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Uma outra forma de olhar para o “empobrecimento”

10 Abril, 2014
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Não há muita volta a dar: se o produto interno bruto do país tem diminuído, a sua riqueza tem diminuído.

É importante perceber como.

Em 2007 o PIB português atingiu o seu máximo histórico: 164.660 milhões de euros (preços constantes de 2006). Em 2013 quedou-se pelos 153.609 milhões. Ou seja, menos 6,7%. É esse o balanço acumulado da crise e da austeridade.

Façamos agora um pequeno exercício, recorrendo ao último relatório do INE sobre o produto de 2013: retiremos o investimento em construção civil e obras públicas. Os números passam a ser 142.454 milhões (em 2007) e 141.828 (em 2013). Isto representa uma contracção de apenas 0,4%. Ou seja, quase nada.

Isto significa que sem compressão do sector da construção quase não teria havido recuo do PIB. Acontece que a compressão deste sector era inevitável.

Se recuarmos um pouco mais nas séries verificamos que o sector da construção representou 17,5% do PIB entre 1999 e 2001 – foi a glória dos anos finais de Guterres e o triunfo dos planos lançados pelo empreiteiro-mor da nação, João Cravinho. A partir daí começou a diminuir e, o ano passado, só contribuiu para 7,7% do PIB. Uma queda de dez pontos percentuais.

Sector da construção perdeu mais de metade do seu peso no PIB | Create Infographics

Quem conhece o país sabe bem que manter o ritmo de construção de há 10, 15 anos não só era impossível como teria sido ainda mais suicidário: não falta por aí casa por vender ou estrada subutilizada. O que significa que, com ou sem crise, teríamos sempre de passer por um periodo de “empobrecimento” provocado pelo simples facto de termos deixado de gastar tanto dinheiro em betão.

Pior ainda: quando olhamos para os números do final do século passado e dos primeiros anos deste século verificamos que boa parte do crescimento económico dessa época apenas existiu porque se investou mais e mais em construção e obras públicas. Como esse investimento foi mais gasto inútil do que real investimento, ficámos com muitas dívidas para poucos ganhos de facto em infraestruturas realmente importantes para o crescimento económico.

Evolução do PIB com e sem construção (base 2007=1) | Create Infographics

É bom recordar estes números singelos agora que se fala tanto em relançar o investimento público em betão.

 

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31 comentários leave one →
  1. JorgeGabinete permalink
    10 Abril, 2014 16:51

    Caro jmf, leio-o de há tempos, bastando dizer que acompanhei desde o primeiro dia a edição do P´ e, maioritariamente, nos tempos dos “malai mutin” não identificados que a dada altura pontificaram (e neles anonimamente me incluí), isto para dizer que seguindo-o nunca lhe vi mérito no manuseamento dos números da economia e mais que isso julguei vê-lo cair no simplismo da análise reconfortante e pouco lúcida. Terá sido erro meu? Não o crendo concedo-o neste momento que o vejo usar agregados macro para um juízo pertinente sobre práticas Keynesianas e captura do estado (embora você não o afirme). Dito isto, concordo e saúdo a lucidez escorreita do seu artigo, e o modo como propõe que a economia fundamental sobrevive e paulatinamente porfia desdenhando o proteccionismo dos aparelhos políticos (onde incluo o PSD para além do PS) a sectores (este da “AECCOPS” concreta e vergonhosamente), mais digo que, existisse vergonha, nunca se poderia aceitar o regresso de Jorge Coelho e outros percebendo o regime de concubinato em que vivemos.
    Saúdo-o por me ter surpreendido.

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    • Tiro ao Alvo permalink
      10 Abril, 2014 17:20

      Saiba o Jorge que eu também acompanhei a carreira jornalística do jmf desde a primeira edição do público e que concordo com a sua crítica, sendo certo que, de uma maneira geral gosto e concordo com os pontos de vista deste ilustre jornalista.
      A propósito, permita-me um desabafo: saiba que ainda sou leitor quase fiel do Público, jornal de que só leio alguns artigos e algumas notícias, pois saturei-me de ler vários dos jornalistas que por ali ficaram e outros que por ali apareceram, demasiado inclinados para as esquerdas, lamentavelmente apostados em transformar aquele jornal num autêntico pasquim.

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  2. Daniel permalink
    10 Abril, 2014 18:08

    Devo dizer também que sempre fui um leitor assíduo do Publico enquanto andei por Portugal, tendo este senhor sido o ponto fraco do Jornal. Devo dizer que ultimamente concordo como Tiro. O jornal perdeu muito da sua qualidade na versão impressa, mas a versão online continua a ser uma das melhores e mais bem escritas maneiras de ir seguindo o que se passa por ai, que não me importo de pagar.
    Quanto ao economês do JMF, não me prenuncio. São estatisticas e todos nós sabemos o que elas valem nos dias que correm. O que se refere ao betonês, concordo. Só não via quem não queria ver, embora o desenfrear de obras publicas venha lá mais de trás. Mas no fundo, a que é que isso beneficiou? Procure o JMF e encontrará respostas bem perto de si.

    No entanto em relação ao rigor do JMF a qual os dois admiram, devo perguntar se concordam com o brilhante comentário do senhor que escreveu “a posta” aquando da queda da estátua do Saddam em Bagdad que aquilo era o 25 de Abril do Iraque (acho que isso fala bem do rigor jornalístico do senhor). Já que estamos em Abril e tudo.

    Saudações

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    • Tiro ao Alvo permalink
      10 Abril, 2014 19:05

      Eu sei que o jmf, quando era director do Público, nem sempre foi feliz e certeiro nos seus editoriais.
      Em relação à nota sobre o Iraque, o Daniel tem inteira razão, o jmf enganou-se redondamente. Confesso que eu, aquando da invasão, também pensei que as coisas poderiam correr melhor, mas enganei-me. Como me enganei quando toda a gente começou a dizer que estava a chegar a “primavera” árabe e afinal aqueles povos continuam no “inverno”…

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    • Fernando S permalink
      10 Abril, 2014 20:23

      “A queda da estátua do Saddam em Bagdad” representava para muitos na altura o fim de uma longa ditadura e a esperança de tempos melhores com mais liberdade e com uma verdadeira democracia politica.
      Assim sendo, naturalmente com todas as proporções salvaguardadas, e tendo em conta que se tratava de um jornalista portugues a escrever para leitores portugueses, não era de modo nenhum disparatado fazer então um paralelo com o 25 de Abril português.

      JMF é um excelente jornalista e tem mostrado que percebe mais de economia do que todos os seus delatores juntos !

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      • oscar maximo permalink
        11 Abril, 2014 13:37

        A razão posteriormente apresentada para a invasão do Iraque, foi hilariante, do género, se a das armas de destruição maciça não serve, arranja-se outra, tal como a história do lobo a beber do riacho a montante da ovelha.
        Mas ao menos justificou-se, ao contrário do Barroso.

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      • BEIRAODOS SETECOSTADOS permalink
        11 Abril, 2014 13:42

        Toda a gente ficou a saber que a queda da estatua de Sadam no Iraque foi organizada e executada pelo Tio Sam. Um soldado ianque e que meteu nas maos do iraquiano a marreta e que foi uma grua americana que derrubou a estatua. Os iraquianos a assistir ao espectaculo foram umas centenas apenas, Essas imagens correram mundo em instantes e ate levou ao governo dos EEUU a ser bastante criticado. Nao tem qualque comparacao com o nosso 25/4..

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      • Fernando S permalink
        11 Abril, 2014 15:08

        O Iraque tinha e utilizou armas de destruição maciça.
        Os milhares de kurdos e o chiitas que morreram vitimas de bombardeamentos quimicos são a demonstração de que o Iraque se podia dotar e podia utilizar este tipo de armas. Antes da intervenção militar, com a supervisão dos inspectores da ONU, o Iraque destruiu stocks importantes. Mas recusou-se a deixar verificar outros locais. Depois da intervenção foram encontrados outros depositos com produtos quimicos, embora vetustos e inutilizaveis.
        Ficou ainda provado que o Iraque procurava dotar-se de meios nucleares : tinha um programa e equipas de cientistas com essa tarefa, tinha instalações destinadas prospectava e comprava equipamentos e materiais com esse objectivo.
        A ameaça que o Iraque de Saddam Hussein representava para a estabiidade e a segurança na região e no mundo era real.
        A intervenção no Iraque não foi nem injustificada nem imoral.
        Outra coisa é, sabendo-se o que se passou durante a apos a intervenção militar, discutir sobre se terá valido a pena ou se teria sido preferivel não ter intervido naquela altura e naquelas condições.

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      • Fernando S permalink
        11 Abril, 2014 15:20

        O derrube da estatua de Saddam Hussein foi um momento simbolico entre outros. Aconteceu no momento em que os militares americanos atingiam o centro de Bagdad e, portanto, é perfeitamente natural que estivessem presentes ainda poucas pessoas e que tivessem sido utilizados meios das forças americanas presentes. Mas, depois disso, muitos milhares de iraquianos sairam para as ruas e festejaram efusivamente a queda do regime e do ditador.
        A comparação com o “25 de Abril” português é aquela que é possivel, guardando todas as proporções tendo em conta que também havia muitas diferenças, com qualquer derrube pela força das armas de uma ditadura de décadas.

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    • Fernando S permalink
      10 Abril, 2014 20:27

      Tiro ao Alvo,
      Quando foi o 25 de Abril, também eu, e como eu muitas outras pessoas, esperava que as coisas poderiam ter corrido melhor do que correram efectivamente.
      Poderia ter sido melhor sem o PREC e sem a descolonização “exemplar” !

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      • Fernanda permalink
        10 Abril, 2014 20:29

        Se calhar queria dizer “original” em vez de “exemplar”, certo?

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      • Fernando S permalink
        10 Abril, 2014 20:34

        Não, queria dizer “desastrosa” !!

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      • Tiro ao Alvo permalink
        10 Abril, 2014 21:06

        Não me ganha, Fernando S, também eu acolhi com agrado a “revolução” do 25 de Abril, e assim vivi durante algum tempo. Mas, rapidamente, me desiludi, ao ver muitos oportunistas a porem-se em bicos de pés e a tentarem ultrapassar tudo e todos, sem respeito por ninguém, destruindo, desnecessariamente, tudo que de bom havia em nome de utopias. Uma verdadeira desgraça.

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    • JorgeGabinete permalink
      10 Abril, 2014 23:16

      Já que pergunta eu respondo: o jmf defender-se-á se entender por bem. Não sou um crítico dele apenas partilhei uma opinião e não acho falta de rigor defender algo pressuposto na convicção e não no ignorar de factos evidentes pelo que o jmf de Bagdad não me toca. Quanto ao elogio ou não que faço, o melhor é dizer que acompanhei desde o primeiro dia o P´ e comprei-o durante períodos e não gostava do jornal necessariamente pelos editoriais (o Calvin & Hobbes chegaram a valer meio jornal) e menos ainda por colunistas como EPC (e o seu Fio da Navalha?) que detestava e ainda detesto (paz à sua alma), mas conseguia ter um periódico não alinhado como o DN o foi por períodos (na minha, polémica, opinião). A chegada do P´ representou para mim um salto evolutivo de Portugal, tal como a chegada do BCP ou do Prisunic. Continuo a achar que os números não são o forte dele (quando vertidos em prosa pelo menos) o que, a meu ver, mais realce dá ao post que hoje consegue.

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  3. Ricciardi permalink
    10 Abril, 2014 19:18

    JMF, há, no entanto, outra perspectiva acerca do assunto.
    .
    Repare, imagine que retira do PiB, digamos, as 100 maiores empresas portuguesas. Contas por alto, o PiB encolheria cerca de 75%. Note-se que essas empresas empregam cerca de 30% da população activa e são responsáveis por 90% das exportações portuguesas.
    .
    Isto quer dizer que os restante 25% do PiB é constituido por pequenos e médios negócios e que estes empregam 70% da população activa.
    .
    Agora imagine que um qualquer governo promove politicas que destroem os pequenos e médios negócios que vivem, de facto, das massas disponiveis de todos os portugueses. Desde cabeleireiros a escolas caninas, de cafés de esquina a lojas comerciais, de canalizadores a estucadores. O que acontece ao PiB?
    .
    No limite, se todos os pequenos e médios negócios acabassem, o PiB encolheria apenas 25%, mas a taxa de desemprego cresceria para o equivalente a 70% da população activa.
    .
    O que é que quero dizer com isto?

    Quero dizer que se o PiB caiu 6,1% afectou fortemente uma grande parte da população, embora as médias possam não ilustrar bem o problema desse lote de pessoas.
    .
    Afinal de contas a média dá uma queda de 6,1% do PiB o que faz pensar que, afinal, o esforço foi minimo, não tendo sido.
    .
    Agora, o que é que o país ganhou com isto?
    .
    1º Ao nivel do estado perdeu-se bastante. A Dívida Pública disparou. O défice não foi reduzido como se esperava.
    2º Ao nível do país ganhou-se temporariamente folego. As contas externas numa optica de tesouraria (balança corrente) melhoraram. As contas externas numa optica patrimonial (PII) degradaram-se. Ou seja exportamos mais e importamos menos e a diferença nestes fluxos equilibrou a tesouraria do presente. Mas as Responsabilidades para com o exterior vs Disponibinilidades sobre o exterior (PII) desiquilibraram-se. O que leva a crer que o ajustamento na balança externa é colado a cuspe. Com margens reduzidas na exportação. O que não augura nada de bom.
    .
    O mais provavel é termos novamente as importações a subir (já começaram a subir mais do que as exportações) e as exportações a perder gas devido à falta de condições de investimento.
    .
    Não me adimirava nada que, dentro de dois a tres anos, estejamos outra vez deficitários e a precisar de novo resgate. Coisas que até já nos habituamos na decada de 80 aquando das primeiras intervenções do FMI.
    .
    Continuamos a depender com a mesma intensidade das importações hoje como dependiamos há três anos. As exportações terão tendencia para desacelarar, sucedendo-se novamente o fosso crónico que bem conhecemos. Não vi medida alguma que pudesse por exemplo colocar o país no rota de maior independencia energética. Não se promovem investimento privados no gas natural nas zonas de Portugal que já sabemos existir, muito menos se lançam concursos para a energia nuclear.
    .
    Às vezes não é preciso dinheiro. Nem isso é recomendável que os governam tenham em excesso. Basta abrir as portas para que os privados entrem e explorem. Convidando, baixando impostos etc. Sendo certo que, se o governo pudesse facilitar a produção de energia mais barata, não só aproveitaria às empresas e particulares, como aproveitaria a a balança externa do país.
    .
    Rb

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  4. Fernanda permalink
    10 Abril, 2014 20:27

    “O que significa que, com ou sem crise, teríamos sempre de passar por um periodo de “empobrecimento” provocado pelo simples facto de termos deixado de gastar tanto dinheiro em betão.”

    Ainda não tinha pensado nesta análise do betão e do “empobrecimento”.

    E andam por aí tantos Nobel de economia a escrever sobre a crise e o empobrecimento e, imagine-se, sobre economia. Temos aqui um JMF que os mete na linha. Uma pessoa que realmente sabe da poda, seja ela economia, educação, saúde, literatura, gastronomia ou jornalismo.

    Genial!

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  5. Fernando S permalink
    10 Abril, 2014 20:42

    O JMF tem razão.
    Uma das causas principais da situação de quase bancarrota a que o nosso pais chegou foram os gastos e os investimentos excessivos do Estado português em betão.
    Sair da bancarrota e corrigir a politica do betão passou e passa necessariamente por alguma austeridade e algum ajustamento que, inevitavelmente, provocou algum empobrecimento do pais.
    Se não fosse assim podia ter sido ainda bem pior, o empobrecimento teria sido bem maior.
    No fim de contas, menos 7% de PIB não nos fez regressar à idade da pedra !

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    • 10 Abril, 2014 21:13

      Ele é o “quase bancarrota”,ele é o “algum ajustamento” e o “algum empobrecimento”, o “bem pior” e o “bem maior”. Isto faz-me lembrar o ABC do Amor do Woody Allen.

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      • Fernando S permalink
        10 Abril, 2014 21:19

        Qual é mesmo o seu argumento ?… Se é que tem algum !!

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    • Carlos permalink
      11 Abril, 2014 18:32

      Não o fez voltar a si, Fernando S à idade da pedra. A si.

      Fale na primeira pessoa que argumenta melhor o seu ponto de vista.

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      • Fernando S permalink
        11 Abril, 2014 19:14

        Carlos, até ver, eu é que decido em que pessoa falo ….
        Eu refiro-me a dados estatisticos de ambito nacional e não a quaisquer casos particulares, sejam eles o meu ou o seu.
        Mas se o assunto o apoquenta então “fale na [sua] primeira pessoa” e dê “o seu ponto de vista” … Sente mesmo que regressou à idade da pedra ?… Paciencia, não posso nada por si !!

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  6. 10 Abril, 2014 21:22

    O meu argumento é mesmo o filme do Woody Allen e a cena do quase, quase….

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  7. permalink
    10 Abril, 2014 21:37

    A taxa do PIB mede a variação do crescimento da riqueza em relação ao período. É a segunda derivada. Uma taxa de PIB negativa apenas diz que produzimos menos riqueza não que ficámos mais pobres.

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    • Fernando S permalink
      10 Abril, 2014 21:47

      Zé,
      Talvez por isso o JMF referiu-se ao “empobrecimento” (com aspas).
      De qualquer modo, não havendo uma diminuição da população, haverá menos riqueza produzida por habitante.
      Para todos os efeitos, com mais ou menos “empobrecimento”, eu sou dos que consideram que o pais está hoje em melhor situação do que estava em anos passados com PIBs mais elevados mas menos sustentáveis.

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  8. @!@ permalink
    11 Abril, 2014 00:05

    Aos poucos a linha é retomada, talvez por cheirar a eleições. O governo para promover o “crescimento” destina verba para o sector da construção, a rede de abastecimento para os carros eléctricos vai ser ampliada e renovada, a agricultura vai receber mais dinheiro, etc e etc as electricas continuam a ser subsidiadas para fazer baixar o preço da energia.

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  9. Alexandre Carvalho da Silveira permalink
    11 Abril, 2014 02:08

    Li nos últimos dias duas frases curiosas, que têm a ver com os futuros que os nossos passados prepararam. Uma delas foi dita num filme por um velho judeu especialista em diamantes: “depois de expulsarem os judeus, os países que o fizeram nunca mais recuperaram do declínio em que entraram”. Outra frase foi dita por um filhofamília português há uns anos atrás, quando lhe perguntaram quando é que tinha comprado uma quinta muito bonita que possuía; ele respondeu: “desde o seculo XVI nós não compramos nada, só vendemos”.
    O que é que isto tem a ver com o nosso presente? a meu ver, tem tudo. O velho judeu tem toda a razão naquilo que disse, e os judeus quando se foram embora levaram os negócios e a ecónomia com eles. Ficaram cá as elites que ganharam muito dinheiro enquanto os judeus geriam os negócios do Oriente, e os outros. Desde o século XVI, foi sempre a descer. O ouro do Brasil do século XVIII serviu apenas para construir meia dúzia de palácios e umas obras de fachada, e pouco mais.
    Quanto ao negócio da construção: toda a gente sabe que durante décadas, foi um dos motores do nosso desenvolvimento económico, não apenas pelas obras em si, mas pelos negócios que sustentava a montante e a juzante. Mas teria de parar um dia, e os célebres PDMs que sob a capa da organização e boa gestão do território, se transformou num negócio da China para os ateliers de arquitectura, aprovaram áreas de construção que chegam para construir habitações para mais de 30 milhões de almas. Ora se está previsto que dentro de 30-40 anos seremos apenas 8 milhões o sector da construção civil e obras públicas só podia acabar mal.
    Agora, resta-nos apenas pagar as dívidas e pensar em mudar de vida. Mas parece que não está fácil, porque toda a gente quer é voltar à vidinha dos últimos 20 anos. E ninguém lhes pode levar a mal por isso.

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    • marrazes permalink
      11 Abril, 2014 09:27

      Mas o Bela Gutmam não era judeu, ou era?

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      • Alexandre Carvalho da Silveira permalink
        13 Abril, 2014 02:30

        Não sei se o Béla Guttmann era judeu. Mas que era bruxo, não tenho dúvidas nenhumas, como se há-de comprovar mais uma vez dentro de poucos dias…

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  10. manuel permalink
    11 Abril, 2014 09:14

    Concordo com o conteúdo do artigo do JMF (parabéns pela honestidade intelectual que vem evidenciando ,para lá dos governos de momento) e com a generalidade dos comentários mas, todos deviam ter presente uma constante da nossa ruinosa situação económica ou financeira , a corrupção.O investimento no betão, em si ,não é assumidamente mau mas, quando é feito para receber “luvas”, assim se explicam as rotundas,piscinas nos desertos ,auto-estradas para nenhures e outra obras que apesar de serem investimento tiverem derrapagens monstruosas ,como a ponte rainha santa Isabel ,casa da música ,etc.

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  11. Churchill permalink
    11 Abril, 2014 13:59

    Jmf
    Se a redução do PIB for consequência da redução de dinheiro emprestado (e não pago), então convém fazer uma conta de subtrair para ver se no final estamos mais ricos ou nao.
    Eu sei que a lógica tem pouco sucesso em Portugal, mas se alguém pede 100 milhões de euros e aumenta a produção em 10, não conseguindo pagar os juros nem amortizar a divida, como é que está mais rico?
    Para mim está é mais entalado.

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