Desta vez a culpa não é dos criminosos
Publicado por helenafmatos em 20 Agosto, 2008
Sequestro do BES. Confrontos na Quinta da Fonte e na Quinta do Mocho. Tiroteio na Abrançalha. – Sem darmos por isso o crime tomou conta das notícias. E isto numa sociedade que há anos se dedica a negar que o crime existe. Agora chega com snipers, GOE’s, “gang’s rivais”. Contudo há anos que tudo isto estava a anunciar-se diante dos nossos olhos.
Veja-se o caso da Abrançalha onde as forças policiais foram atacadas. De repente parecia inacreditável que tal acontecesse. Na verdade isso era absolutamente previsível pelo menos para quem tivesse seguido o que acontecera naquela localidade há precisamente um ano.
Em Agosto de 2007, o mesmo grupo que agora roubou uma arma aos agentes, tentou assaltar um jovem. Este resistiu ao assalto. O resultado traduziu-se na fuga da família do jovem que resistiu ao assalto pois o grupo a que agora se chama “talibans” ameaçava-os de morte.
Duas semanas depois, o “Diário de Notícias” referia que a família continuava em fuga. O pai perdera o emprego por faltas. Protecção policial também não tinham pois o casal, que teve menos de uma hora para desaparecer da Abrançalha, não tratara do expediente burocrático para a solicitar e mesmo assim não era certo que o juiz a considerasse necessária.
Um mês mais tarde, segundo o mesmo jornal, estavam “a tentar refazer a vida no estrangeiro”. Os avós, que tinham ficado na aldeia, tinham sido entretanto devidamente sovados pelo dito gang que continuou a receber tranquilamente o Rendimento de Inserção e a aterrorizar quem lhe apetecia.
Em 2007, não causou particular escândalo que uma família tivesse de fugir do país porque receava pela sua segurança. Aliás nesse mesmo Verão as estatísticas garantiam aos portugueses que a criminalidade violenta estava a diminuir. E estatisticamente estava. E estará sempre que se quiser. Para tal basta complicar os procedimentos para apresentação das queixas. Ou deixar instalar o sentimento de que nem vale a pena fazer queixa.
A invisibilidade deste tipo de criminalidade é um dos traços do nosso tempo. E está longe de se restringir a Portugal. Experimente-se, por exemplo, procurar na net ou nos sites dos jornais franceses, sejam eles de esquerda ou de direita, os nomes de Gilbert Dubret e Philippe Sarcey. O resultado é próximo de zero.
Gilbert Dubret e Philippe Sarcey eram funcionários do gigante francês da electricidade, EDF. Foram assassinados, respectivamente em 1983 e 1993, quando estavam a fazer o seu trabalho. Em 2005, um relatório sobre as agressões aos trabalhadores dos sectores do gás e da energia foi-lhes dedicado. O que se lê nesse relatório é uma espécie de crónica anunciada dos tumultos que, meses depois, puseram a França em pé de guerra: durante décadas as autoridades e os gestores subestimaram as agressões de que os trabalhadores eram e são vítimas. E contudo eles eram pontapeados, queimados, assaltados, humilhados…
Na comunicação social, este tipo de violência não consegue sequer passar da secção de fait-divers da imprensa regional. Nos poucos casos em que as agressões eram referidas surgiam como acidente de trabalho.
Os funcionários dos transportes públicos e dos serviços municipalizados, os bombeiros e vigilantes das escolas, ou seja aqueles que, como Gilbert Dubret e Philippe Sarcey, procuram assegurar o funcionamento de serviços essenciais, foram as primeiras vítimas duma criminalidade que não se quis ver.
Os exemplos podem continuar e os números variam de país para país. Portugal não é certamente o caso mais grave. O que temos de agradecer, seja em Portugal seja em muitos outros países, é o carácter ordeiro da população, criminosos incluídos. Pois é preciso ter um código de valores forte para que, recebendo tantos sinais de que o crime compensa ou pelo menos não prejudica os criminosos, não desatemos todos a roubar, agredir e ameaçar quem nos apetecer.
O legislador, essa figura aparentada com o Espírito Santo, pois nunca o vimos, nunca lhe podemos pedir contas e é suposto que lhe reconheçamos a superioridade do discernimento, resolveu diluir as tristezas das utopias que não realizou impondo a sua própria Cidade do Sol aos seus concidadãos. E sobretudo aos seus concidadãos mais pobres e mais desfavorecidos. Porque os outros, aqueles que têm meios e/ou cargos públicos, publicamente reiteram as teses do legislador. Mas na vida privada refugiam-se em condomínios fechados os nas zonas abastadas, tiram os filhos das escolas públicas, deslocam-se em carro de serviço ou viatura própria. Entretanto os pobres e aqueles que lutam todos os dias para não se tornarem pobres, ou seja aqueles que andam nos transportes públicos, que vivem nas periferias, que trabalham nas escolas e nos hospitais, que calcorreiam os municípios para levar cartas e instalar telefones, aqueles que nas diversas polícias contam os dias para que chegue a almejada promoção ou relatório médico que os retire dos piquetes que os levam àqueles locais onde o legislador nunca irá, estas pessoas todos os dias se confrontam com o grotesco resultado do legislador ter entendido que não vale a pena punir aquilo que ele mesmo chama pequena criminalidade. Ou, por maravilha da retórica, incidente.
Mas existem outras vítimas para além dos menos favorecidos. São elas os autores dos crimes: “Quando fiz 16 anos, deviam ter-me dado uma pena efectiva para que eu abrisse os olhos, porque cada crime que cometia começava a ser mais ousado. Já andava a meter-me em armas, em negócios de droga, e só me davam trabalho comunitário.” Luís Graça que fez, na prisão de Pinheiro da Cruz, estas declarações ao semanário “Sol”, recorda como se foi cada vez tornando mais violento até que “entrei num estado degradante e matei uma pessoa sem razão nenhuma”. Em que medida é que a banalidade com que foram tratadas as suas primeiras faltas o levaram a tornar-se um assassino?
A banalização do crime tem outros efeitos perversos: incapazes de perceber o critério das penas, os portugueses desinteressaram-se em absoluto sobre o que acontece nas cadeias. Que os presos se violem uns aos outros, que apanhem doenças graves na cadeia ou que o rotundo fracasso do programa de troca de seringas revele o autismo das autoridades prisionais e a estrutura de intimação entre presos é algo que não lhes interessa. O que lhes interessa é que os presos continuem presos. Uma vez cá fora e dada a grande impunidade com que os criminosos actuam também não parecerá mal, aos portugueses, que um sniper vá tendo ordem para disparar.
“Menos um” – é o que se lê nos blogues e imprensa on line que têm caixas de comentários. Na verdade não precisávamos de ter chegado aqui. E neste caso a culpa não é dos suspeitos do costume. Mas sim daqueles que decidem quem são os suspeitos.
*PÚBLICO, 19 de Julho
20 Agosto, 2008 às 10:59 am
Excelente post. Há na verdade muita falta de coragem por parte das autoridades e quem pode aproveita-se. Depois, no fim, e mais uma vez, vamos todos pagá-las.
20 Agosto, 2008 às 11:02 am
Ena pá descobriram que o crime existe e que existem prisoes no mundo. Estas pessoas sao um potento!
20 Agosto, 2008 às 11:10 am
Este sim, é um artigo e é jornalismo. A HM, quando quer, também consegue.
Desta vez perspectivou bem a questão de fundo e até conseguiu entender que o uso do sniper nada tem a ver com o que é preciso.
20 Agosto, 2008 às 11:13 am
(Anónimo 2)
Pois é, o problema é que v.s só descobrem “minorias”, até na criminalidade. E é apenas em prol desses fantasmas erísticos que escondem a realidade e apadrinham os responsáveis por tudo isto.
20 Agosto, 2008 às 11:14 am
Antes que isto fique cheio de comentários dos correctinhos do costume, deixe-me dar-lhe os parabens pelo post. Já agora: quando é que, aos cidadãos contribuintes liquidos, começa a ser possível exigir estorno do dinheiro indevidamente gasto a sustentar essa gente?
20 Agosto, 2008 às 11:18 am
Este texto nao diz absolutamente nada de nada mas aplaudem. É tao engraçado.
20 Agosto, 2008 às 11:20 am
“Uma vez cá fora e dada a grande impunidade com que os criminosos actuam também não parecerá mal, aos portugueses, que um sniper vá tendo ordem para disparar.”
A Helena Matos é portuguesa. Fala por si. Essa coisa dos portugueses isto e os portugueses aquilo é muita engraçada. Porque o autor do texto paraece que é estrangeiro ou extraterrestre… lol
20 Agosto, 2008 às 11:25 am
O anónimo 7 terá estado em Marte durante o sequestro do BES.
20 Agosto, 2008 às 11:28 am
Helena, também ficariam bem aqui os 3 recortes de notícias do Correio da Manhã que incluiu na sua crónica do Público.
20 Agosto, 2008 às 11:30 am
Não conta nada que não se soubesse há muito, mas ainda assim é um excelente artigo.
Os do costume vão continuar a negar as evidências e a papaguear as inanidades governamentais.
Vinha mesmo a calhar mais uma medalhita nas Olimpíadas…
20 Agosto, 2008 às 11:31 am
o anónimo 6 não sabe ler mas sabe escrever. Um mistério.
20 Agosto, 2008 às 11:35 am
O post é excelente e só merece um apontamento, apenas porque parece querer ser transmitida a ideia de que, se as coisas funcionassem como é suposto, nunca seria necessário matar um criminoso a tiro.
Independentemente de como o Estado funcione, continuarão a existir criminosos, alguns deles extremamente violentos. Assim, em determinadas situações (em que estejam envolvidos reféns, p.e.) e pesando devidamente o risco de cada opção táctica disponível, deve ser possível dar ordem aos snipers para dispararem.
20 Agosto, 2008 às 11:41 am
O Blasfémias não perderia nada, antes pelo contrário, ganharia muito em restringir os comentários a utilizadores registados, uma solução com provas dadas (3a citação).
O ruído dos trolls é ensurdecedor e é muito difícil encontrar uma discussão de interesse nas caixas de comentários deste blog. Quem não se quer registar (e não é preciso abdicar do anonimato para o fazer) pode comentar por trackback.
20 Agosto, 2008 às 11:42 am
“Assalto a carrinha de valores com explosivos na A2″
Al Capone ja cá anda e é pior.
Ontem vi o cigano que fugiu de Alcoentre, estava com outro a conversar, (LIDL) na linha de Cascais.
Nao olhei para ele, para nao dizer que olhei.
E que se chama o terror da denuncia.
Pode acontecer milhentas, da minha boca, dos meus olhos e das meu ouvidos, não sai nada.
Aconselho a todos a não informaçoes, compeende-se e sabe lá o porque.
Não confiar em ninguem
20 Agosto, 2008 às 11:43 am
A esta hora o PGR. já nomeou procuradora especial para investigar semelhante criminalidade na área metropolitana de Lisboa.
Provavelmente será a reputada e competentíssima Maria José Morgado a escolhida para tratar desta investigação.
Rapidamente trará normalidade à pacata área metropolitana, pois isto de criminalidade é algo que só pertence a essa gente lá do Norte, gente sem escrúpulos comandados por esse PDC., juntamente com os Superdragões.
20 Agosto, 2008 às 11:43 am
Onde é que o Joaquim leu algo que possa inferir isso?
E o que é matar um criminoso?
Continuamos com a palhaçada de chamar “operação de sequestro” a um assalto a um banco.
Como lembrou, e muito bem, o João Miranda, nem os bancos se lembram de ter seguranças. De tal modo sabem que não é nada de dansoso para eles roubarem-lhe uns trocos.
Agora será danoso sim, para qualquer cliente, se para defender esses trocos, a polícia crie situações de sequestro e depois ponha em risco a vida deles.
Até porque, qualquer um de nós podia ser alvo de verdadeiro assalto com agressões em casa, que não iam para lá snipers.
Os nossos bens não têm a cotação securitária dos de um banco. Sendo que, ladrão que rouba a ladrão, tem 100 anos de perdão.
20 Agosto, 2008 às 11:46 am
A Helena Matos que me desculpe mas o título deste artigo deveria ser “Crónica de uma criminalidade anunciada”.
20 Agosto, 2008 às 11:49 am
“Rui Pereira, ministro da Administração Interna , segundo o Jornal de Notícias, avalizou uma ordem para matar, numa situação em que a polícia usa o eufemismo “neutralizar”, num caso de roubo a um banco, acompanhado de sequestro. Os neutralizados eram dois assaltantes, inexperientes e sem antecedentes conhecidos.
Rui Pereira, apresentou-se publicamente muito satisfeito, por esta acção policial, tipo operação militar, com intervenção de um grupo para-militar da PSP ( GOE), por causa de um assalto a um banco, com tomada de reféns, realizado por dois punks.
Dois “desperados”, a lembrar cenas de filme ( Dog day afternoon com Al Pacino, por exemplo) sem antecedentes criminais, trabalhadores imigrados do Brasil, já apresentados como pessoas correctas para com os vizinhos, e que decidiram assaltar um banco, para roubar dinheiro.
O plano correu mal, porque a polícia, ao contrário do que é costume, apareceu logo e em força. A dupla de punks, armada em bandidos profissionais, decidiu tomar reféns, para garantir uma fuga em segurança. Vendo-se cercados, os bandidos estagiários, ibertaram-nos logo, retendo dois que manietaram com abraçadeiras de plástico ( o responsável máximo da PSP, na tv, usou a expressão “manipularam”).
Ao longo de oito horas, a polícia, através de negociadores ad hoc, tentou convencer os sequestradores a renderem-se. Estiveram perto de o conseguir, mas não lograram esse objectivo primordial, por motivos ainda não esclarecidos.
Ao fim desse tempo, a polícia do GOE, por ordem de comando, avalizada, segundo os jornais ( pelo menos o JN) pelo ministro Rui Pereira, disparou e matou. Com atiradores furtivos, colocados estrategicamente, esperou a oportunidade de cumprir a ordem de execução ( não há outra expressão, por muito cruel que o seja, para definir o acto) e matou um dos sequestradores, ferindo outro.
Meio sucesso, portanto, se tivermos em conta que neste género de actuações, o objectivo , confessado pelo GOE, é sempre a neutralização completa e total, dirigida ao cerebelo dos alvos.
Ainda assim, o ministro bateu palmas à sua própria actuação. Para a polícia, a operação foi um sucesso, porque tudo correu segundo o objectivo desejado: a libertação dos reféns sãos e salvos.
Esqueceram no entanto, vários pormenores. A operação correu bem, de facto, segundo essa perspectiva, porque os sequestradores, como tudo indica, não quiseram abater os reféns.
Essa é a verdade lógica e consequente com os factos conhecidos, agora. E se os sequestradores quisessem mesmo matar os reféns, o que valeria a intervenção do GOE?
Os disparos dos snipers do GOE, não atingiram os objectivos tal como previsto no manual de instruções, publicitado aos media. Não foram efectuados simultaneamente; não foram letais, num caso e não foram suficientemente lestos para evitar a reacção de, pelo menos um dos sequestradores. Este, poderia ter morto um dos reféns ou até os dois, se optasse por disparar contra o fugitivo.
Em resumo: a acção do GOE foi temerária, afinal amadora ( apesar do profissionalismo dos seus militares) e só correu bem, porque a sorte os acompanhou e provavelmente, como se denota, os punks sequestradores, não estavam mesmo dispostos a matar os reféns.
Depois disto, vir deitar foguetes, pelo sucesso desta operação, parece, talvez, um pouco exagerado.
Mas o ponto principal, nem é esse.
Este mesmo Rui Pereira que agora aplaude pressurosamente e com amplo gáudio geral, esta operação executiva de morte de sequestradores, à ordem de um comando policial, avalizada por ele próprio, é o mesmo ministro que liderou a reforma dos códigos penais e a Unidade de Missão que disso se encarregou.
Nesta altura, o balanço efectuado por várias entidades oficiais, ( vários responsáveis do MP e a PGR, por exemplo), é denunciador de um estado de Direito, em Portugal, onde os criminosos de alta e baixa densidade ( como é o caso destes dois punks da banditagem amadora), têm ampla liberdade de movimentos.
Além do mais, por exemplo, os requisitos para a prisão preventiva estão agora tão restringidos que nem se percebe que este assaltante sequestrador que sobreviveu, possa de alguma forma ficar em prisão preventiva.
As penas e as exigências quanto aos requisitos de prova, do crime foram tão aprimorados que qualquer advogado de meia tijela, pode anular um julgamento ou uma prova recolhida em Inquérito, se nisso se empenhar.
Neste aspecto, gravíssimo para um Estado de Direito que se preze e ao contrário do que afirmam alguns responsáveis governamentais, pode Rui Pereira limpar as mãos à parede. Aliás, a isso, foi já aconselhado, na prática de argumentos apresentados pessoalmente e num colóquio, por um dos autores de comentários às leis penais- Costa Andrade.
O sentimento de impunidade da banditagem de pequena e média dimensão é tal que os pequenos punks do assalto a carros e da prática reiterada de car-jacking, home-jacking e outros exercícios , já nem se dão ao cuidado de ter cuidado com a polícia. Já-que- isto- está – assim- vamos- lá- experimentar-um- pequeno- assalto- que-no fim de contas-pouco ou nada- nos acontece.
É este o sentimento geral e evidente e que só não nota quem não quer notar.
As notícias diárias, no Correio da Manhã e no 24 Horas, já nem espantam o transeunte que toma conhecimento, na rua, de mais assaltos violentos, de mais assaltos a bancos, de mais assaltos com gangs e outras malfeitorias que não preocupam muito os Ruis Pereiras, enquanto as estatísticas oficiais, contradisserem numericamente a realidade por todos vivida.
Este pathos e este ambiente deletério na sociedade, foi criado objectiva e reiteradamente pelos Ruis Pereiras que assentam lições nas faculdades de Direito e depois as vertem em letra de lei, nos códigos penais e de processo, com ideias peregrinas que só podem resultar em laxismo de comportamentos sociais.
Os acontecimentos na Quinta da Fonte e noutros lados, fogem ao alcance dos snipers do GOE, mas têm um reflexo social muito mais profundo. Nesses casos, Rui Pereira está no Brasil, ou algures, ausente da realidade vivida por cá.
Agora, o politicamente correcto, veiculado por um director da PSP que não sabe distinguir o verbo manipular do verbo manietar, é iludir a nacionalidade dos assaltantes. “São pessoas como eu e você”, disse o dito cujo. Pois são. E que foram condenados à morte, por execução do verbo neutralizar.
Talvez ainda vão a tempo de conjugar o verbo prevenir. Vão sempre a tempo, aliás. Desde que tenham inteligência suficente para tal e se eximam ao ridículo de aplaudir operações militares contra dois punks. Falhadas, ainda por cima, nos objectivos de neutralização definitiva.
Um dos assaltantes sobreviveu. Está fora de perigo, dizem do hospital.
Vamos então fazer uma prognose do que lhe irá acontecer, tendo em contas as belíssimas leis que este mesmo Rui Pereira fez aprovar, por trabalho que dirigiu numa Unidade de Missão.
Logo que saia do hospital, o suspeito vai ser constiuido arguido. Como?
Oh! Se vocês soubessem o trabalho que o MP e o JIC de turno vão ter, para lhe imputar os factos que já são conhecidos!
Aí, é que Rui Pereira deveria estar presente, para perceber o resultado prático da Unidade de Missão que liderou e a lei que a AR ( PS s PSD) aprovou.
Ao suspeito, em primeiro lugar, vão ser lidos os seus direitos, onstituindo-o arguido, com assistência de advogado, escolhido por ele ou nomeado pelas autoridades judiciárias. D
epois, vai ser-lhe lido o relato dos factos, pormenorizado e com indicação obrigatória de todas as provas que existem nos autos e suportam aqueles factos.
Depois, o magistrado do MP, vai escrever tudo isto e remeter este expediente, para o JIC, a fim de o interrogar sobre os factos relatados, indicando-lhe obrigatoriamente todas as provas que o indiciam na prática desses factos.
Depois, uma vez que isto vai demorar várias horas, longas horas em que os jornalistas ansiosos irão relatar os acontecimenntos à maneira de uma incrível Sandra Felgueiras, iremos perceber uma coisa simples que resulta directamente das leis aprovadas comesforço, pelo esforçado responsável pela Unidade de Missão: o arguido não deverá ficar em prisão preventiva. Não deve e adianto já porquê.
Só ficaria se houvesse receio de o mesmo fugir, segundo a lei processual penal actual. Será que um juiz vai entender de modo diverso, quando o suspeito, tem residência em Portugal, trabalha, tem até um primo que jura pela sua permanência em sossego? Não, não acredito nisso.
Depois, podemos sempre especular acerca da pena que o mesmo, eventualmente e em julgamento poderá sofrer, aplicada por um tribunal criminal de Lisboa, daqui a uns bons meses (nunca antes de um ano).
O crime de roubo, está praticamente provado. Em co-autoria com o assaltante morto, em execução da ordem avalizada por Rui Pereira.
Moldura da pena, segundo o artº 210ºC.Penal ( roubo): 1 a oito anos de prisão ( sobe para 15 se o agente provocar perigo para a vida da vítima. Mas, neste caso, quem é que realmente provocou perigo para a vida da vítima? Foi o bandido?)
Tendo em conta que o arguido não tem antecedentes penais, o critério para a ponderação da pena concreta, nunca irá para cima dos 4 anos, com toda a probabilidade de ficar aí nos três anitos de prisão. E depende, em concreto, do que se roubou…se é que se roubou.
Depois, o sequestro, punido no artigo 158º do Código Penal, com pena de prisão máxima de…três anos!
Temos por isso, dois crimes imputados indiciariamente. Um de roubo e outro de sequestro ( o suspeito, se o advogado tiver cuidado, só deverá ser acusado por um crime, porque os outros, podem muito bem ficar a cargo do morto…) .
Ainda que lhe seja imputada a co-autoria de seis crimes de sequestro, o que aumentará a moldura penal, a verdade é que dificilmente passará do máximo de três anos de prisão. Com a redução da praxe, no cálculo da pena concreta, poderá alvitrar-se, com suficientemente margem de manobra, e a permitir até, uma aposta , que o arguido sobrevivente, dificilmente apanhará uma pena de prisão efectiva, superior a cinco anos de prisão.
Mas isso, se tudo correr processualmente bem. Ou seja, se a entidade investigadora e a cusadora, não cometerem qualquer falha. As nulidades e simples irregularidades, no actual Código Processo Penal, são como minas pessoais, espalhadas no campo de batalha do processo: quando menos se espera, qualquer sujeito processual pisa uma- e lá vai tudo ao ar.
Se o arguido escolher um advogado que prefira estudar essas possibilidades de sucesso que o Código de Processo Penal, aprovado pela Unidade de Missão de Rui Pereira, garante efectivamente aos arguidos. então vamos assistir a um autêntico show de probabilidades semânticas e jurídicas. E com sorte, pode até dizer-se que o arguido ainda escapa. De qualquer pena.
Tudo isto, obra de quem?
Além de outros, naturalmente, de Rui Pereira. O mesmo que avalizou a ordem para “neutralizar”.
Adenda, em 11.8.2008:
O texto foi corrigido na sua sintaxe e alteradas algumas palavras, para conformar a escrita em português, com uma redacção menos apressada.
Quanto ao prurido, que li nos comentários, sobre o facto de o Grupo de Operações Especiais, da PSP, não ser um grupo para-militar, só deixo uma pergunta: é o quê, então? Uma força civil, como alguns pretendem, sem ponta de característica militar? E já leram os objectivos e missões que lhe estão confiadas estatutariamente?
Então, para esses que fazem figura de cadelas apressadas, aconselho a leitura desta discussão e deste texto.
A foto é do Expresso e acompanha um excelente artigo de reportagem, assinado, além de outros por um certo Carlos Rodrigues Lima. Parabéns.”
Publicado por josé
http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/2008/08/o-neutralizador.html#links
20 Agosto, 2008 às 11:50 am
Excelente Helena, o discernimento escasseia nos dias que correm, logo é sempre refrescante ler um artigo de qualidade.
20 Agosto, 2008 às 12:10 pm
O problema agora diagnosticado, tem causas. Uma delas, sem dúvida, é a filosofia das leis penais.
Uma vez que as mesmas já têm mais de 20 anos ( 1982 e 1987), vou escrever um postalzito sobre o assunto. Resumido, mas com tudo o que é essencial. Aliás, nem precisei de procurar muito para me documentar. Tenho aqui um livrito de 1983 que se chama Para uma Nova Justiça Penal e tem artigos sucintos e completamente esclarecedores, de Eduardo Correia (o inspirador do Código Penal, inseminador do mesmo, com paternidade assumida por outros) e Figueiredo Dias, o maior responsável pelas leis penais que temos.
Logo, para recordar e porque o problema se está novamente a colocar, vou tentar resumir as ideias básicas que são simples de enunciar: tal como no ensino, o facilitismo, fez caminho à larga.
E os resultados estão à vista.
E sabem de quem são as ideias básicas, fundamentais desta coisa toda? Alemãs!
Já são eles quem nos vendem os carros, o hardware diversificado para os equipamentos e também nos impingem as ideias sobre matérias tão subtis como a filosofia penal.
Mezger, diz-lhes alguma coisa?
Não? Vão aqui- sinedie.blogspot.com-, se bem entenderem, perceber em meia dúzia de linhas porque é que somos parolos.
A conclusão do postal aí colocado, sobre o tema de antes das fotos sobre o Atlas, diz assim:
“Seja como for, a “história” desta interessante obra é mais uma de entre muitas, de todos conhecidas (lembremo-nos de Carl Schmidt, de Exner, este especialmente próximo de Mezger, etc., etc.): que há sempre diligentes intelectuais dispostos a colocar os neurónios e as sinapses entre os ditos ao serviço das patifarias mais desumanas que um cérebro doente pode cogitar. Para perceber como isso é possível a obra de Muñoz Conde é, pois, um importante instrumento.”
20 Agosto, 2008 às 12:12 pm
O J acaba de me colocar em linha. Não era preciso. A ideia básica é a mesma da do postal de Helena Matos, mas isso significa apenas que somos dois ( e mais uns tantos) a perceber que as coisas estão mal, mas por um lado mais complexo do que parece.
20 Agosto, 2008 às 12:35 pm
Eu li faz um ano sobre os taliban da Abrançalha, fiquei revoltado com o que fizeram principalmente com os velhotes, estes taliban eram de etnia cigana. Parece que são os mesmos que andaram aos tiros com a PSP, passado um ano mas não se referiu a etnia. Fica a pergunta, são os mesmos? São ciganos ou não?
20 Agosto, 2008 às 12:51 pm
Fica provado que há bons revisores no Público.
20 Agosto, 2008 às 1:04 pm
“Contudo há anos que tudo isto estava a anunciar-se diante dos nossos olhos.”
esta frase merecia uma correcção: Contudo há anos que isto está a acontecer. Não aparece é nos media. Logo virtualmente não acontece.
Se ninguém fala é por que não existe. E assim vai o país.
Quanto a “Como lembrou, e muito bem, o João Miranda, nem os bancos se lembram de ter seguranças. De tal modo sabem que não é nada de dansoso para eles roubarem-lhe uns trocos.”, não é verdade. O sbancos até se lembram. Aliás tinham um polícia à porta, gratificado. Mudaram foi a lei sobre a importãncia que iria para o bolso da polícia nesse caso.
(Quando a policia estava a guardar os bancos, o local mais favoraveis para sorrapiar uma carteirita era defronte ao banco o policia estava ao serviço do banco, não poderia abandonar o posto e como tal só poderia chamar os seus colegas - surreal, mas é verdade)
20 Agosto, 2008 às 1:07 pm
16. Zazie:
Onde é que o Joaquim leu algo que possa inferir isso?
A Helena escreveu:
Uma vez cá fora e dada a grande impunidade com que os criminosos actuam também não parecerá mal, aos portugueses, que um sniper vá tendo ordem para disparar.
Se não parecerá mal (…) dada a grande impunidade, então se não existisse impunidade deveria parecer mal que um sniper vá tendo ordem para disparar. Além de eu ter escrito parece querer ser transmitida a ideia (admitindo implicitamente que essa seja uma interpretação possível das palavras da Helena), o que escrevi a seguir refere que haverá sempre situações em que um sniper ter ordem para matar não tem nada que parecer mal.
E o que é matar um criminoso?
Continuamos com a palhaçada de chamar “operação de sequestro” a um assalto a um banco.
Onde é que a Zazie leu “operação de sequestro”? Eu apenas escrevi “em que estejam envolvidos reféns”. E o caso em discussão foi um assalto a um banco em que foram mantidas duas pessoas como reféns (sob ameaça de arma) durante várias horas.
Como lembrou, e muito bem, o João Miranda, nem os bancos se lembram de ter seguranças. De tal modo sabem que não é nada de dansoso para eles roubarem-lhe uns trocos.
Não têm seguranças e, pelo que parece, nem sequer deviam ter alarmes. Para que a polícia não se lembre de aparecer antes de os assaltantes fugirem e, assim, evitar que os funcionários e clientes do banco possam ser feitos reféns.
Pelos vistos, a Zazie sentir-se-á mais segura se ficar estabelecido que a polícia nunca deve enfrentar criminosos no decorrer das suas actividades. Para que nenhum inocente venha a ser atingido por uma bala disparada pela polícia, mesmo que o número de inocentes mortos pelos criminosos venha naturalmente a aumentar. Ou acha a Zazie que as vítimas de assalto nunca devem resistir aos assaltantes, independentemente do juízo que façam da situação?
Já agora, se se quer recorrer das palavras de alguém para sustentar a sua opinião, não acha que deveria antes recorrer a alguém que tenha escrito algo que faça um mínimo de sentido?
Agora será danoso sim, para qualquer cliente, se para defender esses trocos, a polícia crie situações de sequestro e depois ponha em risco a vida deles.
Pontos de vista. Para a Zazie, foi a polícia que criou a “situação de sequestro” e pôs em risco a vida dos reféns. Para mim, os réfens foram postos em risco por quem os ameaçou matar. A polícia salvou-os.
É que eu sinto-me muito mais ameaçado por alguém disposto a matar-me por ser do seu interesse do que por quem me tenta ajudar com o risco de as coisas correrem mal.
Até porque, qualquer um de nós podia ser alvo de verdadeiro assalto com agressões em casa, que não iam para lá snipers. Os nossos bens não têm a cotação securitária dos de um banco. Sendo que, ladrão que rouba a ladrão, tem 100 anos de perdão.
A argumentos, mesmo que disparatados, ainda se responde (até um certo limite). O ridículo absoluto é que não merece resposta.
20 Agosto, 2008 às 1:19 pm
“Este sim, é um artigo e é jornalismo. A HM, quando quer, também consegue.”
Really Zarilú??? Pois, e você nunca, nunca consegue, por mais que se esforce. O mais espantoso que vimos de si foram os vídeos porno. Incrível, imagine se o Papa soubesse disto!…A Zarilú seria logo excomungada. Coitada, escorraçada da comunidade que tanto defende…
20 Agosto, 2008 às 1:41 pm
Em vez de olhar para a árvore do sniper, espreitem um pouco mais longe, para a floresta de enganos, do meio social e jurídico que os fez aparecer. Nem é preciso grande sociologia ou criminologia. Basta um pequeno esforço, para perceber como é que dois punks brasileiros se aventuram por cá, a uma acção deste género.
Aliás, basta ler as notícias de hoje, dos jornais e ainda as de amanhã que darão conta dos assaltos de hoje ( que já houve a uma carrinha de valores num lugar isolado), para perceber a razão profunda por que ocorrem com tanta facilidade.
É que se trata mesmo de facilidade. Normalmente, estas coisas são realizadas por quem já percebeu ( por ter ja estado dentro ou viver em meio criminógeno, para simplificar) que pouco arriscam ao proceder desse modo.
Os criminosos de delito comum, bem como a banditagem de alto coturno já perceberam há muito aquilo que alguns comentadores daqui, alguns até licenciados, ainda não entenderam de todo: que as leis os protegem.
Perceberam? Não leiam isto como sinal de arrogância. Leiam apenas como indicador de uma opinião. A ver se abrem os olhos!
20 Agosto, 2008 às 1:43 pm
Pois é, Joaquim. São pontos de vista e é também uma “leitura” que não veio por via da telemanipulação.
O assunto já está mais que debatido e v. tem por aí dezenas e dezenas de posts a explicarem como as pessoas foram engrominadas.
Não houve um sequestro porque sequestro é penhorar pessoas para se exigir algo em troca que não está no local- exemplo- sequestro de passageiros para se exigir mudança de rota do avião ou libertação de presos.
Houve um assalto, sem que nenhum ladrão tivesse ido para lá apontar armas à cabeça das pessoas fazendo-as refens de nada.
Uma hora e meia depois de eles terem entrado no banco para fazerem apenas um assalto, ainda a polícia nem sabia quantos eram.
Porque, o que a polícia fez, foi cerco apertado, a 50 metros (coisa errada, como depois no outro já não voltaram a fazer) e aí, sim, provocaram uma situação de sequestro que acabou por ser resolvida com 3 tiros, sendo um falhado por parte da polícia e o outro falhado por parte do ladrão.
A televisão criou a história ao fazer crer que a situação final era a própria história- daí as pessoas agarrarem-se à palavra sequestro em vez de assalto.
O resto, como sabemos, são meras versões contraditórias, e algumas delas até “patuscas” que incluem como justificação para o darem por esgotadas as possiblilidades de negociação, o facto de ter lá aparecido, pelo seu próprio pé, um rapaz que não conheciam de parte alguma e que se identificou como primo do “cara que está lá dentro”, dizendo que ele lhe tinha telefonado a garantir que se ia suicidar.
Foi com base nesta palhaçada explicada para os jornais que alegam que as famosas negociações altamente profissionais estavam esgotadas. Quando até tinham ali um familiar, com uma história de pedido de telefonema à mãe do próprio rapaz gatuno, que podia ter sido perfeitamente usada em chantagem emocional nas ditas “negociações”.
Mas não. Preferiram vender uma outra versão, que depois desta ida patusca do dito primo, foram obrigados a disparar porque eles vieram cá para fora e eles tinham a certeza que iam fugir num dos carros estacionados à porta.
Carro estacionado à porta, durante mais de 8 horas, que a polícia não teve meios para retirar e que era o modo mais fácil para eles fugirem.
E nem vale a pena continuar a contar as anedotas justificativas desta historieta vendida para atirar areia para os olhos do povão, porque são mesmo caricatas, Até já li no In verbis que o tal smart era da própria polícia- a mesma que se viu obrigada a dar ordem de abate para os ladrões não fugirem nele.
20 Agosto, 2008 às 1:46 pm
E se concordarem com a opinião, vejam depois quem plantou essas árvores da floresta de enganos: o pensamento politicamente correcto do final dos anos sessenta.
Alguns, ainda vivem nessa época e por isso é que a disparidade entre essa época e a dos jogos da play station ( Grand Theft Auto, por exemplo), cria este gap que permite a alguns entender a acção destes snipers como perfeitamente plausível e aceitável num assalto destes.
Não é. Continuo a afirmar que não é nem deve ser.
20 Agosto, 2008 às 1:46 pm
Acho piada às claques nas caixas de comentários.
Faz lembrar aqueles momentos de televisão em que as pessoas se beijam e dão parabéns umas outras, quase sempre convidadas para isso.
20 Agosto, 2008 às 1:48 pm
Quanto à maluquinha da minha fã que dá pelo nome de Tina_Monga e que costuma usar o meu nick em versões com acréscimo de numeração romana, temos pena.
Se quer mais ficheiros de som da abelha maia e da marilu vai ter de os arranjar sozinha.
Acreditamos que ande a ressacar com a falta de estímulo que a marilu e o calimero ainda lhe proporcionam, mas não há mais conversa com Tinas-Mongas
20 Agosto, 2008 às 1:52 pm
«Alguns, ainda vivem nessa época e por isso é que a disparidade entre essa época e a dos jogos da play station ( Grand Theft Auto, por exemplo), cria este gap que permite a alguns entender a acção destes snipers como perfeitamente plausível e aceitável num assalto destes.»
É capaz de ser uma explicação e ultrapassa-me por estar a leste disso. Mas lá que há uma qualquer explicação à matriz, perfeitamente fora da realidade e deseja ficcionalmente, há.
Tanto mais que depois até dizem coisas espantosas como: “queriam combater o crime à moda dos anos 60?” agora tem de ser assim.
E isto, sem nunca se terem lembrado de escrever o que quer que fosse a dizer que viviamos nos anos 60, por não usarmos snipers em assaltos, já que não usamos polícia, sequer para vulgares giros e patrulhas nas ruas, como acontece, isso sim, em qualquer país civilizado.
20 Agosto, 2008 às 1:53 pm
errata :desejada ficcionalmente.
20 Agosto, 2008 às 1:54 pm
” Uma vez cá fora e dada a grande impunidade com que os criminosos actuam também não parecerá mal, aos portugueses, que um sniper vá tendo ordem para disparar.”
Nas circunstâncias em questão tal é normal. Só quem não percebe que a vítima não pode ser sacrificada ás custas do criminoso é que não entende.
Quanto ao resto é o resultado da Narrativa e Cultura de esquerda no Poder. E Poder = Jornais, TV’s, Educação, Justiça.
“E sabem de quem são as ideias básicas, fundamentais desta coisa toda? Alemãs!”
Não brinque, não há nada por baixo disto a não ser uma mundovisão que vem dos anos 70.
Nova Iorque combateu o crime atacando especialmente os pequenos crimes pois é aí que tudo começa. Crimes pequenos não dão protagonismo até ao dia em que a coisa explode e aí já se é obrigado a lidar com ele pelo nível que atingiu. Por cá é ao contrário os cheques carecas deixaram de contar, o crime menor tem sido tratado displicentemente. Isto é paga-se cada vez mais impostos para que os políticos considerem que cada vez menos crimes devam ser combatidos.
Se se quisesse combater o crime começava-se por instituir uma divisão que tratasse da pequena criminalidade com alguém á frente a quem se podia pedir resultados.
20 Agosto, 2008 às 2:02 pm
O luck devia mudar o nick para exterminador implacável, já que acerca da filosofia das leis frouxas que temos nada percebe.
Ele está convencido que a lei é feita por quem deve capturar e não pelas leis que servem para aplicar as penas.
Como as leis não servem para nada- servem para que nada aconteça praticando o crime, na lógica dele, as leis estão boas e recomendam-se, precisamos é de mais atiradores furtivos.
20 Agosto, 2008 às 2:04 pm
Se lhe perguntarmos quem alterou recentemente o código penal e com que finalidades- não sabe. Sabe sim que é coisa “de esquerda” e para desculpar, não termos a lei do Texas com atiradores furtivos do Estado e, possivelmente, com mais atiradores furtivos, das máfias- como já se andava a treinar na noite do Porto.
20 Agosto, 2008 às 2:06 pm
É muito patusca esta visão da “justiça” porque no Brasil já vai pior e pelos mesmos motivos. Lei frouxa para não terem de encarcerar os políticos e atirador furtivo em gangos rivais nas favelas.
Eu diria até que a moda está a ser importada. E há sempre “Exterminadores Implacáveis” de playstation que gostam muito destas palhaçadas, sentados no sofá, frente ao monitor com consola ou com telecomando de televisor.
20 Agosto, 2008 às 2:07 pm
É muito patusca esta visão da “justiça” porque no Brasil já vai pior e pelos mesmos motivos. Lei frouxa para não terem de encarcerar os políticos e atirador furtivo em gangs rivais nas favelas.
Eu diria até que a moda está a ser importada. E há sempre “Exterminadores Implacáveis” de playstation que gostam muito destas palhaçadas, sentados no sofá, frente ao monitor com consola ou com telecomando de televisor.
20 Agosto, 2008 às 2:11 pm
“Se quer mais ficheiros de som da abelha maia e da marilu vai ter de os arranjar sozinha.”
Oh, que pena, Zarilú, você é que parece encontrar essa pornografia toda tao rapidamente, até dá impressão de ser visita assídua a esses sites, vá lá, ponha lá outra vez para todos vermos. E depois no fim, não se esqueça de dizer com o seu ar impertigado que se considera “uma senhora”, como disse da última vez, que era para o caso de alguém ter alguma dúvida…
20 Agosto, 2008 às 2:20 pm
Os ficheiros de som da abelha maia e da marilu, que tanto excitam a Tina Monga- (anda a ressacar desde que eu cá não vinha) são do Herman José e a Tina Monga encontra-os facilmente online.
Por aqui estávamos a ter uma conversa bastante acima das suas capacidades de entendimento, pelo que, intrometer-se com pedidos de canções da marilu e do calimero que vai áquele sítio da abelha maia, são um tanto descabidas.
Ainda assim, como eu sou benemérita, pode-me mandar um e.mail que eu envio-lhe as cançonetas que tantas saudades lhe deixaram.
20 Agosto, 2008 às 2:23 pm
Para acompanhar este do atirador furtivo que também a excita tanto, até lhe posso oferecer um bónus com a canção do “Conã o Homem Rã”
20 Agosto, 2008 às 2:25 pm
Os artistas são os Irmãos Catita, não tenho outras versões.
20 Agosto, 2008 às 2:26 pm
Bem, pelo menos desta vez a Zarilú confessa que foi ela a passar aquela porcaria (e ainda mais). Mas quando foi apanhada só dizia “Não fui eu, não fui eu” . Que mentirosa que ela é. Da mesma maneira como disse “Nunca mais comentarei no Blasfémias!..” Meu Deus, uma católinha tão ferrenha, e tão falsa e mentirosa.
20 Agosto, 2008 às 2:33 pm
Isto está bonito. Agora foi um ourives em Setúbal a levar com dois balázios numa rua central, cheia de comércio, ao final da manhã. As autoridades, essas, preocupam-se antes com a “extrema-direita”. As autoridades são cúmplices dos bandidos.
20 Agosto, 2008 às 2:35 pm
Lucky:
O que nos separa ideologicamente, provavelmente será nada de essencial. Então porque divergimos nestas coisas?
Por causa da confusão de conceitos.
Tem razão quando afirma que estas leis penais se devem á Cultura dominante que tem sido de Esquerda. Tem razão ao dizer que se inverteu a prioridade da defesa das vítimas a favor dos bandidos de todas as matizes.
Só não tem razão ao dizer que isto é resultado de uma mundivisão que vem dos anos 70. Não. É mais antiga e de raiz social-democrata, alemã. Figueiredo Dias, fez lá o doutoramento no final dos sessenta. Ficou deslumbrado e até escreveu no prefácio de um dos códigos esse deslumbramento que tomo como parolo.
Quanto ao resto, tem toda a razão: para evitar os snipers, é preciso antes, combater os grafittis ou, no caso, os assaltos a carros para roubar autorádios. Agora, já nem é isso. São os assaltos a qualquer coisa que renda e seja pouco arriscado.
20 Agosto, 2008 às 2:36 pm
Pergunta:
Já foi TRANSCRITA a conversa entre os assaltantes e os negociadores?
Se não, só resta um facto:
NINGUÈM destes comentadores de meia pataca, sabe o que aconteceu durante o “presumivel” assalto com um “alegado” sequestro ao BES.
Ou seja.. teorias da treta. Opiniões de meia tijela é o que é…
20 Agosto, 2008 às 2:39 pm
A filosofia das leis penais, parece-mne profundamente errada. É simples de entender: os seres humanos são todos recuperáveis socialmente. São bons selvagens. No fundo, é a mesma ideologia do Ensino que temos.
O paradigma, segundo o próprio Figueiredo Dias, em 2004, já estava errado. Foi isso que o mesmo disse nessa altura, da sua obra.
E redisse-o agora, em 2007, numa conferência, em Braga, por causa das novas reformas penais, da autoria da Unidade de Missão de Rui Pereira e acólitos deste poder xuxialista de meia tijela.
A meu ver, poucas pessoas discutem este assunto. Se até o professor Paulo Rangel, achou por bem contribuir para o Pacto, que dizer da nossa intelectualidade?
20 Agosto, 2008 às 2:40 pm
E mesmo a dita defesa à Giulliani, sem tolerância com a pequena criminalidade, com a qual sempre concordei (pelo menos enquanto ele foi mayor e até pela conferência que veio cá fazer- conferência diabolizada por toda a esquerda) nada tem a ver com uso de snipers neste tipo de situações.
O v. erro é este. Citam o Rudy Giulliani, que eu também costumava citar, mas num sentido perfeitamente oposto a essa noção de combate a criminalidade.
20 Agosto, 2008 às 2:41 pm
Goodfeeling ( polícia presumido):
Pergunte a qualquer gerente de balcão do BES que instruções têm aquando de uma assalto. Pergunte se a primeira coisa que devem fazer, será avisar a polícia para cercar o banco.
E depois, seja comedido na objurgatória. Também sei ofender quando quero. E para si, é fácil demais.
20 Agosto, 2008 às 2:44 pm
O tão aclamado sniper do banco fez escola.
Agora anda tudo a praticar para sniper.
Então não vêem que é legítima defesa ?
O ourives tentou abrir uma gaveta, onde presumivelmente havia uma arma.
20 Agosto, 2008 às 2:45 pm
Eu posso é ter alguma perspectiva diferente em relação à vigilância por câmaras, no caso de Inglaterra, porque, em termos de balanço, parece-me positiva.
Entre a paranóia se sermos vigiados (coisa que não necessita de câmara especial- somos vigiados no metro, nas lojas, num simples elevador) e os efeitos positivos que ela tem dado em Londres, eu prefiro-as.
Mas é claro que em Londres a vigilância é permanente. Até porque os polícias são uma instituição nacional que participam da vida da comunidade. O Carnaval de Notting Hill está aí à porta e basta vivê-lo para se perceber como há mentalidades totalmente diferentes que não precisam de jogos e heróis “à americana”
20 Agosto, 2008 às 2:45 pm
Quando existe um assalto pelos vistos a policia nem deve aparecer. Nem sei para que se queixam que nao se ve polciia nas ruas nem em lado ennhum. Vejam lá se a policia aparece ainda é pior e fazem refens. O melhor é ordenar à policia para nunca tentar interromper o trabalhinho dos larápios.
Vejam lá a sorte dos ladroes, poderem assim trabalhar à vontade sem ter medo de ser interrompidos. Isto é que é. É assim mesmo. Isto aprende-se cada teoria.
20 Agosto, 2008 às 2:47 pm
Este tipo de polícia que vemos e temos é que me parece de meia tijela. Não sabem patrulhar, prevenir, vigiar, evitar. Depois, perdem o controlo e acham que só à lei da bala.
É assim. E ainda vêm com teorias, essas sim de treta porque subsidiárias de estratégia nenhuma, a não ser a casuística, a desgarrada e a incoerente, a defender uma actuação vergonhosa, falhada e que colocou em grave risco a segurança dos reféns.
Essa é a verdade que qualquer gerente bancário do BEs e não só, podem testemunhar.
Depois do assalto de Campolide, quantos mais ocorreram? Alguém resolveu? Alguém vai continuar a resolver a inoperância quase total da polícia que temos?
20 Agosto, 2008 às 2:52 pm
O problema desta polícia de bairro que temos, com os heróis por conta própria que agora aparecem, é que não sabem ser polícias. 9 às 5 e está feito o turno. Passear de carro, a fazer de conta que patrulham e se vêem um movimento suspeito de traficantes ou coisa pior, ala que se faz tarde para a esquadra. Isso de passear de carro,é só para inglês ver.
Que me desulpem os polícias a sério, mas estes que aqui vêm comentar, precisam de ouvir destas e ainda melhores. Para saberem que não andamos a dormir na forma.
20 Agosto, 2008 às 2:55 pm
São de meia-tijela, pois. E agarram-se ao exemplo dos atiradores furtivos por isso mesmo- porque nem formação têm. Nem conhecem exemplos de outros países. É bem capaz de ser tudo efeito de série televisiva e filme americano.
E depois existe o outro factor que se prende com a imigração e com a integração dela no mundo do trabalho.
Inglaterra tem 300 milhões de ilegais, ou mais, um pesadelo que vai sendo protelado e cujo perigo é mil vezes maior que as nossas imitações de “londonistões”- são islâmicos, há por lá militância activa de doutrinação terrorista e imigração que ultrapassa tudo.
Mas França também a tem. E Inglaterra não tem racailles, possivelmente por outro factor muito importante- porque é um país com um sistema liberal, muito mais capitalista, que dá mais trabalho que subsídio a imigrantes.
França tem essa tradição de esquerda- da politização e aproveitamento das minorias, tem chauvinismo genético dos franceses e ainda consegue acrescentar-lhes os bunkers fechados onde os arrumam. Nós imitamos os franceses- em tudo, até na grunhice.
20 Agosto, 2008 às 2:57 pm
Zazie quantos assaltantes de bancos foram mortos pela policia inglesa nos ultimos anos? Está aí a falar do que nem faz a minima ideia. Os ingleses usam snipers há tempos.
20 Agosto, 2008 às 2:57 pm
joselito…
Sentiu-se ofendido? paciência…
Sabe o que REALMENTE se passou? é que eu não sei. Se é somente o que leu nos jornais, é sinal que já sabe ler.Mas continua sem sber o que REALMENTE aconteceu.
Mas as suas teorias são giras.Delirantes até.
20 Agosto, 2008 às 3:01 pm
A população dos EUA é que é 300 milhões.
20 Agosto, 2008 às 3:02 pm
São delirantes ao ponto de saber a opinião directa de uma gerente de balcão de BES. Que corrobora a minha opinião.
Informe-se, antes de andar a mandar bitaites desgarrados e a insultar quem não conhece.
20 Agosto, 2008 às 3:02 pm
“Inglaterra não tem racailles”
Por amor da santa. Inglaterra tem bandos e bandos de jovens que destroem a propriedade alheia como se fosse moda aterrorizando os seus habitantes. Inglaterra está com um problema gravíssimo de assassinatos entre jovens nas ruas. Isto é mesmo estar compeltamente a leste da realidade.
20 Agosto, 2008 às 3:02 pm
Para si José:
“Lisboa é, juntamente com Helsínquia (na Finlândia), a capital mais segura da Europa (…)”
(DN online de 21 de Fevereiro de 2007: http://dn.sapo.pt/2007/02/21/cidades/lisboa_e_helsinquia_estao_ex_aequo_s.html)
Só mais uma coisa José: os gerentes dos bancos não avisam a polícia para cercar nem para coisa nenhuma; apenas avisam a polícia e esta decide o que fazer.
20 Agosto, 2008 às 3:04 pm
E o José. A dizer mal da policia e dos seus turenos. Nao faz a minima ideia do trabalho. E como o José é injusto. É insultuoso para a esmagadora maioria da policia. Deia ter vergonha de falar do que desconhece só porque sim.
20 Agosto, 2008 às 3:04 pm
Mas o Anónimo quer comparar um assalto e a brutalidade que ele comporta quando praticado em Inglaterra com esta palhaçada de Campolide?
Sabe do que está a falar? sabe o que é mesmo um assalto a um banco em Inglaterra?
Olhe, é a mesma diferença entre uma dezena de yobs de cá, a sujarem as paredes com a trampa dos graffittis ou a desatarracharem as lâmpadas do metro, e 3 deles em Londres a abrirem a barriga só por v. se ter cruzado com eles.
São estas as diferenças. Tudo tem proporções diferentes. E não existe “um sequestro” em abstracto ou “um assalto em abstracto”- existem casos concretos. E este nada teve de brutal, com brutais agressões como tem a criminalidade quotidiana que não é resolvida “a sniper”.
20 Agosto, 2008 às 3:07 pm
“(…) Agora chega com snipers, GOE’s, “gang’s rivais (…)”
Tudo no mesmo saco. Tudo escumalha. Queira Deus que não venha a precisar de um “bandido” do GOE para lhe safar a pele.
Os snipers são como médicos cirurgiões: repõem a ordem de forma cirúrgica.
20 Agosto, 2008 às 3:08 pm
Mas v. sabe a diferença entre esses bandos e uma racaille consiste na tomada de um bairro, literalmente, com negociadores políticos e política a ser feita em directo?
Sabe o que é uma racaille?
Não sabe e não vou eu perder tempo a explicar-lhe
20 Agosto, 2008 às 3:12 pm
Anónimo 56
Até me lembro de um brasileiro que foi morto por ser confundido com um terrorista´, só por ter uma sacola…(nem a assaltar bancos andava).
Tirando somente estes 2 exemplos, quem será a melhor polícia?
Não é em inglaterra que é hábito os putos assassinarem putos, só porque são putos… mais valia irem ao ferro-velho com os pais.
Não há país modelo neste assunto. pronto, talvez o Vaticano…
20 Agosto, 2008 às 3:17 pm
Já vi que os snipers actuam como cirurgiões.
Os polícias serão como enfermeiros.
Falta saber quem é o dr. House.
20 Agosto, 2008 às 3:21 pm
Olha a Zarilú, até tem vergonha de dizer todos os videos que passou. Mesmo mentirosa, julga que pode limpar o seu nome, mentindo ainda mais. Maior porcaria, escondendo-se sob um pseudónimo, nunca vi. Foi assim que lhe ensinaram no colégio de freiras que frequentou? Essa porcaria toda e ainda por cima a mentir?
20 Agosto, 2008 às 3:23 pm
São os enfermeiros, quando não são os “fiscais de obras feitas”.
20 Agosto, 2008 às 3:26 pm
Já se informou assim tão rapidamente sobre o que faz um gerente bancário, quando confrontado com um assalto? Sabe, na prática como é, ou apenas palpita, de cor?
Então pense comigo:
Se estivesse num balcão do BES de Campolide e lhe aparecessem dois malandros, a apontar uma pistola e a pedir-lhe o dinheiro que ali tinha que nem é seu, nem responde directamente por ele ( os tipos do BCP, ficaram com muito mais, sem apontarem pistolas a ninguém e sem fazerem reféns, a não ser da inteligência de algumas luminárias da CCVM), se estivesse aí e não fosse polícia, mas apenas mero funcionário bancário, que fazia em primeiro lugar?
Avisar a polícia, logo logo, para aparecerem e cercarem o banco? Sabendo que nesse caso, o que um assaltante minimamente preparado faria, seria imediatamente fazer reféns, logo fazê-lo refém a si que avisou a polícia?
Acha que é desta inteligência policial que está no última andar da sede do BES, na av. da LIberdade? Acha mesmo?
É que se achar, acha mal.