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Diário de viagem

2 Fevereiro, 2008

Finalmente terminei a transcrição de o «Diário de Minha Viagem para Filadélfia, 1798-1799», da autoria de Hipólito da Costa.

Seguiu-se a ordem cronológica do próprio Diário e, na medida do possível, incluiram-se links para páginas com apresentação dos personagens que contactou e locais que visitou, para melhor enquadramento de leitura.

Uma geração antes de Tocqueville, Hipólito da Costa viajou pela costa leste dos Estados Unidos ao serviço do governo de Portugal, tendo deixado um «Diário de Minha Viagem para Filadélfia, 1798-1799», descoberto inédito na Biblioteca de Évora pelo investigador brasileiro Alceu Amoroso Lima e publicado pela Academia Brasileira de Letras em 1955 e que se encontra em domínio público.

O Diário constitui um relatório das actividades de HC e era dirigido a D. Rodrigo de Souza Coutinho, Conde de Linhares, ministro de Estado da Marinha e Domínios Ultramarinos do governo português, que o tinha encarregue de tal viagem.

Mas o lado mais interessante da obra é o estilo jornalístico em tom de reportagem, retratando circunstancialmente as viagens efectuadas por várias cidades americanas, os costumes que observa, as actividades agrícolas e industriais, a botânica (principal e oficial motivo da sua missão), o panorama religioso, o sistema político, económico, prisional e universitário. Conheceu artesãos, cientistas, agricultores e heróis da Guerra da Independência, bem como Thomas Jefferson, George Washington e o então presidente dos Estados Unidos, John Adams. Tece ainda extensas considerações sobre as religiões dos americanos, sobre questões económicas e monetárias, para além das práticas e sistema político.

O Diário inicia-se com a saída do autor da barra do Tejo no dia do nascimento do príncipe herdeiro D. Pedro, primogénito do então príncipe regente D. João, e termina com o funeral de George Washington. Após o fim da sua missão e do Diário, Hipólito da Costa ficou ainda mais uns meses nos EUA onde actuou como representante diplomático oficioso, por ausência do embaixador português, regressando a Lisboa apenas em 180o.
Em 1801 publica diversas traduções de obras de cariz económico e científico, e foi nomeado membro da Mesa da Junta da Impressão Régia. Iniciando-se na maçonaria durante a sua estadia em Filadélfia, por ocasião de uma viagem a Londres em 1802 tenta obter o reconhecimento das lojas maçónicas portuguesas, sendo preso no seu regresso por ordem de Pina Manique. Ao fim de dois anos e meio de detenção, consegue fugir e instala-se definitivamente em Londres onde vem a desempenhar um relevante papel na história do jornalismo e na política portuguesa e brasileira, por intermédio do jornal que fundou e dirigiu durante 14 anos, o «Correio Brasiliense».

3 comentários leave one →
  1. otto klismo's avatar
    otto klismo permalink
    2 Fevereiro, 2008 19:29

    Hipólito teve de fugir por ser maçon.preocupava-se com a independência da colónias ibéricas.os portugueses desconhecem-no, ao contrário dos sulamericanos.
    hoje em dia são os inúmeros e cada vez mais numerosos desempregados ad eternam que abandonam este paía latrino.
    tudo de bom para os que fojem da escumalha politica.

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