Futebol e Política: a entrevista de José Sócrates.
Não pude estar presente na sessão de aniversário que hoje se desenrolou no “Clube dos Pensadores“. O convidado para o debate era Passos Coelho. Em alternativa fui, a espaços, fazendo zapping pelos vários canais. Na realidade, para além da esperada entrevista a José Sócrates, o “menu” televisivo incluiu uma análise e um comentário de Miguel Relvas à perfomance televisiva do Primeiro-Ministro, na TVI 24, um debate/comentário colectivo à mesma perfomance na RTP-N e dois programas de debate futebolístico(eiro), respectivamente, SIC-N e, ulteriormente, TVI24.
Enfim, uma noite de política em cheio!
Durante o meu zapping e, especialmente, durante a perfomance televisiva de José Sócrates, não pude deixar de notar a similitude entre o discurso político e o futebolístico. Pelo menos, na imprensa e, em particular, na televisão.
E isso é que conta. Cada vez mais, hoje, a actividade política é mediática e, sobretudo, televisiva. Até o “jogo jogado” (acho que a expressão também corresponde ao título de um programa televisivo…) é, cada vez mais, aquele que se joga nos sound bites televisivos (é isso que marca a memória das pessoas) e, cada vez menos, o jogo real.
Vem isto a propósito, novamente, da perfomance televisiva de José Sócrates.
Quem ouvisse o Primeiro-Ministro chegaria a estas conclusões: só ele é que foi responsável, só ele (e só ele) é que pensou (e tem pensado) no interesse nacional, só ele é que anteviu “o caos, a fome e a peste”, caso o PEC IV não fosse aprovado (sendo que, na realidade, para ele, este não seria nenhum PEC IV, porque o III não conta), as taxas de juros relativas à nossa dívida soberana só atingiram os 10% porque não se fez o que ele (que tinha razão) queria e, então, a imagem que o país deu para o exterior foi a de que não quer fazer austeridade. Ah, a crise, na realidade – e se é que existe mesmo – só apareceu há pouco mais de uma semana!
Por outro lado, em rigor, essa crise (se é que existe) não tem nada a ver com ele, com o seu governo; é uma crise internacional, agravada, internamente, pela falta de responsabilidade patriótica da oposição (leia-se, do PSD) que não esteve de acordo com o “seu” PEC. Nas entrelinhas, também se culpa o próprio Presidente da República que o deixou, a ele, José Sócrates, sozinho (onde vai o tempo da “cooperação institucional”?!).
Claro que há erros, falhas, neste discurso de “vitimização forte” (como bem referiu a Inês Serra Lopes)…ou seja, “de cordeiro que, curiosamente e ao contrário do que seria normal em quem se vitimiza, ainda morde”. E com força (acrescentaria eu).
Por exemplo, a mudança da “narrativa TGV“. Afinal, pela primeira vez, foi assumido (ao contrário do que ainda há poucos dias referiu – e repetia – Teixeira dos Santos) que o TGV não se pagava a si próprio. Nem que não tinha nada a ver com o Orçamento Geral do Estado! Afinal, há um empréstimo bancário, com “taxas de juros muito favoráveis, excepcionalmente baixas” , já negociado e assinado! Acho que nesta altura do campeonato, falar de TGV é, mesmo para a dupla Sócrates/Teixeira dos Santos, um erro…mas, enfim, todos os jogadores cometem sempre algum deslize!
A espaços, ouvia, na SIC – N, um senhor com uma gravata vermelha com bolinhas brancas, que foi Ministro naquele governo rápido e bizarro de Santana Lopes. Esse senhor, de igual modo (mas com muito menos capacidade intelectual, convicção e estilo), lá ía tentando fazer, igualmente, uma perfomance de “leitura alternativa” da realidade. José Sócrates que me desculpe (mesmo, sem ponta de ironia) a comparação (assumo que injusta para ele, Sócrates), com esse ex-ministro de Santana . Mas a estrutura do discurso de ambos, acaba por ser, de certo modo, a mesma: a culpa é sempre dos outros, não é minha e nós até nem jogamos mal (por exemplo, “Portugal não pecisa de recorrer à ajuda externa”). Ou então, temos uma importância hiperbolizada, somos, por milagre, o centro do mundo, ou, no mínimo, da Europa: “estava tudo resolvido com a UE, a única «ponta solta» que restava antes da cimeira europeia era Portugal”; “a oposição prejudicou, não só o país, como a Europa”!
A táctica de José Sócrates, para a campanha, está dada: auto-vitimização/culpabilização dos outros (PSD, PR); “leitura alternativa” da realidade….com muita convicção! No futebol, apesar de tudo, como ainda ontem se viu, este tipo de táctica, por si só, não tem dado para ganhar!

Perante tanta diversificada programação, espero que a maioria dos portugueses não tenha ouvido/visto, Sócrates a, uma vez mais, a mentir.
Se anuncia o avanço do TGV, porque há financiamento com juros baixos e contartos assinados com a banca, porque razão aceitou, no acordo com o PSD (para viabilizar o Orçamento-2011), criar uma Comissão para reavaliar o TGV? Mentiu ao PSD e aos portugueses.
É a altura de dizer: Basta a tantas mentiras
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É verdade.
Eu passei ao lado do «Clube dos Pensadores» e vi uma densa nuvem de fumo a evoluir no espaço da sala.
Não sei se aquilo era devido aos doutos e argutos «pensamentos» lá debitados, ou se provinham dos cachimbos de meia dúzia de artolas que lá estavam a debater&perorar….
Deus nos livre daquelas «cabecinhas pensadoras»….
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Boa.
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Um insulto à JUSTIÇA , `a verdade, aos Magistrados honestos, à dignidade:
Lopes da Mota colocado no Tribunal da Relação de Lisboa:
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/lopes-da-mota-na-relacao-de-lisboa013015263
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Este talvez quisesse que o homem fosse trabalhar para a Coudelaria Nacional ou que viesse a ser colocado no Mercado do Bolhão…
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Pfft! Esses discursos só podem existir com um povo que não sabe nem quer saber fazer contas ou que não se interessa por conhecer um pouco que seja do seu país.
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Como o povo quer continuar qualquer discurso populista funciona.
Outros Sócrates virão.
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“Clube dos pensadores”?????, mas pessoas como o Passos Coelho pensam????
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