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Laffer ou Schumpeter?

30 Junho, 2012

O gráfico mostra a variação homóloga entre trimestres do PIB do sector da construção. Entre o 1º trimestre de 2011 e o 1º trimestre de 2012 o PIB do sector da construção caiu 9,8%. Há duas teorias que podem explicar estes dados:

Teoria lafferiana: o governo aumentou os impostos pelo que as pessoas deixaram de comprar casas, ou as empresas de construção deixaram de ter lucro em produzir obras e abandonaram a actividade, ou passaram para a economia paralela  ou uma mistura destes 3 efeitos. No fundo, existe necessidade premente de mais construção em Portugal mas são os impostos que estão a impedir o desenvolvimento deste importante sector.

Teoria schumpeteriana: Há muito que as necessidades de habitação e de obras públicas se encontram mais ou menos satisfeitas. A economia portuguesa precisa de se reestruturar e têm que passar recursos deste sector para novos sectores que a própria economia terá que inventar. O sector da construção tem-se mantido sobredimensionado à custa da procura pública e do crédito artificialmente barato pelo que só após a bancarrota do Estado é que o sector entrou em colapso.

.

Acho que é mais ou menos óbvio qual é a teoria correcta.

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23 comentários leave one →
  1. Carlos permalink
    30 Junho, 2012 08:52

    Não são incompatíveis.

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  2. piscoiso permalink
    30 Junho, 2012 09:14

    Com o começo do tempo de praia, o João começa a falar de curvas, mas de modo sofisticado.

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  3. neotonto permalink
    30 Junho, 2012 10:23

    “Quando fala de lucro, Schumpeter não se refere à remuneração usual do capital investido, mas ao “lucro extraordinário”, isto é, o lucro acima da média do mercado – que engendraria novos investimentos e a transferência de capitais entre os diferentes setores da economia. Ainda de acordo com o economista, para que uma inovação seja realizada, é necessário que três condições sejam cumpridas:
    – que, em determinado período, existam novas e mais vantajosas possibilidades do ponto de vista econômico privado, na indústria ou num ramo da indústria;
    -que haja acesso limitado a tais possibilidades, seja em razão das qualificações pessoais necessárias, seja por causa de circunstâncias exteriores;ga- que a situação econômica permita o cálculo de custos e um planejamento razoavelmente confiável, isto é, que haja uma situação de equilíbrio econômico”.

    Cuidado, cuidadím Joao con este autor (Schumpeter) que tem um lado muito, demasiado oscuro que nao é por isso do do agrado dos capitalistas ferrenhos quanto mais de muitos dos neoliberais com o seu santoral dos economistas tao reduzido…
    PS. E isso porquanto que ele nem havia intuido das novissimas arquitecturas monetarias tipo EURO ou das proeças exportadores dos (quase alemaes amarilhos nomeados chinocas a trabalhar 25 horas por día) que tal parecem os indomaveis e ferrenhos e infatigaveis NEOX.

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  4. Carlos Ferraz permalink
    30 Junho, 2012 12:50

    Parabéns João Miranda! Finalmente acertou! Em parte… 🙂
    E se tentasse ser construtivo para variar?

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  5. 30 Junho, 2012 13:14

    small is beautiful -:) o meu economista zen preferido . e quando ele diz que demasiado grande e complexo ás tantas as cabecinhas humanas deixam de ter capacidade para controlar o que se criou ? parece que é o que está a acontecer..

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  6. Alexandre Gonçalves permalink
    30 Junho, 2012 13:19

    Ó João Miranda, e o ceteris paribus, onde o enfia?

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  7. Alexandre Gonçalves permalink
    30 Junho, 2012 13:22

    IRS e IRC a 90% já e IVA a 500%. Quero ver se afinal o Laffer tem ou não razão.

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  8. Alexandre Gonçalves permalink
    30 Junho, 2012 13:40

    Factos:
    Carga fiscal 0 = receitas 0
    Carga fiscal 100% = receitas 0 (pronto 1, acredito que haja algum socialista vindo do arrastão que goste de pagar impostos)

    Pelo meio, às tantas, deve existir uma curva (ou vários segmentos de recta) que una os dois pontos. Digo eu…

    É óbvio que, CETERIS PARIBUS, existe um ponto onde um aumento da carga fiscal leva a uma diminuição da receita. A curva de Laffer é tão verdadeira como a existencia da gravidade. Pode não ser linear como a desenham e claro que não sabemos nem conseguimos determinar o seu ponto de inflexão. Se isso fosse possível o governo ligava o PC, ligava o Excel e mandava calcular. Pero las hay las hay.
    Obviamente que a economia é influenciada por um sem número de factores e estamos a assistir actualmente a um conjunto de ajustamentos que também contribuem para a queda da receita. Mas o que é facto é que a carga fiscal está a níveis pouco suportáveis, tendo em conta o retorno que os contribuintes estão a ter pelos impostos que pagam. Obviamente que se a Alemanha perdesse o juizo e despejasse mais uns baldes de dinheiro no próximo ano, com esta mesma carga fiscal a receita aumentava via aumento “artificial” e temporário do produto.

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  9. JoaoMiranda permalink*
    30 Junho, 2012 13:50

    Alexandre Gonçalves,
    .
    O que se está a discutir é se a queda da receita no 1º trimestre de 2012 se deve ao aumento de impostos ou se se deve a outros factores.

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  10. contablista permalink
    30 Junho, 2012 14:27

    Para entender Laffer é necessário saber “matemática económica” , o que não acontece com a generalidade dos portugueses ….

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  11. piscoiso permalink
    30 Junho, 2012 15:49

    Pois, não estudei “matemática económica”, não entendo Laffer.
    Já a minha tia Bissaia estudou Medicina e está constipada.

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  12. 30 Junho, 2012 16:19

    Percebo o ponto de vista do João Miranda em rejeitar as explicações “lafferianas” que por aí andam para explicar a quebra global das receitas fiscais globais (apesar do brutal aumento das taxas de imposto). O que já não acredito é a oposição da hipótese “schumpeteriana” como chave de explicação.

    Desde logo, é importante sublinhar que a economia não é homogénea, isto é, não é legítimo usar o comportamento de um sector específico e as explicações para a sua evolução para, a partir daí, extrapolar uma chave de interpretação para todos os outros sectores da economia. Ocorre o exemplo da restauração onde não me parece de todo aplicável a explicação da “destruição criadora” e onde os “lafferianos” terão provavelmente um terreno profícuo de investigação empírica.

    Acreditaria mais facilmente numa hipótese “schumpeteriana” se o comportamento dos consumidores fosse resultado das suas próprias escolhas e não distorcido pelas sucessivas e crescentes intervenções do Estado. Ora o João Miranda tem vindo a deixar a mensagem, pelo menos implicitamente, no Blasfémias e noutras caixas de comentários, de que o aumento da carga fiscal a que este governo recorreu, como aliás o(s) anterior(es) tem, de alguma forma, dado uma mãozinha à (de outro modo virtuosa) destruição criadora.

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  13. JoaoMiranda permalink*
    30 Junho, 2012 17:48

    Eduardo F.,
    .
    A receita de IVA sobre a restauração subiu 109% nos primeiros meses do ano, mais do que os 77% que seriam de esperar do aumento da taxa.

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  14. XisPto permalink
    30 Junho, 2012 18:52

    Alexandre Gonçalves:

    Da geometria descritiva sabemos que existem n curvas que contêm dois pontos, inclusive portanto a simétrica da curva proposta o que significaria que quando os impostos sobem a receita cresce. Parece não ser uma boa candidata, penso eu, que não percebo nada de economia. Mas, como refere a gravidade (sempre as outras disciplinas do conhecimento a pretenderem o mesmo estatuto ciêntifico que a física e a sua linguagem matemática) chamo a atenção que para explicar fenómenos, por exemplo, de electromagnetismo, a gravidade não ajuda muito. Parece que é só uma entre as quatro forças fundamentais da natureza. Não poderemos aplicar o método ciêntifico ao raio do problema do JM? Precisamos de uma amostra social e economicamente representativa da sociedade a quem aplicaremos não só as situações limite que descreve (100% e o% de impostos) anotando cuidadosamente as receitas arrecadadas, bem como outras intermédias para identificar a tal curva. Se o conseguir, provavelmente, ganha o Nobel, mas não vai ter o reconhecimento do JM porque ele já sabe que a a curva não interessa e tudo depende do volume de procura agregada!

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    • contablista permalink
      30 Junho, 2012 19:06

      XisPto tem toda a razão . Estamos a discutir se a omolete é feita com a clara ou com a gema !…

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  15. Alexandre Gonçalves permalink
    30 Junho, 2012 19:27

    XisPto,
    1. O facto de a gravidade não ajudar a explicar alguns fenómenos não quer dizer que ela não exista.

    2. A teorica económica é desenvolvida tendo como base algumas permissas:
    O consumidor é racional, o mais é preferivel ao menos, etc…
    Ora !!!!mantendo tudo o resto constante!!! qualquer aumento de impostos irá levar a uma diminuição ou manutenção da receita, nunca a um aumento, depende da sensibilidade marginal da reacção do consumo às várias cargas de imposto. Ora tendo em conta isto, a curva da receita relativamente à carga fiscal começa em zero, sobe, atinge o seu máximo e depois desce até zero. Onde e com que intensidade este fenómeno acontece, claro que não lhe sei dizer nem nunca o estudei, e é de bom senso achar que a curva não será simétrica.

    Quando à queda das receitas fiscais, obviamente que não são só explicadas pelo efeito Laffer, agora, estou em crer que uma parte não negligenciável o é.

    Podemos então fazer o seguinte raciocinio:
    Se as receitas este ano caírem mais do que o PIB o excesso será atribuido ao efeito Laffer. Pode ser?

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    • contablista permalink
      30 Junho, 2012 20:01

      XisPto

      Finalmente um comentário sensato para quem diz que não sabe(?) economia …

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  16. Alexandre Gonçalves permalink
    30 Junho, 2012 19:28

    Queria dizer “premissas”

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  17. Delfim permalink
    30 Junho, 2012 19:30

    Prefiro a teoria stumpferiana A Europa foi dominada por um povo estranho, oriundo das florestas dominada no fundo, por uma senhora de cabelos esquisitos e mau gosto no vestir :Os Alemães

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  18. Fincapé permalink
    30 Junho, 2012 19:42

    “Acho que é mais ou menos óbvio qual é a teoria correcta.”
    Só não lhe dou razão porque não é mais ou menos. É obviamente óbvio!
    A não ser que se pense que todas as famílias portuguesas ambicionem ter duas casas… ou três… ou quatro… ou sei lá!

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  19. Trinta e três permalink
    30 Junho, 2012 22:08

    A construção não é, de todo, o melhor exemplo para se avaliar a realação entre impostos e actividade económica. Na construção houve um evidente excesso de oferta e tarda a arrancar uma estratégia que estimule o restauro, esse sim bem necessário.

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  20. JDGF permalink
    1 Julho, 2012 09:48

    Entre os impostos e a actividade económica de qualquer sector (não só na construção) não existe pelo meio as condicionantes financeiras decisivas (acesso ao crédito, p. exº.)?
    Mas para além disso, o que parece relevante é o exercício de confrontar a ‘convicção’ de PPC acerca do ‘insuportável nivel de carga fiscal’ (http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2511542&page=-1) e o ‘facto’ de os impostos serem – na actual situação – a ‘ferramenta-chave’ das opções financeiras e políticas.
    Algo está a ‘correr’ mal. A ‘derrapagem orçamental’ (ineludível), à custa da queda da receita, neste ‘período de ajustamento’, não pode – em qualquer circunstância – ser minimizada. Quer seja observada pela perspectiva de Laffer ou Schumpeter conduz sempre ao mesmo desfecho: o falhanço do modelo!

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  21. PMP permalink
    2 Julho, 2012 15:03

    O aumento de impostos acelera a queda do PIB na construção.
    .
    Laffer e Schumpeter são complementares , não opostos.
    .
    Também Keynes, porque é bem visivel a contração brusca , provavelmente porque as expectativas económicas se deterioram muito no 2º trim de 1011, como sabemos.

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