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Do casamento

18 Junho, 2018
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Há poucos livros que me tenham marcado mais do que o Selfish Gene. Não pelo que lá está escrito, mas por todas as implicações do que lá vem para a forma como se percebe as instituições e os sistemas de valores, fugindo às amarras do pensamento reinante.

Por exemplo, o casamento. Porque é que o casamento, nas suas mais diversas formas, surgiu em todas as sociedades actuais de forma espontânea? Terá sido coincidência? Não, simplesmente as sociedades que não descobriram a instituição não sobreviveram para entrar nas estatísticas. O casamento é tão essencial porque a humanidade passou a esmagadora maioria da sua história com taxas de mortalidade infantil extremamente elevadas. Não precisamos de ir muito longe: há 200 anos, metade das crianças nascidas na Europa morriam antes de chegar ao primeiro aniversário. Se andarmos mais para trás na história da humanidade, as taxas são ainda mais elevadas. Nós hoje habituámo-nos a associar as taxas de mortalidade infantil ao rendimento dos pais, mas em grande parte da história da humanidade as diferenças de rendimento eram escassas. O verdadeiro determinante nas possibilidades de sobrevivência das crianças era o número de pais que providenciavam por eles. Ou dito de outra forma, se o pai ficava ou não a ajudar a mãe a tratar da criança. Problema: existia um forte desequilíbrio de forças e assimetria de informação entre homens e mulheres. A mulher fazia um investimento inicial bastante maior na concepção da criança (gravidez, amamentação, etc) e tinha, ao longo da vida uma capacidade reprodutiva mais limitada que o homem. Ao mesmo tempo, a mulher era a única a ter a certeza de que uma criança nascida era mesmo sua filha. Os incentivos da mulher eram de copular com o homem que tivesse os melhores genes e convencer um homem (qualquer um) a cuidar da criança como sua. Por outro lado, o homem tinha uma capacidade reprodutiva virtualmente ilimitada, mas nunca poderia saber ao certo se um filho era seu. Os incentivos do homem eram de copular com o maior número possível de mulheres e deixá-las sozinhas a cuidar dos filhos (mesmo com uma taxa de sobrevivência mais baixa, a possibilidade de ter mais filhos compensaria). Sem sequer ter a certeza se o filho era seu, o homem tinha poucos incentivos a gastar energias providenciando para aquelas crianças. Sem a instituição casamento, teríamos uma sociedade de mães sozinhas e homens que tudo o que faziam era guerriar-se pela possibilidade de copular com o maior número de mulheres possível. O casamento surgiu como forma de resolver esse problema. A mulher obrigava-se a ser fiel ao marido e o homem obrigava-se a providenciar pela mulher e pelos filhos daquele casamento. Em muitas culturas, ainda hoje, o pior crime que uma mulher pode cometer é ser infiel e há menos de meio século um homem em Portugal estava autorizado a assassinar a mulher se a encontrasse em flagrante infidelidade. A própria subserviência histórica da mulher e a clausura do lar resultava em parte disso: dar uma garantia ao homem que o contrato de casamento era cumprido. Mesmo culturas que aceitaram a poligamia, fizeram-no no pressuposto de que o homem teria que providenciar por todas as mulheres. A Poliandria não existe em nenhuma sociedade relevante, e nos nichos em que existe normalmente a mulher é partilhada entre irmãos (que tem implicações em termos de propagação de genes diferente).

Recentemente, várias instituições sobrepuseram-se ao casamento nesta função de garantir a sobrevivência das crianças. Embore continue a existir uma diferença de mortalidade infantil entre crianças em famílias monoparentais e com dois pais, a taxa é tão baixa que hoje o risco é considerado quase nulo. Com a maior esperança de vida, há muitas pessoas que se casam sem intenções de ter filhos ou já impossibilitadas de os ter. A inutilidade do casamento ficou definitivamente demonstrada quando a infidelidade deixou de ter efeitos legais e o divórcio unilateral passou a ser possível. Quebraram-se assim os dois pressupostos principais da instituição casamento: a fidelidade da mulher (que se tornou irrelevante depois de surgidos os testes de paternidade) e o compromisso do homem (que, ainda assim, se ainda vai vendo com as pensões de alimentos nos divórcios). Ou seja, a instituição casamento acabou. É hoje pouco mais do que um acordo civil de partilha de activos entre duas pessoas. Não faz por isso nenhum sentido que um tipo de contrato civil esteja vedado a duas pessoas do mesmo sexo (ou três, quatro ou cinco pessoas de qualquer sexo). É contraditório dizer que se defende o casamento tradicional e não ser contra a existência de divórcio, a punição legal da infidelidade, o casamento entre inférteis ou todas as outras combinações que afastam o casamento da sua versão original, quando era uma instituição essencial à sobreviência da sociedade. Quem o fizer está a cair na contradição de defender a existência de algo que na verdade, por outras vias, já há muito aceitou que não existia.

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56 comentários leave one →
  1. Artista português permalink
    18 Junho, 2018 22:35

    Um vector essencial nestas considerações: ORDEM. Não há sociedades que progridam em desordem.

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    • 19 Junho, 2018 01:38

      A Itália do Renascimento parecia ser um caos total, com golpes de estado frequentes em cada cidade-estado e micro-guerras permanente.

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      • 20 Junho, 2018 10:16

        pode argumentar-se que o Renascimento e a sua desordem constituiram uma regressão e não uma progressão (certamente em termos antropológicos e morais).

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  2. procópio permalink
    18 Junho, 2018 22:37

    De casamentos, a Filomena Cautela e a Mariana Mortágua é que sabem.
    A Câncio também pode dar um jeitinho, ela não vê Nada de Fracturante em Si, o que já é um bom princípio e tranquiliza qualquer pessoa desprevenida.

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  3. 18 Junho, 2018 22:47

    Portanto, estás a dizer que o casamento está obsoleto porque o estado tratou de absorver a instituição de outra forma ou seja, pela sua nacionalização, vulgo socialismo.

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    • CGP permalink
      19 Junho, 2018 09:38

      Não só, nem primariamente, o estado. A mortalidade infantil não caiu para números irrelavantes no Ocidente apenas por intervenção do estado. O progresso tecnológico na área da saúde (tanto na componente saúde infantil, como no desenvolvimento de testes de paternidade) e os mecanismos de defesa das mães solteiras na sociedade, que começaram na igreja e foram depois absorvidas pelo estado, retiraram muito do intuito original da instituição casamento. O estado veio depois, agregando e concentrando essas funções em sistemas nacionais de saúde e estado social. A aceitação generalizada, mesmo entre conservadores, do divórcio unilateral sem culpa (que liberta os homens da sua obrigação original) e a despenalização da infidelidade (que liberta as mulheres da sua) são evidência disso. Nem os conservadores acreditam na instituição casamento.

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      • 19 Junho, 2018 10:06

        “do divórcio unilateral sem culpa (que liberta os homens da sua obrigação original)”

        Acho que não liberta – a obrigação em causa (sustentar os filhos*) continua, e em teoria as pensões de alimentos são calculadas de forma a que o pai pague o que gastaria com os filhos se vivesse com eles.

        *ou talvez a obrigação inerente ao casamento não seja sustentar os filhos, mas reconhecê-los (sendo o sustento inerente ao reconhecimento, mesmo que nunca tenha sido casado sequer com a mãe), mas se for assim ainda reforça o ponto.

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      • 19 Junho, 2018 13:44

        Mas v. casou-se ou não se casou em cerimónia neo-hippie?

        Foi para demonstrar a falência da coisa em paraíso balnear?

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      • 19 Junho, 2018 13:47

        Eu acho muito engraçado estes neotontos a darem conselhos aos outros e a usarem o inverso para eles próprios.

        V. também andou a defender a bondade da eutanásia porque os seus caprichos são lei.

        Acaso já fez o Testamento Vital?

        Agora defende que o casamento já era e é melhor que se espatife todo para poder haver mais crianças filhas do Estado.

        Já anulou a cerimónia neo-hippie para ser consequente com o que prega?

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      • 20 Junho, 2018 10:19

        Isso apenas demonstra que os ‘conservadores’ moderno só conservam o esquerdismo da última década. nenhum conservador que tome os valores que apregoa para além da superfície é a favor do no-fault divorce ou contra a punição da infidelidade.

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  4. Mario Figueiredo permalink
    18 Junho, 2018 22:51

    E o casamento como uma instituição social?

    É que li com atenção e paciência o CGP a defender as raízes biológicas do casamento. Mas isto apenas o atirou para a armadilha moral que é o último parágrafo.

    Acha que chega às mesmas conclusões se preferir o argumento que as raízes biológicas do casamento são demasiado antigas e de tal forma absorvidas pela nossa construção de sociedades baseadas precisamente no núcleo familiar, que falar-se hoje de casamento no contexto que o CGP aqui o coloca não só é obsoleto, como francamente errado?

    Como é que de acordo com a sua análise o CGP explica a força do casamento entre as classes mais ricas e as mais pobres, ou em sociedades mais conservadoras, ou entre certos grupos étnicos? Como explica o enfraquecimento da instituição do casamento entre a classe média, entre grupos políticos de esquerda? Onde está a biologia aqui?

    Não. O casamento tem um valor social predominante. E por isso mesmo, sim senhor, é possível e desejável defender o casamento tradicional ao mesmo tempo que se defende a existência do divórcio, que não se penalize a infidelidade, que se defenda o casamento entre gays ou inférteis. Claro que cada um deste casos é defendido ou não consoante as nossas convicções políticas. Mas se existir alguma contradição, esta será no plano das convicções e não porque o “casamento existe para assegurar a passagem de genes”.

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    • 19 Junho, 2018 00:25

      ” o CGP explica a força do casamento entre as classes mais ricas e as mais pobres”

      O Mário Figueiredo tem mesmo certeza que existe uma grande força do casamento entre as classes mais pobres? A ideia que eu tenho é que entre operários e pescadores uniões de facto, filhos “ilegitimos”, mulheres com 3 filhos, cada um de cada pai, etc. são mais comuns que entre a classe média.

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    • Mario Figueiredo permalink
      19 Junho, 2018 02:08

      Não é só essa. O meu post foi escrito um pouco à pressa e tem algumas deficiências de argumentação:

      Queria dizer “sociedades mais pobres” e não “classes pobres”. O casamento, como instituição, tem um peso bastante forte no 3º mundo e no países em desenvolvimento.

      Outra coisa que faltou foi fazer uma referência ao valor cultural do casamento, em adição ao seu valor social. A primeira é igualmente importante e determinante na forma como o casamento está definido numa sociedade.

      Finalmente, é claro que não se trata apenas de convicções políticas. Mas as tradições e cultura e as convicções religiosas também influenciam a forma como definimos as balizas sociais à volta do casamento.

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      • 19 Junho, 2018 10:39

        “O casamento, como instituição, tem um peso bastante forte no 3º mundo e no países em desenvolvimento.”

        Acho que varia muito com o continente – a América Latina, p.ex., creio que tem historicamente altas taxas de filhos nascidos fora do casamento; penso que a África subsahriana também (embora aí possa haver complicações adicionais porque é difícil mapear as estruturas familiares tradicionais dessas sociedades com as leis modernas que regem esses Estados); mas atenção que estou a falar de cor (não fui ver estatísticas nenhumas).

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    • CGP permalink
      19 Junho, 2018 09:46

      Mário, porque é assim que as instituições desaparecem. Os mais pobres mantêm as tradições por heurítistica. Os mais ricos por conservadorismo e posição social. Sobram as classes médias (médias-altas), que sem posição social a manter e com recursos (a vários níveis) para poder abdicar de processos de heurística vão mudando (lentamente) a sociedade. A um nível menos intemporal, é o que acontece com regimes políticos: raramente são os pobres ou os ricos a mudá-los. A maior ameça a um regime são sempre as suas classes médias.

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      • Mario Figueiredo permalink
        19 Junho, 2018 12:15

        Discordo. O casamento está a perder força entre a classe média, mas não é por sua iniciativa directa. É o regime politico que o está a ditar.

        A super-regulação dada ao casamento e as temas que lhe são periféricos, como os filhos, ao mesmo tempo que se liberalizam novas estruturas de organização social, com poder legal e propositadamente mais simples, como as uniões-de-facto, é o que está a destruir o casamento entre as classes médias.

        Não são é a classe média que não se quer casar. Basta observar como sempre ainda se organiza em núcleos familiares. o problema é o casamento que está feito para ser demasiado complicado e uma maçada. E é uma sociedade que não consegue encontrar espaço na vida moderna para se maçar.

        E depois é a erosão sistemática do casamento como figura central na construção do conceito de família, tal como entendida na nossa tradição cristã e milenar. Casamento entre gays ou a adopção de filhos por casais gays, são exemplos de como o liberalismo social arromba e viola sistematicamente a estrutura social existente em busca de um conceito de igualdade que carece de qualquer demonstração que a) é mesmo necessário e b) não tem resultados perversos.

        É por estas e por outras que abomino liberalismo social. Ao mesmo tempo que defendo liberalismo do estado e da economia, considero o liberalismo social como o tipo de pensamento irresponsável, hipócrita e com mais poder para destruir as nossas sociedades e nos tornar no tipo de cornos-mansos que acorda de manhã a acreditar que o terrorismo nas nossas cidades é algo que temos que nos habituar.

        O problema de muitos liberais (e aqui não me estou a dirigir a si em específico) é não quererem perceber que lá porque o açucar funciona no leite, não quer dizer que fica bem no vinho. E que o liberalismo defendido como uma meta em vez de um caminho, não passa de mais um ismo que lá vamos todos ter de combater mais cedo ou mais tarde.

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      • Mario Figueiredo permalink
        19 Junho, 2018 12:28

        Já agora, só para acrescentar… é por isso que e apesar de concordar em absoluta com as ideias do CGP sobre a construção de novos partidos mais liberais, numa outra coisa estou em completo acordo com o Vitor: Partidos políticos que assumem o liberalismo como a sua principal orientação ideológica são partidos a abater. Não existe qualquer necessidade e é perigoso usar o Liberalismo como fundamento politico-partidário. Quem o faz muito bem são os neoliberais e os social-fascistas da esquerda. Esse “liberalismo” passamos muito bem sem.

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      • 19 Junho, 2018 14:38

        Já somos dois.

        O liberalismo económico- em conta peso e medida, é muito saudável.

        Já o social é o maior cancro que se pode arranjar e tem os marxistas gramscianos todos a militarem por ele.

        Estes neotontos rothbardianos não passam de trotskistas com a mesma agenda.

        Uns falam em nome do unbiguismo; os outros estão no poleiro e tratam de tornar os caprichos umbiguistas em lei obrigatória para todos.

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  5. procópio permalink
    18 Junho, 2018 23:50

    Um casamento de conveniência em vias de acabar.
    O que os mercados dão, os mercados podem tirar — e, se tirarem, vão tirar mais a uns do que a outros. Quem serão uns e outros? Logo saberemos.
    Se o crescimento abrandar, os países mais endividados com desequilíbrios nas contas públicas terão, de novo, barrado o acesso aos mercados. Não há-de ser nada…
    Isto é, o amor torna-se às vezes demasiado dispendioso. Sítios conspurcados por políticos asquerosos acabam por ter que ir à vida com as reformas e tudo.
    Mau, mau.. e eu que te adorava tanto, Europa do meu coração! Então já não vem mais nenhum?? Consta que depois do divórcio a parte mais fraca raramente se endireita.
    Pode ser o tempo das táguas, orientadas pelo papa louçã.
    Os ortodoxos com menos votos, serão mais cuidadosos. Dias aparentemente felizes podem prenunciar surpresas. Vem aí a pós-verdade e os dinossauros podem estar em vias de extinção, mas não dão ponto sem nó.

    https://www.lightonconspiracies.com/2018-bilderberg-meeting-turin-italy-7-10-june-2018/

    A verdade tem importância cada vez mais secundária: o que interessa é manipular e enraizar na opinião pública os valores e convicções beneficiam a oligarquia. Mesmo quando são desmentidos, os presstitutos teimam em repetir a sua versão dos fatos.
    O aparentemente simples prevalece sobre o honestamente complexo. Enganar sempre!
    À medida que a mentira se espalha e os fatos alternativos ganham primazia sobre a realidade, os próprios fundamentos da democracia ficam em risco.
    Hoje já vemos como até os incêndios podem propagar a corrupção sob a capa beijoqueira.

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  6. 19 Junho, 2018 01:03

    “O verdadeiro determinante nas possibilidades de sobrevivência das crianças era o número de pais que providenciavam por eles. Ou dito de outra forma, se o pai ficava ou não a ajudar a mãe a tratar da criança. ”

    As duas coisas não são totalmente equivalentes – o “número de pais que providenciam por ele” também pode depender de “número de homens que têm uma dúvida razoável que talvez sejam os pais”; eu suspeito que em regra dúvidas sobre a paternidade têm o efeito oposto – levar a que nenhum dos possíveis pais ligue muito ao eventual filho, mas muito ocasionalmente (nomeadamente em sociedades com grande incerteza económica ou grande mortalidade) pode ser mais vantajoso ter vários potenciais pais que ajudam pouco do que um pai definitivo que ajuda bastante (e se ele tem uma má época de caça? Ou é morto pela tribo vizinha?).

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  7. lucklucky permalink
    19 Junho, 2018 01:45

    “a punição legal da infidelidade”

    Deveria continuar a existir uma vez que pode ser uma violaçao do contrato.

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    • 19 Junho, 2018 13:42

      Ora muito bem!

      É assim mesmo- para casuística, casuística e meio.

      Não são esta escumalha jacobina que vive agarrada aos truques legais para ir impondo a sua agenda do mundo-às-avessas?

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  8. Arlindo da Costa permalink
    19 Junho, 2018 02:54

    Sr. articulista, não perca tempo com o casamento, uma instituição caduca e que é só para encher os cofres do Estado. Opte pela união de facto, como qualquer bom liberal…

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    • Euro2cent permalink
      20 Junho, 2018 21:49

      uma instituição caduca

      Não para os nossos donos, que em geral têm belas e fortes famílias, com um ligeira tendência para a poligamia em série.

      Agora os proletas, que se danem. Quanto mais atomizados e desesperados, melhor, saem mais baratos. Em particular as fêmeas, que bem se lixam com a “igualdade”.

      E a igreja, que lhes deu isso do casamento monogâmico, também tem a folha feita.

      Trigo limpo, farinha Amparo.

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  9. Fiscal Fisco permalink
    19 Junho, 2018 10:22

    Caro CGP, habitualmente gosto dos seus textos, mas este é absolutamente ridículo, é até dificil para mim perceber como é que um doutorado esclarecido (como já o provou em muitos outros textos) escreve um texto tão básico. A explicação curta é que o CGP usa a falácia da omnisciência (“estas coisas são importantes para o surgimento do casamento [verdade], mas não há mais que estas”, ou seja, implícita no seu argumento está uma proposição universal negativa, algo que só poderia fazer se fosse omnisciente…) e confunde condições necessárias com suficientes várias vezes.

    Em última análise o seu problema reside no seu liberalismo (tal como a palvra é usada cá em Portugal). Esta ideologia, como a sua irmã gémea marxista, permite aos seus partidários pensar que têm uma argumentação articulada e elaborada sobre as matérias mais variadas, sobre todos os assuntos!, sem ser preciso estudar cada um dos assuntos com profundidade. Portanto a “argumentação” é de facto um discurso aberto, one size fits all, que lhes permite sair por cima em conversas superficiais de café. Nada distingue os textos de João Miguel Tavares (a aplicação dos dogmas básicos do liberalismo a todas as situações da vida presente passada e futura) de uma empregada fabril a gritar muito convicta: “temos de travar a exploração do homem pelo homem, fazer ajoelhar o capital, numa destruição criativa que abolirá as classes e instaurará um regime justo e humano onde haverá igualdade de oportundiades para todos”. A senhora provavelmente é semi-analfabeta, mas aparenta saber imenso, ser muito letrada, etc., quando de facto apenas tem um conjunto de chavões de plástico.

    A exata mesma figura fazem os liberais. Ainda há tempos o André Azevedo Alves no Insurgente dizia que lhe pediram para comenatr a crise na Catalunha e ele foi procurar resposta nos livros de Hayek, tal como um um marxista vai procurar respostas no manifesto comunista.

    O problema desta postura são de facto dois:

    o facto desta argumentação permitir aos fanáticos desta religião (seja os da Bíblia-Marx, seja os da Bíblia-Hayek, von Mises, etc.) terem um discurso que facilmente lhes permite ganhar discussões de café em todos os assuntos, faz com que eles não sintam necessidade de aprofundar nada (para que o haveriam de fazer? Afinal já ganham discussões facilmente…) E isto é um trememdo bloqueio cerebral e cultural que só prejudica os próprios.
    A vantagem competitiva da Europa Cristã (a vantagem que tornou o Ociedente a sociedade mais desenvolvida de toda a história) foi a convicção de que não existe nenhuma porta de acesso à essencia do mundo (sugiro a leitura de Stanley Jackey ou das mil intervenções de Henrique Leitão sobre esta matéria).

    Os gregos clássicos, os chineses, os hindus, e todas as grandes culturas do passado, bem como, atualmente, os muçulmanos, os marxistas e os seguidores de Hayek, todos padecem deste mal grave, deste bloqueio mental, que é considerar que existe uma pedra filosofal do pensamento que permite às pessoas ficarem imediatamente a saber de tudo sem precisarem estudar nada. Os marxistas consideram que esta pedra filosofal é o Capital e a sua versão resumido do Manifesto Comunista. Os liberais acham que está nas obras de Hayek et al., os muçulmanos acham que está no Corão (por isso podia-se queimar a biblioteca de Alexandria porque se o que lá está concorda com o Corão, então é redundante; e se o contradiz é falso).

    O que eu acho graça é que os blogers liberais de Portugal são filhos ou netos do Pedro Arroja, mas em vez de o seguirem libertando-se desse bloqueio mental, desse retrocesso civilizacional, que é a idelogia liberal (custa ler isto não é?Mas é isso mesmo, uma idelogia tão palemra como as outras), insistem que o coitado do homem perdeu a razão, perdeu-se, está velho, quando o homem continua de facto dez passos à frente de todos…

    Aliás eu gostava de ver se o Pedro Arroja sufragava um texto tão básico como seu….

    Tome um exmplo da sua área: a afirmação da hipótese nula. Viu quanto lhe custou percebero conceito? Viu quanto lhe custa explciar isso aos seus alunos? Um conceito só, apenas um! Como é que um conceito só dá tanto trabalho a perceber, e depois, graças à leitura de meia dúzia de livros (ou menos) consegue tornar-se um especialista capaz de debitar sobre todos os asusntos e ganhar todas as discussões? Não lhe parece que aqui há algumas coisas para refletir?

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  10. PiErre permalink
    19 Junho, 2018 10:28

    Do Casamento

    Que prosa tão esdrúxula…

    Deve ser resultado de elucubrações sem respaldo científico, que apenas produzem especulações e conjecturas sem sentido.

    Só os arlindos que por aqui habitam podem tirar daí algum proveito.

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  11. Luis Lavoura permalink
    19 Junho, 2018 11:41

    em grande parte da história da humanidade as diferenças de rendimento eram escassas

    Não creio que este argumento seja verdadeiro. Os estudos da desigualdade, por exemplo de Piketty, indicam, que eu me recorde, que a desigualdade é geralmente muito alta em sociedades agrícolas tradicionais.

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  12. Luis Lavoura permalink
    19 Junho, 2018 11:45

    Há um outro argumento para a importância do casamento em sociedades agrícolas. Nessas sociedades a riqueza mede-se geralmente em património – posse de terras aráveis, de animais e de alfaias – herdado. A herança torna-se portanto fundamental e, com ela, saber quem é o pai de quem. É daí que vem a importância do casamento e da idelidade feminina – um homem tem que ter a certeza de que os filhos da sua esposa são também filhos delem porque somente os filhos dele têm o direito de herdar o seu património.
    Nas sociedades modernas a herança é menos importante, mais importante que ela são os conhecimentos, os estudos. O património físico é de somenos.

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  13. Luis Lavoura permalink
    19 Junho, 2018 11:50

    a instituição casamento acabou. É hoje pouco mais do que um acordo civil de partilha de activos entre duas pessoas.

    Concordo. Aliás, hoje em dia a maior parte dos casais (incluindo os casais de pessoas que se intitulam a si mesmos como “namorados”) não chega a casar-se em termos legais – vivem juntos e, frequentemente, têm filhos em comum sem estarem casados.

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    • 19 Junho, 2018 11:57

      Eu suspeito que aquilo a que hoje chamamos “união de facto” é o que durante séculos (ou se calhar milénios) se chamou “casamento”.

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  14. 19 Junho, 2018 13:29

    Faz sentido porque é uma instituição que deriva da tradição e é baseada nela que se funda a família- com todas as consequências que isso determina.

    A começar por quem pode ser adoptado, ou inseminado, ou feito órfão, para satisfazer caprichos liberais que passam a obrigatórios por decreto jacobino da lei.

    O v. problema- o dos neotontos- é que são os maiores aliados da escumalha escardalha do mundo-às-avessas.

    Tal como eles têm um grande atractivo por tudo o que cheira a decadência, a tábua rasa da tradição, a ordem natural e por aí fora.

    São progressistas revolucionários e Direita é coisa que não passa por isto. Isto é marxismo gramsciano travestido a neotontice rothbardiana.

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    • 19 Junho, 2018 14:24

      Atração a tudo o que cheire destruir a Ordem natural. Era isto que queria dizer.

      Até são contra-natura apesar de se fazerem passar pelo supra-sumo do naturalismo tribal.

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  15. 19 Junho, 2018 13:32

    Aliás, o apoio à família ainda vem na Constituição. E não consta que nela entre toda a anormalidade que possam inventar.

    Se entrasse, eu preferia a família aspirador à côncia que é daquelas que também garante que a Natureza nada tem a ver com a família.

    Família pode ser o que um psicomongo quiser. A dela é aspirador. Até lhe fez o funeral quando se finou e teve de usar a família adoptiva da vassoura

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  16. 19 Junho, 2018 13:39

    Está aqui

    A frase até foi dita pela psicomonga da ana matos. Com minúscula para ficar de acordo.

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  17. 19 Junho, 2018 14:30

    Anda tudo vegan mental a praticar animismo para se sentirem revivalistas haitianos.

    Nem o pdeófilo do Gauguin ou do Victor Segalen fariam melhor.

    Podiam criar kibutz sno Alentejo com os filhos da comunidade e arranjarem um Bruno Bettelheim bloquista para a gente acompanhar a agenda do novo partido liberal.

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  18. Carlos S permalink
    19 Junho, 2018 17:42

    Qualquer pai pode pedir teste de paternidade?

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  19. 21 Junho, 2018 10:13

    para miim , o que o CGP diz está claríssimo : o casamento deixou de fazer sentido a partir da “libelarização ” do divórcio . passou a ser um evento conjuntural , o casamento 🙂 l e a baixa taxa de natalidade também está relacionada com o divórcio a pontapé. aos homens é-lhes difícil aceitar esta realidade , muito melhor a poligamia sequencial , com a prole a cargo das sucessivas mulheres , do que uma chatice de um compromisso estruturante da vida e até que a morte os separe,

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    • 21 Junho, 2018 10:54

      O que ele diz é treta. O fascínio que lhe provocou ler o gene egoísto do bode nada tem a ver com a justificação da instituição do casamento.

      A instituição regulariza muito mais coisas que não são esse impulso de fornicar e procriar.

      Regula coisas que agora têm de inventar outras figuras jurídicas para o mesmo. Da idade permitida para essa formação base familiar, ao grau de parentesco que pode ser nocivo por consequências doentias da consaguinidade, até à base do par e não da poligamia que não se aceita nas sociedades mais evoluídas.

      Depois dava protecção aos filhos e às mulheres. Tudo isto é o oposto do egoísmo, pois tem um sentido de Bem Comum.

      Como o Euro2Cent disse, os ricos não abrem mão desta mais-valia, os proles é que vão atrás da destruiçao da família e depois lixam-se e ficam mais baratos.

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      • CGP permalink
        21 Junho, 2018 12:59

        Zazie, note que o contrato civil casamento continua a ter a sua importância, tanto simbólica como práctica. Mas o seu intuito é hoje diferente. Não serve mais para defender a prole ou corrigir assimetrias de poder e informação entre homens e mulheres. Hoje é um contrato civil de convivência e partilha de responsabilidades. Não reforça (nem enfraquece) o potencial reprodutivo dos intervenientes, nem oferece nenhuma protecção adicional às crianças.

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      • 21 Junho, 2018 14:44

        Se bem me lembro , Zazie , o casamento surgiu para assegurar uma mulher aos homens mais fracos , poiis a mulherada primitiva dava preferência aos alfa nessa coisa de perpetuar genes; assim , com uma mulher para os beta , conseguiam também maior diversifaicação de genes , suponho e mais população para ocupar território( isto sim , era o imp.). Ou qualquer coisa do género, era o que dizia um prof. de antropologia que tive em tempos
        Com esta história do divórcio , voltamos ao estado natureza : uns poucos vão fertilizar as meninas todas 🙂

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      • 21 Junho, 2018 14:50

        Claro , às tantas , com a sedentarização , põe-se a questão do património e de heranças , questão vivinha da silva ainda hoje , de aí que a Tia de cascais continue a casar e a ti maria sem um chavo também.

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      • 21 Junho, 2018 15:05

        Vamos lá a ver- a importância simbólica é ainda maior se for religioso. A importância social mantém-se e está legislada.

        Precisamente por causa do feminismo, a desprotecção de crianças e mulheres passou maior e daí até serem obrigados a ir buscar a figura tradicional e eligiosa do padrinho para a criarem estalmente por tutores.

        Quanto ao que e Marina diz, ninguém precisa de ir á pré-história. Podia bastar-se pela tradição romana a enorme diferença que o catolicismo trouxe.

        isto em relação ao Ocidente, Para os outros a coisa mantém-se por tradição religiosa e assimilação legal na lei.

        O que eu não entendo é a que propósito o materialismo do gene egoísta entra nisto para se perceber o que quer que seja em relação a um problema social que se resume na destruição da Tradição e da Família

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      • 21 Junho, 2018 16:51

        òh CGP:
        V. disse aí uma que deixei passar mas essa é que é meme abrilista:

        («o casamento) não serve mais para defender a prole ou corrigir assimetrias de poder e informação entre homens e mulheres.»

        Mas quem é que lhe disse que o casamento alguma vez serviu para corrigir assimetrias entre homens e mulheres?

        O casamento sempre serviu para outorgar privilégios!

        Entre os romanos o privilégio era para o pater familias que até tinha direito de vida e de morte sobre mulher e filhos

        Com o catolicismo o privilégio passou a ser para as mulheres casadas, por oposição às que nem casavam.

        E eles também. O casamento dá privilégios.

        Era bom que se percebesse a gigantesca importância histórica dos pribilégios e se deixasse a anormalidade da igualdade para os palermas dos comunas

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  20. 21 Junho, 2018 15:08

    Se quer saber, acho que o poder da cerimónia é de tal ordem e reforça mesmo esse natural instinto de casal e filhos que até as fufas e os gays já o entenderam.

    Se assim não fosse, como explicava que essa malta estéril queira casar e ter filhos.

    Podiam ficar-se por pansexualismo e desbunda que continuam a praticar fora da instituição que também adoptaram.

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    • 21 Junho, 2018 15:14

      Ó Zazie… então , se agora os alfa ficam com as mulheres todas , aos betas não resta mais que casar uns com os outros 🙂

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      • 21 Junho, 2018 15:37

        ehehe

        É uma questão curiosa e, esta sim, tem algo de “meme” histórico.

        Há uma imitação por influência da tradição do casal e casamento que os invertidos acabam por assimilar para se sentirem iguais.

        Ou até admito, por amor. Porque isto de reforçar vínculos de par e de família tem de ter algo de natural e instintivo.

        Não é apenas uma treta inventada pelas religiões ou pelo Estado.

        Os homens ainda pensam que não casam com qualquer uma que não possa vir a ser a mãe dos filhos deles.

        E em havendo filhso, muitos até legalizam as uniões.

        É uma escolha familiar. E não entra na família qualquer coisa. Entra por imitação da norma, mesmo quando é des-norma e contra-natura como a dos homossexuais.

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  21. 21 Junho, 2018 15:16

    Mas é claro que continua a oferecer protecção.

    Oferece protecção aos próprios em matéria de impostos e heranças. òbvio que também oferece aos filhos.

    Porque bastardia é coisa que não acaba por lei. É o sentido do que faz parte do matrimónio e do que não faz.

    E nisso o instinto das mulheres “legais” é sempre eficar a tirar benefícios ao bastardo.

    Por outro lado- como é que se regulamenta a idade permitida?

    Acaso se admite sexo entre adultos e menores ou isso até corre o risco de ser considerado crime?

    E porquê? vão ou não vão buscar o mesmo à tradição do casamento?

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  22. 21 Junho, 2018 15:17

    E as famílias, como é? deixaram mesmo de existir ou deixam de existir para quem é parvo e oportunista e salta fora.

    Pergunte a uma negra como é que agora é. Para que lhes serviu a emancipação. Veja quem trabalha e tem de cuidar dos filhos sozinha.

    E pergunte a ucranianas ou asiáticas como é?

    Eu pergunto porque contacto diariamente com todas essas pessoas e chego à conclusão que espertos ainda são os ortodoxos do leste e os asiáticos muçulmanos

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  23. 21 Junho, 2018 15:38

    numa sociedade que coloca bébés em creches , para serem socializados por completos estranhos , e que depois manda os meninos 10 horas por dia para escolas e variadas actividades , meninos que às tantas viram pobres e têm de mudar de bairro e escola porque o papá foi cuidar de outra “família” ; numa sociedade que coloca os seus maiores em lares para serem cuidados ( ou mal tratados) por pessoas completamente estranhas , eu diria que a família , entendida como laços de consanguinidade , existe , mas é só.

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  24. 21 Junho, 2018 15:56

    Eu já nem vou por aí.

    Acho que isso era dantes porque o presente é mais assustador e patológico.

    Tenho observado o comportamento de jovens raparigas em jardins. Quando aparece um cão, agarram-se a ele e roçam-se com gestos de carência e ternura que é coisa disparatada.

    Mas é disparatada replicando o mesmíssimo instinto de apelo maternal. E dantes faziam isso quando viam um bebé ao colo de outras.

    Agora agarram-se aos cães.

    E depois vê-se casalinhos novos com os cães em todo o lado- até nas manifs como se fossem bebés.

    Isto sim – é sintoma de morte. Mas nem é morte de instintuição- é morte genética.

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  25. 21 Junho, 2018 15:56

    Porquê é a pergunta.

    Tenho-a feito e não me contento com a resposta de ser por moda ou comodismo ou hedonismo e irresponsabilidade.

    Há-de ser algo mais profundo.

    Tenho pensado nisso quando vejo como as minhas glicínias em faltando o frio do inverno também não dão flor.

    O ser humano não pode viver em redomas sem a menor ameaça de nada. Fica estéril. Não sai dali nada de nada.

    As sociedades perdem os instintos vitais.

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    • Euro2cent permalink
      22 Junho, 2018 18:26

      Há-de ser algo mais profundo.

      Sabe aquela do Douglas Adams? “The story so far: In the beginning the Universe was created. This has made a lot of people very angry and been widely regarded as a bad move.”

      Acho que isto foi só um merceeiro que quis vender mais sabão, inventou a publicidade, e não tardou muito veio a liberdade de expressão, a alfabetização geral, o romantismo, o sufrágio universal, as aspirinas, as bombas atómicas e o divórcio.

      Aposto que se tivessem mostrado ao homem as consequências numa bola de cristal, ele tinha desistido, porque lá seria algo ganancioso mas não um bruto completo para condenar as gerações futuras à danação.

      (Também, raio de cultura que cai para o lado com uns folhetos publicitários, que florzinhas delicadas … claro que vai sobrar para espécies mais robustas.)

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