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O quê?

11 Dezembro, 2012

«Brota de branca rosa uma cascata de lágrimas, quando olha a ruína da casa onde tantos anos morou, demolida pela Câmara do Porto. Ficava no cimo da Rua da Corticeira, a casa, não mais que um quarto, parcela da pequena ilha onde aquela mulher, agora de 60 anos, foi irmã feita mãe, mãe de verdade e avó. Já lá não estava a morar e queixa-se de não ter sido avisada: “Levaram a minha mobilinha toda!” Mostra talões de depósito de um banco. A renda, de 2,05 euros, paga todos os meses.»  

Se bem se percebe a senhora não habitava na casa.

A Junta garante que a casa estava devoluta e repleta de lixo e gatos

A renda era de 2,05 euros…

Tudo isso eu entendo e até não é raro em Portugal só não percebo aquela parte  do «Brota de branca rosa uma cascata de lágrimas, quando olha a ruína da casa onde tantos anos morou, 

Lugares comuns

11 Dezembro, 2012

Colégio de Moimenta da Beira desafiou Salazar para imitar Niemeyer  Este texto vale a pena ser lido não tanto pelo lugares comuns que revela sobre o passado mas sobretudo pelo que omite sobre o presente. Muito provavelmente este projecto não seria aprovado hoje: a construção da mais simples casa quanto mais de um edifício escolar obedece a normas e mais normas. Localização, materiais, formas, estrutura… tudo está regulamentado. Depois vem  a questão mais importante e que é referida no texto mas apenas para o tempo de Salazar: “Na altura, houve rumores de que os arquitectos do departamento de Viseu ficaram chateados por não lhes ter sido encomendado o projecto e fizeram queixa” Fizeram queixa em 1962 e voltariam a fazer queixa agora não só porque os regulamentos não têm deixado de aumentar – e com eles as razões das queixas – mas também pq se mantém a prática de contratar ou sub contratar arquitectos ligados a autarquias como forma de contornar as queixas. Por fim embora para o caso não seja relevante o texto revela uma ignorância profunda sobre a arquitectura portuguesa da época, muita de encomenda pública: achar que uma obra não seria aprovada por ter sido inspirada – no caso concreto muito mal, aliás – num arquitecto comunista é desconhecimento a mais.

Mário Soares (2)

10 Dezembro, 2012
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“Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”

(Mário Soares em entrevista à RTP, 1 de Junho de 1984)

Uma ideia perigosamente enganadora

10 Dezembro, 2012

PAULO MORAIS “A corrupção é que nos trouxe a austeridade” Paulo Morais cita os casos da “Expo 98, Euro 2004, BPN, BPP, submarinos “Não é justo que neste Natal muita gente não tenha comida em casa porque outros vivem com dinheiro da corrupção que tiraram a toda uma população” A corrupção é um problema moral. Mesmo que não existisse crise a corrupção seria um problema. Mas infelizmente a dimensão da nossa crise não resulta da corrupção nem muito menos da adição dos casos citados:  “Expo 98, Euro 2004, BPN, BPP,  submarinos Não tivéssemos tido    “Expo 98, Euro 2004, BPN, BPP, submarinos e a nossa crise seria o que é. A nossa crise resulta sobretudo daquilo que nos foi legalmente prometido e “dado” pelos governantes. Muitas vezes até em nome do cumprimento do que estará constitucionalmente inscrito. Por mais baixas fraudulentas que existam na Segurança Social não é essa a razão da sua temida falência. Por mais corruptos e desorganizados que sejam os procedimentos em alguns serviços de saúde não é isso que determina os crescentes custos na saúde…. A corrupção gera injustiças e degrada moralmente uma sociedade mas está longe de nos ter trazido a esta crise. E esta ideia de que foi a corrupção que nos trouxe até à austeridade  tem um reverso perigoso numa sociedade que acabou a confundir o que não é criminalizado com o que é moralmente possível pois leva a acreditar que bastaria prender meia dúzia de pessoas e resolver uns quantos casos em tribunal para que a crise acabasse. Infelizmente não é assim. O que nos trouxe a esta crise foi um discurso absolutamente legal e na verdade consensual sobre um estado que tudo podia e devia. A não ser que se entenda por corrupção prometer-se aos eleitorados o que não é sustentável não vejo como terá sido a corrupção a trazer-nos até à austeridade.

Obs. A esta discordância com o Paulo Morais junto uma dúvida: ao nível das actividades com rentabilidade muito baixas – passar a ferro; trabalhos de jardinagem; alguns trabalhos domésticos.. – devia ou não equacionar-se o estabelecimento à semelhança do que acontece com certos ganhos na agricultura a isenção fiscal. Não tenho certezas na matéria mas perante os ganhos obtidos a complicação fiscal pode ser o argumento determinante para se decidir que não vale a pena trabalhar.

Impressões

9 Dezembro, 2012
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O fim da ADSE?

Alguns defendem o SNS, mas tratam-se na ADSE. Alguns até se tratam fora.

O fim da ADSE?

Afluxo ao SNS. Impacto sobre a medicina privada.

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o homem que está sempre a dizer coisas

9 Dezembro, 2012
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Marques Mendes. Só nos últimos dias, avisou-nos que o Ministro das Finanças anda “a gozar com o pagode” e que faz dos portugueses “um conjunto de atrasados mentais”, e criticou a “frieza tecnocrática do governo”, que ele acha que tem sido pouco “afectivo” com os portugueses. Pode ter razão ou não, mas também não lhe ficava mal dizer a que pretexto é que tem dito tantas coisas contra o governo do seu partido, nos últimos tempos. Se é, ou se pretende ser, candidato a alguma coisa (a líder do PSD, por exemplo), não tem mal nenhum e até era interessante que alguém com o seu passado no partido se propusesse como alternativa à liderança (cautelosamente) incontestada de Passos. Agora, dizer coisas destas e depois acrescentar-lhes que até “aprecia o primeiro-ministro”, que só está a fazer “críticas construtivas” e que “não está na vida política nem tenciona voltar a ela” é que já é capaz de ser um bocado de mais. Até parece estar a gozar com o pagode e a fazer dos portugueses um conjunto de atrasados mentais.

é isto que (ainda) vai salvando o país

9 Dezembro, 2012
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“Economia subterrânea e paralela é 25% do PIB portugês”.

Ouvindo

9 Dezembro, 2012

Alguma coisa acontece ali

8 Dezembro, 2012

A desatenção ao que sucede em França é algo de francamente misterioso. Não, não falo dessa nova esperança representada por Hollande nem da doideira habitual da direita francesa mas sim da criminalidade em França. O que tem sucedido este ano em Marselha e na Córsega é sinal de alguma coisa no que ao crime organizado respeita:

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Entrada livre

7 Dezembro, 2012

musica para acordar

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Recados Presidenciais (outra vez)*

7 Dezembro, 2012
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É bom pagar-se o menor preço possível.

Preferimos, abstrata e naturalmente, os bons negócios e não os maus. Idealmente, teremos sempre a propensão para esticar a corda a ponto de desejarmos, lá no fundo e simultaneamente, sol na eira e chuva no nabal.

Creio que o Governo não escapará a isso. É evidente que todos, sendo “resgatados”, quereríamos manter o mesmo ou maior nível de consumo. Já que não crescemos na última década, ansiaríamos, agora e apesar do dito “resgate”, por taxas de crescimento ao nível da China. Sem se pensar em sustentabilidade, gostaríamos de beneficiar de um Estado Social exemplar, solidário, fornecedor de felicidade individual e tão eficiente que implicasse, apenas, um diminuto esforço fiscal. E, já agora, enquanto devedores, achamos justo ter as mesmas condições de outros – da Grécia – mas sem nos sentirmos gregos. E, sobretudo, sem que os famigerados mercados nos confundam. Ou seja, para situações diferentes, condições iguais, desde que mais convenientes para nós! Uma coisa é desejarmos tudo isso  – e até será obrigação do Governo tentar, pelo menos, como ponto de referência da sua atuação, essa “quadratura do círculo” -, porém, outra bem diferente, é a realidade e a dependência perante os credores.

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Dúvida

7 Dezembro, 2012

A reforma administrativa conseguirá senão extinguir freguesias pelo menos reduzir o número de fascículos de propaganda aos executivos municipais e às presidências das juntas de freguesia que dão pelo nome de  revistas municipais? Ou pelo menos acabar com as pilhas de agendas culturais que se acumulam nos diversos serviços municipais?

e a declaração de bolonha?

6 Dezembro, 2012
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A Universidade Fernando Pessoa, do Porto, instalou-se em França para oferecer cursos de medicina dentária, farmácia e ortofonia. As reacções corporativas não se fizeram esperar e a Universidade já anunciou que “se a pressão for demasiado forte” se instalará “em Andorra ou no Luxemburgo”. No entretanto, como não podia deixar de ser, as reacções corporativas proteccionistas não se fizeram esperar. Entre elas as da União Nacional de Estudantes de Cirurgia Dentária, da Confederação Nacional de Sindicatos Dentários, que consideram não ser “inócuo” a existência de mais profissionais nessas áreas no mercado nacional francês, e, por fim, do Ministério da Educação, que “ponderou agir judicialmente sobre a utilização do termo ‘universidade’, mas atacar a legalidade desta montagem não é evidente”. Pois não é. Até porque a declaração de Bolonha não pode servir apenas para as grandes universidades europeias, entre elas as francesas, colonizarem o mercado de trabalho dos países aderentes com os seus licenciados. De vez em quando, também não fica mal deixar algum espaço para as mais pequenas.

Les Précieuses ridicules

6 Dezembro, 2012

«Un an et demi après avoir échoué à représenter les Verts à la présidentielle,Nicolas Hulot fait son retour sur la scène politique. L’ancien animateur de TF1 a été nommé jeudi par François Hollande «envoyé spécial du président de la République pour la protection de la planète».»

Oscar Niemeyer II

6 Dezembro, 2012
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Outro “local de fé”, o Casino do Funchal, também idealizado pelo “arquitecto das curvas”. Ao estilo da Catedral de Brasília, embora sem a sua exuberância.

CasinoFunchal

 

oscar niemeyer

6 Dezembro, 2012
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Comunista e ateu, Oscar Niemeyer realizou uma das mais extraordinária evocação de Deus que conheço: a Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro a Catedral Metropolitana de Brasília. Morreu ontem, com 104 anos de idade.

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https://i0.wp.com/www.baixaki.com.br/imagens/wpapers/BXK11447_catedral800.jpg

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A Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro é, de facto, do Arq. Edgar Oliveira da Fonseca e, por erro, referi-a como sendo de Niemeyer.

mutatis mutandis…

5 Dezembro, 2012
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Tenho poucas dúvidas de que a demissão de Nuno Santos do cargo de director de informação da RTP tenha tido motivações políticas. Na verdade, estes lugares são sempre ocupados por gente da confiança política do governo em funções.

E o SOS Racismo onde está? E os advogados não protestam?

5 Dezembro, 2012

(Via Cinco Dias)

“Umas das coisas que o Brasil mais tem exportado para Portugal são prostitutas” – Há prostitutas brasileiras em Portugal mas não só a frase faz uma generalização abusiva como não tivesse sido feita por Marinho Pinto e teria provocado uma convulsão nacional.   Acresce que aquele ambiente de irmandade dos diversos membros do painel também não deve ajudar à sanidade dado o ar estontecido com que os outros irmãos debatentes ouvem as inanidades de Marinho Pinto quem sabe  irritado com o país irmão por causa de práticas estranhas como o levar a tribunal os envolvidos (não todos, é certo) no mensalão.

 

Sinal dos tempos

5 Dezembro, 2012

Admitindo que esta notícia do I é verdadeira Fisco alemão suborna bancários da Suíça para aceder a contas alemãs este é um sinal  de que não se olha a meios para atingir os fins.

Mário Soares

4 Dezembro, 2012
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“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.”

JN, 28 de Abril de 1984

anatomia da bancarrota

4 Dezembro, 2012
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Qual a diferença entre as bancarrotas de 1983 e 2012?

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Uns pares de estalos a mais ou a menos, consoante as perspectivas.

“Tenha pois cuidado com o que lhe possa acontecer”

4 Dezembro, 2012

dn_ms

Francisco_S_Carneiro

Olha quem fala!

4 Dezembro, 2012

O vice-presidente do Parlamento Europeu Miguel Angel Martinez, disse hoje que os governos europeus mostram uma “obsessão suicidária com a austeridade”  Se a austeridade fosse tomada a sério certamente que o Parlamento Europeu não andaria em bolandas entre Estrasburgo e Bruxelas, desrazoamento que terá um custo de 180 milhões ano

Absolutamente de acordo

4 Dezembro, 2012

Jerónimo: ‘Ninguém peça ao PCP que deixe de ser o que é’  – Antes pelo contrário o PCP deve assumir aquilo que é: um partido comunista, estalinista, defensor de uma solução totalitária para a sociedade portuguesa. O problema é que o PCP raramente assume o que é preferindo falar da sua versão anti (anti-fascismo, anti-capitalismo, anti-liberalismo…)  em vez de falar daquilo que defende: o comunismo.

O que é que a Constituição diz sobre propinas no secundário?

3 Dezembro, 2012
Artigo 74.º
Ensino

[…]

2. Na realização da política de ensino incumbe ao Estado:

[…]
e) Estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino;

O que é que a Constituição diz sobre a privatização da RTP?

3 Dezembro, 2012
Artigo 38.º
Liberdade de imprensa e meios de comunicação social

[…]

5. O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão.

Vida tão estranha

3 Dezembro, 2012

Notícias a ouvir com música:

*Um país de ursinhos ou as crianças índigo ou nem sei bem explicar. O melhor é lerem no Malomil

*Tony Carreira citado pelo Arrastão declara após ter cobrado a autarquias e similares entidades públicas aproximadamente milhão e meio de euros em concertos: “O que está a acontecer em Portugal não me parece de forma alguma justo – que o povo português tenha de pagar os erros de todos os políticos que tiveram Portugal nas mãos nestes anos todos. E não estou a condenar só o governo que está no poder neste momento, lá para trás já houve muito mau trabalho. Vejo gente de 50/60 anos a emigrar, cruzo-me com elas nos aviões. E o povo português não vai poder aguentar mais. Porque se já ganhava mal antes das coisas estarem como estão, agora simplesmente não vão conseguir.“

depois não se espantem!

3 Dezembro, 2012
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Depois de ter feito uma “enorme” redução de 30% nas subvenções das Fundações, o governo português prepara-se para privatizar 49% do “grupo RTP”, querendo isto dizer que a emissora continuará com a estrutura actual, continuando nas mãos do estado e do governo.

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O recorte da medida, feito para agradar aos papalvos que continuam a querer ter a “sua” televisão e lacrimejam pela “querida RTP” passar a ser paga e gerida por privados, em vez de ser paga com o dinheiro dos contribuintes e gerida por políticos, denuncia as intenções socialistas deste governo, que pretende que outros (privados) venham pagar o regabofe e o luxo do estado ter uma emissora televisiva própria, utilizada para o que cada governo quiser.

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Mas denuncia, também, a perversidade do tratamento mediático e substantivo de todo este processo, cuja desistência da privatização, no começo do mandato do governo, se devia – dizia-se – à absoluta inexistência dos interessados, tal o estado lastimável da empresa e a pequenez do nosso mercado. Então, não havia interessados em comprar a maioria do capital social e há, agora, quem lá queira pôr dinheiro e ficar em minoria, para que o governo continue a mandar na emissora?

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É bom não esquecermos, no meio disto, que este governo que quer manter fundações e emissoras privadas de comunicação com o dinheiro dos contribuintes é o mesmo que os tem esbulhado fiscalmente, em nome da situação de emergência nacional em que o país se encontra.

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Depois não fiquem admirados, nem arranjem desculpas por não cumprirem as metas orçamentais!

O “controlo sindical sobre a contratação e distribuição da força de trabalho” garante a “confiança absoluta no colega do lado”

3 Dezembro, 2012

Via 5 Dias: «Está em jogo, como é sabido, uma ofensiva que tem como objectivo assegurar o poder patronal nos portos, de forma a generalizar a precariedade e a promover a desqualificação numa profissão submetida a condições de trabalho particularmente duras e perigosas, onde impera, desde 1979, o controlo sindical sobre a contratação e distribuição da força de trabalho. Os estivadores são um colectivo de trabalhadores em luta que é também uma comunidade, desde logo porque a natureza mesma do seu trabalho torna a confiança mútua um elemento essencial à segurança de cada um. Quem já tiver visto um andaime a cair ou um túnel a abater-se sobre um operário da construção civil compreenderá facilmente a importância que pode ter a confiança absoluta no colega do lado, em sectores onde todos os instrumentos de produção são potencialmente perigosos.» Se fosse um filme isto tinha outro nome. Como é política chama-se nepotismo.

República socialista da Trapalândia

3 Dezembro, 2012

Serviços deixaram de passar declarações de rendimentos aos inquilinos, que não têm como provar junto dos senhorios que têm uma situação de carência financeira Na República socialista da Trapalândia os senhorios substituem-se à segurança social e indexam as rendas aos rendimentos dos inquilinos

Amordaçado por assaltantes com um pano que continha amoníaco, João Maria Pires, 74 anos, de Chaves, faleceu nove dias depois. Dois homens acabaram condenados pelo roubo, mas não pela morte. Os dois arguidos, de 23 e 27 anos, em prisão preventiva desde janeiro, viram ser provado o assalto, mas não foram responsabilizados pela morte do reformado, ao contrário do pretendido pelo Ministério Público (MP). Isto por não ter ficado assente que eles tinham a consciência de que o uso do amoníaco podia ser fatal. O único crime dado automaticamente como provado na   República socialista da Trapalândia é a fuga ao fisco. Todos os mais resultam de condições psico-afectivas, devidamente enquadrados numa situação socio-económica a par duma vivência cultural em que vítimas e criminosos se confundem e em que a par da falta de consciência dos autores crimes resta a dúvida acerca da última vontade das vítimas: quem pode garantir que aquele não era o fim desejado por elas?

Fisco cria unidade especial para controlar as grandes empresas. Até ao final do ano, 290 grupos económicos vão ser acompanhados mais de perto pelo Fisco através da recém criada Unidade de Grandes Contribuintes (UGC). Mais de 100 gestores tributários vão passar a monitorizar metade da receita fiscal global anual de IRC, IVA e retenções na fonte em sede de IRS. Em causa estão 11 mil milhões de euros de impostos correspondentes aos grupos económicos que estão sob a alçada da nova unidade especial.  Terá a PJ uma Unidade para os Grandes Criminosos? Se tiver a linguagem não deve ser diferente. Na República socialista da Trapalândia a actividade económica privada é tolerada porque é dela que resulta o dinheiro que permite manter o socialismo mas todavia há na linguagem e nos procedimentos um princípio básico: se os empresários fossem honestos não eram empresários mas sim funcionários públicos.

Impressões

2 Dezembro, 2012
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A situação vista de Lisboa

Estivadores em luta. Milhares em manifestações.

A situação vista de Lisboa

Estes contra (ficaram sem os subsídios). Aqueles contra (estão desempregados).

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«amor»

2 Dezembro, 2012
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No Portugal Contemporâneo.

Não é verdade

2 Dezembro, 2012
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A notícia do Público (sobretudo o título e o subtítulo) não passa de uma lamentável confusão. Não existirá qualquer reforma nova antes das eleições autárquicas. O que se pretende é evitar uma lacuna no ordenamento jurídico, apenas isso.

A Lei 22/2012 (reforma das freguesias) revogou o anterior regime sobre criação e extinção de autarquias: a Lei 11/82 e a Lei 8/93. Agora, quando se concretizar a agregação de freguesias, é preciso fazer uma lei enquadradora que defina regras permanentes para a criação, agregação e extinção de municípios e freguesias. Trata-se apenas de actualizar aquilo que vigorou até Maio para a vida futura das autarquias locais já sem a pressão da Troika e do Memorando. Não existirá qualquer imposição, nem está prevista outra Reforma: a nova Lei Quadro só irá evitar uma lacuna quando a lei 22/2012 caducar naturalmente no fim da actual reforma das freguesias.

5 fotógrafos + 1 manifestante = Acção bem sucedida

2 Dezembro, 2012

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Esta imagem foi tirada ontem  no México mas podia ser noutro país porque dá conta de uma característica do nosso tempo: alguém de quem a esquerda não gosta vence umas eleições. Imediatamente começam os pedidos de demissão mais ou menos violentos.

É uma empresa portuguesa com certeza

2 Dezembro, 2012

E certamente dirigida por empresários de vão de escada, dotados duma profunda insensibilidade social que incapazes de apostar na inovação no crescimento têm o descaramento de apoiados por este governo de direita virem assustar os trabalhadores com a ameaça de despedimentos:  «Para atingir o equilíbrio financeiro, podemos não dispensar – e certamente não dispensaremos – uma efectiva contenção e mesmo redução de despesa, nomeadamente de funcionamento e, nalguns casos, de estrutura».

Cenários *

1 Dezembro, 2012
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“(…) Há muitos cenários a circular. Uma grande parte deles (a maioria) converge na convicção (novamente, uma questão de fé) de que o Governo, a prazo, cairá. Divergem, contudo, quanto ao momento concreto e consequências. Para alguns, isso ocorrerá quando o PS quiser mesmo assumir o ónus da governação – o que só se verificará depois das próximas “autárquicas”. Para outros, no entanto, isso sucederá logo no fim do 1º trimestre de 2013 e após a 7ª avaliação da “troika”, apostando-se, simultaneamente, numa nota negativa e num previsível incumprimento das metas orçamentais. Para certos setores do próprio PSD, anseia-se, ainda, por uma espécie de “mal menor” partidário (irrealista?!), desejando-se que Belém demita o Governo atual para o substituir, sem eleições, por um outro de iniciativa presidencial, mas ainda liderado por alguém do PSD”.

(texto completo em Ler Mais)

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Da popularidade da alquimia

1 Dezembro, 2012

Pergunta a TSF: É possível equilibrar as contas do país de forma sustentável sem mexer na Educação, Saúde e nas Prestações Sociais?

Sim  69%   465 votos

Não 30%   200 votos

Sem opinião 2%    12 votos

Um retrato ideológico de Portugal

30 Novembro, 2012
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O New York Times disponibilizou ontem um álbum de fotografias sobre Portugal e a crise que vivemos. Fotografias a preto e branco, têm como missão pintar um retrato negro do país. Independentemente da qualidade estética, a qualidade jornalística do retrato é miserável. Não pela escolha das imagens, mas pelas legendas. Em 16 micro-textos, nove continham erros factuais ou outras incorrecções. Todas correspondiam à tentativa de traçar um retrato apocalíptico do país. Um retrato ideológico, não jornalístico. Senão vejamos:

Slide 1. A demolição de 12 casas ilegais na Amadora, em Julho, é descrita como tendo afecto um “bairro inteiro” habitado sobretudo por cabo-verdianos

Slide 2. A legenda informa que em Portugal a austeridade significa que há hospitais a fechar, o que é mentira, apesar de haver alguns que podiam e deviam fechar.

Slide 4. Uma imagem de pessoas à espera de alimentos gratuitos é utilizada para ilustrar a informação de que Portugal tem sido elogiado por quem nos empresta dinheiro.

Slide 5. O número escolhido para o número de desempregados não é o estimado pelo INE – 870 mil é o número oficial, a que alguns adicionam os “inactivos disponíveis mas que não procuram emprego”, mais 250 mil. No total, um máximo de 1,12 milhões, longe dos lunáticos 1,4 milhões da legenda do NYT.

Slide 6. A fotografia indica que a loja da imagem está fechada, supostamente por causa da crise. Azar: a imagem é da frontaria do antigo cinema Eden, nos Restauradores, onde funciona um hotel e uma Loja do Cidadão…

Slide 8. Os manifestantes que arrancaram a calçada para atirar pedras à polícia a 14 de Novembro são apresentados como sendo mainstream.

Slide 9. Informa que as greves se tornaram muito mais comuns. No sector privado não tenho dado por isso.

Slide 10. A legenda esquece-se d informar que os manifestantes que queimaram fotografias de Merkel quando ela veio a Lisboa eram escassas dezenas.

Slide 11. Entre o monte de desgraças portuguesas sobre as quais o NYT pretende informar os seus leitores está o aumento das propinas nas Universidades. Um aumento que não existiu mas dava jeito que existisse para a narrativa ser ainda mais melodramática.

Slide 14. Os vândalos que andam a grafittar as paredes são apresentados como “street artists”.

E por aqui me fico. Não sem antes referir que era possível ao NYT realizar uma reportagem muito parecida, porventura até mais negra, sem ter de sair de Nova Iorque. Ou mesmo de Manhatan.

“as demissões dos governos têm regras”

30 Novembro, 2012
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Parece que finalmente alguém começa a ter bom senso no PS. Carlos Zorrinho e José Junqueiro vieram dizer o óbvio, que “as demissões dos governos têm regras”. As regras da democracia e da constituição, mais exactamente, com as quais alguma esquerda está sempre a encher a boca, mas de que se parece esquecer quando não está, e quer estar, no poder. Fica claro, contudo, que, como quase sempre tem acontecido desde que Mário Soares abandonou a liderança, existem, pelo menso, dois Partidos Socialistas: o institucional, que é o que saiu do último congresso, e o histórico, que é o que sai da cabeça do Dr. Mário Soares. Qual deles manda mais no partido é coisa que não se sabe. Talvez seja necessário recorrer a um árbitro para decidir. Quem sabe, a José Sócrates?

A sovietização das famílias

30 Novembro, 2012

No meio da muita demagogia em torno da fome a questão das crianças que não tomam pequeno-almoço é um item obrigatório. A crise levará a que hoje muitas crianças tenham actualmente uma alimentação deficiente. A estas juntam-se aquelas cujas famílias já as alimentavam mal mas que antes da crise tinham dinheiro para tomar o pequeno-almoço no café ou comprar uns donuts e quejandos sem qualquer interesse alimentar mas que faziam as vezes de pequeno-almoço. Aos mais esquecidos recordo que já em 2008 a questão se colocava. Como agora há menos  dinheiro  este grupo junta-se ao anterior. E nesta circunstância os estatistas do costume por ideologia ou fé aproveitam para avançar com a instituição no pequeno-almoço as escolas.  Se há crianças que precisam de receber ajudar para ter um pequeno-almoço em condições organize-se essa ajuda. Mas sempre que possível essa ajuda deve ser feita de forma a que elas tomem o pequeno-almoço em casa.  Caso contrário estamos a contribuir para o acentuar da crise retirando competências à instituição que melhor lhe resiste: a família.