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Potência Ininterrupta

16 Janeiro, 2017

O Estado português paga a diversas (muito poucas) empresas para manterem unidades produtoras de energia eléctrica (a gás e a carvão) paradas, mas disponíveis para entrarem em funcionamento no caso de as restantes fontes não serem capazes de assegurar picos de procura. Estas unidades recebem pela disponibilidade e, nos  momentos em que são chamadas a efectivamente produzir energia, recebem também pela energia injectada na rede.

Faz sentido? Considerando a volatilidade de algumas fontes renováveis (em particular das eólicas), sim. [O facto de o preço pago às eólicas ser mais elevado do que o pago pela energia produzida a partir de fontes não renováveis é outro problema].

Porém, além de pagar pela simples disponibilidade de potência, o Estado paga ainda a algumas dezenas de unidades industriais mais de uma centena de milhões de euros por ano para que estas se obriguem a, em caso de um pico de procura de energia, desligar as suas máquinas, para que a rede não entre em colapso. Chamam a isto “interruptibilidade“.

A segurança do sistema eléctrico justificará a existência de mecanismos redundantes? Considerando que a “interruptibilidade” nunca foi usada e considerando ainda que os beneficiários a qualificam como “subsídio” (como compensação pelos preços absurdos da energia eléctrica em Portugal, mais do que pelo serviço que se obrigam a prestar), a resposta não oferece grandes dúvidas. Não seria mais lógico, em caso de efectiva necessidade de redução pontual da procura, ordenar-se aos grande consumidores que desligassem as máquinas, com o pagamento, se fosse caso disso, das correspondentes indemnizações?

 

 

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9 comentários leave one →
  1. Castrol permalink
    16 Janeiro, 2017 15:55

    Mais lógico seria, mas não era a mesma coisa…

    Gozando da proteção e indiferença do Estado, o setor energético e o setor bancário mantêm os portugueses reféns, impedindo o crescimento económico.

    Os portugueses têm os ordenados mais baixos da Europa, mas pagam a energia e os combustíveis mais caros.

    Pagam para ter as suas parcas poupanças na banca e quando precisam de empréstimos pagam juros milionários (de dinheiro emprestado aos bancos a preço de saldo pelo BCE).

    E que dizer do IVA da energia?! A eletricidade não é um bem de 1.ª necessidade??!!

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  2. Arlindo da Costa permalink
    16 Janeiro, 2017 15:59

    Interromper um processo contínuo não se recomenda. Por isso a necessidade da interruptabilidade.

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  3. Rui permalink
    16 Janeiro, 2017 18:16

    Caramba, se se querem preocupar com o interesse nacional relativamente à energia electriza porque não falam de Almaraz em vez de andar a desviar atenções com estes assuntos importantes mas secundários. Urge que os Portugueses se unam e não dêem dinheiro a ganhar a marcas espanholas como o Santander, Banco Popular, Zara, Mango, El Corte Inglês. Devia-se iniciar uma campanha neste sentido enquanto o projeto de Almaraz não for parado. Isto tem de partir da sociedade civil, como o vosso blogue. Tem de ser falado nos jornais, facebook etc. O governo não pode recomendar abertamente estas medidas. Acho que esta forma de pressão teria muito mais efeito do que queixas em Bruxelas que vão dar em nada. Eventualmente o nosso governo se quisesse tomar uma posição mais forte poderia era expulsar ou suspender o embaixador espanhol (não sei se será inteligente contudo…)

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  4. SRG permalink
    16 Janeiro, 2017 18:28

    Realmente Rui, era uma boa ideia, só que dependemos mais de Espanha do que a Espanha depende de nós.

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  5. lucklucky permalink
    16 Janeiro, 2017 18:45

    Na Sul Australia aconteceu há uns meses uma situação onde se desligou ou colapsou a rede por excesso de produção.
    Claro na censura do jornalismo tuga nada disso apareceu pois foi provocada pelo “ambientalismo”

    “Não seria mais lógico, em caso de efectiva necessidade de redução pontual da procura, ordenar-se aos grande consumidores que desligassem as máquinas, com o pagamento, se fosse caso disso, das correspondentes indemnizações?”

    Como se pudesse desligar o consumo de de milhares de industria do pé para a mão interrompendo trabalhos.

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    • Rafael Ortega permalink
      17 Janeiro, 2017 17:22

      O objectivo da interruptibilidade é precisamente esse.

      Essas empresas têm vindo a preparar-se para essa eventualidade.

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  6. 16 Janeiro, 2017 19:23

    sairia muito mais barato , mas essas empresas a desligar , caso necessário , se calhar não empregam políticos e familiares.

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    • lucklucky permalink
      16 Janeiro, 2017 23:50

      Você nem o autor tem mesmo a noção da logistica e consequências para sequer fazer uma coisas dessas. Delírios…

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