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Brincar às guerras com os filhos dos outros *

23 Abril, 2010

 “Se o Governo quer guerra, é guerra que vai ter” – Mário Nogueira, Abril 2010.
Se o que esta equipa ministerial quer é guerra, é guerra que vai ter.”Mário Nogueira, Abril 2010.
Se o Ministério da Educação quiser guerra, vai ter guerra.” – Mário Nogueira, Dezembro  2008.
Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, deve ser o único português que anuncia guerras. Aliás passa a vida a fazê-lo. Cada equipa que chega ao Ministério da Educação é visitada pelo triunfante secretário-geral da FENPROF. Após esse primeiro encontro, sindicalistas e comentadores especulam sobre se o ministério quer a paz ou vai conseguir a paz com os sindicatos. Invariavelmente esta espécie de armísticio esfuma-se ao fim dumas semanas e eis que começam os anúncios de guerra por parte de Mário Nogueira. “Se o ministério quer guerra vai ter guerra”, “se a ministra” – e cada vez mais na 5 de Outubro só existirão ministras pois os homens não estão para se sacrificar em tão funesta batalha! –  “quer guerra vai ter guerra”… Enfim, qualquer companhia de comandos é um exemplo de serenidade ao pé da FENPROF, coisa que não admira porque as guerras da FENPROF são bem diversas das guerras reais.
Em primeiro lugar há que ter em conta que esta é uma guerra travada  entre funcionários que não são prejudicados por esse estado de beligerância: segundo números governamentais de 2006, existiam 1830 funcionários do Estado destacados em trabalho sindical, dos quais a esmagadora maioria afecta aos sindicatos da Educação e, em segundo lugar, da Saúde. Depois, e ao contrário do que acontece com as equipas ministeriais, ser sindicalista é uma opção para largos anos, donde o à vontade dos dirigentes sindicais ser evidente perante os sempre novatos e cada vez mais combustíveis ministros. Por fim, estas guerras travadas pelos funcionários destacados nos sindicatos com os funcionários destacados na 5 de Outubro pautam-se por ser isso mesmo:  guerra entre funcionários com os danos colaterais a sobrarem sempre para os mesmos, ou seja os alunos.
Há muito que os alunos deixaram de ser o objecto e a razão de ser do Ministério da Educação. O que entretém, ocupa e absorve os funcionários da 5 de Outubro é a tentativa de gerir e controlar  os funcionários-professores nos intervalos que lhes sobram dos períodos de guerra com os funcionários-sindicalistas.
Como tudo isto é muito caro, muito penoso e frequentemente palco de cenas pouco edificantes, seria um passo muito acertado que os nossos filhos fossem desmobilizados, ou seja que o Estado permitisse às famílias escolherem as escolas públicas ou privadas que quisessem, instituindo o cheque-ensino, permitindo deduções fiscais do valor das mensalidades, acabando com o critério da morada, etc… Até lá vão estar mobilizados para servirem de carne para canhão na próxima guerra entre Mário Nogueira e a 5 de Outubro.

*PÚBLICO

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15 comentários leave one →
  1. Observador da decadência permalink
    23 Abril, 2010 14:43

    Novos paradigmas, novas vozes, definitivamente novas caras, precisam-se.
    Quem é que acredita em Portugal?

    http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1060314.html

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  2. Anónimo permalink
    23 Abril, 2010 14:54

    começas bem e acabas mal. até embalei na leitura e estava a pensar que hoje ia concordar com a prosa, eis senão quando lá fugiu o pé para o chinelo, afinal a culpa é sempre da ministra e do ensino público. quando for privado não há problemas destes, os nojeiras ficam à porta, os profes são despedidos e os alunos postos na rua.

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  3. Psiquiatra de alienados rosa permalink
    23 Abril, 2010 14:58

    Embalar,embalaste,mas sem os medicamentos voltaste ao delírio do costume.
    Tudo o que não desculpabilize a gatunagem do bando que doentiamente defendes,é que está errado,
    Prata-te.

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  4. Psiquiatra de alienados rosa permalink
    23 Abril, 2010 14:58

    Trata-te,prata-te,não,porque és intragável.

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  5. Anónimo permalink
    23 Abril, 2010 15:09

    não tarda temos manif de apoio à dona matos pelos profes destacados ao blafémias.

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  6. lucklucky permalink
    23 Abril, 2010 15:39

    Pelo bem das crianças acabem com o Ministério da Educação.

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  7. 23 Abril, 2010 15:52

    Caro Lucklucky #6,

    Exactamente. Trata-se de uma medida inadiável. Juntando-se o da Cultura e da Economia, resolveremos uma parte substancial daquilo que é necessário fazermos. Por nós, por nossa vontade, ou pelos ditames dos nossos credores.

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  8. SaraOriana permalink
    23 Abril, 2010 16:19

    Provavelmente já desenvolveu este assunto, mas como se efectua a aplicação do cheque ensino? Isto é, como se avalia o montante a atribuir às famílias em função do seu rendimento e como é feita a fiscalização para evitar que certos alunos (possivelmente de classes económicas desfavorecidas)sejam excluídos por determinadas escolas? Obrigado.

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  9. Anónimo permalink
    23 Abril, 2010 16:39

    e os cheques ensino podem ser trocados por superbóques nas caixas do modelo?

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  10. Anónimo permalink
    23 Abril, 2010 17:04

    Já percebi porque é que os professores nada conseguem do que reivindicam: O governo, como qualquer português, sabe que “cão que ladra, não morde”… Mário Nogueira devia ameaçar menos e agir mais. Por outro lado, com jornalistas tendenciosos e mortinhos que o estado lhes dê um cheque para poderem escolher o colégio dos filhos, os professores têm o dobro do trabalho: educar as crianças/jovens e formar os pais.
    É, realmente, difícil remar contra a maré…

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  11. Zé Prof. permalink
    23 Abril, 2010 22:40

    O que o Mário Nogueira não conta é que no acordo que fez com a ministra os sindicalistas têm automaticamente a nota de “Muito Bom” e não têm quotas para o acesso ao topo da carreira.

    Quanto às “brilhantes” escolas particulares seria necessário que os alunos fossem obrigados a ir fazer os exames ao público, e introduzir os exames orais, porque as notas que lhes dão são na maioria falsificadas e isto é sempre comprovado com as vergonhosas classificações que apanham nas provas oficiais. Mas como estas só valem 30% a passagem está sempre garantida. Os pais pagam e os privados dão!

    Já sem falar nas ajudas que os meninos recebem dos professores durante os exames. É tudo feito no recato dos colégios.

    E há ainda o caso dos explicadores, professores dessas escolas, que misteriosamente têm acesso aos “Gaves” uns dias antes da prova!

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  12. A. R permalink
    23 Abril, 2010 23:11

    Em Espanha os sindicalistas a tempo inteiro são uma verdadeira praga (centenas de milhar). Consomem centenas de milhões de euros por ano em subvenções governamentais e com 5 milhões de desempregados, que quase triplicam os deixados por Aznar, nem uma greve fazem.

    É gente corrupta que vive para nada fazer: sanguessugas da sociedade e do trabalhador.

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  13. 23 Abril, 2010 23:45

    Há duas grandes perversões nos sindicatos dos professores: os sindicalistas são pagos pela entidade patronal (ministério da educação); e os sindicalistas nunca mais voltam para dentro de uma sala de aula. Julgo que está tudo dito.

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  14. Anónimo permalink
    24 Abril, 2010 18:38

    cheque ensino = estado subsidiar as escolas dos ricos (porque não iam aceitar os pobres na mesma)

    Valor das mensalidades no IRS: estado a premiar os ricos por não colocarem os filhos nas escolas dos pobres.

    tenham vergonha!

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  15. pvnam permalink
    26 Abril, 2010 15:44

    O problema está generalizado: professores, motoristas, etc…

    ‘TODA A GENTE LHES DEVE E NINGUÉM LHES PAGA’

    —> Como já fizeram algumas greves e a ‘coisa’ não anda… circulam por aí muitos motoristas dos TST com cara de ‘toda a gente lhes deve e ninguém lhes paga’!
    —> Os ditos (alguns) motoristas consideram que quem é altamente prejudicado pelas greves… tem a obrigação de fazer pressão para que eles tenham aumentos salariais!

    —> Não deixa de ser curioso: pessoas que necessitam dos TST para se deslocar para o local de trabalho, que ganham menos que eles, que trabalham mais horas que eles, que este ano não tiveram aumento salarial [um exemplo: eu]… {NOTA IMPORTANTE: até aqui tudo bem! cada um tem a profissão que têm!}… o problema é que os ditos (alguns) motoristas {nota: o problema está generalizado} consideram que as pessoas economicamente mais fragilizadas… ‘têm a obrigação’ de fazer pressão para que eles tenham um aumento salarial!

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