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Acidente de trabalho

10 Outubro, 2014

Já vi muitas gente referir que a PT ter chegado a esta ponto é um resultado da incompetência da gestão. Mas nada indica que assim seja. O núcleo duro de accionistas privados tinha cerca de 20% de acções da PT. Com ajuda das participações do Estado de alguns outros aliados menores, estes 20% eram suficientes para controlar a empresa. O potencial de crescimento da PT atingiu o pico com a venda da VIVO, ao mesmo tempo que o accionista principal tinha necessidade de transferir capital para outros negócios que considerava mais estratégicos. Já desde que a OPA da Sonae que se tinha percebido que o negócio das telecomunicações em Portugal estava sobredimensionado e tanto os accionistas da Zon como os da PT trataram desde 2006 de distribuir  dividendos elevados, descapitalizando as empresas. Na PT o processo acelerou-se com a venda da VIVO, porque os accionistas assim o quiseram. Por outro lado, o núcleo duro tratou de usar uma empresa onde só tinha 20% do capital para financiar outros negócios onde tinha 100%, através da concessão de empréstimos de favor. Esta é uma forma de explorar uma posição dominante numa empresa sem ter que partilhar dividendos com os outros accionistas. No fim, o empréstimo à Rioforte correu mal, mas estes empréstimos foram feitos durante anos, e durante anos correram bem para o BES. Portanto, o que se passou na PT não foi incompetência. Eles sabiam bem o que faziam, e fizeram-no de forma competente. O que tiveram foi um acidente de trabalho.

9 comentários leave one →
  1. LTR's avatar
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    10 Outubro, 2014 16:06

    Não é preciso complicar tanto: com a “concorrência” que existia qualquer bacano com o dinheiro para ir buscar as melhores tecnologias liderava o mercado. Você hoje fala em fibra Vodafone a um agente da PT à porta e em algumas zonas ele diz logo boa tarde e passa à casa seguinte porque já sabe que não pode mexer uma palha e missa nenhuma o salva.

    E isto está apenas a começar, porque se a fantochada tivesse acabado há 10 anos…

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  2. Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
    Alexandre Carvalho da Silveira permalink
    10 Outubro, 2014 16:12

    EHEHEHEH!

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  3. Procópio's avatar
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    10 Outubro, 2014 16:22

    O sobrinho.
    Há uma personagem que não deve ser esquecida, os nossos media são muito distraídos.
    Uma personagem que se mexe bem no campo da bola e não só.
    Rui Pedro Soares deixou de ser trabalhador da Portugal Telecom, onde estava desde 2001 e na qual ascendeu à administração da “holding” em 2006. Demitiu-se de administrador em 2010, depois de estalar o caso TVI. Mas manteve-se na área internacional da Portugal Telecom. Ao tribunal, onde foi julgado, Rui Pedro Soares declarou ser empresário. Segundo disse ao Negócios, a aquisição da maioria da SAD do Belenenses tornava a sua continuação na PT incompatível.
    Isto de jogar com a bola dos outros cansa.

    Rui Pedro Soares chegou à PT em 2001, como assessor na então PT Multimédia. Aliás, foi aí que Henrique Granadeiro, presidente do conselho de administração, diz se ter cruzado pela primeira vez com Rui Pedro Soares. Em 2005, antes de ser.convidado para ingressar na comissão executiva da “holding” em 2006, Rui Pedro Soares era administrador da PT Compras. Em 2006, ascende à administração da PT SGPS, para um primeiro mandato. Henrique Granadeiro, era, nessa altura, presidente executivo e a PT estava sob OPA (Oferta Pública de Aquisição) da Sonaecom. Em 2008, ainda nesse primeiro mandato, houve uma reorganização na estrutura executiva da PT, para Zeinal Bava assumir a presidência. Rui Pedro Soares recebe, pela primeira vez, reforço de poderes. Além do imobiliário, segurança; relações com autarquias e patrocínios institucionais, ficou também com as participações financeiras, onde se inclua a Timor Telecom e a Taguspark, ambiente e eficiência energética. No ano seguinte, em 2009, volta a ser eleito para a comissão executiva da PT e acrescenta aos seus pelouros os cuidados de saúde, prestados pela PT ACS.

    No tribunal, Henrique Granadeiro teve a lata de elogiar o desempenho de funções de Rui Pedro Soares, nomeadamente no imobiliário. Também Zeinal Bava falou na forma como Rui Pedro Soares soube gerir melhor os patrocínios ligados ao futebol. E ambos acabaram por contestar a afirmação feita, em tribunal, por Paulo Penedos, que entrou na PT como assessor jurídico de Rui Pedro Soares, de que o ex-administrador da PT tinha ficado com os pelouros que mais ninguém queria. Rui Pedro Soares deixou as funções de administrador em Fevereiro de 2010, depois das buscas para o processo Taguspark. Recebeu, no entanto, 648,7 milhões a título de indemnização por cessação antecipada de funções.

    O pelouro das participações financeiras levou Rui Pedro Soares ao Taguspark, como administrador não executivo. Colocou-o no banco dos réus. Foi nas suas funções como administrador da PT que manteve relações profissionais com Luís Figo e outros futebolistas, Rui Pedro Soares sempre se mexeu bem no mundo da bola.
    Mais alguns pormenores:
    Na PT este “génio da gestão” saltou de galho em galho. Começa por ser “consultor do conselho de administração”, dando palpites inconsequentes em horários incertos (como todos os “consultores”), depois salta para o pomposo (e poderoso…) cargo de “administrador executivo da PT Compras”, sem razão conhecida, e em 2005, salta para um estrondoso “presidente do conselho de administração da PT Imobiliária”, e apenas um ano depois ascende a “membro executivo do conselho de administração” da PT. É então que repesca outro Boy, Paulo Penedos (filhito de outro barão socialista) para “assessor jurídico” sendo assim enredado no escândalo das escutas a propósito do caso TVI e do truculento sucateiro Manuel Godinho.
    Na PT, este “brilhante” Boy ganhava um milhão e duzentos mil euros por ano e estava blindado por uma clausula de rescisão de mais de cinco milhões de euros.
    A entrevista ao jornal i em 2010 (bons tempos) foi guardada para memória futura:
    Jornalista: “O facto de ter chegado a administrador da PT com 33 anos é um dos elementos que fortalece e credibiliza as suspeitas junto da opinião pública. Como conseguiu a nomeação, quem o convidou e como reagiu ao convite?”
    Fui convidado por uma única pessoa: o dr. Henrique Granadeiro. Só o próprio poderá explicar a razão de me ter convidado e de me ter renovado o convite três anos depois, para o mandato seguinte. Como imagina, recebi ambos os convites com alegria e sentido de responsabilidade. Um enlevo!
    Conclusão: “Quando um corno de mãos dadas com um banqueiro convida, quem lhe pode resistir!”

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  4. Procópio's avatar
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    10 Outubro, 2014 16:24

    Uma correção ” “Quando um corno de um banqueiro convida, quem lhe pode resistir!”

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  5. Procópio's avatar
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    10 Outubro, 2014 16:28

    Atenção não parte de mim o epíteto. Em no Jornal de Negócios Fevereiro de 2010 foi a abencerragem que admitiu, ter sido “Encornado” e riu-se
    Já à revista “Visão”, Granadeiro afirmou sentir-se “encornado” depois de ter descoberto que a PT fazia parte de um alegado plano do Governo de José Sócrates para controlar a Comunicação Social. Escreve a revista no seu ´sítio de Internet: “Granadeiro ‘não sabia nem desconfiava’ do envolvimento da empresa nesse plano, mas admite: ‘Pode ter acontecido, à minha revelia'”. A Visão pergunta ainda sobre o que sentiu Granadeiro após ter sabido dos factos divulgados pelo “Sol”. Granadeiro respondeu:”‘Encornado!’. E, de seguida, riu-se.”

    Confrontado novamente pelo Negócios sobre se, depois destas declarações, Granadeiro mantém confiança em Soares Carneiro e Rui Pedro Soares, o presidente do conselho de administração da PT diz que “esse é um problema que vou resolver internamente”.

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  6. Me's avatar
    10 Outubro, 2014 17:47

    E claro , para variar não usavam equipamentos de protecção . é tao fácil evitar os acidentes 🙂

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  7. Contumaz's avatar
    Contumaz permalink
    10 Outubro, 2014 22:07

    Coitados, pois foi, foi um acidente do trabalho de explorar este país até ao tutano.

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  8. Luís M's avatar
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    10 Outubro, 2014 23:08

    É tudo uma vergonha. Não sei como é que esses enormes vultos da nossa sociedade e dos negócios conseguem andar na rua. É preciso muita falta de vergonha. Mas cá o pessoal, talvez por questões culturais muito enraizadas, é todo deferências para com qualquer um que guie bons carros e tenha (às vezes basta aparentar ter) uma gorda conta bancária.

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  9. Confrade's avatar
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    12 Outubro, 2014 20:44

    Sinceramente ainda não percebi o caso PT. Foi-se? Foi-se de onde para onde? Desapareceu? Já não há accionistas? Há uma PT má e uma PT boa? Ou apenas uma empresa cotada cujas acções mudam de mãos como sempre acontece?

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