria atribuição do ónus da ruptura aos fornecedores do combustível desse Cainesianismo, os verdadeiramente interessados numa Europa de mercado livre.
O que gregos fizeram ontem foi afirmar peremptoriamente que não estão dispostos a manter o elo à moeda única se esta não servir a impossível tarefa da manutenção do Cainesianismo grego. Outros países se seguirão, eventualmente, mostrando que o Cainesianismo não só não é possível como a sua ilusão só é passível de ser mantida num pequeno manicómio unido na causa socialista que vê o mundo a passar ao lado enquanto perde progressivamente a capacidade de adquirir os bens importados que compõem o ramalhete de conforto e que, por terem entrado no cânone das expectativas, trarão a simplicidade bucólica do romantismo idealizado de outrora a uma geração cosmopolita que desconhece o significado de austeridade.
O mundo anda demasiado depressa para a Grécia. Se nunca tivessem saído da agrura de pé descalço também não iriam sentir a falta do que agora, embevecidos com o retro revolucionário, liminarmente repudiam.
Pois é uma grande mudança: os socialistas estão abaixo dos 5%.
António Costa diz que vitória de Syriza é «mais um sinal da mudança» na Europa O secretário-geral do PS fala de uma mudança da orientação política que está em curso na Europa, no sentido de uma maior solidariedade.
Enfim a Europa pode estar a caminhar no sentido de uma maior solidariedade mas deve ser uma solidariedade de novo tipo. Afinal o líder do PS português celebra a vitória do Syriza que foi construída sobre a catástrofe eleitoral dos socialistas gregos. Um líder socialista a celebrar a derrota dos socialistas tem que se lhe diga.
O que o Syriza tem vindo a dizer nos últimos tempos não difere muito do que dizem todos os responsáveis dos partidos socialistas europeus que estão na oposição. A euforia generalizada e consensual que acompanha a vitória de hoje é a de todos quantos acham que a austeridade é uma política e não uma consequência de políticas, e que os governos que a aplicam são serventuários da Sr.ª Merkel e da Alemanha. Não há, assim, diferenças substanciais entre o que diz Alexis Tsipras ou Mário Soares, António José Seguro ou António Costa. Ou François Hollande, antes do fim do seu primeiro ano de mandato presidencial. Tsipras é a «bomba atómica» de Pedro Nuno Santos finalmente deflagrada. Como os ventos da história lhe parecem correr de feição, é natural que a União Europeia ceda perante as exigências mais emblemáticas do novo governo da Grécia. No fim de contas, entre lucros e prejuízos, vale mais perder alguma coisa com a dívida grega, do que pôr em causa o euro e a própria União, cujos destinos se entrelaçaram de forma quase suicida. Draghi já deu sinais de que não está desatento. Evidentemente que o sucesso inevitável de curto prazo do governo chefiado pelo homem cujo filho Ernesto tem o nome próprio do «Che», levará a uma radicalização à esquerda dos partidos socialistas europeus. Rui Tavares pode, assim, vir a realizar o seu sonho ministerial e o Bloco de Esquerda, que estava em vias de extinção, ganhou hoje uma alma nova. Depois de anos de contenção austeritária vem aí a euforia. Quem e como a pagaremos é o que se verá depois.
Adenda:
Bloco de Esquerda: «vitória da dignidade contra a austeridade».
Essa conversa animada e esperançosa da anti-austeridade, da nova era e do bater do pé à Alemanha
são para manter quando a Marine ganhar em França?
syriza
Já que o Syrtza vai ganhar as eleições na Grécia, que as ganhe com maioria absoluta. Para que não tenha desculpas.
Isso não interessa nada
Nos sucessivos comentários parece que a Grécia reestruturar ou não é uma questão entre Merkel e os gregos. Os contribuintes europeus esses parte-se do princípio não serão afectados ou caso achem que sim isso não interessa nada.
Nobody cares
É a minha mensagem à esquerda esperançosa e ao Miguel Esteves Cardoso. Lá na Alemanha ninguém quer saber. Cada um terá que pagar as suas contas.
Eleições gregas

Sondagem Star TV (sexta-feira):
SYRIZA 31.2%
Nova Democracia 26.0%
To Potami 6.5%
Aurora Dourada 5.5%
Partido Comunista Grego (KKE) 4.5%
PASOK 4%
Gregos Independentes 3.2%
Partido do Papandreou 2.4%
Indecisos 13.2%
Pensamento Positivo School of Economics and Political Science
Estas escola existe e é a mais influente no meio jornalístico, político e cultural. Criou um vocabulário próprio, tem os seus mestres, heróis e discípulos. Aqui fica uma breve introdução aos tópicos Almofadas. Folgas. Bazucas. Empréstimos. Carlos Santos Silva. Energias positivas. A verdadeira questão. Predestinação. Jornalismo da Pensamento Positivo School of Economics and Political Science
Imagética cinematográfica
E o Oscar de melhores efeitos especiais para declarações políticas vai para… Pedro Filipe Soares.
BE vai confrontar Governo com “plano monstruoso para destruir” transportes públicos:

O plano monstruoso do governo em acção.
Nota: as pessoas sabem que os filmes não são a sério, é tudo a fingir.
A desmutualização das dívidas
Uma das regras do QE é a atribuição aos bancos nacionais da responsabilidade por 80% das compras de dívida. Isto implica que 80% do valor das compras de dívida alemã será garantida pelo banco central alemão e 80% do valor das compras de dívida portuguesa serão assumidas pelo Banco de Portugal. E, de certa forma, cada país passará a dever uma percentagem da sua dívida ao seu próprio banco central. Outra implicação desta regra é a transferência de dívida que actualmente está no BCE (que o BCE comprou aos vários países em dificuldade durante a crise) para bancos centrais nacionais, à medida que estas linhas de crédito forem sendo substituídas. Isto são eurobonds ao contrário. Em vez de uma progressiva integração da política orçamental e monetária, o que foi feito foi uma separação de responsabilidades pela acção dos bancos centrais. Os investidores privados vão entender isto como um risco acrescido de fraccionamento da zona euro e a médio prazo isso vai notar-se nas taxas de juro, sobretudo nos países que seguirem política orçamentais laxistas pensando que o QE resolve tudo.
Está encontrado um mecanismo pelo qual um país vai saindo da zona euro sem choques. Um dia descobre-se que Portugal só deve ao Banco de Portugal e que os spreads de taxa de juro em relação à Alemanha são tão elevados que na prática os dois países têm moedas diferentes.
O dever de limpar não existe?
Para lá da ignorância em que este juiz vive sobre os produtos de higiene e limpeza de wc temos ainda a ignorância do senhorio sobre a nova jurisprudência em matéria de contratos de arrendamento, jurisprudência essa que está a ser criada em Portugal pelo PCP (e não só) a propósito do fim do contrato da base das Lajes.
Um senhorio não pode ficar privado seu rendimento. O inquilino até que se pode ir embora – em verdade não devia mas admita-se-lhe essa liberdade – mas o senhorio que tinha organizado a sua vida a contar com aquele rendimento tem de ser indemnizado. Quem garante ao senhorio que ele vai arranjar outro inquilino? E enquanto não aparece um novo inquilino o senhorio vive de quê? Esta precariedade do estatuto dos senhorios é um traço abominável do neo liberalismo. Há que criar urgentemente um centro nacional de alugueres.
Em 2001 a culpa era do Bush
em 2015 a culpa é de Merkel “Políticas erradas” da Europa contribuem para atrair jovens para o terrorismo
Só não percebi ainda de quem foi a culpa dos milhares de mortos que o fundamentalismo provocou na Argélia nos anos 90.
Kumbaya, Kumbaya (vá lá, todos juntos, agora)
Quantitative easing versus medida da TSU
Há algumas semelhanças entre o QE do BCE e a medida da TSU proposta em Portugal em 2012.
O QE do BCE aumenta o valor dos bens de capital relativamente aos salários. Há uma redefinição dos preços relativos de forma que o poder de compra dos salários diminui (sendo isso evidente na compra de habitação, dado que o QE faz aumentar os preços do imobiliário) e o valor de bens de capital (empresas, casas) aumenta. É por esta razão que o QE permite baixar o desemprego. Note-se que o QE penaliza mais os salários em sectores em contracção na economia, como é o caso do sector público e não transacionável em Portugal. Estes salários demoram mais a responder em alta a alterações na relação capital/trabalho. E portanto, o QE é um antídoto para a rigidez salarial, e tem o efeito contrário de medidas como o aumento do salário mínimo.
A medida da TSU visava fazer a mesma coisa num país sem moeda própria. Reduzir o valor do trabalho e aumentar o valor do capital, fazendo baixar os salários em sectores em contração, incluindo o sector público e o não transacionável. Sectores em expansão ajustam rapidamente a relação entre o valor do capital e do trabalho ao valor anterior.
As duas medidas são parecidas, quer nos objectivos, quer na razão fundamental porque funcionam, quer nos limites dos seus efeitos.
O Quantitative Easing vai resultar?
É uma pergunta parecida com “a austeridade resultou?”. Depende do que se entenda por “resultar”.
O Quantitative Easing funciona mais ou menos assim:
O Banco Central Europeu compra títulos de dívida pública (e também títulos de dívida privada) no mercado secundário em enormes quantidades. Compra a quem? A quem detém esses títulos neste momento. Bancos, fundos de pensões, fundos de investimento, em suma, os grandes tubarões, a que a esquerda chama os “porcos capitalistas”, “os mercados” ou “os especuladores”. Gajos que ganham dinheiro que tanto pode dar para a reforma da avózinha como tipos com iates como o Louçã.
A primeira consequência do QE é um aumento dos lucros dos grandes capitalistas, que vendem com lucro ao BCE título que foram comprados a um preço inferior. Portanto, já temos aqui o dinheiro a chegar à economia. De seguida, estes tubarões, cheios de dinheiro, vão comprar outras coisas. Prioritariamente acções, ouro, obrigações de empresas. Os bancos vão pagar as dívidas que têm, reconhecer prejuízos até agora escondidos e, se sobrar algum, começam a emprestar mais barato, prioritariamente aos grandes clientes. O que vai fazer subir o rendimento dos tubarões medianos, aquilo que a esquerda designa como “os ricos”. E dado que estes ricos vão ter juros mais baixos, os seus lucros vão aumentar e/ou o valor do seu património vai aumentar.
E portanto, chegado a este ponto, e tudo isto leva tempo (na orem de meses) os ricos ficaram mais ricos e os pobres estão na mesma. A esquerda diria que as desigualdades aumentaram. Dado que houve aumento do rendimento do capital e redução do endividamento das empresas, houve uma correspondente desvalorização do trabalho. É esta desvalorização relativa, o valor do capital sobe e o valor do trabalhado mantém-se, que poderá levar a uma redução do desemprego (sem subida de salários, dado que a oferta de trabalhadores é cerca e 10% superior à oferta e empregos). Isto se chegarmos lá. Mais tarde ou mais cedo o BCE começará a reverter o QE e o processo inverte-se.
Portanto, o QE vai resultar? Claro que sim. Mas não é certo que seja para vocês. Pode no entanto ser para mim. Mantenho uma pequena carteira de acções para que o QE possa chegar à minha economia.
Mexam-se sondagens! Mexam-se!
O dinheiro não chega à economia real
Hoje, na TSF falava um senhor, com ar de especialista convidado (à hora do fórum). Segundo este especialista o Quantitative Easing do BCE teria um problema. O crédito vai chegar às PMEs competitivas, a maior parte exportadoras. Mas o problema é que muitas PMEs estão sobrendividadas e seria difícil que estas tivessem acesso a crédito gerado por esta medida do BCE. Seria então necessário um outro programa para fazer chegar o crédito às empresas endividadas, porque só assim elas poderiam beneficiar.
E foi isto. Crédito às empresas sobreendividadas.


