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Corrupção I

17 Abril, 2009

Um sistema suficientemente corrupto torna-se capaz de gerar rendimentos lícitos para os seus membros. Isto porque os tentáculos do sistema conseguem chegar a todos os órgãos legítimos do regime. Conseguem chegar à justiça, ao Parlamento, ao governo, à administração pública e à polícia. A corrupção deixa de ser uma actividade marginal e torna-se rapidamente na forma de funcionamento normal e legal do aparelho de Estado.

Um exemplo? A construção do aeroporto de Lisboa. As obras serão feitas para beneficiar um vasto conjunto de entidades privadas e públicas que vive à custa das obras públicas. Quem perde é o contribuinte. Todos os concursos serão legais. Todos os pagamento a essas entidades serão legais. Os políticos que tomarem as decisões receberão contrapartidas perfeitamente legais. Ou serão compensados com apoios políticos ou com lugares em empresas privadas ou públicas. O sistema funciona por troca de poder por poder e não por troca de poder por dinheiro. Ninguém vai enriquecer ilicitamente. Será tudo feito de acordo com a lei. Aliás, os que vão tirar partido de uma obra desnecessária andam agora a fazer leis anti-corrupção que não têm quaisquer efeitos nas formas de corrupção mais ruinosas para o contribuinte.

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27 comentários leave one →
  1. testiculatus permalink
    17 Abril, 2009 07:48

    nunca se falou no resultado do fc porto e no pito dourado
    onde está o yessman caa?

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  2. Filipe permalink
    17 Abril, 2009 08:22

    Exactamente JM.

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  3. Rxc permalink
    17 Abril, 2009 08:46

    Foi exactamente isso que pensei quando li em grandes parangonas ontem que o PS/Governo ia “abrir guerra ao enriquecimento ilícito”. Esta aparente mudança é para inglês ver, porque a corrupção já avançou para outros estádios de actuação, como bem explanou o João Miranda. Vejamos onde estará o Mário Lino ou a Ana Paulo Vitorino dentro de poucos anos (passado o devido período de “nojo”).

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  4. 17 Abril, 2009 08:56

    João Miranda,

    Tem toda a razão mas fala de outras partes do mesmo grande problema. Sugestão: Crie-se um Observatório dos Movimentos de Pessoas nas Instituições Públicas e Privadas. Um Mini-Brother que usando algumas das funcionalidades que o Facebook disponibiliza (TouchGraph Photos por exemplo) mostre os movimentos de pessoas entre os organismos governamentais e empresas privadas. As relações comerciais entres as instituições poderiam também estar registadas sendo possível cruzar quem fez o quê e em que momento.
    O financiamento dos partidos poderia também ser objecto de sistema de informação sendo que para cada um dos partidos seriam sempre registados os doadores e os montantes.

    Uma sociedade civil policiante do Estado?

    No país do amiguismo e da plutocracia, acção cívica de vigilância.

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  5. permalink
    17 Abril, 2009 09:12

    O que me admira é que, sendo o liberalismo uma arma ideológica das plutocracias ocidentais nomeadamente a norte-americana, o João Miranda escreve isto. É incrível que estados ditos liberais possuam clientelas gigantescas mas esses sejam exemplo e só aqui é que é mau.

    Estará o rapaz bem ou, como o outro, o liberalismo dele não é deste mundo?

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  6. 17 Abril, 2009 09:16

    Há por aí uma contradição, já que a definição de “corrupção política é o uso ilegal – por parte de governantes, funcionários públicos e agentes privados – do poder político e financeiro de organismos ou agências governamentais com o objectivo de transferir dinheiros públicos ou privados de maneira criminosa para determinados indivíduos ou grupos de indivíduos ligados por quaisquer laços de interesse comum – como, por exemplo, negócios, autarquia, etnia ou de fé religiosa.”

    Diria mesmo que a corrupção, política ou mirandesa, afecta todos os governos de todos os paises.
    Por exemplo, obter ajuda financeira de empresários para uma campanha política é um acto criminoso em países em que todos os valores gastos nas eleições necessariamente têm de vir de fundos públicos (de maneira a que grupos políticos mais ricos não possam fazer valer a sua riqueza para o convencimento dos eleitores em favor de suas teses). Em outros países, este acto de doação financeira pode ser considerado totalmente legal (como ocorre nos Estados Unidos).
    É o que diz a minha tia Celestina, casada com um gajo da Wikipédia.

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  7. Anónimo permalink
    17 Abril, 2009 09:38

    o aeroporto ainda não começou, mas já há uns gajos a empochar com a troca da ota por alcochete. caras do alterne umm, vanzelina e pr. financiador bpn. segue-se a novela tgv, versão do outro lado é que era bom. vivem todos das quotizações e 6 euros por voto. sobre financiamento partidário ninguém quer falar.

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  8. fernando permalink
    17 Abril, 2009 09:42

    Não estará a confundir a prima do mestre de obras com a obra prima do mestre?

    Carago, anda um gajo a estudar para isto..

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  9. José permalink
    17 Abril, 2009 09:44

    Piscoiso:

    O postal trata da corrupção. Não necessariamente de crimes ou de direito penal. E naquela perspectiva está certíssimo.

    É exactamente por isso, para fugir ao labéu criminal, que os beneficiários dessa corrupção, inventaram uma lei não escrita: a ética é a lei. Tudo o que esteja dentro dos conformes da lei, é…legal. Apodíctico.

    Portanto, existe uma corrupção legal, inimputável. Que está à vista de todos e que os visados refutam, por não a entenderem como tal.

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  10. 17 Abril, 2009 10:05

    Sobre ética já tomei por aqui uma dose muito bem prescrita pelo “Pifas” num comentário lá mais p’ra baixo.
    É chover no molhado.

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  11. 17 Abril, 2009 10:12

    Comentário Pifas

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  12. José permalink
    17 Abril, 2009 10:14

    Falei sobre corrupção…da ética. Não sobre a ética da corrupção. Mas também dá pano para mangas, porque há uma ética nessa corrupção: é a do nepotismo, da partidarite, do amiguismo, do clubismo secreto das maçonarias, etc etc.

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  13. José permalink
    17 Abril, 2009 10:19

    As declarações de interesses, por causa da ética, não precisam de atestar a personalidade bacteriologicamente pura de ligações espúrias, pessoais, familiares ou profissionais.

    Precisam apenas de afastar quaisquer suspeitas de sujidade entranhada, encardida no carácter ou a que cai como nódoa em pano alvo.

    Qualquer pessoa percebe isso.

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  14. Anónimo permalink
    17 Abril, 2009 10:28

    #12 corporações, opus, igrejas e afins ficam de fora, porque são questões de fé.

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  15. Anónimo permalink
    17 Abril, 2009 10:37

    “Vejamos onde estará o Mário Lino ou a Ana Paulo Vitorino dentro de poucos anos (passado o devido período de “nojo”).”

    O “nojo” por esta gente não devia passar.

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  16. Anónimo permalink
    17 Abril, 2009 10:43

    #13 – “Qualquer pessoa percebe isso.”
    e quem certifica isso? tu, eu, plenário, eleições, comunicação social…

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  17. Anónimo permalink
    17 Abril, 2009 10:43

    Os piscoisos deste país ainda não perceberam que a lei está infestada de anopluros.

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  18. José permalink
    17 Abril, 2009 10:51

    ” corporações, opus, igrejas e afins ficam de fora, porque são questões de fé.”

    Se estas tiverem o poder de mandar em nós, ficam dentro também. Por que não?

    Foi por isso que o jacobinismo expulsou jesuítas. Na altura, tinham muito poder. Em Coimbra, puderam-nos fora dos Grilos e agora está lá o Vital. É o capelista dos Grilos.

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  19. 17 Abril, 2009 10:57

    Sei que a lei vem do Parlamento, eleito pelo povo.
    Se pretende que o povo (ou a sua maioria) é corrupto, o que é que sugere para acabar com a corrupção?
    Que o poder não emane da maioria?
    Se quer um deus no poder, habilite-se, pois a sua cantiga é celestial.

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  20. Zeca permalink
    17 Abril, 2009 10:59

    Quanto à ética, ou falta dela, estamos conversados. E é aqui que se situa a principal fragilidade do nosso sistema. O edifício jurídico, aliás, tem sido construído sem impedir que grandes patifarias tenham cobertura legal. Agora levou mais um retoque. Assim enriquecimento ilícito inferior a 100.000 euros são trocos a que não vale a pena ligar. O que for apurado que “valha a pena” o fisco vai buscar 60% e o novo rico (ou velho) fica com o resto. Tudo entre “cavalheiros”, entre padrinhos da mesma família. Nada a ver com o tipo de regime. Vejam o que se passa na Finlândia, por exemplo, e comparem.

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  21. 17 Abril, 2009 11:02

    Em cheio. Mas há uma coisa que o João Miranda não disse: É que, não só o pacote legislativo apresentado não é apenas para “inglês ver”, como faz uma pequena parte de uma agenda evidente de oferecer ao Estado amis e melhores armas de condicionamento social. O desejo destes caciqueiros é que no futuro tudo seja PIN e tudo passe por reuniões ao melhor estilo freeport. Tudo será legal, tudo será criminosamente amoral. Se não tivermos o discernimento de mandar esta gente para a rua e votar MFL, estes cairão antes do final da legislatura para que outro igual a ele entretanto levado à liderança pelos caciqueiros do PSD, tome o seu lugar. E tudo continuará na mesma. Nem as moscas mudam. Aquilo que verdadeiramente me impressiona é que isto não seja evidente para a maioria das pessoas.

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  22. 17 Abril, 2009 11:08

    MFL já lá esteve e parece não se ter dado mal com o “sistema”, pois quer lá voltar.

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  23. Anónimo permalink
    17 Abril, 2009 11:11

    #18 – “Se estas tiverem o poder de mandar em nós, ficam dentro também.”
    tou vendo, mas podem ficar com um pé de cada lado ou optar por ficar de fora e serem receptores.

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  24. Anónimo permalink
    17 Abril, 2009 11:33

    #18 – monarquecas que lutam por uma républica. têm que se entreter com qualquer coisa, né.

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  25. 17 Abril, 2009 13:38

    Outro “Observatório”

    http://www.observatoriople.gov.pt/np4/home.html

    No sector público, as escolas eram dos poucos “sítios” em que o polvo rodeava (via ME) mas não era conspurcado pela corrupção.
    Nestes 3/4 anos, o «polvo» enganou tudo e (quase) todos. Entrada triunfante nas escolas. Vai ser o descalabro social, total.

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  26. Laurinda Freitas permalink
    11 Janeiro, 2010 02:20

    Neste pobre país é PROIBIDO ser bom trabalhador, mas honesto, isto desde o escriturário ao administrador.
    Trabalhei como 1ª escriturária durante 35 anos numa empresa do ramo automóvel, pertencente a um Grupo Económico deste País. Neste espaço de tempo exerci algumas funções aonde fui muito bem sucedida, mas por inveja dos meus chefes e porque a empresa não lhes interessava trabalhadores que não lhes mereciam confiança para exercerem manobras contabilísticas / corrupção, nunca me deram a oportunidade de subir na carreira.
    Nos últimos dez anos que trabalhei na empresa procuraram todos os meios possíveis para me desgastarem, para que eu tomasse a decisão de sair da empresa, pois fui: MARGINALIZADA, realizavam-se reuniões com os trabalhadores dos sectores a que eu pertencia e eu era proibida de participar
    EXCLUIDA, todos os trabalhadores tinham formação de informática e eu não, eram colegas que me explicavam depois o mínimo necessário para eu trabalhar. Era a única trabalhadora que não tinha impressora, pois tinha de me deslocar a gabinetes de colegas, para retirar os documentos que punha a sair nas impressoras delas.
    HUMILHADA, enquanto os restantes trabalhadores tinham um gabinete digno, o meu mais parecia uma entulhada de papeladas, com caixotes cheios de papéis acima da superfície e pastas de arquivo no chão.
    TORTURADA, trabalhava num gabinete aonde estava uma máquina de grandes dimensões que era alimentadora de todo o sistema informático das empresas do Grupo de toda a Região Norte, essa máquina trabalhando normalmente já fazia um ruído incomodativo, como eu me queixava desse ruído, resolveram pôr a máquina a fazer um ruído insuportável, a porta da máquina trepidava por causa do mesmo. Estive assim durante uma semana, nesses dias quando a noite ia dormir, parecia-me ouvir esse ruído, só colocaram a máquina com o ruído normal, quando um dos meus filhos foi lá para ver a minha situação.
    Resisti a todo o desgaste que os corruptos me aplicaram, mas em Dezembro de 2008 fui despedida, porque a lei de trabalho em vigor favorecia os corruptos que só estavam interessados em trabalhadores do sistema.
    Portugal jamais poderá prosperar enquanto as empresas agirem como aquela aonde trabalhei, pois preferem ter trabalhadores medíocres, mas que cooperem com a corrupção. Os bons trabalhadores, mas honestos que podem ajudar as empresas e o País a prosperar são tramados.

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  1. Captura do Estado e corrupção legalizada « O Insurgente

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