São casados? Grande coisa. Agora até os gays se casam
Pode-se decretar a igualdade de direitos entre hetero e homossexuais? Pode. Isso vai mudar a forma como os homossexuais são vistos pela sociedade? A longo prazo, não.
Pode-se decretar a equivalência entre relações homo e relações hetero? Sim. Isso muda os fundamentos culturais e biológicos das relações hetero e homo? Não.
Pode-se alargar o casamento aos homossexuais? Pode. Isso quer dizer que os homossexuais passarão a usufruir da mesma instituição que os heterossexuais costumavam usufruir? Não. Os homossexuais vão usufruir de um sucedâneo de pior qualidade.
Não é difícil subverter uma convenção para que ela seja usada para desempenhar funções diferentes das que desempenhava inicialmente. Mas isso não implica que as pessoas continuem a reconhecer à convenção o mesmo valor.

Comecemos por aqui: «Não é difícil subverter uma convenção para que ela seja usada para desempenhar funções diferentes das que desempenhava inicialmente» – quais são as funções que o JM entende que o casamento desempenha? Sem que explique isto, nada mais do que escreve faz qualquer sentido.
Quanto às respostas a cada uma das três questões que coloca, quanto a mim, estão todas erradas. Há cenários em que a intervenção legislativa (que, de resto, se limita a fazer o seu papel na medida em que expurga o ordenamento de injustiças) assume um carácter pedagógico. Se a criancinha mal criada não quer ir à escola, o que é que se faz?
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E, já agora, “agora ATÉ OS HOMOSEXUAIS se casam”, há-de convir, soa muito mal.
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E o João Miranda será casado?
E porque será?
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“E, já agora, “agora ATÉ OS HOMOSEXUAIS se casam”, há-de convir, soa muito mal.”
Bem-vinda ao mundo real.
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«Bem-vinda ao mundo real.»
Nem eu, que sou uma pessimista, acredito nisso. Isto não é o mundo real, é o mundinho do JM. Que é toda uma outra coisa, graças a deus.
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Noção de casamento (1577º C.C):
Contrato
celebrado entre duas pessoas de sexo diferente
que pretendem constituir famiília
mediante uma plena comunhão de vida nos termos do Código Cívil.
1º se duas pessoas do mesmo sexo pretendem constituir familia mediante uma plena comunhão de vida nos termos do C.C. mais do que perguntar se “concorda ou não com o casamento homo” é preciso perguntar “se concorda ou não que constituam familia”.
2º Em caso afirmativo terá que se legislar no sentido de aprovar uma nova lei que confira direitos equiparados ao casamento mas que não se confunde com a própria instituição milenar a que chamamos casamento pois está é definida pela heterosexulidade dos seus contraentes.
3º RElativamente ao direito da igualdade. Deve-se tratar de modo igual as situações iguais e de modo diferente as situações diferentes. Não é a lei que é discriminatória é a natureza que fez dois sexos diferentes(macho e femea) que constituem um casal que pode procriar.
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*heterosexulaidade, digo.
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Depois tenho um lado mesquinho que não se sente confortável com a ideia de dois homosexuais adoptarem míudos…Sei que é mesquinhez mas não consigo evitar. SE calhar é um preconceito proveniente da confusão que existe entre a pedofilia e a homosexualidade e a história da Casa Pía. Acho que no que toca ao concordar ou não que constituam famílía, abstinha-me de votar.
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Mas o mundo real é isto mesmo, cada grupúsculo (sejam os possuidores de VCR’s, os comedores de laranjas ou as afinadoras de piano munidas de sapatos de salto made in bangladesh) acha-se hoje no DIREITO de TER DIREITOS só porque OPTA por certa forma de estar na vida.
Como só agora a paneleiragem (porque não me parece que homossexuais comedidos e sérios estejam entre a hora ululante que clama por DIREITOS que noutros debates renegam) ousa inflamar o discurso, é que me espanta.
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Horda.
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FMS, também não é assim. Eles estão a lutar por aquilo que querem. O que não acho correcto é que se subverta os pressupostos do contrato de casamento (que outros podem querer ter) para que eles possam chamar pelo mesmo nome algo inevitávelmente diferente.
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E se os pedófilos vierem lutar por aquilo que querem? São também uma minoria.
Mas pronto.
E se os abanadores-de-carros-em-Março vierem reivindicar o direito inalienável de abanar qualquer carro que passe até à exaustão?
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Nisso tens razão. A opção não pode implicar por si direitos iguais aos que optam por viver de modo diferente.
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«Não é difícil subverter uma convenção para que ela seja usada para desempenhar funções diferentes das que desempenhava inicialmente. Mas isso não implica que as pessoas continuem a reconhecer à convenção o mesmo valor.»
Um bocado como os mestrados pré e pós-Bolonha
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Essa dos pedófilos lembrou-me a dos xenófobos. Ultimamente também citam a constituição para defenderem os seus actos. Se os primeiros começassem a invocar o direito a sexualidade para violar o direito à integridade fisica dos menores assim como os segundos falam de direito de expressão para incitar à discriminação, estavamos tramados. Mas não devemos colocar os homosexuais no mesmo patamar. A luta deles não colide com direitos tão extremos. Apenas com o nosso direito ao casamento tal como o conhecemos. Não fazem mal a ninguém. A tal confusão que acima descrevi limita-se à adopção de crianças. DE resto acho que não sou preconceituosa…
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…sou é a favor do casamento.
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“Pode-se alargar o casamento aos homossexuais? Pode. Isso quer dizer que os homossexuais passarão a usufruir da mesma instituição que os heterossexuais costumavam usufruir? Não. Os homossexuais vão usufruir de um sucedâneo de pior qualidade.”
A conclusão carece de explicação. É que se os direitos e deveres são iguais, qual a diferença no que diz respeito ao Estado? A única diferença é o usufruto do respeito social pela relação. Mas essa respeitabilidade não é função do Estado atribuir, é da sociedade.
Ao argumentar desta forma, reduz o casamento unicamente ao seu carácter simbólico. Ora, como bem sabe, o casamento é (também) um contrato. E não há razão para que os homossexuais também não possam também assumir esse contrato. Nem razão para que contratos com o mesmo conteúdo não tenham o mesmo nome.
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“Não é a lei que é discriminatória é a natureza que fez dois sexos diferentes(macho e femea) que constituem um casal que pode procriar”
Porq
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“Não é a lei que é discriminatória é a natureza que fez dois sexos diferentes(macho e femea) que constituem um casal que pode procriar”
Porque permite a lei o casamento a quem é infértil? E a quem tem mais de 50 anos de idade?
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“Depois tenho um lado mesquinho que não se sente confortável com a ideia de dois homosexuais adoptarem míudos…”
Pode estar descansada. São questões totalmente desligadas. Até porque o direito é da criança.
Também há que dizer que:
– Há casais heterossexuais suficientes (com vontade) para adoptar todas as crianças. Mas é-lhes exigido que seja super-pais para serem elegíveis.
– Choca-me mais ver as crianças a crescer sem família. Penso que ter pais homossexuais seria uma melhoria enorme para essas crianças.
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Em relação à adopção por homossexuais, choca-me muitíssimo mais quando as crianças são mortas por quem supostamente devia protegê-las e amá-las, sejam pais ou mães biológicos (e às vezes padrasto e madrastas, tios, tias, primos, primas, avós).
Os laços biológicos só por si não são garante de coisa nenhuma. O que não falta por aí é gente que, como não pensa nem planeia nem tem o mínimo de decência ou um pingo de carácter, trás crianças ao mundo e enche-as de pancada, às vezes até à morte, só porque acham que “o filho é meu, se quiser deixo-o negro de porrada, ninguém tem nada com isso”. Ou então porque “o bebé estava a chorar muito e não se calava”.
Se for para dar às crianças a protecção e o amor que precisam e terem uma vida melhor, tanto se me dá que seja um casal “hetero”, uma mãe solteira, um pai solteiro, um casal “homo”, um casal “lesbo”, um quintento de anões de circo, uma matilha de lobos ou uma colónia de seres invertebrados.
O quê, o problema são os “fantasmas” da pedofilia em ter 2 “maricas” a adoptar uma criança? Então por esse raciocínio, 90% dos homens não podiam ter filhas, porque já se sabe que os “homens, esses porcos, só pensam em sexo”…
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E já agora, uma “quote” muito interessante e que se adapta perfeitamente a esta polémica toda:
“Edwards: Why the big secret? People are smart. They can handle it.
Kay: A person is smart. People are dumb, panicky dangerous animals and you know it. Fifteen hundred years ago everybody knew the Earth was the center of the universe. Five hundred years ago, everybody knew the Earth was flat, and fifteen minutes ago, you knew that humans were alone on this planet. Imagine what you’ll know tomorrow.”
O filme? “Men in Black”.
E quando se rege a nossa vida por aquilo que “as pessoas pensam” ou “julgam” ou “esperam”, costuma dar mau resultado.
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Grande coisa, tamém digo, essa m… de casar, se qualquer um casa, neste mundo, até sem o dizerem nem fazerem alarde disso, os burros, cum caramba.
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Quem acha que casais homossexuais vão começar a desatar a adoptar crianças, não anda lá muito neste mundo. Haverá um aumento do numero, mas não será a maioria dos casos.
Parece-me que se escreve mitos e não a realidade. As soluções são outras.
Já agora, os problemas em casos de separação/divórcio quando houver (e já há) filhos serão infelizmente iguais aos dos casais hetero, e os comportamentos em tribunais de casais “homo” também.
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