É preciso outro manifesto
Topem esta cena:
Estou convencido que vamos ter de ter perdão da dívida.
–Paulo Trigo Pereira, Janeiro 2013
Aquilo que achei mais interessante no debate sobre a reestruturação da dívida e o manifesto dos 74 (que subscrevi e contribui) é o argumento de que com algum crescimento económico, com excedentes primários (saldo orçamental excluindo os juros) permanentes durante décadas e com juros da dívida não muito elevados, a dívida pública é sustentável. Com estas hipóteses, claro que é, e estas contas têm sido feitas no ISEG anualmente desde 2010 no âmbito do projecto de avaliação do Orçamento de Estado (Budget Watch). Porém, quem assim argumenta trata os próximos quatro anos, os anos ainda difíceis, como uma “caixa negra”, isto é, não explica como se faz a transição no período 2014-2018. Tendo em conta que 2013 terá registado ainda um défice primário na ordem dos 0,5% do PIB, urge explicar como é que se vai chegar a um excedente de 4% em 2017.
–Paulo Trigo Pereira, Março 2014
Sem ignorarem que Portugal está obrigado a restrições no que toca do défice estrutural e ao nível da dívida pública, os economistas [Paulo Trigo Pereira e Ricardo Cabral] defendem que o Governo tem “alguma margem de manobra” para “escolher o ritmo e a forma da consolidação”. E dizem ser possível cumprir o que está estipulado no quadro da união económica e monetária “com um processo de redução do défice muito mais suave e, por conseguinte, mais realista e mais amigo do crescimento económico e do emprego”.
Maio 2014
O manifesto dos jarretas foi há 2 meses. Dois meses, meus senhores. Há dois meses a dívida era impagável, agora há “alguma margem de manobra”.
Fantochada
Começou a campanha para as eleições e já é insuportável. Enquanto estiverem centrados em austeridade em vez de estarem na responsabilidade pela sua inevitabilidade, não há campanha eleitoral para mim. Emigração, regulação excessiva (fim de cigarros de mentol? A sério?), proteccionismo (porque haveria de ser “importação” trazer um carro da Alemanha?), e toda a alegoria soviética que é o inchaço pacóvio da auto-importância dos MEP, estes são os assuntos europeus. Tudo o resto é faísca para entreter burocratas e aficionados de uma tourada bem mais desprovida de sentido.
Não admira que haja quem proponha obrigatoriedade de voto: quem quer votar nisto sem ser obrigado?
O candidato confuso
O CDS anda muito aborrecido com o senhor Shultz por este ter dito que as eurobods não eram para já, por falta de condições políticas. Tão aborrecido anda que não fala de outra coisa, lembrando sempre que o seu candidato Junker (que diz exactamente a mesma coisa) também é favorável a tão esdrúxula e socializante ideia.
Aliás, foi um trabalho desenvolvido pelo eurodeputado do CDS Diogo Feio que levou o Parlamento europeu a aprovar tal coisa. Mesmo que o actual Tratado de Lisboa as proiba expressamente, isso nunca é impecilho para quem cria mundos novos e amanhãs que cantam.
Mas para Nuno Melo o grande óbice de Martin Shultz é ele ser alemão. Pior ainda: é membro de um partido que governa a Alemanha. O que o tornará duplamente cúmplice e co-responsável por…não se sabe bem porquê, mas é mau. Se é alemão, do SPD parceiro da CDU de Merkel é mau. Claro, o facto de Nuno Melo ser parceiro de Merkel via PPE é irrelevante para o efeito demagógico que o ainda eurodeputado pretendia criar.
Ah, é por causa da austeridade. Sim, Nuno Melo faz parte do rol dos que se opõem à austeridade: « Martin Schultz representa um dos partidos do governo alemão. Sabemos que no nosso contraponto da dicotomia austeridade versus menos austeridade, está esse governo alemão, logo, está também Martin Schultz.»(*). Pimba! Embrulha ó alemão Shultz, fazes parte dos que defendem austeridade. O Nuno Melo não. Nem o CDS. Estes defendem «menos austeridade». Tal como o PCP, o Bloco, o PS. Quem fica a defender austeridade para colocar as contas publicas em dia? O PSD? Mas esses são parceiros do CDS, lista onde por alguma razão desconhecida foi incluido Nuno Melo.
o nosso problema
Portugal é um país absolutamente desregrado, isto é, sem uma ordem comunitária fundada em princípios claros e consensualmente aceites e respeitados pela maioria das pessoas.
O país não observa as regras mais elementares da convivência social. Os velhos são desrespeitados todos os dias e em todas as instituições públicas ou privadas, as crianças são tratadas como se fossem adultos e os indivíduos são meros contribuintes do estado. Não existem valores que mereçam a adesão consensual da comunidade, ela mesma uma ideia muito vaga para a generalidade dos portugueses. As cidades perderam o seu brilho e o seu orgulho local. Já ninguém fala de regiões, esquecidos que foram os laços indeléveis que uniam as pessoas e as suas terras a identidades comuns. Nenhuma figura pública, política, cultural ou empresarial é objeto de admiração. Pelo contrário, todas são objecto de escárnio e maledicência. Não existem instituições que não tenham sido maculadas, nestes últimos vinte anos, por escândalos verdadeiros ou inventados, aos quais a comunicação social dá um tratamento miserável, mas que, com a cada vez maior ausência de discernimento que só valores sólidos podem manter, excita a populaça e faz vender. O sucesso é sinónimo de falcatrua. Todos desconfiam de todos, e os vínculos naturais de cooperação desapareceram, arrastando com eles as instituições sociais naturais, como a família e o casamento.
O 25 de Abril derrubou, sem sequer se aperceber disso, uma ordem política e social fundada em princípios velhos e caducos, que já há muito tempo não serviam para um país integrado na Europa e com as responsabilidades que então tinha em África. Mas, em sua substituição, nada criou, a não ser confiar à política tudo o que deve ser de natureza social, privada e natural. O resultado só podia ser aquilo em que hoje vivemos. Este é o nosso problema.
A anedota do ano
PS questiona Governo sobre interesse dos EUA na Base Aérea de Beja Socialistas exigem que novas utilizações da infraestrutura «não ponham em causa» o desenvolvimento do aeroporto
O aeroporto de Beja recebe em média dois voos por semana. Mas é tudo culpa do actual governo que desinvestiu no aeroporto, da senhora Merkel porque ela é sempre culpada de alguma coisa e depois dos americanos que eram para vir comprometendo desse modo o desenvolvimento do aeroporto e depois como não hão-de vir comprometem-no ainda mais. Quando o PS for governo faz-se um programa de desenvolvimento para o aeroporto de Beja. Eu sugiro que se levem os ‘desencorajados’* de avião até Beja de preferência em Julho, metem o nariz na rua e regressam para casa animadissimos e quiçá até dispostos a trabalhar numa churrascaria.
Obs. Segundo a TSF os ‘desencorajados’ recusam sistematicamente as propostas de emprego dos centros de emprego mas não são pessoas que não querem trabalhar, são sim pessoas desencorajadas.
Títulos como o meu povo gosta!!!!
Ajudas a Portugal e Grécia foram resgates aos bancos alemães Enfim Estados livres endividam-se junto da banca. Os Estados pressionam a banca dos seus países a endividar-se mais e mais junto da banca estrangeira para não terem de assumir que os seus governantes levaram o país para a bancarrota…e no fim a culpa é dos bancos, sobretudo dos bancos dos outros países. Lido o texto as coisas não são assim tão simplistas. Aliás com tanta procupação social não se perdem palavras a analisar as consequências para Portugal de não ter sido resgatado. Mas o que conta é fazer títulos que transferem as culpas para os outros.
Num chega!
Martin Schulz: “Grandes fortunas têm que pagar a crise” Em Portugal já experimentámos esta via: umas fortunas desapareceram, outras foram-se embora e sobretudo não pagaram nada. Nós é que ainda tivemos de pagar as dívidas das grandes fortunas porque 24h após as fortunas começarem a pagar a crise descobriu-se que sem os donos as fortunas eram completamente desafortunadas. Vá lá saber-se porquê as fortunas são muito dedicadas a quem as criou e se os seus donos vão ser afortunados para outro lado as fortunas transformam-se num monte de problemas.
Sendo assim, boa sorte …
Informava ontem o Público que a União europeia só ajudou Portugal para salvar os bancos alemães. A historinha, como é habitual em notícias deste género, vem de encontro a uma das narrativas da esquerda, a de que os alemães são uns mauzões que só pensam nos interesses deles, ao contrário de nós, que em vez de pensarmos nos interesses deles, pensamos primeiro nos nossos. Ora, é bem possível que a narrativa desta vez esteja mais certa que o habitual, e que de facto os alemães só tenham permitido a ajuda a Portugal para salvar os bancos alemães. A ser verdade, o corolário lógico desta tese é que, se na próxima bancarrota portuguesa o bancos alemães não estiverem envolvidos, estaremos por nossa conta, isto é, teremos que contar com a esquerda portuguesa para encontrar uma solução que não envolva dinheiro alemão ou europeu.
Coitados dos homossexuais
Ontem, na final do festival Eurovisão da canção, fez-se história, a julgar pelas reacções nas redes sociais: um indivíduo austríaco, esperto, que percebe o quão homofóbico-fóbicos são os progressistas que votam nestas coisas, ganhou uns cobres ridicularizando toda a luta pela igualdade de homossexuais não-federados. O esforço pela ridicularização do homossexual não-maricas pela redução ao absurdo do activista está ao rubro.
O que se decide a 25 de Maio
Se José Sócrates continua a apresentar livros e a participar em festivais literários ou se passa já para a campanha política com vista às próximas presidenciais.
E se em vez do BE fosse o PNR?
Mutualização dos guarda-chuvas
3 anos de Troika
Os Governos Civis
Uma das primeiras medidas do governo foi a extinção dos Governos Civis. Os governos civis serviam apenas para que os governos eleitos colocassem 18 militantes do partido em lugares bem remunerados e inúteis. E no entanto, apesar da bancarrota, a medida foi contestada. O PCP tratou de defender que nenhum funcionário poderia ser despedido . O serviço é inútil, mas o Estado tem que continuar a pagar aos funcionários. Para os autarcas, a extinção dos governos civis fez com que Lisboa ficasse mais longe. Citações como “Há um vazio de poder na região [desde que extinguiram os governo civis]” são deliciosas. Como não podia deixar de ser, a extinção dos governos civis foi inconstitucional. E também foi uma grande causa de desorganização no combate aos incêndios. Rui Pereira, ex-ministro do PS considerou a decisão precipitada, um erro. António Galamba, governador civil de Lisboa, demitiu-se quando a extinção foi anunciada, em nome da defesa dos bombeiros, das forças de segurança e dos cidadão. O último Governador Civil do distrito de Bragança considerou a extinção “uma decisão tão errada que, quem a tomou, já deve estar arrependido”. O ex-secretário de Estado da Protecção Civil, José Miguel Medeiros, chamou-lhe “imprudência grave”.
“Há um vazio de poder na região”
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/extincao-dos-governos-civis-lisboa-ficou-mais-longe
“Há um vazio de poder na região”
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/extincao-dos-governos-civis-lisboa-ficou-mais-longe
“Há um vazio de poder na região”
Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/extincao-dos-governos-civis-lisboa-ficou-mais-lo
Entretanto, o lastro dos governos civis ainda não foi completamente digerido. Estado não conseguiu realocar os edifícios a outras actividades ou vendê-los pela melhor oferta. Continuam a existir umas assembleias distritais completamente inúteis, algumas sem dinheiro para pagar salários.
Bazuca Rui
Rui Tavares, indivíduo que saiu de um partido para formar outro, diz que “direcções partidárias fracturaram a esquerda”. Estando disposto a “ir a jogo” com partidos de esquerda como o PS, PCP e BE (porquê discriminar os outros partidos de esquerda?), admite que “ainda não entrou na cabeça” de dirigentes que entendimentos “implicam muito esforço”, o mesmo tipo de esforço que Rui Tavares não foi capaz de ter quando se chateou com o partido que lhe proporcionou visibilidade suficiente para agora ser entrevistado em candida auto-crítica.
É como o tipo que entra num banco de bazuca e dispara indiscriminadamente: “Vocês obrigaram-me a isto. Porque não podem simplesmente fazer o que vos digo, dando-me o dinheiro?”
Duh!
já nem a idade respeitam
Os mercados criminosos continuam a sua nefasta acção contra Portugal. Desta vez, deve ser mesmo só para chatear o Dr. Mário Soares e o PS.
Se o ridículo matasse…
O Bloco foi queixar-se à Comissão Nacional de Eleição sobre a realização, em Sintra, de uma conferência do Banco Central Europeu por «a lei eleitoral ser bem clara ao estipular que é proibido no dia das eleições qualquer tipo de propaganda que influencie, direta ou indiretamente, o sentido de voto dos cidadãos». Quando soube do movimento do Bloco, o PS veio logo correr dizer que só não apresentava também queixa na CNE porque o Bloco já o tinha feito. Ao que parece a vinda a Portugal dos responsáveis máximos do BCE, do FMI e da Comissão Europeia, além de ser uma provocação, poderá influenciar o sentido de voto dos portugueses. Por ventura por telepatia: o encontro de Sintra, como se pode ver no programa, começa com um cocktail pelas 18h30 de domingo, isto é, quando faltarão uns 30 minutos para as urnas fecharem, pelo que se imaginam inúmeros directos das televisões para captarem, entre o croquete e a flute de champanhe, a frase assassina por que os eleitores esperam, para no último minuto da última hora de um domingo eleitoral mudarem o seu sentido de voto. Que se cuidem os presidentes das mesas, vai haver engarrafamento ao final da tarde,
Três anos de oposição

caso contrário a vulgarização dos linchamentos no Brasil e na Argentina seriam matéria de notícia e de indignação:
Tudo doidinho
Cronologia – Mais de uma década de impasse em torno da Casa Manoel de Oliveira
Obs. O que continuo sem perceber é a razão que levou uma autarquia a construir uma casa para o realizador viver com a sua família. Supor-se-ia que uma vez este falecido os seus filhos, netos, bisnetos… por ali continuariam? E quem pagaria a manutenção, o IMI…?
O que se segue é um teste para saber se uma medida contribui para a reforma do Estado. Vá somando e subtraindo pontos. Se a medida atingir os 50 pontos é porque contribui para a reforma do Estado.
- Reformados vão ganhar menos e não há aumento de impostos: 30 pontos
- Haverá pessoas a sair da Função Pública por causa da medida: 20 pontos
- Haverá menos pessoas a querer entrar na função Pública por causa da medida:20 pontos
- A medida implica a venda a privados de bens públicos: 10 pontos
- A medida implica externalização de serviços: 10 pontos
- A medida implica liberalização de actividades: 10 pontos
- A medida implica fecho de departametos ou repartições públicas: 20 pontos
- A medida implica fusões de organismos públicos: 5 pontos
- O PCP está contra: 5 pontos
- O Bagão Félix está contra: 5 pontos
- O PS está contra: 10 pontos
- O Presidente da República apareceu em defesa de algum grupo por causa da medida: 10 pontos
- Foi vetado pelo tribunal constitucional: 20 pontos
- A medida implica poupanças imediatas para o Estado: 10 pontos
- A medida não é de aplicação imediata: subtrair 5 pontos por cada ano de espera
- A medida implica internalização de actividades actualmente externalizadas: subtrair 10 pontos
- A medida implica redução da liberdade económica: subtrair 10 pontos
- A medida implica mais regulação de actividades privadas: subtrair 10 pontos
- O nível de lero-lero da medida é elavado:subtrair 10 pontos
- A medida menciona a palavra “qualificações”: subtrair 5 pontos
- A medida menciona “crescimento económico”: subtrair 10 pontos
- A medida menciona “modernização”: subtrair 5 pontos
- A medida menciona “consumos intermédios”: subtrair 5 pontos
- A medida implica a criação de uma comissão, grupo de trabalho etc: subtrair 10 pontos
- A medida implica despesa: subtrair 5 pontos
- A medida está relacionada com novas tecnologias: subtrair 10 pontos
- O Paulo Portas está envolvido: subtrair 10 pontos
- A medida está embrulhada num sound bite (e.g. “menos estado, melhor estado”): subtrair 10 pontos
- Não há ninguém a estrebuchar com a medida: subtrair 50 pontos
Tudo na maior na frente ocidental
Barclays, BBVA e Deutsche Bank pretendem sair de Portugal mas ninguém quer saber. O que importa à malta é a carta ao FMI, a perpetuação da dívida (quem vier depois que feche a porta) e o ódio visceral ao presidente da república, que graças à experiência Sampaio, tornou-se na figura de estado que mais facilmente permite caminho seguro para o tacho.
Mas pronto, haverá muito jarreta e pré-jarreta por mimetização que verá na saída de 3 bancos do país uma boa notícia.
benza-a deus!
«Aumentar impostos tem um efeito menos recessivo do que reduzir a despesa», Manuela Ferreira Leite, hoje, TVI24.
A culpa não é minha
Seguro não percebe que, para ter a certeza que vence as eleições, só tem que estar calado?
Alguém tem que parar o homem e os órfãos antes que seja demasiado tarde. Esforçam-se demais: as eleições não se vencem, só se perdem.
É só alcoviteiras
O PS insiste que quer ver a carta. A carta, mostrem a carta. Queremos ver a carta. Vocês têm que mostrar a carta. Não consigo comer nem dormir, tenho que ver a carta.
E é isto o PS. Resumido a uma gaja – não confundir com senhora – como a coscuvilheira-barra-alcoviteira do bairro, a que cria um caso de cada vez que avista a vizinha em cavaqueira com o gajo da bilha do gás.
Esta procura incessante do PS pela concepção imaculada do rato gerado no ventre da montanha é mais que embaraçosa: é sintomática da indigência nacional.
E a carta? Continuar empenhados na redução do défice, de forma a respeitar o pacto de estabilidade, reduzindo a despesa e a necessidade de financiamento externo excessivo e blá blá blá…
Que esperavam que fosse a carta? Um poema ao gajo da bilha do gás?
Eleições que importam
Tenho andado arredado da blogosfera e das redes sociais. Também não tenho lido jornais. Toda a informação que tenho consumido tem sido através do telejornal de um canal qualquer, lá no fundo, sem som, com um ou outro rodapé a clamar atenção. Nestas circunstâncias, e como parece que decorre uma campanha eleitoral com a normalidade do costume, estou mais habilitado para comentar o que parece estar em jogo nestas eleições.
Ninguém na “minha rua” fala de eurobonds, mutualizações, solidariedade europeia ou espirais de qualquer geometria. Na “minha rua” fala-se do tempo, do futebol, do carro, da escola dos miúdos, de bebés e de como os políticos são todos bandalhos.
Não faço ideia quem vai ganhar as eleições e, tirando os cabeça de lista do PSD/CDS e PS, o Rui Tavares e aquela moça rouca do Bloco, não sei quem são os candidatos. Não sei se alguém diz algo interessante ou que consiga gerar alguma diferenciação perante os outros candidatos. O que sei é que ninguém da “minha rua” quer saber do Parlamento Europeu. Na “minha rua” estas eleições servem para distribuir lugares para burocratas emplumados inconscientes, inclusivamente através de uma solicitude de boa vontade, da sua própria insignificância.
Na “minha rua” ninguém liga às eleições europeias. A “minha rua” está muito mais preocupada com as eleições que realmente importam, as eleições para o Tribunal Constitucional.
quase uma família
Pedro Passos Coelho acaba de garantir, em directo e ao vivo, que «no PSD nos sentimos bem uns com os outros». Na primeira fila da assistência, Santana Lopes, Ferreira Leite, Marques Mendes, Rebelo de Sousa e Filipe Menezes concordam, com inegável entusiasmo. Um pouco mais atrás, Rui Rio deixa cair uma lágrima de sensível empatia com as palavras do líder.
comovente
E quase a fazer chorar as pedras da calçada, o discurso de Francisco Pinto Balsemão, na comemoração dos 40 anos do PSD, em defesa das «traves mestras» programáticas do partido enunciadas em 1974, impregnadas de justiça social, ética redistributiva, defesa dos mais pobres e carenciados, dos pensionistas e reformados. Por pouco, certamente por muito pouco, Pinto Balsemão ter-se-á esquecido de reivindicar o fim dessa pouca pouca vergonha que é a RTP, privatizando-a, verdadeiro albergue espanhol de todos os regimes, que consome recursos públicos sem fim, que bem poderiam ser destinados aos pobrezinhos a quem ele vota uma dedicação quase paternal.
Um país que resiste a 40 anos de PSD é um país imune a qualquer tragédia. A troika que se cuide.
ora vamos lá a ver
Em entrevista ao Expresso e à SIC, António José Seguro disse não poder garantir que um futuro governo liderado por si diminua a actual carga fiscal. Isso significa, para qualquer mediano mentecapto, que António José Seguro se prepara, se e quando alguma vez chegar ao governo, para manter as taxas de impostos em vigor, as mesmas que foram violentamente aumentadas pelo governo de Passos Coelho, Vitor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, e que ele tanto censurou no momento em que foram aplicadas. Ora, se as censurou foi porque as julgou desnecessárias e parte significativa dos sacrifícios ilegítimos que o governo que ele quer derrubar e substituir aplicou, segundo ele, cruelmente aos portugueses. Daí que, em coerência, ele não possa deixar de fazer, de duas uma: ou diminuir essa brutal violência assim chegue ao governo, ou retratar-se por a ter considerado desnecessária, mantendo-a quando for primeiro-ministro. Tentar esquivar-se a qualquer uma destas duas únicas posições possíveis, alegando, por exemplo, nada poder por ora garantir por desconhecer o país que irá receber, é próprio de um vulgar aldrabão de feira, que se espera não seja o chefe do governo de Portugal.
Aparentemente há um estudo que diz que “os colégios inflacionam notas”. Também aparentemente, isso parece ser um problema mas, mesmo que não seja, eu tenho uma solução: acabam-se com as notas internas das escolas e colégios.
Para todas as resoluções propostas há sempre um problema fácil de elaborar.
Infelizmente, é verdade
A falta que um «cautelar» faz
«Defesa aprova despesa de 2,8 milhões para internato feminino do Colégio Militar»(*)
No Colégio Militar, escola pública, os alunos pagam entre 160 e 680 euros de mensalidade.
Por alguma razão o Aguiar-Branco decide ali torrar 2,8 milhões dos contribuintes.
No mesmo dia, fala de «combate ao desperdício»(*). Mas é teoria e para engana-tolos. A prática é mesmo gastar-se o que não se tem.
A ler
Há fins muito tristes
Mário Soares: «A chanceler Merkel, invocando o dinheiro alemão e impondo a política dita de austeridade aos Estados vítimas dessa mesma palavra, que mata, como disse o bom Papa Francisco, tornou-se a pouco e pouco a dona da União, desde o tempo infeliz de Sarkozy e dos dirigentes da Comissão Europeia, um dos quais português, Durão Barroso, responsável com Bush, Aznar e Blair pela guerra no Irão, onde morreram muitos milhares de pessoas, de um lado e de outro, para nada…»
Wrong side of the road
4o pessoas morreram em Odessa, Ucrânia, depois de um edificio ter sido cercado e incendiado por milícias e manifestantes ucranianos.
Vendo e lendo os meios de comunicação, parece que a coisa não foi muito grave apenas porque as vítimas porque eram pró-russos. No fundo eram as vítimas «erradas», portanto, adiante. Só teriam verdadeiro significado e seriam um choque e escandalo na comunicação social, em Bruxelas ou Washington se fossem nacionalistas ucranianos. Ler mais…
Já nem podem estudar com este IVA na restauração
Ontem, durante o Prós e Contras na RTP, o constitucionalista Jorge Reis Novais afirmava, na sequência de uma intervenção em prol da redução do IVA na restauração, que “as pessoas já nem conseguem manter os filhos a estudar”.
Presumi – decerto era mesmo essa a intenção – que “as pessoas já nem conseguem manter os filhos a estudar” porque: 1) o IVA da restauração é elevado ao ponto dos filhos terem que estudar de barriga vazia; 2) uma redução do IVA da restauração originaria uma redução do preço de uma refeição.
Jorge Reis Novais não parece ouvir as declarações da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (Ahresp) que, em Agosto do ano passado, afirmava que mesmo com descida de IVA, as empresas não teriam condições para baixar os preços.
De uma forma ou outra, Portugal é isto: 40 anos a perseguir unicórnios; ou, dito de outra forma: três ginásios até subiram preço quando IVA baixou.
Frases famosas
Aníbal Cavaco Silva, 1 de Janeiro de 2013, Mensagem de Ano Novo do Presidente da República
Capas famosas
Vamos ver (atendendo aos antecedentes)
As análises e comentários sobre a «saída limpa» anunciada por Passos Coelho, parecem-me todos um pouco precipitados e levianos.
Há que ter alguma calma e ponderação, pois ainda nada pode ser tomado por definitivo. Tal como no caso da «não subida de impostos e sem perda de rendimento», julgo sensato aguardar pelo menos uns 15 dias para ver como ficam as coisas.



