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Quarenta

13 Setembro, 2017

rato_roda

 

Hoje faço 40 anos. Contando com os anos bissextos, passei, até agora, 350 640 horas vivo. Dessas 350 640 horas, é provável que tenha gasto umas 116 880 a dormir, permanecendo de olhos abertos nas restantes 233 760. Devia ter assistido, até este dia, a 21 420 horas de aulas, mas como fiz a Universidade longe das saias da mãe e do regador de água fria do pai, apenas estive presente em 18 270, incluindo-se as 3150 que sobram nas 116 880 acima referidas. Dediquei mais de 30 000 horas à “carreira profissional”, eufemismo de “trabalho”, algumas das quais, poucas, a fazer coisas realmente interessantes.

Apostei forte, nestes 40 anos, em filas. Entre as de trânsito, as dos supermercados, as dos bancos, as dos CTT e as da caixa de pagamento do Sardinha Biba, avalio em 6240 o número de horas destinadas a essa civilizada forma de organização social, inspirada, segundo lendas, nas tribos índias da América do Norte. Como só tive telemóvel em aproximadamente metade da minha vida, gastei apenas 800 ou 900 horas a dizer que não estava interessado no produto ou serviço que me tentavam afincadamente vender; sobrou-me assim mais tempo para levar a cabo os vários rituais de higiene que me foram transmitidos pelas gerações precedentes. Contando com banhos, lavagens de dentes, corte de unhas e manuseamento de desodorizantes, não é descabido um cálculo aproximado de 7300 horas para estes exercícios de urbanidade. Também não poupei no tratamento da correspondência e no relacionamento com os vários níveis do poder político-administrativo. Nunca, ao longo destes muitos anos, fui esquecido pela EDP, SMAS, PT, etc.; é por isso justo que tenha consumido entre 1000 e 1500 horas a dar seguimento às cartas que simpaticamente me foram enviando. Já no que se refere ao Estado, nele incluindo as várias repartições públicas, os inúmeros institutos e os múltiplos departamentos autárquicos, estimo ter dissipado nas suas instalações físicas cerca de 1500 horas, 800 das quais em primeiros contactos, 500 para entregar o papel que estava em falta aquando da visita inicial, e 200 para entregar o papel que se descobriu faltar já durante a segunda visita.

Hoje faço 40 anos. Contando com os anos bissextos, passei, até agora, 350 640 horas vivo. Algumas das quais a viver.

 

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18 comentários leave one →
  1. José Ribeiro permalink
    13 Setembro, 2017 12:03

    Desde já, desejo-lhe os parabéns e que conte muitos.
    Recomendo que esqueça das horas e viva o dia-a-dia como se fosse o seu último, mas sem as necessárias e habituais loucuras.
    Dou-lhe o meu exemplo que quase “bati a bota” com 4 enfartes. Enfim…

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    • licas permalink
      13 Setembro, 2017 15:55

      José Ribeiro

      4 enfartes? Valente!!!
      Daqui para diante não permita NEM MAIS UM por excepção . . .
      E viva por muitos e bons anos, o meu voto.

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    • sam permalink
      13 Setembro, 2017 22:17

      Sportinguista sofre…

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  2. 13 Setembro, 2017 12:21

    Muitos parabéns.. e lembre-se: a vida é curta. Aproveite as restantes horas para viver da melhor maneira possível … 😉

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  3. piscoiso permalink
    13 Setembro, 2017 12:23

    Faltou indicar as horas em que esteve no WC.

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  4. 13 Setembro, 2017 12:41

    “A vida moderna tem muito de moderna e pouco de vida”.
    Quino.

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  5. 13 Setembro, 2017 13:25

    Pois então muitos parabéns. Que viva uma vida plena de sentido.

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  6. Aventino permalink
    13 Setembro, 2017 13:47

    Ainda estás a tempo.
    Parabéns e… fode esta merda toda. Sê rebelde, torna-te guerrilheiro, aprende a ser maldito.
    Se não, vais apagar muitas velinhas, acompanhado pelas “filhotas”, cantando canções de embalar…

    Não seja + 1

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  7. piscoiso permalink
    13 Setembro, 2017 14:47

    O que aprecio neste post é a quebra da rotina de bater no governo ou no comunismo, repetitivo e sem ideias.
    É claro que a incidência sobre a vida pessoal pode ser uma fabulação, para nos fazer pensar sobre os tempos de vida.
    É por isso que já nem perco tempo a ler alguns comentadores, que debitam sempre o mesmo por diferentes palavras.

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    • Aventino permalink
      13 Setembro, 2017 15:00

      Ainda estás a tempo.
      Parabéns e… fode esta merda toda. Sê rebelde, torna-te guerrilheiro, aprende a ser maldito.
      Se não, vais apagar muitas velinhas, acompanhado pelas “filhotas”, cantando canções de embalar…feito um piscoiso qualquer!

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      • piscoiso permalink
        13 Setembro, 2017 15:45

        Velinhas nunca apaguei, filhas não tenho e nem canto. São piscoisos que habitam no crânio de um Aventino qualquer.

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  8. 13 Setembro, 2017 15:27

    Parabéns!

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  9. 13 Setembro, 2017 15:50

    PARABÉNS !
    E para comemorar, beba um Moet & Chandon com o VCunha !

    Prenda de aniversário: ofereço-lhe um negócio de 5 milhões de euros se em troca vender-me uma das suas casas por 600 mil, pode ser a tal que tem duas garagens, N salas, jardim, muito bem situada em Lisboa e que valia há anos 870 mil.

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  10. Manuel permalink
    13 Setembro, 2017 15:59

    Parabéns! Força na tecla.

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  11. Arlindo da Costa permalink
    13 Setembro, 2017 16:01

    Muitos Parabéns, Amigo!
    Ser português nunca foi fácil!

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  12. Procópio permalink
    13 Setembro, 2017 16:23

    MJRB, calma aí eu também estou interessado nessa casa.
    Com a Madona e outras madames, chinocas para um lado, brasileiros para outro, todos a empecilhar, está difícil encontrar um apartamento digno nesta terra!
    Tentei no Héron do Castillo, já fui tarde.
    O da Avenida da liberdade dava-me mesmo jeito, estava perto do Procópio.
    https://sol.sapo.pt/artigo/126776/costa-viveu-em-duplex-feito-contra-parecer-da-cml
    Só ouvi violas e puseram-me logo a andar.
    Agora não me lixem.
    Com que dinheiro vou comprar?
    Avental a jeito e grandes amizades. É tudo.

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    • 13 Setembro, 2017 18:48

      Procópio,

      Na Av. da Liberdade já não tenho a viola de luxo que aluguei 1000 euros/mês — com muita gentinha “socialista” invejosa do AC-DC, mas a vida deles é assim, remediados ou pobretanas admiradores de líderes espertos.
      No Heron é mais caro, mas aquilo descambou, os VIP’s desapareceram desde que saíram o Azevedo e o Sócrates. Deixou de ser frequentado por gente “respeitável” — ex e actuais ministros, ex-banqueiros, advogados “de negócios”, devotos apoiantes do Azevedo que passaram-se para o Vilarinho e hoje estão com o Vieira.
      Não sei como corresponder ao seu interesse, talvez convidando-o para almoçar ou jantar com um meu amigo que ainda tem alguma tesão “socialista” disfarçada com um avental à frente do coiso.
      O melhor e entretanto será aproveitar o Verão e beber um gin à porta do Procópio.

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