O facto é que esta verdadeira revolução, porque é de uma revolução se trata, é absolutamente inaudita e, quando chegar ao seu termo, criará um novo tipo da história política. Ela é horizontal, porque atinge todos os regimes, todos os partidos, todos os políticos de todos os últimos governos, pelo que não é um golpe de um grupo político contra outro, mas de um poder – o judicial – contra outro – o político. Ora isto tem (pelo menos…) um perigo evidente: quando a revolução acabar, quando já não sobrar ninguém para prender e condenar aos olhos da opinião pública, quem governará o Brasil? Como não se fazem políticos por geração espontânea, muito provavelmente as actuais elites locais e regionais ascenderão ao plano nacional e federal, e preencherão os locais deixados vagos. Os partidos – presume-se (e deseja-se) que a democracia prevalecerá – são os canais próprios para se realizar essa substituição das elites dirigentes, pelo que será pela sua via que quem está hoje na política local poderá chegar à nacional. Só que, infelizmente, a política local brasileira, ainda que numa escala menor, é tão ou mais corrupta do que a nacional. Pelo que, a não ser que suceda algo que é absolutamente imprevisível (um milagre???), o que aí virá não vai ser melhor do que o que aí está. E pode até ser mesmo bem pior.